Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Conversa ao pé do fogo. Existem limites para continuar?



Conversa ao pé do fogo.
Existem limites para continuar?

... – Transcrito de uma observação de um amigo em uma publicação minha: - Infelizmente, chefe, se tendência a isso... Vida longa aos tradicionais (?). Escoteiros de verdade ainda firme na sua uniformização. Hoje vejo aquela “roupinha” ridícula, de meias vermelhas, tênis amarelo, lenço sem arganel, camisa fora da calça, cabelos verdes, amarelos, tri... Penta, hexa cor. Uma tropa horrorosa, desleixada e que sem nenhuma técnica ou Lei Escoteira no coração vão fazendo escotismo por alguns meses, pois logo saem para nunca mais voltar...

- Às vezes eu me pergunto... O que estou ainda fazendo aqui? Vale a pena minhas crônicas minhas histórias no seio da Patria Amada Escoteira do meu Brasil? Não seria melhor me abdicar dos meus pendores se é que tenho algum, dos meus amores, da minha admiração dos meus velhos tempos e esquecer que ainda sou um Escoteiro do Brasil? Por escolha pessoal não tenho laços com nenhum Grupo Escoteiro, não sou convidado para nenhuma atividade em nível distrital regional ou nacional e não tenho vínculos com a associação escoteira que amei. A União dos Escoteiros do Brasil é agora uma sombra do que foi. De união partiu para ser uma só entidade. Escoteiros do Brasil. Tudo se resume a grandiosidade, agride a fraternidade com esta pujança de ser a melhor. Somos tantos, temos tanto, e de tanto em tanto se esqueceu do seu papel fundamental: - Formar jovens dentro dos princípios educativos que propôs o Líder Escoteiro Robert Baden-Powell.

Cansa, e se cansa estou cansado demais para ver tanta mediocridade que nesta época os novos pedagogos e pensadores (eles existem?) dão a bula de como fazer o escotismo moderno nos  dias de hoje. Que me desculpem os arautos do saber. Os jovens hoje em sua maioria são massa de manobra nas mãos de ecléticos donos do poder que acreditam saber qual o melhor caminho a seguir e o caminho a evitar sem perguntar, sem pesquisar e ver se os resultados foram os esperados. Eles os paladinos da nova geração salpicam a sua maneira onde está o futuro que devemos buscar, e para isto tomam as rédeas sem ao menos ser amistoso com aqueles que como ele se preocupam se este seria o caminho para o sucesso.  

Não serve como fonte as conversas, as anotações, os comentários, as postagens nas redes sociais para saber se estamos seguindo o caminho correto. Posso estar enganado, mas boa parte dos dirigentes dos Grupos Escoteiros, dos chefes, preferem ficar em OF e fazerem seu trabalho sem alarde, sabendo que o escotismo é para os jovens e é este o caminho a seguir. Eu na minha ingenuidade às vezes pergunto aos demais: - Os jovens foram consultados? Seria este o escotismo moderno que escolheram e adotaram como linha de vida no seu crescimento individual no seu crescimento escoteiro? Costumo ficar boquiaberto com o que leio pensando se é assim que devemos fazer escotismo. Cada um oferece para dar testemunho na sua maneira de pensar. É um tal do meu grupo faz assim, minha tropa é assado, minha alcatéia adora, e quando vejo uma foto quase desfaleço... Lá estão meia dúzia de gatos pingados, escorados em seu bastão, outros em uma sala fazendo reunião, gritando melhor, melhor e o escotismo para aqueles meninos e meninas será uma breve passagem no tempo do que um dia sonharam encontrar.

Há uma carga de eletricidade no ar. Lá dos States vem a noticia que muitos nunca quiseram ler: - “Os Boy Scouts of America se declaram em bancarrota”! Milhares de jovens hoje adultos entram na justiça americana pedindo indenização pelo abuso sexual que sofreram. Não se enganem. Tal fato é notório em muitos países inclusive no Brasil. Como aconteceu e ainda acontece no Clero tudo é tratado por baixo do pano para evitar publicidade negativa. Seria esta maneira de agir a mais correta? Afinal se pensarmos que em nosso país os erros cometidos no escotismo foram escondidos a sete chaves, que a Comissão de Ética dos diversos segmentos da hierarquia escoteira mantém tudo em sigilo (o que em alguns casos até posso concordar) e nunca houve uma preocupação maior para descobrir e evitar tais predadores que estão no escotismo apenas para aproveitar suas taras já que  nosso sistema é fácil para atingirem seus objetivos.

Dizer que isto é moderno discordo. Vi no passado casos escabrosos que só foram descobertos anos depois. Mas hoje se tornou mais fácil. Milhares de adultos adentraram no escotismo. Há uma farta distribuição de favores que muitos deixam seus jovens nas mãos de outros para absorverem suas potencialidades, atrás de promoções, elogios, e conquistas que os colocam no pedestal de muitos que já passaram nas fileiras escoteiras. Os cursos de formação até que se preocuparam no sistema moderno de ensino, mas esqueceram-se do principal... Aprender fazendo, sistema de patrulhas, treinamento técnico, vida ao ar livre e ser responsável com sua própria autoeducação sob a supervisão de adultos.

Grupos Escoteiros hoje tem a liberdade de terem em suas fileiras meninos e meninas em atividades mistas e muitas vezes os chefes não estão devidamente preparados para agirem dentro dos padrões esperados pelos pais, pela escola e pela religião, já que estes são os principais pilares da existência do escotismo. Nada contra a coeducação. Mas não como fazemos hoje no escotismo. Peço a Deus que não estoure por aqui, centenas de reclamações de abusos sexuais como está acontecendo em outros países. Eu estou deverasmente pensando em diminuir minhas considerações que aqui diariamente posto. Como dizem por aí, é sonífero para boi dormir. Ninguém em sã consciência pode dizer que elas são válidas.

Sei que poucos apreciam e dão seu testemunho no que costumo escrever, mas o Velho Chefe Escoteiro mais parece um Juan Guaidó, líder da oposição e presidente do Parlamento da Venezuela, aquele que se acha presidente sem nunca ter sido. Ainda bem que as forças estão acabando e breve muito breve serei obrigado a deixar a luta no que sempre acreditei ser um escotismo verdadeiro do qual me orgulho. Sei que minhas palavras escritas não são levadas a sério. Cada um acredita no que aprendeu e o caminho hoje é esse. Alguns ainda me seguem, outros apenas dão suas curtidas sem ler. O tempo não é a favor do tempo. Não quero e não pretendo ser unanimidade.

Termino repetindo as palavras do Dr. Spock personagem da série Jornadas nas Estrelas... – “Após algum tempo, você vai perceber que ter não é tão agradável como querer. Não é logico, mas é normalmente verdade”. “É curioso como vocês humanos (escoteiros) conseguem tantas vezes obter aquilo que não querem”. – “Se eu fosse humano eu acredito que minha resposta seria “vá para o inferno”! Se eu fosse humano”. E eu poderia terminar com esta pérola da Interprise: “Uma pessoa pode começar remodelando a paisagem com apenas uma flor, capitão”.

- E chega por hoje, desejo a todos bons ventos, bons caminhos e uma vida longa próspera e feliz!


domingo, 16 de fevereiro de 2020

Conversa ao pé do fogo. Os heróis não tem idade.




Conversa ao pé do fogo.
Os heróis não tem idade.

