Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 9 de novembro de 2019

Hoje tem hoje tem, hoje tem sim senhor! Hoje tem reunião, Alegria de montão!




Hoje tem hoje tem, hoje tem sim senhor!
Hoje tem reunião, Alegria de montão!

Zé das Quantas fez as contas,
Era hora de escoteirar!
Ludovico tomou banho,
Era hora de se limpar.
Toninha que nunca mente,
Logo escovou seu dente.

A rua ficou colorida,
E a escoteirada querida,
Pra sede marchou a cantar.
Era dia de sorrir,
Era dia de jogar...

Tarzan não era de blefe,
Sempre foi um bom Chefe.
Ivete não deixa pra lá,
Era uma grande Akela.
João, Marineide não mente,
Todos bons assistentes.

Do Beco do Zé be Deu,
Ricardo o lindo apareceu.
Maria e seu cunhado,
Marchavam de braços dado.
Era gente de uniforme,
De vestimenta nos conformes.

Na sede os lobos e seus sorrisos
Gritavam o Melhor Possível.
Era hora da bandeira,
Não havia pasmaceira.
Pantaleão e o Chefe leal
Chamou a todos pro cerimonial.

O vento bateu na bandeira,
Valeu o sorriso da escoteira.
A oração foi bonita demais,
Palavra do lobo Zás Trás.
Agora é hora do jogo
Pantaleão nisso era fogo.

E tudo correu nos conformes
Tom Mix sujou seu uniforme.
No final da festa mateira
Direito de uso e fruto,
A escoteirada certeira,
Deu o seu Grito do Grupo.

E assim terminou o fado,
Da bela reunião do sábado!
Era canto era sorriso
Era como se fosse o paraíso.
E cada um bateu suas asas,
Todos foram para suas casas.

Pois hoje teve reunião!
Alegria de montão!

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A Caminho do Triunfo. Modo de ser feliz. Por Robert Baden-Powell of Gilwell.




A Caminho do Triunfo.
Modo de ser feliz.
Por Robert Baden-Powell of Gilwell.

- "Eis o que eu considero triunfo: ser feliz. Mas a felicidade não é apenas passiva; quer dizer, não se alcança sentando-se a gente à espera dela; isso seria coisa insignificante - o prazer".

"O homem emaranha-se nas dificuldades ou tentações das águas agitadas, principalmente porque não o avisaram dos perigos do caminho, nem do modo de se defender deles" e por isso ele parte da sua própria experiência para nos aconselhar a percorrer o caminho que é a vida e para que esse caminho seja para o TRIUNFO.

É numa viagem de canoa que ele encontra o reflexo perfeito da vida, uma viagem que começa nos ribeiros da infância, passa pelos rios da adolescência e atravessa o oceano da idade adulta em direção ao porto do destino.

Ao longo desse percurso deparamo-nos com diversos escolhos e tempestades e por isso devemos sempre navegar de frente para eles, com olhos atentos para os podermos identificar, contornar e, durante o processo, aprender com eles. Navegar por entre os recifes e rebentações, apenas com uma canoa de casca de vidoeiro, pode parecer uma tarefa árdua ou até mesmo impossível, mas só assim se consegue atingir a verdadeira FELICIDADE.

É para chegar a essa Felicidade que B.P. nos deixa duas chaves importantes:

-"Não levar a vida muito a sério, mas aproveitar ao máximo o que se tiver, olhar a vida como um jogo, e o mundo como um campo de jogos." -"Fazer que as nossas ações e pensamentos sejam orientados pelo amor." É mais fácil Ser Feliz quando se vive desprendido de tudo aquilo o que é fútil e desnecessário tal como os Birmanes "que gozam com a mesma alegria as belezas da sua terra, as flores, o sol e as florestas, sorrindo, cantando e rindo". "Quem é feliz é rico, mas não se segue que quem é rico é feliz".

Nunca se esqueçam:

 “Não deixes cair teus olhos, não te deixes enganar,
Olha de frente os escolhos, olha podes encalhar.

É urgente estar atento, ver para onde corre a maré,
Ver de onde sopra o vento, não vás tu perder o pé.

B.P. é quem to diz, oh oh, impele a tua própria canoa.
Se queres mesmo ser feliz, não te deixes ir à toa,
Impele a tua própria canoa, impele a tua própria canoa.

A vida não é um deserto não queiras ficar no cais
Lenço rubro é rumo certo decide tu aonde vais
Não queiras ficar no cais.”


Devemos enfrentar cada dificuldade com coragem e amor no coração, impelir a nossa própria canoa sem baixar os olhos e estando Sempre Alerta Para Servir.
E para ti? Qual o verdadeiro modo de ser feliz?

Transcrito do Livro “Caminho para o triunfo” de Lord Robert Baden-Powell.





terça-feira, 5 de novembro de 2019

Conversa ao pé do fogo. Classes, gêneros ou castas no Escotismo.




Conversa ao pé do fogo.
Classes, gêneros ou castas no Escotismo.

- Tenho um artigo escrito há muitos anos dissecando as castas no escotismo. Alguns dizem que elas não existem... Será? O escotismo atrai, tem um programa fantástico seja para jovens e adultos. Afinal nos denominam irmãos escoteiros, sangue do mesmo sangue, fraternidade sem fronteira. Quem não se sente atraído? E quem criou tudo isso? Ele Baden-Powell em Brownsea onde tudo começou.  Foi lá que o escotismo foi formado na mais sublime forma de homem-menino onde o respeito, a camaradagem e a humildade no trato com os jovens aprendizes de escoteiros fez do escotismo um êxito mundial. Carregando nas costas o título de Tenente General do Exercito Inglês, herói aclamado pelo famoso “Cerco de Mafeking, aplaudido pelos escoteiros como Escoteiro Chefe Mundial, recebeu do rei Jorge V a honra de ser elevado a barão, sob o nome de Lord Baden-Powell”.

