Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sexta-feira, 20 de julho de 2012

I Conversa ao pé do fogo.



I Conversa ao pé do fogo.

Se você ainda não conhece, aqui vão algumas sugestões para seu desenvolvimento escoteiro.

Em todo o Grupo Escoteiro a admissão do jovem ou da jovem não deve ser encarado como um simples ato de apresentação. Após a apresentação a todo o grupo do novo membro quando do cerimonial, onde estarão todos reunidos, um Chefe da sessão que ele vai pertencer deve estar preparado para manter com ele ou ela, uma troca de ideias, saber o que ele ou ela quer, quais são suas ambições quando entrou e então explicar como será sua vida ali daí por diante. Claro que muitos grupos passam esta responsabilidade ao Monitor, mas sempre o Chefe deve ser o primeiro a conhecer o máximo de seu novo amigo na tropa ou Alcatéia. Ninguém será um bom Escotista se não conhece bem os seus amigos escoteiros/a ou lobinhos/a que estão atuando em conjunto.

Gritos sem necessidade, palavrões ou procedimentos não condizentes por parte de algum membro da tropa ou Alcatéia não deve ser motivo para providencias em outra hora ou data. Ao sentir que a lei ou a honra da tropa ou Alcatéia está sendo colocada em confrontação, o Monitor ou o Chefe deve atuar na hora. Muitas vezes uma boa conversa resolve mais que Conselho de Patrulha ou Corte de Honra. É sempre bom lembrar que nunca se chama ninguém a atenção na presença de todos. Tudo é feito em particular.

Todo Grupo Escoteiro, Tropa ou Alcatéia deve ter suas normas que sempre serão lembradas a todos. A postura do Escoteiro/a ou lobinho/a deve ser exigida desde o primeiro dia. Quando for fazer sua promessa lembrar que agora ele será um representante do grupo e como tal deve ser visto por todos a sua volta. A ida para casa ou a vinda ao grupo ou mesmo em atividade, a apresentação deve ser ponto de honra para ele e exigido pelo seu Escotista responsável. Alguns grupos aceitam que membros vistam seus uniformes na sede. Não é uma boa prática de cidadania, marketing e exemplo.  

Dizer muito obrigado seja bem vindo, eu gosto de você, você é importante para nós devem ser palavras incentivadas por todos os membros do grupo escoteiro. O exemplo começa com o Diretor Técnico e a diretoria. Olhem bem para o jovem que o recebe como ele fica. Saber que é importante naquela organização para ele significa muito. Se considerarmos o Grupo Escoteiro como uma família, atuar como uma deve ser ponto de honra para todos.

Se você não se preocupar com os pais no primeiro dia que é procurado no Grupo Escoteiro, dificilmente conseguirá apoio deles no futuro. Uma admissão deve ser levada tão a sério como uma matricula no colégio ou muito mais. Não aceite explicações tais como – Só eu pude vir. Meu marido trabalha e assim por diante. Claro existem exceções, mas tome cuidado com muitas delas. Eles não sabem, mas quem precisa do escotismo são eles e não você. Você é um voluntário que está ali para ajudá-los e eles precisam saber disto. Portanto a presença de ambos é necessária. Explique o que o escotismo pode fazer para o filho ou a filha. Tente ouvir deles as duvidas. Diga sem meias palavras que quem vai entrar são eles e os filhos podem vir juntos. Ao primeiro sinal da falta deles em uma reunião de pais, eventos de pais, ou convites especiais para colaborarem em alguma atividade, sinal vermelho. Olá seu Antônio. Não veio ontem? Olá Dona Lourdes, dei falta da senhora no sábado! E assim cobrando eles terão uma ideia que são importantes.

Você já fez ou participou de um Fogo de Conselho, onde só a tropa estava presente, onde não havia programa nem animador, onde os monitores eram os responsáveis pelo fogo, pelo andamento, pelas canções, pelas histórias, e até uma gostosa batata doce estava ali no fogo sendo servida por algum Escoteiro? E olhe lá tinha também uma ou duas chaleiras de café ou chá? Onde havia conversas paralelas, onde uma Patrulha surgia para fazer um esquete ou um jogral, e um ou mais escoteiros riam a valer? Onde se aproveitou para o salto no fogo (três vezes) e receber um nome de guerra indígena ou não de batismo? Onde o encerramento era notado pelo sono, e em grupos voltavam para suas barracas sorrindo e comentando o fogo que participaram? Tente fazer um assim. Vale a pena.

O simpático ratinho de Madame Rosinha.



O simpático ratinho de Madame Rosinha.

