Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Pontualidade Escoteira.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Pontualidade Escoteira.

... - A pontualidade é uma virtude e está no mesmo nível do respeito e da honestidade. Embora a primeira não leve às demais, pessoas respeitosas e honestas, geralmente são pontuais. - "A pontualidade é a cortesia dos Reis e obrigação dos educados”.

- Convidado participei de centenas de cerimônias Escoteiras em diversos níveis de liderança ou mesmo em Grupos Escoteiros em diversos Estados Brasileiros. Muitos não respeitavam a pontualidade que eles mesmos impuseram para a abertura dos trabalhos. Como sou exigente teve casos que dei meia volta uma desculpa e fui embora. Afinal eu tinha mais o que fazer do que ficar esperando. Um dia um Chefe telefonou: – Não me esperou? Não sabia que eu tinha de esperar por ele. Para mim pontualidade é a arte de não desperdiçar o meu tempo e o tempo alheio. Nós escoteiros devemos dar exemplos e ser os primeiros a chegar. Pontualidade não é adestramento, técnica, ou diversão. Faz parte sim da formação moral e ética escoteira. Acredito e repito que somos exemplos e ficar dando desculpas pelo atraso não é próprio de quem se orgulha em ser Chefe ou mesmo Escoteiro. Qual a explicação lógica para o atraso? O que dizer aos pais quando atrasamos? O que ele vai pensar do escotismo? Que educação ele esperava para seus filhos? Que adianta falar em responsabilidade e respeito se desrespeitamos seus compromissos assumidos depois das reuniões? Se formos uma escola de cidadania somos responsáveis para dar o devido respeito à pontualidade.

Sou da opinião que a falta de pontualidade é sempre um sinal de desrespeito pelo próximo e pela organização social a que pertencemos. A pontualidade está presente nas rotinas, nas tarefas que desempenhamos, nos desafios e nos objetivos que nos propormos realizar. De todos os recursos a que temos acesso, o tempo é um dos mais relevantes pela sua natureza volátil e, para muitos de nós, perdermos horas à espera de outros, significa desperdiçar um precioso bem. E claro ninguém gosta. Também é importante que devemos perceber e assumir que a forma como lidamos com o relógio, diz muito sobre a nossa formação educação e temperamento. Numa sociedade tão exigente e complexa como a nossa, é uma questão de procurarmos definir prioridades, sabendo de antemão que nunca iremos ter tempo para fazermos tudo o que precisamos ou gostaríamos de fazer. Ninguém gosta de ficar à espera. Se nos pusermos no lugar do outro poderemos ver e constatar que esta atitude não é um pormenor sem importância, mas constitui de fato uma falta de civismo e respeito.

Afinal se determinamos um horário para iniciar e terminar uma atividade escoteira ou outra qualquer não seria falta de educação e respeito deixar de cumprir os horários programados? Se vamos acampar temos hora para dormir e acordar ou não? A hora da inspeção é quando a patrulha estiver pronta? Almoçar e jantar é em qualquer horário no campo? Se os pais trazem seus filhos e alguns vão buscar no término é correto atrasar? E se ele tinha outro compromisso? Se a bandeira é quinze minutos ou menos porque demora vinte ou mais? Se um jogo é de quinze minutos vamos jogar trinta? Para que programas com horários se eles não são respeitados? Se avisamos que vamos chegar do campo as tantas horas e o atraso for demais o que explicar? Desculpas? Ora qualquer programa de uma sessão escoteira responsável é dividida com seus assistentes. Eles serão os culpados pelo atraso e alguns serão cancelados é culpa de quem?

Note-se que temos uma reunião semanal. Quem determinou o horário foi o Conselho de Chefes ou a Diretoria ou o próprio Chefe da sessão. É compreensível algum pequeno atraso, mas não pode ser frequente. Ninguem gosta de atrasos e se ensinamos isto ao jovem ele vai levar o aprendizado para a vida adulta. Amanhã quando tiver uma reunião na empresa, ou combinou um determinado encontro profissional e chega atrasado o que ele vai explicar? Sempre explicando? Vai perder um contrato ou um acordo que seria interessante para ambos? Sou testemunha da irresponsabilidade de muitas atividades nacionais, regionais ou distritais que marcam determinado horário e não cumprem. Se eles procedem assim o exemplo é nato. Chegamos a tal ponto, que até nos cursos escoteiros muitos se atrasam. Quando fui diretor de cursos não aceitava. Alunos atrasados eram bem recebidos com um Sempre Alerta e mandados de volta. Faça no mês que vem meu rapaz! Errado eu? Não é uma falta de respeito com quem chegou no horário e ainda tem de esperar a chegada dos que não respeitam o horário dos outros? Aprendi e posso estar errado que a pontualidade é sinal de responsabilidade. Precisamos mostrar que os outros podem contar conosco.

Tenho certeza que a maioria de vocês chegam no horário. Vá lá que uma vez ou outra um atraso qualquer possa acontecer e olhe que na sociedade moderna cada um tem o seu celular. Mas se coloque no lugar dos pais quando esperam na sede a chegada de seus filhos de um acampamento de uma excursão, de um bivaque ou mesmo acantonamento. O pior é a saída para uma atividade. – Monitores e chefes pedindo para esperar, pois a maioria ainda não chegou. E os que chegaram no horário não merecem respeito? Conheci um executivo escoteiro profissional, que conseguiu ser recebido por um presidente de uma multinacional e cujo intuito era de conseguir meios e locais para alojar em sede própria um Grupo Escoteiro da comunidade. Ele se prontificou em receber e ouvir e até quem sabe ajudar. Infelizmente ouve um atraso de 30 minutos e a reunião foi cancelada. Que belo exemplo ele deu. Acredito que daí para frente aquele Presidente olharia com desconfiança para o Movimento Escoteiro.

Dar exemplos de políticos que nunca chegam no horário ou mesmo altos diretores de empresas não justifica. Temos que pensar que cada um é cada um. Ou você é responsável ou vai ficar sempre na sombra de alguém para explicar. Sei de muitos voluntários que desistiram do escotismo por falta de pontualidade nas atividades que estavam participando. Esperavam que o término seria no horário e assumiram compromissos que agora não podiam cumprir. De quem é responsabilidade? Falar com quem? Simplesmente sair e dizer que não pode ficar mais tempo com todos olhando a sua saída como se você fosse um ET e não Escoteiro? Escoteiro é assim? Sei que muitos chefes são responsáveis, dão e exigem exemplos e no Movimento Escoteiro. Temos que ser os primeiros a mostrar que podemos chegar no horário, cumprir horários e dizer que a pontualidade escoteira faz parte da educação que dá e recebe. Olhe se não vai chegar no horário ou vai cumprir a programação não me convide. Eu faço questão da pontualidade. E quer saber? - Detesto ficar esperando!

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Conversa ao Pé do Fogo. Escotismo Modalidade do Ar e do mar.




