Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

domingo, 12 de abril de 2015

Apenas um poema Escoteiro. “Escoteiro Sonhador”



Apenas um poema Escoteiro.
“Escoteiro Sonhador”

È bom demais acampar, Colocar a mochila as costas,
De sentir o seu calor, ir por estradas sem fim.
Parar para descansar, olhando as flores silvestres,
Sentir o sol  a queimar e seguir no horizonte,
A procura das montanhas de marfim.

Ao lado de tantos amigos, colocar o pé na estrada.
Sentir a poeira no rosto, cantar uma canção bem bolada,
A patrulha marchando em fila, sentindo no rosto o suor,
E esperar o "Chefe", Que vai dar a bela ordem:
- Parando escoteirada! É hora de descansar.

É bom demais chegar lá. Onde vai ser o nosso lar,
E ali nós vamos viver, amando a nossa patrulha.
Vivendo com aquela turma, correria nas barracas,
Construir um pórtico um fogão, todo ele feito de barro,
Na mesa a quadrada e uma costura que vamos nos orgulhar.

E depois um banho gostoso e frio em um riacho qualquer.
Deitar na relva ver o céu, acordar de madrugada,
Ouvindo o cantar da passarada vendo o orvalho cair.
È gostoso na barraca, descansando de uma luta,
De um dia de labuta  agora vamos dormir. E quando a hora chegar
Vamos sonhar com tudo isto, passear na nuvem branca,
Quando a Patrulha se levanta, em busca do amanhecer.

É gostoso sentir a fumaça, do fogão à lenha queimando,
Do alegre cozinheiro, com os seus olhos vermelhos,
Como se fosse chorar, e sorrindo ele sabe,
Que não é só amizade é pertencer à equipe,
De meninos de estipe, fraternos e aventureiros.

E como é gostoso olhar as mãos, com muitos calos marcados,
Pois o facão e o machado, o sisal e o cipó,
Não perdoam a ninguém. Disso sabemos todos,
Ali são bons mateiros, gente boa e escoteiros,
Se no jogo cair ao chão, na grama do acampamento.
Dar risadas com amigos, pois ali é união,
Que seja um jogo qualquer. Ali somos fraternos,
Seja hoje ou eterno, esperando o doce amanhã.

E quando a noite chegar, na porta de uma barraca,
Fazer um pequeno fogo, sentir uma alegria, de ver,
A Patrulha aproximando, um café quente e fervendo,
Conversas jogadas fora, sentir saudades da escola,
Da namorada amada, da mãe que não há momento,
Alcançar o seu intento, beijar seu rosto e sorrir.

É gostoso é bom demais, sentir o cheiro do mato,
Ouvir o som do regato, o cantar de um sabiá,
Um vagalume perdido, o uivo de um lobo guará,
Lá ao longe bem distante, nas montanhas verdejantes,
Onde ele uiva errante, onde é o seu habitat.
Gente que coisa boa, beber água da nascente,
Tão fresca e tão brilhante, de olhos fechados sorrindo,
Sentir o orvalho caindo, no rosto daquela manhã.
Do som da passarinhada ao anunciar nos gritantes,
Até o grilo falante, que canta ao alvorecer.

Como é linda a alvorada, ver a bandeira arvorada,
Em um galho firme qualquer ao fazer à saudação,
Sentir-se um patriota, saber que a maciota.
Não faz parte do saber. Ver a Bandeira tão verde,
O vento soprando forte, representando a nação.
Dizem que somos meninos, que adoramos o escotismo,
Que amamos as flores silvestres, olhar olho no olho.
A formiga que não para, A coruja que não ri,
O tatu que se esconde no seu buraco infernal.

E lembrando-se da verdade que sem fazer alarde,
Seja na sede ou acampando, seu saber estás buscando,
Para ser alguém amanhã. Bom demais ser Escoteiro,
Correr em busca do tudo, sentir no corpo o orgulho,
De cumprir a promessa a lei. Está é nossa missão.
E você lembre-se de sua promessa, e do que prometeu,
Que seria homem honrado, do escotismo apaixonado,
A correr montes e vales, em busca das aventuras,
Que só podemos encontrar, no nosso escotismo amado.

Adeus, você que fica não chore, com nossa brusca partida,
Mas se um dia quiser, encontre-nos em qualquer montanha.
Vá com sorriso nos lábios, coloque sua mochila,
Aprume a sua bandeira, Cante uma bela canção,
Um lindo sorriso no rosto, E venha nos encontrar.

Pois aqui na ventania, esperando com alegria,
Olhando sempre o horizonte, esperamos por você,
A surgir atrás dos montes e dizer com muito orgulho:
Meu irmão acredite, eu aprendi ser um mateiro,
Agora eu tenho orgulho, eu também sou Escoteiro.

Chefe Osvaldo

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Sinais de pista. Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.



Conversa ao pé do fogo.
Sinais de pista.
Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.

              Simples, já foi feito em sua tropa isto eu tenho certeza. Mas agradou? Os Escoteiros e Escoteiras gostaram da atividade? Você repetiu? Bem vejamos o que BP dizia sobre pistas: - “Para um bom explorador, seguir as pistas torna-se um costume. Sem saber, ele está sempre em busca de ”pistas”, enquanto se ocupa de outros serviços”. O Escotismo é uma arte em que a gente se exercita a vida toda, mas dificilmente um homem “branco” chega àquela perfeição a que tem um indígena (sudanês Bosquímano da África do Sul, Gonds da Índia ou negro Australiano). Onde o branco supera o indígena é no uso da inteligência para descobrir o significado dos sinais. Pôr pistas, não se entende só os passos, tudo aquilo que envolve sentidos, é pista. – Portanto se ainda não chegou a este ponto quem sabe uma boa conversa com seus monitores não iriam surgir novas ideias?

