Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Carta de Abraham Lincoln ao professor do seu filho, em 1830.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Carta de Abraham Lincoln ao professor do seu filho, em 1830.

Obs. Historiadores dizem não ser verdadeira esta carta. Verdade ou não ela é uma lição de vida. Se todo pai preocupasse com seu filho como ele diz na carta, o mundo seria outro. 

                         “Caro professor, meu filho não é melhor que ninguém. Ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas, por favor, diga-lhe que, para cada vilão há um herói, para cada egoísta, há um líder dedicado”.

- Ensine-o, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-o que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.

- Ensine-o a perder, mas também, a saber, gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.

Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.

- Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

- Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho. Ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.

Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

- Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço. Deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.“
Obrigado.

Abraham Lincoln, 1830.


Nota - Já depois de publicada esta nota me disseram para a possibilidade desta carta não ter sido escrita por Lincoln. É mesmo essa a opinião dos maiores especialistas americanos na obra desse grande Presidente dos Estados Unidos. Mesmo assim, deixando aqui este alerta, decidi manter o texto por considerar que ele é lindíssimo.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Curiosidades. O lenço Escoteiro.


Curiosidades.
O lenço Escoteiro.

                 Outro dia um vereador em São Paulo quis criar o dia do Ovo! Não foi o dia da galinha foi sim o do ovo. Porque ele quis fazer este decreto não sei. Acho que ele era um emérito Criador de aves e ganhou muito dinheiro como aqueles que passam na sua porta oferecendo ovos de todos os tipos por uma módica quantia. Mas eis que agora temos o dia do Lenço Escoteiro. Não sei quem instituiu este dia. Como já temos o dia do escoteiro, o de Baden-Powell do sênior do lobo e do pioneiro, porque não do lenço? Afinal quem dentro do movimento não ama o seu, não se orgulha dele e sempre diz: - Este é o meu de promessa. Meu orgulho meu amor!
             
                São tantos os dias dedicados a alguém ou mesmo um objeto que me perco em todos eles. Ainda bem que tem grandes pesquisadores para lembrar. Não poderia deixar a data passar em branco. Tive meu primeiro lenço, verde e amarelo quando participei do Grupo Escoteiro São Jorge em Governador Valadares, faz tempo. Eu ia fazer sete anos. 1947 por aí. Não tenho fotos da minha promessa. Mas o tempo passou fui parar no Grupo Escoteiro Walt Disney em Belo Horizonte e passei a usar o lenço Vermelho e Preto. Trabalhando na Usiminas lá pelos idos de 1961 eu e o Carlos organizamos o Grupo Escoteiro Tapajós. Escolhemos as cores vermelho e branco para o lenço.

              Em São Paulo usei por dois anos o lenço do Grupo Escoteiro Paineiras com muitas cores e encerrei minha carreira em grupos no Águia Branca de Osasco. Nunca esqueci meu primeiro lenço. Eramos tão amigos que ele conversa comigo até hoje. Duvidam? Então me procurem às três da manhã quando vou tomar um banho frio e ele está lá falando, falando e não para de falar. São coisas de lenços escoteiros. Mas hoje é outra história. É o dia dele e vamos homenagear.

                          Quem não conhece o Lenço Escoteiro? Hoje seu dia por que não comentar sobre ele? Dizem que ele é mais do que uma simples peça do uniforme. Disso ninguém duvida. O lenço escoteiro é um pedaço de tecido de forma triangular, parte fundamental do uniforme de todas as organizações escoteiras ao redor do mundo. A peça foi adotada pelo fundador do movimento escoteiro Robert Baden-Powell por ter dimensões muito próximas as de ataduras triangulares muito usadas em primeiros socorros. Usado geralmente em cerimônias, o lenço é enrolado, colocado ao redor do pescoço e então preso com um anel. Cada Grupo Escoteiro tem liberdade para definir as cores e o emblema de seu lenço. É uma tradição em acampamentos e eventos ao redor do mundo trocar lenços com outros escoteiros, sendo que alguns chegam a formar verdadeiras coleções.

           Todas as unidades estaduais e a unidade nacional da UEB possuem lenços próprios. O lenço nacional, usado em cerimônias e eventos internacionais, era azul e tem por emblema o cruzeiro do sul bordado em branco e já apareceu um “çabio” para mudar. Deus do céu! Como gostam de mudar. Afinal porque isto? Não era uma tradição? Bem vejamos o Lenço de Gilwell. Um dos mais antigos lenços escoteiros do mundo, adquirido ao se completar as etapas da insígnia de madeira (curso treinamento de chefes escoteiros).

- O que pensava B.P sobre o Lenço Escoteiro:
Eu tive uma questão proposta a mim sobre a relação entre a boa ação e o nó do lenço escoteiro. Minha idéia era que o Escoteiro, pela manhã, deveria fazer um nó extra em seu lenço ou deixá-lo por fora de seu colete até que tenha feito à boa ação do dia, quando então poderia voltar ao uso ordinário do lenço por dentro do colete ou com um nó simples nele. Por essas estúpidas palavras da minha parte algumas impressões confusas surgiram no estrangeiro, mas penso que não importou muito – as boas ações eram realizadas todas do mesmo jeito.

- Com o passar do tempo vimos que o lenço tinha muitas utilidades e era questão de honra cada um aprender a usá-lo e conhecer suas diversas utilidades. Todos aprendem a usá-lo como tipoia, como fabricar uma maca, amarras diversas principalmente em talas feitas para estancar hemorragia, transportar pesos na cabeça, servindo de almofada. Numa situação temporária, fazer de cinto. Tapar, por exemplo, massa a levedar, ou alimentos frescos. Para filtrar água com sujidades naturais (poeira, folhas, erva) Para proteger o pescoço do sol, usando-o normalmente.

                      Bem o lenço chegou para ficar. Ainda não tivemos um “çabio” na EB para querer acabar com ele. Temos que tomar muito cuidado. Lá na direção temos muitos “çabios” que já mudaram tanto, acabaram com tantas tradições que não duvido de aparecer um deles para dizer: - Abaixo o lenço! Agora todo mundo vai usar uma corda no pescoço tipo a de Tiradentes. Risos.