Conversa ao Pé do Fogo.
Escotismo Modalidade do Ar e do mar.

Eu tenho muitos amigos da modalidade do Ar e do Mar e tenho por eles enorme consideração. Escoteiro Básico, preferi a terra para pisar e Leigo nas modalidades do Ar e do Mar sempre procurei conhecer um pouco seus programas. Por curiosidade resolvi perscrutar e revirar na Internet sobre suas origens e quando foi a sua fundação. Interessante suas histórias e a eles meu Sempre Alerta!

Escotismo modalidade do Ar.
A Modalidade do Escotismo do Ar, não foi idealizada pelo fundador, Baden-Powell. As outras duas a Básica e a do Mar sim. A Modalidade do Ar não começou na Inglaterra, ela teve origem no Brasil. Dia 28 de abril de 1938, é oficializado o primeiro Grupo Escoteiro da Modalidade do Ar, o Grupo Escoteiro do Ar Tenente Ricardo Kirk, tendo como responsáveis o Major Aviador Godofredo Vidal, o Tenente Coronel Aviador Vasco Alves Secco e o Primeiro Sargento Telegrafista Jayme Janeiro Rodrigues, na época servindo no 5º Regimento de Aviação, atual CINDACTA II, em Curitiba.

Em 19 de abril de 1944, foi criada a Federação Brasileira de Escoteiros do Ar, a qual congregava todos os Grupos Escoteiros da Modalidade, na época se restringindo aos Estados do ParanáRio de Janeiro e São Paulo. O Brigadeiro Nero Moura, em 26 de julho de 1951, então Ministro da Aeronáutica, reconhecendo a tamanha expansão registrada e seus valiosos objetivos, entre eles o de incentivar o interesse dos jovens pela aeronáutica, determinou que todas as unidades da Força Aérea Brasileira dessem total apoio à Modalidade do Ar, o que acontece até os dias presentes.

Em 1951 a Portaria 262 publicada pelo então Ministro da Aeronáutica Brigadeiro Nero Moura determina o apoio de todas as Unidades da FAB aos Escoteiros do Ar. Esta portaria foi reconfirmada em 1981 pelo Ten.-Brig. - do-Ar Délio Jardim de Mattos e reformulada e substituída pela portaria 914 de 29 de Setembro de 2003 pelo Ten.-Brig. - do-Ar Luis Carlos da Silva Bueno.

Escotismo Modalidade do Mar
Após um acampamento no Rio BeaulieuBaden-Powell redigiu "Escotismo do Mar para Rapazes", era uma pequena explanação do que deveria ser o escotismo o mar, ao final há uma nota que diz que seu irmão, Warrington Baden-Powell, montaria um manual para os escoteiros do Mar. Com o despreparo dos chefes da modalidade básica, surgiram novos chefes provindos da Guarda Costeira da Inglaterra, esses tinham conhecimento sobre as artes da marinharia. As primeiras uniões de Escoteiros do Mar na Inglaterra e no exterior foram: Mercúrio, 'British Boys', Petersham and Ham, Barry, Cleethorpes, Ratcliffe, Skegness, e Gibraltar.

Em 1910 foi definido o uniforme dos Escoteiros do Mar, branco diferente da modalidade básica caqui (naquela época). Em 25 março de 1911, estabelece-se escoteiros do mar como salva-vidas na costa, uma real necessidade da época. Em 1912 o "Escotismo do Mar e Marinharia para Rapazes" é publicado. Em 1921, Warrington Baden-Powell morre, mas o Escotismo do Mar já era realidade em vários países. E atualmente no mundo inteiro. Escotismo Modalidade do Mar, é uma das vertentes do Escotismo, tem como principal diferença das outras modalidades é que realizam suas atividades preferencialmente na água, onde quer que exista água em quantidade e profundidade suficientes para que uma embarcação possa navegar, seja ela de que tipo for.

Sendo assim podem existir Escoteiros do Mar, seja estar na água de mar, de rio, lago, lagoa ou pantanal. Procurando desenvolver nos jovens o gosto pela vida no mar, pelas artes e técnicas marinheiras, pela navegação à vela e a motor, pelas viagens e transportes marítimos, pela pesca, pelo estudo da oceanografia, pela exploração e pelos esportes náuticos, incentivando o culto das tradições da marinha. A gama de atividades que podem ser realizadas é enorme, indo da tradicional navegação a remo até mergulho ou windsurf.

- Me orgulho de ser um Escoteiro Básico, faço questão de manter digno no meu uniforme seja o caqui seja o traje que a Escoteiros do Brasil sepultou. Tenho enorme admiração pelos do Ar e do Mar. Se esmeram na apresentação, seus uniformes e fardas são impecáveis e dão enorme exemplo aos demais pelo seu garbo e boa ordem. Uma pena que o novo vestuário veio dar nova conotação na postura da vestimenta escoteira, nem sempre bem reconhecido pela comunidade em muitos estados brasileiros. Levamos anos e anos para dar a comunidade no Brasil uma postura escoteira conhecida de norte a sul. Agora vamos esperar até quando iremos ter novamente admiração pela nossa apresentação e pelo nosso garbo sem esquecer a nossa palavra, honra dignidade e caráter.

- Ao meu amigo Francisco Kainer Rinaldi, um legítimo Escoteiro do Ar que tenho enorme admiração, meu fraterno abraço e parabéns pelo incansável labor pela valorização e engrandecimento do Escotismo do Ar. “Rataplan-plan-plan, vamos cantar, estaremos Sempre Alertas Escoteiros do Ar”! E aos demais Escoteiros do Mar, muitos que um dia convivemos nesta aventura escoteira navegando em embarcações que nunca esqueci meu fraternal abraço e avante, como diz Rinaldi, meu amigo. – “Do infinito mar, na vasta imensidade, e sob a infinidade do esplendente azul Queremos educar a nossa mocidade fugindo a vida inerte, infenso, atroz, Paul, e quando vemos longe o torvelinho humano o próximo perigo, as almas nos desperta, ao nosso brado: Alerta! Alerta, Sempre Alerta! Responde-nos; Alerta! As vozes do Oceano”.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Conversa ao pé do fogo. Bajular é uma arte que não devia existir no Escotismo.




Conversa ao pé do fogo.
Bajular é uma arte que não devia existir no Escotismo.

Nota - Publiquei este artigo há muitos anos. Não foi bem recebido. Condenaram-me por escrever o que penso. O escotismo é tão perfeito que não existem bajuladores? Quando escrevo essas “pantominas” e esqueço minha veia de poeta, Muitos deixam de seguir meus escritos. Quem me segue sabe que escrevo de tudo, Historias, lendas, amizade perfeita, técnica, simbolismo e mística. Gosto também daqueles artigos que faço caçoada dos ditos ou não ditos pela Escoteiros do Brasil. Sem ofensas digo sempre. Afinal bajular é uma arte que não conheço e nunca pratiquei.