           Lindolfo levou o maior susto. Ao ir para a reunião Escoteira naquela tarde de sábado, viu Madame Rosinha descer a escada de sua casa gritando e chorando alto. Ela dizia: “Um rato”. Um enorme rato. Acudam-me! Socorro! Lindolfo era lobinho da segunda alcatéia do Grupo Escoteiro Pico da Neblina. Já tinha feito sua boa ação, mas resolveu fazer mais uma. Porque não? Partiu célere escada acima a procura do famigerado rato de Madame Rosinha. Em todos os cômodos ele procurou e não achou. Quando ia sair viu um ratinho, com cara chorosa, em cima do armário da cozinha. Estava com a vassoura na mão e pensou em dar uma vassourada nele ou uma caricia. Achou que ele precisava mais de uma carícia.
           Ao sair disse para Madame Rosinha que não se preocupasse. Ele logo que a reunião terminasse viria com sua matilha verde e pegariam esse famigerado rato. Ela ficasse calma. Os valentes lobinhos não tinham medo de nada! Na reunião comentou com a matilha sobre o ratinho. Explicou que era um “coitado” e precisava e ajuda e não ser morto. Liz não concordou. Ela morria de medo de ratos. Dayane ficou na duvida. Robertinho riu e falou – Vamos matar o danado isto sim. Mas Miltinho e Naninha ficaram do lado de Lindolfo. A Akelá Safira comentou com o Balu Nonato que a matilha verde estava estranha. Ficavam só cochichando e ela não conseguiu saber o que era. O Balu Nonato era muito amigo de Miltinho, mas ele não contou nada. A reunião terminou com todos dando o melhor possível e dizendo para os chefes – Obrigado Chefe pela linda reunião. O senhor sabe que tenho orgulho de nosso Grupo Escoteiro! Era assim no Grupo Escoteiro Pico da Neblina.
           Fora da sede, a mãe de Aninha estava lá esperando. Ela pediu a mãe para ir com a matilha. Iam fazer uma boa ação. Dona Nivea era uma excelente mãe e não se opôs. Mal chegaram à casa de Madame Rosinha e viram o ratinho chorando em cima do armário. Foi Lindolfo que se aproximou pé ante pé e disse no ouvido do ratinho: Calma, vamos leva-lo para outra casinha. Vai ter tudo que tem direito. Miltinho já estava com uma caixinha e colocaram o ratinho dentro dele e foram embora. Tinham comprado queijo e uma vasilha de água estava na caixinha. O ratinho estava com fome. Muita. Comeu tudo! E agora? Onde vamos levá-lo? Todos viram que em suas casas seriam impossível. O medo de rato era comum ou é em todas as famílias. – Já sei! Disse Naninha, vamos voltar à sede e ainda deve estar aberta. Os pioneiros ficam até tarde. Levamos o ratinho para a Gruta da Alcatéia. Escondemos a caixinha atrás da caixa de nossa matilha e nos revezamos durante a semana para vir alimentá-lo! Todos concordaram.
              Assim trataram o Tibinho (nome que deram ao ratinho) por quase dois meses e foi então que o pior aconteceu. A Akelá Safira foi mexer lá e viu o rato. Uma gritaria danada. Saiu correndo e pedindo socorro. Custaram a explicar a ela o que tinha acontecido. Ela deu um ultimato – Depois do acantonamento não quero ver ele aqui. E agora? Na reunião de matilha chegaram a uma conclusão – Vamos leva-lo junto ao acantonamento. Lá quem sabe descobrimos um local onde ele pudesse viver para sempre? E assim foi feito. Na primeira noite do acantonamento aconteceu a maior alegria da matilha. As mães que foram cozinhar saíram gritando e berrando! Um rato! Não era um só eram vários. Agora sim. Descobriram a cidade onde o Tibinho podia morar.  Soltaram-no à tardinha. Tibinho olhou para eles e para seus amigos ratos. Olhou de novo para eles. Uma duvida ficou na sua mente. Ficar com eles ou seus irmãos ratos? Uma ratinha linda se aproximou e se esfregou nele. Pronto. Resolvido. Lá foi Tibinho com seus novos irmãos. A Matilha Verde ficou chorosa. Em todos os olhos lágrimas desciam, mas sabiam que esta seria a melhor maneira e a melhor ação que deveriam tomar.
             Por muitos anos a matilha verde pedia aos pais para passarem um domingo a cada dois meses no local do acantonamento. Os pais não sabiam para que, mas a Matilha Verde sempre se encontrava com Tibinho, até que um dia ele e Tibinha chegaram com vários filhotes. Foi uma festa. Uma alegria para a Matilha Verde. E assim acaba esta história. Uma união de lobos, todos pensando em fazer o bem. Lembra sempre que o Lobinho pensa primeiro nos outros, abre os olhos e os ouvidos, está sempre alegre e diz sempre a verdade.      


