Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Cozinha mateira? Sei não!



Conversa ao pé do fogo.
Cozinha mateira? Sei não!

                         Temos hoje uma plêiade de bons mateiros que se divertem no campo a fazerem comida mateira. Delicia! Sei que tem gente que faz e não gosta. Manjado é o pão do caçador. E a sopa de cebola, o pão do minuto, o ovo no espeto, ovo na casca de laranja, ovo no barro, milho na brasa, maçã recheada na fogueira? E o frango no barro? A carne moída na batata cozida nas brasas do fogo de conselho? Arre! São centenas. Se deixar os mateiros Escoteiros engordam esta lista em minutos ou horas. Dizem os bons mateiros que a comida mateira escoteira é a técnica de se cozinhar sem a utilização de utensílios domésticos. É um desafio.


                  Um deles disse que esta é a comida típica dos Escoteiros nos acampamentos. Afinal preparar sua própria comida é um desafio para qualquer escoteiro. Saber improvisar, paciência para substituir as tradicionais feitas nas panelas é uma arte. (pelo menos se tem uma vantagem, evitar lavar panelas, arre!). - Nada como um bom fogo, boas achas para brasa para deleite de uma boa refeição. Adoro uma banana verde uma cebola, uma batata e enrolar o pão do caçador para depois de cozido me deliciar. Conheci patrulhas que adoravam fazer um bom churrasco. Será que vale no acampamento? Trazer de casa? Nem pensar.

                   Eu sou daquele tempo, onde a diligência passava e gritavam: Correspondência? A Wells Fargo está passando! Alguns escoteiros desciam para esticar as canelas e apreciar uma Patrulha fazendo um belo almoço de cozinha mateira. Neste tempo dos cowboys as patrulhas iam caçar tatu, rodelas bem fritinhas de uma jiboia, se ter sorte pegar uns patos e marrecos na beira da lagoa. Não pode mais? Tudo bem, mas era um manancial a disposição. Pato-do-mato, pato-criolo, pato-bravo, cairina, pato-selvagem e pato-mudo. Haja pato!

                  Claro, o respeito à natureza e a liberdade da fauna tem de existir. Mas lá onde Genghis Khan perdeu as botas não falta uma gordura de porco, um pouco de sal para fritar, cozinhar ou fazer uma bela sopa destes gostosos animais e pássaros no meio de jenipapo ou uma bela abobora achada nas milongas de um rio qualquer. Tempo das Falas Novas, seja setembro ou novembro, onde Mowgly tentava acompanhar a bicharada embriagando na primavera!

                 Uma mochila, manta, muda de roupa, material de higiene um facão bem afiado, um canivete escoteiro, uma faca mundial e pronto. Partíamos cantando a Canção do Arrebol. “Alerta Escoteiro Alerta”! Lista de mantimentos? Taxa a pagar? Meu Deus! Nem pensar. Está me acompanhando? Quer ir comigo prú campo? Use de sua imaginação e venha comigo conhecer e viver aonde o vento nos levar. Na lagoa do Epaminondas? Oba! Sempre um franguinho a disposição, era só degolar! Risos! Depois pescar traíras, bagres e pintados na sombra da goiabeira.

                 Que fartura dos ensopados. Como disse Pero Vaz de Caminha, nesta terra se plantando ou mesmo não... Tudo dá! Pode rir, mas no Rio Chorão era peixe para pegar com a mão. Zé Bigode o intendente e às vezes cozinheiro, na curva da cachoeira pegava peixes com fartura. Então gente vamos avante? Mochila nas costas sorrisos nos lábios vamos atravessar o Rio Piraçu, correnteza forte, e depois de atravessar vamos arranchar na Clareira do Guaporé. Um vai pegar lenha, outro um fogo mateiro e você Akelá procure uma colmeia e devagar sem alarde tire um ou dois favos de mel! Medo? Chame o Baloo, ele é o mestre do mel de abelha.

                 Eita campo sem graça, se não vier tempestade, se não houver trovões raios na mata este acampamento perde graça. A noite é a melhor hora. Capa no costado, fogueira acesa, bananas e cuidado com a batata doce, ela não dá de banda! Um cafezinho pru Monitor e pru gaúcho um chimarrão no ponto e bem passado! Passado? Kkkkkk. E a noite vamos pegar galinha d’angola gostosa frita ou não até demais. Vamos fazer no barro. Tiro o bucho e bem limpado, pouco de sal e gordura, meto barro nas penas e cabeça, no buraco meio fundo a fogueira produziu brasas demais. E lá vai ela, bem tampada e é só esperar para se deliciar.

                  Comida mateira? Poxa gente aqui não é boteco e nem restaurante. Vamos que vamos na floresta do Jangadeiro. Lá tem Castanha e o Açaí. E lindos pés de palmito, sem contar inhames, maracujás e folhas de Lobrobô. Não conhecem? Risos. Espere o ensopado que faço sem panelas... Está rindo? Calma. É o truque do velho chefe. Não conto para ninguém, só para quem acampa comigo risos. Pois é, comida mateira é bom demais. Tem gente que gosta e outra não. Eu fico no meu pedaço. No campo não tenho embaraço. Dá para comer? Não enjeito!

                  Sei que hoje tudo é levado da sede. Mas tem outro jeito? Não sei. Mas você que esteve comigo nesta bela viagem de sonhos aventureiros não gostou? Lembra-se do Macaquinho que pulou em seu ombro na selva do Soldado? Medo da febre amarela? Nem não! O macaco é nosso irmão.  

                  São tantas lembranças que você nunca mais vai esquecer. Comida Mateira? Comece, e em pouco tempo estará tão acostumado que vai pedir a mamãe: - (folgado... Pedindo a mamãe?) Mamãe! Hoje eu quero sopa de maracujá com folhas de Lobrobô. E não esqueça mamãe, deixe tostar bastante a Galinha D’angola feita no barro branco que encontrei que tá assando lá no quintal!

