Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 10 de maio de 2014

FELIZ DIAS DAS MÃES.


FELIZ DIAS DAS MÃES.

Através da figura de Olave Baden-Powell Aqui minhas homenagens a todas as mães escoteiras ou não desejando a elas que o mundo seja bom e compreensivo entre todos os seres humanos.
Olave St. Clair Soames (Chesterfield, 22 de fevereiro de 1889 - Surrey, 25 de junho de 1977). Seu pai Harold Soames e sua mãe Katherine Hill tiveram mais dois filhos, um menino chamado Arthur e uma outra menina chamada Auriol, quando nasceu Olave, puseram este nome porque esperavam um filho homem que se chamaria Olaf.

A vida de Olave, desde pequena foi feliz e sempre rodeada de pessoas queridas. Apesar de sua saúde precária nos primeiros anos, o contato permanente com a natureza e sua vida ordenada a transformou numa jovem sadia e alegre, forte e com uma incrível energia. Nunca foi para colégios ou centro superiores, mas foi educada por instrutores que eram parte da família. Sempre se interessou por música e tocava violão muito bem. Durante anos praticou rodeada de seu esposo e seus filhos, mas seu trabalho não lhe deu tempo para aperfeiçoar. Olave foi uma grande interessada em esportes, praticou tênis, remo, patinação, montava a cavalo, andava de bicicleta e quando estava cansada conduzia carruagem e automóvel. Nesta época, há algo de curioso em sua vida: apesar de gozar de tudo aquilo que uma jovem poderia ambicionar, sentia um grande vazio em sua vida, em seu interior queria ser útil e poder servir aos demais. Por ser muito jovem não a aceitaram na escola de enfermagem o que a fez desistir de seguir alguma carreira.

Ao atingir a maturidade, Olave achou que a vida da sociedade de sua época era bastante monótona e, por isso, resolveu dedicar-se aos meninos inválidos, que ela recolhia em Bornemouth, onde cuidava deles. Em 1912, quando tinha 23 anos, seu pai que a cada ano viajava ao exterior, convidou-a a acompanha-lo em uma viagem às Índias Ocidentais. Embarcaram no "Arcadian" sem imaginar que seu futuro ia mudar totalmente durante aquela viagem. Neste barco viajava, acompanhado de vários oficiais, Lord Robert Baden-Powell, fundador do Escotismo, que nesta época já ostentava o título de Lord, e gozava de grande popularidade e reputação em muitos países do mundo. Um amigo de seu pai apresentou Olave a Robert. Ele tinha 55 anos naquela época, o que não impediu que entre os dois nascesse um grande amor, já que possuíam as mesmas idéias e aspirações. O curto tempo da viagem foi suficiente para compreender que haviam nascido um para o outro e seus futuros lhe preparavam uma grande missão.

Quando deixaram a Jamaica, Baden-Powell e Olave estavam noivos e, em outubro do mesmo ano, casaram-se, indo passar sua lua-de-mel na África, iniciando uma vida em comum que foi enriquecida por três filhos: Peter que nasceu em 1913, Heather em 1915 e Betty em 1917. Entre o cuidado com a casa, a educação dos filhos e a ajuda pessoal a seu esposo, transformou-se em sua secretária, encarregada de manter correspondência com milhares de pessoas de todo o mundo que lhe escreviam. Nestes anos já havia muitos grupos de Bandeirantes na Inglaterra e sua Presidente era a irmã de Lord Baden-Powell, Agnes. Havia uma grande necessidade de dirigentes e coordenadores e por esse motivo em 1914, Lady Baden-Powell entra para o Movimento Bandeirante e dedica seus esforços na área onde residem. Pouco a pouco se deu a conhecer por sua organização, sua liderança, seu entusiasmo e personalidade. Já em 1916 é nomeada Comissária Chefe.

Nesta época a Inglaterra atravessava uma época difícil, pois a guerra impedia que fossem realizadas muitas atividades Bandeirantes, havia muita preocupação. Os poucos grupos ativos de Bandeirantes dedicavam-se aos primeiros socorros, emergências e serviços. Lady Baden-Powell se manteve em permanente contato com todos estes grupos e visitou toda a Inglaterra. Em 1918 foi nomeada Chefe Bandeirante da Grã-Bretanha. Também em 1918, Olave recebeu o "Gold Fish", medalha que só a ela foi concedida, pois é mais importante que o próprio "Silver Fish", a mais alta condecoração do Bandeirantismo Inglês. Com a colaboração de Olave neste mesmo ano é impresso o primeiro exemplar Bandeirante já dirigido à menina, conhecido como o livro de Baden-Powell (Girl Guiding), se agrega a este manual, especificamente para treinamentos o livro chamado "treinando meninas como Guias". Olave sempre teve em mente estender o movimento a muitos lugares, por isso deu muita importância a todo tipo de material impresso.

Desejando difundir o Movimento Bandeirante em nossa terra, em 1919 Lady Baden-Powell escreveu uma carta às mulheres brasileiras, na qual lhes pedia que se interessassem pela causa que estava congregando meninas e jovens de todo o mundo. Foi portador desta carta o Sr. Barclay, amigo dos Baden-Powell, que vinha ao Rio de Janeiro a negócios. Aqui chegando, o Sr. Barclay, entrou em contato com Sir Henry Lynch, a quem entregou a mensagem de Lady Baden-Powell. Sir Henry Lynch e seu irmão Sr. Edmund Lionel Lynch, interessados pelo assunto, pediram a sua mãe, Sra. Adele Lynch, que promovesse uma reunião em sua casa, convidando diversas autoridades e senhoras que pudessem tomar a iniciativa de fundar o Bandeirantismo em nosso país. Esta reunião realizou-se no dia 30 de maio de 1919.

