Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 29 de julho de 2017

Histórias de Baden Powell. Era uma vez... Lá em Brownsea:


Histórias de Baden Powell.
Era uma vez... Lá em Brownsea:

                  Nos meados de junho de 1907, certo dia, Robert S. S. Baden-Powell o primeiro Chefe Escoteiro do Mundo, escreveu cartas a alguns de seus velhos amigos do Exército e suas esposas que eram pais de rapazes de 11 a 14 anos, alunos de afamados colégios particulares: - Harrow, Eton, Chaerhouse e outros. Ele dizia: - Proponho-me a realizar um acampamento com 18 rapazes selecionados, para aprender escotismo durante uma semana nas férias de agosto. O acampamento por permissão generosa de C.Van Raalte, será realizado na ilha de Brownsea em Poole. E continua sua carta delineando o adestramento que os rapazes teriam e assegurando aos pais que tudo estava cuidadosamente planejado. O fornecimento de alimentos, a cozinha e as medidas sanitárias. Incluiu uma lista de material de acampamento e roupas.

                  Dias depois enviou convite semelhante às Companhias de Brigada de Rapazes (Movimento juvenil já existente) de Bournemouth, dando a três outros rapazes que fossem alunos de escolas secundárias do governo, ou empregados em fazendas ou filhos de operário. O efetivo pretendido de 18 se elevou a 21, pois todos queriam acampar com o herói de Mafeking que 217 dias defendeu esta cidade situada na Guerra dos Boers. Mas tarde B-P decidiu levar como seu “Ajudante” um sobrinho de 9 anos, órfão de pai. Convidou seu companheiro de armas o Major Kenneth McLaren para seu assistente. No anoitecer do dia 31 de julho todos os participantes do que seria o 1º Acampamento Escoteiro do Mundo se encontraram na ilha de Brownsea na costa sul da Inglaterra. Do dia seguinte em diante e durante sete dias B-P por a prova do que ele chamava “Esquema do Escotismo”.  Até hoje todos os Chefes Escoteiros do Mundo ainda podem dar aos seus escoteiros as mesmas emoções, seguindo fielmente o programa realizado no Acampamento da Ilha de Brownsea.

                     Na primeira manhã os rapazes formaram quatro Patrulhas com os mais velhos como monitores. As patrulhas receberam seus nomes e cada rapaz recebeu as fitas de Patrulha de cores distintas para por no ombro: - Maçaricos-amarelo; Corvos-vermelho; Lobos-azuis; Touro – verde. As fitas tinham 2,5cm de largura em dois pedados de 45 cm de comprimento, dobrados ao meio e pregados com alfinete de segurança sobre os ombros. Cada Monitor portava um bastão curto, com uma bandeira triangular branca tendo a silhueta de cabeça do animal de Patrulha pintada em verde. Os monitores usavam um distintivo, uma flor de lis de feltro branco na frente do boné escolar. Não havia uniformes. Cada membro da patrulha recebeu um número: - Monitor numero um, sub número 2, e assim por diante. As responsabilidades da rotina diária de trabalho foram explicadas. As Patrulhas foram localizadas no campo cada uma com uma barraca.

Histórias de um rico passado Escoteiro:

               “Os jovens foram divididos em quatro patrulhas: Corvos, Lobos, Maçaricos e Touros (assim estes foram os primeiros nomes usados por patrulhas escoteiras). As patrulhas acampavam por sua conta, sob a direção de seus próprios monitores, com total responsabilidade pela sua honra de levar adiante os desejos do Chefe e com grande eficiência”.

              “Mas as memórias mais vividas de todas eram os fogos de conselho, antes das orações e do apagar das luzes. Ao redor do fogo à noite Baden-Powell nosso Chefe nos contava algumas histórias assustadoras, conduzia ele mesmo o canto Eengonyama e com seu jeito inimitável atraia a atenção de todos”.

“Eu ainda posso vê-lo como ele ficava diante da luz, alerta, cheio de alegria e de vida. Um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocaiar um animal selvagem, contando uma história curta ou dançando e cantando ao redor do fogo. Mostrava uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo a todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção”.

             Naquele inesquecível acampamento se aprendeu a construção de abrigos, fazer colchões, acender fogo, cozinha mateira e todos se divertiam com os jogos que eles faziam. O jogo "Caça ao Urso" - Um dos rapazes maiores é o urso e tem três bases nas quais ele pode se refugiar e estar a salvo. Ele leva um pequeno balão de borracha cheio de ar nas costas. Os outros rapazes estão armados com bastões de palha amarrados por um cabo (ou jornal enrolado) e com os bastões procuram fazer estourar o balão, enquanto o urso está fora da base. O urso tem um bastão semelhante com o qual procura tirar os chapéus dos caçadores. Se isto acontecer o caçador está morto, mas o balão do urso tem de ser arrebentado para que ele seja considerado morto.

               O bivaque feito só pela Patrulha foi sensacional. As Atividades Práticas da Natureza foram demais. Relatórios de observação da natureza - “Envie suas Patrulhas para descobrirem por observação e relatarem depois, coisas como essas: Como o coelho silvestre cava sua toca? Quando um grupo de coelhos é assustado, um coelho corre apenas porque os outros correm ou olha ao redor para ver qual é o perigo, antes de também correr? Um pica-pau tira a casca para apanhar os insetos no tronco da árvore, ou apanha-os pelo buraco, ou como é que os acompanha? etc.”.

                  Baden Powell era um esplêndido contador de estórias. Tinha um espantoso estoque de anedotas sobre os heróis de todos os tempos. Para seu próprio uso, ele havia criado um código de ética, baseado nos códigos dos Cavaleiros do Rei Arthur e nas suas próprias reflexões. Agora ele pode procurar instilar nos rapazes os mesmos ideais, contando-lhes as façanhas dos heróis admirados pelos jovens e imprimindo em suas mentes a ideia de “Boa Ação Diária”.

                  Quem assistiu sentiu os grandes debates que BP teve nesta ocasião com os rapazes. Foi ali que viu cristalizar o seu pensamento e a formular um código aceitável para os rapazes: A Lei e a Promessa Escoteira. Ele experimentou jogos que lhe pareciam capazes de por em relevo e dar expressão prática aos traços de caráter que ele desejava que os rapazes possuíssem. Ele pôs à prova a lealdade e a esportividade deles em jogos de equipe com regras estritas. Pôs à prova a coragem deles com alguns golpes e chaves simples de jiu-jitsu, e a disciplina e obediência num jogo em botes - a caça à baleia.

Voltando no tempo. Brownsea. Um acampamento que ficou na história!

