Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

domingo, 2 de junho de 2019

Conversa ao pé do fogo. Sinais de pista. Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.




Conversa ao pé do fogo.
Sinais de pista.
Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.

Prólogo: - Sobre a personagem Kim descrito neste artigo: Publicado pela primeira vez em 1901, A história de Kim vem encantando e seduzindo várias gerações de jovens e adolescentes em todo o mundo, com as aventuras e a absoluta disponibilidade de Kim, o menino que podia se mover livremente por todo o território indiano, disfarçar-se, viver ao ar livre, sem entraves, quase sem regras.

              Pistas... Já foi feito em sua tropa isto eu tenho certeza. Mas agradou? Os Escoteiros e Escoteiras gostaram da atividade? Você repetiu? Bem vejamos o que BP dizia sobre pistas: - “Para um bom explorador, seguir as pistas torna-se um costume. Sem saber, ele está sempre em busca de ”pistas”, enquanto se ocupa de outros serviços”. O Escotismo é uma arte em que a gente se exercita a vida toda, mas dificilmente um homem “branco” chega àquela perfeição a que tem um indígena (sudanês Bosquímano da África do Sul, Gonds da Índia ou negro Australiano). Onde o branco supera o indígena é no uso da inteligência para descobrir o significado dos sinais. Pôr pistas, não se entende só os passos, tudo aquilo que envolve sentidos, é pista. – E BP completa: - Uma vez, uma menina inglesa me desafiou na interpretação de pistas. - A filha do Lorde Meath, um dia no Jardim, descobrindo pistas no chão perguntou-me que pistas eram. - Respondi: “do gato comum” - E ela: - De que cor era o gato?”- Olhei no chão e nos galhos das arvores vizinhas. Não havia nenhum sinal”. “Então ela me respondeu:” O gato era de cor morena clara”. Perguntei-lhe -” Como é que você sabe? - e ela: - “Eu vi o gato passar”. Portanto se ainda não chegou a este ponto quem sabe uma boa conversa com seus monitores não iriam surgir novas ideias?

                Comecemos com uma tropa que já tem uma boa ideia sobre pistas. Ela já seguiu por mais de dois quilômetros e se saiu bem. Agora é hora de subir um degrau na arte de seguir pistas. Vamos treinar a todos a seguir e entender as pegadas em suas diversas situações. Comece em uma pequena estrada, quem sabe próximo a uma fazenda ou um sitio. Se não encontrar um trecho molhado e com barro faça com eles um trecho assim, não é difícil. Quem sabe uns dez metros para começar. Primeiro passa um Escoteiro o menor da tropa e por ultimo o maior. Depois ao lado das pegadas deixadas faça de novo, desta vez com as mochilas. E para encerrar com um Escoteiro correndo e depois carregando outro. Todas as patrulhas em volta prestando atenção como se fosse um jogo de Kim. Após as patrulhas fazerem um relatório sobre o que observaram. Qual a diferença de pegada por pegada? Altura, peso, idade, andando ou correndo? Estas técnicas de pistas devem ser feitas pelo menos uma vez a cada três meses. Exercitar, fazer discutir em Patrulha e em uma dinâmica de tropa. Toda vez que as patrulhas estiverem em marcha de estrada convide a eles que relatem o que viram.

                  Interessante é a diversificação. Pegadas descalço, pegadas com sapato, com tênis ou chinelo. Botina ou bota é uma boa. Agora é hora de tentar descobrir pegadas de animais. Se conhecerem algum fazendeiro lá é o local ideal. Pegadas do gado, de porcos, de galinha, de cães enfim toda a bicharada do habitat. Hora de usar a memória para identificação. Uma pegada de um cão, daqueles maiores se aproxima um pouco do de uma onça. A diferença é que a onça anda devagar e quando corre é em saltos. Seguir também pistas feitas sem usar as conhecidas. Um pequeno galho quebrado apontando a direção. (quebrado da altura da mão esticada do escoteiro pode se saber a altura). Um galho virado para o chão explica que houve uma parada dos que faziam a pista. Nada de riscar ou chapiscar árvores. Cada patrulha deve ter seu estilo e o bom mesmo é se ela criou seus próprios sinais. Se as outras não souberam pode dar um excelente jogo de seguir pista.

          Pegadas, pistas simples ou não. Estas sempre devem ser cobradas em marcha de estrada ou mesmo uma jornada ciclística. Um lembrete já conhecido de todos, mas que sempre é bom lembrar: - Pista não é para um somente. Pelo menos dois para evitar desacertos. Os sinais são feitos à direita dos caminhos. No inicio da aprendizagem os sinais devem ser visíveis. Quando venta não pode ser utilizados papéis ou folhas. Os sinais não devem ser traçados a mais de um metro de altura do solo. Nos cruzamentos de estradas deve sempre ser colocado o "caminho a evitar" nas que não vão ser utilizadas. Nos lugares de movimento devem ser feitos muitos sinais. Os sinais devem ser traçados obedecendo às condições do terreno: em terrenos difíceis de cinco em 5 metros, nas rochas de dez em dez, nas matas de 20 em 20, nos campos de 30 em 30 metros.

           Jogos de sinais de pistas sejam eles dentro dos padrões conhecidos da tropa sempre chamam a atenção principalmente se antes de seguir o Chefe conta uma boa história sobre o tema. Kim para quem leu e conhece é perfeito para isto. Kim é um órfão irlandês, o “amigo de todo mundo”, que vive ao deus-dará pela cidade de Lahore, na Índia dominada pelos ingleses, até que se torna o discípulo de um lama, um sábio tibetano engajado numa busca mística. Ao mesmo tempo, aproveitando seu grande talento para o disfarce e a facilidade que tem de dominar vários dialetos, torna-se agente do coronel Creighton, o sagaz chefe do Serviço Secreto que investiga os detalhes de uma conspiração na qual espiões russos estão envolvidos. Kim se entrega de corpo e alma ao que, ao longo da narrativa, é chamado de Grande Jogo. O livro foi escrito por Rudyard Kipling, o mesmo que escreveu o Livro da Jângal.

             Criando situações reais ou imaginárias dos perigos que estão em volta das pistas na trilha ou estrada o sucesso é garantido. Quando uma patrulha está seguindo uma pista evitar outra junto a ela. Dar certa distância entre as patrulhas. Lembrar ao Escoteiro ou Escoteira que ao seguir uma pista, não se deve chamar atenção falando alto, gritando e comentando. Use da imaginação com seus monitores. Pistas são excelente meios para desenvolver a mente.  Kipling célebre escritor britânico, escreveu diversos livros e no escotismo dois são bastante utilizados. O Livro da Jângal e a novela Kim que celebrizou o menino observador. Aconselho aqueles que puderem adquirir este ultimo livro que ele denominou de novela a ler com atenção. Baden Powell em Brownsea já comentava as utilidades do menino Kim na arte da observação e dedução.