O que uma pessoa precisa para ser um herói? Coragem? Sabedoria? Alguém disse que o herói é tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas. Possui a liberdade de decisão, fraternidade com o próximo, sacrifício e coragem, sem faltar à justiça a moral e a paz. Ser herói não é ser egoísta e não ser motivado pela simples noção de que ele agiu baseado nos princípios de se mostrar como um. Suas motivações sempre serão moralmente justas ou eticamente aprováveis mesmo que ilícitas. Pensemos que ser herói e preciso observar que o heroísmo caracteriza-se principalmente por um ato moral. No escotismo temos uma gama enorme deles. Não só os que ajudam o próximo, os que salvam vidas, mas também aqueles que querem ajudar a formar homens de caráter e com sentimentos nobres. Nosso país tem se esquecido de muitos. Nossos heróis são uns eternos desconhecidos. Poucos alcançaram a fama e são lembrados por isso.

Dizem que os heróis surgem em tempos difíceis, em fatos e atos que merecem destaque. Alguns afirmam que os heróis não se fazem eles já nascem assim. Caio Vianna Martins ajudou muitos, mas não salvou ninguém. Tornou-se um herói e se mudou a história escoteira foi com suas palavras que o fizeram um exemplo a ser seguidos por todos nós escoteiros do mundo. Nunca esqueci o que o Chefe Joel um dia me disse em um intervalo de um curso que dirigia. Estava eu embaixo de uma castanheira saboreando uma gostosa sombra quando ele chegou. Aluno do curso sentou ao meu lado e ficamos conversando banalidades até que o assunto surgiu: – Olhe Chefe desde pequeno que procurei ajudar o próximo. No escotismo o fiz em todas as sessões que participei. Mas quer saber? Nunca fui herói de nada. Se os meninos seguiam meu exemplo, não sei se um dia fui herói para eles.

Pensei em suas palavras. Cheguei à conclusão que também nunca fui um herói no bom sentido. O Chefe Joel me deu dois exemplos – Chefe, quando Sênior estávamos indo para uma atividade aventureira, de bicicleta quando vimos na beira da estrada um amontado de pessoas ajudando feridos e mortos em um ônibus que sofrera um acidente. Paramos e os patrulheiros correram para ajudar. Eu fiz o mesmo, mas confesso que não sabia o que fazer. Parei pensando que não fomos preparados para isto. Ouvi gritos e pedidos de socorro. Minha mente trabalhava para dizer quais as primeiras coisas que poderia ajudar ali naquele momento. Isto levou alguns minutos. Bem no final ajudei sim com os parcos conhecimentos de primeiro socorros que tenho. Mas Chefe eu demorei em tomar uma decisão. Dizem que os heróis agem por instinto e resolvem o que fazer em poucos segundos. Portanto não me considerei um herói.

Enquanto ele narrava sua saga de herói fiquei pensando em Joaquim José da Silva Xavier o Tiradentes. Pensei também em Alberto Santos Dumont. Não podia esquecer Heitor Villa-Lobos e Monteiro Lobato assim como o Visconde de Mauá e os irmãos Villas-Boas. Cada um deles ate hoje é lembrando e foi herói ao seu modo. O Chefe Joel não me deu chance de pensar melhor sobre o que ele fez e logo contou o segundo fato que aconteceu – Chefe eu estava em uma sessão de cinema. Não estava cheio, quem sabe dois terços de sua capacidade total. Cometi um erro que um bom Escoteiro que diz estar Sempre Alerta não comete. Não prestei atenção às saídas de emergências, extintores e portas contra fogo. O filme aqueles antigos de celuloide pegou fogo e se espalhou na cabine onde estava o projetor. A fumaça saia dos buraquinhos e logo uma chama apareceu. Alguém gritou fogo! Outro gritou mais alto que o cinema estava pegando fogo.

Eu levantei da poltrona e olhei aquela balburdia onde todos queriam sair por uma só porta. Vi choro de crianças, senhoras gritando e claro os mais fortes empurrando os demais para sair primeiro. Eu estático. Minha mente trabalhava para me dizer o que deveria fazer. Enquanto isto crianças e mulheres eram pisoteadas e eu um herói fracassado sem tomar nenhuma atitude. Isto demorou alguns minutos e logo sai em disparada para ajudar os feridos. Sempre Assim, poderia ter evitado aquela balburdia, socorrendo e mostrando o melhor caminho a seguir para fugir do fogo. Se tivesse conhecimento antecipado onde estavam às saídas de emergências muitos poderiam ter um melhor destino. Graças a Deus que não morreu ninguém. Mas uma dezena deles foram parar no hospital. Aprendi a lição. Não entro mais em local fechado sem ver as saídas de emergências, se estão fechadas a chave ou cadeado, sem perguntar quem fica com as chaves e claro estar pronto para gritar se preciso e tomar a liderança em qualquer emergência que aparecer.

Ouvi o toque do Chifre do Kudu. O tempo livre para um lanche tinha terminado. O Chefe Joel saiu correndo para formar. Olhei para ele. Quanta juventude, quantos sonhos quanta vontade de se sentir bem como um herói Escoteiro. Fui devagar à sala da chefia. Pensava comigo se eu também fui ou seria um herói no lugar dele. Eu sei que existem casos em que as pessoas sem vocação heroica protagonizam atitudes dignas de um herói. Sei também que tem aqueles outros que demonstram virtudes heroicas para realizar façanhas de natureza egoísta, motivados por vaidade, orgulho, ganancia ou mesmo ódio. Um dos assistentes do curso fazia um belo jogo com os cursantes. Adorava aquele campo escola. Era como se estivesse saído da cidade de pedra e entrasse em plena natureza que só os bons escoteiros sabem reconhecer.

Fico pensando quanto heróis escoteiros já tivemos. Acredito que muitos. A maioria na clandestinidade. Quase ninguém saberá quem foi. Não temos um programa para formar e fazer heróis. Ainda bem. Eu sei que o heroísmo é um fato profundamente arraigado no imaginário e na moralidade popular. Feitos de coragem e superação inspiram modelos em diversas situações. A atitude heroica surge muitas vezes a partir da problemática imposta por um ambiente ou situação adversa, cuja solução exige um feito grandioso ou um esforço extraordinário. Fico feliz em ver que temos muitos lideres sejam homens ou meninos, mulheres ou jovens participando do escotismo que de uma maneira ou de outra tem fibra de herói e fazem o que podem pelo escotismo. Caio Martins com sua frase “O Escoteiro caminha com suas próprias pernas” ficou na história. Compete a nós chefes dar uma volta no passado ou na história e trazer para o presente o valor dos nossos heróis e mostrar a nossa escoteirada que também temos exemplos a dar.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Conversa ao pé do fogo. Apenas uma reunião do 1º Grupo de Gilwell.




Conversa ao pé do fogo.
Apenas uma reunião do 1º Grupo de Gilwell.

... - Os Chefes Portadores da Insígnia de Madeira fazem parte do 1º Grupo de Gilwell. É um grupo único, bastante original, que rompe todas as regras dos P.O.R,s do mundo, não possuindo Assembleia, Diretoria, Conselheiros e Programa. Reúne-se uma vez ao ano em Gilwell no primeiro ou segundo fim de semana de setembro. Poucos tiveram a felicidade de estar em Gilwell em uma das reuniões. A maioria conhece sua história e participaram de uma em seus habitats locais. Dizem que tudo que se passa ali é altamente secreto, eu no alto da minha boca larga conto tudo sem dizer nada! Risos. Apenas uma historieta pequena sem nada para dizer!