           Lindolfo levou o maior susto. Ao ir para a reunião Escoteira naquela tarde de sábado, viu Madame Rosinha descer a escada de sua casa gritando e chorando alto. Ela dizia: “Um rato”. Um enorme rato. Acudam-me! Socorro! Lindolfo era lobinho da segunda alcatéia do Grupo Escoteiro Pico da Neblina. Já tinha feito sua boa ação, mas resolveu fazer mais uma. Porque não? Partiu célere escada acima a procura do famigerado rato de Madame Rosinha. Em todos os cômodos ele procurou e não achou. Quando ia sair viu um ratinho, com cara chorosa, em cima do armário da cozinha. Estava com a vassoura na mão e pensou em dar uma vassourada nele ou uma caricia. Achou que ele precisava mais de uma carícia.
           Ao sair disse para Madame Rosinha que não se preocupasse. Ele logo que a reunião terminasse viria com sua matilha verde e pegariam esse famigerado rato. Ela ficasse calma. Os valentes lobinhos não tinham medo de nada! Na reunião comentou com a matilha sobre o ratinho. Explicou que era um “coitado” e precisava e ajuda e não ser morto. Liz não concordou. Ela morria de medo de ratos. Dayane ficou na duvida. Robertinho riu e falou – Vamos matar o danado isto sim. Mas Miltinho e Naninha ficaram do lado de Lindolfo. A Akelá Safira comentou com o Balu Nonato que a matilha verde estava estranha. Ficavam só cochichando e ela não conseguiu saber o que era. O Balu Nonato era muito amigo de Miltinho, mas ele não contou nada. A reunião terminou com todos dando o melhor possível e dizendo para os chefes – Obrigado Chefe pela linda reunião. O senhor sabe que tenho orgulho de nosso Grupo Escoteiro! Era assim no Grupo Escoteiro Pico da Neblina.
           Fora da sede, a mãe de Aninha estava lá esperando. Ela pediu a mãe para ir com a matilha. Iam fazer uma boa ação. Dona Nivea era uma excelente mãe e não se opôs. Mal chegaram à casa de Madame Rosinha e viram o ratinho chorando em cima do armário. Foi Lindolfo que se aproximou pé ante pé e disse no ouvido do ratinho: Calma, vamos leva-lo para outra casinha. Vai ter tudo que tem direito. Miltinho já estava com uma caixinha e colocaram o ratinho dentro dele e foram embora. Tinham comprado queijo e uma vasilha de água estava na caixinha. O ratinho estava com fome. Muita. Comeu tudo! E agora? Onde vamos levá-lo? Todos viram que em suas casas seriam impossível. O medo de rato era comum ou é em todas as famílias. – Já sei! Disse Naninha, vamos voltar à sede e ainda deve estar aberta. Os pioneiros ficam até tarde. Levamos o ratinho para a Gruta da Alcatéia. Escondemos a caixinha atrás da caixa de nossa matilha e nos revezamos durante a semana para vir alimentá-lo! Todos concordaram.
              Assim trataram o Tibinho (nome que deram ao ratinho) por quase dois meses e foi então que o pior aconteceu. A Akelá Safira foi mexer lá e viu o rato. Uma gritaria danada. Saiu correndo e pedindo socorro. Custaram a explicar a ela o que tinha acontecido. Ela deu um ultimato – Depois do acantonamento não quero ver ele aqui. E agora? Na reunião de matilha chegaram a uma conclusão – Vamos leva-lo junto ao acantonamento. Lá quem sabe descobrimos um local onde ele pudesse viver para sempre? E assim foi feito. Na primeira noite do acantonamento aconteceu a maior alegria da matilha. As mães que foram cozinhar saíram gritando e berrando! Um rato! Não era um só eram vários. Agora sim. Descobriram a cidade onde o Tibinho podia morar.  Soltaram-no à tardinha. Tibinho olhou para eles e para seus amigos ratos. Olhou de novo para eles. Uma duvida ficou na sua mente. Ficar com eles ou seus irmãos ratos? Uma ratinha linda se aproximou e se esfregou nele. Pronto. Resolvido. Lá foi Tibinho com seus novos irmãos. A Matilha Verde ficou chorosa. Em todos os olhos lágrimas desciam, mas sabiam que esta seria a melhor maneira e a melhor ação que deveriam tomar.
             Por muitos anos a matilha verde pedia aos pais para passarem um domingo a cada dois meses no local do acantonamento. Os pais não sabiam para que, mas a Matilha Verde sempre se encontrava com Tibinho, até que um dia ele e Tibinha chegaram com vários filhotes. Foi uma festa. Uma alegria para a Matilha Verde. E assim acaba esta história. Uma união de lobos, todos pensando em fazer o bem. Lembra sempre que o Lobinho pensa primeiro nos outros, abre os olhos e os ouvidos, está sempre alegre e diz sempre a verdade.      

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Dicas, sugestões e outros “bichos” para escoteiros.




Dicas, sugestões e outros “bichos” para escoteiros.

              Alguns gostam outros não precisam e assim ficamos em um meio termo. Se acharem válido coloquem em ação, se não apaguem (risos) e se já o fazem parabéns. Nada para mudar a rotina e tradição do Grupo, Tropa e Alcateia. Estas ideias vi em muitos grupos e algumas deram muito certo. Vamos a elas:

A Patrulha/matilha de Serviço

Nem sempre tem Grupos Escoteiros cuja sede comporte uma Patrulha de Serviço. Se isso for possível à ideia é valida. A vantagem é dar oportunidade aos jovens, sejam escoteiros ou lobinhos de colaborar na manutenção e limpeza da sede. Dependendo da estrutura do Grupo, é feito um programa anual onde se irá listar cada mês ou meses a responsabilidade da sessão do grupo. Compete ao responsável da sessão subdividir os dias de reuniões com as matilhas ou patrulhas se for o caso. É importante que se crie um sistema de prêmios, que pode ser uma taça, uma bandeirola ou outro para mostrar se os quesitos solicitados foram cumpridos. Na comissão que irá julgar deve se possível ter a participação de um representante de cada sessão acompanhada de um pai ou Escotista.
                A comissão deve orientar quem está responsável na semana, e todo o trabalho se possível deve ser feito em um dia que não atrapalhe as reuniões de tropa. No final quando do cerimonial de encerramento, claro que estará sob a responsabilidade da Patrulha ou matilha de serviço, esta solenemente passa o serviço para a que estiver escalada na próxima semana. É claro que pensamos não ser só dos adultos a responsabilidade pela limpeza na sede e esta deve ser dividida entre todos os membros principalmente os jovens. Lembro que a passagem do serviço e das bandeiras era uma cerimonia marcante e que motivava sempre a Patrulha a dar tudo de si.

