Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Mil beijos para você...



Crônicas de um Velho Escoteiro.
Mil beijos para você...

Ouvia gabar os beijos. Dizer deles tão bem.
Que me nasceram desejos. De provar alguns também.

Essa fruta não é rara. Mas nem toda tem valor. 
A melhor é muito cara. E a barata é sem sabor. "
Júlio Diniz.

         O Beijo. Isto mesmo, hoje resolvi mudar meus contos e falar sobre o Beijo. Dizem maravilhas sobre ele e sem perceber me tornei um expert beijoqueiro. (onde será que ele anda?). Calma, muita calma, não sou um especialista. Francamente sou ruim de beijo. Pelo menos acredito nisto pois tenho uma dificuldade enorme de beijar. No entanto se vou falar sobre o beijo, preciso aprender e definir em tese o que ele é. Comentam que é uma demonstração de afeto entre pessoas e que existem diversos tipos de beijos. O beijo na orelha por exemplo é mais dado entre casais, mas existe o beijo no nariz, no olho, no queijo e muitos outros luares. Arre! Dizem os enamorados que se estamos apaixonados o beijo é um termômetro de uma relação. Já comentamos do beijo na orelha e no pescoço. Dizem ser as preliminares de uma entrega maior, não entendo muito disto. Risos. O beijo no nariz é conhecido como o beijo dos esquimós, isto porque consiste em esfregar os narizes um no outro. Se o nariz estiver gripado valha-me Deus!

                O beijo no olho ou nos olhos, significa ternura, carinho, dedicação, amor. Geralmente é um beijo que os pais costumam dar em seus filhos a noite quando já estão na cama e pedem o beijo de boa noite. Este eu conheço bem. Tem o beijo no ombro, significa que o parceiro está sempre pensando no outro, lembrando e com desejo de estar sempre perto. Risos, nunca ouvi falar. Já o beijo no queixo significa desejo pela mulher amada. Necessidade de estar junto necessidade de compartilhar todos os momentos. Agora dizem que o maior dos beijos é aquele na boca. Um grande gesto de demonstração de carinho, amor e paixão. Então aquele mais intenso e apaixonado é demais. O encontro da saliva, da lingua, de passear na boca do companheiro dizem que é o máximo. Putz grila! Se é banguelo não vale. Risos. E acreditem, dizem que o beijo na boca traz muitos benefícios para a saude. Estimulam o cérebro a liberar endorfina, uma substância responsável pela sensação de prazer e bem-estar.

                 Aqui em nosso país hoje em dia é comum beijar. Se beija na rua, na esquina, no ponto de ônibus, dentro do ônibus, no cinema ou melhor, se beija em todo lugar. No passado se beijava diferente. Sempre no escurinho. Beijar em público? Nem pensar. Quando a gente via alguém dando um selinho no rosto era uma surpresa geral. – Você viu? Tico beijou Teca no rosto! Teca que se cuidasse ou ficaria falada para sempre. No passado se beijava nos lábios, um roçar somente. Alguns mais “indecentes” forçavam os lábios com lábios. O beijo de Scarlet O’Hara em Rett Butler no filme o Vento Levou deixou casais apaixonados a sonhar com um beijo assim. E o beijo no filme Ghost – Do outro lado da Vida? Sam Wheat e Molly Jensem deram um beijo tão lindo que o espírito de Sam não queria ir para outro plano e ficar ali beijando sua amada para sempre.

                  Muitos beijos ficaram na história. Prefiro contar os mais simples, aqueles que eu dei quando era menino. Beijos que deixaram saudades. Já noivo da Célia, cortejando-a na sala de sua casa, sua mãe ali em frente nada poderia acontecer. Um dia ela saiu para experimentar um vestido na vizinha. Me olhou com olhos de onça e não disse nada. Olhou para a Celia e o mesmo olhar. Quando ela saiu sorrateiramente dei nela um beijinho, um simples beijinho que foi o primeiro em minha vida e da dela. Que delicia! Fui para casa sonhando apaixonado. Como somos mestres em copiar o que se passa do outro lado do oceano, logo surgiu o beijo de lingua. Era cuspe para todo lado. Risos. Pelo menos já se sabe que o beijo assim movimenta vinte e nove músculos, queima doze calorias por beijo, mantém o rosto mais jovem e dizem que o trabalho muscular da lingua dá firmeza a pele.