                    Não eram tantos, mas era um número considerável para aquela reunião de Gilwell em uma floresta perto da cidade. Um bom bocado nunca tinham participado e esperavam ansiosos pelo seu inicio. Sempre tiveram o sonho de estar lá, junto com irmãos escoteiros que tiveram de se esforçar para pertencer com orgulho do 1º Grupo de Gilwell. Muitos comentavam que o que ali se passava era confidencial, outros não escondiam que era uma reunião de amigos, uma historia uma lenda, e confraternizar com a Canção de Gilwell lembrando o título de sua matilha ou patrulha e cantar como se ainda estivessem em cursos passados.

                   A espera do inicio fazia com que muitos olhassem no relógio, conversassem entre si, para que a impaciência não tomasse conta do sonho de ser mais um do 1º Grupo de Gilwell. Finalmente foram chamados ao salão. Em circulo olhavam uns para os outros, os mais novos e mais antigos o que se deduzia que ali a fraternidade reinava de maneira concreta e real. Ninguem esperava, mas adentrou a sala um Chefe Escoteiro, com seus 83 anos, fisionomia carcomida pelo tempo, e com passadas trôpegas firmando em bengala, foi até onde estava o dirigente da reunião e educadamente numa mistura de sotaque inglês pediu a palavra. Todos o fitaram espantados. Alguns ficaram confusos, pois sabiam que o conheciam de algum lugar. O silencio reinou na sala a espera do que ele iria dizer:

- Caros amigos e irmãos escoteiros de Gilwell, estamos aqui reunidos alguns pela primeira vez, pensando como seria e como deve nosso encontro e nos transportar para a Grama Verde de Gilwell onde belas histórias marcaram época. Fechem os olhos e veem comigo para Gilwell, mais precisamente no campo do cerimonial onde o fogo crepita e em volta da clareira, estarão os primeiros cursantes e muitos que ainda lembram com saudade em estar aqui. Cada um de vocês já conhece a história das Reuniões do primeiro grupo de Gilwell, onde coube a direção ao Chefe Mundial Lord Baden-Powell pela primeira vez. Ele não foi longo e dirigiu uma breve palavra a todos. Não vou repetir suas palavras e sim acrescentar outras que vale a pena ter sua atenção. – Vocês sabem essa nossa vida é tão curta... O tempo em que ficamos neste mundo é tão breve... E esquecemos que existem tantas coisas boas, úteis, concretas e que, principalmente, estão ao nosso alcance e as deixamos de lado. Não lhe damos a atenção necessária. Talvez por não acreditarmos que os momentos e os detalhes são únicos. Ou talvez por esquecermos que as oportunidades podem ser descartadas, mas dificilmente repetidas.

- Deu uma parada, respirou fundo e continuou: - Estamos sempre nos queixando pelas grandes obras que não podemos realizar e deixamos de lado aquelas pequenas que nos são possíveis. Vivemos desejando asas, enquanto nossos pés nos convidam a pisar firme no chão. Acreditamos que a nossa felicidade está naquilo que desejamos e deixamos de amar o que possuímos. Nossa vida é breve e temos muita coisa útil a realizar. De modo algum se justifica nossa busca por satisfações efêmeras, enquanto nossa realização está justamente naquilo que já é nosso.

- Respirou fundo e terminou dizendo: - Devemos nos lembrar de que passaremos por este caminho, este mundo, uma só vez. Precisamos, portanto, aproveitar estas oportunidades única e breve, precisamos reconhecer que somos chefes e se estamos aqui foi porque Deus nos deu esta missão. Que o espírito de BP esteja neste encontro, que Gilwell não signifique apenas um lenço e um certificado... Cada um de nós temos um objetivo e no escotismo temos um manancial de nos tornarmos mais amigos e irmãos escoteiros um dos outros. A promessa que um dia fizemos é tão importante ou mais que a nossa maneira de agir.
Sempre Alerta!

                    Deu um sorriso, e saiu da mesma maneira que entrou desaparecendo na penumbra da floresta onde se realizava a reunião!

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Trans, LGBT e a liberdade de escolha.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Trans, LGBT e a liberdade de escolha.

- Não é minha praia. Sou um leigo e aprendiz escoteiro. Sei que nesses novos tempos são temas discutidos nos meios sociais, religiosos e me parece em todo o mundo moderno. Costumo ler tudo que me cai em mãos, mas sinceramente estou fora da jogada. Não discuto minhas opiniões ao tema em questão ficam restritas aos mais próximos e mesmo assim tomo cuidado no que vou dizer. O mundo inteiro discute o movimento gay, os transexuais e outros que ficaram apegados a sua crença no seio das famílias cristãs ou não. A nova identidade está aí presente no seu vizinho ao lado, na família do seu amigo, no rádio na TV e nos jornais. Inclui-se aí o ateísmo agora bem mais aberto já que a democracia nos autoriza a pensar e escolher o que desejos acreditar e ser.

Há alguns anos o Escotismo teve que aceitar discutir tais peculiaridades. Nos Estados unidos a Boy Scout of America, uma organização escoteira conservadora, ainda admitindo em seu seio somente escoteiros do sexo masculino abriu no ano passado a entrada do sexo feminino. Ela mantinha sua decisão de recusar a afiliação de gays e afins como membros da entidade. A Corte Suprema americana considerou preconceituosa e contrária aos direitos de igualdade. A decisão trouxe o tema da homofobia a tona e isto provocou polemicas. A imprensa comentou que para a Boy Scout este combate ao preconceito está previsto na própria Lei Escoteira (?).

O Berço do Escotismo nascido na Inglaterra vitoriana também liberou a participação da comunidade LGBT ao escotismo. Lá, no entanto não houve celeuma por parte dos seus associados e a aceitação foi normal. Considerando a França, a Alemanha, Portugal e outros países onde o escotismo tem força na sociedade, não vi nada que surgisse uma discussão do tema em pauta. Queira ou não o assunto corre célere no Escotismo mundial onde existe a democracia. No Brasil a Escoteiros do Brasil solapa levemente a aceitação conforme sua ultima publicação e o que está inserido em seu Manual de Identidade Visual. Li rapidamente esse manual. Sempre sou um “soy contra” de muitas ações da EB.

Bem, não sou uma sumidade e nem um emérito conhecedor do que acontece em outros países onde se adota a filosofia de BP a participação ou discussão sobre os Trans e LGBT. Entretanto a Escoteiros do Brasil arrumou um celeuma com sua publicação sobre os Trans, criando o dia da visibilidade do Movimento Trans. Os comentários foram diversos. Os a favor e os contra. Não vou comentar os dizeres da Associação Mater do escotismo brasileiro. Os mais fervorosos contras são os mais idosos, os religiosos que ainda carregam em seu seio e sua família o Tabu de não aceitar mudanças no que eles chamam de identidade escoteira, principalmente no artigo da 10º Lei do Escoteiro... “O Escoteiro é limpo de corpo e alma”. Sem tentar analisar a lei, a maioria dos cristão não aceitam esta discussão que para eles não tem cabimento na Seara do Senhor.