Atividade de pais

Duas atividades de pais sempre deram resultados nos grupos que a implantaram.  Uma delas é fazer uma vez por mês ou quinzenal um encontro social do Grupo Escoteiro (vi grupos que fazem semanais, não sei se é valido) – Convidam-se os pais principalmente aos que vão levar os filhos se querem participar de uma atividade social sempre a noite dos sábados. Um dos membros da diretoria ou chefia oferece sua casa, claro desde que comporte o número de presentes esperado. Haverá sempre um rodizio com um dos pais oferecendo sua residência para o encontro. Espera-se que cada casal leve salgados e bebidas. O anfitrião nunca gasta nada de seu bolso. Pode-se começar, por exemplo, as nove e terminar onze e meia ou meia noite. Não esquecer que antes da partida a limpeza é de responsabilidade de todos. Um bate papo agradável faz com que a aproximação aumente entre os pais e escotistas e o beneficiário disto tudo é o grupo escoteiro. (conheci casos de encontros dançantes).
Outra é colocar no programa do grupo, uma vez por ano, uma atividade ao ar livre com todos os pais, (abrindo para a participação de parentes). Um local apropriado, com banheiros, boa aguada, e campo para atividades escoteiras. Isto mesmo. Saída pela manhã e retorno à tardinha. Um bom programa onde os pais irão formar em tropas escoteiras junto com os filhos. Eles escolheram entre sí como se dividirão ou então o Chefe responsável indica suas patrulhas.  São eles que na primeira vez na Patrulha escolhem o grito, o nome, o lema e devem manter entre sí uma relação escrita dos pais/patrulheiros para se quiserem entrar em contato entre si posteriormente. Cerimonial de bandeira, jogos, adestramento, pistas, sinais e formaturas são divertimentos garantidos sem considerar os gritos de patrulha. A apoteose é o fogo de conselho feito à tarde. Diversão garantida com as canções e esquetes preparados pelos pais. O programa deve ser feito pelo Escotista dirigente do grupo com a colaboração dos demais chefes. Obs. Os filhos participam junto com os pais nas patrulhas. Não esperem número grande no inicio, mas depois de dois ou três anos é difícil até controlar a participação de todos. 

A recepção na Teia da Aranha

         Muito conhecido, mas vamos à sugestão para quem não conhece. Com um rolo de sisal, a teia se inicia próximo à entrada da sede. Ela é passada em vários lugares. Na altura de axila do jovem. Se possível entrelaçando por cima e por baixo. Ninguém vai entrar na sede sem passar pela Teia da Aranha. O responsável fica no inicio da teia e a cada um que chega para reunião, orienta que ele irá passear na teia, desde o inicio até o final. De olhos vendados. Quando chegar ao fim da teia deve se posicionar onde está e deixar a teia rumo ao local do cerimonial de bandeira. Sempre de olhos vendados. Quando achar que estiver na posição deve ficar parado sem tirar a venda. Ao sinal de um apito longo termina o jogo e todos podem retirar a venda. Todos que se aproximarem mais do local do cerimonial são aos vencedores. Nota – Pode ser feito com todos os participantes ou somente com a sessão que se interessou. Caso seja com todos, deve ser feito de comum acordo. A cada 20 metros sempre um Escotista de plantão para eventualidades. Cuidado para não tomar o tempo do programa já feito pelas sessões.

Valeu? Se sim não deixem de colocar seus comentários, pois tenho dezenas de dicas escoteiras. Lembrem-se, nada novo, tenho certeza que quase todos os grupos já fizeram e aqui fica para os que ainda não conheciam.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A arte de contar histórias.