Apesar das dezenas de condecorações e elogios BP acreditava na camaradagem e na fraternidade mundial Escoteira. Seus livros fizeram tanto sucesso que um deles “Escotismo para Rapazes” tornou-se um Best-seller mundial. “Ninguém jamais esqueceu suas palavras no primeiro Jamboree em Olímpia na Inglaterra: - Irmãos Escoteiros peço-vos que façais uma escolha solene”, existem diferenças de pensar e de sentir entre os povos do mundo, tal como existem diferenças físicas e de línguas. A guerra ensinou-nos que, se uma nação tentar impor a sua vontade particular às outras nações, uma cruel reação seguir-se-á inevitavelmente. O Jamboree ensinou-nos que, se exercitarmos a tolerância mútua e o hábito de fazermos concessões recíprocas, então haverá compreensão e harmonia. Se for essa a vossa vontade, partamos daqui totalmente decididos a fomentar essa camaradagem entre nós e entre os nossos rapazes, através do espírito mundialmente espalhado da Fraternidade Escoteira, para que possamos ajudar a desenvolver a paz e a felicidade no mundo e a boa vontade entre os homens.

Noto com pesar que estão surgindo uma nova casta no Escotismo Brasileiro. Dizem que no escotismo atual isto é real. Não sei se isto acontece no âmbito internacional. Nas redes sociais, nos grupos, distritos regiões e na Nacional a uma corrida entre adultos no intuito de alcançar um melhor status na graduação escoteira, fazem questão de criar seus “feudos”, reunindo os “iguais” os honoríficos, os pertencentes à casta dos Insígnias de Madeira. Se antes era uma certificação de estar bem preparado para formar os jovens dentro dos princípios de Baden-Powell hoje para alguns nada mais é que ser “o melhor” “o mais adestrado” um novo príncipe do Escotismo Brasileiro. Participar do primeiro Grupo de Gilwell para uns poucos se tornou uma obsessão. Eles criam grupos com suas conquistas, seja os IM, Formadores, e outras tantas que os mais afoitos fazem questão de estar unidos num mesmo ideal. Num mesmo ideal? Adianta ser amigo de um e sentir de maneira diferente para aqueles que não tiveram a sorte de estar solidamente na mesma função, no mesmo patamar burocrático cuja única preocupação é estar com seus jovens, em uma tarde de sábado a escoteirar?

Se foi BP quem escreveu não sei: - Chefes não sejam arrogantes, sejam humildes, lembrem-se que aqui na terra ninguém é melhor que ninguém e todos nós temos qualidades e defeitos. Jamais seremos perfeitos. Respeitando nosso semelhante seremos respeitados. Acho que são Palavras de Chico Xavier. Ainda leio o que ele escreveu: - Um dia desses iremos embora daqui. A terra é somente uma passagem. Daqui só iremos levar nossas boas ações. Que adianta um caixão de primeira categoria se o resto é tudo igual e ele vai apodrecer com o tempo? Sei que muitos criadores de grupos e páginas onde os pronomes substantivos abundam, não o fizeram por mal. Mas será que isto não criou ou está criando classes entre chefes e dirigentes escoteiros? Será que aquele herói subtenente do regimento que formou a célebre “Carga da Cavalaria ligeira” da Guerra da Crimeia apoia tal ação?

No escotismo devemos ter como meta a preparação e o conhecimento para doar aos nossos jovens o que temos de melhor. Títulos e Condecorações fazem parte do crescimento, nada mais que isso. Muitos costumam se declarar especialistas em escotismo. Sorriem quando os mais novos ficam admirados, quem sabe sonhando em ser um igual. Determinam as nornas, são disciplinadores, fazem admoestações e definem onde cada um deve pisar. Isto não serve para todos. Alguns ficam nauseados com tamanha idiotice e sorriem ao ver tamanha mediocridade. Ver tais ações em grupos, distritos, regiões e na nacional é patético para não dizer dramático. Assistir a esse espetaculo de alguns voluntários que se acham em condições de liderar adultos, de se intitularem catedráticos na causa escoteira para alguns como eu é de uma pobreza sem limite. Às vezes tem figuras tão bizarras que dá vontade de rir. Estamos no caminho para o sucesso? Existe uma luta surda pelo poder e quando ele não é conquistado se muda de associação ou cria uma. O agravante do singnificado do poder encontra-se justamente nas circunstancias em que o beneficiado nunca encontrou fora do escotismo o que sonhava em ter. Isto não é só no Brasil. Disseminou por todos aqueles que possuem sua associação escoteira.  Não duvidem. Temos sim no Escotismo brasileiro e em muitos países, chefes que se julgam o melhor.

O passado não é melhor que o presente. Leio Sócrates dizendo: Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância. Fico imaginando se fossemos um movimento Profissional com todos os adultos regiamente pagos. Nesta hora me assusto. O poeta me aconselha: Precisar dominar os outros é precisar dos outros. Disciplina se consegue com amor, responsabilidade, dever e amizade. Somos um movimento educacional e nele não cabe a Sede de poder, de estar acima dos outros, em vez de se igualar e dar oportunidade aos outros de ser iguais ao que somos. Parece inverossimel esta equação nas redes e nos privilégios que o escotismo erroneamente oferece. Amo a simplicidade, o sorriso e o abraço. Não precisamos neste belo movimento nos movimentar para sermos o melhor o superior hieráquico o Grande Chefe, que às vezes é baixinho e sabe sorrir como ninguém. Apesar da minha vivência escoteira não me considero o melhor, o sabido o arcanjo enviado por Deus. Ainda acredito que a fraternidade o respeito e a humildade é o melhor caminho para preparar-mos os jovens que acreditam em nos!

domingo, 3 de novembro de 2019

Um comentário sem futuro. Vacina Bipidiana para Chefes Dirigentes da EB. (XP456).




Um comentário sem futuro.
Vacina Bipidiana para Chefes Dirigentes da EB. (XP456).