Pelo sim pelo não, recolho-me ao silencio neste tema. Não tenho experiência para explorar e ou aconselhar. Queira ou não me considero um preconceituoso, com tabus adquiridos no seio familiar e mesmo compreendendo os direitos e deveres de cada um prefiro não defender ou atacar. Ainda sou aquele Velho Escoteiro cheio de crendice, onde não me passa a ideia de mudar mesmo sabendo que é um pensamento ou uma luta inglória, pois não há como fugir da realidade. No fundo mesmo eu vejo certos direitos na maneira de pensar e agir. Nunca serviria para ser herói, dirigente escoteiro e ter que aceitar decisões da maioria nestes temas que aqui apresento. Nasci em uma família cristã, contra certas liberdades cujos direitos são fatos consumados.

Não me passa pela cabeça até mesmo o movimento escoteiro misto. Acredito na liberdade de cada um fazer e participar do escotismo, mas vejo o sistema de patrulhas de forma diferente de muitos. Meninos e Meninas deveriam ter liberdade de ação e atuar em suas patrulhas livremente. Não me passa em sã consciência uma Patrulha cheia de trejeitos, maneiras femininas ou masculinas principalmente aquela que acredito na formação do caráter, ética, honra e outros mais. Claro que discutir se o outro lado não poderia atingir tais metas prefiro não discutir. Às vezes penso entre recônditos do meu pensamento que se tivéssemos patrulhas com escoteiros e escoteiras separadamente atuando na metodologia Badeniana, não importando a raça, credo ou escolha individual poderíamos atingir o que sempre queremos na formação do jovem. Cada um deve ser livre para escolher o seu destino. Não cabe no meu modo de entender fugir do método de BP para introduzir temas aos escoteiros que muitos não estão preparados para tal.

Pensando bem nos esquecemos dos pais. BP quando trouxe o escotismo para o mundo definiu que somos um movimento de colaboração com os pais a escola e a religião. Não substituímos, não somos os responsáveis pela total educação formal de cada um. Somos uma pequena parte do todo. Quando houver unanimidade de pensamento entre os pais dos escoteiros e escoteiras sobre os temas atuais aí sim quem sabe podermos entrar nesta seara, deste que seja feito uma preparação e com objetivos definidos. Aquele Chefe que levou seus jovens a Parada Gay acredito ter tido a autorização dos pais e com finalidades de conhecer e saber quem são eles. Eu nunca iria com meus escoteiros a tal tipo de parada, mas aceito que outros o façam.

E nos finalmente me apego que tudo é válido deste que os objetivos escoteiros baseados na Lei e na Promessa e no Método Escoteiro de Baden-Powell seja alcançado. Reconheço que cada escoteiro trás de seu lar uma educação já caracterizada e não nos compete alterar ou modificar. O respeito à educação dada pelos pais merece nosso respeito. Muito do que fazemos e realizamos nem sempre são levados em consideração tais fatos no lar do Escoteiro e da Escoteira. Nem sempre para mim os fins justificam os meios. É somente pelos resultados que podemos reconhecer que nosso caminho nossa trilha atingiu os objetivos propostos.

Meus pensamentos aqui colocados são de um Velho Chefe Escoteiro. Desculpe se não me associei a sua maneira de pensar. Postei esta crônica pensando em dar uma satisfação aos meus leitores sobre o que penso sobre o movimento Trans e LGBT. Os pontos de vista de cada um sempre serão por mim aceitos e cada um de nós tem o direito de dar sua opinião. Assim como aceito o Movimento Trans e LGBT reservadamente que os demais aceitem o meu modo de pensar. É meu direito! Obrigado.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Conversa ao pé do fogo. Zé das Quantas um herói escoteiro.




Conversa ao pé do fogo.
Zé das Quantas um herói escoteiro.

Era uma vez... - Zé das Quantas é um Chefe escoteiro. Daqueles que lutam de sol a sol para ganhar uns trocados para sustentar sua família e os escoteiros. Zé das Quantas é o Chefe do Escoteirinho de Brejo Seco. A sua maneira ambos são felizes. Para mim eles representam o verdadeiro espírito escoteiro de Baden-Powell. Como dizia John Thurman antigo Chefe de campo de Gilwell Park, o Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo.

                    O escotismo difere de tudo que se conhece em termos de estrutura, normas e regulamentos de outras organizações ou associações. Infelizmente nossa estrutura e a burocracia são grandes demais. São normas, estatutos, POR determinações e etecetera e coisa e tal. Como ele tem uma filosofia jeitosa, catita e formosa atrai um séquito de admiradores que tudo fazem para servir a associação. Não existe discordâncias e as poucas que existem são logo cortadas pela raiz. Nossa liderança hierárquica desde o topo até o mais novo lobo aprende desde cedo que servir faz parte do crescimento individual. Belo isso e não se pode negar. Elogios aos chefes quase não existem e quando é feito só através de uma burocracia cheia de exigências onde precisa-se provar que tudo dito é verdade.

                        Sei que quando tudo vai mal dizem que a culpa é dos chefes. Todos sabem que são eles os heróis que a muito custo mantem sua sessão e seu Grupo Escoteiro. São eles que põe os jovens na trilha com suas bandeiras cantando pelos quatro cantos do pais. Seria possível ter escotismo sem os chefes? Os arautos e distintos dirigentes dirão que não. Mas se perguntar ao Zé das Quantas ele dirá sem sobra de duvida que sim.

                          Nada se compara a Inglaterra pós-vitoriana de 1908 quando BP sentiu a necessidade de buscar ajuda para que os jovens não se perdessem nas práticas copiadas do “Scout for Boys”. Pergunte ao Zé das Quantas, ele dirá que nem sabe o que é isso. Ele ainda faz escotismo do cipó, da carretinha, do arroz com macarrão levado na mochila, do pé na estrada em busca de um lugar para acampar. Os Escoteirinhos de Brejo Seco adoram. Zé sabe que sua vida é dura, tira seus sustento do seu trabalho e sem ele não teria arroz com feijão. Adora falar aos seus escoteiros sobre a Lei sobre a lealdade, sobre a honra e o caráter. Zé dá belos sorrisos quando as tardes em sua casinha de taipa a escoteirada chega para contar “causos” falar de jogos, de aventuras de andanças por estradas e trilhas desconhecidas. O Escoteirinho de Brejo Seco é o primeiro a chegar. Ele já viu chefes capitalistas, endinheirado e nunca se sentiu preterido. Nunca foi a uma atividade regional ou nacional. Só conhece Brejo Seco e ama seus escoteirinhos.  

                         O Chefe Zé das Quantas acredita em anjos. É um rezador sempre pedindo ao senhor em primeiro lugar pela sua família e em segundo para seus meninos. Mas no fundo ele sabe que este anjo não vai aparecer. Ele sabe que tem de trabalhar sozinho. Seus meninos e meninas mesmo poucos e pobres precisam dele. Ele sabe que os pais tão pobres como ele pouco poderão fazer. Dificilmente abandonará tudo. Nunca poderá dizer: - Melhor fechar o Grupo Escoteiro. A luta é difícil. Às vezes entristece por falta de um certificado, um distintivo, um registro, mas está sempre alegre quando aos sábados muitos estão a sua espera faça sol ou não. Zé das Quantas é um daqueles heróis escoteiros desconhecidos que sabe que o vento nem sempre sopra a favor. Ele ama o que faz. Nunca critica seus superiores. Sempre com um sorriso quando fica sabendo das reuniões, Indabas, Jamborees e assembleias. Ele sabe que dificilmente estará presente. Para isso precisa ter muitos tostões coisa que ele não tem. Não tem ideia de como “tirar” uma Insígnia de Madeira e nem tem ideia de Gilwell Park. Sabe que nunca será registrado, nem vai receber medalhas e certificados. Mesmo a oferta dos dirigente em não cobrar a burocracia para ele é enorme. Tentou uma vez fazer um curso. A taxa salgada. A meninada trabalhou duro, fizeram uma vaquinha, mas na última hora desistiu. "Mainha" sua esposa encantada adoeceu. Quem sabe um dia? Suspirou sem se sentir culpado.