Baden-Powell, um homem além do seu tempo. Reviver é não esquecer nunca mais!

Abertura: - Era uma vez... Lá em Brownsea:
 - “Eu ainda posso vê-lo como ele ficava diante da luz, alerta, cheio de alegria e de vida. Um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocaiar um animal selvagem, contando uma história curta ou dançando e cantando ao redor do fogo. Mostrava uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo a todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção”. – 110 anos de Brownsea, onde tudo começou! 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Crônicas de um Chefe escoteiro. Os donos do poder.


Crônicas de um Chefe escoteiro.
Os donos do poder.

               Entra dia sai dia, vai mês entra mês e lá se foram quase setenta escoteirando. Aprendi tanto e me senti o homem mais feliz do mundo como escoteiro. Adotei uma causa maravilhosa voltada para um tipo novo de educação, através do aprender fazendo, tudo ao ar livre, no campo, fazendo coisas que nunca fiz eu costumo pensar que ainda não aprendi nada. O que adianta aprender o que é honra? Caráter? Ética e respeito? O que adianta fazer uma promessa e dizer que faremos o melhor possível para cumprir uma lei? Afinal não sou juiz e nem Salomão para julgar alguém e os que se comprazem a fazer do escotismo a sua moda esquecendo que temos uma Lei e uma Promessa.

               Tento ser autêntico, mas tem muitos que não são assim. Eles estão errados? Porque eles se julgam superiores, se colocam em um pedestal como se fossem os donos da verdade será que eles merecem nosso respeito? Pergunto-me se são escoteiros, imbuídos no espírito fraterno, no espírito de servir e a ser cortês. Abusar dos mais humildes, daqueles que se sentem indefesos e se mostram como os donos do poder é papel esperado de um líder ou um Chefe escoteiro? Hoje já velho mudei muito. Antes nunca levei desaforo para casa. Achava que se aprendi a fazer a massa e sabia fazer o pão não tinha que dar explicações a ninguém. Não é bem assim. Somos um movimento voluntariado e, portanto normas devem ser obedecidas, mas tudo sobre  a prisma da ética e do respeito pessoal.

               Até aí tudo bem estou de pleno acordo. A hierarquia tem de existir para funcionar a engrenagem do escotismo. O que não posso admitir é esta arrogância, esta falta de cortesia de amor ao próximo e principalmente o respeito. Isto é fraternidade? Abusam da autoridade com os oprimidos e não falo do poder civil, nada disto, falo do poder escoteiro. Podem até me contradizer que não existe tal poder. Será? Uma liderança que exemplarmente não dá satisfação a ninguém que decide temas que interessam a todos sem consulta se apoiam na miragem estatutárias para dizer que a organização tem normas e isto lhe dá o poder que possuem?   

              Vi na Internet um pequeno artigo de Nilton Mendonça que me chamou a atenção. Ele assim escreveu aos que pensam serem os donos da verdade e do poder. – Não quero glorias nem tão pouco me glorificar. Quero apenas o respeito! Seu respeito. Não preciso que me diga de que lado nasce o sol, eu só quero seguir a minha vida. Eu me escrevo em letras grandes, o meu EU é somente... Eu, meu nome. Quero contenta-me em viver fazendo, e sendo feliz, jogando fora as opiniões, as outras opiniões. Guarde pra você o que me diz respeito e só me fale se for realmente pra corrigir o que penso que é normal. Ele continua dizendo o que pensa sobre este poder que se acha superior a todos.

             Eu me pergunto quem são essas pessoas que dizem ser donos da verdade, donos da razão. Quem são esses que dizem ser politicamente corretos, mas não sabem nem mesmo o significado da palavra respeito e fraternidade. Quem é essa massa que na hora de decidir o futuro diz não querer saber de nada e depois ficam se perguntando quem são os responsáveis por tal baixaria? Quem são esses que não usam máscaras, mas fingem ser seu amigo e depois nem mesmo fingem lhe conhecer. Quem são essas pessoas que saem as ruas por motivos banais e fúteis e depois ficam a murmurar baixinho sua insatisfação pelo que realmente acham que é importante?

             Sei que cada capitulo que escrevi até hoje não é novo, ele já foi extinto da memória de muitos. Sempre teremos estes que se dizem escoteiros, que se acham acima do bem e do mal, que tomam atitudes não condizentes com o respeito, com a verdade, nunca olhando nos olhos e dizendo o que se deveria dizer. Está se espalhando como uma pequena epidemia em todas as camadas escoteiras que pensam que são os donos do poder e da verdade. Não vou chamá-los de ignorantes. Afinal ignorantes não são os que não sabem a verdade, ignorantes são os que se afirmam serem donos da verdade absoluta.     

             Não posso julgar a cada um que resolveu sair do Escotismo reclamando destes lideres que nem deviam estar atuando no escotismo que Baden-Powell tão bem definiu como um movimento fraterno e universal. Quando Lideres nacionais ou regionais, quando chefes de Unidades locais passam a se achar donos da verdade, a tomarem atitudes sem antes ver e ouvir a quem de direito, a se tornarem juiz sem ter poder para tal, me lembro de um líder de Gilwell Park já falecido que escreveu:


- Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficiente, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento. Feliz palavra de John Thurman. Muitos associados adultos, rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades, reclamam do poder que alguns exercem sem ver a voz da razão. Precisamos meditar. E ele finaliza: - Os únicos capazes e possíveis de por o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Nada mais a dizer!

Nota: Escrevo este artigo, copia de muitos que já escrevi no passado, pois sempre acreditei que somos um movimento ético, verdadeiro sem sonhos de poder já que nossa finalidade é gloriosa, pois estamos trabalhando com jovens pensando que eles no futuro terão tudo aquilo que acreditamos na Lei e na Promessa Escoteira. Sei que nunca devemos ter a pretensão de sermos os donos da verdade; porque as nossas verdades jamais serão unanimidade para os outros.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Uma pequena crônica pela manhã. SAPS? Deus me livre!


Uma pequena crônica pela manhã.
SAPS? Deus me livre!

                   Eu me divirto quando publico esta antiga crônica pelas mensagens recebidas. Muitos tentando explicar e outros concordando. Claro que tem lógica escrever SAPS, mas dizer a viva voz? Bem alguns já me disseram que eu devia preocupar com outras coisas e deixar o SAPS de lado. Pode ser que tenham razão. Mas tentem compreender, sou um velho chato de galocha, Criador de casos e contador de Causos! Risos. Como vivi no Tempo das Diligências não me adapto as novas tecnologias facilmente. – Chefe! Grita um. SAPS não é tecnologia, SAPS é uma abreviação de Sempre Alerta para Servir! – Bomba! Eis aí um “çabio” Escoteiro e conhecedor das missangas que na linguagem técnica usamos.