                Há tempos pensei que poderiam fazer uma vacina para chefes escoteiros e dirigentes. Claro, só para os que precisam. Os que já foram vacinados não. Como não encontrei no PAXTU e nem nas lojas escoteiras brasileiras, tentei no Instituto Butantã. Não me levaram a sério. Peguei um avião da ponte aérea (fiquei quatro horas no Aeroporto de Congonhas e mais três no Galeão) e fui até o Bio-Manguinhos – Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos no Rio de Janeiro e nada. No Brasil acho que não ia encontrar nenhuma, mas tentei a FUNED – Fundação Ezequiel Dias em Minas Gerais. Riram na minha cara e me chamaram de louco. Afinal os mineiros adoram botar a camisa prá fora e esqueceram por completo do Uniforme Caqui uma tradição mineira. Lá havia dois diretores adeptos do escotismo moderno. Deus me livre! Só tinha uma saída, pegar um avião da Pan American e ir aos Estados Unidos. Desculpe, sei que a Pan pediu falência a muitos e muitos anos e olhem que diziam que os ônibus espaciais teriam seu logotipo no futuro, mas ela pelo menos tratava com fidalguia os escoteiros. Por isto viajei por ela. Seus diretores todos foram agraciados com a Eagle Scout e quando me viram de uniforme chapelão bermudas fui tratado como se fosse BP em pessoa. Era “Be Prepared” todo o tempo da viagem. Minha nossa isso é bom demais!

                Bem lá chegando procurei a BSA (Boy Scout of America). Um prédio enorme. Um Executivo Escoteiro me recebeu com honras de Chefe Estado. Serviu uísque dos bons. Gosto de coisas boas e aquele Jack Daniels de graça era “bão demais”. Graças a Deus não era do Paraguay. Tomei duas doses sem gelo. Adorei. Ele disse que se impressionou com meu uniforme caqui de bermuda e o meu chapelão de três bicos. Achou que eu era o Escoteiro Chefe do Brasil! Risos. Eu? Só ele para achar isto. Preferi comentar que aqui no Brasil não tem Escoteiro Chefe, só presidentes e diretores, estamos cheios de BOOS e eles adoram. Mas o tal executivo só engrandecia seus programas de metas, seus cinco mil profissionais escoteiros e os seus três milhões de membros atuais. Garganteava que em cinco anos iriam dobrar a receita anual e o número de membros. Me contou tim tim por tim tim o Jamboree que iriam fazer (aconteceu e encheu de brasileiros, depois dizem que o escotismo não é para pobre). Dizem que passou dos cinquenta mil acampantes e a taxa uma mixaria. Incríveis estes americanos. Não fui. Duro e cliente do SUS não deu.

                Depois de muito bate papo em alemão, o único idioma que falo bem em sonhos, entrei no assunto que me levou até lá. Me ouviu atentamente. Não riu e não chorou. Esta é a vantagem dos gringos. “Business-Business” Amigos, amigos, negócios a parte. Ainda bem. – Olhe eu disse, procuro uma vacina que contenha em sua fórmula o seguinte:
- Crescimento em qualidade e quantidade urgente para o Brasil;
- Mudança geral na maneira de pensar de todos os dirigentes que se acham super poderosos;
- Direito e deveres iguais.
- Democracia e transparência.
- Votar e ser votado não importando a classe cor, credo escolha sexual ou se eleito para o Olimpo dos Deuses.
- Cursos técnicos conforme programa de Gilwell e os princípios de BP.
- Fraternidade sem fingimento entre todos os adultos que atuam no escotismo deste o chefão ao chefinho;
- Diretrizes para voltarem às nomenclaturas antigas das provas de lobinhos e escoteiros e entrega de condecorações sem cobrança e sem burocracia aos que estiverem atuantes e com a exigência de anos de atividade prevista;
- Direito e deveres do Grupo Escoteiro participarem com seu efetivo adulto nos Congressos e Assembleias, exigindo mudanças urgentes nos Estatutos e Regimento interno; Podem portar faixas e cartazes; Todos terão direito a voto.
- Ser transparente no julgamento da tal Comissão de Ética, dando direitos de defesa “in locum” do acusado.
- Exigir que a partir de agora nenhuma decisão importante será tomada sem ampla informação discussão e apoio de todos os associados;
- Uniforme único, com exigência de garbo e apresentação, exceto para os do mar e ar, pois são os únicos que mantiveram a tradição e são orgulhos para todos nós;

                 Ele me interrompeu. – Pode parar “Mister”. Pode parar. Se conheço bem o Brasil isto é impossível. Temos até uma vacina, mas nunca serviria para vocês. Mas não quero ensinar nada e se o fosse fazer só com seu representante internacional, vocês tem não? Sei que ele viaja muito as custas dos escoteiros pagantes na Loja e na inscrição! Risos. Até ele sabia disto!
           
                Saí de lá decepcionado. Valeu conhecer a sede da BSA e o uísque gratuito. Onde conseguiria esta vacina? Quem sabe o Papa poderia me ajudar? Tenho visto abraçando escoteiro de lenço e o escambal. Quem sabe o Donald Trump papo furado? Ou a ministra alemã Ângela Merkel? Dizem que ela é durona. Do russo Vladimir Putin sabia que não podia esperar nada. Com aquela cara de “fuinha” só podia ficar preocupado com a KGB. Pensar nos políticos brasileiros era perda de tempo. Eles só se preocupavam com seu bem estar. Até pensei no Bolsonaro e no Gilmar Mendes, mas desisti. Nunca foram escoteiros, não colocaram seus filhos em grupos Escoteiros e hoje aprendemos que a família do presidente só tem papo furado. Peguei de volta um avião da GOL. Tive que pagar o lanche de bordo, que coisa né? Vi que as aeromoças me tratavam com carinho, pois acho que algumas delas tinham sido bandeirantes. Mandaram apertar o cinto. O avião começou a sacolejar e trepidar. Alguns gritaram pedindo socorro. Começou a rodar em parafuso. Um velhinho simpático me apareceu e disse – Calma meu Chefe, você vai ficar bem. Vou levar você para o Grande Acampamento no além. Gritei! Deus me livre! Chega de velhos. De "Velho" já basta eu. Ele sorriu e disse - Tudo bem irei comentar com o General Baden Powell sua recusa e pode esperar que será julgado pela Comissão de Ética do céu. Ela é pior que a terráquea brasileira. Não espere piedade!

               Acordei suando e gritando. Celia veio correndo. Sorri sem graça, apenas um pesadelo mulher, apenas um pesadelo! Maldita vacina. Não quero pensar nela nunca mais!

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Pontualidade Escoteira.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Pontualidade Escoteira.

... - A pontualidade é uma virtude e está no mesmo nível do respeito e da honestidade. Embora a primeira não leve às demais, pessoas respeitosas e honestas, geralmente são pontuais. - "A pontualidade é a cortesia dos Reis e obrigação dos educados”.