Nota - São coisas do passado, agora não mais. Mas que foi uma época boa foi e supimpa que valeu a pena ter tantas coisas para lembrar. Dizem que cada ano os novos escoteiros também fazem sua comida mateira. Tem cada tipo de dar água na boca. Fico feliz em saber, pois assim quando for um Velho como eu, irá se orgulhar do que fez e do que marcou sua vida escoteira, com vivência mateira para nunca mais esquecer.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Noviço, Segunda e Primeira Classe. Nunca mais?



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Noviço, Segunda e Primeira Classe. Nunca mais?

                 Muitos dos novos chefes nunca ouviram falar. Outros têm uma pequena ideia e alguns passaram por elas. Pensando bem quem sabe elas hoje não teriam mais validade com as novas técnicas modernas de ensino. Por volta de 1925 o “Velho Lobo” apelido carinhoso do Almirante Benjamim Sodré, escreveu o precursor dos livros de classe para escoteiros e seniores. “O Guia do Escoteiro” foi à bíblia de muitos do que passaram no escotismo até 1954. Inclusive a minha.

               Por dezesseis anos ele passou de mão em mão nas patrulhas e tropas escoteiras. Em janeiro de 1941 exatamente na data de falecimento de Baden-Powell, passou a circular uma nova literatura “Para Ser Escoteiro” do Chefe Francisco Floriano de Paula. “Em 1961 foi convidado a dividir o trabalho em provas de classe, passando a serem três livros: - “Para ser Escoteiro Noviço” Para ser Escoteiro Segunda Classe” e “Para ser escoteiro Primeira Classe”. Em 1991 por um curto período foi introduzido algumas etapas de classe tipo múltipla escolha.

                Em 1963 a UEB reeditou os três livros do Chefe Floriano desta vez pelas mãos do Chefe Luiz Paulo Carneiro Maia e Ivan Bordallo Monteiro. Finalmente depois de diversas adaptações e alterações chegamos hoje ao Novo Programa Educativo da UEB. Não entro na validade ou não do programa. Deixo isso para os novos pedagogos que entendem mais da educação escoteira que eu. Quem sabe na minha nostalgia eu procuro ver com olhos de quem viveu naquela época. Se os jovens de hoje iriam gostar ou mesmo realizar as etapas exigidas até chegar a um Escoteiro de Primeira Classe só perguntando a eles.

                 Salto o obstáculo do Escoteiro Noviço e das exigências para a Segunda Classe. Queira ou não pular o obstáculo de cada uma dessas provas não era para qualquer um. Deveriam ser facilitadas? Acho que não. Afinal aprender a utilizar e manusear uma faca ou canivete era uma obrigação de todos os jovens acampadores. Se hoje tem um GPS naquela época existiam como hoje as estrelas, as constelações, o vento, as folhas das árvores o sol e a lua para nos dar o caminho a seguir.

                Um passo Escoteiro, um Passo duplo, saber a altura de uma montanha, uma árvore ou um rio era demais. Mas não vamos falar sobre elas. Muitos daquela época conseguiram ter em sua farda o distintivo tão sonhado de Segunda Classe. Sonhado? Não esqueçamos as especialidades. Um muro de lamentações para muitos. Não sei, mas acho diferente de hoje. Conseguir uma de Acampador, intendente, cozinheiro, socorrista ou sinaleiro era um verdadeiro desafio. Os nós os sinais ficaram para trás. Mas saber de cor a Lei e a Promessa eram ponto de honra.

                A Primeira Classe era um sonho que muitos não conseguiram realizar. Muitas das exigências eram simples, mas outras não. Era como a especialidade de Socorrista que hoje muitos desconjuram pela sua maneira rústica de executar. Veneno? Faca em brasa? Torniquete? Garrote? Tipoias? Ataduras? Pelo menos todos faziam questão de aprender e fazer.

                 Ninguém se preocupava com a exigência de quinze noites acampados, várias excursões e estar preparado para com um companheiro, fazer uma jornada de vinte e cinco quilômetros a pé. Cozinhar a própria refeição estava no ombro: - A especialidade de Cozinheiro. Percurso de Gilwell muitos aprendiam na Segunda Classe. Se fossem para o campo, amavam a natureza. A fauna, a flora, os minerais eram fatos corriqueiros. Mapas, croquis eram manuseados diversas vezes nas excursões e acampamentos.  

                 Os relatórios, os projetos, a Rosa dos Ventos, a bussola, o sol, o relógio, a lua as estrelas, indícios naturais era rotina na Patrulha. Carta Topográfica se aprendia nos Cantos de Patrulha onde uma vez por semana eles se reuniam. Fazer um esboço de um campo de Patrulha, levando em conta o vento, a cozinha as barracas e o Refeitório eram coisas de Pata-Tenra. Fossas, canto do lenhador, intendência e as artimanhas e engenhocas eram comuns nos acampamentos de Patrulha.

                 Não sei se a Primeira Classe era difícil. Conheci muitos que orgulhosamente a receberam. Eu tive esta honra. Naquela época ver uma Patrulha com um ou dois primeiras e três ou quatro segundas a gente sabia com qual Patrulha estava lidando. Foi uma época de escotismo solto, sem amarras, meninos com suas mochilas correndo pelos campos, mostrando responsabilidade, lealdade, cortesia, sinceridade e sabendo manter o autocontrole demonstrando estar à altura do nome escoteiro em sua maturidade.