                         Amigos e amigas (nem todos) costumam comentar o que escrevo. Danadamente costumo tirar um “sarro” de vez em quando nos nossos dirigentes, mas ela sabe também que escrevo temas sérios. Não sou assim tão religioso, mas como espiritualista acredito no crescimento interno e externo de todos nós. Escotismo é minha paixão, amo demais e não comecei ontem. Afinal estou na sina de BP por mais de setenta e dois anos. Nestes tempos que dizem ser moderno eu um Velho Escoteiro das antigas gosto de fazer minhas comparações. Falo de “bajuladores”. Sei que existe em todo lugar, mas no escotismo? Somos ou não somos irmãos?  Dizem que primamos pelo cavalheirismo, com honra a verdade a ética e o caráter. Muitos perguntam: - É verdade? Temos bajuladores no escotismo? Vejamos o que dizem dos bajuladores: - É o ato de bajular, palavra que vem do latim bajulare, que significa adular servilmente. Não é difícil encontrar quem é foi ou conhece alguém que pratica a bajulação, essas pessoas são denominadas de puxa-sacos. O melhor exemplo de bajulador é o funcionário de alguma empresa que, na tentativa de ganhar a confiança, crescer na empresa e/ou obter um aumento no salário, concorda com tudo que o chefe diz e é o primeiro a rir da piada contada por ele ou um superior hierárquico.

                Há bajuladores conscientes, pois sabem que realmente são puxa-sacos. “Amado Mestre, meu incontestável Guru...” A figura do bajulador foi imortalizada por diversos personagens como o indefectível Rolando Lero, (Rogério Cardoso, excelente ator já falecido) da Escolinha do Professor Raimundo. Retrato da sociedade, onde sempre há alguém disposto a bajular, adular, lisonjear, rasgar elogios, normalmente para obter vantagem. Sabe aquelas pessoas que vivem elogiando, babando e servindo de capacho para outras, na ânsia de serem beneficiadas por tal comportamento? Pois é, vamos dar logo nome aos bois, são os insuportáveis bajuladoras de nosso dia a dia. Eles estão por toda parte: no escritório, na academia, no elevador, no curso de mestrado – sim, até lá. Trata-se de uma espécie que se multiplica, infelizmente. Pois bem, o puxa-saco, baba ovo, e seja lá mais o quê, tem em seu DNA a incapacidade, logo, precisa se colocar sempre na condição de adorador do outro para conquistar algo, seja pessoal ou profissionalmente. É patético, triste e banal, mas verdadeiro.

                     O pior é que muitos não sabem que carregam este comportamento em seu DNA e agem como se sua puxação de saco fosse à coisa mais normal da face da terra. Antídoto? Pessoas bem resolvidas, que não cultivem este tipo de gente por perto e que dê um basta a tanta melação. – pelo amor de Deus! Já dizia Shakespeare: “Aquele que gosta de ser adulado é digno do adulador”.  Alimentar este tipo de pessoa por perto pode ser desastroso – perigoso. Temos isto no escotismo? Muitos dirão que não - Deus me livre! Rs, rs. Mas é verdade? Não posso afirmar não estou mais na ativa em grupos escoteiros e regiões e da Nacional quero distância. Fico muito atrás de um computador como agora. Mas me disseram que tem. E como tem! Bem eu os vi no passado. Os baba ovos que queriam mais um taquinho, uma medalhazinha ou um carguinho qualquer nos distritos regiões e na própria EB. Achei que estavam em extinção, mas não. Eu pergunto por que puxar o saco no movimento Escoteiro? Não tem salário, dedica tempo que não tem, não sairá em capa de revistas e sempre será um eterno desconhecido. E olhe que o trabalho a ser realizado é super-cansativo.

                     O Puxa-saco gasta o que tem e o que não tem. Ele nunca será entrevistado pelo Bial ou o Danilo Gentili (os que foram devem ter se arrependido) e ainda são muito vigiados. Qualquer reclamação lá estão os politicamente corretos Escoteiros a patrulhar, desdizer e chamar sua atenção. Então não devíamos ter tais tipos. Dizem e eu concordo que o escotismo toma tempo, a gente gasta boa parte do nosso salário com tudo que fazemos e pagamos taxa para tudo e não somos devidamente reconhecidos pela comunidade educacional do Brasil. Portanto seria uma hipocrisia dizer que temos puxa sacos no escotismo. Rs, rs. Mas sei lá, pode ser que tenha. Eu não afirmo. Que os diga os meus amigos e amigas virtuais. Eles são as testemunhas que podem afirmar sim ou não. Eles estão ligados diretamente a grupos, distritos região e nacional. Eles é que podem dizer de alunos de curso baba ovo ou daqueles que vão a seminários, congressos e Assembleias só para aparecer e bajular.

                Vocês já viram um figurão sendo entrevistado na TV? Sempre tem um baba ovo atrás sorrindo e concordando. Estes são puxa sacos da gema. E aqueles que ficam horas e horas em frente ao espelho treinando o que dizer, como se portar quando encontrar o chefão? Deus do céu! O chefão diz para fazer isto ele vai correndo, o chefão tem sede ele corre e trás um copo d’água. Em cursos o que tem de puxa sacos não está no gibi. Eles querem a todo custo ser da corte, ser um formador, ser um grande Chefe e puxar o saco faz parte deste bajulador inveterado. Sonham em publicar no Face seu certificado e sua conta. Sabe que vai receber mil parabéns. Quando se realizam as atividades onde estão presentes os grandes formadores, os Velhos Lobos, os da casta dos lords lá estão eles, bajulando, concordando dando um tapinha nas costas e olhando com aqueles olhos de tartarugas da lagoa seca, sempre sonhando ser como eles. Muitos me garantem que no escotismo não temos estes tipos. Juram de pé junto. Bem eles sabem melhor que eu se existem ou não. Para mim fica o dito por não dito.

                 Eu só digo que aquele que gosta de ser adulado é digno do adulador. A bajulação é a moeda falsa que só circula por causa da vaidade humana... Vixe! Ainda bem que no escotismo temos uma maioria que corre disto. São chefes com C maiúsculo no sentido da palavra. Vocês os conhece só de ver sua postura, sua maneira de falar, suas ações e seus sorrisos. Mas não vamos deixar de saudar os puxa-sacos, pois não dizem que o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais? Risos. Puxa-sacos? Vivo a correr deles há anos!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Escotismo uma “Escola da Vida”.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Escotismo uma “Escola da Vida”.

- Quando li a obra do sociólogo Laszio Nagy, fiquei positivamente  surpreendido com várias indicações da influência africana e também indiana no escotismo através do seu criador, “BP”, codinome carinhoso dado a Robert Baden-Powell. Também impressionou, conforme avançava na leitura do 250 milhões de escoteiros, publicado pela União dos Escoteiros do Brasil, em 1987, a perspectiva não autoritária da proposta educacional Escotista – o que até contradiz a cultura militar e imperialista britânica onde estava inserido “BP” e a exteriorização (que pode ser interpretada como) para-bélica do movimento, através de certos elementos, como o uso de uniformes, distintivos, cultos cívicos, denominações como “patrulha”, “tropa” e outras caracterizações e atividades que parecem inspiradas nas tradições castrenses e no treinamento de cadetes de forças armadas.