- Convidado participei de centenas de cerimônias Escoteiras em diversos níveis de liderança ou mesmo em Grupos Escoteiros em diversos Estados Brasileiros. Muitos não respeitavam a pontualidade que eles mesmos impuseram para a abertura dos trabalhos. Como sou exigente teve casos que dei meia volta uma desculpa e fui embora. Afinal eu tinha mais o que fazer do que ficar esperando. Um dia um Chefe telefonou: – Não me esperou? Não sabia que eu tinha de esperar por ele. Para mim pontualidade é a arte de não desperdiçar o meu tempo e o tempo alheio. Nós escoteiros devemos dar exemplos e ser os primeiros a chegar. Pontualidade não é adestramento, técnica, ou diversão. Faz parte sim da formação moral e ética escoteira. Acredito e repito que somos exemplos e ficar dando desculpas pelo atraso não é próprio de quem se orgulha em ser Chefe ou mesmo Escoteiro. Qual a explicação lógica para o atraso? O que dizer aos pais quando atrasamos? O que ele vai pensar do escotismo? Que educação ele esperava para seus filhos? Que adianta falar em responsabilidade e respeito se desrespeitamos seus compromissos assumidos depois das reuniões? Se formos uma escola de cidadania somos responsáveis para dar o devido respeito à pontualidade.

Sou da opinião que a falta de pontualidade é sempre um sinal de desrespeito pelo próximo e pela organização social a que pertencemos. A pontualidade está presente nas rotinas, nas tarefas que desempenhamos, nos desafios e nos objetivos que nos propormos realizar. De todos os recursos a que temos acesso, o tempo é um dos mais relevantes pela sua natureza volátil e, para muitos de nós, perdermos horas à espera de outros, significa desperdiçar um precioso bem. E claro ninguém gosta. Também é importante que devemos perceber e assumir que a forma como lidamos com o relógio, diz muito sobre a nossa formação educação e temperamento. Numa sociedade tão exigente e complexa como a nossa, é uma questão de procurarmos definir prioridades, sabendo de antemão que nunca iremos ter tempo para fazermos tudo o que precisamos ou gostaríamos de fazer. Ninguém gosta de ficar à espera. Se nos pusermos no lugar do outro poderemos ver e constatar que esta atitude não é um pormenor sem importância, mas constitui de fato uma falta de civismo e respeito.

Afinal se determinamos um horário para iniciar e terminar uma atividade escoteira ou outra qualquer não seria falta de educação e respeito deixar de cumprir os horários programados? Se vamos acampar temos hora para dormir e acordar ou não? A hora da inspeção é quando a patrulha estiver pronta? Almoçar e jantar é em qualquer horário no campo? Se os pais trazem seus filhos e alguns vão buscar no término é correto atrasar? E se ele tinha outro compromisso? Se a bandeira é quinze minutos ou menos porque demora vinte ou mais? Se um jogo é de quinze minutos vamos jogar trinta? Para que programas com horários se eles não são respeitados? Se avisamos que vamos chegar do campo as tantas horas e o atraso for demais o que explicar? Desculpas? Ora qualquer programa de uma sessão escoteira responsável é dividida com seus assistentes. Eles serão os culpados pelo atraso e alguns serão cancelados é culpa de quem?

Note-se que temos uma reunião semanal. Quem determinou o horário foi o Conselho de Chefes ou a Diretoria ou o próprio Chefe da sessão. É compreensível algum pequeno atraso, mas não pode ser frequente. Ninguem gosta de atrasos e se ensinamos isto ao jovem ele vai levar o aprendizado para a vida adulta. Amanhã quando tiver uma reunião na empresa, ou combinou um determinado encontro profissional e chega atrasado o que ele vai explicar? Sempre explicando? Vai perder um contrato ou um acordo que seria interessante para ambos? Sou testemunha da irresponsabilidade de muitas atividades nacionais, regionais ou distritais que marcam determinado horário e não cumprem. Se eles procedem assim o exemplo é nato. Chegamos a tal ponto, que até nos cursos escoteiros muitos se atrasam. Quando fui diretor de cursos não aceitava. Alunos atrasados eram bem recebidos com um Sempre Alerta e mandados de volta. Faça no mês que vem meu rapaz! Errado eu? Não é uma falta de respeito com quem chegou no horário e ainda tem de esperar a chegada dos que não respeitam o horário dos outros? Aprendi e posso estar errado que a pontualidade é sinal de responsabilidade. Precisamos mostrar que os outros podem contar conosco.

Tenho certeza que a maioria de vocês chegam no horário. Vá lá que uma vez ou outra um atraso qualquer possa acontecer e olhe que na sociedade moderna cada um tem o seu celular. Mas se coloque no lugar dos pais quando esperam na sede a chegada de seus filhos de um acampamento de uma excursão, de um bivaque ou mesmo acantonamento. O pior é a saída para uma atividade. – Monitores e chefes pedindo para esperar, pois a maioria ainda não chegou. E os que chegaram no horário não merecem respeito? Conheci um executivo escoteiro profissional, que conseguiu ser recebido por um presidente de uma multinacional e cujo intuito era de conseguir meios e locais para alojar em sede própria um Grupo Escoteiro da comunidade. Ele se prontificou em receber e ouvir e até quem sabe ajudar. Infelizmente ouve um atraso de 30 minutos e a reunião foi cancelada. Que belo exemplo ele deu. Acredito que daí para frente aquele Presidente olharia com desconfiança para o Movimento Escoteiro.

Dar exemplos de políticos que nunca chegam no horário ou mesmo altos diretores de empresas não justifica. Temos que pensar que cada um é cada um. Ou você é responsável ou vai ficar sempre na sombra de alguém para explicar. Sei de muitos voluntários que desistiram do escotismo por falta de pontualidade nas atividades que estavam participando. Esperavam que o término seria no horário e assumiram compromissos que agora não podiam cumprir. De quem é responsabilidade? Falar com quem? Simplesmente sair e dizer que não pode ficar mais tempo com todos olhando a sua saída como se você fosse um ET e não Escoteiro? Escoteiro é assim? Sei que muitos chefes são responsáveis, dão e exigem exemplos e no Movimento Escoteiro. Temos que ser os primeiros a mostrar que podemos chegar no horário, cumprir horários e dizer que a pontualidade escoteira faz parte da educação que dá e recebe. Olhe se não vai chegar no horário ou vai cumprir a programação não me convide. Eu faço questão da pontualidade. E quer saber? - Detesto ficar esperando!