Naquela época em muitos países já havia Bandeirantes e Fadas, por esse motivo foi necessário criar um comitê específico que pudesse manter a comunicação permanente com todos os países, intercambiando correspondência, notícias, relatórios, necessidade. Lady Baden-Powell contou com a colaboração de várias mulheres, não só em seu país, todas elas ativas dirigentes, comissárias, como também encontrou respostas favoráveis nas amigas que tinha fora da Inglaterra. Ela aceitou ser a Primeira Presidente deste Comitê e a curto prazo conseguiu formar outro fora do país que se encarregava dos grupos de meninas e jovens, cujos pais residiam em outros continentes.


Foram estes órgãos, que deram a base para a existência do que hoje conhecemos como Bureau Mundial e Associação mundial de Bandeirantes, cuja sede é em Londres, Inglaterra. Graças a Deus que lhe concedeu um organismo forte e uma mente sã para poder realizar o trabalho a que se propôs, de manter vivo os ideais de seu querido esposo. No ano de 1937 a saúde de Lord Baden-Powell começa a enfraquecer e eles decidem mudar para o Kenya, lugar aonde já haviam vivido casados e aonde ele cumpriu com sua carreira militar na juventude. Compraram uma propriedade rodeada de natureza primitiva e exuberante que puseram o nome de PAXTU, o que significa "paz para dois". Nestes anos ela se dedica a cuidar de seu esposo, recopiar escritos e pinturas, atender correspondência e receber visita de filhos, amigos, muitos deles vindo de longe somente para vê-los. Em oito de janeiro de 1941, falece Lord Baden-Powell, e foi enterrado no mesmo lugar em que viveu seus últimos anos.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Monitores, quem vive sem eles?


Conversa ao pé do fogo.
Monitores, quem vive sem eles?

Um condensado do livro de Roland E. Phillipps do seu livro o Sistema de Patrulhas. (eu o tenho em PDF se alguém se interessar mande-me um e-mail elioso@terra.com.br). No seu livro comentou: - "O monitor não deve ser, nem ama seca, nem tenente berrão, nem domador de feras, mas apenas um irmão mais velho que se segue porque se ama". 
   
Principais características que um Monitor de patrulha deve ter:

Líder - um exemplo a seguir;
Companheiro - um amigo dá ajuda e conselhos, compreensivo;
Comunicativo - diz as suas ideias;
Leal - de confiança, preocupa-se muito com o que faz;
Democrático - respeita todas as opiniões da mesma maneira;
Humilde - não mostra a toda à gente as capacidades que tem e dá valor às dos outros;
Trabalhador - aplica-se nas suas tarefas;
Responsável - faz sempre as suas tarefas; 
Assíduo e pontual - chega há horas e não falta;
Participativo - ajuda em tudo o que é preciso, está sempre pronto.
  
As funções do Monitor: 

- Prepara as reuniões de patrulha;
- Diz aos dirigentes a opinião da patrulha; 
- Diz à patrulha a opinião dos dirigentes;
- Ajuda e ensina os elementos nas provas de etapa de progresso pessoal;
- Ajuda a resolver problemas na patrulha;
- Escreve os problemas e coisas que a patrulha precise, e leva para a Corte de Honra.
- Na Corte de Honra representa e transmite a opinião da patrulha;
- Leva o totem da patrulha;
- Fala em nome da patrulha sempre que necessário;
- Alimenta o "bom" espírito de patrulha.

As funções do Submonitor: 
- Ajuda o monitor nas tarefas de organização da patrulha;
- Substitui o monitor quando ele falta;
- Participa na Corte de Honra a convite.
- Ajuda e ensina os elementos nas provas de etapa de progresso pessoal.

 A eleição do Monitor e Submonitor: 
Eleição - conselho de patrulha sob orientação da Chefia de Tropa.
Demissão – Corte de Honra com amplo direito de defesa. 

A eleição do Submonitor: 
Eleição - escolhido pelo monitor e aprovado pela patrulha 
Demissão – Corte de Honra com amplo direito de defesa. 

É importante não esquecer que todos os cargos são muito importantes para a Patrulha estar bem. Não há nenhum melhor do que o outro. 

Na Patrulha o monitor deve preocupar-se em dar-se bem: 
- Com os elementos da patrulha; 
- Com os dirigentes e com os pais; 
  
Com os elementos da patrulha o Monitor pode: 
- Combinar lanches em casa dos patrulheiros (as);
- Conhecer as casas e as famílias;
- Ter momentos divertidos: ir ao cinema, lanchar, etc.;
- Escrever informações sobre cada um.

Com os dirigentes o monitor pode:
- Combinar encontrar-se com o dirigente para desabafar / pedir ajuda;
- Falar sobre todas as coisas, mesmo as que não concorda; 
- Organizar atividades com a Patrulha para conhecer a família;
- Combinar com os patrulheiros (as) para conhecer a família de propósito.

 O Monitor não é, nem deve ser: 
- O sabichão, saber tudo ou ter a mania que sabe;
- O mandão, mandar em todos ou ser mandado;
- O mauzão, zangar-se quando as coisas estão mal; 
- O patrão, delegar tarefas e não fazer nada; 

- A carne para canhão, assumir sozinho as responsabilidades de uma situação de patrulha; 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Cascudo um Escoteiro sonhador. (Repeteco)


Lendas escoteiras.
Cascudo um Escoteiro sonhador. (Repeteco)

       O ônibus parou no ponto e desci. Meu tempo era curto, portanto não podia ficar olhando aqui e ali. Estava na Av. São João e mais dois quarteirões eu iria encontrar a Rua Santa Efigênia. Talvez pela pressa eu dei um esbarrão forte em um transeunte e ele olhou-me desaforado. Não queria briga e pedi desculpas. Ele que tinha caído no chão levantou e me encarou. Poxa, pensei! Não vim aqui para isto. O desconhecido deu um belo sorriso – Monitor! É você? – Olhei para ele. Não reconheci. Estava de terno, um sujeito forte, cabelos negros bem penteados. O danado até que era simpático. – Desculpe amigo, pelo jeito estivemos juntos no passado no escotismo. Ele deu belas risadas chamando a atenção de outros que passavam. – Olhe bem Monitor! Sou eu, Josiel de Arimatéia a que você e os outros da tropa chamavam de Cascudo! Caramba, como ele mudou, agora eu me lembrava de nosso glorioso passado. Ele se aproximou de mim bateu os calcanhares e gritou bem alto: – “Sempre Alerta Monitor”! Quem passava sorria.