De Rudyard Kipling: - Nenhum homem tem o dever de ser rico ou grande ou sábio, mas todos têm o dever de serem honrados... Tenho seis regras que me ensinaram tudo que sei: O que? Por quê? Quando? Como? Onde? E quem?

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O Escotismo segundo Baden-Powell.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O Escotismo segundo Baden-Powell.

Prólogo: - No escotismo de hoje estamos vendo tantas divergências, pessoas assumindo cargos sem merecê-los, alguns levando sua vida “escoteira” no grito ou na valentia, sentindo-se dono das ideias, alegando um novo escotismo de mentalidade aberta e moderna que assusta. Como acredito na tese Badeniana, no que escreveu o fundador não importando a década ou mudanças, saquei das memorias de BP alguns trechos que escreveu e que merecem ser lidos e compreendidos por todos que acreditam que o escotismo Badeniano é o verdadeiro caminho para o sucesso.

- Nós do Movimento Escoteiro temos que ser capazes de explicar, claramente, a finalidade do Movimento Escoteiro, não apenas aos pais ou responsáveis, mas, especialmente às crianças e jovens. Para estes, a explicação está inserida no programa escoteiro, ao qual devemos dedicar muita atenção e estudo, disciplina e organização. - Devemos tornar o escotismo ainda mais atraente, sem desculpas que os shoppings, o videogame o celular e uma série de outros fatores são os que afastam as crianças e jovens do Escotismo. Quem experimenta atividades atraentes, progressivas e variadas, tem tudo para gostar. E quem gosta, fica. Fica e trás outros para compartilhar desta experiência.

- Quanto à conduta, se não somos capazes de dar o exemplo da Lei e da Promessa, não deveríamos tentar passar estas normas de conduta para crianças e jovens. Não estamos aqui falando em conhecer ou em “saber de cor”. Mas, de seguir os preceitos éticos e morais da Lei Escoteira, fazendo com que, diariamente, a Promessa seja cumprida por nós mesmos. Senão, como posso pretender ensinar aquilo que não vivencio. - No livro “Lições da escola da vida”, Baden-Powell indica quatro pontos necessários para fazer um plano de discurso, de livro ou de uma atividade. Segundo B-P, estas são as bases para o sucesso de qualquer projeto.

a) Saber claramente sua finalidade e saber expressá-la;
b) Que seja atraente;
c) Formular uma lei que lhes sirva de linha de conduta; e
d) Formar uma organização conveniente sob a liderança de chefes “competentes”.
Foi exatamente isso que ele fez com o Movimento Escoteiro.

Amizade - “A amizade é como um boomerang, tu dás a tua amizade a um dos teus companheiros, e depois a outro e a outro ainda e eles retribuem-te com a sua amizade. Assim, a tua amizade e boa vontade iniciais vão-te fortalecendo à medida que vão sendo transmitidas aos outros, e acaba por regressar a ti, em retribuição, tal como o boomerang regressa à mão de quem o lança”. “Se não tiveres medo das pessoas que encontras nem sentires antipatia por elas, também elas, da mesma maneira, não te recearão nem desconfiarão de ti e terão tendência para gostar de ti e serem tuas amigas”. (Impele a Tua Própria Canoa).

Fraternidade Mundial - “Se todos os homens tivessem” desenvolvidos em si mesmo o sentido da fraternidade, o hábito de pensar em primeiro lugar nas necessidades dos outros, e de subordinarem a elas as suas ambições, prazeres ou interesses pessoais, teríamos um mundo muito melhor onde viver. Um sonho utópico, diriam alguns, mas não passa de um sonho, por isso não vale a pena tentar. “Mas se, ao sonharmos, nunca estendêssemos as mãos para agarrar a substância dos nossos sonhos, jamais conseguiríamos progredir”.

- Aprender fazendo. - Todo o escoteiro tem de começar como Pata-Tenra e cometer alguns erros no princípio. Como disse Napoleão, «Um homem que nunca fez erros nunca fez nada». A criança quer estar a fazer coisas; por isso, encorajai-a a fazê-las na direção correta, e deixai-a fazê-las à sua maneira. Deixai-a cometer os seus erros; é por meio destes que ela ganha experiência. A prova do pudim só se faz quando o comemos. Não faça ele (o chefe) muito daquilo que compete aos próprios rapazes, e assegure-se de que eles o fazem. «Quando quiserdes que uma coisa se faça, não a façais vós» é a divisa apropriada.

- BP foi um iluminado ao escrever sobre a fraternidade que não pode ser desvirtuada só porque hoje os tempos são outros. Ser Chefe no bom sentido é saber compreender seus ensinamentos e não criar situações divergentes, querendo impor seu ponto de vista em uma organização centenária. Quando voltarmos nossos olhos e pensamentos no que ele disse e pensarmos que o verdadeiro escotismo é o que ele nos ensinou então, seremos fraternos e iremos entender que para ser escoteiro temos que desde já reconhecer que somos todos irmãos.

- “Se todos os homens tivessem” desenvolvidos em si mesmo o sentido da fraternidade, o hábito de pensar em primeiro lugar nas necessidades dos outros, e de subordinarem a elas as suas ambições, prazeres ou interesses pessoais, teríamos um mundo muito melhor onde viver. “Sir Robert Baden-Powell”.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Fotos, e quem não gosta?




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Fotos, e quem não gosta?

Prologo: - No ano de 1694, o holandês Wilhelm Homberg descobriu que ao expor determinados produtos químicos a luz, tal como o cloreto de prata, eles se tornavam escuros. E essa descoberta, mais tarde, foi de grande importância para a fotografia.

Eu amo fotos. Minhas, suas e de quem quiser aparecer. Mas se estiver uniformizado então me derreto todo pensando em postar em um dos meus contos. Vez ou outra consulto aos meus leitores se meus contos, meus artigos, minhas lendas seriam melhores sem fotos. Três ou quatro respondem... Assim continuo na duvida. Quando vejo uma foto de um lobo ou uma lobinha bem apresentado e com garbo, sorrindo é hora de consultar o titular e saber se posso usar. Antes copiava e postava. Um dia um Chefe exigiu que retirasse a foto, pois não me deu autorização. Tirar a foto somente não dava assim fui obrigado a cancelar a postagem. Uma pena, mas fazer o que? Acho que ele não entendeu a fraternidade e eu a educação de pedir.