                  Valha-me Deus! É beijo que não acaba mais. Vou esperar outra geração quando voltar aqui na terra e quem sabe beijar como eles estarão beijando. Podemos imaginar? Não quero nem pensar como será. Fico vermelho imaginando. Como dizem que o Escoteiro é puro nos seus pensamentos palavras e ações, prefiro voltar no tempo e dar um simples selinho, daqueles que um dia me faziam sonhar que era o homem mais feliz do mundo!

O beijo do matuto mineiro.
Se arguém tá duente, quando você beija ele,
Ele cumeça a miorá, e ocê miora junto tamém...
Muita gente importante e letrada,
Já tentô dá um jeito de sabê.
Pruquê qui é qui um beijo tem tanta tiquilonogia,
Mas ninguém inda discubriu...
Mas, iêu sei! Foi um ispirto bão de Deus qui mi contô...
Iêu vô cuntá procêis um qui foi quel mi falô:

Meu fio, um beijo é bão pur causa do coração...

domingo, 12 de abril de 2015

Apenas um poema Escoteiro. “Escoteiro Sonhador”



Apenas um poema Escoteiro.
“Escoteiro Sonhador”

È bom demais acampar, Colocar a mochila as costas,
De sentir o seu calor, ir por estradas sem fim.
Parar para descansar, olhando as flores silvestres,
Sentir o sol  a queimar e seguir no horizonte,
A procura das montanhas de marfim.

Ao lado de tantos amigos, colocar o pé na estrada.
Sentir a poeira no rosto, cantar uma canção bem bolada,
A patrulha marchando em fila, sentindo no rosto o suor,
E esperar o "Chefe", Que vai dar a bela ordem:
- Parando escoteirada! É hora de descansar.

É bom demais chegar lá. Onde vai ser o nosso lar,
E ali nós vamos viver, amando a nossa patrulha.
Vivendo com aquela turma, correria nas barracas,
Construir um pórtico um fogão, todo ele feito de barro,
Na mesa a quadrada e uma costura que vamos nos orgulhar.

E depois um banho gostoso e frio em um riacho qualquer.
Deitar na relva ver o céu, acordar de madrugada,
Ouvindo o cantar da passarada vendo o orvalho cair.
È gostoso na barraca, descansando de uma luta,
De um dia de labuta  agora vamos dormir. E quando a hora chegar
Vamos sonhar com tudo isto, passear na nuvem branca,
Quando a Patrulha se levanta, em busca do amanhecer.

É gostoso sentir a fumaça, do fogão à lenha queimando,
Do alegre cozinheiro, com os seus olhos vermelhos,
Como se fosse chorar, e sorrindo ele sabe,
Que não é só amizade é pertencer à equipe,
De meninos de estipe, fraternos e aventureiros.

E como é gostoso olhar as mãos, com muitos calos marcados,
Pois o facão e o machado, o sisal e o cipó,
Não perdoam a ninguém. Disso sabemos todos,
Ali são bons mateiros, gente boa e escoteiros,
Se no jogo cair ao chão, na grama do acampamento.
Dar risadas com amigos, pois ali é união,
Que seja um jogo qualquer. Ali somos fraternos,
Seja hoje ou eterno, esperando o doce amanhã.

E quando a noite chegar, na porta de uma barraca,
Fazer um pequeno fogo, sentir uma alegria, de ver,
A Patrulha aproximando, um café quente e fervendo,
Conversas jogadas fora, sentir saudades da escola,
Da namorada amada, da mãe que não há momento,
Alcançar o seu intento, beijar seu rosto e sorrir.

É gostoso é bom demais, sentir o cheiro do mato,
Ouvir o som do regato, o cantar de um sabiá,
Um vagalume perdido, o uivo de um lobo guará,
Lá ao longe bem distante, nas montanhas verdejantes,
Onde ele uiva errante, onde é o seu habitat.
Gente que coisa boa, beber água da nascente,
Tão fresca e tão brilhante, de olhos fechados sorrindo,
Sentir o orvalho caindo, no rosto daquela manhã.
Do som da passarinhada ao anunciar nos gritantes,
Até o grilo falante, que canta ao alvorecer.