       Nos abraços efusivamente – Vamos beber alguma coisa. Eu pago ele disse. Na esquina bem proximo a Avenida Ipiranga encontramos um barzinho aconchegante. Olhei para ele, se transformou em um homenzarrão bem mais alto que eu. Ele ria de satisfação – Monitor! Como foi bom encontrá-lo. Quanto tempo eim? – É meu amigo – falei. Muito tempo. Mais de quarenta anos. E você me fale de você – eu disse. Monitor eu ralei muito neste mundo. Você deve se lembrar do meu pai um pobretão. Coitado. Mas me formei e hoje sou Promotor de Justiça. – Nossa! Pensei. – Que bom eu disse. Mas desistiu do escotismo? Lembro que você era um entusiasta. – Olhe Monitor, acho que você sabe, é muito difícil entrar e participar de um Grupo Escoteiro como o nosso no passado. Enquanto estudava nem pensei em procurar um grupo depois quando me formei achei que podia ajudar. Ele riu e continuou – Mas eles não querem ninguém como eu. Preferem pessoas mais humildes que não discutem muito. – Pensei comigo como as coisas mudaram.

      - Mas Monitor não vamos falar sobre isto. Porque não se lembrar daqueles tempos? – Porque não pensei. – Olá posso me sentar com vocês? Olhei e vi um senhor de uns sessenta anos cabelos grisalhos, óculos de grau bem grossos e uma bengala – Não estranhem meu pedido ele disse. Também fui Escoteiro e sênior. Estive na luta pelas estradas da vida e só me dei conta que era hora de parar a cinco anos passados. Cansei. Estava solteiro, não tive ninguém ao meu lado. Tentei como você entrar em um grupo. Sempre amei o movimento Escoteiro, foi ele quem me deu a força para enfrentar tudo que enfrentei. – Ele já estava sentado. – Não parou por ai, outro sentado numa mesa próxima sorria. Deu-nos o sinal de Sempre Alerta. – Posso participar com vocês? Claro eu disse. Quatro antigos Escoteiros se encontrando por uma cisma do destino. Cada um querendo lembrar e contar histórias do seu passado. Todos dizendo que não se adaptaram ao escotismo de hoje. Tentaram mas viram que eram um peixe fora d’água.

        Mas bons Escoteiros não ficam reclamando. Eles quando se encontram é para contar causos e causos. Lembrei-me de um Chefe que me enviou um convite -
Chefe! Aguardamos sua visita. No meu grupo o senhor vai poder contar muitas “historinhas”. Ri a valer. Contar “historinhas”! Sei que quando começamos a contar nosso passado era onze da manhã. Agora passava das seis da tarde. Cada um telefonou para sua cara metade explicando. Não guardei o nome de todos e eu pouco falei. Quantas histórias foram contadas. As noites das cobras, o vale seco, o Calcanhar de Aquiles onde todos tinham medo de ir, o Delegado que prendeu uma patrulha inteira, quinze escoteiros correndo de seis emas selvagens, e assim foi até o cair da noite. Pensei comigo que não era só eu o contador de histórias. Todos aqueles antigos Escoteiros também tinham a sua.

        Se quatro antigos Escoteiros em um pequeno bar tinham tantas coisas para contar quem diria se estivessem em uma floresta, numa clareira qualquer, uma noite sem lua e o céu estrelado eles contariam histórias a noite toda. Nos olhos de cada um eu via a chama da esperança, a vontade de voltar no passado, às saudades que machucam, mas que ajudam a viver. Ninguém comentou sobre suas dificuldades atuais, sua vida familiar ou profissional. Ali os quatro saudosos só lembraram-se do passado. Ah! Os poetas, sempre eles para nos dizerem tudo do passado, a dizer que saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que no machuca, é não ver o futuro que nos convida... Aguinaldo Silva escreveu isto. Melhor é ler Confúcio dizendo que a experiência é uma lanterna dependurada nas costas que apenas ilumina o caminho já percorrido.


       Cheguei e em casa quase meia noite. Pelo meu sorriso a Célia sentiu que eu estava feliz. Contei para ela o encontro com Josiel de Arimatéia, o Cascudo, um escoteiro da minha patrulha, contei do Geraldo Nonato que nunca vi e que devia ter sido um grande escoteiro e do Leandro Farias um Velho Escoteiro como eu. Ela me ouviu com um olhar gostoso e um sorriso carinhoso. Existem muitas felicidades que não vemos. A maior delas é estar ao lado de uma criatura maravilhosa que sempre me apoiou. Uma grande companheira, a mulher que amo. Não esperem muitas aventuras neste conto simples. Comecei do nada e termino com a história de um grande amor. Um não são dois. O primeiro minha linda esposa querida e o segundo meu escotismo maravilhoso. Ambos jamais esquecerei!

domingo, 27 de abril de 2014

Para que eles servem?


Coisas de velhos Escoteiros.
Para que eles servem?