A Escoteiros do Brasil há alguns anos no seu afã de se apropriar de tudo, escreveu uma norma sobre fotos escoteiras. Não me lembro bem como era, mas nas entrelinhas que sem sua autorização ninguém poderia copiar ou postar fotos escoteiras! Vixi! Deixou-me vexado. Risos. Dai em diante comecei a “catar” fotos de escoteiros de outros países. Sempre achei que quem visse sua foto ou de seu grupo em um dos meus contos seria motivo de orgulho e felicidade. – Nem tanto Chefe! – Disse-me um amigo. Tem alguns que não gostam e nada dizem. Mas tem aqueles que gostam e escrevem agradecendo. A estes me estico, fico em posição de sentido, dou um aperto de mão através das ondas do tempo e digo: - Obrigado. Feliz em saber que gostou!

Sinceramente tenho mais de duas mil fotos no meu arquivo. Algumas notas dez outras um pouco menos. Tento na medida do possível colocar uma foto que poderia dizer tudo do que escrevi. Outras vezes não dá e a foto chama mais a atenção do que deixei redigido. Vez ou outra quando estou um pouco sóbrio de saúde, o que nem sempre acontece costumo viajar nas páginas dos meus amigos e quando vejo uma foto não importando se está com o caqui ou o vestuário e desde que se apresente (em minha opinião é claro) condignamente, com garbo e se a foto tem um sorriso, pimba! Lá vou eu escrever pedindo autorização...

Li no Blogs Mania que os poetas diziam que a graça da vida está nos olhares dos românticos, nas entrelinhas dos desejos mais ardentes da alma, no doce beijo que acontece escondido, e na prenuncia da renúncia. As palavras costumam aquecer os corações ou até mesmo causar inquietação... Mas as fotos... Embelezam qualquer publicação seja escoteira ou não. Mas voltando aos meus afazeres fotográficos e copiando o que outro disseram sobre fotos, repito... – E, assim como poetas tentam expressar e explicar sentimentos através de seus versos, a fotografia se mostra também um importante instrumento para, por meio de imagens, representar sentimentos como alegria, tristeza, medo, indiferença, reflexão e muitos outros.

E você, o que acha das fotos que publico? Dos contos nem pergunto, como dizia um Compadre meu lá de BH já falecido, - Vado Escoteiro, tem sempre gente que gosta! E enquanto isto vou fuçando aqui e ali atrás de uma foto, cheguei à conclusão que sem ela meu conto perde o charme e o colorido de uma história que marca.

E para terminar, copio Confúcio que dizia: - Uma imagem vale mais que mil palavras!

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Conversa ao pé do fogo. Era uma vez... Uma inspeção de Gilwell!




Conversa ao pé do fogo.
Era uma vez... Uma inspeção de Gilwell!

Prólogo: - Todos formados na entrada do campo ao lado do pórtico. Havia uma placa pendurada com os seguintes dizeres: - Campo da Pantera - Lema “Verdade e amor”. Cantavam... “Acampei lá na montanha, de manhã fiz meu café”! Esperavam o Chefe que exigia pontualidade. - Nove em ponto! – Desta vez não iriam falhar... Uniformes lavados, sapatos engraxados. Todos estavam de posse do seu lenço e pente. As facas e canivetes devidamente limpas e talqueadas. Os materiais individuais postados dentro dos padrões. Poderiam perder, mas se acontecesse perderiam com honra!

Jovialto sorria... Não brincava com suas responsabilidades. Desde que nomeado Intendente/Almoxarife que ele se sentia prestigiado. Sua lista de materiais de Patrulha ele conhecia de cor. Não deixou para o dia da inspeção para fazer alguma limpeza. Sempre trazia tudo limpo e oleado. Na barraca de intendência tudo bem guardado e limpo. Panelas, frigideira, colher de pau, Coador de pano, facão, machadinha, escavadeira, enxada, chibanca... Sabia quem usou e quando não entregava cobrava. Sorria ao lembrar-se dos pequenos acampamentos eram menos materiais. Sua intendência estava pronta. Tudo limpo e arrumado. Não iria falhar quando o Chefe o chamasse para a inspeção.  

Marcha Ré era o xodó da patrulha. Passava horas com sua mãe e sua avó aprendendo os quitutes para fazer no acampamento. Olhou pela ultima vez sua cozinha. Um toldo bem esticado, um fogão de barro firme e com amarras perfeitas na mesa em forma de L. Exigia tudo limpo e bem cuidado. Votaram a favor de deixar os utensílios de refeição em uma pioneira própria, mas ele fazia questão de inspecionar. Seu lenheiro bem cuidado e pronto para se defender da chuva. Seu aguadeiro nunca deixou nada sem ter uma boa porção de água. Que o Chefe viesse, ele estava pronto!

Cafundó tinha as pernas tortas, mas era o mais veloz da Patrulha. Sonhava um dia ser o cozinheiro, mas por enquanto se contentava como auxiliar de cozinha e aguadeiro. Sempre ao lado de Marcha Ré, não deixava faltar nada. Sabia que todos gostavam dele e nunca deixou a “peteca” cair. Tinha grande facilidade em escolher uma água boa para beber e outra má. Ajudava na limpeza do vasilhame e era exímio em barrear as panelas para que o não ficasse grude ou carvão. Sorria quando cantava: - “No acampamento, o nosso tormento é ter que usar... Panelas”!

Calango não era tão novo na patrulha. Esperava um cargo melhor, mas ninguém saia e ele se esforçava como Lenhador. Para ajudar fez um curso nos bombeiros como Socorrista e era conhecido como o escoteiro Cura-Cura. Sempre deixava uma boa pitada de madeira no lenheiro. Tudo separado... Gravetos, galhos secos, achas de pequeno e maior tamanho. Quando levantava já deixava o fogão aceso. Era um perito e se orgulhava do seu ofício. Na formatura olhava para Manfredo e sorria.

Manfredo era o mais novo. Seis meses de Patrulha. O chamavam também de Pata-Tenra e ele não se incomodava. Ajudava Jovialto a afiar e olear as ferramentas de corte. Colocava nos canecos a identificação dos alimentos. Afinal era o Escriba e Tesoureiro. Fazia questão de anotar tudo no Livro da Patrulha. Sonhava o dia que eles receberiam a Insígnia de Campo. Contaram que no ano anterior a Patrulha tirou nota máxima e conseguiu. Olhou para Tiago o Sub e fez o sinal de ok!

Tiago chegava nos seus quatorze anos. Sabia que Palafita breve iria passar para os seniores. Seria seu substituto na monitoria. Sempre foi um Sub Monitor dedicado. Ajudava em tudo e combinou com seu anjo da guarda fazer tudo para conseguirem neste acampamento a Insígnia de Campo. Estava sonhando acordado e rezava. Tinha orgulho da Pantera. Desde quando saiu dos lobos ele nunca duvidou da amizade da fraternidade de todos na Patrulha. Foi um dos últimos a dormir no dia anterior. Checou tudo. Com sua lanterna olhou todo o campo a procura de objetos estranhos ao campo. Fez o sinal de perfeito a Palafita. Que o Chefe viesse. Desta vez não iriam perder!