Como é linda a alvorada, ver a bandeira arvorada,
Em um galho firme qualquer ao fazer à saudação,
Sentir-se um patriota, saber que a maciota.
Não faz parte do saber. Ver a Bandeira tão verde,
O vento soprando forte, representando a nação.
Dizem que somos meninos, que adoramos o escotismo,
Que amamos as flores silvestres, olhar olho no olho.
A formiga que não para, A coruja que não ri,
O tatu que se esconde no seu buraco infernal.

E lembrando-se da verdade que sem fazer alarde,
Seja na sede ou acampando, seu saber estás buscando,
Para ser alguém amanhã. Bom demais ser Escoteiro,
Correr em busca do tudo, sentir no corpo o orgulho,
De cumprir a promessa a lei. Está é nossa missão.
E você lembre-se de sua promessa, e do que prometeu,
Que seria homem honrado, do escotismo apaixonado,
A correr montes e vales, em busca das aventuras,
Que só podemos encontrar, no nosso escotismo amado.

Adeus, você que fica não chore, com nossa brusca partida,
Mas se um dia quiser, encontre-nos em qualquer montanha.
Vá com sorriso nos lábios, coloque sua mochila,
Aprume a sua bandeira, Cante uma bela canção,
Um lindo sorriso no rosto, E venha nos encontrar.

Pois aqui na ventania, esperando com alegria,
Olhando sempre o horizonte, esperamos por você,
A surgir atrás dos montes e dizer com muito orgulho:
Meu irmão acredite, eu aprendi ser um mateiro,
Agora eu tenho orgulho, eu também sou Escoteiro.

Chefe Osvaldo

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Sinais de pista. Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.



Conversa ao pé do fogo.
Sinais de pista.
Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.

              Simples, já foi feito em sua tropa isto eu tenho certeza. Mas agradou? Os Escoteiros e Escoteiras gostaram da atividade? Você repetiu? Bem vejamos o que BP dizia sobre pistas: - “Para um bom explorador, seguir as pistas torna-se um costume. Sem saber, ele está sempre em busca de ”pistas”, enquanto se ocupa de outros serviços”. O Escotismo é uma arte em que a gente se exercita a vida toda, mas dificilmente um homem “branco” chega àquela perfeição a que tem um indígena (sudanês Bosquímano da África do Sul, Gonds da Índia ou negro Australiano). Onde o branco supera o indígena é no uso da inteligência para descobrir o significado dos sinais. Pôr pistas, não se entende só os passos, tudo aquilo que envolve sentidos, é pista. – Portanto se ainda não chegou a este ponto quem sabe uma boa conversa com seus monitores não iriam surgir novas ideias?

                Comecemos com uma tropa que já tem uma boa ideia sobre pistas. Ela já seguiu por mais de dois quilômetros e se saiu bem. Agora é hora de subir um degrau na arte de seguir pistas. Vamos treinar a todos a seguir e entender as pegadas em suas diversas situações. Comece em uma pequena estrada, quem sabe próximo a uma fazenda ou um sitio. Se não encontrar um trecho molhado e com barro faça com eles um trecho assim. Quem sabe uns dez metros para começar. Primeiro passa um Escoteiro o menor da tropa e por ultimo o maior. Depois ao lado das pegadas deixadas faça de novo, desta vez com as mochilas. E para encerrar com um Escoteiro carregando outro e correndo. Todas as patrulhas em volta como se fosse um jogo de Kim. Depois um relatório sobre o que observaram. Qual a diferença de pegada por pegada? Altura, peso, idade, andando ou correndo? Vamos lembrar que uma só vez é o começo de pista. Isto deve ser repetido diversas vezes. Toda vez que as patrulhas estiverem em marcha de estrada deixar que eles relatem por escrito todas as pegadas que viram.

                  Interessante é a diversificação. Pegadas descalço, pegadas com sapato, com tênis ou chinelo. Botina ou bota é uma boa. Agora é hora de tentar descobrir pegadas de animais. Esta só em uma fazenda. Pegadas do gado, de porcos, de galinha, de cães enfim toda a bicharada que lá esta. Guardar na memória para saber posteriormente. Uma pegada de um cão, daqueles maiores se aproxima um pouco do de uma onça. A diferença é que ela anda devagar e quando corre é em saltos. Seguir também pistas feitas sem usar as nossas conhecidas. Um pequeno galho quebrado apontando a direção. Onde se quebra quem segue pode saber a altura de quem fez. Um galho virado para o chão explicando que houve uma parada dos que faziam a pista. Nada de riscar árvores. Cada patrulha deve ter seu estilo e o bom mesmo é se ela criou seus próprios sinais. Se as outras não souberam pode dar um excelente jogo de seguir pista.