                   Durante muitos anos, os lenços dos escoteiros eram quadrados, dobrados em triângulo e depois enrolados. Na lista de material individual pedido aos rapazes de Brownsea, constava um lenço, preferencialmente de cor verde escuro. Nas pontas, é tradição dar-se um nó simples para lembrar a Boa Ação diária. O termo em inglês para o nosso lenço é “neckerchief” ou “scarf”. Só por volta de 1923 é que se tornou hábito usar uma anilha nos lenços, pois, até aí, era simplesmente usado um nó tipo gravata.

Os escoteiros americanos só começaram a usar o lenço no uniforme a partir de 1920.
No Brasil o lenço escoteiro deve ter catetos medindo de 60 a 90 cm, sendo os grupos escoteiros responsáveis por suas cores e emblema.


Feliz dia do lenço. Um orgulho para cada um dos oitenta e tantos mil escoteiros do Brasil e dos mais de 25 milhões de escoteiros no mundo.

Nota: -  O meu lenço é verde e amarelo,
Tem o azul do céu cor de anil.
Tem o Branco do meu caderno
Tem as cores do meu Brasil.

sábado, 29 de julho de 2017

Histórias de Baden Powell. Era uma vez... Lá em Brownsea:


Histórias de Baden Powell.
Era uma vez... Lá em Brownsea:

                  Nos meados de junho de 1907, certo dia, Robert S. S. Baden-Powell o primeiro Chefe Escoteiro do Mundo, escreveu cartas a alguns de seus velhos amigos do Exército e suas esposas que eram pais de rapazes de 11 a 14 anos, alunos de afamados colégios particulares: - Harrow, Eton, Chaerhouse e outros. Ele dizia: - Proponho-me a realizar um acampamento com 18 rapazes selecionados, para aprender escotismo durante uma semana nas férias de agosto. O acampamento por permissão generosa de C.Van Raalte, será realizado na ilha de Brownsea em Poole. E continua sua carta delineando o adestramento que os rapazes teriam e assegurando aos pais que tudo estava cuidadosamente planejado. O fornecimento de alimentos, a cozinha e as medidas sanitárias. Incluiu uma lista de material de acampamento e roupas.

                  Dias depois enviou convite semelhante às Companhias de Brigada de Rapazes (Movimento juvenil já existente) de Bournemouth, dando a três outros rapazes que fossem alunos de escolas secundárias do governo, ou empregados em fazendas ou filhos de operário. O efetivo pretendido de 18 se elevou a 21, pois todos queriam acampar com o herói de Mafeking que 217 dias defendeu esta cidade situada na Guerra dos Boers. Mas tarde B-P decidiu levar como seu “Ajudante” um sobrinho de 9 anos, órfão de pai. Convidou seu companheiro de armas o Major Kenneth McLaren para seu assistente. No anoitecer do dia 31 de julho todos os participantes do que seria o 1º Acampamento Escoteiro do Mundo se encontraram na ilha de Brownsea na costa sul da Inglaterra. Do dia seguinte em diante e durante sete dias B-P por a prova do que ele chamava “Esquema do Escotismo”.  Até hoje todos os Chefes Escoteiros do Mundo ainda podem dar aos seus escoteiros as mesmas emoções, seguindo fielmente o programa realizado no Acampamento da Ilha de Brownsea.

                     Na primeira manhã os rapazes formaram quatro Patrulhas com os mais velhos como monitores. As patrulhas receberam seus nomes e cada rapaz recebeu as fitas de Patrulha de cores distintas para por no ombro: - Maçaricos-amarelo; Corvos-vermelho; Lobos-azuis; Touro – verde. As fitas tinham 2,5cm de largura em dois pedados de 45 cm de comprimento, dobrados ao meio e pregados com alfinete de segurança sobre os ombros. Cada Monitor portava um bastão curto, com uma bandeira triangular branca tendo a silhueta de cabeça do animal de Patrulha pintada em verde. Os monitores usavam um distintivo, uma flor de lis de feltro branco na frente do boné escolar. Não havia uniformes. Cada membro da patrulha recebeu um número: - Monitor numero um, sub número 2, e assim por diante. As responsabilidades da rotina diária de trabalho foram explicadas. As Patrulhas foram localizadas no campo cada uma com uma barraca.

Histórias de um rico passado Escoteiro:

               “Os jovens foram divididos em quatro patrulhas: Corvos, Lobos, Maçaricos e Touros (assim estes foram os primeiros nomes usados por patrulhas escoteiras). As patrulhas acampavam por sua conta, sob a direção de seus próprios monitores, com total responsabilidade pela sua honra de levar adiante os desejos do Chefe e com grande eficiência”.

              “Mas as memórias mais vividas de todas eram os fogos de conselho, antes das orações e do apagar das luzes. Ao redor do fogo à noite Baden-Powell nosso Chefe nos contava algumas histórias assustadoras, conduzia ele mesmo o canto Eengonyama e com seu jeito inimitável atraia a atenção de todos”.

“Eu ainda posso vê-lo como ele ficava diante da luz, alerta, cheio de alegria e de vida. Um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocaiar um animal selvagem, contando uma história curta ou dançando e cantando ao redor do fogo. Mostrava uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo a todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção”.

             Naquele inesquecível acampamento se aprendeu a construção de abrigos, fazer colchões, acender fogo, cozinha mateira e todos se divertiam com os jogos que eles faziam. O jogo "Caça ao Urso" - Um dos rapazes maiores é o urso e tem três bases nas quais ele pode se refugiar e estar a salvo. Ele leva um pequeno balão de borracha cheio de ar nas costas. Os outros rapazes estão armados com bastões de palha amarrados por um cabo (ou jornal enrolado) e com os bastões procuram fazer estourar o balão, enquanto o urso está fora da base. O urso tem um bastão semelhante com o qual procura tirar os chapéus dos caçadores. Se isto acontecer o caçador está morto, mas o balão do urso tem de ser arrebentado para que ele seja considerado morto.