Palafita sorria. Já havia inspecionado os nós, as amarras, os estiques e espeques das barracas. Tinha um enorme orgulho de sua Patrulha. Fazia questão de um abraço, de um aperto de mão seja no escotismo ou fora dele. Dizia ao pé do ouvido de cada um “Obrigado por ser meu amigo, tenho orgulho de você”! Havia dois anos que assumiu a monitoria substituindo Peixe D’água. Hoje está nos seniores preparando para ser pioneiro. Eram amigos até hoje. Sempre dizia a todos que o importante é competir com honra, vencer é uma questão de oportunidade. Lembrou da reunião do dia anterior ideia de Manfredo. O Pata-Tenra. Deram as mãos e disseram: - Desta vez vamos conseguir! Olhou na trilha da Chefia, viu o Chefe Tornado chegando.

Tornado se orgulhava de sua tropa. Fazia questão de ser amigo e irmão e nunca um Chefe no bom sentido da palavra. Conhecia um por um. Havia visitado a casa de todos e era amigo dos seus pais. Diziam que era um bom aconselhador. Ele sorria... Conselhos? E quem os quer? Hoje estava sozinho na inspeção. Combinou com os monitores ajudá-lo. Exceto a Patrulha inspecionada os demais participariam. Explicou as normas apesar de que já conheciam de outros acampamentos. Ele sabia do valor de uma inspeção, de como era motivo para o crescimento da tropa, da Patrulha e do jovem escoteiro. Não havia primeiro lugar, o importante era alcançar a nota estipulada em Corte de Honra. Torcia para que todos alcançassem, mas sabia que nem sempre isso acontecia.

Nove horas... O vento calmo soprava nos campos de Patrulha. As canções evoluíram para os Gritos de Patrulha. Sempre Alerta Chefe! Patrulha Pantera pronta para a inspeção! Ah! E logo veio a apresentação da Elefante, da Jaguar, da Coruja... Ali imperava a fraternidade. Todos desejavam que cada Patrulha alcance o objetivo e pudesse receber com honra a Insígnia de Campo. Seria mais um dia memorável todos esperavam o grande jogo, a aventura na Serra do Sol, as conversas ao pé do fogo, a travessia do Rio Vermelho e o Fogo do Conselho. Quatro dias... Dias de alegria e dias de vitória, não importava quem vencesse, pois o importante era participar!

“Senhor, ensina-me a ser obediente às regras do jogo. Ensina-me a não proferir nem receber elogio imerecido. Ensina-me a ganhar, se me for possível. Mas se eu não puder, acima de tudo, ensina-me a perder”! – (Inscrições encontradas nas paredes da Biblioteca Real do Palácio de Buckingham).

terça-feira, 21 de maio de 2019

Crônicas de um Chefe Escoteiro. O Caminho dos desgastados e caducos Velhos Escoteiros.




Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O Caminho dos desgastados e caducos Velhos Escoteiros.

Prólogo: - Hoje ao voltar da minha caminhada diária pensei em pausar um pouco das minhas lides de escritor, coisa que não sou e tento sem saber aonde chegar. Eis que me pus a pensar o que pensam de mim e o que penso do mundo escoteiro que vivo. Sentei na cadeira, liguei a telinha, metí os dedos no teclado e escrevi... Tantas bobagens que nem sei se valeu. Se eu fosse você passava longe... Ler é perder tempo! Afinal sou ou não sou um Velho Escoteiro senil, arcaico e borocoxô? Risos.

Não sou mais o "Velho" leitor e estudioso do escotismo moderno. Vivo preso no passado e as amarras do tempo não me deixam sair. Ainda tento ler quando possível às novas mudanças escoteiras, mas sinto dificuldades em interpretá-las. Meus olhos e minha mente estão cansados. São tantas resoluções normas, artigos que fazem da minha cabeça um redemoinho. Sei que sem entender bem os novos ventos escoteiros não posso discutir os velhos ventos que já se perderam no tempo. Antes achava tudo muito simples. Três ou quatro e o feijão com arroz ficava pronto. Hoje não.

Outro dia recebi um email de um jovem Chefe. Dizia – Leio seus escritos. Alguns bons outros não. Se não vai até um grupo trabalhar, melhor não ficar dando opinião. Eu estou em uma tropa. Amo o escotismo. Porque não faz como eu?  O passado Osvaldo ficou para trás. Agora temos outro escotismo. Mais moderno mais atual. Chamava-me de Osvaldo. Não chefe Osvaldo ou escoteiro Osvaldo. Até aí tudo bem. Fiz um exame de consciência. Tentei me colocar com a idade que tenho como um novo voluntário em um Grupo Escoteiro. Sabem? Eu teria que aprender a “navegar” no PAXTU, aceitar exigências para minhas andanças quando de uniforme. Tudo muito complicado. Fazer continência para chefões seria o fim da picada. Fiquei pensando se deveria tentar, mas nos conformes vi que não iria me enquadrar em nada. Mas suponhamos que fosse aceito. Teria um “assessor pessoal”, (Deus do céu!) ele iria dizer o que deveria fazer e agir. Afinal não é assim que funciona?

Passado alguns meses, vi em sonhos o assessor pessoal dizendo ao seu superior o seguinte – Olhe chefe, acho que o "Velho" não serve. Não me ouve e sempre discute comigo o que tento passar para ele. Veja, ele no primeiro dia já criticou a forma como fazemos o cerimonial. Disse que devíamos ter uma patrulha de serviço ou matilha. Pode isso? Deixar para os meninos tamanha responsabilidade? O pior, nas reuniões fica dizendo aos chefes que não devem ficar dando palestras, por mais de 10 minutos, e procurar um local adequado com sombra. E enche a paciência comentando que devemos trabalhar com os monitores e eles com seus patrulheiros. E completou. Falar demais a todos depois de 10 minutos ninguém está mais prestando atenção!

E sabe o que mais? No acampamento criticou o tempo todo porque levamos os lobinhos, escoteiros, seniores todo mundo junto e fazíamos jogos e atividades escoteiras e devíamos fazer em separado. E olhe, falou um monte dos pais estarem lá e fazerem as refeições para todos. – “Usem as patrulhas, elas devem ser autônomas”. Uma piada chefe. O cara não dá é “carne de pescoço” vive cobrando que devemos fazer pelo menos uma reunião de chefes por mês. Reclama de tudo. Acha que somos ásperos e sorrimos poucos para a garotada. E ainda quer que nos transformemos em anjos. Detesta uma piadinha do “Bocage” e reclama dos meninos e meninas dizerem de vez em quando uns palavrões! E a Lei escoteira? Como é chato. Só reclama.