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Conversa ao Pé do Fogo. Escotismo Modalidade do Ar e do mar.




Conversa ao Pé do Fogo.
Escotismo Modalidade do Ar e do mar.

Eu tenho muitos amigos da modalidade do Ar e do Mar e tenho por eles enorme consideração. Escoteiro Básico, preferi a terra para pisar e Leigo nas modalidades do Ar e do Mar sempre procurei conhecer um pouco seus programas. Por curiosidade resolvi perscrutar e revirar na Internet sobre suas origens e quando foi a sua fundação. Interessante suas histórias e a eles meu Sempre Alerta!

Escotismo modalidade do Ar.
A Modalidade do Escotismo do Ar, não foi idealizada pelo fundador, Baden-Powell. As outras duas a Básica e a do Mar sim. A Modalidade do Ar não começou na Inglaterra, ela teve origem no Brasil. Dia 28 de abril de 1938, é oficializado o primeiro Grupo Escoteiro da Modalidade do Ar, o Grupo Escoteiro do Ar Tenente Ricardo Kirk, tendo como responsáveis o Major Aviador Godofredo Vidal, o Tenente Coronel Aviador Vasco Alves Secco e o Primeiro Sargento Telegrafista Jayme Janeiro Rodrigues, na época servindo no 5º Regimento de Aviação, atual CINDACTA II, em Curitiba.

Em 19 de abril de 1944, foi criada a Federação Brasileira de Escoteiros do Ar, a qual congregava todos os Grupos Escoteiros da Modalidade, na época se restringindo aos Estados do ParanáRio de Janeiro e São Paulo. O Brigadeiro Nero Moura, em 26 de julho de 1951, então Ministro da Aeronáutica, reconhecendo a tamanha expansão registrada e seus valiosos objetivos, entre eles o de incentivar o interesse dos jovens pela aeronáutica, determinou que todas as unidades da Força Aérea Brasileira dessem total apoio à Modalidade do Ar, o que acontece até os dias presentes.

Em 1951 a Portaria 262 publicada pelo então Ministro da Aeronáutica Brigadeiro Nero Moura determina o apoio de todas as Unidades da FAB aos Escoteiros do Ar. Esta portaria foi reconfirmada em 1981 pelo Ten.-Brig. - do-Ar Délio Jardim de Mattos e reformulada e substituída pela portaria 914 de 29 de Setembro de 2003 pelo Ten.-Brig. - do-Ar Luis Carlos da Silva Bueno.

Escotismo Modalidade do Mar
Após um acampamento no Rio BeaulieuBaden-Powell redigiu "Escotismo do Mar para Rapazes", era uma pequena explanação do que deveria ser o escotismo o mar, ao final há uma nota que diz que seu irmão, Warrington Baden-Powell, montaria um manual para os escoteiros do Mar. Com o despreparo dos chefes da modalidade básica, surgiram novos chefes provindos da Guarda Costeira da Inglaterra, esses tinham conhecimento sobre as artes da marinharia. As primeiras uniões de Escoteiros do Mar na Inglaterra e no exterior foram: Mercúrio, 'British Boys', Petersham and Ham, Barry, Cleethorpes, Ratcliffe, Skegness, e Gibraltar.

Em 1910 foi definido o uniforme dos Escoteiros do Mar, branco diferente da modalidade básica caqui (naquela época). Em 25 março de 1911, estabelece-se escoteiros do mar como salva-vidas na costa, uma real necessidade da época. Em 1912 o "Escotismo do Mar e Marinharia para Rapazes" é publicado. Em 1921, Warrington Baden-Powell morre, mas o Escotismo do Mar já era realidade em vários países. E atualmente no mundo inteiro. Escotismo Modalidade do Mar, é uma das vertentes do Escotismo, tem como principal diferença das outras modalidades é que realizam suas atividades preferencialmente na água, onde quer que exista água em quantidade e profundidade suficientes para que uma embarcação possa navegar, seja ela de que tipo for.

Sendo assim podem existir Escoteiros do Mar, seja estar na água de mar, de rio, lago, lagoa ou pantanal. Procurando desenvolver nos jovens o gosto pela vida no mar, pelas artes e técnicas marinheiras, pela navegação à vela e a motor, pelas viagens e transportes marítimos, pela pesca, pelo estudo da oceanografia, pela exploração e pelos esportes náuticos, incentivando o culto das tradições da marinha. A gama de atividades que podem ser realizadas é enorme, indo da tradicional navegação a remo até mergulho ou windsurf.

- Me orgulho de ser um Escoteiro Básico, faço questão de manter digno no meu uniforme seja o caqui seja o traje que a Escoteiros do Brasil sepultou. Tenho enorme admiração pelos do Ar e do Mar. Se esmeram na apresentação, seus uniformes e fardas são impecáveis e dão enorme exemplo aos demais pelo seu garbo e boa ordem. Uma pena que o novo vestuário veio dar nova conotação na postura da vestimenta escoteira, nem sempre bem reconhecido pela comunidade em muitos estados brasileiros. Levamos anos e anos para dar a comunidade no Brasil uma postura escoteira conhecida de norte a sul. Agora vamos esperar até quando iremos ter novamente admiração pela nossa apresentação e pelo nosso garbo sem esquecer a nossa palavra, honra dignidade e caráter.

- Ao meu amigo Francisco Kainer Rinaldi, um legítimo Escoteiro do Ar que tenho enorme admiração, meu fraterno abraço e parabéns pelo incansável labor pela valorização e engrandecimento do Escotismo do Ar. “Rataplan-plan-plan, vamos cantar, estaremos Sempre Alertas Escoteiros do Ar”! E aos demais Escoteiros do Mar, muitos que um dia convivemos nesta aventura escoteira navegando em embarcações que nunca esqueci meu fraternal abraço e avante, como diz Rinaldi, meu amigo. – “Do infinito mar, na vasta imensidade, e sob a infinidade do esplendente azul Queremos educar a nossa mocidade fugindo a vida inerte, infenso, atroz, Paul, e quando vemos longe o torvelinho humano o próximo perigo, as almas nos desperta, ao nosso brado: Alerta! Alerta, Sempre Alerta! Responde-nos; Alerta! As vozes do Oceano”.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Conversa ao pé do fogo. Bajular é uma arte que não devia existir no Escotismo.