                 A modernidade não pode parar. As adaptações também. Não sei se o que BP disse quando criou o método escoteiro, acreditando que todo o programa deveria ser voltado para o campo, para as atividades ao ar livre, não foram sufocadas pelas técnicas modernas de ensino. Prevejo que em breve toda metodologia Bipidiana seja absorvida pelos novos programas que irão surgir. Só espero que o objetivo de BP seja alcançado. Os resultados! O homem e a mulher em uma comunidade dando exemplos pessoais e cuja honra e caráter não havendo dúvidas que foi o Escotismo um dos principais responsáveis!

Nota – Não me meto com a nova metodologia de programas de hoje. Se antes a preocupação eram atividades mateiras hoje não. Bom isso. Os cursos hoje são mais objetivos. Temos cursos para o Escotista, para o Dirigente Institucional, a nível Preliminar, Básico e Avançado. São cursos bem diferentes, pois aprender nós, amarras e técnicas escoteiras ficaram no passado. Não existe mais necessidade. Gostei de saber do curso para chefes sobre o ECA, e o mais novo: Formando Staffs para o futuro! Não é este o nome? Desculpe.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Esquece “velhote” seu tempo não volta mais!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Esquece “velhote” seu tempo não volta mais!

                Há dias estou praticando um repouso para minha especialidade de Velho Escoteiro Dodói. O homem do jaleco branco disse que eu preciso me cuidar. Diachos! Ainda disciplinado eu permaneço deitado, viro aqui viro ali e será que só penso naquilo? Quem sabe meus velhos amigos da década de cinquenta e sessenta podem pensar como eu? Ando meio revoltado... Que direito tem estes “mandatários” usurpador do poder, que estão mudando sem a ninguém consultar?

              Calma Chefinho... Não fica “brabinho” diz uma amiga minha. Mas eu mordendo a gengiva pergunto: - Voce aí. Sei que entrou a maneira, adora vestimenta escoteira, bate palma e aceita, aprendeu a não discutir. Disseram para você que eles são estatutários, eleitos para mudar, jurando a tudo melhorar. Sei que encontrou tudo mudado e nem sabe o que aconteceu.

                 Dizem que é um privilegiado, tem assessor que lhe assessora assessorando e fazendo assessoramento dizendo o que deve fazer. Se mandar fazer assim, sem discussão fará. Se não fizer, será aconselhado e depois admoestado e quem sabe lhe dirão que pode ir passear. Você e uma maioria, que não discute sorri, adora sua missão. Fazer de jovens de hoje excelentes cidadãos. Se você quer ser importante vai ter luta constante para ser um maioral. Vai postar suas conquistas alardear suas cobiças e pouco importa no que vai dar.

                 Chamam-me de velho senil, na calada de imbecil. Dizem que meu tempo é de farofa, chapelão e tapioca. Esfolador de galinhas e outros galináceos a mão. Paciência. Discutir prá que? Vou convencer “vósmecê”? Cuidado ao lembrar o passado, há gritos prá todo lado o chamando de caduco, esclerosado gagá decrépito e senil. São mestres em gritar pru vento. Chefinho! - Nunca mais acampamento... Acampar onde? Eita turma da preguiça, quem nem assiste uma missa, prefere se esbaldar... No pateo da sede emprestada do Grupo Escolar.

                  Vem aí à nova geração, vestimentados em ação. Uns adotam chapéu, outros boné prá trás, camisona esbaldada em cima da barrigada. E a tal meinha pretinha? Uma gracinha! Outros vão à cantina ver o que oferecem, chega de tanta rotina. Chapelão? Mochila e Vulcabrás? Ficou no tempo rapaz... Está copiando os lá do norte, uma faixa bem enorme, para ficar nos conformes e encher de especialidades mil. Dizem que vem aí o quinto e sexto taco, e para os presidentes e diretores muitos tacos a granel. Tem “Money”? Na cantina é como mel.

                 Tem novo programa vendendo como banana... Eita que lindo é o MACPRO... PIRADOS. BP foi abandonado. Chega de acampadores, copiem os novos senhores dos cursos os formadores, quadro negro, cadeira escolar e o escambal. Lobos? Têm tantas ideias, uma verdadeira mocreia, que se vivo Mowgly ira bendizer. Tem acantô de alcateia, tem belas danças modernas, dizem que o Balu vai dançar o rap Hip Hop, vai mostrar o chula, chula rebolando prá xuxu. 

                 E eu velhote adoentado, olhando prá todo lado, olho os desenhos do Gilbert e pensa com sabedoria: - Irão aparecer novos Gilberts? Novos desenhos? O que vai ficar prá história? Irei ver uma Patrulha, desbravando uma montanha? Subindo em um Jacarandá e descendo no evasão? Construindo um belo pórtico sem ter o Chefe na mão? Fazendo malabarismo em um belo comando Crow?

               Não os escoteiros do Gilbert ficaram na história. Se não me falha a memória agora é um belo camping, cadeiras espalhafatosas, barracas inteligentes, festejar e acampar... Olhando no celular... Alguém se arrisca a cozinhar? Prá que? Logo chega o marmitex ou vem um Chief contratado vai fazer bife acebolado e outros manjares na cozinha montada no lugar.

               E quem sabe eu reencarno, em uma nova geração, alguém me diz que BP foi um grande fanfarrão. Escotismo Vadico é outro. Tem muitos na eleição. Tem até um Jamboree lá nas luas de Plutão. Melhor parar por aqui. Olhar de novo o Gilbert, que soube impressionar, mostrar os escoteiros heróis no seu tempo e habitat, pois só isso fica guardado, na mente do bem fardado, empurrando à carretinha que neste mundo moderno agora não existe mais!

Sempre Alerta ou quem sabe... Be Prepared!   

Nota - Andando mais prá lá do que prá cá, cacunda tá entortada, duas pernas bem travadas, tentando manter a respiração. Como velho menino escoteiro, fico no meu canto ligeiro, fazendo recordação. Adianta? Prá mim sim Doutor Chefão. Enquanto manter o respiro, não darei meu ultimo suspiro, e no meu pé de xulê vou bebendo meu café nas asas da imaginação. Lá no meu campo amado, me sinto bem acampado faça chuva ou faça sol. E meto os dedos no teclado nas lembranças do passado que nunca mais voltarão.           