A arte de contar histórias.
              Há muitos e muitos anos atrás, tive a curiosidade de aprender como criar desenvolver e contar uma boa história, principalmente nos fogos de conselhos, em dias chuvosos ou então em lampiões do conselho ou mesmo aos lobinhos na Pedra do Conselho. Achava que estava faltando algum no meu adestramento, pois sempre fui um fã incondicional quando jovem, de boas histórias. Tive a sorte de ter bons contadores de histórias no passado e achava que agora era minha vez. Quem sabe poderia trazer uma nova experiência que divertisse os escoteiros.
              Mas como contar, como atrair a atenção, qual o tempo? – bem tudo isto foi aos poucos sendo assimilado e aprendido e fui fazendo pequenos estudos aqui e ali, ficava horas em frente ao espelho e eis que me achei um contador de histórias (razoável, é claro). Um filme na época me chamou a atenção, tratava-se de Entre dois Amores, onde Meryl Streep, contava histórias para Robert Redford, de uma maneira simples, misteriosa, carismática, com um suspense próprio, e criativo. Não memorizava a história antes, simplesmente solicitava um tema, e dava inicio a narração.
               Ela através do tema (dado por Robert Redford na história) imaginava um inicio criativo e aos poucos desenvolvia a história como se estive lá, vivendo com o personagem as peripécias e daí o final vinha naturalmente e de uma maneira espontânea. Assistindo o filme podemos tirar melhores conclusões, pois ela a sua maneira (uma grande atriz), explica como dar o início o meio e o fim. (aconselho aqueles que querem se iniciar como contador de histórias, que assistam ao filme).
              Iniciei minha saga de Contador de Histórias em um acampamento. A noite era escura, sem luar, e o local descampado, poderia quem sabe dar uma boa história.  Perguntei aos monitores (era um acampamento de monitores e subs) se queriam uma história e qual seria o tema dela. Claro, sempre tem aqueles que pedem uma história de terror.
              O Fogo de Conselho fora montado próximo a um riacho com muitas pedras e muitas folhas além de varias madeiras formando um pequeno remanso. Olhei para uma pedra saliente das demais e vi um índio (em meus pensamentos), olhando para mim, com os olhos vermelhos, parecendo soltar faíscas e foi então que começou minha vida de Contador de Histórias em Fogos de Conselho e claro em algumas atividades especiais. A história do Índio que foi obrigado a fugir de sua tribo deu o que falar. Depois disto contei muitas histórias. De terror, aventuras, ficção, e em lendas que aprendi a criar.
               Experimente e você verá que não é difícil. Deixe que os jovens e as jovens o ajudem quando sentir dificuldade. Em pouco tempo, teremos mais um grande contador de histórias, a deslumbrar jovens com sorrisos lindos, marcados pela chama do fogo em uma clareira qualquer. O espelho é um grande professor. Use e abuse dele. Risos.
                Para cada atividade, seja em Fogo de Conselho, em conversas ao Pé do Fogo ou em um dia chuvoso na sede, existe um tipo de história. Crie a sua com ajuda deles e verá que vale a pena sentir o suspense, junto a eles numa noite qualquer, escura ou com luar, com a chama do fogo clareando tudo e verás que se a história for boa, sentirás a respiração solta ou presa dependendo da narrativa. Quanto ao tempo, não vá muito longe, enquanto o interesse estiver presente, tudo bem. Dez ou quinze minutos é o tempo ideal para uma boa história ou até que sinta que o interesse está diminuindo.
                 O processo de estímulo e incentivo para se contar uma história são inúmeros, mas sua eficácia depende de como o contador os utilizará. Não há “fórmulas mágicas” que substituam o entusiasmo do contador.
Quem aspira ser um bom contador de histórias, deve desenvolver alguns passos importantes em seus preparativos:
               Procurar vivenciar a história. Envolver-se com ela, fazer parte dela e sentir a emoção dos personagens e ao apresentá-la atrair os ouvintes para a magia da história; ao apresentar a história, falar com naturalidade e dar destaque aos tópicos mais importantes com gestos e variações de voz, de acordo com cada personagem e cada nova situação. No entanto, é preciso cuidar para não exagerar nos gestos ou nas entonações de voz;
             Oferecer espaço aos ouvintes que querem interferir na história e participar dela. Quem se sente tocado em seu imaginário sente necessidade de participar ativamente no desenrolar da história. O importante é que nessa hora não haja pressa, contando ou lendo tudo de uma só vez. É preciso respeitar as pausas, perguntas e comentários naturais que a história possa despertar, tanto em quem lê quanto em quem ouve. É o tempo dos porquês;
                 Toda história e toda dramatização devem ser apresentadas com entusiasmo e paixão. Sempre devem transparecer a alegria e o prazer que elas provocam. Sem esses componentes, os ouvintes não são atingidos e logo perdem o interesse pelo que está sendo apresentado.
                   Segundo Abramovich (1993), “o ouvir histórias pode estimular o “desenhar”, “o musicar”, “o sair”, “o ficar”, “o pensar”, “o teatrar”, “o imaginar”, “o brincar”, “o ver o livro”, “o escrever”, “o querer ouvir de novo”
..... Afinal, tudo pode nascer dum texto!”Os escoteiros ao ouvir histórias, vivem todas essas emoções”. Afinal, escutar histórias é o início, o ponto-chave para tornar-se um leitor, um inventor, um criador e quem sabe um grande escoteiro.
Que tal começar a contar uma história? Comece agora: - Era uma vez...

terça-feira, 10 de julho de 2012

REMINICENCIAS (PARTES) DO CONTO DE KIPLING – A EMBRIAGUES DA PRIMAVERA




REMINICENCIAS (PARTES) DO CONTO DE KIPLING – A EMBRIAGUES DA PRIMAVERA

- Porque não morri nas garras dos dholes, gemeu Mowgly. Minha força esvaiu-se e não foi veneno. Dia e noite ouço um passo duplo no meu caminho. Quando volto à cabeça sinto que alguém se esconde atrás de mim. Procuro por toda parte atrás dos troncos, atrás das pedras, e não encontro ninguém. Chamo e não tenho resposta, mas sinto que alguém me ouve e se guarda de responder.
Se me deito, não consigo descanso. Corria a corrida da primavera e não sosseguei. Banho-me e não me refresco. O caçar enfada-me. A flor vermelha está a ferver em meu sangue. Meus ossos viraram água. Não sei o que...
- Para que falar? Observou Baloo. Akelá disse que Mowgly levaria Mowgly para a alcatéia dos homens outra vez. Também eu o disse, mas que ouve Baloo? Bagheera, onde está Bagheera? Esta noite se foi? Ela também sabe disso, é da lei.
- Quando nos encontramos nas Tocas Frias, homenzinho, eu já o sabia acrescentou Kaa. Homem vai para homens, embora a Jângal não o expulse.
- A Jângal não me expulsa, então? Sussurrou Mowgly.
- Os irmãos Gris e os outros três uivaram furiosamente: - Enquanto vivermos ninguém, ninguém ousará...