                             Zé das Quantas sabia dos sonhos do Escoteirinho de Brejo Seco. Queria ir num Jamboree, qualquer um – Chefe vai ser bom demais. Dizer o que para o Escoteirinho? Olhou para seu uniforme, já desbotado, doado por alguém que cresceu e saiu. Cara mirrada, escola idolatrada, dizendo sempre que vai ser doutor. Zé das quantas nunca se importou com elogios, condecorações, pois na sua mente seus únicos sonhos era vivenciar com amor a sua família e seus escoteiros. Nunca sonhou em ter uma medalha de Bons Serviços, Gratidão e sorri humilde quando ouve falar do tal Tapir de Prata. Dizem que é só para quem prestou enormes serviços ao escotismo. Afinal ele trabalhando com suas patrulhas nem desconfia do enorme serviço que presta ao seu país. Zé das Quantas tinha medo que se um dia fosse morar na casa do Senhor não haveria substituto. Nas reuniões, nas estradas, nas trilhas ou em marcha sempre conversava com seus escoteirinhos sobre isso. Dizia que onde tem um escoteiro tem uma tropa, onde tem bons monitores tem uma penca de chefes. Caminhem com suas próprias pernas! Repetia o bordão de Caio Vianna Martins o herói da tropa. Um dia fez um pé de meia e partiu para um curso escoteiro. Engraxou seu sapato da missa, mandou colocar uma meia sola. Ajeitou sua meia puída, meteu no seu chapéu um pouco de goma e lá foi ele no trem das onze da noite para a capital.

                            Chegou humilde, dizendo “tarde” “Alerta” e só uns poucos responderam. Adorou o curso, aprendeu sobre um tal de POR de Estatutos, aprendeu sobre a tal ECA (lembrou-se das risadas de seus escoteirinhos quando contou) viu que havia lei e norma para tudo inclusive para criança. Interessante que não comentaram sobre patrulhas, Monitor, Pioneiría, campo de Patrulha nós amarras e tantos mais que ele queria saber. Até pensou que um dia iria receber a visita do Doutor Presidente. Nunca apareceu. Até hoje aos sábados e domingos, Brejo Seco vibra com a passagem dos seus escoteirinhos, marchando animados, com suas mochilas feitas de pedaços de lona que ganharam de Seu Postácio dono do Chevrolet Boca de Sapo 1950 que fazia transporte mesmo fiado para qualquer morador. A verdade é que assim vivem muitos escoteiros em muitas cidades deste enorme país. Sem registro, sem sede, poucos badulaques na sua intendência, mas sempre com sua bandeira puída hasteada ou arvorada, com um belo sorriso e aprendendo com seu Chefe a arte de ser um homem honesto cumpridor da Promessa e da Lei Escoteira.

                           Se você meu amigo é um Zé das Quantas como o Chefe dos Escoteirinhos de Brejo Seco, aceite meu abraço. Meu orgulho em ver quem faz escotismo independente de ter lideres que não valorizam quem faz o melhor escotismo no Brasil!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. "O Livro da Selva", de Rudyard Kipling.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
"O Livro da Selva", de Rudyard Kipling.

- O livro de Rudyard Kipling é composto por sete contos diferentes, todos eles tendo animais como protagonistas. Concentremo-nos, porém, nas três primeiras narrativas que têm como principal figura o pequeno Mowgly, uma criança humana. É neste conjunto de contos que Kipling melhor explora a principal temática do livro: o código de conduta dos animais, pois também eles se organizam e têm valores morais e regras de coexistência. - O primeiro conto, "Os Irmãos de Mogli", começa com a surpreendente chegada de um bebé humano a uma toca de lobos. Corajoso e expedito, o pequeno ser consegue calmamente escapar das garras do tigre coxo, o fanfarrão Chery Kaan, e do mesquinho chacal Tabaqui. O Pai e a Mãe lobos, habitantes da toca, têm crias recém-nascidas e sensibilizam-se com a audácia e vitalidade do pequeno "cachorro de homem". Protegem-no de Chery Kaan e insistem em mantê-lo na alcateia Seeonee.

- Mas para tal é necessário que o conselho dê consentimento, o que acaba por acontecer graças às intervenções de Balu, o urso pardo, e de Bagheera, a pantera negra, que intercedem a favor do pequeno Mowgly. Ao longo do conto, Mowgly vai aprender as regras da Selva, segundo os ensinamentos rigorosos de Balu - que admira a inteligência e a perspicácia do seu pupilo, mas que é rígido na maneira de ensinar -, e enfrentar um dia-a-dia de felicidade, mas também de perigo. Para tal, a presença de Bagheera como sua protetora incansável vem a revelar-se fundamental. - Chery Kaan não desiste de tentar capturar Mowgly e a alcateia deixa de ver com bons olhos a presença de um ser humano entre os animais selvagens. No final, quando Akela, o chefe da alcateia, começa a ser contestado por ser um líder enfraquecido - e por Chery Kaan fomentar a sua contestação... - Mowgly vê-se obrigado a abandonar a sua família adotiva e a regressar ao meio dos homens. Porém, não o faz sem que antes exija o respeito dos que tentaram traí-lo, sem que registre a lealdade dos que nunca o abandonaram e, acima de tudo, sem que garanta a segurança do velho Akelá.

- Má experiência entre os humanos O segundo conto relata um episódio em que Mowgly é raptado pelos loucos macacos da tribo Bândarlogue, coisa que acontece ainda algum tempo antes de o pequeno humano abandonar a alcateia. Os Bândarlogue são os únicos animais da selva que não merecem o respeito, nem tão pouco a atenção, de todos os outros animais. São disparatados, vaidosos, não têm líder nem leis, julgam-se superiores e não respeitam as regras dos outros. Balu proíbe Mowgly de ter contato com esta tribo. Mas, quando o faz, já é demasiado tarde, pois Mowgly já terá sido assediado pelos macacos, que acabam por raptá-lo e levá-lo para as Moradas Frias, uma aldeia abandonada já fora da selva. - Balu, Bagheera e Kaa, uma piton que é o único animal que os Bândarlogue temem, veem-se obrigados a lutar pela vida de Mowgly e pelas suas próprias vidas. Mas a batalha termina com uma farta recompensa para Kaa. No terceiro conto sobre a vida de Mowgly, o pequeno homem já é um habitante da aldeia. Contudo, Mowgly não se sente confortável entre os homens, pois foi criado entre animais, os quais têm regras diferentes. Além disso, os homens nem sempre respeitam os animais como deveriam. Durante a estadia na aldeia, Mowgly toma conta de gado, aprendendo a conduzir manadas.