      Dizem por aí que velhos Escoteiros só têm uma utilidade: - Servir de poste para que os outros comentem o que ele foi e mais nada. Afinal o mundo é outro e ele o Velho Escoteiro já expirou seu tempo e aqui na terra e insiste em fazer hora extra. Assim pensando, pois ninguém quer ouvir suas ideias e sugestões eu fico na minha de escrever e publicar. Ainda bem que em minhas publicações tem alguns comentários e uns poucos que leem e curtem. Podem me contradizer, mas se você é um Velho Escoteiro me diga se sempre é consultado pelos membros dirigentes nacionais ou regionais e em alguns casos no seu grupo escoteiro? Quem sabe sim, podem ter-lhe perguntando se ser um Velho Escoteiro chato e “maniento” rende dividendos financeiros. Risos. Brincando somente e que me perdoem os outros velhos Escoteiros não vou compará-los a este quem vos escreve.

      Meu intuito aqui hoje é escrever esta pequena crônica é somente para lhe contar um fato do acontecido ontem, sábado, 26 de abril de 2014. Lá estava eu gostosamente cochilando no Santuário Mãe de Deus, onde se reuniam alguma centenas de Escoteiros paulistas que religiosamente assistiam a missa que por sinal foi uma das mais belas que já tinha visto. As canções do Padre Marcelo marcam profundamente. Missa é missa e não se sai abraçando e dando sempre alerta apesar de que um ou outro gato pingado aparecia. E foi então um chegou – Me olhou de esguelha sorrindo! Sou eu Chefe Osvaldo o Chefe Castanha. Beleza! Abraços e apertos de mãos saudosos. O tempo passa e eu ainda cochilando. Um Chefe, uma Chefe me cutuca e diz que sempre lê minhas histórias. Outro diz que sempre se emociona. Bom isto. Fico orgulhoso quando ouço alguém dizer assim. Mas além da rotina do Velho Escoteiro pouco reconhecido entre os jovens, pois ele não é nenhuma sumidade eis que chega ao final a missa e eu maravilhado com o cantar de todos a pedido do Bispo. Cantam a Canção da Promessa. Lindo. Espetacular! Parabéns!

    Termina tudo e eis que cada Grupo Escoteiro orgulhosamente dá seu grito de guerra. Um aqui outro ali e outro acolá. Bonito isto. Eu conversando com amigos vejo que formam um grande círculo. Poxa! Seria hora da Cadeia da Fraternidade? Não posso perder de maneira nenhuma. Aperta ali, aperta aqui e eu me aboleto entre uma senhora e uma escoteira. Adoro isto. Nunca fiquei de fora de uma Cadeia da Fraternidade e agora no fim da minha vida não ia perder esta. Foram mais de quatro centenas delas. Cada uma sempre diferente e emocionante. Começam a cantar, o dirigente como todos – Gente, para a direita, para a esquerda. ♫“Porque perder a esperança de nos tornar a ver, porque perder a esperança se há tanto querer”♫... O Velho Escoteiro tenta acompanhar com suas pernas bambas, uma voz fanhosa e canta somente com os lábios. Linda Cadeia da Fraternidade. Bem cantada todos sabem como fazer. Uma pausa um silencio, eu um Velho Escoteiro achei que acabou.

    Não tinha acabado, mas aquela euforia de participar de tantas, de sentir na veia a canção que ninguém esquece e de olhos fechados pensando que seu passado voltou fiz o que ninguém esperava... Gritei bem alto e olhe nem sei como saiu minha voz – “Escoteiros, um por todos” todos respondem – “Todos por um”! Repito novamente. E depois acrescento – Uma vez Escoteiro? Todos respondem – Sempre Escoteiro. E achando que era um Baden Powell renascido da Fênix, dou um sorriso e finalizo: Sempre? – respondem todos Alerta! - Missão cumprida. O Velho Escoteiro se sentiu realizado. Mas não, impossível, eu não era o dirigente, eu não tinha este direito! Arvorei em um direito que não tinha! O dirigente, o que realmente possuía este direito veio direto a mim, educado é claro – Chefe o senhor cortou a canção! Não estava na hora! No fundo ele queria dizer que ele é quem estava dirigindo e era dele o direito. Ele educadamente podia até ter completado – Porque não me pediu Chefe?

     Tentei sorrir e contar uma piada. Não sabia onde enfiar a cabeça. Preferi brincar com ele pedindo desculpas e me despedi de todos. Fui embora olhando para trás e imaginando os comentários, mas sorrindo baixinho. Mas quer saber uma verdade? Eu gostei. Gostei muito e adorei o que fiz. Certo ou errado mesmo não tendo este direito não posso dizer se o faria de novo. Eu sei que direitos são direitos, que norma é norma, mas quando eu poderia fazer isto novamente? Quantas Cadeias da Fraternidade eu ainda participarei? Se o Chefe dirigente estiver lendo esta crônica eu peço sinceras desculpas, mas me desculpando ou não, não me arrependo. Lembrar só de lembrar o passado é bom, mas agir como se você estive nele presente ainda é melhor. Não sei onde tirei a voz em um circulo com mais de quatro centenas de Escoteiros. Mas ela saiu sem eu esperar, gritada, forte alegre e parecia que eu era o Osvaldo, um Escoteiro com meus vinte e seis anos, naquele longínquo tempo passado, nas minhas Minas Gerais onde dirigi uma Cadeia de fraternidade com mais de dois mil Escoteiros. Uma apoteose!


       Obrigado amigos por me compreenderem, pois não vi nos olhos de nenhum jovem nenhuma admoestação. Para eles não importava quem estava dirigindo, cumpriram sua missão e aceitaram que outro ali dissesse as palavras mágicas de todo fim da Cadeia da Fraternidade. Senti um orgulho “danado” deles. Uma meninada alegre, cantante, que estavam lá prestando sua homenagem e nem sabiam que alegraram o coração de um Velho Escoteiro que achou que podia... Mas ele não podia nunca ter tomado a liderança. Pois é, são coisas de velhos Escoteiros, afinal para que eles servem? 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Eu adoro a calça curta!