– Mowgly lembrava quando se mudou da Alcatéia de Seone. É hora de parar de correr. Ele viu uma pequena cabana onde via uma luz. Cães latiram. Ele emitiu um profundo uivo de lobo, que fez os cães calarem e tremerem. Escondido nos arbustos Mowgly também tremeu. Por outro motivo. Conhecia aquela voz. Entendeu o que ela dizia. Lembrava bem. Quem está aí? Quem está aí? Mowgly gritou baixinho: - Messua! Messua! – Quem chama? Respondeu a mulher com voz trêmula. – Nathoo! Respondeu Mowgly. – Vem meu filho. Ela se lembrou. O acolheu, deu-lhe de beber e comer. Cansado Mowgly deitou-se e dormiu sono profundo. 
– Mowgly acordou e ouviu o irmão Gris chamando-o lá fora. Messua olhou para ele. Era um Deus da Jângal, reconheceu. Quando o viu sair abraçou-o. Volte sempre disse. A garganta de Mowgly apertou-se. Disse quase chorando – Voltarei – sim voltarei. Ele gritou com lobo Gris – porque não vieste quando o chamei? – Não foi tanto tempo assim, ainda ontem estávamos junto respondeu. Você sabe, o tempo das Falas Novas chegou não te lembras?
                    - Irmãozinho, que aconteceu? Porque estás comendo e dormindo na Alcatéia dos Homens? – Se tivesse vindo quando o chamei isto não teria acontecido. – disse Mowgly - E agora como será? Perguntou o lobo Gris – Ele ia responder quando viu uma mocinha trajada de branco em direção a alcatéia dos homens. Mowgly a seguiu com os olhos até ela ser perder ao longe. E agora? Perguntou de novo o Lobo Gris. Agora não sei... Respondeu suspirando. Lobo Gris calou-se. Mowgly também. Quando abriu a boca foi para dizer a si próprio: - A Pantera Negra falou a verdade. Disse que o homem sempre volta para o homem.
                       - Raksha, nossa mãe também disse. E Akelá na noite do ataque dos Dholes, e também Kaa, a serpente da rocha. - completou Mowgly. E tu irmão Gris, que disse tu? – Eles te expulsaram uma vez. Disse o Lobo Gris. Eles queriam te lançar na flor vermelha. Mandaram Buldeu te matar. São maus, insensatos. Foste admitido na Jângal por causa deles. - Para! Que estás dizendo? - - Lobo Gris respondeu - Filhote de homem, senhor da Jângal, filho de Raksha, meu irmão de caverna – O teu caminho é o meu caminho. A tua caça é a minha caça e tua luta de morte é a minha luta de morte.
                       Mowgly já tinha resolvido o que fazer. – Vá, disse – Reúne o Conselho na Aroca, irei dizer a todos o que tenho no meu coração.   
Em qualquer outra estação aquela novidade teria reunido na Roca o povo inteiro do Jângal; - Lobo Gris saiu pelas planícies chamando a todos. O Senhor da Jângal volta para os homens. Vamos à Roca do Conselho. Todos respondiam – Só no verão, venha você e ele cantar conosco! – Quando Mowgly chegou a Roca, encontrou apenas lobos irmãos. Baloo que estava quase cego e a pesada Kaa. – Termina aqui o teu caminho, homenzinho? Disse Kaa – Grita o teu grito! Somos do mesmo sangue, eu e tu, homens e serpentes!
Lembra-te que Bagheera te ama, disse ela por fim, retirando-se num salto. No sopé da colina entreparou e gritou: Boas caçadas em teu novo caminho, senhor da Jângal! Lembra-te sempre que Bagheera te ama. Tu a ouviste murmurou Baloo. Nada mais há a dizer. Vai agora, mas antes vem a mim. Vem a mim, ó sábia rãzinha!
- É difícil arrancar a pele, murmurou Kaa, enquanto Mowgly rompia em soluços com a cabeça junto ao coração do urso cego, que tentava lamber-lhe os pés.
- As estrelas desmaiam, concluiu o lobo Gris, de olhos erguidos para o céu. Onde me aninharei doravante? Por agora os caminhos são novos...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Conversando com o "Velho" Escoteiro



Conversando com o "Velho" Escoteiro

Não era um tema novo. Repeteco por assim dizer. A realidade é cruel, mas eu já tinha conversado com o "Velho" Escoteiro muitas vezes a esse respeito. Não adianta dizer que temos de fazer “assim e assado“.  A realidade está presente em nossa vida, no Grupo, Região e na própria Direção Nacional. Ou aceitamos e insistimos em nossos ideais ou nos afastamos. Cada um tem sua maneira de ser, de pensar e agir.
Ele me dizia sempre que não importa o cargo. Importa o que está sendo feito, mesmo que leve tempo. Aquela senhora que vai lá sempre, varre a sede, é prestativa é tão importante com o Chefe de sessão ou o presidente. - Nós dependemos de todos - dizia - O Grupo Escoteiro é como uma grande família. Cada um tem suas obrigações e responsabilidades. Se ali tem amizade e fraternidade, os jovens têm a ganhar. Garanto que o grupo que atua assim está no caminho certo.
Conheci Grupos que não iam bem. Havia divergências entre novos e antigos. Os Escotistas achavam que os Diretores eram pessoas que estavam ali para servi-los. Estes pôr sua vez, tinham dúvidas de suas responsabilidades, pois sempre confundiam técnica escoteira com atividades burocráticas ou paralelas. O Método e Programa não eram bem conhecidos. Durante algum tempo aceitavam a liderança e depois se afastavam.
Outros mais interessados deixavam suas funções de dirigentes e participavam como Escotistas. Achavam que a falta de bons chefes poderia ser suprida, pois o elemento humano qualificado não existia e se havia interesse porque não participar? A partir do momento que começavam a aprender a conhecer e participavam em atividades próprias de adultos, mais se entregavam a tarefa de educadores. O movimento precisava deles e eles sentiam isso. Infelizmente uns poucos não compreendiam bem suas novas responsabilidades. Alguns faziam o certo, outros tentavam modificar e com o tempo as divergências começavam a aparecer. Em qualquer atividade você podia contar quantos vieram do próprio grupo.
Participei de muitas reuniões de Executiva em todos os níveis. Na maioria dos casos sempre se voltavam para o Diretor Técnico, tentando achar as respostas ou seu apoio. Acredito que o que falta é uma melhor compreensão das responsabilidades e deveres de cada um. Tenho meus direitos e deveres, mas todos que colaboram na organização também os têm. Quando não tinha nada o que fazer no Grupo que prestava a minha colaboração, gostava de observar não só os jovens, mas os pais e parentes que acompanhavam seus filhos as reuniões e podia observar o interesse deles.
O Escotismo é interessante. Você nunca ouviu falar e quando ouve não interessa muito (os leigos). No entanto se observar e participar espontaneamente pôr algum tempo é picado pelo mosquito invisível e basta um convite e lá está você, de uniforme e tentando dar o melhor de si. O "Velho" Escoteiro sempre me dizia que tudo é válido, se os resultados esperados são alcançados. Infelizmente sou obrigado a dar razão a ele em alguns pontos. – Olhe meu caro jovem Chefe, dizia ele, o amor dos chefes é grande, muito. Fazem de tudo para que a juventude que está em suas mãos floresça conforme é o propósito do escotismo. Mas tudo é muito difícil.
 Você hoje dificilmente encontra um grupo com todas as suas sessões completas. No passado, tive a oportunidade de ver tudo isto. Grupos com vinte quatro lobinhos, vinte e quatro lobinhas, tropa Escoteira masculina e feminina ambas com trinta jovens. E a Sênior e a guia? Três patrulhas? Quatro? Pioneiros?  Pelo menos doze? Você tem visto isto hoje? E olhe, era comum no passado.
      Fiquei pensando no que o "Velho" Escoteiro dissera. Uma exceção quando se encontrava grupos assim. Programas. Método, alegria, fazer o jovem se sentir feliz e querer voltar sempre. Um tema que eu iria abordar com o "Velho" Escoteiro em uma próxima vez. E você? O grupo que colabora tem condições de ter sessões completas? Escotistas atuantes, interessados e bem adestrados? 