Mas foi exatamente o jovem general Baden-Powell, como anota Laszio, em sua personalidade pragmática, tolerante, liberal, artística (era desenhista, escultor, ator de teatro, etc.) e, sobretudo, autocrítica, de um humor compassivo, de sutil ironia, quem gestou um movimento juvenil além-fronteiras e antidogmático – embora sempre solapado por “seguidores” e dissidentes que compreenderam (e ainda há quem compreenda) o escotismo como algo autoritário e ossificado. E, então, da ideia “baden-powelliana” de que atividades coletivas ao ar-livre seriam benéficas a todos os jovens, em especial aos “urbanizados”, se transformou, em muitos casos, em um disciplinamento reacionário, pela submissão, ideologicamente conservador.

                        Na autobiografia de “BP”, Lições da Escola da Vida, publicada pela Editora Escoteira brasileira, em 1986, há uma ilustração paradigmática feita pelo próprio “Pai do Escotismo”: enquanto cadetes empertigados marcham com passos exagerados sob um comandante que vocifera a suas costas – uma caricatura zombeteira de típica postura militarista –, jovens escoteiros agachados em frente ao seu fogão improvisado, cozinham seus alimentos olhando de soslaio, um tanto espantados, aquela manifestação de formalismo rígido, violento, machesco. Na legenda, lê-se: “O escotismo não tem NADA de comum com uma escola de soldados”. No mesmo livro, “BP” conta que vários elementos associados ao escotismo foram criados não pra reproduzir a tal “escola de soldados”, e sim como estratégias de agregação dos jovens, caso da vestimenta típica: “O uniforme é uma grande atração para o menino e porque se assemelha ao traje dos mateiros [ou seja, homens que se embreiam em selvas], leva-o em imaginação a sentir-se ligado a esses heróis da fronteira [civilizacional], que tanto o fascinam; favorece também a fraternidade, uma vez que, adotado por todos, nivela os sinais exteriores das diferenças de classe e origem; é simples e higiênico (o que hoje em dia está em moda [primeiros anos do século XX]) e se aproxima do traje de nossos ancestrais [os antigos bretões, terra de ‘BP’].”.

                      Ao final do clássico manual Escotismo para Rapazes, editado pela mesma Editora Escoteira, em 1975, está à mensagem que “BP”, já quase encerrando sua “jornada pela vida”, quis deixar aos jovens escotistas. Ao cabo dessa “carta derradeira”, onde ele se compara ao capitão Gancho, o vilão ao mesmo tempo cruel e romântico da história de Peter Pan, referindo-se ao chefe pirata que estava sempre a fazer seu discurso de despedida a seus marujos marginais, “temendo que, ao chegar a hora de morrer, não tivesse tempo, talvez, de pronunciá-lo” – demonstrando assim que sua veia auto irônica. De grande bom-humor estava intacta em seus mais de 80 anos –, Baden-Powell não assina este documento histórico como “general”, nem mesmo “chefe” ou algo que o valha, mas, singela e significativamente, como “do amigo”. Não há exortações pela manutenção de alguma disciplina rígida, por algum tipo de autoflagelo, de educação pela dor e obediência cega, mas o incentivo à “curtição da vida”, pelo saber, em suas próprias palavras, “saborear a vida”, sendo felizes da maneira mais fundamental e duradoura, ou seja, “proporcionando felicidades aos outros” – a todos, à humanidade e ao planeta e universo miraculosos que nos contém, sendo uma grande estupidez qualquer tipo de soberba, de “adestramento à guerra”, que, em suma, é sempre uma agressão, uma agressividade a outros seres.

No escotismo, seguindo-se o espírito de “BP”, o lema “Sempre Alerta” ou “Esteja Preparado” é em relação à paz, à fraternidade e respeito às pessoas em todas as suas dimensões individuais e grupais. O sucesso do escotismo entre os jovens, segundo Laszio, comentando os anos fundamentais do escotismo deriva-se de ser um processo educativo lúdico, do jogo, da integração ao ambiente natural. “Os primeiros escoteiros descobriram o prazer do auto-desenvolvimento e da autoeducação, sem punições e outras limitações normais impostas por rígidas convenções sociais.” “A ideia de servir, posta em prática pela procura de fazer uma boa obra, diariamente, tornou-se uma forma de vida”. Era um mundo à parte, da disciplina severa e de ordens incontestadas, emitidas por rigorosos mestre, ou pais. Foram os próprios jovens, com seu comprometimento e entusiasmo, que representaram a maior força do Movimento. Eles foram atraídos a uma forma de vida que desconheciam na escola, em casa ou a igreja, e o compromisso por eles espontaneamente aceitos, como o famoso código de honra escoteiro, foi um elemento inestimável do Ativo [aspectos positivos do movimento]. Um modelo tinha sido estabelecido, que serviria, para sempre, como um princípio diretor, a despeito de mudanças estruturais e organizacionais inevitáveis através dos anos. (...) as dificuldades e problemas foram causados por adultos e não por jovens. A folha de Balanço, portanto, não estava isenta de Passivo.

domingo, 6 de outubro de 2019

Conversa ao pé do fogo. “Pergunte aos jovens”.




Conversa ao pé do fogo.
“Pergunte aos jovens”.
Impossível sem “Im” e “Ask the Boy”! (pergunte ao menino).
Trechos escritos por Baden-Powell.

Nota: - Baden-Powell calou-se para escutar os Rapazes, para deixar os Rapazes serem Rapazes. Uma das histórias é a que relata a tarefa arriscada do jovem Rowan, de entregar uma carta a Garcia, chefe de um grupo rebelde em Cuba. Apesar do risco, sem questionar, Rowan avança e cumpre a missão. BP termina esta história com a seguinte frase: “Não tenhais medo de errar"… "Quem nunca errou nada fez”. Escutar as ideias dos jovens – “Ask the Boy” (pergunte ao menino), até as mais “estapafúrdias”, ser capaz de embarcar nas suas aventuras mesmo que estas pareçam irrealistas, acreditando nelas, serão dos atos mais ousados do Chefe Escoteiro.

- Escutar as ideias dos jovens – “Ask the boy” (pergunte ao menino). “Até as mais estapafúrdias” ser capaz de embarcar em suas aventuras mesmas que estas pareçam irrealistas, acreditando nelas, serão dos atos mais ousados do Chefe Escoteiro. BP desafia: - “Confiemos nos jovens” vê-los-emos “institucionalizar” a sua Patrulha, o seu grupo, o seu escotismo e mais tarde o seu mundo”. Baden-Powell.