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Definição do escotismo. - Por Baden-Powell.


Definição do escotismo. - Por Baden-Powell.

- Pelo termo «Escotismo» designa-se o serviço e atribuições dos escoteiros, exploradores, caçadores, marinheiros, aviadores e pioneiros. O Escotismo é uma escola de cidadania por meio da arte da vida nos bosques. O Escotismo é uma sugestão para uma alegre diversão ao ar livre, lançada por acaso, e que acabou por revelar-se também um contributo prático para a educação.

Eis algumas das coisas que o Escotismo não é:
- Não é uma organização de caridade para ser dirigida por pessoas da alta sociedade para benefício das crianças pobres; - - Não é uma escola com programas definidos e critérios de exame; - - Não é uma brigada de oficiais e soldados onde, à força de paradas e formaturas, se inculca virilidade nos rapazes e moças; - Não é um espetáculo onde se obtêm resultados superficiais por meio de uma remuneração em insígnias de competência, medalhas, etc. Todas estas coisas vêm do exterior, enquanto a formação escoteira vem de dentro para fora.

- O Escotismo é um jogo de rapazes, sob a direção de rapazes, em que os irmãos mais velhos podem oferecer aos mais novos um ambiente saudável e encorajá-los a praticar atividades saudáveis, que os ajudarão a desenvolver o civismo. O Escotismo não é uma ciência para estudar com solenidade, nem um conjunto de doutrinas e textos. Nem é, tão pouco, um código militar graças ao qual se instale disciplina nos rapazes ou se reprima a sua individualidade e' iniciativa, à custa de formaturas e de exercícios repetitivos.

- Não o Escotismo é um alegre jogo ao ar livre, onde moças e rapazes podem, em conjunto, entregar-se à aventura como irmãos mais velhos e mais novos, colhendo saúde e felicidade, habilidade manual e espírito de serviço. Todo O Movimento (dos Escoteiros e das Guias) pode definir-se resumidamente como uma fraternidade mundial de Serviço. Sim, o Escotismo é um jogo. Mas por vezes ponho-me a pensar se, com toda a nossa literatura, regulamentos, inquéritos no The Scouter, conferências, cursos de formação para Comissários e outros dirigentes, etc., não parecerá que estaremos a fazer dele um jogo demasiado sério.

- Se lhe tivéssemos chamado o que ele era, a saber, «Sociedade para a Propagação das Qualidades Morais», o rapaz não se teria propriamente precipitado para aderir. Mas chamar-lhe escotismo e dar ao rapaz a oportunidade de se tornar um explorador em embrião, foi algo completamente diferente.

- Toda a finalidade do Escotismo, é pegar no caráter do rapaz na fase em que o entusiasmo está aquecido, forjá-lo devidamente e promover e desenvolver a sua individualidade - de modo que o rapaz se eduque a si mesmo para se tornar homem reto e cidadão prestável para a sua pátria. A finalidade da formação das Guias é dar às nossas moças, qualquer que seja a sua condição, uma série de atividades saudáveis e divertidas que, ao mesmo tempo em que fazem as suas delícias, lhes proporcionarão uma educação extraescolar em quatro domínios particulares:
- carácter e inteligência
- aptidão técnica e habilidade manual,
- saúde física e higiene
- serviço aos outros e solidariedade.

- A finalidade do Movimento das Guias é ajudar os pais, os professores e os pastores, facultando o ambiente desejável e atividades saudáveis fora da escola. A formação escoteira tende a fazer dos rapazes homens melhores - aliás, a fazer deles verdadeiramente cavalheiros que, na definição de Bernard Shaw, são aqueles que não esperam obter do mundo mais do que aquilo que lhes dão. A finalidade da formação escoteira é melhorar o nível dos nossos futuros cidadãos, especialmente no que diz respeito ao carácter e à saúde; substituir o egoísmo pelo serviço, tornar os moços individualmente capazes, moral e fisicamente, com o fim de aproveitar essa capacidade para servir os seus semelhantes.

- A nossa finalidade no Movimento é dar toda a ajuda que pudermos à construção do Reino de Deus na Terra, inculcando entre os jovens o espírito e a prática diária da boa vontade desinteressada e da cooperação. A intenção do Movimento dos Escoteiros e das Guias é formar homens e mulheres como cidadãos possuidores de três dons fundamentais: Saúde, Felicidade e Espírito de serviço. A nossa finalidade é educar a próxima geração como cidadãos úteis e senhores de vistas mais largas do que as gerações anteriores, e desenvolver assim a paz e a boa vontade por meio da camaradagem e da cooperação, em substituição de rivalidade prevalecente entre classes, religiões e países que tantas guerras e convulsões tem produzido.

- Consideramos todos os homens como irmãos, filhos do mesmo Pai, aos quais a felicidade só pode chegar por meio do desenvolvimento da tolerância e da boa vontade recíprocas - isto é, do amor. O nosso objetivo último é criar homens viris para os nossos respectivos países, fortes de corpo, de mente e de espírito; homens em quem se possa confiar; homens que saibam enfrentar trabalho duro e também tempos difíceis; homens que saibam decidir por si próprios, sem se deixarem levar pela sugestão das massas; homens que saibam sacrificar muito do que é pessoal em prol do interesse mais vasto da nação.

- O seu patriotismo não deve ser estreito e mesquinho; pelo contrário, com a sua visão mais ampla, eles deverão ser capazes de ver com compreensão e simpatia as ambições dos patriotas de outros países. Não deixes a técnica sobrepor-se à moral. O desembaraço em campo, a arte do explorador, o campismo, as expedições, as boas ações, os Jamborees, a camaradagem, tudo isso são meios, não o fim de a atingir. O fim é o caráter - caráter com um propósito.