                Comecemos com uma tropa que já tem uma boa ideia sobre pistas. Ela já seguiu por mais de dois quilômetros e se saiu bem. Agora é hora de subir um degrau na arte de seguir pistas. Vamos treinar a todos a seguir e entender as pegadas em suas diversas situações. Comece em uma pequena estrada, quem sabe próximo a uma fazenda ou um sitio. Se não encontrar um trecho molhado e com barro faça com eles um trecho assim. Quem sabe uns dez metros para começar. Primeiro passa um Escoteiro o menor da tropa e por ultimo o maior. Depois ao lado das pegadas deixadas faça de novo, desta vez com as mochilas. E para encerrar com um Escoteiro carregando outro e correndo. Todas as patrulhas em volta como se fosse um jogo de Kim. Depois um relatório sobre o que observaram. Qual a diferença de pegada por pegada? Altura, peso, idade, andando ou correndo? Vamos lembrar que uma só vez é o começo de pista. Isto deve ser repetido diversas vezes. Toda vez que as patrulhas estiverem em marcha de estrada deixar que eles relatem por escrito todas as pegadas que viram.

                  Interessante é a diversificação. Pegadas descalço, pegadas com sapato, com tênis ou chinelo. Botina ou bota é uma boa. Agora é hora de tentar descobrir pegadas de animais. Esta só em uma fazenda. Pegadas do gado, de porcos, de galinha, de cães enfim toda a bicharada que lá esta. Guardar na memória para saber posteriormente. Uma pegada de um cão, daqueles maiores se aproxima um pouco do de uma onça. A diferença é que ela anda devagar e quando corre é em saltos. Seguir também pistas feitas sem usar as nossas conhecidas. Um pequeno galho quebrado apontando a direção. Onde se quebra quem segue pode saber a altura de quem fez. Um galho virado para o chão explicando que houve uma parada dos que faziam a pista. Nada de riscar árvores. Cada patrulha deve ter seu estilo e o bom mesmo é se ela criou seus próprios sinais. Se as outras não souberam pode dar um excelente jogo de seguir pista.

          Pegadas, pistas simples ou não. Estas sempre devem ser cobradas em marcha de estrada ou mesmo uma jornada ciclística. Um lembrete já conhecido de todos, mas que sempre é bom lembrar: - Pista não é para um somente. Pelo menos dois para evitar desacertos. Os sinais são feitos à direita dos caminhos. No inicio da aprendizagem os sinais devem ser visíveis. Quando venta não podem ser utilizados papéis ou folhas. Os sinais não devem ser traçados a mais de um metro de altura do solo. Nos cruzamentos de estradas deve sempre ser colocado o "caminho a evitar" nas que não vão ser utilizadas. Nos lugares de movimento devem ser feitos muitos sinais. Os sinais devem ser traçados obedecendo às condições do terreno: em terrenos difíceis de dois em 2 metros, nas rochas de cinco em cinco, nas matas de 20 em 20, nos campos de 30 em 30 metros.

           Jogos de sinais de pistas sejam eles dentro dos padrões conhecidos da tropa sempre chamam a atenção principalmente se antes de seguir uma boa e curta história for contada. Se criarem situações reais ou imaginárias dos perigos que estão em volta das pistas na trilha ou estrada o sucesso é garantido. Quando uma patrulha está seguindo uma pista evitar outra junto a ela. Dar certa distância entre as patrulhas. Lembrar ao Escoteiro ou Escoteira que ao seguir uma pista, não se deve chamar atenção falando alto, gritando e comentando. Use da imaginação com seus monitores. Pistas são excelente meios para desenvolver a mente.  Kipling célebre escritor britânico, escreveu diversos livros e no escotismo dois são bastante utilizados. O Livro da Jângal e a novela Kim que celebrizou o menino observador. Aconselho aqueles que puderem adquirir este ultimo livro que ele denominou de novela a ler com atenção. Baden Powell em Brownsea já comentava as utilidades do menino Kim na arte da observação e dedução.
       
"Se você interroga uma criança de sete ou oito anos sobre suas atividades diárias (especialmente quando ela quer dormir), ela se contradiz com satisfação. Se cada contradição for tomada como uma mentira no café-da-manhã, a vida não é fácil. Eu experimentei um bocado de intimidação, mas isso era tortura calculada – tanto religiosa quanto científica. Ainda assim, isso me fez dar atenção às mentiras que eu, cedo, achei necessário contar: e isso, eu presumo, é à base do meu esforço literário."

Rudyard Kipling.

domingo, 5 de abril de 2015

Balada do vento amigo. Deixa o vento soprar em meu rosto.



Hora de dormir, amanhã é outro dia...
Balada do vento amigo.
Deixa o vento soprar em meu rosto.

Os ventos que às vezes tiram algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai para sempre...

                      Eu já ouvi o vento soprar, forte e viçoso nas montanhas douradas do Baependi. Ele rasgava o dia e as noites através das folhagens como se estivesse reclamando da invasão dos seus domínios. Eu já ouvi o vento soprar, nas imensas planícies do Vale Feliz. Ele procurava espantar as borboletas coloridas que ali estavam à procura do mel escondido nas flores que caiam no outono. Quando eu olho para o oeste, seguindo o sol que busca se esconder nos vales verdejantes, eu ouço o vento soprar. Ela canta suavemente para me entreter na busca do infinito. Dentro de uma barraca que parece sair voando, o vento sul açoita sem pedir permissão. As vozes das tempestades são enfurecidas por ele. Ele o vento não pede passagem, ele vai onde quer e ninguém ousa interromper.