 Baden-Powell - um contador de histórias
BP ofereceu-nos muitos dos seus ensinamentos através de histórias. O Escotismo para Rapazes é quase todo ele um livro de histórias. Por isso BP intitulou as partes deste de “Camp Fire Yarn´s”, que numa tradução livre pode significar “Histórias de cordel, contadas à volta da Fogueira”. Uma das histórias é a que relata a tarefa arriscada do jovem Rowan, de entregar uma carta a Garcia, chefe de um grupo rebelde em Cuba. Apesar do risco, sem questionar, Rowan avança e cumpre a missão. BP termina esta história com a seguinte frase: “Não tenhais medo de errar"… "Quem nunca errou nada fez”.

É natural que, em educação, possam surgir circunstâncias em que haja tendência para se diferenciar de muitas das ideias dos jovens. O pensamento é de que isto pode conduzir ao erro e que, por isso, devem ser impedidos de levá-las à prática. - Ora, na singularidade que caracteriza a educação no Escotismo, talvez seja prudente que o Chefe Escoteiro pare para refletir antes de ser protagonista de “nãos” aos projetos dos jovens.

- É na referida história, que BP incita os rapazes a retirarem o “Im” da palavra Impossível. Não caia o Chefe Escoteiro no erro, esse sim grave, de ser agente da impossibilidade! Escutar as ideias dos jovens – “Ask the Boy” (pergunte ao menino), até as mais “estapafúrdias”, ser capaz de embarcar nas suas aventuras mesmo que estas pareçam irrealistas, acreditando nelas, serão dos atos mais ousados do Chefe Escoteiro. BP desafia: “Confiemos nos jovens! Vê-los-emos «institucionalizar» a sua Patrulha, o seu Grupo, o seu Escotismo… e mais tarde o seu Mundo”.

BP cria condições para que as crianças e jovens aprendam com erro: “Todo o Escoteiro tem de começar como Pata-Tenra e cometer alguns erros no princípio… A criança quer estar a fazer coisas… Deixai-a cometer os seus erros; é por meio destes que ela ganha experiência”.

O erro no ato de aprendizagem
Tenho gratas recordações da relevância que as Fases de Avaliação dos Projetos Escoteiros realizados tiveram na retificação de erros cometidos. Sem eles e sem a possibilidade de refleti-los, o “aprender fazendo” teria ficado aquém das suas potencialidades. Há quem afirme que só pelo erro se consegue aprender. Ele está na base da aprendizagem da criança de tenra idade. É essa aprendizagem, no mundo da tentativa do erro, que firmará habilidades intelectuais e motoras que a acompanharão para sempre. Como afirma o filósofo da ciência Karl Popper: - “O novo princípio básico é o de que para aprendermos a evitar tanto quanto possível os erros, temos de aprender precisamente com eles. Encobrir os erros constitui… o mais grave pecado intelectual”.

Educar-se a si próprio
Deixar que o Escoteiro amadureça pela própria experiência, mesmo que ela possa ser “desastrosa”, surge como um dos desafiantes atos de confiança do Chefe Escoteiro na missão do Escotismo. Uma das novidades educativas do Método Escoteiro centra-se no conceito de que cada Rapaz possui capacidade de se educar a si mesmo, desde que devidamente estimulado para tal. Esta novidade terá nascido na mente do Fundador ao ler educadores como Johann Pestalozzi, Friedrich Fröbel e Maria Montessori.
Diz BP: “O princípio segundo o qual o Escotismo funciona é o de que se estudam as ideias do jovem, que é instigado a educar-se a si próprio, em vez de ser instruído”. E eu mero aprendiz de Baden-Powell pergunto: Estamos dando a possibilidade de o jovem dar sua opinião? Estamos praticando democracia com eles? Mas não basta falar, tem de saber ouvir e praticar!

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

DIA DO LOBINHO, QUEM JÁ FOI NUNCA MAIS ESQUECERÁ!




DIA DO LOBINHO, QUEM JÁ FOI NUNCA MAIS ESQUECERÁ!

Quem já foi lobinho, daqueles saltitantes, gritantes, fazendo travessuras, e que ama sua Akelá, pensa dia e noite no Balu e na Bagheera, não se esquece da Raksha e da Kaa, sonha com a alcateia a gritar Lobo! Lobo! Lobo! Sabe como é maravilhoso ser um lobinho ou uma Lobinha. Com a mente voltada para uma reunião, uma próxima excursão, o próximo acantonamento para não esquecer jamais. Hoje se comemora o dia dos lobinhos em todo o Brasil. Quem sabe em todo o mundo. São Francisco de Assis reconhecido pelo apreço a natureza e conhecido com o santo patrono dos animais e meio ambiente é o patrono dos lobinhos.

Que todos os lobos ao fazerem seus próximos Grandes Uivos lembre-se que ser lobinho é demais é grandioso e que nunca esqueçam que a Promessa do lobinho é para sempre.

PARABÉNS A TODOS OS LOBOS, PARA VOCÊ DA ALCATÉIA DE SEEONEE UM GRANDE ABRAÇO E UM APERTO DE MÃO PELO SEU DIA DEIXANDO VIBRAR NO AR UM GRANDE E ESPETACULAR “MELHOR POSSÍVEL”!

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Inspeção de Gilwell.




Inspeção de Gilwell.

Nota – Não faça ele (o chefe) muito daquilo que compete aos próprios rapazes, e assegure-se de que eles o fazem. «Quando quiserdes que uma coisa se faça, não a façais vós» é a divisa apropriada. Acampados ou não, os Escoteiros têm sempre o hábito da arrumação. Se não fores arrumado em casa, não o serás no acampamento; e se não fores no acampamento, não serás um Escoteiro a valer, mas um simples pata-tenra. O acampamento é uma oportunidade para o Chefe exigir asseio sob condições aparentemente difíceis. BP.

- Inspeção de Gilwell faz parte da rotina para escoteiros seniores e porque não dizer até de chefes em acampamentos ou reuniões de tropa. Por diversas vezes quando Akelá as introduzi no Lobismo. Conheci Patrulhas que dificilmente se achava algum fora do lugar, panelas sujas, campo com objetos que nada demonstram ter nascido ali. A corte de honra sempre determinava como ia ser a inspeção do dia e todos se preparavam para conseguir obter os padrões recebendo uma bela flâmula ou um Totem ricamente preparado. Espero que o artigo sirva para dar luz de como fazer e agir em uma Inspeção de Gilwell. Sucesso aos patrulheiros hoje amanhã e sempre!