E esse propósito é que a próxima geração seja dotada de bom senso num mundo insensato, e desenvolva a mais elevada concretização do Serviço, que é o serviço ativo do Amor e do Dever para com Deus e o próximo. O Escotismo visa ensinar aos rapazes como viver, não apenas como ganhar a vida.


Nota - Este artigo escrito por Mario Sica em 1981, com o título de “Rastros do Fundador” e elogiado por Laszl Nagy Ex-Secretário Geral da WOSM e esplendidamente prefaciado por E.W. Gladstone (Chefe Escoteiro Inglês) foi por mim copiado sem modificações. O condensado tem mais de 31 páginas e brevemente irei colocá-lo a disposição dos interessados. A maneira de escrever de Baden-Powell permanece sem alterações. Vale a pena ler apesar de extenso.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Um poema... Uma reunião e nada mais...


Um poema... Uma reunião e nada mais...

                        O dia amanheceu, meninos e meninas correndo para suas reuniões, fardados, uniformizados e vestimentados lá vão eles sempre sorrindo. Quem sabe vai haver fogueira bem faceira, ou um joguinho dos bons e se for no campo um cafezinho forte feito em um tripé no ponto para segurar a chaleira? E quem sabe lá no meio da reunião um Escoteinho pega no seu violão e todos começam a cantar? Só de lembrar eu pisco de leve as sobrancelhas e no meu olhar imagino tantos ao meu redor: Milhares deles que se revezam neste belo sábado para continuar domingando nas reuniões que vão tomar. Saudades que ficam saudades que passam, eu passei nas sombras do passado com imensa vontade de ficar. Ótima reunião para todos vocês!

Despedida de Vital.

Lua cheia... Na choça a que se apega,
Morre Vital, velhinho, olhando o morro...
Por prece, escuta a arenga do cachorro,
Ganindo nas touceiras da macega.

Pobre amigo!... Agoniza sem socorro,
Chora lembrando o milho na moega...
Oitenta anos de lágrimas carrega
Na carcaça jogada ao chão sem forro.

Suando, enxerga um moço na soleira,
- “Eu sou leproso...” – avisa em voz rasteira,
mas diz o moço, envolto em luz dourada:

- “Vital, eu sou Jesus! Venha comigo!...”
E o velho sai das chagas de mendigo
Para um carro de estrelas da alvorada.


Autor desconhecido.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Pioneirando por aí!


Conversa ao pé do fogo.
Pioneirando por aí!

Ramo Pioneiro.
O Clã Pioneiro é o ramo escoteiro em que ficam os jovens adultos de 18 a 21 anos (comentam que pode passar para 26 anos) incompletos de ambos os sexos. O programa educativo e as etapas do pioneiro ou da pioneira visam aumentar a integração do jovem ao mundo, voltando-se ao serviço a comunidade e o exercício de cidadania com base nos valores da Promessa e Lei Escoteira. O lema pioneiro é SERVIR. A unidade onde ficam os pioneiros e pioneiras é chamado de Clã. O Clã Pioneiro pode ser masculino, feminino ou misto. (Clã é um grupo de pessoas unidas por parentesco, que é definido pela existência de um ancestral em comum. Clã significa crianças em gaélico escocês, também chamada de clannad, que significa família).

                O Clã é orientado por um Mestre Pioneiro e/ou uma Mestra Pioneira que podem ter seus assistentes. A Comissão Administrativa do Clã ou o Conselho do Clã é a autoridade para tratar de todos os assuntos internos de administração, finanças, disciplina e programação. O Mestre Pioneiro detém o poder de veto, que deverá exercitar em casos excepcionais de forma a balizar as atividades dentro dos princípios do Escotismo.

Como surgiu.
                  A guerra de 1914, entretanto, impediu que a Sociedade se desenvolvesse. Ao término da guerra, o problema dos jovens assumiu importância maior, por causa dos que descobriram a existência do Escotismo, mas já haviam ultrapassado a idade de 16 ou 17 anos de idade. Assim, em setembro de 1918, foi escrito um folheto intitulado "Regulamento dos Rovers" (Pioneiros), dentro do Movimento Escoteiro. Em 1920 foram publicados, em duas partes, "Notas sobre o Adestramento dos Rovers". O passo seguinte, importante para o desenvolvimento do Pioneirismo, foi à publicação por Baden Powell de seu livro "Caminho para o Sucesso", com o objetivo de estimular, inspirar e aconselhar os Pioneiros.

Objetivos.
O Pioneirismo é "uma ação ativa e efetiva sobre todos os componentes da estrutura individual" porque cria condições, no sentido de desenvolver, no jovem, os valores referentes à reflexão, à ação e à avaliação, utilizando, para isso, o Clã como meio.

A Forquilha Pioneira.
A "Forquilha Pioneira" encerra, no seu simbolismo, o firme propósito do Pioneiro Investido de continuar enriquecendo o processo de sua vida por pensamentos e ações melhores, razão porque, o Mestre Pioneiro deve incentivar aos jovens que entram no Clã a se tornarem Pioneiros Investidos, possuindo, cada um, a sua Forquilha. A Forquilha é feita de um galho de árvore e se constitui de quatro partes:
Ponteira: na parte inferior da haste, representa, simbolicamente, a base de toda a vida do Pioneiro, ou seja, seu caráter sem mancha;
Haste: representa o caminho reto que o Pioneiro deve palmilhar, em sua vida, como homem de caráter, consciente de suas responsabilidades;
Nós da haste: são dificuldades, os obstáculos a serem transpostos no seu caminhar pela estrada da vida;

V da forquilha: simbolicamente, é a vitória, coroando uma vida dignificante, honesta, proveitosa.
Virtudes Pioneiras X Leis Escoteiras.
- VERDADE. O Escoteiro tem uma só palavra; sua honra vale mais do que a própria vida.
- LEALDADE. O Escoteiro é leal.
- ALTRUÍSMO. O Escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica diariamente uma boa ação.
- FRATERNIDADE. O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais
- PERFEIÇÃO. O Escoteiro é cortês.
- BONDADE. O Escoteiro é bom para os animais e as plantas.
- CONSCIÊNCIA. O Escoteiro é obediente e disciplinado.
- FELICIDADE. O Escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades.
- CONSCIÊNCIA. O Escoteiro é econômico e respeita o bem alheio.
- PUREZA. O Escoteiro é limpo de corpo e alma.