                      Eu gosto do vento. Não importa de onde vem e para onde vai. Já estive com os ventos da primavera, que traziam o doce perfume das flores, das matas, das florestas distante. Eu já estive com os ventos do verão, com as bravias chuvas espicaçadas por ele. Ele mandava trovões, raios inimagináveis e depois da chuva ele trazia a bonança com ventos calmos, pacíficos e o cheiro da terra, o perfume das folhas molhadas, nos mais altos galhos a passarada a cantar toadas maravilhosas ao sabor do vento cuja chuva o vento levou. Eu já vi passar os ventos do norte nos picos gelados das Agulhas Negras, ela parecia sorrir com a vasta imensidão a perder de vista. Eu já vi os ventos das ventanias que jogavam tudo ao chão. Eu já vi os ventos das borrascas cinzentas no mar gelado. Era bom olhar o infinito e ver as gaivotas na sua eterna luta com os ventos. Elas sabiam que iam perder por isto aprenderam a voar com os ventos.

                        Quando em marcha de estrada e o sol a pino, eu me entregava sempre aos ventos para me dizerem o melhor caminho. Beber a água da fonte, em uma sombra e os ventos soprando é indescritível. Eu já ouvi os ventos. Muitos. Os que se transformavam em arco íris, os que se transformavam em brisas, gostosas, sopradas de uma cascata borbulhante ou na madrugada a nos apanhar sem barracas tendo o céu de estrelas como casas, elas molhavam nossos rostos ao luar. Ventos do norte e sul, ventos do oeste e este, que eles soprem sempre trazendo a todos nós a alegria que merecemos. Um dia alguém me falou do vento – Sabes Escoteiro, se tens vento e depois água, deixe andar que não faz magoa, mas olhe se tens água e depois vento, põe-te em guarda e toma tento! É eu já ouvi o vento passar...

Deixa passar o vento
Sem lhe perguntar nada.
Seu sentido é apenas
Ser o vento que passa…
Consegui que desta hora
O sacrifical fumo
Subisse até ao Olimpo.
E escrevi estes versos
Pra que os deuses voltassem.
Ricardo Reis.


Boa noite. Uma linda noite de sono. Um lindo amanhecer e uma bela semana cheia de sorrisos e felicidades! 

SEMANA MUNDIAL DO ESCOTEIRO MISSA ESCOTEIRA DE SÃO PAULO/SP.



Um convite, ops! Nada mais que um convite!

SEMANA MUNDIAL DO ESCOTEIRO
MISSA ESCOTEIRA DE SÃO PAULO/SP.

Ano passado a convite do Chefe Elmer, um amigo do peito fui até o Santuário Mãe de Deus participar da Missa Escoteira. O distrito Escoteiro local em peso e o santuário lotado. Adorei a missa. Diferente, músicas lindas, uma fraternidade sem igual. Pessoalmente não conhecia o Padre Marcelo. Um primor de religioso. Fiz novos amigos e até dei uma de Joãozinho faz tudo terminando uma cerimônia Escoteira que não havia terminado. Chefes também erram, mas me diverti a beça com minha intromissão. Um amigo foi lá para nos confraternizarmos e como devoto de joelhos não o vi. Pena queria muito abraçá-lo.
Este ano volto lá, de peito aberto sem querer lembrar os velhos tempos onde eu dirigia e não era dirigido. Faz parte do nosso crescimento. Adoro a missa que celebram apesar de ser espiritualista sou um cristão de todas as religiões. Afinal fui coroinha da gema e os religiosos foram grandes amigos ontem e hoje.
Portanto meu amigo e minha amiga se tiverem condições compareça. Vale a pena. Afinal não só a missa, mas a confraternização é ótima. E claro quem sabe posso lhe dar um aperto de mão, um Sempre Alerta e um abraço? Valeu Chefe Elmer, valeu.  

SEMANA MUNDIAL DO ESCOTEIRO
MISSA ESCOTEIRA DE SÃO PAULO/SP
Convidamos os Grupos Escoteiros, pais, amigos e colaboradores para a Missa Escoteira que será celebrada pelo Bispo Dom Fernando Figueiredo e o Padre Marcelo Rossi, no Santuário Mãe de Deus, sábado, dia 11 de abril, às 15 horas.
Para este Ato de Fé e Amor, contamos com a presença de todos.
Sempre Alerta!
Iris Roberta Correa de Oliveira
Coordenadora

Avenida das Nações Unidas, esquina da Av. Interlagos. Bairro Jurubatuba – Santo Amaro.
Próximo ao Shopping SP Marketing.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Joe Colosso, um papai coruja. “Este é meu garoto”!



Lendas Escoteiras.
Joe Colosso, um papai coruja.
“Este é meu garoto”!

          Dona Naná quando o viu cochichou para Dona Sinhá – Ele veio! Se soubesse não tinha vindo. Sempre foi assim, em qualquer reunião de pais no Colégio dom Bosco Joe Colosso estava lá. Até que podia se entender, pois sua esposa faleceu há anos e ele como pai tinha que estar presente. O que ninguém gostava era da sua superproteção do Quinzinho seu filho. Ele achava que a escola devia tudo a ele e ele não devia nada para ela. Não adiantou as dezenas de vezes que Dona Dora a Diretora o chamara em particular – Seu Joe, o Quinzinho não obedece mais ninguém. Diz que se entendam com “seu Pai”. Ele veio aqui para aprender e com sete anos já quer dar ordens a todo mundo! – Mas e daí? Joe Colosso fingia que concordava e sempre no final dava razão ao seu filho. Afinal desde que Soninha sua mãe faleceu que ele sempre foi um pai protetor. Sabia que o menino não tinha mais ninguém.