          Pegadas, pistas simples ou não. Estas sempre devem ser cobradas em marcha de estrada ou mesmo uma jornada ciclística. Um lembrete já conhecido de todos, mas que sempre é bom lembrar: - Pista não é para um somente. Pelo menos dois para evitar desacertos. Os sinais são feitos à direita dos caminhos. No inicio da aprendizagem os sinais devem ser visíveis. Quando venta não podem ser utilizados papéis ou folhas. Os sinais não devem ser traçados a mais de um metro de altura do solo. Nos cruzamentos de estradas deve sempre ser colocado o "caminho a evitar" nas que não vão ser utilizadas. Nos lugares de movimento devem ser feitos muitos sinais. Os sinais devem ser traçados obedecendo às condições do terreno: em terrenos difíceis de dois em 2 metros, nas rochas de cinco em cinco, nas matas de 20 em 20, nos campos de 30 em 30 metros.

           Jogos de sinais de pistas sejam eles dentro dos padrões conhecidos da tropa sempre chamam a atenção principalmente se antes de seguir uma boa e curta história for contada. Se criarem situações reais ou imaginárias dos perigos que estão em volta das pistas na trilha ou estrada o sucesso é garantido. Quando uma patrulha está seguindo uma pista evitar outra junto a ela. Dar certa distância entre as patrulhas. Lembrar ao Escoteiro ou Escoteira que ao seguir uma pista, não se deve chamar atenção falando alto, gritando e comentando. Use da imaginação com seus monitores. Pistas são excelente meios para desenvolver a mente.  Kipling célebre escritor britânico, escreveu diversos livros e no escotismo dois são bastante utilizados. O Livro da Jângal e a novela Kim que celebrizou o menino observador. Aconselho aqueles que puderem adquirir este ultimo livro que ele denominou de novela a ler com atenção. Baden Powell em Brownsea já comentava as utilidades do menino Kim na arte da observação e dedução.
       
"Se você interroga uma criança de sete ou oito anos sobre suas atividades diárias (especialmente quando ela quer dormir), ela se contradiz com satisfação. Se cada contradição for tomada como uma mentira no café-da-manhã, a vida não é fácil. Eu experimentei um bocado de intimidação, mas isso era tortura calculada – tanto religiosa quanto científica. Ainda assim, isso me fez dar atenção às mentiras que eu, cedo, achei necessário contar: e isso, eu presumo, é à base do meu esforço literário."

Rudyard Kipling.

domingo, 5 de abril de 2015

Balada do vento amigo. Deixa o vento soprar em meu rosto.



Hora de dormir, amanhã é outro dia...
Balada do vento amigo.
Deixa o vento soprar em meu rosto.

Os ventos que às vezes tiram algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai para sempre...

                      Eu já ouvi o vento soprar, forte e viçoso nas montanhas douradas do Baependi. Ele rasgava o dia e as noites através das folhagens como se estivesse reclamando da invasão dos seus domínios. Eu já ouvi o vento soprar, nas imensas planícies do Vale Feliz. Ele procurava espantar as borboletas coloridas que ali estavam à procura do mel escondido nas flores que caiam no outono. Quando eu olho para o oeste, seguindo o sol que busca se esconder nos vales verdejantes, eu ouço o vento soprar. Ela canta suavemente para me entreter na busca do infinito. Dentro de uma barraca que parece sair voando, o vento sul açoita sem pedir permissão. As vozes das tempestades são enfurecidas por ele. Ele o vento não pede passagem, ele vai onde quer e ninguém ousa interromper.