- A dada altura, o lobo Irmão Cinzento encontra-se com Mowgly para alertá-lo sobre as intenções de Chery Kaan, que planeia capturá-lo, agora entre os Chery Kaan. É então que Mowgly cumpre uma promessa antiga: ele próprio acaba por capturar o tigre, contando com a ajuda da manada, de Akelá e do Irmão Cinzento. Mas, por causa da forma como Mowgly controla os animais e comunica com eles, a aldeia acusa-o de bruxaria e o expulsa. O pequeno regressa à selva onde constitui uma "tribo" própria, juntamente com aqueles que sempre lhe foram leal. - “O Livro da Selva" foi escrito por Rudyard Kipling em 1894. Anos mais tarde, em 1907, o mesmo Kipling tornava-se o primeiro escritor inglês a receber o Nobel da Literatura. A habilidade com que o livro é escrito, a inteligência das histórias e um profundo conhecimento do mundo animal - ao qual não será alheio o facto de Kipling ter nascido em Bombaim, na Índia, e ter vivido durante muito tempo em território indiano - oferecem uma deliciosa leitura sobre o reino dos bichos, que também sabem comportar-se e organizar-se, fazendo uso de regras e de códigos de conduta. Haverá até situações e personagens em tudo semelhantes às que existem fora da selva, no mundo dos homens...

Boa Caçada e Melhor Possível!



sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Livros Escoteiros em PDF a disposição




A disposição gratuitamente 5 livros em PDF de Grandes histórias e aventuras Escoteiras.

- Há alguns anos resolvi escrever histórias escoteiras mais longas, contando a saga de patrulhas nas suas atividades aventureiras. Foi prazeroso ver o numero de pedidos atendidos por e-mail. Recebi centenas de comentários sobre os livros em PDF. Passados cinco anos resolvi coloca-los novamente a disposição. Tudo começou quando escrevi “A PATRULHA DA ESPERANÇA” onde seis meninas escoteiras fizeram um pacto de sangue para permaneceram juntas por toda a vida e até na eternidade sob a égide da mesma Patrulha. Contada em flashback a história vai se desenrolando no passado e no presente. Surpreendente e emocionante. Vale a pena ler. Posteriormente escrevi “O ESTRANHO FUNERAL DO CHEFE GAFANHOTO”. Um jovem Chefe é surpreendido com a morte por linchamento do seu antigo Chefe Escoteiro que sempre amou. Não acreditou no que leu nos jornais e partiu para investigar o que aconteceu em sua cidade de origem. Os fatos, os culpados, os antigos amigos da Patrulha o ajudaram a desvendar a trama que fizeram contra ele. Uma história digna de “Hercules Poirot”. Meses depois escrevi “O COMISSÁRIO LEOCÁCIO”. Um simples Chefe do interior, de origem humilde sem ter cursado faculdade, é escolhido para ser o Comissário Regional de um Estado Brasileiro. O conto se passa entre os anos de 1930 a 1940 onde os valores universitários estavam sendo valorizados no escotismo. O final surpreendente dá uma visão do Escotismo naquela época. Porque não um Grande Jogo noturno? E eis que escrevi “O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA ILHA DO GAVIÃO NEGRO”. Uma ilha misteriosa, quatro patrulhas sedentas de aventura, o enfrentamento dos gaviões, o silencio da floresta e o homem misterioso que transformou um simples jogo numa grande aventura. Vale a pena conhecer o Sistema de Patrulhas nas mãos de grandes Monitores. Nesse interim escrevi um conto sobre a história de um jovem palestino recém-chegado ao Brasil. Foi então que surgiu a ideia de escrever o quinto conto da série: - A LENDA DO TESOURO PERDIDO NO DESERTO DE NEGEV. Um tesouro escondido, um pirata ainda vivo, história passada na palestina tem todo o sabor da Terra Prometida onde o Senhor viveu e morreu.

Á ideia era que fossem editados como livro de bolso para ser levado facilmente pelos aficionados de histórias escoteiras. Não foi possível assim os coloquei a disposição de quem quisesse ler as histórias em PDF.  

Gostaria de ler? De ter em seus arquivos esses cinco contos escoteiros? Não são longos, média de 30 a 70 páginas por conto. Se interessar me mande um e-mail solicitando o BLOCO 30 (os livros escoteiros em PDF) e terei prazer em atendê-lo.

Escreva para mim no e-mail ferrazosvaldo@bol.com.br e não esqueça, fale um pouco de você. Gostaria de saber quem está lendo minhas histórias escoteiras.

Não faça seu pedido aqui. Só atendo pelo meu e-mail. Obrigado.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Chatos! Existem no escotismo?




Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Chatos! Existem no escotismo?

... - Descubra se você é um chato e qual o seu tipo preferido. Afinal o Chato é um indivíduo que tem mais interesse em nós do que nós temos nele. O maior chato é o chato perguntativo. Veja se você não é um chato discursivo ou narrativo, e se for escolha onde se dá bem sendo um chato!

                            Não sei. Alguns amigos dizem que sim. Dizem que eu sou um deles. Um até me disse que sou um “Chato de Galochas”. Poxa! Logo eu? Nunca tive uma galocha. Não sabia que era chato. Dizem que a palavra “Chato de Galocha” é aquela pessoa que mesmo num dia de chuva, põe sua galocha e vem exercitar sua “chatura” imitando Gene Kelly no filme “cantando na chuva”. Outros dizem que o Chato de Galocha é o chato prá chuchu que saiu do mundo agrário e ingressou na era moderna. Mas como sou Escoteiro e um chato por profissão, pensei comigo: - Será que tem chatos no escotismo? Pensando bem acho que sim. Já que me coloquei como um deles porque não dizer dos outros? Vejamos a descrição de alguns chatos e tenho certeza que você minha amiga e você meu amigo não se enquadram em nenhum deles. Ainda bem! Nota dez!

- Fãs de entendidos - São aqueles chatos que não podem ver um Escotista mais graduado que correm para conversar com ele. Ficam ali com aquela cara de besta que Deus lhe deu, como se fosse um aluno junto ao seu professor e querendo absorver toda a pose, todo sorriso e todo conhecimento do Chefão!

- Politizados em demasia – São aqueles chatos que defendem com unhas e dentes sua associação, seus superiores, suas ideias. Nunca admitem erros. Mesmo não tendo nenhuma experiência, jactam-se de tudo que falam. Os dirigentes adoram estes chatos.

- Carentes – Estes chatos estão sempre reclamando. Reclamam de tudo. Do Chefe, dos assistentes, do Diretor Técnico, Do Presidente do Grupo do Comissário dos acampamentos ruins, dos Jamborees e das taxas baratinhas cobradas, enfim reclamam de tudo. Quando te pegam na esquina para reclamar haja “saco”!

- Amigos do passado – Gosto destes chatos. Se te pegam na rua, logo convidam para uma cerveja, uma pizza, e sempre pagam as despesas. O ruim é que ficam lembrando-se do passado e você olhando para o relógio sem jeito de sair.

- Viciados em aplicativos – Estes não são “moles”. Adoram te mandar recadinhos para aplicativos no Facebook e no Messenger. Você acessa sua conta ou o celular e vê um monte de notificações, sugestões exigência que começa assim: - Avisa a todos os seus amigos... E quase sempre são aos mesmos. Não adianta deixar recados. Todo o dia lá estão eles. Ora são Irmãos de farda e melhor é calar e não convencê-los que são chatos.

- O olheiro – Desculpem. Não é do meu tempo. Hoje o chamam de Assessor Pessoal de Formação. Desde que criaram a função de assessor para tudo logo o escotismo também criou o seu. A diferença é que o nosso é de graça! O chamo de olheiro porque ele vive de olho em você. Quer ser seu orientador, dizer o que fazer. Ensinar a você o caminho para o sucesso, mas quase sempre é o caminho que ele imaginou e o que o dirigente ensinou a ele. Muitos nem tem exemplos a dar. Até que gosto da ideia destes chatos. Mas desculpem, não deixam de ser chatos.