           Um dia Quinzinho “ordenou” ao seu pai: - Pai me leve nos Escoteiros. Eu gostei da farda deles. Era sempre assim, quinzinho não pedia, ordenava. No sábado eis que Joe Colosso e Quinzinho adentram ao grupo. Ele de uniforme de lobinho com distintivos e seu pai colocou dez estrelas de atividade em sua camisa – Isto é para mostrar a eles que você é o melhor! – Chefe Mattos olhou e não criticou – Seu Joe, ele disse – O Senhor tem de fazer um pequeno curso e então seu filho poderá começar. Foi à conta – Quinzinho começou um berreiro que assustou todo mundo na sede. Seu pai custou para acalmá-lo. Em casa sentou seu filho no colo e disse a ele que aguardasse, aqueles Escoteiros iriam receber uma lição oportunamente. Mesmo assim Quinzinho ficou emburrado por uma semana. Descontou suas contrariedades em Dona Nice sua professora.

            Na data prevista correu para o Grupo Escoteiro. O Chefe já havia avisado para não ir de uniforme, mas ele iria mostrar ao Chefe quem mandava ali. Chegou todo posudo e voltou para a casa em seguida. Sem uniforme disse o Chefe. Pisou com força no chão, gritou, pegou manha, mas o Chefe foi irredutível. Voltou no sábado seguinte sem ele. Não tinha jeito. Explicaram que tinha provas a fazer para a promessa e vestir o uniforme. Reclamou com seu pai que reclamou com o Chefe que levou o caso de Quinzinho ao Conselho de Chefes do Grupo. Chegaram a uma conclusão que ele podia mudar. A Akelá ficou cismada. Na matilha Verde o Primo não aguentava mais. Ele gritava que ia ser o primo, pois tinha mais qualidades. Terrível o Quinzinho. No primeiro acantonamento Joe Colosso pediu para ir. - É o primeiro do meu filho disse. E se ele quiser um biscoito? Um chocolate? E se sentir frio? E se quiser rezar? – Mas ele reza? Perguntou a Akelá Candinha. Todos em volta riram. Joe Colosso não gostou.

          Foram de manhã e a tarde Joe Colosso chegou de carro. - Só passando, só passando! Já estou de volta! – Ficou lá mais de cinco horas. Sempre ao lado do filho perguntando se ele queria alguma coisa. Interessante que Quinzinho se enturmou e esqueceu o pai. Claro até a hora de dormir, pois não queria fazer sua cama. Sempre foi seu pai quem fez. Quinzinho voltou feliz do acampamento e disse ao seu pai que aprendeu a ser homem. Joe Colosso riu. Homem? – Você é um pirralho meu filho. Cresça e apareça. – Disse aquilo e se arrependeu. Foi ciúme dos chefes da Alcateia que fez com que eles o esquecessem. Mesmo assim ao dormir disse para si – “Este é o meu garoto”!

         Joe Colosso já estava enchendo a paciência de todos no grupo. Ninguém aguentava quando ele chegava. Era meu filho prá cá, meu filho prá lá e falando mil maravilhas. Chegou a dizer ao Chefe Mattos que estava na hora de darem uma medalha ao seu filho. O Chefe Mattos um homem calmo e ponderado teve uma ideia. Quem sabe se Joe Colosso ficasse cinco dias acampados com os Escoteiros ele não pudesse ver melhor como se faz um Escoteiro? Ele iria conhecer o método na prática aprender a fazer fazendo, aprender a se virar, aprender a ser independente e então ele vai ver os reais objetivos do escotismo. Afinal um dia não saimos de nossa casa, não iremos viver sozinhos e tomar nossas próprias decisões? – Falou com o Chefe Naldo. Naldo se assustou - Tás brincando Chefe! Não teve jeito. Foi difícil convencer Joe Colosso. Onde deixar seu filho? Alguém pensou que cinco dias na casa de correção de menores até que seria bom. Pagou uma fábula a Dona Inês sua tia para ficar com ele.

        Olhe, foi a maior lição que Joe Colosso teve na vida. Assustou com os meninos viverem em patrulha, a dormirem sós em barracas, a cozinharem eles mesmos. Aquelas construções maravilhosas, e o tal fogo do conselho? Só de meninos e meninas e eles mesmos se dirigindo e o Chefe Naldo os deixando fazer fazendo. Que lição aprendeu. Quando um Monitor se apresentava ele pensava na vez de Quinzinho quando fosse eleito. Assimilou o Sistema de Patrulhas no seu todo. Acreditou mais ainda no escotismo e nos resultados que trariam para seu filho. Explicar a ele? Não. Ele deveria aprender por si só. Joe Colosso mudou. E para melhor. Quinzinho se revoltou com aquela mudança. – Pai vou sair dos Escoteiros – Vai não disse! – Vais ficar lá até poder assumir sua própria vida! – Mas pai, lá eu sou mandado e não mando nada – Filho, ele disse, tens de aprender a ser mandado para depois mandar. Só é um verdadeiro líder aquele que lidera  e saber ser liderado. Mandar qualquer um pode mandar obedecer é mais difícil.

       Hoje eu sei que Quinzinho se transformou em um verdadeiro homem. Graças ao escotismo e a um programa bem feito. Ainda bem que Quinzinho teve sorte em entrar em um grupo bem estruturado. Um grupo que se orgulha por ser democrático. Onde todos são consultados. Onde no Conselho de Chefes todos tem voz e voto. Onde existe uma bela de uma Corte de Honra e onde seus monitores fazem de uma patrulha seu aprendizado pessoal junto ao Chefe da tropa. Quando visito o grupo sinto-me orgulhoso em ver quinzinho com seu Lis de Ouro. E melhor do que ver seu pai Joe Colosso com sua Insígnia da Madeira e ainda bem sem a pretensão de cargos maiores. Sua luta é na tropa pensando sempre nos meninos como um todo. Seu filho? Faz parte, mas no grupo é igual aos demais. Em casa ele aprendeu a exigir, a solicitar suas notas, a cobrar sua educação e respeito com as professoras. Sei que um dia no colégio Dona Naná quando o viu cochichou para Dona Sinhá – Ele veio! Maravilha amigo. Adoro a presença dele aqui.