                  Outro Chefe me pergunta por que eu não gosto de dizer SAPS. – Quer saber? Já fui muitas vezes ao meu retiro espiritual no Pico do Jaraguá e subi os trezentos degraus até a torre de TV, me ajoelhei, rezei e cheguei a uma conclusão que ainda não tive uma boa explicação. Deveria ter entrado no Campo Escola do Jaraguá, mas hoje nem sei se o Prefeito vai me deixar entrar. Rarará! – Eu amo o campo escola. Lá passei lindas noites acampadas cursando e me sentindo em plena floresta amazônica. Maneira de dizer é claro. Foi então que resolvi ir até a Avenida Paulista me penitenciar e eis que me defronto com um monte de chefes, placa na mão, bandeiras da UEB ou EB sei lá, a gritar SAPS! “Eita” vida escoteira danada!

                  Deixei meu pensamento voar até Piquitiba, onde é a sede Nacional para ver se eles ainda escrevem por lá o famigerado SAPS! – Não vi nada, eles não escrevem, pois o tal SIGUE soberbo e magname se esqueceu de colocar em seus arquivos o tal SAPS. Voltei correndo para casa e fiz uma leitura dinâmica dos pensamentos e nos livros de B.P. Não achei nada relativo ao famigerado SAPS. Claro que B.P nem sabia o que era isto. Ele no seu sotaque de Lord Inglês no seu bom tom, sempre dizia BE PREPARED. Seria até divertido ele gritar no alto do BIG BEN para a escoteirada inglesa – MY BELOVED SCOUTS, SAPS! – Nada há ver, meu caro Chefe Vado. Nada há ver. SAPS é só no Brasil! Como diz o meu amigo italiano: - Porca lá miséria! Que diabos inventaram?

                Melhor é botar a “cuca” para funcionar e ver em que ano ou década, um grande e famoso “Çabio” criou tão famosa marca que nem sei porque os Uebeanos da Corte não registraram no IMPI. Sei que gostam de registrar tudo como se tivessem carta branca de Baden-Powell. Já registram Escoteiro, Indaba, Jamboree e tantas missangas que não anotei. Eureka! Opalalá! – Explicando: - Eureka é uma famosa exclamação atribuída a Arquimedes, significa efeito à realização e súbita e inesperada solução para um problema. – Foi no final da década de sessenta que um “iluminado” da EB (tem tantos lá) criou a sigla SAPS. Ainda não havia o SIGUE e os valentes do Escritório Nacional escreviam tudo a mão em uma Olivetti ou Remington para a escoteirada do Brasil. Cansado de Escrever Sempre Alerta para Servir, eis que uma luz iluminou o palco da Sede Nacional e um anjo gritou: - Escreva SAPS!               

                  Ele sabia que escrevendo SAPS precisava primeiro de explicar e correu lá no POR colocando no artigo primeiro o que significava SAPS. Ele um autêntico “çabio” dirigente viu que havia muitas siglas escoteiras e porque não fazer um dicionário? Quem sabe o que é DEN e CAN levante a mão! – risos. A maioria não sabe né chefão? Mas olhem, o tal SAPS pegou. Se espalhou por todo o Brasil, tanto que soube que um Comissário Internacional escreveu em inglês para a WOSM (outra sigla de lascar) colocando no final a sigla SAPS. O Wosmoento não sabia o que era e reuniu o Conselho Mundial para discutir e quem sabe colocar nos seus estatutos. Francamente! Se era o que queriam que a sigla SAPS se tornasse uma palavra e fosse reconhecida internacionalmente, eu fiquei “sapseado” só de ficar pensando.

                  Mas danação! A façanha do “çabio” Uebeano foi levada pelo vento aos quatro cantos do Brasil. Era gostoso dizer SAPS. Prá todo lado só se dizia e escrevia SAPS. Era SAPS aqui, SAPS ali uma profusão de SAPS que fiquei mais “sapeado” ainda com tudo isto. A preguiça tomou conta. Em vez de escrever por inteiro era melhor pronunciar SAPS. Soube que muitos ao chegarem à sede gritavam alto: - SAPS escoteirada e lobada! Um lobinho chato prá xuxu reclamou. – Akelá! E o Melhor Possível? Ela pensou, pensou e como se fosse uma “çabia dirigente” de saias colocou lá: - MPSAPS! Pois é... Agora danou-se!

                Ei! Calma aí! Não me julguem um velho desdentado e maniento! Nada disto.  Tudo bem que sou um "Velho" Escoteiro “gagá” e chato de galocha que lembra com carinho o Sempre Alerta, o Melhor Possível, o Servir, sempre dito de maneira elegante, afinada, em posição de sentido, cascos juntos, um sorriso nos lábios e uma voz cantante ao dizer aos meus amigos do movimento que encontrava. Afinal meu Chefe me ensinou que era ponto de honra ser o primeiro a dizer Sempre Alerta, ou Melhor, Possível ou Servir ao chegar à sede Escoteira. Adorava receber cartas da UEB de amigos e dependendo do ramo ele dizia: Sempre Alerta Chefe! Melhor Possível Chefe! Servir Chefe! – Já pensou receber a revistinha Sempre Alerta (bem feita, bonita e quando chegava passava de mãos em mãos) alterada na capa e em vez de Sempre Alerta terem mudado para SAPS?


                   Pensem comigo e se alguém inventa uma máquina do tempo e um “come-quieto” da EB for participar do Primeiro Jamboree na Inglaterra, chegando lá com esta vestimenta chique desbotada, camisa para fora, meinhinha vermelha, chapéu de pano e todo posudo e gritar para o chefão: - My beloved Scouts! SAPS Lord Baden-Powell! O que o nosso fundador diria? – Claro, ele diria o que alguns disseram que o falecido presidente Francês Charles De Gaulle disse: - Este Brasil não é um país sério! – Mas meu amigo, minha querida amiga se você gosta do famigerado SAPS, se você tem preguiça em dizer Sempre Alerta para Servir, se você não se preocupa na saudação gostosa da Lobada – Melhor Possível! – Então, e só então pode dizer o tal SAPS a vontade. E mesmo assim eu um velho baguelo Escoteiro grito bem alto: Abaixo o SAPS!