Conversa ao pé do fogo.
Bajular é uma arte que não devia existir no Escotismo.

Nota - Publiquei este artigo há muitos anos. Não foi bem recebido. Condenaram-me por escrever o que penso. O escotismo é tão perfeito que não existem bajuladores? Quando escrevo essas “pantominas” e esqueço minha veia de poeta, Muitos deixam de seguir meus escritos. Quem me segue sabe que escrevo de tudo, Historias, lendas, amizade perfeita, técnica, simbolismo e mística. Gosto também daqueles artigos que faço caçoada dos ditos ou não ditos pela Escoteiros do Brasil. Sem ofensas digo sempre. Afinal bajular é uma arte que não conheço e nunca pratiquei.

                         Amigos e amigas (nem todos) costumam comentar o que escrevo. Danadamente costumo tirar um “sarro” de vez em quando nos nossos dirigentes, mas ela sabe também que escrevo temas sérios. Não sou assim tão religioso, mas como espiritualista acredito no crescimento interno e externo de todos nós. Escotismo é minha paixão, amo demais e não comecei ontem. Afinal estou na sina de BP por mais de setenta e dois anos. Nestes tempos que dizem ser moderno eu um Velho Escoteiro das antigas gosto de fazer minhas comparações. Falo de “bajuladores”. Sei que existe em todo lugar, mas no escotismo? Somos ou não somos irmãos?  Dizem que primamos pelo cavalheirismo, com honra a verdade a ética e o caráter. Muitos perguntam: - É verdade? Temos bajuladores no escotismo? Vejamos o que dizem dos bajuladores: - É o ato de bajular, palavra que vem do latim bajulare, que significa adular servilmente. Não é difícil encontrar quem é foi ou conhece alguém que pratica a bajulação, essas pessoas são denominadas de puxa-sacos. O melhor exemplo de bajulador é o funcionário de alguma empresa que, na tentativa de ganhar a confiança, crescer na empresa e/ou obter um aumento no salário, concorda com tudo que o chefe diz e é o primeiro a rir da piada contada por ele ou um superior hierárquico.

                Há bajuladores conscientes, pois sabem que realmente são puxa-sacos. “Amado Mestre, meu incontestável Guru...” A figura do bajulador foi imortalizada por diversos personagens como o indefectível Rolando Lero, (Rogério Cardoso, excelente ator já falecido) da Escolinha do Professor Raimundo. Retrato da sociedade, onde sempre há alguém disposto a bajular, adular, lisonjear, rasgar elogios, normalmente para obter vantagem. Sabe aquelas pessoas que vivem elogiando, babando e servindo de capacho para outras, na ânsia de serem beneficiadas por tal comportamento? Pois é, vamos dar logo nome aos bois, são os insuportáveis bajuladoras de nosso dia a dia. Eles estão por toda parte: no escritório, na academia, no elevador, no curso de mestrado – sim, até lá. Trata-se de uma espécie que se multiplica, infelizmente. Pois bem, o puxa-saco, baba ovo, e seja lá mais o quê, tem em seu DNA a incapacidade, logo, precisa se colocar sempre na condição de adorador do outro para conquistar algo, seja pessoal ou profissionalmente. É patético, triste e banal, mas verdadeiro.

                     O pior é que muitos não sabem que carregam este comportamento em seu DNA e agem como se sua puxação de saco fosse à coisa mais normal da face da terra. Antídoto? Pessoas bem resolvidas, que não cultivem este tipo de gente por perto e que dê um basta a tanta melação. – pelo amor de Deus! Já dizia Shakespeare: “Aquele que gosta de ser adulado é digno do adulador”.  Alimentar este tipo de pessoa por perto pode ser desastroso – perigoso. Temos isto no escotismo? Muitos dirão que não - Deus me livre! Rs, rs. Mas é verdade? Não posso afirmar não estou mais na ativa em grupos escoteiros e regiões e da Nacional quero distância. Fico muito atrás de um computador como agora. Mas me disseram que tem. E como tem! Bem eu os vi no passado. Os baba ovos que queriam mais um taquinho, uma medalhazinha ou um carguinho qualquer nos distritos regiões e na própria EB. Achei que estavam em extinção, mas não. Eu pergunto por que puxar o saco no movimento Escoteiro? Não tem salário, dedica tempo que não tem, não sairá em capa de revistas e sempre será um eterno desconhecido. E olhe que o trabalho a ser realizado é super-cansativo.

                     O Puxa-saco gasta o que tem e o que não tem. Ele nunca será entrevistado pelo Bial ou o Danilo Gentili (os que foram devem ter se arrependido) e ainda são muito vigiados. Qualquer reclamação lá estão os politicamente corretos Escoteiros a patrulhar, desdizer e chamar sua atenção. Então não devíamos ter tais tipos. Dizem e eu concordo que o escotismo toma tempo, a gente gasta boa parte do nosso salário com tudo que fazemos e pagamos taxa para tudo e não somos devidamente reconhecidos pela comunidade educacional do Brasil. Portanto seria uma hipocrisia dizer que temos puxa sacos no escotismo. Rs, rs. Mas sei lá, pode ser que tenha. Eu não afirmo. Que os diga os meus amigos e amigas virtuais. Eles são as testemunhas que podem afirmar sim ou não. Eles estão ligados diretamente a grupos, distritos região e nacional. Eles é que podem dizer de alunos de curso baba ovo ou daqueles que vão a seminários, congressos e Assembleias só para aparecer e bajular.