É quem te viu e quem te vê!        

terça-feira, 31 de março de 2015

Quer mesmo saber por que sou Escoteiro?



Conversa ao pé do fogo.
Quer mesmo saber por que sou Escoteiro?

                   Não tenho nada para esconder, sei que me perguntou sem ofender e por isto eu vou lhe dizer. Você talvez não vai acreditar, pois nunca foi e nem sabe o que é ter o escotismo no coração. Muitos não entendem escolhas que fazemos na vida. Você me pergunta se eu sou um herói da juventude. Não sou. Sou um herói de mim mesmo. Não duvide nunca. Eu posso ser muito melhor sendo Escoteiro do que pode pensar. Acredito que se você quer ser o que sonhou, porque não correr atrás dos seus sonhos? Quem não vai atrás do que  gosta, não gosta de verdade. Orgulho tem limite, mas quer mesmo saber? O meu não tem. Não abro mão do que amo por receio de ir atrás ou errar na escolha que fiz. É uma questão de princípios, e alguns dizem que é uma questão filosófica. Não sou filósofo e é difícil explicar. Comecei sem saber onde pisava. Pivete dos meus sete anos sem eira nem beira como pensar em um movimento como este? Foi amor à primeira vista. Amor de menino sardento, marrento,  aprendendo a ler e nem escreve sabia.

                   O tempo passou. Fui crescendo. Vivendo cada dia como se fosse um novo dia. Vi coisas extraordinárias. Descobri minha paixão por aventuras, descobertas, das andanças por trilhas desconhecidas, estradas sem começo e fim, florestas encantadas que ficaram encravadas dentro de mim para sempre. Descobri o valor das fogueiras, em dias e noites que me ajudaram para melhor. Elas queimavam-me para me aquecer e queimava meu interior com um amor sem igual. Dormir sob as estrelas todos já dormiram, mas dormir e sonhar em ir até elas é diferente. Voei morro abaixo a procura de vales para acampar. Andei de canoa e jangadas em rios e lagos e profundos. Tive índios amigos, sertanejos que me ensinaram ser um mateiro e me fizeram feliz. Esculpi em minha memoria um sol que não conhecia, um sol diferente ao nascer ou ao se por no horizonte infinito. Fiz do meu escotismo uma maneira de aumentar amigos e com eles buscar minha felicidade. Não ouve montanhas com quem não conversei. Não ouve pássaros que aprendi seu cantar. Fui grande amigo de uma Coruja que me disse um dia: - Chefe, o espírito da coruja mora neste acampamento!

                     Dizem que sábio é o ser humano que reconhece até onde pode ir e que tem mais a aprender, do que a ensinar. E como eu aprendi nas minhas aventuras Escoteiras. Não fui herói não, por favor, nada disto, mas aprendi com a floresta, com os ventos, com as trilhas ligeiras de pedras no caminho e normas incríveis para seguir. Aprendi com o ribombar do trovão, da cascata que vem do céu, com a chuva incessante da primavera. Aprendi com as estrelas no céu, com o arco íris que nunca me mostrou seu pote de ouro. Rodei céus e terras para descobrir se pisava em terras virgens, conversei com magos, santos e homens da lei querendo aprender e saber se o mundo escoteiro era este mesmo que eu fazia. Sei que muitas vezes procuramos a verdadeira felicidade fora de nós sem saber que possuímos a sua fonte presa no coração. Em nenhum momento duvidei do meu amor Escoteiro. Meu uniforme era minha estrela, me mostrando que ser belo não precisa somente de um nome. Precisa ter amor e respeito.

                   Encontrei adversidades por onde passei. Nos seres humanos foi mais real. Sei que problemas grandes ou pequenos nos apresentam durante a nossa existência. Posso estar contente, posso ser inteligente e embora estejamos em algum momento tristonho, é difícil ver que a vida corre célere para a solução e esta sempre depende de nos mesmos. Inesperadamente somos confrontados com problemas, lutas, desafios e milhões de dificuldades. È como se o escotismo nos estivesse posto a provas para ver de qual fibra somos feitos. Atravessamos tudo isto como o vento atravessa entre arvores enormes e altos picos encontrados no caminho. Cada pessoa sabe como enfrentar, como pular a maré alta do mar verde azul. O escotismo nos diz que aceitar é uma estratégia até ter as armas de volta para partir e nos reestruturarmos seguindo em frente para vencer.


                  Desculpe, quem sabe não me fiz entender. Não existe segredos para o verdadeiro Escoteiro. Eu nunca abri mão do meu amor ao escotismo esteja onde estiver. Seja no passado e no presente, ou mesmo no futuro incerto e não sabido. Eu não abro mão do meu orgulho em me chamar Escoteiro. Sou mesmo com muito orgulho e honra! Não abro mão do meu uniforme. Não abro mão da minha lei. A promessa Senhor meu Deus que um dia fiz junto à tí me segue noite e dia me mostrando o caminho a seguir.  Não abro mão das minhas crenças, não abro mão dos meus sonhos e não abro mão do que acredito. Fiz do escotismo uma maneira de viver.  Se pudesse eu diria ao mundo inteiro: - Sempre amei e sempre vou amar este movimento que mora e residirá em meu coração para sempre. Queria se pudesse fazer acreditar a todo o mundo que somos todos irmãos, que não existe fronteiras entre nós que acreditamos no Espírito de BP. Não falo só por palavras, as uso para dizer o que sou e penso. Sou amante da natureza, sou amante das noites de luar, sou amante das chuvas no deserto do frio ou calor. Existe meu amigo filosofia mais linda que esta? Sou e serei Escoteiro de coração e nele tenho certeza que encontrei o meu destino e quando for o levarei para viver comigo sempre no céu, pois lá eu sou imortal!

sexta-feira, 27 de março de 2015

Vou-me embora pra Pasárgada



Apenas uma adaptação do poema de Manoel Bandeira.
Ele tenho certeza irá me autorizar a modificar!