                      Eu gosto do vento. Não importa de onde vem e para onde vai. Já estive com os ventos da primavera, que traziam o doce perfume das flores, das matas, das florestas distante. Eu já estive com os ventos do verão, com as bravias chuvas espicaçadas por ele. Ele mandava trovões, raios inimagináveis e depois da chuva ele trazia a bonança com ventos calmos, pacíficos e o cheiro da terra, o perfume das folhas molhadas, nos mais altos galhos a passarada a cantar toadas maravilhosas ao sabor do vento cuja chuva o vento levou. Eu já vi passar os ventos do norte nos picos gelados das Agulhas Negras, ela parecia sorrir com a vasta imensidão a perder de vista. Eu já vi os ventos das ventanias que jogavam tudo ao chão. Eu já vi os ventos das borrascas cinzentas no mar gelado. Era bom olhar o infinito e ver as gaivotas na sua eterna luta com os ventos. Elas sabiam que iam perder por isto aprenderam a voar com os ventos.

                        Quando em marcha de estrada e o sol a pino, eu me entregava sempre aos ventos para me dizerem o melhor caminho. Beber a água da fonte, em uma sombra e os ventos soprando é indescritível. Eu já ouvi os ventos. Muitos. Os que se transformavam em arco íris, os que se transformavam em brisas, gostosas, sopradas de uma cascata borbulhante ou na madrugada a nos apanhar sem barracas tendo o céu de estrelas como casas, elas molhavam nossos rostos ao luar. Ventos do norte e sul, ventos do oeste e este, que eles soprem sempre trazendo a todos nós a alegria que merecemos. Um dia alguém me falou do vento – Sabes Escoteiro, se tens vento e depois água, deixe andar que não faz magoa, mas olhe se tens água e depois vento, põe-te em guarda e toma tento! É eu já ouvi o vento passar...

Deixa passar o vento
Sem lhe perguntar nada.
Seu sentido é apenas
Ser o vento que passa…
Consegui que desta hora
O sacrifical fumo
Subisse até ao Olimpo.
E escrevi estes versos
Pra que os deuses voltassem.
Ricardo Reis.


Boa noite. Uma linda noite de sono. Um lindo amanhecer e uma bela semana cheia de sorrisos e felicidades! 

SEMANA MUNDIAL DO ESCOTEIRO MISSA ESCOTEIRA DE SÃO PAULO/SP.



Um convite, ops! Nada mais que um convite!

SEMANA MUNDIAL DO ESCOTEIRO
MISSA ESCOTEIRA DE SÃO PAULO/SP.

Ano passado a convite do Chefe Elmer, um amigo do peito fui até o Santuário Mãe de Deus participar da Missa Escoteira. O distrito Escoteiro local em peso e o santuário lotado. Adorei a missa. Diferente, músicas lindas, uma fraternidade sem igual. Pessoalmente não conhecia o Padre Marcelo. Um primor de religioso. Fiz novos amigos e até dei uma de Joãozinho faz tudo terminando uma cerimônia Escoteira que não havia terminado. Chefes também erram, mas me diverti a beça com minha intromissão. Um amigo foi lá para nos confraternizarmos e como devoto de joelhos não o vi. Pena queria muito abraçá-lo.
Este ano volto lá, de peito aberto sem querer lembrar os velhos tempos onde eu dirigia e não era dirigido. Faz parte do nosso crescimento. Adoro a missa que celebram apesar de ser espiritualista sou um cristão de todas as religiões. Afinal fui coroinha da gema e os religiosos foram grandes amigos ontem e hoje.
Portanto meu amigo e minha amiga se tiverem condições compareça. Vale a pena. Afinal não só a missa, mas a confraternização é ótima. E claro quem sabe posso lhe dar um aperto de mão, um Sempre Alerta e um abraço? Valeu Chefe Elmer, valeu.  

SEMANA MUNDIAL DO ESCOTEIRO
MISSA ESCOTEIRA DE SÃO PAULO/SP
Convidamos os Grupos Escoteiros, pais, amigos e colaboradores para a Missa Escoteira que será celebrada pelo Bispo Dom Fernando Figueiredo e o Padre Marcelo Rossi, no Santuário Mãe de Deus, sábado, dia 11 de abril, às 15 horas.
Para este Ato de Fé e Amor, contamos com a presença de todos.
Sempre Alerta!
Iris Roberta Correa de Oliveira
Coordenadora

Avenida das Nações Unidas, esquina da Av. Interlagos. Bairro Jurubatuba – Santo Amaro.
Próximo ao Shopping SP Marketing.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Joe Colosso, um papai coruja. “Este é meu garoto”!



Lendas Escoteiras.
Joe Colosso, um papai coruja.
“Este é meu garoto”!