Nota: - - E se você adora o tal SAPS, veja o que escreveu para mim um Chefe Escoteiro: - Chefe Osvaldo, adorei suas considerações sobre o SAPS. Sempre vi como uma "burocratização" ou um mero "invencionismo" linguístico dado às saudações escoteiras, que cria certo um ar de codificação quase militar. - Às favas com SAPS e Sempre Alerta para Servir fazendo o melhor Possível. Rsrsrs. 

sábado, 22 de julho de 2017

Rafael. Um Escoteiro Segunda Classe.


Rafael.
Um Escoteiro Segunda Classe.

            Ficou dias na encosta do Morro Vermelho treinando. Conversou com muitos que conseguiram e conquistaram o direito de ficarem marcados no Livro da Patrulha. Parecia tudo muito simples, mas Rafael tinha medo. Não aquele medo de tremer, de correr de procurar um lugar para se esconder. Nada disto. Era um escoteiro Noviço e tinha orgulho da sua Patrulha Morcego. Ele olhava os segundas e primeiras classe da Tropa Escoteira e ficava imaginando como ser um. Era seu sonho. Sabia que eles tinham um olhar de vitória e seu sucesso lhes dava o brasão sonhado de serem considerados acampadores de primeira linha.

            Tinha receio que no dia chovesse ou o orvalho do entardecer o prejudicasse. Aprendeu a escolher a boa lenha, o capim certo e Josiel o ensinou a afiar seu canivete e sua faca Mundial. Seu pai lhe deu uma pedra de afiar a óleo. Josiel sorria para ele quando mostrou em um movimento circular ele passar as duas faces da lâmina de um lado e outro sobre a pedra. Rafael, quando a lâmina estiver no ponto passe ela por uma tira de cabedal polvilhada com um produto de polir. Fixe uma das pontas da tira de cabedal e estique-a bem, passando depois a faca e o canivete ao longo da tira, com o lado rombo da lâmina voltado para si e o lado cortante apertado de encontro à tira.

            Ele não tirava o olho de Josiel. Havia guardado suas palavras quando finalmente terminou dizendo: - Rafael volte à lâmina e passe-a ao longo da tira em sentido contrário, com o lado rombo voltado na direção oposta à do seu corpo. Pronto agora sua faca e o canivete ele estará pronto para uso. Rafael aprendeu e treinou o quando pode afiando as facas de cozinha de sua casa. Fez o mesmo na Casa vizinha de Dona Rute e Dona Sinhá. Ele estava pronto para o desafio para receber finalmente sua Segunda Classe.

            No acampamento Rafael escolheu um bom local para o Fogo do Conselho. Preparou tudo na véspera com pedras e areia que retirou do Córrego do Peixe para a segurança de se acender um fogo na mata. No dia do Fogo de Conselho teve licença do Monitor para a montagem final. Cortou achas pequenas e grandes, preparou dezenas de tiras de madeira cortadas como se fossem papelão com sua faca e depois preparadas com o canivete. Galhos fininhos eram expostos para uso. Encontrou próximo ao local uma toifa de Capim angola (brachiaria mutica) seca.

           O sol já estava se ponto quando Rafael terminou sua pirâmide e iniciou a montagem em volta com achas mais grossas montando em volta como se fosse uma fogueira de São João. Bocaina um Sênior Construtor de Pioneiras deu a ele as dicas de como colocar pequenas achas para que a fogueira permanecesse acesa por duas horas sem necessidade de renovar o fogo. Com muito cuidado Rafael colocou uma pequena lona para proteger do orvalho da noite e de possível neblina que pudesse prejudicar todo seu trabalho.

           Todos já haviam se aboletado em volta do futuro fogo para mais uma noitada alegre de fogo de conselho. Chefe Tomaz convidou Rafael para acender o fogo. Deu a ele um palito de fósforo e um pedaço da caixa. Sorriu para ele desejando sorte. Rafael não tremia. Suas mãos estavam firmes e se dirigiu ao fogo que tinha montado. Ajoelhou. Fechou os olhos e pediu a Deus que não o deixasse falhar na sua grande obra. O fosforo foi aceso. Devagar ele o levou a entrada da fogueira até o pequeno túnel que fez por baixo. O fosforo piscou algumas vezes querendo apagar.


           Um silêncio profundo se fez. Todos torciam por Rafael. Uma pequena fagulha clareou parcamente dentro da armação da fogueira. Pequenas chamas brotaram. Todos ficaram de pé aplaudindo Rafael. Ele conseguiu! – Uma palma escoteira ressoou logo após um grande Bravoô! – Uma Bandeira Nacional surgiu nas mãos de Coleman o Monitor. Ele a soltou segurando as pontas com as mãos. Rafael tinha os olhos rasos d’água. Com o grito da Patrulha e o Lema ele finalmente recebeu nas mãos do Chefe Tomaz sua Segunda Classe. Um dia que ficou na história para ele por toda sua vida!

Nota - Um conto para quem já foi um Escoteiro Segunda Classe. São fatos marcantes e que são recordados por toda a vida quando um escoteiro conseguia finalmente receber seu distintivo quase sempre na solenidade de uma fogueira. Algumas tropas aproveitavam para que o agraciado recebesse seu nome de guerra, pulando por três vezes sobre o fogo gritando alto o nome escolhido. Coisas do passado. Coisas que ficaram para sempre na memória de quem teve a honra de participar.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Quando o mar não está prá peixe!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.

Copiei de um poeta: - De vez em quando fico triste do nada, com motivo ou sem motivo. De vez em quando fico feliz do nada, com razão ou sem razão. É assim, às vezes dá vontade de sair pulando, distribuindo beijinho, dando abraços e, em outras, dá vontade de mandar todo mundo pra muito, muito longe...

           Olhe me desculpe, mas tem dia que o mar não está prá peixe. Não está mesmo. Voce sabe que tem de dar exemplo afinal você cobra muito isto dos outros. Mas será que não existe um dia que você não tem o direito de mandar todo mundo para a Tonga da milonga do kabuletê? Quem não passa por isto? Quem um dia não sente que é a pior pessoa do mundo, com uma vontade de se esconder na mata e não voltar nunca mais? Nossa! É demais. Voce tem uma vontade de sumir do mapa e não dar notícias para ninguém. Ai você olha para dentro de você e pergunta; - Porque não rir? Porque não procurar o abraço aconchegante? Porque não gritar para o mundo que você é feliz?

           Mas você não faz assim. O mundo nesta hora está um pitoco de esterco. E se você conta o que está passando sempre tem aqueles para dizer: - Calma Chefe! Amanhã é outro dia! Pois é. E quando vai chegar o amanhã? Chefe, meu querido Chefe, reze peça ao Pai do Céu um calmante para que você possa voltar a ser o mesmo de antigamente, o cara certinho, cheio de amores e dizendo para todo mundo que um abraço resolve, um aperto de mão é certeiro e um Sempre Alerta é perfeito para lavar a alma. Aí você se olha no espelho e diz para você: - Não tenho direitos de um dia ou outro ficar triste? Reclamar da minha vida? Se trancar em um lugar qualquer e deixar o tempo passar? Quem afinal sou eu?