Cobra da gente tudo. Boa ação, treinamento dos monitores, um pouco de autonomia as matilhas, mais atividades no Waingunga e menos papeis coloridos. Disse-me na cara de pau que a alcateia esqueceu da Jângal, do Mowgly, da Kaa e da Bagheera e do Balu. Existe que recebamos os jovens com cavalheirismo e fraternidade. Reclama por que nos os chefes arrumamos a sede e não os escoteiros. Fala com nosso Diretor Técnico como se ele fosse seu professor. Vive enchendo a paciência que não somos democráticos. Não ouvimos o que os meninos têm a dizer. Outro dia fizemos a promessa de seis de uma vez. Foi uma festa. Sei que nosso grupo é bom. Padrão Ouro. Sei que muitos estão saindo, mas eu disse a ele que nem todo mundo nasceu para ser escoteiro. Se quiserem ir embora xau!

Reclama sempre porque o distrito faz muitas atividades. Reclama mais ainda porque nós os chefes sempre vamos a Jamborees, Grande atividades escoteiras e os meninos não vão e ainda pagamos para trabalhar como Staff. Pode? Afinal somos adultos. Podemos pagar. Para isso trabalhamos. Quando eles crescerem poderão fazer o mesmo não acha? Olhe se fosse enumerar tudo o mandaria para a “Tonga da milonga do cabuletê”. O cara é carne de pescoço mesmo! E olhe, fique lá conosco uma reunião e você vai ver o "Velho". Só “enchendo o saco”!

- É... Tenho que aceitar. O melhor é ficar na minha. São tantas atribulações e exigências que não iria ser aceito mesmo. E se me aceitassem o que diria o distrital? O Regional? Nem pensar na Nacional que fez uma norma para a entrada de Velhos Escoteiros e Antigos Escoteiros. Escreveram para tomar cuidado. Estes tipos se acham os melhores e podem atrapalhar o bom escotismo que estão fazendo. Eu sei que sou um "Velho chato” e não vou parar. Podem me chamar do que quiserem. Minhas idéias do que aprendi eu irei insistir até o fim da minha vida. Não sou perfeito eu sei, mas queira ou não é a única coisa que posso fazer. Lutar pelos meus ideais!

E por fim admito que sou um velho senil antigo e borocoxô. Vocês conhecem Velhos Escoteiros decrépitos e caducos? Ele é aquele que já viu de tudo, sabe de tudo, comeu de tudo, e se gaba de ter trabalhado e deu duro na vida. Foi sapateiro, fazendeiro, vaqueiro, técnico de alto forno, programador, gerente, lenhador, pescador, corneteiro soldado e metido a Escoteiro. Diz que em sua época serviu o exército e fez maravilhas que nem o Indiana Jones faria. Os peixes que ele pescava mal cabiam no mar. Adora falar sobre escotismo e sempre te dá conselhos... QUE VOCÊ NÃO DEVE SEGUIR! A esposa dele não é chata, é uma velhinha carinhosa e cansada, sentada numa cadeira, fazendo tricô, que só quer te oferecer pão de queijo bolinhos, biscoitos e cafezinho. Se a velhinha ficar viúva, aí lascou tudo... Ela é boazinha, mas quando fala não para mais. Se receber uma visita faz questão de te tratar como um príncipe, mas você não gosta de velhinhas e tá morrendo de pressa! Só passou na casa dela pra fazer dizer que foi conhecer o seu velho escoteiro. Pois é, a principal função dos velhinhos chatos é tomar o seu tempo e gastar os seus ouvidos!

sábado, 18 de maio de 2019

Crônica de Um velho e Saudoso Chefe Escoteiro... Melodias... Canções... Cantigas e toadas Escoteiras.




Crônica de Um velho e Saudoso Chefe Escoteiro...
Melodias... Canções... Cantigas e toadas Escoteiras.

Prólogo: - “Não, tempo, não zombarás de minhas mudanças! As pirâmides que novamente construíste não me parecem novas, nem estranhas; Apenas as mesmas com novas vestimentas”. William Shakespeare.

Um Chefe um dia me disse: - Porque não cantam mais as canções tradicionais escoteiras? Tradicionais? Pensei qual seria o gênero musical para denominar musica tradicional escoteira. Seria musica folclórica? Ou aquela transmitida de viva voz ao longo das gerações escoteiras? Pensei com meus botões... Será que ele tinha razão? Tudo está mudando e quem sabe nas diversas sessões escoteiras não existem mais os chefes tradicionais para ensinar a cantar a nossa Tradicional Musica Escoteira com amor. Temos muitas, temos melodias, temos cantigas e até toadas não esquecendo o Quebra Coco uma linda musica nordestina de Cordel.

Muitos chefes escreveram e deixaram nas páginas da internet “Cancioneiros” que se tornaram lendas, mas que ficaram no esquecimento da memória dos jovens de hoje. Pensar que agora seria impossível ter uma roda de amigos escoteiros, em volta do fogo, em uma noite linda sapecada de estrelas, uma lua “bunita que nem um queijo” um céu convidativo, uma viola cantante tocando ao amanhecer... ”Acorda escoteiro, acorda, que o galo já cantou”. E na barraca molhada do sereno da madrugada ele chega na porta e canta sorrindo... “Cantou, cantou? Cantou, cantou, cantou”! Lembro de Zé Duarte, um pioneiro com sua viola mágica, um sorriso gostoso, olhava além da mata e dedilhava e o som do violão corria nas trilhas da floresta: “Vem depressa correndo escoteiro, ajudar o cozinheiro, a fazer o jantar... Supimpa, supimpa, Parazibum, zibum!

Quantas saudades... Melodias que entraram na mente e ficaram para sempre morando na alma... No fundo do coração... Ao som de um violão, uma gaita, uma flauta mágica, ou até o Guia da Tropa Zé Pereira tocando seu pandeiro e cantando... “De BP trago o espírito, sempre na mente, sempre na mente”... Pato Negro, um sênior da Tropa Condor, tinha o dom com uma pequena panela de alumínio, fazia duas “baquetas” pequenas e a musica levada pela saudade se espalhava pelas campinas... “Está tudo azul, o caminho aberto, sopra o vento sul tudo dando certo”... E quando a noite chegava, lá estava Trindade Zulu, com sua flauta mágica tocando baixinho fazendo os escoteiros chorar... “Prometo nesse dia, cumprir a Lei, sou teu Escoteiro Senhor e Rei”! E quando ele tocava A Canção da Despedida? Ai, ai meu Deus! Se não me arrebento eu choro... Putz! Quantas saudades.