               O bivaque feito só pela Patrulha foi sensacional. As Atividades Práticas da Natureza foram demais. Relatórios de observação da natureza - “Envie suas Patrulhas para descobrirem por observação e relatarem depois, coisas como essas: Como o coelho silvestre cava sua toca? Quando um grupo de coelhos é assustado, um coelho corre apenas porque os outros correm ou olha ao redor para ver qual é o perigo, antes de também correr? Um pica-pau tira a casca para apanhar os insetos no tronco da árvore, ou apanha-os pelo buraco, ou como é que os acompanha? etc.”.

                  Baden Powell era um esplêndido contador de estórias. Tinha um espantoso estoque de anedotas sobre os heróis de todos os tempos. Para seu próprio uso, ele havia criado um código de ética, baseado nos códigos dos Cavaleiros do Rei Arthur e nas suas próprias reflexões. Agora ele pode procurar instilar nos rapazes os mesmos ideais, contando-lhes as façanhas dos heróis admirados pelos jovens e imprimindo em suas mentes a ideia de “Boa Ação Diária”.

                  Quem assistiu sentiu os grandes debates que BP teve nesta ocasião com os rapazes. Foi ali que viu cristalizar o seu pensamento e a formular um código aceitável para os rapazes: A Lei e a Promessa Escoteira. Ele experimentou jogos que lhe pareciam capazes de por em relevo e dar expressão prática aos traços de caráter que ele desejava que os rapazes possuíssem. Ele pôs à prova a lealdade e a esportividade deles em jogos de equipe com regras estritas. Pôs à prova a coragem deles com alguns golpes e chaves simples de jiu-jitsu, e a disciplina e obediência num jogo em botes - a caça à baleia.

Voltando no tempo. Brownsea. Um acampamento que ficou na história!

Baden-Powell, um homem além do seu tempo. Reviver é não esquecer nunca mais!

Abertura: - Era uma vez... Lá em Brownsea:
 - “Eu ainda posso vê-lo como ele ficava diante da luz, alerta, cheio de alegria e de vida. Um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocaiar um animal selvagem, contando uma história curta ou dançando e cantando ao redor do fogo. Mostrava uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo a todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção”. – 110 anos de Brownsea, onde tudo começou! 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Crônicas de um Chefe escoteiro. Os donos do poder.


Crônicas de um Chefe escoteiro.
Os donos do poder.

               Entra dia sai dia, vai mês entra mês e lá se foram quase setenta escoteirando. Aprendi tanto e me senti o homem mais feliz do mundo como escoteiro. Adotei uma causa maravilhosa voltada para um tipo novo de educação, através do aprender fazendo, tudo ao ar livre, no campo, fazendo coisas que nunca fiz eu costumo pensar que ainda não aprendi nada. O que adianta aprender o que é honra? Caráter? Ética e respeito? O que adianta fazer uma promessa e dizer que faremos o melhor possível para cumprir uma lei? Afinal não sou juiz e nem Salomão para julgar alguém e os que se comprazem a fazer do escotismo a sua moda esquecendo que temos uma Lei e uma Promessa.

               Tento ser autêntico, mas tem muitos que não são assim. Eles estão errados? Porque eles se julgam superiores, se colocam em um pedestal como se fossem os donos da verdade será que eles merecem nosso respeito? Pergunto-me se são escoteiros, imbuídos no espírito fraterno, no espírito de servir e a ser cortês. Abusar dos mais humildes, daqueles que se sentem indefesos e se mostram como os donos do poder é papel esperado de um líder ou um Chefe escoteiro? Hoje já velho mudei muito. Antes nunca levei desaforo para casa. Achava que se aprendi a fazer a massa e sabia fazer o pão não tinha que dar explicações a ninguém. Não é bem assim. Somos um movimento voluntariado e, portanto normas devem ser obedecidas, mas tudo sobre  a prisma da ética e do respeito pessoal.

               Até aí tudo bem estou de pleno acordo. A hierarquia tem de existir para funcionar a engrenagem do escotismo. O que não posso admitir é esta arrogância, esta falta de cortesia de amor ao próximo e principalmente o respeito. Isto é fraternidade? Abusam da autoridade com os oprimidos e não falo do poder civil, nada disto, falo do poder escoteiro. Podem até me contradizer que não existe tal poder. Será? Uma liderança que exemplarmente não dá satisfação a ninguém que decide temas que interessam a todos sem consulta se apoiam na miragem estatutárias para dizer que a organização tem normas e isto lhe dá o poder que possuem?   

              Vi na Internet um pequeno artigo de Nilton Mendonça que me chamou a atenção. Ele assim escreveu aos que pensam serem os donos da verdade e do poder. – Não quero glorias nem tão pouco me glorificar. Quero apenas o respeito! Seu respeito. Não preciso que me diga de que lado nasce o sol, eu só quero seguir a minha vida. Eu me escrevo em letras grandes, o meu EU é somente... Eu, meu nome. Quero contenta-me em viver fazendo, e sendo feliz, jogando fora as opiniões, as outras opiniões. Guarde pra você o que me diz respeito e só me fale se for realmente pra corrigir o que penso que é normal. Ele continua dizendo o que pensa sobre este poder que se acha superior a todos.

             Eu me pergunto quem são essas pessoas que dizem ser donos da verdade, donos da razão. Quem são esses que dizem ser politicamente corretos, mas não sabem nem mesmo o significado da palavra respeito e fraternidade. Quem é essa massa que na hora de decidir o futuro diz não querer saber de nada e depois ficam se perguntando quem são os responsáveis por tal baixaria? Quem são esses que não usam máscaras, mas fingem ser seu amigo e depois nem mesmo fingem lhe conhecer. Quem são essas pessoas que saem as ruas por motivos banais e fúteis e depois ficam a murmurar baixinho sua insatisfação pelo que realmente acham que é importante?