A origem do lema “Servir” do Pioneiro.
O Lema Pioneiro "SERVIR" foi adotado por B.P. com base no escudo de armas do Príncipe de Gales, título que até hoje é utilizado pelo futuro herdeiro da Coroa Britânica. Se observarmos atentamente o escudo, nos depararemos com um detalhe curioso: a inscrição que se encontra no liste diz "ICH DIEN", que não é um termo da língua inglesa, mas do alemão antigo. Esse escudo pertencia ao rei João de Luxemburgo, filho do Imperador Henrique VII, da Prússia (atual Alemanha). O rei João foi morto na batalha de Crecy quando combatia a Inglaterra, que estava sob o comando do filho do Rei da Inglaterra, chamado de Príncipe Negro.


                    Terminado a batalha de Crecy, os estandartes ingleses anunciavam a vitória do Príncipe Negro, que cavalgando pela arena, encontrou o corpo do Rei morto. Sendo informado dos pormenores da morte do Rei, ficou impressionado com a nobreza e dedicação de João, pelo que decidiu levar seu escudo daquele lugar. Tempos depois, o escudo do Príncipe de Gales estava formado por uma coroa adornada por três plumas de avestruz, em posição assemelhada de uma flor de lis, tendo na parte inferior um listel com os dizeres "ICH DIEN", "EU SIRVO", em língua alemã. B.P. considerou que a herança que guarda a palavra "SERVIR" é digna de ser portada por todos aqueles que, em suas ações e palavras, demonstram, com orgulho e honra o espírito de ser um Verdadeiro Pioneiro.

Nota - - Pioneirar? Claro se existe o lobear e o escoteirar porque não Pioneirar? Eles estão aí por todo lugar. Pioneiros e Pioneiras vivenciando ainda o escotismo no seu lema Servir. Como é que cantam? – “Em uma montanha bem perto do céu se encontra um lago azul que só o conhecem aqueles que têm a dita de estar em meu Clã”! – lindo não? E tem mais: - A sede de riscos que nunca se acaba, as rochas que hei de escalar O rio tranquilo que canta e que chora jamais poderei olvidar” - “A noite sentado ao pé da fogueira, crepita a alma escoteira, Pioneiros meditam, definem a trilha e fazem a sua vigília”. Ops! Venha ser um Pioneiro do Brasil!

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Conversa ao Pé do fogo. Quando...


Conversa ao Pé do fogo.
Quando...

Quando...
- Sentir-se bem no Grupo Escoteiro que colabora...
- Sentir-se amado e amar a todos ao redor...
- Sentir-se que houve respeito e aprendeu a respeitar...
- Sentir-se prestigiado, elogiado e sabendo que é mais um...
- Sentir-se que são presentes nas horas boas ou más...

Quando...
- Quando acreditar que aquela casa é seu segundo lar...
- Quando sentir que o sorriso é espontâneo e leal...
- Quando acreditar que ali se aprende a ser ético...
- Quando aprender a ter honra e dignidade...
- Quando se orgulhar da lei e de sua Promessa...

Quando...
- Sorrir por ver que o aplauso é verdadeiro...
- Sorrir e acreditar que são todos irmãos...
- Sorrir ao ser convidado para amar a natureza...
- Sorrir ao ser levado pelo vento, sol e as estrelas...
- Sorrir e sentir que mesmo cansado valeu a pena...

Quando...
- Acreditar que seu trabalho é dignificante...
- Acreditar que vale a pena tudo que faz...
- Acreditar que os frutos compensam o sacrifício...
- Acreditar que a todos ao seu redor pode confiar...
- Acreditar que ao dormir teve sonhos de paz...

Então...
- Se agora acredita que vale a pena colaborar e ajudar...
- Se agora se orgulha de ser Chefe ou voluntário não importa...
- Se agora sabe que seu salario é o sorriso de um jovem...
- Se agora se sente regiamente pago pelo que faz...

- Se agora acreditou o Escotismo do Brasil bate palmas para você!

Nota - Quando acreditar que o Escotismo pode lhe trazer a felicidade... Quando todos ao seu redor o respeitam e sabem que são respeitados... Quando sentir orgulho do trabalho que executa... Quando cumpre a lei e a promessa com orgulho... quando dá seu exemplo para os seus e para a comunidade... Quando sabe que sorrir vale mais do que chorar... Então meu amigo, eu me orgulho de saber que é um Chefe escoteiro de verdade! 

domingo, 21 de janeiro de 2018

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Dicas de acampamento mateiro. Parte I.

Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Dicas de acampamento mateiro. Parte I.

                       Porque não escrever algumas dicas sobre como fazer um acampamento mateiro para ninguém jamais esquecer? Um acampamento que deixa marcas e que será lembrado para sempre? Sei que a maioria dos chefes de hoje tem conhecimento de sobra, mas os mais novos não. Acredito que o que vou escrever muitos chefes que fizeram cursos de formação de técnica escoteira sabem o que estou dizendo. Ou será que isto não existe mais? Sei que muitos chefes novos não são advindos de sessões escoteiras e com grandes conhecimentos mateiros. Antes de lerem, por favor, eliminem a palavra impossível quando forem acampar. Tudo é possivel basta querer e achar a solução perfeita. Se for para dizer que não dá, até logo... Chefe escoteiro que se preza não diz isto nunca!  