- O metódico – É o Chefe que tem o jeito dele de trabalhar, de fazer as coisas. Ele já tem na cabeça o seu jeito certo de realizar suas tarefas. Nunca pede ajuda. Quando estão juntos acampados ele acha que você faz tudo errado. Com aquela “fleuma” Escoteira de Escoteiro bem educado, ele te enche as “paciências”.

- O perseguido – Fica o tempo todo falando que existem complôs contra ele. É o seu Chefe, seu Presidente, seu distrital, enfim querem tirá-lo do escotismo. Não sabe o que fazer. Pensou em mudar de lado, mas soube que do outro lado seria a mesma coisa. Não sabe se sai ou se fica. Que medo ele tem de ser demitido ou levado a tal comissão de ética! E o salário oh!

- O nervoso – Nuca está satisfeito com nada. Explode por qualquer coisa. Reclama que não recebeu um agradecimento, uma condecoração. Reclama que já devia ser o Chefe da tropa, do Grupo, reclama que Já devia ter recebido sua insígnia. Reclama de tudo!

O dono do mundo – Este chato é um perigo. Considera-se o maioral. Dizem que a maioria já tem a medalha “Velho Lobo” e se tem o Tapir acredita que está acima da lei e quando ela não lhe agrada sempre cria uma nova. Não quer perder o seu cargo e finge ser seu amigo para se perpetuar no poder, mesmo com sua idade avançada.

A carpideira. – São aqueles que ficam de olho no que você escreve. “Catam” grupo por grupo, pagina por pagina para comentar e desfazer do que você escreveu. Alguns fazem questão de escrever como se fosse uma piada e outros pisam no pé do escritor e muitas vezes são mal educados e prepotentes. Não se conhece o que ele fez, quanto tempo de escotismo tem, mas ele sabe tudo de escotismo. É um chato em todo sentido da palavra.

            É, tem muitos outros tipos de chatos que eu poderia ficar aqui o dia inteiro falando sobre eles. As assembleias Escoteiras estão cheias de chatos. A chatice é tanta que eles adoram ser importantes, fingem sempre estar a trabalho, carregam uma pastinha e alguns sempre anotando. Os chatos amigos são aqueles que lhe dão beijinhos na frente e que fazem nas suas costas você não sabe. Tratam-te com carinho e lá no futuro preparam sua cama de pregos para ver você dormir e não voltar mais!  O folgado, que não levanta a bunda para fazer nada e sempre lhe pedindo para fazer tudo. Tem muitos mesmos. Mas o pior deles é o Capachão. Que chato puxa saco meu Deus! Os diretores, dirigentes, formadores adoram estes tipos. Ele quer a todo custo ser um deles! Haja paciência com eles, pois pior que eles só eu mesmo. Como sou chato. Sempre dando exemplos de BP da Lei da Promessa e metendo o pau nos dirigentes escoteiros que só querem fazer o bem... “deles” kkkk. Mas meu conselho é um só, Corra destes tipos! Só não sei como você vai correr de você mesmo! Risos.

          Enfim, é melhor ser como eu. Um chato de galocha! Um chato rei dos chatos. Risos. E viva os chatos, ainda bem que o escotismo não vive sem eles! E não esqueçam, Há duas espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e... Os amigos, que são os nossos chatos prediletos. Kkkkkk! 

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

A boa ação escoteira. Por Lord Baden- Powell.




A boa ação escoteira.
Por Lord Baden- Powell.

- Impressões do Chefe: - Recentemente um amigo Chefe Escoteiro publicou um artigo sobre a Boa Ação, representada pela moeda estupendamente reconhecida em vários países onde se pratica o escotismo. Poderíamos completar com o nó na ponta do lenço, com a vareta mágica, com a volta da moeda do bolso direto para o esquerdo várias vezes ao dia. A Boa Ação faz parte de nossa educação escoteira e é como o lema Sempre Alerta muito reconhecido por parte da comunidade internacional. Ela é constantemente lembrada aos jovens, dando exemplos e a mais célebre é ajudar os velhos a atravessarem um sinal de transito ou em uma rua qualquer. Um site que acredito desconhece nossas habilidades em ajudar ao próximo, disse: - Nós todos queremos fazer o bem, seja para nós, nossos entes queridos, o planeta, ou a sociedade em geral. E ideias de boas ações não faltam! Não importa quão grande ou pequeno, boas ações sempre têm um impacto positivo. Pelo lado espiritual sabemos que sem caridade não há salvação. A boa ação precisa ser viva, exercida e praticada, não pode ser só meditada, admirada, contemplada... Ela precisa ser atuante. Quando a boa ação não está viva em nossa vida, o nosso espírito cristão arrefece.

Sabemos que em muitos países se valoriza o trabalho voluntário principalmente os voltados para a caridade. Escotismo através do seu método desenvolve o espírito da boa ação, do amor, e da fraternidade. É doar sem receber e passar isso para os jovens é nosso principal objetivo. Devemos incentivar a boa ação individual, a boa ação por Patrulha, a feita pela sessão seja de lobos escoteiros seniores e os pioneiros que se identificam com o lema “Servir”. Existe a boa ação feita por todo o grupo e esta todos comparecem. Entretanto a individual tem por principio maior validade. Desperta o amor, a ajuda ao próximo e a alegria no jovem participante do escotismo, e de ter ajudado a alguém. Vejamos o que conta a história sobre ela vivida pelo nosso fundador Baden-Powell.

- No Centenário do Escotismo comemorou-se cem anos após o Acampamento Experimental de 1907, mas, quanto ao início das ideias de Baden-Powell para a juventude, que terão estado na origem do Escotismo, torna-se mais difícil uma localização no tempo. O Cerco de Mafeking fez de B-P um herói nacional, conhecido além-fronteiras e venerado no Império Britânico - tanto por adultos, como por jovens. Por essa altura, coexistiam na Inglaterra várias associações e clubes dedicadas à formação dos jovens, como a YMCA (Young Mens. Christian Association) e a Boys’ Brigade. Um desses clubes escreveu a B-P, que se encontrava a braços com a formação da Polícia Sul Africana, pedindo-lhe que enviasse uma mensagem para os seus rapazes. B-P respondeu a 21 de Julho de 1901, a partir de Zuurfontein, no Transvaal (África do Sul), com uma mensagem alusiva a um dos aspectos que mais contribuiu para imortalizar a imagem do escoteiro: a Boa Ação!

Meus caros rapazes,
O regulamento da vossa associação obriga-vos a manterem-se longe das bebidas, do tabaco, do jogo ilícito, do uso dos palavrões, etc. Não há nada melhor do que seguir essas regras e admiro-vos por as seguirem. Outros rapazes, que não têm a coragem de se juntar a vocês nem de se manterem fiéis a essas regras, provavelmente ganharão maus hábitos dos quais nunca se conseguirão libertar e, em muitos casos, as suas vidas tornar-se-ão histórias de miséria e fracasso: enquanto que vocês, saindo do vosso clube sóbrios e com a mente limpa, provavelmente sair-se-ão bem na vida, quando crescerem – se continuarem a aderir a essas regras.