Crônicas de um Velho Escoteiro.
Eu adoro a calça curta!

              Ei! Nada contra de quem gosta da comprida caqui, amarela, cinza, azul, branca, roxa, verde e agora marrom e azul. Nada contra. Mas eu? Eu adoro mesmo a calça curta caqui. Quando visto meu uniforme cáqui me sinto bem. Não sei por que. Sinto-me mais Escoteiro. Antigamente, lá pelos idos de 50, 60, 70 e 80 havia uma norma no POR que dizia – Junto aos jovens e em atividades com eles se usa a o caqui tradicional (estava mesmo escrito tradicional). O cinza deve ser usado em cerimonias especiais, atividades sociais etc. Assim aquela norma vale para mim até hoje. Sei que a jogaram pela janela e ela se foi com o vento sul que sopra forte para nunca mais voltar. Novos tempos. Vento moderno.

               Sei que muitos hoje e até naquela época tinham vergonha da curta. Aqui e ali alguns com a comprida cáqui. Bem não era o meu caso. Nunca tive vergonha. Claro hoje vejo fotos de Baden Powell (BP) sempre de calças curtas nunca vi nenhuma foto com ele usando a comprida (estilo inglês podem me dizer) e me orgulho de ter feito o mesmo. Mas já me condenaram aqui por me arraigar nesta fútil ideia de manter uma tradição que não tem valor para eles. Claro. Respeito. Tradições? Bah! Fora tradições. Mas insisto, eu adoro e sempre adorei minha calça curta. Quantas peripécias passei com ela. Mas as alegrias superaram. Chegar a uma cidade, com o grupo, com a tropa ou com a Patrulha o andar ereto em frente, sorrindo e vendo todos nas portas, janelas a admiraram aqueles esbeltos escoteiros (risos eu não era assim tão esbelto) a desfilarem, (Puts! Agora proibiram) bandeiras ao vento! As meninas nos vendo apaixonadas. De onde São? Olhe aquele ali, lindo! Era eu! Risos.

              Claro, sempre provando a mim mesmo que enfrentaria multidões. Um dia fui para a sede. A pé. Tinha a minha bicicleta. Era fácil ir pedalar. Mas como eram somente seis quarteirões porque não desfilar a pé? Fazia isto sempre (hoje se escondem em um automóvel e alguns ainda tem a pachorra de levar o uniforme para vestir na sede, mas eles podem agora. É moderno). Ao passar em frente à Padaria do Osmar alguém gritou! Que belas pernas! Dez pratas para quem passar a mão! Engrossou! E agora? Dezessete anos, metido a valente, faca de um lado, machadinha pequena de outro. Um verdadeiro pistoleiro do oeste. Coloquei a mão na cintura gritei! Quem se habilita? Quem vai ser o primeiro? Risos. Ninguém. Nunca mais falaram nada.

              A calça curta para nós era sagrada. Nossos chefes sempre usaram. Sempre eles são nossos exemplos. Hoje até dirigentes nacionais se vestem com a tal vestimenta, meinhas brancas, outros sem, camisa fora da calça outros não, calça curta outros comprida. Um lenço no pescoço e uma camiseta qualquer. E salve-se quem puder! Exemplos? Claro. Quem os vê assim aprenderam e vão ensinar a todos a nova moda. Risos. E tem um que me garantiu ter achado barato. Deve ser o marido da barata. Garantem que a turma que não gostava do caqui agora vai vir de montão. Vamos esperar para ver. E interessante, só vejo a maioria escotistas classe media usando. Os humildes, os sem nada que nunca poderão comprar o mais caro tem a vantagem do mais barato. O que? Tem para pobre e para rico? Não sabia. Mas estou falando da calça curta. Desculpem. Saí do rumo. Perdi minha bússola prismática da minha lide “caqueana”. Vamos voltar ao percurso de Gilwell aqui comentado.


            Minha calça curta dos velhos tempos! Adoro você! Estranho até hoje quando vejo alguém de comprido caqui. Cinza até que vá lá. Mas como dizem os filósofos, tudo não passa de um hábito de comportamento e gosto não se discute. Aprendeu assim fará assim. Em breve estaremos todos de marrom e azul. Todos não. Eu nem morto. Eles quem sabe estarão de chinelos ou sem meias, com lenço ou sem lenço, o calçado hoje pouco importa. Cobertura? Será a critério de cada um. Pode ser um chapéu de cowboy vermelho vivo! Seria lindo, tudo colorido como se fosse um belo arco íris e com uma linda pena amarela de papagaio. Cacilda. Lá estou eu de novo a criticar. Não tenho este direito, sou um "Velho" Escoteiro chato, gagá e aposentado. Mas acreditem, não importa. Quando eu me for São Pedro que me aguente, chegarei lá de calça curta e chapelão. Risos. Se não me deixar entrar mando chamar Baden Powell. Ou melhor, poderei dizer – “Sabe com quem está falando”? Mas eu juro a vocês, se eu vivesse mais cem, duzentos ou trezentos anos eu estaria envergando a minha linda, a minha gostosa, a minha deliciosa, a minha espetacular, a minha grandiosa, a minha imponente, a minha majestosa, a minha divina a minha linda muito linda calça curta!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Um fantástico dia do Escoteiro. 23 de abril, um dia que nunca mais esqueci!


Um fantástico dia do Escoteiro.
23 de abril, um dia que nunca mais esqueci!