Tive a honra como escoteiro, sênior, pioneiro e Chefe participar de centenas de Inspeções em minha vida escoteira. Vivi com orgulho toda sua fase desde a espera do Chefe até os comentários quando do cerimonial de bandeira, onde não faltavam elogios e nunca uma reprimenda. Quem sabe uma flâmula ou um totem ricamente escrito em um belo couro feito pelo Chefe. Acho que fui um dos primeiros a introduzir também a inspeção pelos monitores no campo da chefia, onde orgulhosamente eu e os chefes esperávamos os monitores que sorridentes nas suas poses faziam a inspeção com galhardia. Sei que muitos dos chefes que estão lendo conhecem bem uma Inspeção de Gilwell. Porém muitos novos ainda não a praticaram como escoteiro ou como Chefe. Para eles dedico este artigo. Afinal onde entra o amor, o coração o respeito e a dignidade entre os chefes e seus escoteiros só tende a crescer e dar certo.

HISTÓRICO:
Desde os primórdios do escotismo que as inspeções fazem parte de seu Método Educativo, quer seja como colaborador na formação do caráter, no desenvolvimento do garbo e da disciplina ou até como fator organizacional. Pelo seu nome "Inspeção de Gilwell" podemos dizer: Que são as inspeções com características daquelas utilizadas e formuladas em Gilwell Park (consideradas por muitos como "a Meca ou o Norte" do Escotismo). Todos os Cursos Avançados em Gilwell Park eram elaborados e executados com inúmeras peculiaridades que colaboravam para a formação dos adultos, dando suporte para o seu trabalho educativo. Uma destas peculiaridades seriam as Inspeções, um mecanismo muito utilizado por Baden-Powell para enfatizar alguns dos aspectos comentados no início deste texto. Habitualmente ouvimos inúmeros outros termos como referência para estas inspeções, e adotando o nome de Inspeção de Gilwell a muitas coisas que não fazem parte dela, contudo, não temos o intuito de engessar o seu conteúdo fazendo o que se fazia no passado, mas norteando nossos acampadores e aventureiros naquilo que seja realmente pertinente e importante para o processo educativo do jovem.

OBJETIVOS EDUCACIONAIS:
Como elemento de apoio educacional é utilizado no Método escoteiro e no Programa de Jovens, trabalhando alguns temas, tais como:
- Ajudando a trabalhar a higiene pessoal e do ambiente em que vive;
- Evidenciando o garbo e a disciplina, requeridos na preparação e durante a atividade;
- Trabalhando a união e a cooperação coletiva, vivenciados pelos jovens integrantes da pequena comunidade (patrulha);
- Motivando a criatividade, democracia e as atividades físicas:
- Criando hábitos, introduzindo noções e estabelecendo medidas.

CARACTERÍSTICAS:
As inspeções servem para conferir e aprimorar quesitos de higiene, manutenção e arrumação durante acampamentos e similares. Porém podem ser empregadas na sede ou no canto de patrulha, com a finalidade de instrução ou averiguação dos equipamentos sob a guarda da Patrulha. São destinadas principalmente aos Ramos Escoteiro e Sênior e devem ser praticadas também nos cursos oferecidos aos Escotistas para aprimorar seus conhecimentos. A Inspeção deve ser positiva e bem feita, sem sensibilidades, porém, com uma atitude delicada para não ofender ou ferir. Também deve ser imparcial e progressiva.

Se há número suficiente de pessoas na Equipe de Escotistas, distribua entre eles partes ou itens da inspeção, por exemplo: inspeção das pessoas (uniformes, aspecto, higiene), cozinha, barracas, material individual, construções e etc. Deixe os membros de a Equipe visitarem as Patrulhas separadamente, pois assegura que toda a tropa esteja simultaneamente sob inspeção e nenhuma Patrulha fica esperando, ociosa ou tente completar trabalhos de última hora. As críticas, comentários devem ser feitos às Patrulhas na hora da inspeção. Uma boa opção para as tropas com poucos escotistas (um ou dois) seria o agendamento de Inspeções, isto é, marcar durante o dia quando cada patrulha será Inspecionada (não se esqueça de fazer um rodízio destes horários). Conforme o acampamento for progredindo, ponha os monitores dentro da Cena, por exemplo: os monitores acompanham os membros da Equipe de chefes, as Patrulhas inspecionam umas as outras, ou forme Patrulhas mistas para inspecionar locais designados.

O método de outorgar diariamente flâmulas de eficiência, usados por muitos anos em Gilwell produz bons resultados. Para isso é necessário simplesmente fixar um padrão para cada dia e outorgar uma flâmula a todas as Patrulhas que alcancem este padrão. A tropa deve ser incentivada a alcançar um padrão ou nível, e não a se classificar por ordem de mérito ou simplesmente atrás de uma flâmula. As Inspeções servem para incentivar e jamais desencorajar. Elogie antes de criticar e só critique construtivamente. Tenha como alvo um alto padrão, mas nunca a uniformidade. As patrulhas devem ser incentivadas a preservar a sua própria maneira de tratar o local e o equipamento, desde que estejam dentro dos limites corretos. Iniciativa e individualidade (não confundir com individualismo) são valorosos quando contribuem para o bem comum.

APRESENTAÇÃO:
Quando da realização das inspeções, a Patrulha fica a espera dos chefes em frente ao Pórtico de entrada de seu Campo de Patrulha, e é rotina uma alegria nestas horas onde ficam cantando ou conversando sobre o que cada um fez para merecer estar ali. Lembrem-se os jovens respeitam a justiça e tem um sentimento real da imparcialidade.
Bom acampamento e uma ótima inspeção com o sorriso de todos.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Origens do nome Gilwell Park.




Origens do nome Gilwell Park.

- O prefixo “Gill” vem de uma palavra do inglês antigo que significava: Vale ou depressão. O sufixo “well” vem do inglês antigo “wella”, que significava nascente ou ribeiro. Assim, Gilwell seria um vale com uma nascente ou ribeiro.

Gilwell... Um nome. 
O mais antigo registro de terras pertencentes ao Parque de Gilwell (ou Gilwell, como se escrevia antigamente) remonta a1407, quando faziam parte da Paróquia de Waltham Abbey. O seu proprietário era John Crow, que chamava às suas terras “Gyldiefords”. As terras mudaram de dono poucos anos mais tarde e, como era hábito na época, o novo dono (Richard Rolfe) alterou o nome das terras para “Gillrolfes”, usando o seu próprio apelido.

Gilwell… um parque com história.
Ao longo dos vários séculos, as terras que hoje constituem o Parque de Gilwell mudaram de proprietário diversas vezes, tendo sido agregadas e divididas várias vezes. Na década de1730, as terras de Gilwell foram guarida para um.
Místico salteador inglês, Dick Tupin. Em1793, a família Chinnery mudou-se para Gilwell, tendo sido os mais importantes ocupantes do parque. Esta família era um modelo da alta sociedade londrina, dinâmicos, enérgico se ligados às artes. William Chinnery, um jovem ambicioso com um rápido sucesso profissional foi agregando à propriedade outros terrenos ao redor que iam aparecendo para venda.