            Ops! Calminha aí. Este que está sendo descrito não sou eu. Somos todos nós. Não venha me dizer que você não passou por isto. Faz parte da vida. A tristeza chega forte, uma dor doida que você sabe que não há remédio que a cure naquela hora. A gente pode até culpar alguém, mas a culpa é nossa mesmo. Se o caminho não é este e você escolheu outro porque reclamar? Claro, você tem este direito. A Chefe Escoteira tristonha disse que quando aceitamos nossa dor e o nosso sofrimento estamos dando um importante passo para sair desta fase tão ruim que um dia chegou para nós. Eu já cheguei à conclusão que chorar faz bem. Eu tinha um amigo que gostava de se isolar, calar, emudecer gritar e espernear...

            A gente sabe, a gente lê, a gente aprende que ninguém está livre dos tempos ruins. Eles existem. Tem que deixar o tempo passar. Cada um tem seu calmante, seu remédio sua maneira de resolver para que o mundo não desabe sobre sua cabeça. De uma coisa eu sei, se você não cuidar de sua vida ninguém vai cuidar para você. Eu já aprendi que a tristeza é um sentimento que existe no ser humano, quem sabe por falta de alegria, animo emoções de insatisfação e tantos outros. Descobri que conversar com gente de bem com a vida, com gente cheia de humor e depois olhar para dentro da alma pode ajudar ou até quem sabe melhorar um pouco sua auto estima.

           Eu sei que o escoteiro sabe gargalhar, vivem dizendo que o tal do oitavo artigo é assim, mas meu amigo, minha amiga, escoteiro é um bicho diferente? Não é como a gente? Pelas Barbas do Profeta, o que é a felicidade? Acho que é o momento que a gente mais precisa para ser feliz. E quer saber? O melhor mesmo é não levar a vida muito a sério. Afinal a gente não vai sair vivo dela mesmo... Pois é... Deixe a poeira baixar, assim vamos chegar à conclusão que estávamos montando uma mula e não um vento calmo que vai nos levar para o mar...


E um grande e fraterno abraço para você!

Nota: - Copiei de um poeta: - De vez em quando fico triste do nada, com motivo ou sem motivo. De vez em quando fico feliz do nada, com razão ou sem razão. É assim, às vezes dá vontade de sair pulando, distribuindo beijinho, dando abraços e, em outras, dá vontade de mandar todo mundo pra muito, muito longe...

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A lenda do Coqueiro do Lago dos Anjos.


Lendas Escoteiras.
A lenda do Coqueiro do Lago dos Anjos.

                 Foi por volta do meio dia que chegamos ao nosso destino. Programa? Quatro dias acampado, construir um escada do sol e fazer um caminho nas nuvens aproveitando as arvores enormes que lá existiam. Sol a pino. Não houve dúvidas para chegar lá. A fonte informou que era o local ideal que procurávamos. O local era realmente maravilhoso. Sentamos a beira do Lago dos Anjos. Enorme, águas das cores do céu. Peixes pululavam nas suas águas frescas. O vento formava pequenas ondas que batiam na pequena praia de areia. Uma mata refrescante em volta do lago.

               Pássaros voavam sobre as águas a procura dos peixes para sua alimentação. Fizemos um pequeno descanso e o trabalho para a montagem do campo começou. Cada um sabia o que fazer. Não éramos mais patas tenras do passado. Dois com o toldo e o fogão suspenso, dois com as barracas e dois com as pioneiras de campo. Quem terminava ia ajudar os outros. No meio da tarde almoçamos.

                 À tardinha uma refrescada nas águas do lago. Gostoso. Delicioso àquela hora. Olhei o sol se pondo. Sempre fico encantado com o nascer e o por do sol. Para mim os dois maiores espetáculos da terra. Vi um inesquecível por do sol no cume do pico do Roncador. Uma pequena nuvem deixou que pingos refrescantes caíssem em minha face. Quantas e quantas vezes fiquei maravilhado ao ver na Garganta do Rio Selvagem ou nas Escarpas do Menino que Chora e até nas Campinas do Riacho Azul.

               Mas algum me chamou a atenção. Não tinha percebido antes. Bem próximo a nós um coqueiro. Nada de extraordinário. Folhas verdes espalhadas em seu tronco e cinco lindos cocos redondos. Isto mesmo. Redondos. Quando o sol iluminou suas últimas luzes da tarde gostosa, foi através das folhas do coqueiro. Um espetáculo! Nunca tinha visto nada igual! Os raios do sol se espalharam por toda orla do lago, e alimentou as árvores como se fossem fogos coloridos. Fiquei ali até o sol se por. Na Patrulha ninguém viu ou ninguém notou. Só eu.

                 Era rotina levantarmos cedo. Antes de o sol nascer. Levantei sonolento e ao abrir a porta da barraca outro espetáculo se formava. Agora ao contrário. O sol que despontava no horizonte, batia sobre as folhas do Coqueiro que ficavam douradas e os cinco cocos pareciam bolas amarelas a piscar luzes coloridas. Aquele Coqueiro era especial. Notei que em sua volta não havia folhas caídas, nem sementes, nem nada. Nem tampouco cocos que amadureceram e não podiam continuar na arvore mãe. Em sua volta apenas uma grama macia, como se tivesse sido aparada por anjos invisíveis.

               Era um coqueiro que vivia no caminho do sol durante sua passagem para o oeste.  Mas a rotina de uma Patrulha Sênior não dava folga para amenidades nem imaginações de um sonhador. No primeiro dia o elevador que nos levaria ao céu ficou pronto. No alto da árvore no segundo dia construímos um Ninho de Águia que cabia perfeitamente os seis valentes escoteiros. A passagem nas nuvens demorou mais dois dias. Eram oito as arvores interligadas. Para que? Utilidade? Perguntem aos escoteiros. Eles fazem e só eles entendem e sabe a maior? Eles gostam! Risos.

                Todas as manhãs e todas as tardes eu não perdia o grande espetáculo que o sol e o Coqueiro davam naquele fantástico Lago dos Anjos. Lembro que no passado quase não observava as coisas em minha volta. A natureza é prodiga. Difícil entender tudo, mas fácil aprender a amar o que se vê. A primeira vez aconteceu na volta de uma jornada. Onze anos. Uma parada e deitado com a cabeça apoiada na mochila eu observei uma formiguinha. Tentava levar tronco acima uma pequena flor. Dava alguns passos e caia. Ficamos ali descansando por vinte minutos. Vinte minutos a formiguinha tentando subir e caindo. Ela não desistia nunca. Partimos sem eu saber se a formiguinha tinha conseguido.