Foram tantos dias do Escoteiro que vivi... Tantos demais.  Hora de fazer a mente voltar no tempo... Quanto tempo! Quer saber? Tempo demais. Eu não sabia que era meu dia, nem deduzia que tínhamos o dia do Escoteiro. Podem acreditar era verdade, só fui saber naquele acampamento da Patrulha na Serra da Garça Branca. Acho que é por isto que nunca mais esqueci aquele dia. Ficou marcado para sempre em meu coração. Eu acreditava que sabia tudo com meus onze anos vividos. Não me chamem de menino, nem de noviço, já me considerava homem feito, pois caminhava para a segunda classe, assim já era um experiente Escoteiro. Bem não foi aquele o meu melhor acampamento, nada disto apenas um fim de semana gostoso. Mas o que aconteceu nele foi demais. Demais mesmo. Lembro-me de tudo, nunca esqueci, ora, ora, esquecer como? Não posso esquecer aquela tarde, um vento sul soprando, um friozinho chegando, uma deliciosa brisa do alvorecer...

Fomos até o mirante do Canta Galo, não mais que duzentos metros do campo. Era linda a vista e sempre quando acampávamos ali era normal e rotineiro ficarmos lá até o anoitecer. Um pôr do sol sem igual em todas as tardes sem muitas nuvens. A tarde chegava e o céu ficava cor de ouro, um amarelo vivo encantando as poucas nuvens no céu. Aos poucos um pedaço do sol ia desaparecendo atrás da montanha do Sabiá, nós de olhos firmes encantados com tão linda vista e de supetão Mauricio o Monitor diz – Hoje é o dia do Escoteiro, nosso dia! Tirei a vista daquele céu celestial e olhei para ele com o cenho franzido: – Temos um dia Monitor? – Temos sim é hoje, 23 de abril. Surpresa! Enorme surpresa! Fiquei encantado. – Então temos um dia? Incrível! Olhei para os outros patrulheiros. Nem ligaram. Não sei por quê. Para mim foi demais. Olhei de novo o céu. O amarelo ouro no meio de poucas nuvens se transformava em vermelho vivo e aos poucos ia escurecendo. O sol se foi. Um bando de andorinhas passou voando sobre nós. Confesso que não dormi direito. - Temos um dia repicava em meu pensamento. Lá pelas duas da manhã, já no dia 24 de abril levantei e sai da barraca. Um frio gelado me esperava.

Sentei em um toco em frente à barraca, as brasas do pequeno fogo não existiam mais. Olhei para o céu cheio de estrelas. Eu o conhecia de cor. Sempre acampávamos ali. – Meu pensamento era o mesmo. Não esquecia o que o Monitor contou. Temos um dia 23 de abril. Era demais. Ficou gravado em meu coração para sempre. Meia hora depois me deu sono, voltei à barraca e dormi. Se sonhei não lembro, mas nosso dia ficou marcado. Todos os anos eu me lembrava dele estivesse onde estivesse. Agora eu tinha um dia que o considerava meu e de todos os meus irmãos Escoteiros. Neste dia elevo meu pensando a Deus para que ele mantenha viva a chama escoteira no coração dos nossos irmãos que participam desta grande fraternidade. Cada um tem um dia especial para lembrar. O meu é como fosse gravado para sempre naquele final de tarde de um abril do passado, um céu cor de ouro, poucas nuvens e o sol se escondendo atrás da montanha do Sabiá. Será que é por isto que amo demais o por do sol?
23 de abril, me junto a todos meus irmãos Escoteiros do mundo para dizer – Sempre Alerta! Como é lindo e fantástico ser um Escoteiro!

UM LINDO DIA DO ESCOTEIRO PARA TODOS! 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Zap, zep e zão... Um viva a revolução!


Conversa ao pé do fogo.
Zap, zep e zão... Um viva a revolução!

          Menos de dez horas, Nonô e Araceli desceram do ônibus na Praça Sete. Levaram o maior susto. Em todos os lugares soldados do exército armados até os dentes. Tanques de guerra cobriam cada rua e cada canto do centro da cidade. O que estava acontecendo? Nonô foi a uma banca de jornal e comprou o Estado de Minas. Lá explicava tudo. A revolução aconteceu. Nonô não era politico, não era comunista, não era revolucionário. Nonô era um Chefe Escoteiro. Um homem trabalhador que pensava em criar sua família como um bom brasileiro. Nonô foi a capital aproveitando uma folga de 80 horas da Usina onde trabalhava. Combinou com todos no grupo que passaria na Cantina escoteira e quem saber bater um papo com os lideres regionais claro, se tivesse alguém lá. Estava hospedado em casa de um primo. Ficaria só um dia, pois pretendia a noite pegar o trem noturno de volta para sua cidade.

           Nonô comentou com Araceli sua esposa que não deviam se preocupar. Eles não eram malfeitores e melhor eram cumpridor de seus deveres e bons cidadãos. Na Cantina Escoteira fizeram uma boa compra. Como sempre não havia ninguém da liderança regional. Ele entendia, pois sabia que todos trabalhavam. Pegaram o trem noturno e ele partiu da gare às onze e meia. Deviam chegar por volta de nove da manhã. Na estação de Pedreira eles desceram. Logo avistaram Lilico, um motorista de taxi e pai de um lobinho. – Chefe, cuidado, a “coisa tá feia” prenderam o Chefe Laerte e os demais chefes sumiram da cidade. Proibiram o Grupo Escoteiro de Funcionar. Disseram que ali estavam ensinando aos meninos as tática de guerrilhas e que o grupo era comunista. Isto porque o lenço era vermelho e branco. Soube que foram na sua casa e perguntaram por toda a vizinhança. Nonô notou que os trens passavam cheios de prisioneiros com destino a capital. O Chefe Laerte preso? Um rapaz seu amigo e irmão. Conheceram-se na usina e logo passaram a falar de escotismo. Coisas de escoteiros.