          Dona Naná quando o viu cochichou para Dona Sinhá – Ele veio! Se soubesse não tinha vindo. Sempre foi assim, em qualquer reunião de pais no Colégio dom Bosco Joe Colosso estava lá. Até que podia se entender, pois sua esposa faleceu há anos e ele como pai tinha que estar presente. O que ninguém gostava era da sua superproteção do Quinzinho seu filho. Ele achava que a escola devia tudo a ele e ele não devia nada para ela. Não adiantou as dezenas de vezes que Dona Dora a Diretora o chamara em particular – Seu Joe, o Quinzinho não obedece mais ninguém. Diz que se entendam com “seu Pai”. Ele veio aqui para aprender e com sete anos já quer dar ordens a todo mundo! – Mas e daí? Joe Colosso fingia que concordava e sempre no final dava razão ao seu filho. Afinal desde que Soninha sua mãe faleceu que ele sempre foi um pai protetor. Sabia que o menino não tinha mais ninguém.

           Um dia Quinzinho “ordenou” ao seu pai: - Pai me leve nos Escoteiros. Eu gostei da farda deles. Era sempre assim, quinzinho não pedia, ordenava. No sábado eis que Joe Colosso e Quinzinho adentram ao grupo. Ele de uniforme de lobinho com distintivos e seu pai colocou dez estrelas de atividade em sua camisa – Isto é para mostrar a eles que você é o melhor! – Chefe Mattos olhou e não criticou – Seu Joe, ele disse – O Senhor tem de fazer um pequeno curso e então seu filho poderá começar. Foi à conta – Quinzinho começou um berreiro que assustou todo mundo na sede. Seu pai custou para acalmá-lo. Em casa sentou seu filho no colo e disse a ele que aguardasse, aqueles Escoteiros iriam receber uma lição oportunamente. Mesmo assim Quinzinho ficou emburrado por uma semana. Descontou suas contrariedades em Dona Nice sua professora.

            Na data prevista correu para o Grupo Escoteiro. O Chefe já havia avisado para não ir de uniforme, mas ele iria mostrar ao Chefe quem mandava ali. Chegou todo posudo e voltou para a casa em seguida. Sem uniforme disse o Chefe. Pisou com força no chão, gritou, pegou manha, mas o Chefe foi irredutível. Voltou no sábado seguinte sem ele. Não tinha jeito. Explicaram que tinha provas a fazer para a promessa e vestir o uniforme. Reclamou com seu pai que reclamou com o Chefe que levou o caso de Quinzinho ao Conselho de Chefes do Grupo. Chegaram a uma conclusão que ele podia mudar. A Akelá ficou cismada. Na matilha Verde o Primo não aguentava mais. Ele gritava que ia ser o primo, pois tinha mais qualidades. Terrível o Quinzinho. No primeiro acantonamento Joe Colosso pediu para ir. - É o primeiro do meu filho disse. E se ele quiser um biscoito? Um chocolate? E se sentir frio? E se quiser rezar? – Mas ele reza? Perguntou a Akelá Candinha. Todos em volta riram. Joe Colosso não gostou.

          Foram de manhã e a tarde Joe Colosso chegou de carro. - Só passando, só passando! Já estou de volta! – Ficou lá mais de cinco horas. Sempre ao lado do filho perguntando se ele queria alguma coisa. Interessante que Quinzinho se enturmou e esqueceu o pai. Claro até a hora de dormir, pois não queria fazer sua cama. Sempre foi seu pai quem fez. Quinzinho voltou feliz do acampamento e disse ao seu pai que aprendeu a ser homem. Joe Colosso riu. Homem? – Você é um pirralho meu filho. Cresça e apareça. – Disse aquilo e se arrependeu. Foi ciúme dos chefes da Alcateia que fez com que eles o esquecessem. Mesmo assim ao dormir disse para si – “Este é o meu garoto”!