VOU-ME EMBORA PARA PASÁRGADA!

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou Escoteiro do rei
Lá vestirei meu caqui querido
Com o chapéu que escolherei.

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não posso acampar,
Lá não tem UEB e burocracia,
Só paisagens que vou amar.
Lá farei tantas aventuras
Que Baden-Powell sorridente
Fará meu sonho realizar.
 ·.
Lá armarei minha barraca
No pico do monte feliz.
Andarei de bicicleta
escalarei mil montanhas
Subirei na pedra dos sonhos,
Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado
Deito na beira do rio,
Na sombra do abacateiro
Pois como bom Escoteiro,
Voltarei de novo a sorrir.

E quando sentir saudades,
Mando chamar meu monitor
Para me contar lindas histórias
Que no tempo de eu menino
Meu Chefe vinha contar

Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De fazer escotismo de montão.

Tem escotismo prá pobre,
Tem escotismo sem par...
Tem escoteiras bonitas
Para a gente namorar.

E quando eu estiver mais triste
Mas triste que não ter jeito
Na conversa ao pé do fogo
Ouvirei histórias sem par.

Vou embora para Pasárgada.
— Lá sou Escoteiro do rei —
Terei o grupo que eu quero
No bairro que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.
Aqui eu não volto mais,
Adeus UEB dona de tudo,
Adeus amigos queridos,
Adeus... Eu não sei quando vou voltar...


O poema correto de Manoel Bandeira pode ser visto na internet. Ele vai me desculpar!

domingo, 22 de março de 2015

Se existem sonhos, a vida continua.



Hora dormir, amanhã é outro dia...
Se existem sonhos, a vida continua.

                   Foi em uma manhã como as outras. Levantei cedo como sempre faço. O sol já brilhava dando seu bom dia a todos. Hora de partir. Seria uma simples caminhada como fazia todos os dias. Sentia-me bem e enquanto caminhava dava tempo de pensar no passado e no futuro. O presente eu o estava vivendo e o achava radiante. Eu sorria feliz. Caminhava com prazer e alegria e em passos trôpegos, pois a idade e os prêmios que ela a idade me trouxe não me deixavam ir mais rápido. Era uma trilha. Uma linda trilha. Eu a descobri por acaso há alguns meses. Havia marcas a cada cem metros. A trilha não tinha mais de um quilômetro. Para mim o suficiente. Sabia que meu corpo de Velho trôpego não ia aguentar mais.

                 Tinha percorrido não mais que quatrocentos metros. Ainda faltava seiscentos para o final. Eu ia aguentar sem sombra de dúvida. Não dizem que devagar se vai ao longe? Os dois jovens se emparelharam ao meu lado. Dois frutos da mocidade. Ele com seus dezessete ou dezoito anos, alto, forte, camiseta para mostrar seu tórax e seus músculos fortes. Era um guapo rapaz. Ela nos seus quinze ou dezesseis anos. Magrinha e pequena, mas sadia. Sorridente ao lado do seu amado. – Ouvi seu vozeirão dirigido a mim - Velho levante o corpo, aprume os ombros, ande feito homem! – Olhei para ele. Sorri. Não ia dizer nada. Não tinha o que dizer. – Ele continuou – Conheço muitos velhos como você que andam feito homem! – Pensei comigo se eu era homem mesmo. Mesmo assim não disse nada e sorri.

                    A caminhada ainda estava longe do final. Seiscentos metros percorridos. Eles ao meu lado. Lembrei que quando cheguei passaram por mim correndo. Deram uma volta enquanto em andava em passos de tartaruga para percorrer cem metros. – Velho ele continuou – Esqueça suas dores, suas doenças, vamos Velho levante os ombros, dê uma passada mais larga. Velho ande feito gente grande! Quantos iguais a você percorrem caminhos mais longos? Quantos iguais a você ainda fazem questão de correr a São Silvestre? – Eu olhei de novo para ele. Minha respiração começou a acelerar. Era hora de diminuir o galope trôpego que estava dando. Sabia que meu ar tinha de ser dosado. Ele faltava de vez em quando. De novo olhei para ele e sorri. Não disse nada. Estava cansado. Muito. Para que responder a ele?

                      A jovenzinha o pegou pelo braço. Vamos meu querido. Ainda temos mais de vinte voltas a percorrer. Deixe o Velho em paz! Olhei para ela e senti uma alma boa. A gente nesta idade sabe onde mora a beleza no coração. – Ele rispidamente respondeu a ela que sabia a hora de correr. Que ela ficasse na sua! Ela abaixou a cabeça e não disse mais nada. Era submissa. Quem sabe o amor por ele a obrigava a aceitar tudo que ele dizia? Pensei comigo: - Será que seria uma boa esposa? Não sei. Prefiro não comentar o futuro dos dois. Ele olhou para mim sorrindo com ar de deboche – Velho, neste seu andar vais morrer logo. Parece como o meu pai. Sempre se entregando ao corpo. Eu nunca serei assim, sempre serei forte e a velhice nunca vai existir como existe em você. E o jovem partiu correndo. Sua cara metade correu atrás.

                 Eles viraram a direita na trilha que se escondia ao longe do pequeno bosque. Eu continuava calado, sorria, sabia o que eu era e o que sou e quem sabe o que serei. Desejei a ambos que a felicidade morasse para sempre com eles. Pedi a Deus que ambos vivessem juntos por toda a eternidade. Eu sabia que era um Velho. Um dia fui moço, corri mundo com meu chapéu de abas largas, com minha mochila escoteira, arvorei bandeiras aqui e ali por este país imenso. Eu me julgava imune à velhice. Mas ninguém escapa ao seu destino. Que ele e ela tivessem uma velhice tranquila. Senti uma brisa leve e intermitente no rosto. Eu gostava. As brisas das manhãs sempre me bem. Era um santo remédio. Lembrei-me das grandes caminhadas que fiz. Das grandes aventuras que se foram. Acho que era por isto que eu estava ali todos os dias mesmo com o pulmão reclamando porque lhe dei tanta nicotina no passado.