           Lilico os levou até sua casa. Alertou para não ficar ali. Era perigoso. Nonô disse para Araceli ficar de sobreaviso. Iria até a paróquia. O Padre Eli era gente boa. Ele devia saber o que estava acontecendo. No caminho alguém gritou de uma janela. Nonô viu que era Gegê, o Monitor da Raposa. – Chefe! Cuidado! Estão procurando o senhor por toda a cidade. Tem uma patrulha acampada atrás do Morro da Viúva. Estão com eles o Vavá e o Jair. Eles ficarão lá até passar esta onda de prisão. Nonô agradeceu e partiu para a paróquia. O Padre Eli sorriu quando o viu. – Chefe acusaram vocês de serem comunistas por causa do lenço vermelho e que estão treinando os meninos para guerrilheiros. Pode? Olhe expliquei para o Sargento Modesto que tudo não passava de um engano. Não sei se ele entendeu, mas o Marcondes estava com eles. Foi ele quem dedurou todo mundo aqui. Lembrei-me do Marcondes. Era Juiz de Menores na cidade e foi contra a fundação do Grupo Escoteiro.

        - Mas olhe continuou o padre Eli, não precisa se preocupar. Fui pessoalmente à 15ª Companhia da Policia Militar. O Capitão Natal foi legal. Disse que nunca acreditou no que disseram do Grupo Escoteiro. – Fiquem nas suas. Ninguém vai incomodar. Ele sabia que os Escoteiros tem uma formação patriótica. Ele iria ver se soltava o Chefe Laerte, mas ele tinha sido levado para o DOPS na capital. Passou uma semana e tudo estava voltando ao normal. Ninguém mais procurou o Chefe Nonô. A patrulha que estava acampada voltou. Vavá e Jair tinham dezessete anos. Eles se assustaram. Como sêniores e novos no Clã ficaram com medo de serem presos. Aos poucos o Grupo Escoteiro foi voltando ao normal com suas atividades. Só três semanas depois que soltaram o Laerte. Ele estava revoltado e dolorido. Aplicaram nele choques elétricos, enfiaram sua cabeça dentro de um vaso de água e com um pequeno alicate arrancaram uma unha de sua mão. Seus olhos estavam vermelhos. Devia ter chorado muito.

          Chefe Nonô! Não vou perdoar estes canalhas. Vou entrar para o sindicado e para a guerrilha. Lá terei respaldo e desculpe, vou deixar o grupo. Não quero que os militares achem que estou lá preparando uma revolução. Chefe Nonô não concordou, - nada disto Laerte. Não é nossa sina. Não somos revolucionários. Temos família para cuidar. Temos o Grupo Escoteiro e temos um nome a zelar. Chefe Laerte abaixou a cabeça e não disse nada. Sumiu de novo da cidade. Ninguém sabia onde fora. Um mês depois soubemos que tinha entrado para uma guerrilha na Mata do Pintassilgo. Durante meses lutaram de arma em punho. Cinco mil soldados chegaram e em menos de um mês acabou a guerrilha. Ninguém mais ouviu falar no Chefe Laerte. Chefe Nonô ficou inconsolável. Dizem que não houvera prisioneiros. A família do Chefe Laerte mudou para longe. Uma cidade grande e ali acharam que ficariam escondidos.


          Muitos anos se passaram. Hoje os filhos do Chefe Laerte são adultos. Boas lembranças do seu pai que só conhecem por fotografias, bem assim me disseram. A vida do Chefe Nonô virou do avesso. Despedido do emprego vagou por varias cidades. Um dia batendo sua bengala na Avenida Angelica passou por um ancião também com uma bengala. Pararam. Entreolharam-se. Impossível, não poderia ser o Chefe Laerte. Mas era ele mesmo. Abraçaram-se e os transeuntes que passavam por aquela rua não entendiam. Dois velhos se abraçando e chorando como duas crianças. Se eles tiveram “causos” para contar ninguém soube. O que sei é que resolveram colocar a conversa em dia. Dizem que ficam sempre conversando na varanda do Chefe Nonô até altas horas da noite. Ambos na casa dos setenta e cinco anos mal aguentavam em pé, mas a amizade que tinham um pelo outro os uniram até o fim da vida. Eu quando me lembro desta história eu fico pensando...  Zap, zep e zão... Um viva a revolução!

A fantástica lua de mel do Chefe Rosinha.


Crônicas escoteiras.
A fantástica lua de mel do Chefe Rosinha.

         Pelo amor de Deus! Lembrar-me dele de novo? Nunca em minha vida conheci alguém como o Chefe Rosinha. Nem sei como no grupo eles não diziam nada. Quem sabe pelas suas histórias, pelo seu jeito encantador que deixava as escoteiras e guias sorridentes, ou pela sua maneira prestativa, mas era chegar ao fim da reunião ele procurava algum Chefe – Chefe Nonato, tem dez paus para me emprestar? – Nonato coitado era um amor de Chefe e não sabia dizer não. Ele tirou da carteira dez reais e deu ao Chefe Rosinha. – E os mais de duzentos que você me deve Chefe Rosinha? – ele sorriu com aquela cara de besta e dizia – Você sabe, meu casamento é em novembro faltam três meses. Como lhe pagar com as despesas que tenho? Ele devia a cidade inteira. Pegava mal para o Grupo Escoteiro. Donato o Chefe do Grupo resolveu fazer um Conselho de Chefes para discutir o assunto. Ninguém concordou em mandar o Chefe Rosinha embora.