             Sei que cada capitulo que escrevi até hoje não é novo, ele já foi extinto da memória de muitos. Sempre teremos estes que se dizem escoteiros, que se acham acima do bem e do mal, que tomam atitudes não condizentes com o respeito, com a verdade, nunca olhando nos olhos e dizendo o que se deveria dizer. Está se espalhando como uma pequena epidemia em todas as camadas escoteiras que pensam que são os donos do poder e da verdade. Não vou chamá-los de ignorantes. Afinal ignorantes não são os que não sabem a verdade, ignorantes são os que se afirmam serem donos da verdade absoluta.     

             Não posso julgar a cada um que resolveu sair do Escotismo reclamando destes lideres que nem deviam estar atuando no escotismo que Baden-Powell tão bem definiu como um movimento fraterno e universal. Quando Lideres nacionais ou regionais, quando chefes de Unidades locais passam a se achar donos da verdade, a tomarem atitudes sem antes ver e ouvir a quem de direito, a se tornarem juiz sem ter poder para tal, me lembro de um líder de Gilwell Park já falecido que escreveu:


- Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficiente, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento. Feliz palavra de John Thurman. Muitos associados adultos, rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades, reclamam do poder que alguns exercem sem ver a voz da razão. Precisamos meditar. E ele finaliza: - Os únicos capazes e possíveis de por o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Nada mais a dizer!

Nota: Escrevo este artigo, copia de muitos que já escrevi no passado, pois sempre acreditei que somos um movimento ético, verdadeiro sem sonhos de poder já que nossa finalidade é gloriosa, pois estamos trabalhando com jovens pensando que eles no futuro terão tudo aquilo que acreditamos na Lei e na Promessa Escoteira. Sei que nunca devemos ter a pretensão de sermos os donos da verdade; porque as nossas verdades jamais serão unanimidade para os outros.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Uma pequena crônica pela manhã. SAPS? Deus me livre!


Uma pequena crônica pela manhã.
SAPS? Deus me livre!

                   Eu me divirto quando publico esta antiga crônica pelas mensagens recebidas. Muitos tentando explicar e outros concordando. Claro que tem lógica escrever SAPS, mas dizer a viva voz? Bem alguns já me disseram que eu devia preocupar com outras coisas e deixar o SAPS de lado. Pode ser que tenham razão. Mas tentem compreender, sou um velho chato de galocha, Criador de casos e contador de Causos! Risos. Como vivi no Tempo das Diligências não me adapto as novas tecnologias facilmente. – Chefe! Grita um. SAPS não é tecnologia, SAPS é uma abreviação de Sempre Alerta para Servir! – Bomba! Eis aí um “çabio” Escoteiro e conhecedor das missangas que na linguagem técnica usamos.

                  Outro Chefe me pergunta por que eu não gosto de dizer SAPS. – Quer saber? Já fui muitas vezes ao meu retiro espiritual no Pico do Jaraguá e subi os trezentos degraus até a torre de TV, me ajoelhei, rezei e cheguei a uma conclusão que ainda não tive uma boa explicação. Deveria ter entrado no Campo Escola do Jaraguá, mas hoje nem sei se o Prefeito vai me deixar entrar. Rarará! – Eu amo o campo escola. Lá passei lindas noites acampadas cursando e me sentindo em plena floresta amazônica. Maneira de dizer é claro. Foi então que resolvi ir até a Avenida Paulista me penitenciar e eis que me defronto com um monte de chefes, placa na mão, bandeiras da UEB ou EB sei lá, a gritar SAPS! “Eita” vida escoteira danada!

                  Deixei meu pensamento voar até Piquitiba, onde é a sede Nacional para ver se eles ainda escrevem por lá o famigerado SAPS! – Não vi nada, eles não escrevem, pois o tal SIGUE soberbo e magname se esqueceu de colocar em seus arquivos o tal SAPS. Voltei correndo para casa e fiz uma leitura dinâmica dos pensamentos e nos livros de B.P. Não achei nada relativo ao famigerado SAPS. Claro que B.P nem sabia o que era isto. Ele no seu sotaque de Lord Inglês no seu bom tom, sempre dizia BE PREPARED. Seria até divertido ele gritar no alto do BIG BEN para a escoteirada inglesa – MY BELOVED SCOUTS, SAPS! – Nada há ver, meu caro Chefe Vado. Nada há ver. SAPS é só no Brasil! Como diz o meu amigo italiano: - Porca lá miséria! Que diabos inventaram?

                Melhor é botar a “cuca” para funcionar e ver em que ano ou década, um grande e famoso “Çabio” criou tão famosa marca que nem sei porque os Uebeanos da Corte não registraram no IMPI. Sei que gostam de registrar tudo como se tivessem carta branca de Baden-Powell. Já registram Escoteiro, Indaba, Jamboree e tantas missangas que não anotei. Eureka! Opalalá! – Explicando: - Eureka é uma famosa exclamação atribuída a Arquimedes, significa efeito à realização e súbita e inesperada solução para um problema. – Foi no final da década de sessenta que um “iluminado” da EB (tem tantos lá) criou a sigla SAPS. Ainda não havia o SIGUE e os valentes do Escritório Nacional escreviam tudo a mão em uma Olivetti ou Remington para a escoteirada do Brasil. Cansado de Escrever Sempre Alerta para Servir, eis que uma luz iluminou o palco da Sede Nacional e um anjo gritou: - Escreva SAPS!               

                  Ele sabia que escrevendo SAPS precisava primeiro de explicar e correu lá no POR colocando no artigo primeiro o que significava SAPS. Ele um autêntico “çabio” dirigente viu que havia muitas siglas escoteiras e porque não fazer um dicionário? Quem sabe o que é DEN e CAN levante a mão! – risos. A maioria não sabe né chefão? Mas olhem, o tal SAPS pegou. Se espalhou por todo o Brasil, tanto que soube que um Comissário Internacional escreveu em inglês para a WOSM (outra sigla de lascar) colocando no final a sigla SAPS. O Wosmoento não sabia o que era e reuniu o Conselho Mundial para discutir e quem sabe colocar nos seus estatutos. Francamente! Se era o que queriam que a sigla SAPS se tornasse uma palavra e fosse reconhecida internacionalmente, eu fiquei “sapseado” só de ficar pensando.