                  Demorei algum tempo, mas consegui chegar ao final. Tartaruga ambulante eu me apelidei. Sorri para mim mesmo ao pensar assim. Amanhã estarei de volta nesta gostosa trilha dos amores, dos amantes sonhadores dos velhos aventureiros que hoje não passam de uma pequena gota de orvalho do passado. Eu sabia que a vida continua. Não sei se os verei novamente. Não importa. Se isto acontecer irei sorrir para eles. Enquanto puder darei minhas voltas de um quilômetro. Não mais. Não adianta tentar andar mais que isto. Minha respiração não é boa. Queria um dia dizer a eles que tentava empinar os ombros, andar ereto e não conseguia. Minhas caminhadas sempre foram assim nos meus últimos tempos. Não sei se enganava a mim próprio. Eu sabia que meu corpo se esvaia aos poucos. Se não fossem estas pequenas caminhadas e a ajuda de Deus, eu sei que estaria entregue a um corpo inútil em uma cama qualquer de um pronto socorro da vida. Farei quantas caminhadas conseguir. Sorrirei para quantos jovens passar por mim. Devagar me lembrei do lindo versinho de Maria Cláudia – “Antes de correr, aprenda a andar. Tudo na vida tem sua hora, seu lugar. Tartarugas também chegam La!”. E meus amigos, se existem sonhos nos sabemos e também a certeza que a “vida continua”!


Boa noite durma gostosamente bem. Que a semana seja florida e que tudo para você seja mais do que espera. Que Deus esteja com todos vocês!

quinta-feira, 19 de março de 2015

Crônicas de um Velho Aposentado. Que país é esse?



Crônicas de um Velho Aposentado.
Que país é esse?

Que País é Esse?
Legião Urbana – Compositor Renato Russo.

Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação.
Que país é esse? Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia, na Baixada fluminense
No Mato grosso, Minas Gerais e no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso, mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis ao descanso do patrão
Que país é esse?
Terceiro Mundo se for, piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas dos nossos índios num leilão.
Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse?

Primeiro ato: - Ministro da corte, famoso pelas viagens com a sogra à França em jato pago pelo seu estado, pagou por uma simples apresentação seiscentas mil pilas a uma cantora famosa na inauguração de um hospital que até hoje não funciona. Agora é um Chefe educador ou era. Vai transformar ou iria transformar a Pátria Educadora em nosso país do futuro (deles é claro). Chama de achacadores (Enganados – ultrajados) uma turba eleita pelo povo. Estes se sentem ultrajados (?) e convidam para o dito cujo se explicar em sessão plenária. Ele foi, falou o que devia ou não devia? Confirmou que muitos ali achacam Dona Presidenta. A turba caiu de pau, se sentiu ofendida, pode? O Presidente da turba o mandou embora. Suma seu porcalhão! Aqui não! Sou o galo do pedaço! Já prometi um balaço no Janot! Ele foi sorrindo, chegou no palácio e meteram o pé na bunda dele. Suma! Tá desempregado! Aí eu pergunto – Que país é esse?

Segundo ato – Mil promessas, mil mentiras, o país seria muito mais que Xangrilá o pais da felicidade no seu segundo mandato. Eleita colocou as garras de fora. Seu compincha da fazenda foi fazer criar boi no raio que o parta. Colocou um novo na fazenda de criação de gado. Corta aqui, corta ali, a luz sobe, a água falta, a inflação sobe, a mulher diz: - Marido a feira está mais prá lá do que prá cá! Dizem que nossa caderneta nacional de poupança brasileira acabou e a chinesada tomou conta. Não tem mais farra para Salario Família, Minha Casa minha vida (eu até hoje nem chamado fui) e por aí vai. E viva o FMI do FHC. O Povo se revolta, quase dois milhões  as ruas para existir um  Impeachment contra a mandatária do país. Um instituto famoso diz que seu prestigio não passa de dez por cento. Está caindo mais que dente podre na boca do pobre. A corte berra, reuniões se fazem acontecer. Agora todos os dias lá está ela na TV propagandeando seus feitos. Eu mato a saúva e salvo o Brasil! Ela diz. E eu pergunto: - Que país é esse?


Terceiro ato – Um Presidente que não gostava de estudar, disse que o Brasil seria outro depois dele. Alardeava que o petróleo é nosso (nunca ganhei uma gota, só paguei, portanto não era meu). Que um tal de pré-sal iria mudar o Brasil. Escola de graça, hospital de graça, remédios de graça, que a saúde iria ser bombástica. Putz. Dois anos esperando uma operação de catarata. Ligo para o hospital e pergunto: - Oi chegou a minha vez? Aguarde seu merda, tem milhares na sua frente. O Presidente atente ao compadrio que fez para governar. Coloca em postos chaves homens de confiança. Deles é claro. A roubança antes calada nas esquinas do mensalão, agora petrolão foi descoberta. Milhões e milhões de dólares ou melhor euros na Suíça, na França, no raio que o parta. Um juiz fodérrimo está levando toda à cambada para o xilindró. Um alto dono de empreiteira reclama que tinha mordomo para limpar seu traseiro e agora tem de agachar para dar sua borrada diariamente e sem papel. Limpa com o dedo moço! Está explicado que País é esse!

Quarto ato – Publique-se! Novo código civil. Agora o país vai mudar. Novas normas, novos atos; - Roubou? Danou-se. Matou? Xilindró – E a dona do Brasil diz que vai acabar com a corrupção. E eu dou risadas pensando se acredito. Quem será o novo homem que o poderoso PMDB vai indicar para a Pátria Educadora? E ainda falta a Vale, as elétricas, a Roubobrás e tantas que fazem a festa dos cupinchas – E aí eu pergunto: - Que país é esse?