                      O bom acampamento mateiro não tem dono. Os assistentes, os monitores e até os patrulheiros fazem parte de tudo que acontecer de bom ou ruim. Agora, lembre-se você é o Chefe, se não se preparar ou como dizem os velhos lobos do mar, aviar-te em terra antes de começar a navegar nada dará certo. Converse, ouça, anote veja o que cada um tem para contribuir. Sem a participação dos assistentes e monitores e até mesmo a Corte de Honra como disse Murphy em sua lei abstrata – “Tudo o que puder dar errado dará”.

                       O ponto mais importante é que o acampamento é dos escoteiros e não seu. Se você é um amador, um estreante faça sua parte divertindo, mas quem precisa do acampamento são eles e não você. Desculpe dizer assim, mas os heróis são eles. Eles é que vão aprender fazendo, errando, tentando novamente até fazer o certo. Deixe eles se sentirem um aventureiro, um explorador sem ninguém para empurrá-los para isto. Aconselhe se necessário, converse com os monitores... Isto mesmo, os monitores, eles são sua sombra, seus olhos suas ideias. As patrulhas devem ter a liberdade necessária para andar com suas próprias pernas.

                       Fale o necessário, mas mantenha os olhos e os ouvidos abertos. Você é o responsável. Evite falar muito quem fala demais incomoda e não é compreendido. Se você já acampou antes com os monitores e subs e ensinou tudo que sabe e aprendeu com eles não existe motivo para você ficar preocupado. Seja exigente nas inspeções, na chamada geral ou na disciplina. As normas de segurança em acampamentos não serão citadas aqui. Penso que elas foram devidamente lidas e anotadas do POR e que cada Chefe sabe como agir.

Escolha do local.
             Eu tive a felicidade de fazer escotismo em cidades pequenas e nestas a facilidade é enorme. Mas fiz também em grandes cidades. Uma bicicleta, uma moto, um jipe dá para fazer uma exploração perfeita para a escolha de um bom local. Ônibus e trens ajudam muito. Fazer amizades é primordial, os proprietários e caseiros devem ser bem tratados e respeitados. As promessas feitas quanto a proteger o local devem ser cumpridas a risca. Desmanche as pioneiras. Empilhe o madeirame. Impressiona o sitiante e o proprietário. Tente achar um local ermo, sem casas ou estradas ou mesmo sinais de civilização. Isto é primordial para dar ao escoteiro o sonho da aventura. Uma boa aguada que não ofereça perigo para banhos, uma montanha ou uma várzea para exploração, arvoredos ou mata e se tiver bambus então o local é perfeito.

O programa.
            Não faça nenhum programa sem ouvir a tropa. Dê tempo para eles discutirem, e apresentar um rascunho do que querem. Esqueça aqueles programas onde o horário é primordial. Uma vez vi um programa de um acantonamento de lobos que tudo era marcado a hora os minutos e os segundos. Impossível de seguir. Formalize tudo com os monitores e assistentes. Se fosse eu nada da tecnologia que hoje é muito usada seria levada para o acampamento. Quem sabe só o Chefe com seu celular. Cuidado com muitos apitos. Conhecem a chamada por bandeirolas? Uma cor para os monitores, outra para a Patrulha e outra para o intendente. Precisa de mais? O mais interessante é que algumas patrulhas criaram o cargo de observador. Só para ver a chamada por elas, as bandeirolas.

                 O melhor programa são aqueles que eles podem ficar juntos, dividindo entre si as tarefas, fazendo um fogão suspenso, uma mesa, bancos fossas, artimanhas e engenhocas. Uma Pioneiría construída por eles é motivo de orgulho. Nada como um bom papo, canções, tudo espontâneo. Um grande jogo tem seu lugar, mas já vi uma patrulha partir para uma pescaria que ficou lembrada para sempre. Conversas ao pé do fogo a noite é bom demais. A alegria deles em receber o chefe? Ou a outra Patrulha? Sempre sinto saudades de um Monitor vir me convidar para uma refeição em sua Patrulha. Principalmente quando iria tirar uma prova da especialidade de cozinheiro. Tudo perde a graça quando o Chefe fica zanzando nos campos de patrulha. Não dá liberdade de aprender. Afinal o campo de patrulha é a casa deles e como tal deve ser respeitado e preservado.

               Andar com as próprias pernas é um lema mais que correto dito por Caio Vianna Martins. Se o acampamento marcou significa quer o jovem deu valor ao seu aprendizado. Se acontecer o contrário é mais um a engrossar a legião dos que não voltam mais. Sabemos que os jovens escoteiros ficam semanas a meditar sobre o acampamento, como vai ser o que vão fazer. Não tire este sonho deles. Patrulhas que têm liberdade de ação fazem do conselho de Patrulha uma obrigação para decidir tem maior desenvoltura no seu crescimento. O que desanima em qualquer tropa e ver a patrulha reduzida a três ou quatro e o Chefe desmanchar outra para completar.

                E você? Quantas noites de acampamento? Acampamento meu amigo, aquele mateiro, só a tropa ou só a sua Patrulha. Pois é, se pudesse voltar no tempo iria aumentar as minhas noites. Foram só setecentas e oitenta e poucas. Devia ter chegado às mil noites!

                 Volto ao tema se acharem que vale a pena. Um bom domingo para todos.


- Nota - “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido”. Escoteiros que não acampam nunca sentiram o gostinho de viver aprendendo, fazendo, errando, repetindo até que conseguem acertar! Isto sim, é que é bom demais!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Onde anda Adriana Birolli atriz e escoteira?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Onde anda Adriana Birolli atriz e escoteira?