               Outra vez estava sentado no Penhasco das Pedras das Esmeraldas, quando sem querer avistei um grande gavião negro. Voava aqui e ali. Sempre fazendo o mesmo caminho. Por quê? Porque não se foi para outras paragens? Notei lá embaixo, um pequeno Tiziu Azul, escondido em uma fenda do penhasco. Natural. Era agora sua presa. Natureza cruel, mas existe e faz parte da vida.

                 Em toda minha vida sempre fui um Escoteiro sonhador e observador. Sempre gostei de diferenciar o vôo e o som das aves. Sempre sabia onde as borboletas ficavam quando da sua dança do acasalamento. Uma vez fiquei dois dias observando o João de Barro a fazer sua casinha. Bati meu recorde quando conseguir chegar a menos de dois metros de um sagui, um mico muito esperto. Quando não acampando pegava minha bicicleta e ia seguir pistas de carros, charretes, bichos do mato nas redondezas do meu bairro. Dizem que devemos ver as coisas não como as vemos, mas tentar dar um pouco de vida no que podemos enxergar. Henry David dizia que em cada pôr-do-sol que via, lhe inspirava o desejo de partir para o oeste tão distante e belo quando aquele onde o sol se pôs!  

                 Ver e imaginar o belo em todas as coisas. Somente o amor pode sorrir nos olhos da natureza como um espelho. Esses poetas e seus sonhos e suas frases maravilhosas. Prosseguir na vida é saber ver ao seu redor. Em tudo que vemos podemos ver o belo ali presente. Nossa mente é quem decide por nós. Carl Sagan amante do futuro e da natureza comentou um dia que nossos antepassados viviam do lado de fora. Eles estavam tão familiarizados com o céu noturno e as estrelas a piscarem luzes maravilhosas quanto à maioria de nós estamos com os nossos programas de televisão favoritos. Belo programa!


               A natureza não pode acabar. As árvores são nosso pulmão, os rios nosso sangue, o ar é nossa respiração e a terra, ah! A terra. Ela é nosso corpo. Faça você de seus olhos, sua mente o que devemos ver e lutar para que seja assim! Afinal você é um escoteiro! Sonhe o quanto quiser! Imagine o quanto puder! Faça da natureza o seu destino. Nós temos este direito!   

Nota: - Uma viagem na imaginação. Uma vontade enorme de estar lá naquele lago fantástico. Uma história comum, mas que traz as belezas do escotismo aventureiro com sabor da natureza.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Filosofando... Os sons da natureza.


Filosofando...
Os sons da natureza.

                 Chefe! A juventude de hoje não tem mais aquele espirito de ver na natureza a vida como ela é. Tento mostrar que tudo que veio antes de nós, mesmo que seja inexplicável tem como padrão a filosofia da natureza. Se vamos para o campo e mostro as flores silvestres eles não dão valor. Um dia subimos até um Pico no Alto da Serra e ficamos lá até o sol se por. Eles Chefe, ficavam conversando, não prestando atenção ao espetáculo e mesmo que eu insistisse para que eles analisassem se tudo que estavam poderia ter algum valor. Disse para eles que a natureza é o que é e não aquilo que queremos que seja. Ela pode ser a areia do mar, os átomos, a visão, o instinto e porque não a vida e a morte?

                 - E ele continuou dizendo: - Chefe eu tentei mostrar que a natureza aparece em todas as épocas do ano, nas estações do tempo, no frio ou no calor. Como admirar o dia e a noite? Como amar a lua e o Sol? Como contar estrelas no céu? Até declamei aquele poema famoso: - “Por entre junco e hera verdejante, correm nascentes de água límpida, Junta-se à sede da minha alma ímpia, esta cascata pura e refrescante. Já são audíveis os sons da cachoeira, num simulacro à magia da natureza Insetos e pássaros voam na certeza que Deus existe e a fé é verdadeira”. E mesmo assim Chefe, eles riram de mim. São bons escoteiros eu sei, mas não tem mais aquela filosofia de amar o infinito de amar o que não veem, de não ter a noção das cores que se mostram na vida que vivemos.

                    Chefe, eu tentei mostrar o maravilhoso som do regato, das cachoeiras cheias de peixes coloridos, pulando acima das águas como querer se mostrar para nós. Tentei mostrar a eles a lagoa com suas águas escuras, escutar um sapinho coaxando, o bater de asas de papagaios soltos e grasnando no ar. Mostrei como podemos ouvir o som das abelhas, dos beija flor que procuram o néctar pra sobreviver. Me arrepiei Chefe quando disse para sentirem o vento soprando em uma campina, as plantações querendo seguir o mesmo rumo formando ondas como se o mar estivesse ali. A natureza é bela Chefe, mas meus jovens escoteiros não tem mais aquela alma aquela beleza de ver a maravilha da natureza tão bela e cheia de amor.

                 - Chefe o que devo fazer para que eles possam sentir e amar a natureza com seus sons, melodias, trinar de pássaros, corujas com seus enormes olhos perscrutando tudo a sua volta. Como ensinar a eles Chefe como se aquecer a noite o dia, ouvir deles uma exclamação de sentimentos com o vermelhão ao nascer e o por do sol? Fiz tudo chefes tentando mostrar como é belo o som da chuva, o cheiro da terra molhada, do riacho manso que corre para o mar. Lembrei a eles dos Sons das ondas, das gaivotas, dos falcões, dos macacos guinchando nos galhos como se estivessem a rir de nós. Sons das estrelas, da lua, do sol. Sons imperdíveis da nevoa da madrugada.

                - Não sabia dar uma resposta. A modernidade nos fizeram esquecer do simbolismo e a beleza da natureza. Não existem mais sonhos como no passado, não existem mais o belo a não ser aquele que se toca e sente. Como ensinar a eles os jovens escoteiros que ainda existe um Deus? Se a natureza é a verdade sabemos que Deus mora ali. Neste exato momento, onde você está agora à natureza está ao seu lado. Ela não é uma tela, uma máquina um programa ou um perfil uma imitação de imagem. Assim como a natureza é nossa maior virtude, ela está na simplicidade e nos olhos de quem realmente pode ver, e quando não exploramos as belezas ao nosso redor, perdemos a capacidade de sentir, de filosofar e nos tornamos estrangeiros em nossa própria terra.