                  Mas danação! A façanha do “çabio” Uebeano foi levada pelo vento aos quatro cantos do Brasil. Era gostoso dizer SAPS. Prá todo lado só se dizia e escrevia SAPS. Era SAPS aqui, SAPS ali uma profusão de SAPS que fiquei mais “sapeado” ainda com tudo isto. A preguiça tomou conta. Em vez de escrever por inteiro era melhor pronunciar SAPS. Soube que muitos ao chegarem à sede gritavam alto: - SAPS escoteirada e lobada! Um lobinho chato prá xuxu reclamou. – Akelá! E o Melhor Possível? Ela pensou, pensou e como se fosse uma “çabia dirigente” de saias colocou lá: - MPSAPS! Pois é... Agora danou-se!

                Ei! Calma aí! Não me julguem um velho desdentado e maniento! Nada disto.  Tudo bem que sou um "Velho" Escoteiro “gagá” e chato de galocha que lembra com carinho o Sempre Alerta, o Melhor Possível, o Servir, sempre dito de maneira elegante, afinada, em posição de sentido, cascos juntos, um sorriso nos lábios e uma voz cantante ao dizer aos meus amigos do movimento que encontrava. Afinal meu Chefe me ensinou que era ponto de honra ser o primeiro a dizer Sempre Alerta, ou Melhor, Possível ou Servir ao chegar à sede Escoteira. Adorava receber cartas da UEB de amigos e dependendo do ramo ele dizia: Sempre Alerta Chefe! Melhor Possível Chefe! Servir Chefe! – Já pensou receber a revistinha Sempre Alerta (bem feita, bonita e quando chegava passava de mãos em mãos) alterada na capa e em vez de Sempre Alerta terem mudado para SAPS?


                   Pensem comigo e se alguém inventa uma máquina do tempo e um “come-quieto” da EB for participar do Primeiro Jamboree na Inglaterra, chegando lá com esta vestimenta chique desbotada, camisa para fora, meinhinha vermelha, chapéu de pano e todo posudo e gritar para o chefão: - My beloved Scouts! SAPS Lord Baden-Powell! O que o nosso fundador diria? – Claro, ele diria o que alguns disseram que o falecido presidente Francês Charles De Gaulle disse: - Este Brasil não é um país sério! – Mas meu amigo, minha querida amiga se você gosta do famigerado SAPS, se você tem preguiça em dizer Sempre Alerta para Servir, se você não se preocupa na saudação gostosa da Lobada – Melhor Possível! – Então, e só então pode dizer o tal SAPS a vontade. E mesmo assim eu um velho baguelo Escoteiro grito bem alto: Abaixo o SAPS!

Nota: - - E se você adora o tal SAPS, veja o que escreveu para mim um Chefe Escoteiro: - Chefe Osvaldo, adorei suas considerações sobre o SAPS. Sempre vi como uma "burocratização" ou um mero "invencionismo" linguístico dado às saudações escoteiras, que cria certo um ar de codificação quase militar. - Às favas com SAPS e Sempre Alerta para Servir fazendo o melhor Possível. Rsrsrs. 

sábado, 22 de julho de 2017

Rafael. Um Escoteiro Segunda Classe.


Rafael.
Um Escoteiro Segunda Classe.

            Ficou dias na encosta do Morro Vermelho treinando. Conversou com muitos que conseguiram e conquistaram o direito de ficarem marcados no Livro da Patrulha. Parecia tudo muito simples, mas Rafael tinha medo. Não aquele medo de tremer, de correr de procurar um lugar para se esconder. Nada disto. Era um escoteiro Noviço e tinha orgulho da sua Patrulha Morcego. Ele olhava os segundas e primeiras classe da Tropa Escoteira e ficava imaginando como ser um. Era seu sonho. Sabia que eles tinham um olhar de vitória e seu sucesso lhes dava o brasão sonhado de serem considerados acampadores de primeira linha.

            Tinha receio que no dia chovesse ou o orvalho do entardecer o prejudicasse. Aprendeu a escolher a boa lenha, o capim certo e Josiel o ensinou a afiar seu canivete e sua faca Mundial. Seu pai lhe deu uma pedra de afiar a óleo. Josiel sorria para ele quando mostrou em um movimento circular ele passar as duas faces da lâmina de um lado e outro sobre a pedra. Rafael, quando a lâmina estiver no ponto passe ela por uma tira de cabedal polvilhada com um produto de polir. Fixe uma das pontas da tira de cabedal e estique-a bem, passando depois a faca e o canivete ao longo da tira, com o lado rombo da lâmina voltado para si e o lado cortante apertado de encontro à tira.

            Ele não tirava o olho de Josiel. Havia guardado suas palavras quando finalmente terminou dizendo: - Rafael volte à lâmina e passe-a ao longo da tira em sentido contrário, com o lado rombo voltado na direção oposta à do seu corpo. Pronto agora sua faca e o canivete ele estará pronto para uso. Rafael aprendeu e treinou o quando pode afiando as facas de cozinha de sua casa. Fez o mesmo na Casa vizinha de Dona Rute e Dona Sinhá. Ele estava pronto para o desafio para receber finalmente sua Segunda Classe.

            No acampamento Rafael escolheu um bom local para o Fogo do Conselho. Preparou tudo na véspera com pedras e areia que retirou do Córrego do Peixe para a segurança de se acender um fogo na mata. No dia do Fogo de Conselho teve licença do Monitor para a montagem final. Cortou achas pequenas e grandes, preparou dezenas de tiras de madeira cortadas como se fossem papelão com sua faca e depois preparadas com o canivete. Galhos fininhos eram expostos para uso. Encontrou próximo ao local uma toifa de Capim angola (brachiaria mutica) seca.