Mas lembrem-se disto: Quando os soldados defendem um local, não ficam sentados, mas lançam contra-ataques para fazer debandar o inimigo. Por isso, não devem contentar-se em ficar sentados para se defenderem dos maus hábitos, mas devem também ser ativos para fazer o bem. Por “fazer o bem” quero dizer tornarem-se úteis e fazerem pequenos gestos de bondade a outras pessoas – sejam amigos ou desconhecidos. Não é algo difícil, e a melhor maneira de concretizá-lo é decidirem fazer pelo menos uma “boa ação” a alguém todos os dias, ganhando, assim, o hábito de fazerem sempre boas ações. Não importa o quão pequena possa ser a “boa ação” – nem que seja apenas ajudar uma senhora de idade a atravessar a rua, ou dizer uma palavra amiga em favor de alguém que foi difamado. O importante é fazer algo.

Quando um homem está a morrer, não está com tanto medo de morrer como de sentir que podia ter feito melhor uso do seu tempo enquanto viveu. O homem que fez “boas ações” toda a sua vida não tem nada a temer quando estiver a morrer.  Se esse homem sentir que fez algo de bom aos seus semelhantes sentir-se-á ainda mais feliz do que aquele que apenas se manteve afastado dos maus hábitos. Por isso, sugiro a cada um de vós, que leem esta carta, que devem, não só afastar-se da bebida e dos maus caminhos que lhe estão associados, mas também tentar.  “Fazer boas ações às pessoas à vossa volta”. "Podem começar já hoje e, se quiserem escrever e contar-me sobre a vossa primeira “boa ação”, terei todo o gosto em conhecê-la.”.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Crônicas de um Velho Escoteiro. Quando o futuro chegar. As fotos que um dia correram o mundo.




Crônicas de um Velho Escoteiro.
Quando o futuro chegar.
As fotos que um dia correram o mundo.

... - “As fotos - Caro Osvaldo Ferraz... As fotos... ah! essas fotos que acompanham seus escritos... Ate o prazer de vê-las será tirado das próximas gerações escoteiras, pois as da geração atual não se prestam mais... quer pela roupa usada, quer pela ausência de relatos fotográficos como os do nosso tempo”... (de um leitor amigo).

                     È mesmo, as fotos são documentos importantes para mostrar as gerações futuras de onde viemos o que somos e para onde vamos. Elas significam um retrato vivo de um escotismo autêntico, onde o jovem aprendia a fazer fazendo, acampava diferente dos dias de hoje e sua sede de aventuras não tinha impedimentos legais para que não se fizesse como devia ser. Elas tinham um “que” saudosista que marcava uma época onde todo o método Escoteiro exalava verdades no campo ou na sede. Era uma forma de estar presente em qualquer ato ou fato, onde se era reconhecido pelo chapéu, pelo lenço e pelo uniforme impecável na sua apresentação. Uma disciplina aceita e não imposta, uma aceitação sem obrigação. Onde a Lei e a Promessa ainda não tinha discussão se deveria ser alterada ou não.

                    Tivemos homens que se dedicaram a mostrar como se fazia escotismo através das fotos. Pierre Joubert um ilustrador Francês, divulgou o Escotismo na França e no mundo com seus desenhos, levando milhares de jovens durante várias gerações as aventuras vividas pelos Escoteiros. Dizem que suas pinturas eram iguais ou melhores que Norman Rockwell. Estes e outros famosos ilustradores fizeram uma geração aprender a fazer fazendo só olhando suas fotos e desenhos. Na série Signe de Piste Pierre se supera. Seus desenhos ricos em detalhes são acessórios importantes para os textos dos livros que ilustram. Vários desenhos no novo (antigo) Manual do Escotistas do Ramo Escoteiro lançado em parceria com a Oficina Scout foram inspirados nos desenhos de Joubert.

                      Uma foto faz que as pessoas lembrem-se do que fez, do seu presente, do seu passado e ficam conscientes de quem são. O conhecimento do real e a essência de identidade individual dependem da memória. A memória vincula o passado ao presente, ela ajuda a representar o que ocorreu no tempo, porque unindo o antes com o agora temos a capacidade de ver a transformação e de alguma maneira decifrar o que virá. A fotografia captura um instante, põe em evidência um momento, ou seja, o tempo que não pára de correr e de ter transformações. Ao olhar uma fotografia valorizamos o salto entre o momento em que o objeto foi clicado e o presente em que se contempla a imagem, porém a ocasião fotografada é capaz de conter o antes e depois.

                      São as fotos nosso marco da história. Seja ela de quem for. Na fotografia encontramos a ausência, a lembrança, a separação dos que se amam, as pessoas que foram para outra vida, as presentes e as que desapareceram. As fotografias nos mostram a realidade do que foi e do que será. Mostre uma foto de Escoteiros de alguns anos passados e qualquer um irá identificar que aqueles eram meninos aventureiros, Escoteiros que sorriam no perigo, não tinham medo da noite e das florestas. Uma foto de um campo de patrulha, de uma jornada, da alegria em alcançar o pico da jornada, da velha carrocinha que tantas saudades nos deixaram, da ponte construída, do ninho de águia da escada de cordas e tantas outras construções que ficaram na história.

                     Um Velho amigo me corrige a dizer que isto não acontece mais. O que foi não volta mais, o que será daqui para frente só as gerações futuras poderão dizer. Já não se vê fotos de patrulhas com suas bandeiras a escalar montanhas, em suas barracas nos seus campos de patrulha, da cozinha fumacenta das artimanhas e engenhocas que tantas saudades nos trazem. Brincar em arvores com suas cordas solta no ar. Correr atrás das borboletas, colher flores silvestres para enfeitar a mesa rústica do jantar. Lavar sua própria roupa, dobrar nas técnicas aprendidas, vestir o uniforme com orgulho para se apresentar a quem nos quer ver. São as fotos os documentos do passado. São as fotos que dizem o que fomos e são elas que trazem recordações de cada um que tiveram o orgulho de estarem presentes nas grandes atividades Escoteiras.

                    Esperemos que as gerações futuras possam ver o escotismo de Baden-Powell como ele foi e como ainda deveria ser. Estamos esquecendo que os meninos daquela época eram sonhadores aventureiros e falamos para os de agora outra linguagem. Não deixemos que eles só fiquem no sonho de ser heróis, que gostariam de fazer uma grande aventura. Em nome de novos tempos vamos dar a eles a sede da descoberta, da aventura e isso faz parte no desejo do jovem de ontem e no de hoje. Ouvir os jovens não deve ser somente uma metáfora. Precisamos reverter à burocracia em um escotismo de aventuras, fora da sede, no campo ou onde seja possível ir. Precisamos dar a nova geração o sonho dos jovens meninos ingleses quando colecionavam o “Aids to Scouting (Ajudas à Exploração Militar) ou mesmo o Scouting for Boys (Escotismo para rapazes). Quem sabe posso estar enganado. E o escotismo vai procurar seu verdadeiro objetivo, o objetivo criado por Baden-Powell. Ainda acredito em um futuro maravilhoso e os meninos e meninas desta e de outra geração iram sorrir com suas fotos, com suas lembranças e com o escotismo aventureiro que sempre sonharam.

                   E eu, um Velho Chefe Escoteiro saudosista vou tentando achar aqui e ali, as fotos que um dia vivi e sei que muitos viveram comigo. Elas fazem parte da minha, da sua e de toda histórias dos Velhos Escoteiros que como eu ainda tem sonhos. São elas as fotos que como comentou o meu amigo, ainda dão o prazer de vê-las e sonhar com o passado trazendo verdades ao presente.