                - Tudo tem um começo um meio e um fim. Se estamos no meio voltemos ao começo. Escoteiro! Você é gente. Mostre que pode sentir o vento, pode cansar a vista olhando o sol, pode ouvir o som da cascata, pode ouvir o trinar dos pássaros. Tente ver a beleza de uma flor. Deixe escoteiro o som da natureza invadir o seu ser. Tente entender a melodia dos pássaros, das arvores, dos ventos. Se assim o fizerdes terás então entendido o que é a natureza para nós. Escoteiros do campo, da serra, das matas, dos rios e das campinas que gostam de sentir a força dos ventos em suas tenras flores e folhas que balançam ao sabor da natureza.

nota: -  - Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

segunda-feira, 10 de julho de 2017


OS LIVROS DA SELVA.
(Leia mais tarde o Capítulo II dos Irmãos de Mowgly na Floresta de Seeonee).

Nota:
- “Os livros da Selva” é reconhecidamente um dos maiores clássicos da literatura universal de todos os tempos. Adorados por leitores de todas as idades desde que foram publicados no final do século XIX, seus contos ocupam lugar especial no imaginário popular. 

Muito se deve à fantástica história de Mowgly, o filhote de homem criado por lobos nas florestas da Índia. Protagonista de oito das quinze extraordinárias narrativas que formam o conjunto desse livro, Mowgly se tornou um mito por suas aventuras emocionantes ao lado de personagens inesquecíveis como Bagheera, a poderosa pantera-negra que o protege; Baloo, o urso que ensina as Leis da Selva aos filhotes de lobo; Kaa, o sábio píton. - Akela, o lobo solitário líder da Alcateia; e Shere Khan, o traiçoeiro tigre manco que deseja matar Mowgly.

- Essa edição traz o texto integral dos dois volumes de Os livros da selva, mais de 240 notas, 28 ilustrações originais de J.L. Kipling, pai do escritor, e W.H. Drake, além de apresentação e cronologia de vida e obra do autor. Inclui também, como apêndice, “Dentro da rukh”, a primeira história de Mowgly.

Origem dos Lobinhos: - Baden-Powell solicitou a Percy W. Everett que desse sugestões para criar o ramo lobinho. Em 1913 Everett lhe apresentou um projeto: - Regras para escoteiros menores. Segundo B.P. o nome “Lobinho” ou “Cachorro” seria adequado para designar os pata tenras como eram chamados os menores naquela época. Em 1914 o Headquarter Gazette publicou o esquema para os “Lobinhos”. Incluía a forma de saudação, o emblema com a cabeça do Lobo e a promessa mais simples adaptadas à faixa etária. Tudo isto se originou quando Baden-Powell conheceu o Livro da Jângal de Rudyard Kliping. A publicação do Manual do Lobinho em 2 de dezembro de 1916 pode ser tomada como marco para que este ano podia ser considerado como o da fundação do ramo lobinho, embora tenha sido somente em 1923 que as regras completas do Lobismo foram reconhecidas.

Se você tem interesse em ter os Livros da Selva de Kipling, pode adquirir todos os volumes no endereço abaixo. Caso queira conhecer algumas das história basta pedir o Bloco 7 “LOBOS EM AÇÃO” onde além de diversos condensados de lobos você vai encontrar um resumo do Livro. Basta enviar e-mail para ferrazosvaldo@bol.com.br

Para todas as histórias do livro, veja no site da Saraiva e o preço de cada volume.

sábado, 8 de julho de 2017

Sorria hoje tem reunião.


Sorria! Hoje tem reunião!

- Sim, hoje tem reunião e milhares já estão se preparado para partir. Uns para a sede, outros para uma excursão e tem aqueles que um sorriso aflora. Vão ou estão em um acampamento. É ali que a gente vê e sente a fraternidade. Dizem que a verdadeira amizade está acima de todos os bens do mundo. Pois é, sabemos que é um sentimento que não se compra e nem se vende. Ter um amigo é ter um tesouro. Que adianta a fama, que adianta ser venerado ou admirado se não tem pelo menos um amigo fiel? Isto temos no escotismo mesmo que existam alguns que ainda não aprenderam que somos uma fraternidade de amigos por toda a eternidade.

- E lá nos cantantes de meninos escoteiros, das meninas escoteiras dos Seniores e dos lobinhos, vamos aprender tantas coisas com eles que jamais esqueceremos. Vamos aprender que para os erros há perdão, para o fracasso, chance. Sabemos que existem momentos que nos descontrolamos e explodimos com alguém. No escotismo isto não deve existir. Temos como chefes procurar entender os sentimentos dos outros. Devemos sempre tentar expressar com palavras de carinho, de modo calmo sem ser desagradável.

- Sabemos que a bondade é uma das qualidades que nos torna mais humanos, mais escoteiros. Grandes Chefes do escotismo sempre disseram que as pessoas boas são sempre as mais felizes. Assim meu caro Chefe coloque tuas mágoas bem no fundo do bornal e sorri neste momento que vai partir e quando estiver junto aos jovens que dependem de tí para aprender que o sorriso é o caminho para o sucesso em toda a vida escoteira.

- A felicidade está dentro de nós, olhar nos olhos e nos sorrisos dos jovens que hoje irão fazer escotismo de montão, é se contagiar e sorrir também. A felicidade está nos olhos de quem vê a vida escoteira de maneira simples, sem complicações. Ela está sim até nos olhos dos otimistas, dos que não perderam a esperança e naquele que confia nos seus jovens. Os desafios são vencidos se pensarmos que podemos realizar nossos sonhos.

- “Escoteiros firmes! A bandeira em saudação”!


Feliz reunião, muita alegria muito aperto de mão! 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sorria e se orgulhe de um gostoso Grito de Patrulha.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Sorria e se orgulhe de um gostoso Grito de Patrulha.

                   Vez ou outra nos passa despercebido à união, a força e o orgulho quando damos o Grito de Patrulha. Depois que cresci ouvi tantos que parava só para ver o que diziam e ver o espírito de Patrulha quando todos seguravam no bastão, com ele elevado no ar, davam um grito gostoso que a gente sempre se emocionava. Para mim o Grito de Patrulha é uma das maiores místicas e tradições no escotismo. Tem um simbolismo que encanta. Tenho receio que amanhã ele seja extinto, pois pode aparecer um “çabio” qualquer e dizer que isto é ultrapassado.