           O sol já estava se ponto quando Rafael terminou sua pirâmide e iniciou a montagem em volta com achas mais grossas montando em volta como se fosse uma fogueira de São João. Bocaina um Sênior Construtor de Pioneiras deu a ele as dicas de como colocar pequenas achas para que a fogueira permanecesse acesa por duas horas sem necessidade de renovar o fogo. Com muito cuidado Rafael colocou uma pequena lona para proteger do orvalho da noite e de possível neblina que pudesse prejudicar todo seu trabalho.

           Todos já haviam se aboletado em volta do futuro fogo para mais uma noitada alegre de fogo de conselho. Chefe Tomaz convidou Rafael para acender o fogo. Deu a ele um palito de fósforo e um pedaço da caixa. Sorriu para ele desejando sorte. Rafael não tremia. Suas mãos estavam firmes e se dirigiu ao fogo que tinha montado. Ajoelhou. Fechou os olhos e pediu a Deus que não o deixasse falhar na sua grande obra. O fosforo foi aceso. Devagar ele o levou a entrada da fogueira até o pequeno túnel que fez por baixo. O fosforo piscou algumas vezes querendo apagar.


           Um silêncio profundo se fez. Todos torciam por Rafael. Uma pequena fagulha clareou parcamente dentro da armação da fogueira. Pequenas chamas brotaram. Todos ficaram de pé aplaudindo Rafael. Ele conseguiu! – Uma palma escoteira ressoou logo após um grande Bravoô! – Uma Bandeira Nacional surgiu nas mãos de Coleman o Monitor. Ele a soltou segurando as pontas com as mãos. Rafael tinha os olhos rasos d’água. Com o grito da Patrulha e o Lema ele finalmente recebeu nas mãos do Chefe Tomaz sua Segunda Classe. Um dia que ficou na história para ele por toda sua vida!

Nota - Um conto para quem já foi um Escoteiro Segunda Classe. São fatos marcantes e que são recordados por toda a vida quando um escoteiro conseguia finalmente receber seu distintivo quase sempre na solenidade de uma fogueira. Algumas tropas aproveitavam para que o agraciado recebesse seu nome de guerra, pulando por três vezes sobre o fogo gritando alto o nome escolhido. Coisas do passado. Coisas que ficaram para sempre na memória de quem teve a honra de participar.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Quando o mar não está prá peixe!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.

Copiei de um poeta: - De vez em quando fico triste do nada, com motivo ou sem motivo. De vez em quando fico feliz do nada, com razão ou sem razão. É assim, às vezes dá vontade de sair pulando, distribuindo beijinho, dando abraços e, em outras, dá vontade de mandar todo mundo pra muito, muito longe...

           Olhe me desculpe, mas tem dia que o mar não está prá peixe. Não está mesmo. Voce sabe que tem de dar exemplo afinal você cobra muito isto dos outros. Mas será que não existe um dia que você não tem o direito de mandar todo mundo para a Tonga da milonga do kabuletê? Quem não passa por isto? Quem um dia não sente que é a pior pessoa do mundo, com uma vontade de se esconder na mata e não voltar nunca mais? Nossa! É demais. Voce tem uma vontade de sumir do mapa e não dar notícias para ninguém. Ai você olha para dentro de você e pergunta; - Porque não rir? Porque não procurar o abraço aconchegante? Porque não gritar para o mundo que você é feliz?

           Mas você não faz assim. O mundo nesta hora está um pitoco de esterco. E se você conta o que está passando sempre tem aqueles para dizer: - Calma Chefe! Amanhã é outro dia! Pois é. E quando vai chegar o amanhã? Chefe, meu querido Chefe, reze peça ao Pai do Céu um calmante para que você possa voltar a ser o mesmo de antigamente, o cara certinho, cheio de amores e dizendo para todo mundo que um abraço resolve, um aperto de mão é certeiro e um Sempre Alerta é perfeito para lavar a alma. Aí você se olha no espelho e diz para você: - Não tenho direitos de um dia ou outro ficar triste? Reclamar da minha vida? Se trancar em um lugar qualquer e deixar o tempo passar? Quem afinal sou eu?

            Ops! Calminha aí. Este que está sendo descrito não sou eu. Somos todos nós. Não venha me dizer que você não passou por isto. Faz parte da vida. A tristeza chega forte, uma dor doida que você sabe que não há remédio que a cure naquela hora. A gente pode até culpar alguém, mas a culpa é nossa mesmo. Se o caminho não é este e você escolheu outro porque reclamar? Claro, você tem este direito. A Chefe Escoteira tristonha disse que quando aceitamos nossa dor e o nosso sofrimento estamos dando um importante passo para sair desta fase tão ruim que um dia chegou para nós. Eu já cheguei à conclusão que chorar faz bem. Eu tinha um amigo que gostava de se isolar, calar, emudecer gritar e espernear...

            A gente sabe, a gente lê, a gente aprende que ninguém está livre dos tempos ruins. Eles existem. Tem que deixar o tempo passar. Cada um tem seu calmante, seu remédio sua maneira de resolver para que o mundo não desabe sobre sua cabeça. De uma coisa eu sei, se você não cuidar de sua vida ninguém vai cuidar para você. Eu já aprendi que a tristeza é um sentimento que existe no ser humano, quem sabe por falta de alegria, animo emoções de insatisfação e tantos outros. Descobri que conversar com gente de bem com a vida, com gente cheia de humor e depois olhar para dentro da alma pode ajudar ou até quem sabe melhorar um pouco sua auto estima.