Não dá para esquecer Totonho das Rosas, um Chefe violeiro das antigas, que não deixava ninguém gritar alto quando cantavam uma canção escoteira. Fazia questão de ensinar o Bê-á-bá de como um coral se formava e cantava... Era “Bunito” de ouvir e ver a tropa cantar... “A árvore da montanha, o Cucu, Põe tuas mágoas no bornal, Adeus montes e vales, Cumbayah, Lá bela polenta, Canção de Gilwell, Canção do Clã, Guin-gan-guli, Foi Tupã, Ascenda à fogueira, e para dormir cantavam Boa noite Escoteiro"... Nossa! Tinha canções prá dar e vender, todas tradicionais cantadas pelos bisavós escoteiros até o lobinho recém-nascido no escotismo. Tristão Corneteiro ficou famoso com seu clarim quando tocava nas noites e nas madrugas o Silêncio e o Toque do Alvorecer... “Em silêncio acampamento... Este canto vinde ouvir, são fagulhas na fogueira que nos dizem... Escoteiros a servir!

Mas o tempo foi passando, os Velhos Escoteiros cantantes deixaram de existir. Tudo é novo no pedaço, agora as canções são outras. Algumas até guapa, catita, outras belas e muitas bem-posta com a turma cantando alto e dançando conforme o bailado demanda. As musicas, as canções, as melodias que o Escoteiro e o Lobinho cantaram nos seus idos tempos, foram levadas pelo vento e como disse o poeta: “O vento toca o meu rosto me lembrando que o tempo vai com ele... Levando em suas asas os meus dias, desta vida passageira minhas certezas, meus defeitos nada pode detê-lo, mas algo o tempo vai guardar, e eu no meu coração guardarei, minhas canções minhas velhas melodias que o tempo não vai apagar!

“Terra do belo Olmeiro, lar do castor... Terra onde o alce airoso, é o senhor... E como em sonho fui ao lago azul rochoso, um dia, ah! Um belo dia eu voltarei de novo”!


terça-feira, 14 de maio de 2019

Conversa ao pé do fogo. O meu "Velho" livro de Atas.




Conversa ao pé do fogo.
O meu "Velho" livro de Atas.

Prólogo: - Esta é a historia de um livro de atas que se perdeu no tempo de um velho escriba que nunca esqueceu suas histórias... Como ele mesmo escreveu a vida é uma gigantesca confusão. Mas essa é também a beleza dela – De um livro de ata que se perdeu no tempo e na memoria de alguém que nunca esqueceu suas memórias.

                            Muitos não gostam do livro de Atas. Acham enfadonho e sem graça. Sempre que convidava pais para participarem da diretoria do Grupo Escoteiro quando comentava sobre o Livro de Ata um olhava para o outro como a dizer – Faça você – Prefiro outro cargo. Não sei por quê. Afinal atas tem uma importância enorme na vida de um Grupo Escoteiro. Esqueça a tecnologia moderna de hoje. Pense como um aventureiro que quer deixar uma história do que aconteceu com seu grupo, com sua tropa, com sua patrulha para ser conhecido nos anos futuros. Eu sei que nos grupos que vocês atuam elas são feitas assiduamente. Eu sempre gostei de atas. E gostava e ainda gosto de escrever, afinal fui escriba na patrulha e nem lembro mais quantas atas e relatórios eu fiz. Colocar ali o que cada um diz sua opinião seu estilo de interpretar uma situação, é como sentir a vida dentro daquelas páginas que um dia irão ser lembradas como um fato histórico. Experimente ler uma ata alegre, cheia de sabor, escrita por alguém que dá um toque especial. Vale a pena. As lembranças se você esteve ali naquele dia irão trazer de volta tudo que foi falado, anotado e escrito.

                     Sempre acreditei na importância das atas. Gostaria de voltar a minha cidade e ver se as Atas da Patrulha ainda existem. Acho que não. Eu era o escriba e quando passei para Sênior ficou na mão de João Mindinho. Se ele cuidou bem eu não sei. Sei que o grupo não mais existe, mas quem sabe tem alguns vivos lá? Seria uma grata surpresa. Já pensou? Ler o que escrevemos durante todos aqueles anos como escoteiros e seniores? Sempre acreditei que não devia existir um modelo de estilo de escrita em atas. Dizem que hoje tem até cursos para os “Ateiros” risos. Tem tanta exigência que dá medo. Não pode pular linhas, nunca se esquecer dos parágrafos.  Os espaços vazios devem ter um traço diagonal. Mas boa mesmo é a ata tipo história, cheia de adornos e Volante escoteiro da Touro fazia e desenhava em cima.

                   A patrulha tinha dois bons escribas. Eu era um deles. Enfeitava muito no que escrevia. Claro nosso Livro da Patrulha que alguns chamavam de atas, contavam sempre tudo que fazíamos em acampamentos, excursões, entrada e saída de escoteiros. Não faltava a entrega de distintivos, estrelas, etapas e tudo que se relacionasse a patrulha. Decisões da Corte de Honra (quando podíamos saber). Claro que a Corte de Honra tinha a sua trancada a sete chaves. As reuniões de Patrulha nunca eram feitas sem uma boa ata. E olhe, chegamos a ter mais de dois livros de por ano. Uma vez contei oito em cinco anos. Algumas patrulhas chamam de diário ou relatório. Quando os anos passam e se você puder ler a história da Patrulha, o seu cargo, sua promessa, as estrelas de atividade, os cordões, as classes e especialidades, os acampamentos, as eficiências de campo, as histórias que surgiram e aconteceram e ufa! Até mesmo os fogos de Conselho isto é bom demais.

                  São tantas coisas que valem a pena anotar que poderia escrever várias páginas sobre o tema. Por toda minha vida vivi junto a um livro de ata. Nunca deixei de ter uma para anotar e lembrar-se do dia em que foi escrita. Eu acredito que os livros de atas devem ficar a disposição de todo o Grupo Escoteiro e dos antigos escoteiros que se interessarem em ler. Nada do Diretor Administrativo levar para a casa, deixar a sete chaves em uma escrivaria qualquer.

                 Uma vez, quando Regional em Minas Gerais fiquei três fim de semana na sede regional a base de lanches para não perder o fio da meada, lendo atas que ali encontrei. Uma verdadeira historia contada por um simples livro do escotismo. Tinha um livro de atas de 1939! Falava coisas que sequer poderia imaginar. Quando deixei o cargo deixei lá os livros de ata. Onde foram parar eu não sei, mas ali estava escrito a saga de um estado e sua história na sua formação escoteira.  E olhem, é ruim quando você pergunta se o grupo tem tudo isto e a resposta é negativa. Fica como se o grupo não tivesse história, memória, como se seu passado fosse suprimido para sempre.

                 Não sei se todos pensam como eu, se dão valor e importância ao livro de atas. Atas das Assembleias, da diretoria, do Conselho de Chefes, das patrulhas e por que não da Alcatéia? Tão fácil ensinar os escribas os diretores administrativos a fazer uma ata gostosa e cheia de frases para abrilhantar um dia um ano e a vida de um Grupo Escoteiro para sempre. Nem me venha com formalidades. Está no POR? Atas formais são tediosas e muitas vezes elas nos dão preguiça ou sono quando há lemos.  Sempre digo que devemos procurar dar uma conotação especial ao fato. Claro não é uma narrativa de uma partida de futebol e nem tampouco um conto das mil e uma noites. Leva-se tempo para aprender a escrever com transparência e fazer do acontecido um espelho do real.