                Vocês já viram um figurão sendo entrevistado na TV? Sempre tem um baba ovo atrás sorrindo e concordando. Estes são puxa sacos da gema. E aqueles que ficam horas e horas em frente ao espelho treinando o que dizer, como se portar quando encontrar o chefão? Deus do céu! O chefão diz para fazer isto ele vai correndo, o chefão tem sede ele corre e trás um copo d’água. Em cursos o que tem de puxa sacos não está no gibi. Eles querem a todo custo ser da corte, ser um formador, ser um grande Chefe e puxar o saco faz parte deste bajulador inveterado. Sonham em publicar no Face seu certificado e sua conta. Sabe que vai receber mil parabéns. Quando se realizam as atividades onde estão presentes os grandes formadores, os Velhos Lobos, os da casta dos lords lá estão eles, bajulando, concordando dando um tapinha nas costas e olhando com aqueles olhos de tartarugas da lagoa seca, sempre sonhando ser como eles. Muitos me garantem que no escotismo não temos estes tipos. Juram de pé junto. Bem eles sabem melhor que eu se existem ou não. Para mim fica o dito por não dito.

                 Eu só digo que aquele que gosta de ser adulado é digno do adulador. A bajulação é a moeda falsa que só circula por causa da vaidade humana... Vixe! Ainda bem que no escotismo temos uma maioria que corre disto. São chefes com C maiúsculo no sentido da palavra. Vocês os conhece só de ver sua postura, sua maneira de falar, suas ações e seus sorrisos. Mas não vamos deixar de saudar os puxa-sacos, pois não dizem que o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais? Risos. Puxa-sacos? Vivo a correr deles há anos!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Escotismo uma “Escola da Vida”.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Escotismo uma “Escola da Vida”.

- Quando li a obra do sociólogo Laszio Nagy, fiquei positivamente  surpreendido com várias indicações da influência africana e também indiana no escotismo através do seu criador, “BP”, codinome carinhoso dado a Robert Baden-Powell. Também impressionou, conforme avançava na leitura do 250 milhões de escoteiros, publicado pela União dos Escoteiros do Brasil, em 1987, a perspectiva não autoritária da proposta educacional Escotista – o que até contradiz a cultura militar e imperialista britânica onde estava inserido “BP” e a exteriorização (que pode ser interpretada como) para-bélica do movimento, através de certos elementos, como o uso de uniformes, distintivos, cultos cívicos, denominações como “patrulha”, “tropa” e outras caracterizações e atividades que parecem inspiradas nas tradições castrenses e no treinamento de cadetes de forças armadas.

Mas foi exatamente o jovem general Baden-Powell, como anota Laszio, em sua personalidade pragmática, tolerante, liberal, artística (era desenhista, escultor, ator de teatro, etc.) e, sobretudo, autocrítica, de um humor compassivo, de sutil ironia, quem gestou um movimento juvenil além-fronteiras e antidogmático – embora sempre solapado por “seguidores” e dissidentes que compreenderam (e ainda há quem compreenda) o escotismo como algo autoritário e ossificado. E, então, da ideia “baden-powelliana” de que atividades coletivas ao ar-livre seriam benéficas a todos os jovens, em especial aos “urbanizados”, se transformou, em muitos casos, em um disciplinamento reacionário, pela submissão, ideologicamente conservador.

                        Na autobiografia de “BP”, Lições da Escola da Vida, publicada pela Editora Escoteira brasileira, em 1986, há uma ilustração paradigmática feita pelo próprio “Pai do Escotismo”: enquanto cadetes empertigados marcham com passos exagerados sob um comandante que vocifera a suas costas – uma caricatura zombeteira de típica postura militarista –, jovens escoteiros agachados em frente ao seu fogão improvisado, cozinham seus alimentos olhando de soslaio, um tanto espantados, aquela manifestação de formalismo rígido, violento, machesco. Na legenda, lê-se: “O escotismo não tem NADA de comum com uma escola de soldados”. No mesmo livro, “BP” conta que vários elementos associados ao escotismo foram criados não pra reproduzir a tal “escola de soldados”, e sim como estratégias de agregação dos jovens, caso da vestimenta típica: “O uniforme é uma grande atração para o menino e porque se assemelha ao traje dos mateiros [ou seja, homens que se embreiam em selvas], leva-o em imaginação a sentir-se ligado a esses heróis da fronteira [civilizacional], que tanto o fascinam; favorece também a fraternidade, uma vez que, adotado por todos, nivela os sinais exteriores das diferenças de classe e origem; é simples e higiênico (o que hoje em dia está em moda [primeiros anos do século XX]) e se aproxima do traje de nossos ancestrais [os antigos bretões, terra de ‘BP’].”.

                      Ao final do clássico manual Escotismo para Rapazes, editado pela mesma Editora Escoteira, em 1975, está à mensagem que “BP”, já quase encerrando sua “jornada pela vida”, quis deixar aos jovens escotistas. Ao cabo dessa “carta derradeira”, onde ele se compara ao capitão Gancho, o vilão ao mesmo tempo cruel e romântico da história de Peter Pan, referindo-se ao chefe pirata que estava sempre a fazer seu discurso de despedida a seus marujos marginais, “temendo que, ao chegar a hora de morrer, não tivesse tempo, talvez, de pronunciá-lo” – demonstrando assim que sua veia auto irônica. De grande bom-humor estava intacta em seus mais de 80 anos –, Baden-Powell não assina este documento histórico como “general”, nem mesmo “chefe” ou algo que o valha, mas, singela e significativamente, como “do amigo”. Não há exortações pela manutenção de alguma disciplina rígida, por algum tipo de autoflagelo, de educação pela dor e obediência cega, mas o incentivo à “curtição da vida”, pelo saber, em suas próprias palavras, “saborear a vida”, sendo felizes da maneira mais fundamental e duradoura, ou seja, “proporcionando felicidades aos outros” – a todos, à humanidade e ao planeta e universo miraculosos que nos contém, sendo uma grande estupidez qualquer tipo de soberba, de “adestramento à guerra”, que, em suma, é sempre uma agressão, uma agressividade a outros seres.