           Eu sei que o escoteiro sabe gargalhar, vivem dizendo que o tal do oitavo artigo é assim, mas meu amigo, minha amiga, escoteiro é um bicho diferente? Não é como a gente? Pelas Barbas do Profeta, o que é a felicidade? Acho que é o momento que a gente mais precisa para ser feliz. E quer saber? O melhor mesmo é não levar a vida muito a sério. Afinal a gente não vai sair vivo dela mesmo... Pois é... Deixe a poeira baixar, assim vamos chegar à conclusão que estávamos montando uma mula e não um vento calmo que vai nos levar para o mar...


E um grande e fraterno abraço para você!

Nota: - Copiei de um poeta: - De vez em quando fico triste do nada, com motivo ou sem motivo. De vez em quando fico feliz do nada, com razão ou sem razão. É assim, às vezes dá vontade de sair pulando, distribuindo beijinho, dando abraços e, em outras, dá vontade de mandar todo mundo pra muito, muito longe...

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A lenda do Coqueiro do Lago dos Anjos.


Lendas Escoteiras.
A lenda do Coqueiro do Lago dos Anjos.

                 Foi por volta do meio dia que chegamos ao nosso destino. Programa? Quatro dias acampado, construir um escada do sol e fazer um caminho nas nuvens aproveitando as arvores enormes que lá existiam. Sol a pino. Não houve dúvidas para chegar lá. A fonte informou que era o local ideal que procurávamos. O local era realmente maravilhoso. Sentamos a beira do Lago dos Anjos. Enorme, águas das cores do céu. Peixes pululavam nas suas águas frescas. O vento formava pequenas ondas que batiam na pequena praia de areia. Uma mata refrescante em volta do lago.

               Pássaros voavam sobre as águas a procura dos peixes para sua alimentação. Fizemos um pequeno descanso e o trabalho para a montagem do campo começou. Cada um sabia o que fazer. Não éramos mais patas tenras do passado. Dois com o toldo e o fogão suspenso, dois com as barracas e dois com as pioneiras de campo. Quem terminava ia ajudar os outros. No meio da tarde almoçamos.

                 À tardinha uma refrescada nas águas do lago. Gostoso. Delicioso àquela hora. Olhei o sol se pondo. Sempre fico encantado com o nascer e o por do sol. Para mim os dois maiores espetáculos da terra. Vi um inesquecível por do sol no cume do pico do Roncador. Uma pequena nuvem deixou que pingos refrescantes caíssem em minha face. Quantas e quantas vezes fiquei maravilhado ao ver na Garganta do Rio Selvagem ou nas Escarpas do Menino que Chora e até nas Campinas do Riacho Azul.

               Mas algum me chamou a atenção. Não tinha percebido antes. Bem próximo a nós um coqueiro. Nada de extraordinário. Folhas verdes espalhadas em seu tronco e cinco lindos cocos redondos. Isto mesmo. Redondos. Quando o sol iluminou suas últimas luzes da tarde gostosa, foi através das folhas do coqueiro. Um espetáculo! Nunca tinha visto nada igual! Os raios do sol se espalharam por toda orla do lago, e alimentou as árvores como se fossem fogos coloridos. Fiquei ali até o sol se por. Na Patrulha ninguém viu ou ninguém notou. Só eu.

                 Era rotina levantarmos cedo. Antes de o sol nascer. Levantei sonolento e ao abrir a porta da barraca outro espetáculo se formava. Agora ao contrário. O sol que despontava no horizonte, batia sobre as folhas do Coqueiro que ficavam douradas e os cinco cocos pareciam bolas amarelas a piscar luzes coloridas. Aquele Coqueiro era especial. Notei que em sua volta não havia folhas caídas, nem sementes, nem nada. Nem tampouco cocos que amadureceram e não podiam continuar na arvore mãe. Em sua volta apenas uma grama macia, como se tivesse sido aparada por anjos invisíveis.

               Era um coqueiro que vivia no caminho do sol durante sua passagem para o oeste.  Mas a rotina de uma Patrulha Sênior não dava folga para amenidades nem imaginações de um sonhador. No primeiro dia o elevador que nos levaria ao céu ficou pronto. No alto da árvore no segundo dia construímos um Ninho de Águia que cabia perfeitamente os seis valentes escoteiros. A passagem nas nuvens demorou mais dois dias. Eram oito as arvores interligadas. Para que? Utilidade? Perguntem aos escoteiros. Eles fazem e só eles entendem e sabe a maior? Eles gostam! Risos.

                Todas as manhãs e todas as tardes eu não perdia o grande espetáculo que o sol e o Coqueiro davam naquele fantástico Lago dos Anjos. Lembro que no passado quase não observava as coisas em minha volta. A natureza é prodiga. Difícil entender tudo, mas fácil aprender a amar o que se vê. A primeira vez aconteceu na volta de uma jornada. Onze anos. Uma parada e deitado com a cabeça apoiada na mochila eu observei uma formiguinha. Tentava levar tronco acima uma pequena flor. Dava alguns passos e caia. Ficamos ali descansando por vinte minutos. Vinte minutos a formiguinha tentando subir e caindo. Ela não desistia nunca. Partimos sem eu saber se a formiguinha tinha conseguido.

               Outra vez estava sentado no Penhasco das Pedras das Esmeraldas, quando sem querer avistei um grande gavião negro. Voava aqui e ali. Sempre fazendo o mesmo caminho. Por quê? Porque não se foi para outras paragens? Notei lá embaixo, um pequeno Tiziu Azul, escondido em uma fenda do penhasco. Natural. Era agora sua presa. Natureza cruel, mas existe e faz parte da vida.

                 Em toda minha vida sempre fui um Escoteiro sonhador e observador. Sempre gostei de diferenciar o vôo e o som das aves. Sempre sabia onde as borboletas ficavam quando da sua dança do acasalamento. Uma vez fiquei dois dias observando o João de Barro a fazer sua casinha. Bati meu recorde quando conseguir chegar a menos de dois metros de um sagui, um mico muito esperto. Quando não acampando pegava minha bicicleta e ia seguir pistas de carros, charretes, bichos do mato nas redondezas do meu bairro. Dizem que devemos ver as coisas não como as vemos, mas tentar dar um pouco de vida no que podemos enxergar. Henry David dizia que em cada pôr-do-sol que via, lhe inspirava o desejo de partir para o oeste tão distante e belo quando aquele onde o sol se pôs!  