               Gosto de ver Grupos Escoteiros que tem história, que através de suas atas ficamos sabendo de sua saga, de sua vida e de como o tempo mudou para um e outro dos que estão e dos que já se foram. As atas tem papel fundamental. Na minha humilde opinião até mais do que fotos. Um livro de ata da Patrulha, da Corte de Honra, no caso dos seniores/guias do Conselho de Tropa, do Conselho de Chefes do Grupo e da diretoria do grupo, das assembleias tem uma importância fundamental. Muitas? Não. Cada uma tem sua particularidade. Cada uma tem sua história. Espero que isto faça aqueles que ainda não tem pensar mais no assunto. Colocar o supérfluo é fácil difícil é criar uma surpresa, uma maneira alegre da escrita onde às personagens ficam simpáticas a todos que leem.

Espero ter contribuído para que o Grupo em que colaboram possa ter sua história contada em seus detalhes mais lindos e suas mais loucas aventuras! Ainda me lembro de uma noite na mesa de campo, escrevendo sob o olhar de um lampião a querosene:

- A noite escura jogava sombras na patrulha que tentava dormir. Um uivo ao longe faziam com que pensamentos abstratos levassem até a porta da barraca um lobisomem, um fantasma. O medo aflorava a pele do noviço que se arriscou a acampar. Depois de tudo, da risada normal quando o medo passou eu fiquei pensando como acabar com o medo. Fácil disse o Monitor, apenas aprendemos a lidar com ele e aguentamos firme. Pois é! A vida é uma grande e gigantesca confusão...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Conversa ao pé do fogo. O belo do escotismo está em sua simplicidade.



Conversa ao pé do fogo.
O belo do escotismo está em sua simplicidade.

                     Pense comigo quanto tempo nós temos para ficar com nossos jovens? – Duas três horas por semana? Se somarmos as atividades ao ar livre, outras sociais ou prestação de serviços veremos que o tempo é muito pequeno para complicarmos demais as atividades Escoteiras. É bom quando vemos a moçada sorrindo em uma atividade qualquer. Ian Hislops no seu vídeo sobre escotismo para rapazes mostra o que precisamos para ver que o escotismo daquela época ainda tem seu lugar na época de hoje.  A descoberta da vida ao ar livre e de aventuras é a razão de ser das atividades escoteiras. Estamos hoje com uma preocupação pedagógica, planos bombásticos, cada um querendo descobrir o ovo de Colombo esquecendo que Baden-Powell já tinha descoberto e dado o caminho a seguir.

                   Antes o feijão com arroz dava certo, mas aos poucos tudo foi se modificando. Desenvolveu-se uma parafernália de cursos, visando aprimorar e qualificar o adulto voluntário. São centenas de novas ideias e planos miraculosos. Fico na dúvida da excelência de tantas informações, técnicas, pedagógicas, psicológicas para apenas duas ou três horas por semana. É necessário mesmo? Pensando bem será que os três livros básicos de Baden-Powell não nos dá o verdadeiro sentido do escotismo e seu sucesso? Nos primórdios do escotismo BP sentiu que não poderia deixar os jovens ao “Deus dará” sem ter pessoas qualificadas para ajudá-los no seu novo sonho aventureiro. Nos bosques, matas via-se meninos a correrem como se estivessem fazendo tudo àquilo que leram nos fascículos que ele escrevia. Ansiavam aventuras. Viver na natureza. Fazer o que ele descreveu tão bem nos seus fascículos “Scout for Boys”, ou melhor, Escotismo para rapazes.

                           Para testar as habilidades e conhecimentos BP fez acontecer o primeiro acampamento Escoteiro em Browsea. As bases do fazer fazendo foram assentadas. O tempo foi passando. Até alguns anos atrás tínhamos três cursos básicos para que o adulto pudesse adquirir conhecimentos técnicos até chegar a Insígnia de Madeira. Nestes cursos ele vivenciava a vida ao ar livre, os acampamentos, vida em equipe, e com isto o método e o programa foram mantidos na formula que BP acreditava. Aconteceu que muitos jovens começaram a abandonar o escotismo devido a sua nova roupagem e apresentação passou a realizar para atraí-los. Os chefes oriundos da própria tropa desapareceram. Começou-se a busca de novos voluntários que até hoje tentam dar nova forma ao escotismo que acreditam. Os cursos foram alterados. Experiências e experiências foram feitas. Muitas sem esperar os resultados e implantadas como fato consumado.

                            Ouvir o ponto de vista do rapaz quase não se utiliza mais. Os novos que se aproximaram, claro com exceções decidem em nome do jovem e acreditam que sabem o que o jovem quer. Com o tempo eles sequer são ouvidos. Alienaram o jovem na sua livre escolha. Como eles não conheceram a mística do verdadeiro escotismo de BP quando são consultados não sabem o que dizer. É fato que nas atividades escoteiras sempre tem um ou outro Chefe a dizer que tudo foi extraordinário e que “meus” Escoteiros adoraram. Alguns não concordam que exista a evasão. Outros que o caminho que percorrem conduzem ao sucesso.

                          São duas ou três horas por semana. Só. O que precisamos? Simples. Motivar a participação dos jovens espontaneamente, deixando que eles possam opinar e sugerir o que acreditaram ser o verdadeiro escotismo. Alguns chefes dizem que viver a vida de um aventureiro de um herói da floresta, de cozinhar sua comida, de construir o seu próprio habitat é coisa do passado. Alegam que não é isso o que eles querem. Se o jovem em seu bairro tem sua turma, se fazem seu próprio programa por anos a fio porque o escotismo de hoje complica nesta busca do diferente nas atividades Escoteiras? O que o fez procurar um dia o Grupo Escoteiro? O uniforme? A vestimenta? A formatura? Será que não ouviram falar nas atividades aventureiras, no herói da floresta? Na busca do impossível para realizar diferente do seu dia a dia? Se não encontra alegria e novas descobertas, se em vez de vida ao ar livre o que encontra não difere da escola ele um dia chegará à conclusão que é melhor sair. Ficar ouvindo o Chefe por tempo indefinido, sentar em cadeiras como se fosse na sua escola, ou mesmo um Monitor mal preparado quem sabe é melhor voltar aos seus amigos do bairro.