Quinto ato – Vem aí o Congresso Nacional ou melhor Assembleia nacional Escoteira. Micharia. Coisa de quinhentos e poucos mangos para ficar lá. Dizem que lá não tem achacadores e nem corrupção (?). Se for você não vai ver eleições dos mesmos de sempre, conversas nas salas escuras para aprovar o que cada presidente regional quer, gente andando aqui e ali, abraçando, sonhando em ter um carguinho lá. E os de sempre batendo ponto na diretoria dos mandatários. E aí eu pergunto: Que país é esse? Ou melhor, que escotismo é esse?   

quarta-feira, 18 de março de 2015

Mensagem do Homem Triste



Mensagem do Homem Triste

Passaste por mim com simpatia, mas quando me viste parado, indagaste em silêncio porque vagueio na rua. Talvez por isso aumentou o passo e, embora te quisesse chamar, a palavra esmoreceu-me na boca. É possível tenhamos suposto que desisti do trabalho, no entanto, ainda hoje, bati, em vão, de oficina a oficina, de fábrica em fábrica, de loja em loja... 

Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar dignamente o meu pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade, e outros, desconhecendo que vendi minha roupa melhor para aliviar a esposa doente, despediram-me apressados, acreditando-me vagabundo sem profissão. Não sei se notaste quando o guarda me arrancou à contemplação da vitrina, a gritar-me palavras duras, qual se eu fosse vulgar malfeitor. 

Crê, porém, que nem de leve me passou pela mente a ideia de furto; apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçarem com fome, quando retorno a casa. Ignoro se observaste as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando-me embriagado, só porque eu tremesse encostado ao poste; afastaram-se todas, com manifesto desprezo, contudo não tive coragem de explicar-lhe que não tomo qualquer alimento, há três dias... A ti, porém, me fitaste sem medo, ouso rogar apoio e cooperação. 

Agradeço a dádiva que me estendas, no entanto, acima de tudo, em nome do Cristo que dizemos amar, peço me restituas a esperança, a fim de que eu possa honrar, com alegria, o dom de viver. Para isso, basta que te aproximes de mim, sem asco, para que eu saiba, apesar de todo o meu infortúnio, que ainda sou teu irmão.


B O A     N O I T E!

quinta-feira, 12 de março de 2015

E o doce não era salgado.


Conversa ao pé do fogo.
E o doce não era salgado.

                        Corria o ano de mil novecentos e cinquenta e quatro. Voltava de mais uma jornada de muitos quilômetros com a minha patrulha. Foram oito dias no lombo de uma bicicleta. Pela primeira vez estava cansado. Muito. Aconteceram tantas coisas que deixei para anotar outro dia. Passamos pela sede para deixar as tralhas e alguns materiais de sapa devidamente limpos e oleados. Éramos seis. Todos da Patrulha Raposa. Cada um montou na sua bicicleta, disse um sempre alerta sorrindo e partiram para suas casas. Da sede em minha casa não gastaria mais do que quinze minutos. Ao passar pela padaria Bom Pastor vi que o pneu da frente estava furado. Paciência. Isto para nós aventureiros ciclísticos era rotina. Manezinho e sua bicicletaria ficava menos de dois quarteirões.

                    - Osvaldo sua conta aqui está alta. Mais de cento e oitenta reais (em dinheiro de hoje). Vai me desculpar, mas enquanto não me pagar não faço mais nenhum serviço para você. - Eu sabia disto. Nunca aconteceu. Ganhava uns trocados com minha caixa de engraxate. Não tinha mesada. Estava juntando para comprar uma nova mochila. Que ela demorasse mais precisava pagar. Não discuti com Manezinho. Ele tinha razão. Triste fui empurrando minha bicicleta a pé. Reclamei da sorte. Todos meus amigos da patrulha tinham pais que davam alguns trocados. O meu não podia. Era seleiro. Ganhava pouco. Gastei quase quarenta e cinco minutos até ao quarteirão da minha casa. Agora era deixar a bicicleta guardada e tentar ver o que podia fazer para pagar o Manezinho. Nossa oficina portátil da patrulha não tinha nada para me ajudar.

                    No quarteirão da minha residência uma surpresa. Não queria acreditar. Ouvi o Rataplã. Que foi? Nosso hino cantado na rua? Quem? No portão de madeira da minha casa, minha mãe, meu pai e minhas duas irmãs rindo e batendo palmas. O Rataplã terminou e a Arvore da Montanha surgiu esplendidamente. Minha família me abraçou - Meu pai me deu as boas novas – Sua tia da capital mandou um presente. Um LP escoteiro do disco do Trio Irakitan. Todo ele só músicas escoteiras. Chorei de alegria. Era um momento mágico que só quem passou por sabe como é. Nunca soube do disco. Na bicicleta de meu pai voei até as casas dos patrulheiros dando as boas novas. À noite ainda criança, ouvíamos as canções lindas cantadas na vitrola da família. Sentados no quintal mais de trinta escoteiros e seniores. Lá pelas duas da manhã meu pai mandou todos embora. Hora de dormir disse, amanhã ou hoje é outro dia completou. Terminou rindo e dizendo que o disco podia furar! Risos.


                          Considerei-me um “sortudo”. A tristeza acabou. Sabia que iria pagar o Manezinho em breve. Até lá ia rezar e agradecer minha tia por aquele presente que nunca ninguém do Grupo Escoteiro tinha ganhado. A vida é assim, atrás das tempestades vem a bonanza. Aprendi muito e hoje lembro que as dificuldades não passaram de momentos bons e ruins e que ficaram no tempo. Seguir o meu destino foi o que sempre fiz.