sábado, 7 de julho de 2012

A lenda da Escoteirinha e Árvore da Vida.



A lenda da Escoteirinha e Árvore da Vida.

       Conta uma lenda muito antiga, que existia em uma pequenina cidade, uma linda árvore que foi plantada em frente ao coreto da praça, e que ela sempre atendia aos pedidos dos meninos e meninas que ali se dirigiam. Ninguém sabia se era um abacateiro, ameixeira, ou mesmo uma árvore comum. Interessante. Nunca deu flores. Nunca floriu na vida. Talvez esta tenha sido sua maior tristeza. Não atendia aos adultos. Apesar de ser uma velha árvore ela sempre se sentiu como uma jovem e sabia que na mente dos jovens existia a pureza, os sonhos eram mais azuis e a vida era mais bela. Nem sempre os jovens lhe pediam o que ela poderia oferecer. Ficava triste com isto e a sua maneira tentava ajudar.
      Em uma tarde alegre, onde o sol ainda não havia se escondido atrás das montanhas, e quando os pardais procuravam nela seu ninho, fazendo uma algazarra que a divertia, viu pela primeira vez uma menina, pequena, miúda, rostinho simples, e com um lindo uniforme de Escoteira. Interessante que todos os sábados a menina, ou melhor, a Escoteirinha ia ter com ela, e ficava até o escurecer. Não pedia nada, só a olhava e sorria. A Árvore da Vida perguntava sempre a si própria - Será que ela não tem sonhos? Gostaria de saber e ajudar. A Árvore da Vida ficava encantada quando a escoteirinha aparecia. Foi então que viu na mente da escoteirinha que ela se preocupava com a Árvore da Vida. Você não tem flores? Não tem fruto? Á Árvore da Vida se emocionou. Ninguém nunca se preocupou com ela e aquela escoteirinha se preocupava. Foi então que há escoteirinha um dia passou a levar uma sacola de esterco e em uma das mãos uma pequena lata com água, e colocava aos pés da Árvore da Vida. Á Árvore da Vida chorava de alegria. A escoteirinha disse – Árvore, vou lhe chamar de Árvore da Vida. Você vai reviver. Você terá flores e será a única Árvore da Vida no mundo que vai dar todas as espécies de frutos.
        A Árvore da Vida chorava de emoção. – Como? Pensava. Ninguém nunca ninguém se preocupou se ela era uma árvore comum, se era uma árvore que pensava e nunca ninguém falou com ela a não ser para pedir. Ela atendia os sonhos da meninada. Ela sabia que a cidade inteira um dia descansou nas suas sombras e agora uma simples escoteirinha se preocupava com ela? – Mas um dia cinzento triste ela viu a escoteirinha sentar-se e encostar a cabeça em seu tronco e a Árvore da Vida viu que ela chorava. A Árvore da Vida ficou triste. Muito triste. Viu que a Escoteirinha em seus pensamentos chorava, pois não iria a um grande encontro que os escoteiros faziam e que chamavam Jamboree. Seus pais não podiam pagar. O quer fazer? Como ela podia ajudar a escoteirinha? Á Árvore da Vida soprou em sua fronte, uma brisa fresca, perfumada de suas folhas verdes e a escoteirinha dormiu.
          A escoteirinha acordou em um lugar lindo, com arco íris de todas as cores. Azuis, amarelos, verdes, uma relva cheia de flores silvestres e ela viu ao longe um enorme acampamento. Muitas barracas e milhares de escoteiros e escoteiras de todo o mundo. Assustou, pois ao seu lado a Arvore da Vida estava segurando suas mãos e dizia – Vamos minha amiga. Você vai participar do primeiro Jamboree Escoteiro no mundo! Vai conhecer seu fundador. E a Escoteirinha sorria. Um sorriso que poucas escoteiras sabem dar. Eram milhares de jovens, todos segurando sua mão e dizendo “Sempre Alerta” linda Escoteirinha! Era a maior felicidade que ela podia alcançar. Viu alguém batendo em suas costas se voltou e viu que era o fundador do escotismo. Abraçou-a e disse - Minha jovem escoteirinha, acredite, você é quem faz seus sonhos e os transforma em realidade. Nem todos podem ter o que querem, mas devem lutar para ter. Acredito em você. E você deve acreditar na sua promessa!
          Quem passou ali no coreto naquela tarde de um lindo por de sol, assustou-se. Em pouco tempo centenas de habitantes da cidade se aglomeraram, pois deitada encostada no trono de uma árvore simples daquela praça, que ninguém nunca deu valor, uma Escoteirinha sorria, em volta dela lindas borboletas de todas as cores sobrevoavam sobre sua cabeça, pássaros mil faziam seus cantos nos galhos da árvore e a Árvore da Vida? Florida! Linda! Cheia de frutos. Incrível! Nunca viram nada parecido. Uma brisa gostosa soprava trazendo perfumes de flores silvestres, e um papagaio verde e amarelo pousou em seu ombro e cantava – “Ela foi para o Jamboree, ela foi para o Jamboree!”.
          A história chega ao fim.  Ela sonhou.  E que sonho meu Deus! Não foi naquele Jamboree, mas sabia que um dia iria em outro. Seu sonho não ia morrer nunca. Ela iria crescer trabalhar e fazer seu sonho virar realidade. E a Escoteirinha foi para sua casa sorrindo e cantando – “De BP trago o espírito, sempre na mente, sempre na mente e no meu coração estará!” E a Árvore da Vida que existiu em seus sonhos nunca mais a abandonou. As pessoas sempre tem aquilo que desejam. E ela a escoteirinha sabia que um dia teria seu desejo realizado. Sonhe, sonhe muito! Acredite em seus sonhos. Alguém não disse que o futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos?    