                         Acredito que muitos dos novos cursos podem ser válidos. Mas aqueles cujo método era diretamente proporcional ao Sistema de Patrulhas, a vida ao ar livre, aprender fazendo, vivendo a vida de um jovem para sentir o que ele poderia absorver isto sim seria um curso dentro dos padrões esperados. Escotismo não tem segredo. Qualquer um que entenda os objetivos do método e do programa, do fazer fazendo, do Sistema de Patrulha vai sem duvida nenhuma atingir o sucesso esperado. Como disse um antigo Chefe de Campo de Gilwell John Thurman.

- Existem fatores adversos que não nos dão a correta aplicação do método. O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso serve tanto para os dirigentes como para os rapazes. Estamos a pensar somente em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E sabemos que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho. Sem dúvida, Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis ideias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. É por isso que devemos nos manter o mais possível dentro da simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou. – Os únicos capazes e possíveis de pôr o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado autossuficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.

                      Precisamos repensar nossa maneira e nossas atitudes na aplicação do método Escoteiro. Sabemos que o mundo está mudando e podemos adaptar sem modificar o básico. Devemos repensar o que fazemos para manter o jovem no escotismo por um tempo mais longo. Muitos saem por não se sentirem a realização dos seus desejos. Não podemos esquecer que o escotismo é dos jovens para os jovens. Quando acreditarmos que podemos ter sucesso na aplicação do método Badeniano, então o escotismo vai conseguir atingir o que esperamos. Bons cidadãos conscientes de suas responsabilidades na comunidade onde vivem.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Saber ouvir quase que é responder.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Saber ouvir quase que é responder.

Prologo: - Nada de conselhos, nada de pito, nadinha de nada. Apenas uma crônica onde um Chefe Sênior teve que aprender a ouvir, falar e decidir. Serve como exemplo? Afinal ser Chefe Sênior não é viver somente no paraíso. Também tem seus percalços. Para sermos amigos dos jovens nesta idade temos que aprender a ouvir a outra parte e só seremos considerados justo se decidirmos com justiça. Pois é... O cuidado em ouvir é o caminho mais curto para o saber!

             - Ele me procurou naquele domingo de 10 de fevereiro. Ia sair de férias e preparava-me para partir, pois minha família já estava no interior em casa de parentes. Ia passar o carnaval com eles – Olá Chefe. Atrapalho? – Joshua, sempre ele. – Entre meu amigo. Ele entrou de cabeça baixa como não querendo dizer nada. No meio da sala deu meia volta. – Outro dia volto Chefe. – Joshua se veio até aqui diga logo o que deseja meu amigo. – Ele me olhou com aquela cara de magoado com o mundo. Quer ouvir? Perguntou-me. Fiquei calado. Aprendi com Sócrates que um Chefe Sênior deve ter quatro características para liderar uma Tropa Sênior e Guias: Escutar com cortesia, responder sabiamente, ponderar com prudência e decidir imparcialmente.

              Joshua era inconstante. Há meses me procurou dizendo que ia sair do escotismo. – Chefe ser Sênior para mim não dá. Até que ser Escoteiro foi bom. Quando tentei argumentar ele me olhou com aquele ar de enfado: - Chefe precisa aprender a ouvir! – Me lembrei de que voltou um mês depois como se nada tivesse acontecido. – Sentamos na poltrona da sala e fiquei ali calado. Ele também. Minutos depois disse: - Ela me trocou por outro Chefe. – Devia ser sua nova namorada. Não a conhecia. – O que devo fazer? – Quer respostas Joshua? – Ele balançou a cabeça negativamente. – Quero desabafar Chefe, só isto. O senhor já me disse que a vida pode nos derrubar, mas somos nós quem escolhemos a hora de se levantar. – Me levantei chegando perto dele: - Joshua, as montanhas da vida não existem apenas para que você chegue ao topo, mas para que você aprenda o valor da escalada. Dê tempo ao tempo. O mundo continuará girando queira você ou não. 

             Notei lágrimas em seus olhos. – Continuei – Na vida Joshua você irá encontrar três tipos de pessoas, aquelas que irão mudar a sua vida, aquelas que irão prejudicar a sua vida, aquelas que serão a sua vida. Levante a cabeça, não corra atrás de alguém que demonstra viver bem sem você. Deus sabe quem colocar na sua vida, da mesma forma que sabe quem tirar. – Ele se levantou, não chorava mais. – Bom carnaval Chefe! E saiu sem ao menos me dizer até logo ou me dar à mão esquerda o que fazíamos nos seniores questão de honra.

             Dois anos depois ele foi estudar na capital. Voltou após cinco anos homem feito e bateu na porta de minha casa: - Chefe passei só para lhe dar um aperto de mão. Junto a ele uma moça linda de cabelos negros encaracolados. – Minha Esposa Chefe. Prometo que seremos felizes para sempre como o Senhor e sua Esposa. Formei-me em psicologia. Estou indo para Pedra Azul onde vou abrir um Consultório. Vá me visitar! 

            Quem diria! A vida da muitas voltas e o mundo nos reserva surpresas mil. Gosto muito de falar, mas adoro ouvir. Eu sei que uma maneira de agradar é deixar que cada um fale por si. Pois é, como disse aquele sábio, a natureza deu-nos duas orelhas e uma só boca para nos advertir de que se impõe mais ouvir do que falar!


terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Vai um conselho?



Vai um conselho?

Ele se aproximou. Sorriu. Novo ainda. Olhou-me como a dizer posso? Sorri para ele e disse que sim. Sapecou-me uma pergunta a queima roupa:

- Chefe, o Canal do Youtube é uma boa ideia. Será universal ou só para a Escoteiros do Brasil?

Não titubeei. - Amigo acredito na quarta lei do escoteiro, o Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros! Meu coração é escoteiro, não importa qual associação.
- Ele parecia satisfeito com minha resposta. Mas me sapecou outra: - Chefe o Senhor parece ser mais vivido que eu. Pode dar-me um conselho? – Onde encontrarei as respostas para minhas duvidas?

– Olhei para ele espantado. Tinha que responder:
– Olhe meu amigo a vida é feita de muitos erros e alguns acertos. Para chegar à resposta certa, no resultado esperado, haverá muitas tentativas frustradas. Só há um único conselho que eu possa dar a você: Faça o que acredita que tem que ser feito, mesmo que contrarie os outros, mesmo que digam que está errado ou é impossível...

- E continuei:
- Siga o seu coração e durma certo de que se deu errado foi uma escolha sua. Nós não precisamos de ajuda para cometer enganos... Até porque só aprende quem arrisca, erra ou acerta. Se a decisão não foi fruto de uma certeza sua, você nem saberá o motivo da falha. Acredite tudo o que você precisa saber esta dentro de você! Vá em frente! -- Eu acredito que você pode.

- Falei muito falei de mais. Não era para ser assim, mas acredito que ele entendeu. Ele se despediu e fiquei pensando que Boi não é vaca, feijão não é arroz, e quem quiser que conte dois!

Uma ótima tarde a todos.