         Joe Colosso já estava enchendo a paciência de todos no grupo. Ninguém aguentava quando ele chegava. Era meu filho prá cá, meu filho prá lá e falando mil maravilhas. Chegou a dizer ao Chefe Mattos que estava na hora de darem uma medalha ao seu filho. O Chefe Mattos um homem calmo e ponderado teve uma ideia. Quem sabe se Joe Colosso ficasse cinco dias acampados com os Escoteiros ele não pudesse ver melhor como se faz um Escoteiro? Ele iria conhecer o método na prática aprender a fazer fazendo, aprender a se virar, aprender a ser independente e então ele vai ver os reais objetivos do escotismo. Afinal um dia não saimos de nossa casa, não iremos viver sozinhos e tomar nossas próprias decisões? – Falou com o Chefe Naldo. Naldo se assustou - Tás brincando Chefe! Não teve jeito. Foi difícil convencer Joe Colosso. Onde deixar seu filho? Alguém pensou que cinco dias na casa de correção de menores até que seria bom. Pagou uma fábula a Dona Inês sua tia para ficar com ele.

        Olhe, foi a maior lição que Joe Colosso teve na vida. Assustou com os meninos viverem em patrulha, a dormirem sós em barracas, a cozinharem eles mesmos. Aquelas construções maravilhosas, e o tal fogo do conselho? Só de meninos e meninas e eles mesmos se dirigindo e o Chefe Naldo os deixando fazer fazendo. Que lição aprendeu. Quando um Monitor se apresentava ele pensava na vez de Quinzinho quando fosse eleito. Assimilou o Sistema de Patrulhas no seu todo. Acreditou mais ainda no escotismo e nos resultados que trariam para seu filho. Explicar a ele? Não. Ele deveria aprender por si só. Joe Colosso mudou. E para melhor. Quinzinho se revoltou com aquela mudança. – Pai vou sair dos Escoteiros – Vai não disse! – Vais ficar lá até poder assumir sua própria vida! – Mas pai, lá eu sou mandado e não mando nada – Filho, ele disse, tens de aprender a ser mandado para depois mandar. Só é um verdadeiro líder aquele que lidera  e saber ser liderado. Mandar qualquer um pode mandar obedecer é mais difícil.

       Hoje eu sei que Quinzinho se transformou em um verdadeiro homem. Graças ao escotismo e a um programa bem feito. Ainda bem que Quinzinho teve sorte em entrar em um grupo bem estruturado. Um grupo que se orgulha por ser democrático. Onde todos são consultados. Onde no Conselho de Chefes todos tem voz e voto. Onde existe uma bela de uma Corte de Honra e onde seus monitores fazem de uma patrulha seu aprendizado pessoal junto ao Chefe da tropa. Quando visito o grupo sinto-me orgulhoso em ver quinzinho com seu Lis de Ouro. E melhor do que ver seu pai Joe Colosso com sua Insígnia da Madeira e ainda bem sem a pretensão de cargos maiores. Sua luta é na tropa pensando sempre nos meninos como um todo. Seu filho? Faz parte, mas no grupo é igual aos demais. Em casa ele aprendeu a exigir, a solicitar suas notas, a cobrar sua educação e respeito com as professoras. Sei que um dia no colégio Dona Naná quando o viu cochichou para Dona Sinhá – Ele veio! Maravilha amigo. Adoro a presença dele aqui.


É quem te viu e quem te vê!        

terça-feira, 31 de março de 2015

Quer mesmo saber por que sou Escoteiro?



Conversa ao pé do fogo.
Quer mesmo saber por que sou Escoteiro?

                   Não tenho nada para esconder, sei que me perguntou sem ofender e por isto eu vou lhe dizer. Você talvez não vai acreditar, pois nunca foi e nem sabe o que é ter o escotismo no coração. Muitos não entendem escolhas que fazemos na vida. Você me pergunta se eu sou um herói da juventude. Não sou. Sou um herói de mim mesmo. Não duvide nunca. Eu posso ser muito melhor sendo Escoteiro do que pode pensar. Acredito que se você quer ser o que sonhou, porque não correr atrás dos seus sonhos? Quem não vai atrás do que  gosta, não gosta de verdade. Orgulho tem limite, mas quer mesmo saber? O meu não tem. Não abro mão do que amo por receio de ir atrás ou errar na escolha que fiz. É uma questão de princípios, e alguns dizem que é uma questão filosófica. Não sou filósofo e é difícil explicar. Comecei sem saber onde pisava. Pivete dos meus sete anos sem eira nem beira como pensar em um movimento como este? Foi amor à primeira vista. Amor de menino sardento, marrento,  aprendendo a ler e nem escreve sabia.