Margaret Chinnery transformou os terrenos em magníficos jardins e decorou o edifício principal a rigor, organizando frequentemente serões chamando, assim, as atenções da alta sociedade. Até os membros da família real eram frequentadores de Gilwell, como o Rei Jorge III, o Príncipe Regente e o Duque de Cambridge.

Ao longo dos vários séculos, as terras que hoje constituem o Parque de Gilwell mudaram de proprietário diversas vezes, tendo sido agregadas e divididas várias vezes. Na década de1730, as terras de Gilwell foram guarida para um místico salteador inglês, Dick Tupin. Em1812 foram descobertos os estratagemas fraudulentos que William Chinnery usava para desviar enormes quantias de dinheiro dos cofres do reino e assim alimentar a glamorosa vida social da família, tendo-lhe sido confiscado o Parque de Gilwell. Gilwell foi posto à venda através de um leilão, mas, por causa do escândalo com os anteriores donos, só foi comprado em1815, por Gilpin Gorst, pelo preço de 4940 libras.

A propriedade voltou a mudar de dono várias vezes. Em1858 foi comprada por William Gibbs, um industrial excêntrico, poeta e inventor. “A sua invenção de maior sucesso foi o creme dental Gibbs”, produzida na sua própria fábrica. Após a sua morte, em1900, mulher e filhos viram-se incapazes de manter a propriedade em boas condições, dados os elevados custos de manutenção, acabando por vendê-la.

Escoteiros compram Gilwell Park.
William Frederick de Bois Mac Laren era um generoso empresário escocês bem sucedido e também escoteiro, sendo Comissário Distrital (dos escoteiros) na Escócia e grande amigo de BP. William Pertencia ao clã escocês dos Maclaren, que remonta ao século XIII, cujo Tartan encontramos no Lenço de Gilwell. Faleceu em Junho de 1921. Numa visita que fez a Londres, Maclaren impressionou-se ao ver os escoteiros londrinos fazerem as suas atividades em ruas e terrenos baldios. Em Novembro de 1918, Maclaren contatou BP, manifestando-lhe o seu desejo de comprar um campo escoteiro para a associação, que ficasse perto de Londres e acessível aos escoteiros da parte oriental da cidade.

B-P falou nesta ideia a Percy Bantock Nevill, na época Comissário para Londres Oriental. Ainda em Novembro, Maclaren e Nevill juntaram-se para discutir o assunto e, após estudar várias opções, acordaram em procurar uma propriedade em Hainault Forest ou em Epping Forest, tendo Maclaren oferecido sete mil Libras para a compra.

Vários grupos de pioneiros procuraram propriedades em ambas às áreas durante algum tempo, sem sucesso, até que, um dia, o dirigente John Gayfer sugeriu a Nevill o Parque de Gilwell perto da vila de Chingford, onde costumava ir observar aves, e que estava à venda. Nevill visitou o local e ficou bem impressionado, apesar do aspecto deplorável em que se encontrava o parque. A propriedade, com um total de pouco mais de 214 mil metros quadrados, estava à venda por exatamente sete mil libras. B-P visitou o local no dia 22 de Novembro.

Feita a compra, Nevill levou para Gilwell os seus Pioneiros, na Quinta-feira Santa de 1919, para começarem uma operação de limpeza e recuperação durante as férias da Páscoa. Os edifícios estavam degradados e a vegetação desgovernada cobria os terrenos. Na primeira noite descobriram que os terrenos eram demasiado úmidos para montar tendas, por isso ficaram numa velha cabana de jardinagem que batizaram de “The Pigsty” (pocilga, chiqueiro), que ainda hoje existe.

As despesas com a recuperação do edifício principal foram subestimadas, mas Maclaren, entusiasmadíssimo com os trabalhos, doou mais 3 mil libras. Durante vários fins-de-semana, Escoteiros e Pioneiros deslocaram-se ao Parque de Gilwell para participar dos trabalhos. Em Maio de 1919, Francis Gidney foi nomeado Chefe de Campo, orientando de forma mais consistente e direcionada os trabalhos de recuperação. A inauguração oficial do Parque de Gilwell deu-se a 26 de Julho de 1919. A esposa de Maclaren cortou as fitas e o próprio Maclaren foi condecorado por B-P com o Lobo de Prata. O parque evoluiu muito desde 1919 até hoje, com novas construções, reconstruções e marcos importantes.

Formação de dirigentes.
B-P deu os primeiros passos na formação de dirigentes, organizando palestras no.
início da década de 1910. Era evidente que esta formação era demasiado teórica e era necessária uma vertente mais prática, só possível com um local adequado. B-P convenceu Maclaren de que o Parque de Gilwell era suficiente para albergar também um centro de formação de dirigentes.

Gilwell e a Insígnia de Madeira.
Na história do Escotismo, o Parque de Gilwell e a Insígnia de Madeira têm um lugar de destaque pela sua longevidade e importância no Movimento. O parque é um local místico que todos os Escoteiros procuram visitar quando vão à Inglaterra, sempre repletos de jovens e adultos nas mais diversas atividades. Foi aqui que surgiu a Insígnia da Madeira, no curso de formação de dirigentes que, entretanto, se espalhou pelo mundo.

Seguindo as linhas orientadoras definidas por BP, Gidney dirigiu o primeiro curso de formação de dirigentes em Gilwell, de 8 a 19 de Setembro de1919, com 18 formandos. Fizeram parte dos conteúdos temas como organização de patrulhas pioneirismo, faca e machado, formaturas, marcha, bandeiras higiene e saúde em campo, latrinas, fogueiras, tendas, campismo, pontes, fauna e flora, Morse e homógrafo, pistas, jogos, medição de distâncias, mapas, etc. o curso foi um sucesso, ficando conhecido como curso da “Insígnia de Madeira”, devido à certificação que era dada a quem o concluísse.

Nos primeiros cursos, os formandos eram divididos em patrulhas e aprendiam como treinar os seus rapazes através de jogos. As atividades práticas, ao ar livre, eram a parte principal.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Histórias e místicas das Contas de Madeira.



Histórias e místicas das Contas de Madeira.

Nota – Publiquei ontem um artigo sobre essa mística tão desejada por muitos dos Chefes Escoteiros do Mundo. Com esse artigo encerro o tema. Sempre Alerta.

- A Insígnia de Madeira e suas contas são importantes na mística escoteira. Receber as contas da IM e sua sequencia como dirigente de cursos faz parte do desejo de muitos chefes em todo o mundo. É considerado uma honraria ter as três contas para ser um DCB (Diretor de Curso Básico) e quatro contas para ser um DCIM (Diretor de curso da Insígnia de Madeira). Tais honrarias se originam de Gilwell Park. Muitos sonham em chegar lá. Acreditam que podem ajudar na formação de chefes e aqueles que conseguem o Titulo máximo se sentem honrados com tal distinção. No passado os DCC (deputado Chefe de Campo) e AKL (Akela Líder) eram considerados os mestres escoteiros e muitos chamados de Velho Lobo, uma terminologia oferecida aos grandes navegadores e homens do mar, tal qual o Lobo do Mar. O Almirante Benjamim Sodré foi um dos precursores a receber este título. Tenho um artigo sobre ele já publicado.