No escotismo, seguindo-se o espírito de “BP”, o lema “Sempre Alerta” ou “Esteja Preparado” é em relação à paz, à fraternidade e respeito às pessoas em todas as suas dimensões individuais e grupais. O sucesso do escotismo entre os jovens, segundo Laszio, comentando os anos fundamentais do escotismo deriva-se de ser um processo educativo lúdico, do jogo, da integração ao ambiente natural. “Os primeiros escoteiros descobriram o prazer do auto-desenvolvimento e da autoeducação, sem punições e outras limitações normais impostas por rígidas convenções sociais.” “A ideia de servir, posta em prática pela procura de fazer uma boa obra, diariamente, tornou-se uma forma de vida”. Era um mundo à parte, da disciplina severa e de ordens incontestadas, emitidas por rigorosos mestre, ou pais. Foram os próprios jovens, com seu comprometimento e entusiasmo, que representaram a maior força do Movimento. Eles foram atraídos a uma forma de vida que desconheciam na escola, em casa ou a igreja, e o compromisso por eles espontaneamente aceitos, como o famoso código de honra escoteiro, foi um elemento inestimável do Ativo [aspectos positivos do movimento]. Um modelo tinha sido estabelecido, que serviria, para sempre, como um princípio diretor, a despeito de mudanças estruturais e organizacionais inevitáveis através dos anos. (...) as dificuldades e problemas foram causados por adultos e não por jovens. A folha de Balanço, portanto, não estava isenta de Passivo.

domingo, 6 de outubro de 2019

Conversa ao pé do fogo. “Pergunte aos jovens”.




Conversa ao pé do fogo.
“Pergunte aos jovens”.
Impossível sem “Im” e “Ask the Boy”! (pergunte ao menino).
Trechos escritos por Baden-Powell.

Nota: - Baden-Powell calou-se para escutar os Rapazes, para deixar os Rapazes serem Rapazes. Uma das histórias é a que relata a tarefa arriscada do jovem Rowan, de entregar uma carta a Garcia, chefe de um grupo rebelde em Cuba. Apesar do risco, sem questionar, Rowan avança e cumpre a missão. BP termina esta história com a seguinte frase: “Não tenhais medo de errar"… "Quem nunca errou nada fez”. Escutar as ideias dos jovens – “Ask the Boy” (pergunte ao menino), até as mais “estapafúrdias”, ser capaz de embarcar nas suas aventuras mesmo que estas pareçam irrealistas, acreditando nelas, serão dos atos mais ousados do Chefe Escoteiro.

- Escutar as ideias dos jovens – “Ask the boy” (pergunte ao menino). “Até as mais estapafúrdias” ser capaz de embarcar em suas aventuras mesmas que estas pareçam irrealistas, acreditando nelas, serão dos atos mais ousados do Chefe Escoteiro. BP desafia: - “Confiemos nos jovens” vê-los-emos “institucionalizar” a sua Patrulha, o seu grupo, o seu escotismo e mais tarde o seu mundo”. Baden-Powell.

 Baden-Powell - um contador de histórias
BP ofereceu-nos muitos dos seus ensinamentos através de histórias. O Escotismo para Rapazes é quase todo ele um livro de histórias. Por isso BP intitulou as partes deste de “Camp Fire Yarn´s”, que numa tradução livre pode significar “Histórias de cordel, contadas à volta da Fogueira”. Uma das histórias é a que relata a tarefa arriscada do jovem Rowan, de entregar uma carta a Garcia, chefe de um grupo rebelde em Cuba. Apesar do risco, sem questionar, Rowan avança e cumpre a missão. BP termina esta história com a seguinte frase: “Não tenhais medo de errar"… "Quem nunca errou nada fez”.

É natural que, em educação, possam surgir circunstâncias em que haja tendência para se diferenciar de muitas das ideias dos jovens. O pensamento é de que isto pode conduzir ao erro e que, por isso, devem ser impedidos de levá-las à prática. - Ora, na singularidade que caracteriza a educação no Escotismo, talvez seja prudente que o Chefe Escoteiro pare para refletir antes de ser protagonista de “nãos” aos projetos dos jovens.

- É na referida história, que BP incita os rapazes a retirarem o “Im” da palavra Impossível. Não caia o Chefe Escoteiro no erro, esse sim grave, de ser agente da impossibilidade! Escutar as ideias dos jovens – “Ask the Boy” (pergunte ao menino), até as mais “estapafúrdias”, ser capaz de embarcar nas suas aventuras mesmo que estas pareçam irrealistas, acreditando nelas, serão dos atos mais ousados do Chefe Escoteiro. BP desafia: “Confiemos nos jovens! Vê-los-emos «institucionalizar» a sua Patrulha, o seu Grupo, o seu Escotismo… e mais tarde o seu Mundo”.

BP cria condições para que as crianças e jovens aprendam com erro: “Todo o Escoteiro tem de começar como Pata-Tenra e cometer alguns erros no princípio… A criança quer estar a fazer coisas… Deixai-a cometer os seus erros; é por meio destes que ela ganha experiência”.

O erro no ato de aprendizagem
Tenho gratas recordações da relevância que as Fases de Avaliação dos Projetos Escoteiros realizados tiveram na retificação de erros cometidos. Sem eles e sem a possibilidade de refleti-los, o “aprender fazendo” teria ficado aquém das suas potencialidades. Há quem afirme que só pelo erro se consegue aprender. Ele está na base da aprendizagem da criança de tenra idade. É essa aprendizagem, no mundo da tentativa do erro, que firmará habilidades intelectuais e motoras que a acompanharão para sempre. Como afirma o filósofo da ciência Karl Popper: - “O novo princípio básico é o de que para aprendermos a evitar tanto quanto possível os erros, temos de aprender precisamente com eles. Encobrir os erros constitui… o mais grave pecado intelectual”.

Educar-se a si próprio
Deixar que o Escoteiro amadureça pela própria experiência, mesmo que ela possa ser “desastrosa”, surge como um dos desafiantes atos de confiança do Chefe Escoteiro na missão do Escotismo. Uma das novidades educativas do Método Escoteiro centra-se no conceito de que cada Rapaz possui capacidade de se educar a si mesmo, desde que devidamente estimulado para tal. Esta novidade terá nascido na mente do Fundador ao ler educadores como Johann Pestalozzi, Friedrich Fröbel e Maria Montessori.
Diz BP: “O princípio segundo o qual o Escotismo funciona é o de que se estudam as ideias do jovem, que é instigado a educar-se a si próprio, em vez de ser instruído”. E eu mero aprendiz de Baden-Powell pergunto: Estamos dando a possibilidade de o jovem dar sua opinião? Estamos praticando democracia com eles? Mas não basta falar, tem de saber ouvir e praticar!