                   O tempo passou. Fui crescendo. Vivendo cada dia como se fosse um novo dia. Vi coisas extraordinárias. Descobri minha paixão por aventuras, descobertas, das andanças por trilhas desconhecidas, estradas sem começo e fim, florestas encantadas que ficaram encravadas dentro de mim para sempre. Descobri o valor das fogueiras, em dias e noites que me ajudaram para melhor. Elas queimavam-me para me aquecer e queimava meu interior com um amor sem igual. Dormir sob as estrelas todos já dormiram, mas dormir e sonhar em ir até elas é diferente. Voei morro abaixo a procura de vales para acampar. Andei de canoa e jangadas em rios e lagos e profundos. Tive índios amigos, sertanejos que me ensinaram ser um mateiro e me fizeram feliz. Esculpi em minha memoria um sol que não conhecia, um sol diferente ao nascer ou ao se por no horizonte infinito. Fiz do meu escotismo uma maneira de aumentar amigos e com eles buscar minha felicidade. Não ouve montanhas com quem não conversei. Não ouve pássaros que aprendi seu cantar. Fui grande amigo de uma Coruja que me disse um dia: - Chefe, o espírito da coruja mora neste acampamento!

                     Dizem que sábio é o ser humano que reconhece até onde pode ir e que tem mais a aprender, do que a ensinar. E como eu aprendi nas minhas aventuras Escoteiras. Não fui herói não, por favor, nada disto, mas aprendi com a floresta, com os ventos, com as trilhas ligeiras de pedras no caminho e normas incríveis para seguir. Aprendi com o ribombar do trovão, da cascata que vem do céu, com a chuva incessante da primavera. Aprendi com as estrelas no céu, com o arco íris que nunca me mostrou seu pote de ouro. Rodei céus e terras para descobrir se pisava em terras virgens, conversei com magos, santos e homens da lei querendo aprender e saber se o mundo escoteiro era este mesmo que eu fazia. Sei que muitas vezes procuramos a verdadeira felicidade fora de nós sem saber que possuímos a sua fonte presa no coração. Em nenhum momento duvidei do meu amor Escoteiro. Meu uniforme era minha estrela, me mostrando que ser belo não precisa somente de um nome. Precisa ter amor e respeito.

                   Encontrei adversidades por onde passei. Nos seres humanos foi mais real. Sei que problemas grandes ou pequenos nos apresentam durante a nossa existência. Posso estar contente, posso ser inteligente e embora estejamos em algum momento tristonho, é difícil ver que a vida corre célere para a solução e esta sempre depende de nos mesmos. Inesperadamente somos confrontados com problemas, lutas, desafios e milhões de dificuldades. È como se o escotismo nos estivesse posto a provas para ver de qual fibra somos feitos. Atravessamos tudo isto como o vento atravessa entre arvores enormes e altos picos encontrados no caminho. Cada pessoa sabe como enfrentar, como pular a maré alta do mar verde azul. O escotismo nos diz que aceitar é uma estratégia até ter as armas de volta para partir e nos reestruturarmos seguindo em frente para vencer.


                  Desculpe, quem sabe não me fiz entender. Não existe segredos para o verdadeiro Escoteiro. Eu nunca abri mão do meu amor ao escotismo esteja onde estiver. Seja no passado e no presente, ou mesmo no futuro incerto e não sabido. Eu não abro mão do meu orgulho em me chamar Escoteiro. Sou mesmo com muito orgulho e honra! Não abro mão do meu uniforme. Não abro mão da minha lei. A promessa Senhor meu Deus que um dia fiz junto à tí me segue noite e dia me mostrando o caminho a seguir.  Não abro mão das minhas crenças, não abro mão dos meus sonhos e não abro mão do que acredito. Fiz do escotismo uma maneira de viver.  Se pudesse eu diria ao mundo inteiro: - Sempre amei e sempre vou amar este movimento que mora e residirá em meu coração para sempre. Queria se pudesse fazer acreditar a todo o mundo que somos todos irmãos, que não existe fronteiras entre nós que acreditamos no Espírito de BP. Não falo só por palavras, as uso para dizer o que sou e penso. Sou amante da natureza, sou amante das noites de luar, sou amante das chuvas no deserto do frio ou calor. Existe meu amigo filosofia mais linda que esta? Sou e serei Escoteiro de coração e nele tenho certeza que encontrei o meu destino e quando for o levarei para viver comigo sempre no céu, pois lá eu sou imortal!