- Com a implantação em Gilwell Park de cursos escoteiros, foram adicionadas contas para designar o grau de formação do Chefe portador da Insígnia. Interessante notar que as contas originais não eram simétricas, variando de tamanho e espessura, o que é natural vez que o Colar de Dinizulu (o IziQu) foi feito a mão. Nota-se que as contas que serviram de base para a produção das réplicas eram menores do que aquelas utilizadas atualmente. De todo modo a Insígnia de Madeira padrão possui duas contas. À medida que o Chefe se forma nos cursos padronizados pode ser escolhido para participar como membro da Equipe de Formação. Três contas como DCB e conforme seu desenvolvimento e necessidade pode ser escolhido como DCIM recebendo a quarta conta.  

- Conta-se que só existem duas Insígnias de seis contas. A primeira usada pelo próprio Baden-Powell. Além dele foi seu amigo próximo desde o tempo do Acampamento de Brownsea Sir Percy Everett que recebeu a honraria pelo próprio B-P como um presente de reconhecimento pelos bons serviços prestados à causa. A Insígnia de Madeira com seis contas de Sir Percy Everett, foi doada ao Movimento Escoteiro para ser usada pelo Escotista que exercesse o cargo de Diretor de Campo de Gilwell Park. Existe uma dúvida que muitos perguntam. - Se temos uma Insígnia de três quatro e seis contas não deveria haver uma de cinco contas? Ela existiu sim, era dada exclusivamente para os chefes Escoteiros especialmente designados para levarem o Curso da Insígnia de Madeira para seu respectivo país. Recebia o título de “Deputy Chief of Gilwell Park” sendo considerado um representante de Gilwell naquele país. Segundo Peter Ford, do Departamento de Arquivos de Gilwell Park, não existe um registro fidedigno de quais chefes tiveram o direito de usar a IM com seis contas.

- Francis Gidney o primeiro Chefe de Campo de Gilwell Park de 1919 a 1923 e diretor do primeiro curso da Insígnia de Madeira em setembro de 1919 não deixou nenhuma anotação dos seus cursos. Durante a gestão de Francis Gidney fizeram o curso em Gilwell os seguintes escotistas de destaque: o Padre Jacques Sevin, fundador da Scouts de France (percursora da atual Scouts et Guides de France), e que dirigiu o primeiro Curso de Insígnia de Madeira da França, em 1923, em Chamarande nas proximidades de Paris; o chefe C. Miegl, que dirigiu o primeiro Curso de Insígnia de Madeira da Áustria, entre 8 e 17 de setembro de 1922; e por fim, o chefe Jan Schaap que dirigiu o primeiro Curso de Insígnia de Madeira da Holanda, em julho de 1923.  Apesar do pioneirismo de cada um, conforme dito anteriormente, não há registro de que eles tenham recebido o título de Deputy Camp Chief, nem que tenham usado a Insígnia de Madeira com cinco contas. Talvez o caso mais famoso envolvendo a Insígnia de Madeira com cinco contas seja o de William “Green Bar Bill” Hillcourt, da Boy Scout of America (BSA). O que ocorreu foi que demorou muito tempo para que o Curso de Insígnia de Madeira fosse adotado pela BSA.

- As primeiras tentativas, tanto por Francis Gidney quanto por John Skinner Wilson, de implantar o curso nos Estados Unidos, não lograram êxito como nos demais países. O próprio William Hillcourt só recebeu a sua Insígnia de Madeira quando fez o curso em 1936, dirigido por John Skinner Wilson no Schiff Scout Reservation, em Nova Jersey, USA. Nessa época a Insígnia de Madeira com cinco contas já não era mais utilizada, e o cargo de Deputy Camp Chief (D.C.C.) já havia sido extinto. Após isso, demorou mais de uma década para que ocorresse, o primeiro Curso de Insígnia de Madeira da BSA. Isso não só por conta da eclosão da Segunda Guerra Mundial, mas principalmente devido a dificuldades de adaptação. Por fim, o curso acabou acontecendo em 1948, quase 30 anos depois dos primeiros cursos de Gilwell Park. Todavia, apesar do uso da Insígnia de Madeira com cinco contas ter terminado quase vinte anos antes, William Hillcourt, sempre alegou que deveria tê-la recebido, por ter sido o diretor desse primeiro curso promovido pela BSA.

- Importante lembrar além das contas do Anel de Gilwell. Pergunta-se muito quem foi o autor deste Anel. Dizem que foi Bill Shankley, que com 18 anos era um dos dois funcionários permanentes de Gilwell Park. Utilizou o nó “cabeça de turco” da época que os marinheiros faziam formas decorativas com cordas como hobby. Empregou originalmente uma correia de couro de máquina de costura. Apresentou sua ideia ao Chefe de Campo que a aprovou. Isto tudo no início da década de 1920.

                          Não podemos deixar de ressaltar também o pioneirismo dos Chefes George Edward Fox, que era inglês, e que foi o primeiro portador da Insígnia de Madeira a atuar no país (ele fez o curso em Gilwell Park e recebeu a Insígnia entre 1921 e 1924), e do Chefe David Mesquita de Barros, que era português, e que fez o curso de Insígnia de Madeira em 1929, em Capý na França. Atualmente há uma orientação de que o uso de mais de duas contas na Insígnia de Madeira deve estar vinculado à realização do curso correspondente naquele ano, e assim mesmo, apenas pelo chefe diretor desse curso. Por outro lado, existe ainda uma forte tendência em Gilwell Park no sentido de se utilizar a Insígnia de Madeira com apenas duas contas, inclusive para os chefes que venham a dirigir algum curso de formação.

                                Apesar disso é sempre bom recordar o ensinamento de Baden-Powell no sentido de que a Insígnia de Madeira é o grau de formação mínimo para que um chefe escoteiro possa exercer um trabalho de qualidade à frente de uma tropa escoteira. Mas muito mais importante do que o objeto em si, que é apenas um símbolo, é o que ele representa, ou seja, a qualidade da formação do seu portador, bem como a busca constante pelo aprimoramento por parte do Escotista. No escotismo as tradições e místicas são pródigas em tudo que temos e fazemos para desenvolver o escotismo junto aos jovens. Perder tudo isto sem informar a todos os novos chefes que chegaram ou estão chegando seria um desserviço prestado a memoria escoteira.

Místicas e tradições fazem parte do nosso Histórico Escoteiro Mundial. Baden-Powell foi feliz em deixar para nós uma “pitada” de nossas tradições, onde sempre em uma escala de valores nos mostrou que podemos aprender ensinar e como viver entusiasticamente grandes valores e princípios de ideais. Aqui uma pequena parte de tradições e místicas que nunca serão esquecidas