       Chefe Rosinha conheceu Anita na parada de Sete de Setembro. Ele logo apaixonou por ela. Ela estudava no Colégio Aparecida e no desfile se encontraram. Ela de uniforme escolar e ele de Escoteiro. Apaixonaram-se. Foi um amor de duas pessoas idênticas. Anina também não gastava. Cada tostão ela guardava. Mordia a língua para não comprar supérfluos. Todos benzeram o casal afinal eles iam se dar muito bem. Até aceitavam que ele continuasse no grupo, pois além de sua simpatia todos se divertiam com seu estilo. Um dia um chefe novato não sabia como era ele – Chefe Rosinha! O senhor poderia me emprestar quarenta reais? Fique tranquilo que pagarei sem falta na próxima reunião! – Ele sério respondeu – Prá que quarenta? Trinta é muito, vinte não! Penso em lhe dar dez, mas acho que cinco é o suficiente. Tome aqui um real e na semana lhe dou o saldo!

       Eles casaram em uma quinta, pois era mais barato na igreja e no civil. Ele era amigo do Juiz de Paz e tentou tudo para o casamento no civil fosse grátis. Mas Seu Zenóbio foi inflexível. – Nem pensar Rosinha. Eu te conheço bem. Ou paga ou não casa. Rosinha ficou fulo, chamou Turquinho um sênior muito amigo do filho do Seu Zenóbio e pediu a ele por misericórdia que tomasse duzentos reais emprestado do Seu Zenóbio. Ele não deveria contar para quem era. No dia do casório no civil Rosinha e Anita se casaram no civil. Depois de tudo assinado Rosinha bateu no ombro do seu Zenóbio – Obrigado amigo pelo empréstimo dos duzentos que o Turquinho lhe pediu emprestado para mim. “Fique tranquilo que um dia te pago”! Seu Zenóbio sabia que nunca mais iria ver a cor do  dinheiro!

          O grupo ofereceu uns comes e bebes, mas poucos. Não é que o casal saiu mais cedo da festa? Levaram uma bolsa cheia de guloseimas que os Escoteiros compraram para os convidados! Sei não, um Chefe Escoteiro uma vez me disse que o pródigo é arrogante e o avaro é mesquinho. É preferível a mesquinhez a arrogância. Seria verdade? Uma semana depois de casados, eles moravam na casa da Mãe de Anita souberam do acampamento. Chefe Rosinha pediu cinco dias de folga e Anita que era professora pediu também. Insistiram com o Chefe Nonato para eles participarem. Sabiam que seria na fazenda do Inácio Sapoti. Ele não podia ver os Escoteiros que oferecia tudo. Quando o ônibus chegou à fazenda os dois saltaram e procuraram o Inácio – Seu Inácio! Disse Chefe Rosinha, eu e a Anita casamos na semana passada e não seria de bom alvitre ficarmos lá no acampamento dos Escoteiros.

         Claro que Inácio iria convidá-los para dormir em sua fazenda. Foi uma verdadeira lua de mel de cinco dias. Comida farta, um quarto enorme só prá eles, e toda a manhã frutas frescas. O acampamento terminou e eles tiveram que voltar no ônibus. Inácio caiu na besteira em convida-los a voltar e claro eles voltaram nas ferias. Vinte e nove dia comendo e dormindo de graça! Em um Conselho de Chefes Chefe Rosinha pediu a palavra – Sabem meus amigos, a Anita queria participar dos lobinhos, vocês sabem ela é professora, mas ela não tem como fazer o uniforme, então eu pensei que vocês poderiam se cotizar e fazer um bem bonito para ela, mas tem de ser completo com meião e cinto! Todos olharam para ele e viram em seu bolso e ouviram uma voz fininha: - Estou contigo e não abro! Era a carteira de Rosinha o Escoteiro mais pão duro que existiu.

         Para dizer a verdade eu não sei como aguentaram Chefe Rosinha por tanto tempo. Nunca pagou nada. Fez seis cursos todos pagos ou pelo grupo ou pelo chefes amigos dele. Amigos? Acho que por causa da sua conversa, do seu sorriso e da sua alegria a maioria o aceitava. Mas no sábado à noite depois da reunião foram todos para uma choupada. Na maioria das vezes Chefe Rosinha não ia. Sempre tinha alguém para lhe falar umas verdades, pois ele nunca colaborava. Desta vez foi e levou Anita sua esposa. Contou piadas, riu a beça e até cantou musicas escoteira que muitos se surpreenderam. No final Bruno Cara Feia foi escolhido para recolher a parte de cada um. Ele era um Chefe novato e não sabia como era o Chefe Rosinha. Quando ele foi cobrar ele disse – Olhe Bruno, pareço egoísta, mas sempre deixo a satisfação de pagar a conta no bar para meus amigos. E começou a rir. Chefe Bruno não gostou. Foi preciso da intervenção dos demais para não saírem no braço.

       Chefe Rosinha saiu do grupo. Todos só foram saber o que aconteceu muitos meses depois. O danado ganhou um milhão e meio na Loto fácil. Sumiu de um dia para o outro. Sabia que iriam morar na frente de sua casa para receberem o que ele devia. Mais da metade da cidade. Dizem que ele foi morar em São Francisco do Sul. Até hoje o Grupo e a meninada sentem falta dele. Afinal era um boa praça, um pandego e claro um tremendo de um pão duro. Um dia apareceu na TV, levado pelo delegado por não pagar dividas. O pior é que estava de uniforme Escoteiro. Pode?

Os dez mandamentos do pão duro:

  1. Nunca dizer: "Pode ficar com o troco".
  2. Não colocar a mão no bolso em vão.
  3. Amar seu bolso como a si mesmo.
  4. Lembrar que tudo tem sem preço. Então, vamos às promoções!
    Pechinchar sob todas as formas.
  5. Desperdiçar.
  6. Ir a compras somente aos domingos, quando quase tudo está fechado.
    Valorizar cada centavo.
  7. Analisar o custo/benefício.
  8. Emprestar sempre com juros. Jurar é pecado. Cobrar juros, não!
  9. Valorizar cada centavo.
  10. Analisar o custo/beneficio.