                  Há algum tempo, a atriz da Rede Globo Adriana Birolli contou em alguns programas que fora escoteira por muitos anos e ainda participava nos seus tempos livres. Vários programas fizeram entrevistas com ela e quando aparecia fazendo a saudações e dizendo Sempre Alerta junto aos escoteiros todos se orgulhavam. Que orgulho em saber que alguém importante participava do escotismo. Era o Marketing que faltava já que a EB não sabe ou não quer fazer isto.

                  Tudo foi por água abaixo quando ela no programa do Jô Soares contou parte de sua infância e sob a influencia deste apresentador tentou explicar as provas de sobrevivência que participou no escotismo há tempos passado. Tentou descrever como teve que matar galinhas e coelhos e incentivada pelo Jô foi levada a explicar como “torturava” os animais e como os preparava para as refeições que fazia durante este curso. Coisas do Jô.

                  Alguns bloquistas e outros comentaristas fizeram disto uma diversão e tanto, menosprezando o Escotismo, como se isto fosse uma conduta treinada para matar. Em qualquer curso de Sobrevivência na Selva isto acontece e muito mais para que os que participam possam sobreviver das dificuldades encontradas. Não foi o que muitos pensaram. A própria UEB pelo que eu saiba se eximiu de explicar ou mesmo defender se assim fosse necessária a Adriana Birolli.

                 Assim como apareceu na mídia, logo desapareceu. Nem na rede Globo com seu puritanismo satânico ela participa mais. Poucos falam sobre ela. Por causa de umas palavras que na época ela achava válido e levada pelos seus chefes, condenaram-na a fogueira do ostracismo. Um escotismo como o nosso que não tem representatividade e tão em falta de cidadãos probos, exemplos a seguir, ela não mais servia aos propósitos do escotismo Brasileiro. Era culpada? Era jovem e conduzida a curso fez o que muitos fizeram pode agora ser condenada? Quem saiu em defesa explicando que isto aconteceu em uma época onde se fazia o escotismo aventureiro? – “Atirem, por favor, a primeira pedra”.

               Quantas vezes como menino escoteiro, eu me embrenhava na selva da minha cidade, com minha Patrulha, levando somente sal e óleo para ficar dois ou quatros dias acampados e tínhamos que nos virar para nos alimentarmos? Errado? Era uma época diferente, isto para nós era ponto de honra e fazíamos com orgulho. Sobrevivência na Selva era uma expressão que se dava aos valorosos soldados de fronteira ou mesmo aqueles que pertenciam a algum batalhão especializado nestas artes.

               Nós os escoteiros da época seguíamos o mesmo caminho. Se alimentar de animais ou grandes pássaros não tinha segredos era o que tínhamos na época. Com o passar do tempo ainda continuava nos cursos de Sobrevivência na Selva com participantes diversos o ensino e a prática de se alimentar com o que se encontrava a mão. Hoje isto não existe mais, sabemos até que ponto o respeito à natureza faz parte da formação escoteira.

               No artigo do Site da ANDA que nunca ouvi falar eles os articulistas se divertem com a “Matança” da escoteira Adriana Birolli. Chega ao ponto de afirmar que ainda continuamos com este rito que não mais existe e nunca foi parte da formação escoteira. Uma pena que tais fatos sejam mostrados de forma incoerente ao povo brasileiro. Se servir de condenação, minha Avó minha mãe e até a Célia no passado “mataram” muitas galinhas e até mesmo um porquinho de antemão.

               Adriana Birolli não dá mais entrevistas falando de escotismo. Acho que se ressente por nenhum dirigente escoteiro tê-la defendido. Assim como apareceu se orgulhando de ser escoteira desapareceu no tempo. Acredito que se sentiu usada e não teve uma mão escoteira para defendê-la. Interessante que em julho de 1910 uma dupla de dirigentes da UEB foi entrevistada por Jô Soares. Quase dormi de tédio. Nunca vi tamanha monotonia. Não temos marketing. Ninguém para dizer na grande Mídia que o escotismo é uma das maiores organizações de jovens visando seu aperfeiçoamento individual dentro de uma metodologia única feita por Baden-Powell. No meio educacional somos considerados como ineficazes e atrasados.

“E se você quiser condenar quem já fez isto, eu me apresento minha mãe e minha Avó também e a Célia idem. Sem esquecer que até na década de setenta oitenta isto ainda era comum. Duvida? Pergunte a sua mãe e sua avó se elas ainda estiverem vivas. Hoje é bem mais moderno. Não matamos nada, temos quem mata para nós e vender seu produto isento de maldades e atrocidades que acometem os bons samaritanos de hoje.

E afinal onde anda Adriana Birolli? Ainda continua amando o escotismo? Sei que apareceu um artista que não conhecia, vestimentado pelos dirigentes (se ele foi escoteiro acho que se esqueceram de perguntar se ele não preferiria o Uniforme caqui) e apresentado como um grande nome para participar de uma assembleia nacional. Os resultados não fiquei sabendo. Sem comentários. Cada um sabe onde aperta seu sapato. Pobre escotismo que não sabe valorizar!  



Nota – Onde anda Adriana Birolli a famosa atriz e escoteira de tempos idos? Defenestrada pela Rede Globo e pela UEB? Não teve o mérito que merecia? Só porque matou uma galinha em um curso de sobrevivência foi condenada ao ostracismo? Viraram as costas para ela? Pois é, quando deu suas primeiras entrevistas como escoteira e fotografada em seu grupo de origem foi aplaudida e saudada, e agora? Sem comentários. O artigo que escrevi diz o que penso. Quem sabe estou errado? Se estiver atirem por favor a primeira pedra!