                 Ver e imaginar o belo em todas as coisas. Somente o amor pode sorrir nos olhos da natureza como um espelho. Esses poetas e seus sonhos e suas frases maravilhosas. Prosseguir na vida é saber ver ao seu redor. Em tudo que vemos podemos ver o belo ali presente. Nossa mente é quem decide por nós. Carl Sagan amante do futuro e da natureza comentou um dia que nossos antepassados viviam do lado de fora. Eles estavam tão familiarizados com o céu noturno e as estrelas a piscarem luzes maravilhosas quanto à maioria de nós estamos com os nossos programas de televisão favoritos. Belo programa!


               A natureza não pode acabar. As árvores são nosso pulmão, os rios nosso sangue, o ar é nossa respiração e a terra, ah! A terra. Ela é nosso corpo. Faça você de seus olhos, sua mente o que devemos ver e lutar para que seja assim! Afinal você é um escoteiro! Sonhe o quanto quiser! Imagine o quanto puder! Faça da natureza o seu destino. Nós temos este direito!   

Nota: - Uma viagem na imaginação. Uma vontade enorme de estar lá naquele lago fantástico. Uma história comum, mas que traz as belezas do escotismo aventureiro com sabor da natureza.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Filosofando... Os sons da natureza.


Filosofando...
Os sons da natureza.

                 Chefe! A juventude de hoje não tem mais aquele espirito de ver na natureza a vida como ela é. Tento mostrar que tudo que veio antes de nós, mesmo que seja inexplicável tem como padrão a filosofia da natureza. Se vamos para o campo e mostro as flores silvestres eles não dão valor. Um dia subimos até um Pico no Alto da Serra e ficamos lá até o sol se por. Eles Chefe, ficavam conversando, não prestando atenção ao espetáculo e mesmo que eu insistisse para que eles analisassem se tudo que estavam poderia ter algum valor. Disse para eles que a natureza é o que é e não aquilo que queremos que seja. Ela pode ser a areia do mar, os átomos, a visão, o instinto e porque não a vida e a morte?

                 - E ele continuou dizendo: - Chefe eu tentei mostrar que a natureza aparece em todas as épocas do ano, nas estações do tempo, no frio ou no calor. Como admirar o dia e a noite? Como amar a lua e o Sol? Como contar estrelas no céu? Até declamei aquele poema famoso: - “Por entre junco e hera verdejante, correm nascentes de água límpida, Junta-se à sede da minha alma ímpia, esta cascata pura e refrescante. Já são audíveis os sons da cachoeira, num simulacro à magia da natureza Insetos e pássaros voam na certeza que Deus existe e a fé é verdadeira”. E mesmo assim Chefe, eles riram de mim. São bons escoteiros eu sei, mas não tem mais aquela filosofia de amar o infinito de amar o que não veem, de não ter a noção das cores que se mostram na vida que vivemos.

                    Chefe, eu tentei mostrar o maravilhoso som do regato, das cachoeiras cheias de peixes coloridos, pulando acima das águas como querer se mostrar para nós. Tentei mostrar a eles a lagoa com suas águas escuras, escutar um sapinho coaxando, o bater de asas de papagaios soltos e grasnando no ar. Mostrei como podemos ouvir o som das abelhas, dos beija flor que procuram o néctar pra sobreviver. Me arrepiei Chefe quando disse para sentirem o vento soprando em uma campina, as plantações querendo seguir o mesmo rumo formando ondas como se o mar estivesse ali. A natureza é bela Chefe, mas meus jovens escoteiros não tem mais aquela alma aquela beleza de ver a maravilha da natureza tão bela e cheia de amor.

                 - Chefe o que devo fazer para que eles possam sentir e amar a natureza com seus sons, melodias, trinar de pássaros, corujas com seus enormes olhos perscrutando tudo a sua volta. Como ensinar a eles Chefe como se aquecer a noite o dia, ouvir deles uma exclamação de sentimentos com o vermelhão ao nascer e o por do sol? Fiz tudo chefes tentando mostrar como é belo o som da chuva, o cheiro da terra molhada, do riacho manso que corre para o mar. Lembrei a eles dos Sons das ondas, das gaivotas, dos falcões, dos macacos guinchando nos galhos como se estivessem a rir de nós. Sons das estrelas, da lua, do sol. Sons imperdíveis da nevoa da madrugada.

                - Não sabia dar uma resposta. A modernidade nos fizeram esquecer do simbolismo e a beleza da natureza. Não existem mais sonhos como no passado, não existem mais o belo a não ser aquele que se toca e sente. Como ensinar a eles os jovens escoteiros que ainda existe um Deus? Se a natureza é a verdade sabemos que Deus mora ali. Neste exato momento, onde você está agora à natureza está ao seu lado. Ela não é uma tela, uma máquina um programa ou um perfil uma imitação de imagem. Assim como a natureza é nossa maior virtude, ela está na simplicidade e nos olhos de quem realmente pode ver, e quando não exploramos as belezas ao nosso redor, perdemos a capacidade de sentir, de filosofar e nos tornamos estrangeiros em nossa própria terra.


                - Tudo tem um começo um meio e um fim. Se estamos no meio voltemos ao começo. Escoteiro! Você é gente. Mostre que pode sentir o vento, pode cansar a vista olhando o sol, pode ouvir o som da cascata, pode ouvir o trinar dos pássaros. Tente ver a beleza de uma flor. Deixe escoteiro o som da natureza invadir o seu ser. Tente entender a melodia dos pássaros, das arvores, dos ventos. Se assim o fizerdes terás então entendido o que é a natureza para nós. Escoteiros do campo, da serra, das matas, dos rios e das campinas que gostam de sentir a força dos ventos em suas tenras flores e folhas que balançam ao sabor da natureza.

nota: -  - Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...