                    Muitos dos nossos simbolismos, místicas e tradições estão sendo engolidos pela modernidade. Cada Grito tem um estilo, uma maneira, uma sonora entoação que dá uma marca própria à patrulha. Aqueles que ali estiveram não esquecem jamais. Onde a patrulha esteve aquele sonoro som cantante ficará marcado para sempre. Conheço patrulhas que deu seu grito em altas montanhas, picos enormes, florestas inóspitas e me empolguei com uma que resolveu dar o grito dentro de uma jangada caindo em uma bela cascata de águas cristalinas e enfumaçadas.

                      Outro dia li aqui que um jovem queria idéia de um Grito de Patrulha. Assustei. Não pode pensei! O Grito não é dele é de todos na patrulha. E afinal era uma patrulha nova? Se não o antigo devia por tradição permanecer. Nenhum patrulheiro tem direito só porque não gosta trocar o grito da Patrulha. É uma tradição imutável. O antigo escoteiro se lembra dele com orgulho e quanta tristeza ao voltar à sede ver que tudo mudou. Eu já vi homens e mulheres voltando à sede e pedir para dar o grito com a Patrulha que um dia foi sua. Não existe o melhor ou o mais bonito. Um grito surgiu pelas mãos de todos.

                        Outro dia um disse para mim: - Chefe eu dei um grito de patrulha naquele acampamento regional! Bacana – Bacana mesmo. Hoje não, os encontros nacionais e regionais na maioria das vezes são participantes individuais, patrulhas não vão mais unidas, não há grito a não ser se alguns se reúnem e resolvem fazer o seu. - Sabe Chefe aquele Jamboree na Inglaterra realizado no Olympia? Aquele bem no coração de Londres? Eramos mais de 8.000 escoteiros de 34 países. Nossa patrulha deu um grito bem no centro da Arena. Fomos ovacionados. Quer saber como era nosso grito? – Arrankakuenca lelenca. Lita Talita Rá rá... Raposa! Danado de grito bonito eu pensei comigo quando meu amigo Chefe Jovelino me contou.

                       Mas ele se orgulhava. Afinal foi o primeiro jamboree mundial e Baden-Powell estava presente! Isto é bom demais. Dar um grito e não esquecer são coisas de escoteiros que vão guardando tudo no coração. Coração! Como cabe lembranças e coisas gostosas que acontecem com a gente. Eu conheci milhares de patrulhas. Adorava vê-las dar o grito, adorava ver o sorriso e sabia que o melhor sorriso era do novato, do noviço ou pata-tenra. Ele quando começa se sente mais um da turma. Ele acredita que seus sonhos de aventureiro estão prestes a começar.

                         Eu sempre digo e repito que o grito não é de um só. Mesmo quando a Patrulha e nova e o Monitor acha que é o responsável. Não é. A responsabilidade é de todos. O grito é eterno, constante, imortal, imutável e infinito. Não se muda. Ele não tem dono, pertence a todos que um dia estiveram na Patrulha e dele fizeram sua história. Conheço milhares de gritos. Cada um mais lindo que o outro. Já vi gritos que dei risadas, já vi gritos que meu sangue ferveu de emoção. Já vi gritos que atraíram multidões de escoteiros. Não importa o que diz importa o orgulho em dizer. A tradição de um Grito de Patrulha deve ser contada, anotada e descrita no livro da patrulha.

                         Não esqueço quando em uma Indaba um Chefe me contou: - Chefe, quando visitei meu grupo depois de 40 anos, foi uma grande emoção ver a Águia com o mesmo grito e o mesmo totem. Contem para todos que demos o primeiro Grito na Montanha do lobo! Repetimos no Itatiaia. Outra vez no Pico da Neblina. Com lágrimas nos olhos disse para eles que não importa onde, importa sim o grito dado com orgulho e sentimento no coração.

                         Conheci uma Patrulha Urso que ficou dois meses discutindo seu grito. Sempre empate na hora de escolher. O que fazer? O Conselho de Patrulha achou que o desempate deveria ser do primeiro lobo que passasse para a Tropa. Demorou mais dois meses. Enfim foi escolhido o grito: – Qui que quode com o Urso ninguém pode! Risos. Nossa quase três meses e foi este o escolhido? Olhe ele existe até hoje. Tem mais de quarenta anos com o mesmo grito. Orgulho demais!

                         A origem dos gritos de guerra é uma palavra ou frase usada normalmente para incentivar e motivar um grupo de pessoas.  Os gritos surgiram há muitos séculos atrás. Dizem que o mais conhecido é do povo Maori que até hoje é copiado por equipes de todos os tipos de esporte. Me lembro um pouco dele: - Te Rauparaha Haka (trecho) Ka mate, ka mate! Ka ora, ka ora! Ka mate! ka mate! ka ora! ka ora! Tēnei te tangata pūhuruhuru Nāna nei i tiki mai whakawhiti te ra Ā, upane! ka upane! Ā, upane, ka upane, whiti te ra! Hi! - (É a morte! É a morte! É a vida! É a vida! É a morte! É a morte! É a vida! É a vida! Este é o homem cabeludo Que fez o sol brilhar de novo Juntos! Todos juntos para o topo! Juntos! Todos juntos para o topo, o sol brilha de novo! Sim!).

                    Se é bonito não sei. Só sei que o grito mais bonito é o da minha patrulha, da sua ou a de todos nós! – Não vou comentar os gritos de Tropa, de Alcatéia de grupo ou mesmo o da União dos escoteiros do Brasil. Aqui estou a contar aos meus amigos do Grito de Patrulha. Ele sim um orgulho internacional Escoteiro.


                         Sei que no mundo inteiro alguns membros de uma Patrulha se reúne anualmente ou de cinco em cinco anos. Eles fazem questão de dar o grito seja onde a reunião for. Tem seu próprio bastão seu próprio totem e dão o grito com força, com orgulho, sabendo que no coração de cada um ele vai viver para sempre. Não existem lugares para dar o grito. Um jogo, um aniversário, depois da bandeira, oração e em todo lugar. Grito é grito, não importa o que se diz, pode ser em português, latim, francês, inglês, ou mesmo em linguagem galáctica ou em tupi-guarani. Não importa mesmo. É uma tradição que ninguém esquece. Sempre repito aonde vou: - Que as patrulhas gritem. Alto e em bom tom. Que mostrem a todos sua força, sua vontade seu orgulho em ser Escoteiro. Grito de Patrulha, quem já deu nunca mais vai esquecer!

nota: - Para lembrar os mais velhos, para sorrir os mais novos. Como é bom dar um Grito de Patrulha junto a amigos que se tornaram irmãos. Grito de Patrulha, uma tradição que nunca será esquecida. O Grito nunca deixará de ser o que é, e sempre foi o que é independente do que ele diz. Ele é único e o primeiro de todos. O Grito de Patrulha é imortal!