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A mixórdia me pegou desfilando e que lambança meu Deus!



A mixórdia me pegou desfilando e que lambança meu Deus!

                 Uma mixórdia, ou melhor, uma verdadeira lambança. Ainda bem que nos meus artigos poucos me mandam queimar no fundo dos infernos! Risos. Quem sabe mereço? Mas o que fazer? Uma vez aqui quase houve um bate boca devido a escoteiros desfilarem. Assisti a tudo dando gargalhadas. Voces sabem, eu gosto de rir e já me disseram que o riso é uma homenagem que os idiotas prestam ao gênio. Risos. Não sei se é verdade. Adoro os politicamente corretos. A turma nova aprendeu que não se desfila, me disseram que tá lá no POR. Ainda não vi. Só tenho o antigo e agora vai mudar. Vamos aguardar.  Dizem que devemos andar garbosos, olhando para frente, mas sem marchar. Haja paciência! Um saco isto sim! (desculpe o termo ante Escoteiro)
                 Como marchei na minha vida. Adorava marchar. Tínhamos todos nós escoteiros um porte pseudo militar. Proibido hoje. Esqueceram-se de ver a maioria das fotos de BP e alguns dos seus relatos sobre o tema. Lá está ele sempre fazendo inspeção e os jovens perfilados. E quantas marchas para homenageá-lo. Mas hoje não. Isto já era. Hoje os tempos são outros. Dizem que existem motivos. Bah! Para os motivos. Gostava de marchar. Nossa tropa era perita. Mas olhe só fazíamos isto uma vez por semana à noite. Fim de semana nem pensar. Reuniões e atividades ao ar livre. Aos montões. Bem vamos à mixórdia que me levou a relatar estes fatos. – Eu estava com treze anos. Fazia parte da nossa banda, tocando um tarol fino que hoje quase não vejo mais. Tínhamos orgulho da nossa banda. Dizíamos que era a melhor da cidade. O Munir era o nosso maestro. Magro, parecia mais um palito uniformizado. Claro, os treinos eram de uniforme. Em um campo de várzea perto da sede para não incomodar, mas mesmo assim o campo se enchia dos vizinhos e amigos.
                 Na cidade havia três comemorações por ano que desfilávamos. Dia da cidade, dia da bandeira e o Sete de Setembro. Havia uma disputa entre nós e os dois colégios masculinos e um feminino. O Tiro de Guerra e a policia militar tinham uma banda de musica. Eram, portanto três bandas de jovens que se digladiavam nestes desfiles. Nos dias de desfiles, lá estávamos todos os membros do grupo Escoteiro de luvas cinza, de luvas brancas só a turma do cerimonial. Também usávamos as mochilas e uma vez sim outra não montávamos um campo de Patrulha na carroceria de um caminhão. Era uma festa. Claro, na sede o Chefe fazia uma inspeção que não perdoava ninguém. Orelhas, mãos, unhas, sapatos engraxados, meias com listras retas, quatro dedos de dobra do meião, chapéu com abas retas, lobos idem com seus bonés.
                Todos aguardavam até formarem-se e partir para o ponto de encontro. Que orgulho! A cidade em peso lá. Todos batiam palmas para nós. Quando chegávamos ao destino gostávamos de ver os “inimigos e suas bandas” o pior é que muitos dos inimigos tinham escoteiros em seus colégios. Risos. Mas o Berica, o Berica não era mole. Todo ano querendo ganhar da gente com a banda deles. A gente tinha até uma cantiga que dizia – “Arreda grupo que o ginásio vem, que catinga de macaco que o Berica tem!”. Mas a lambança foi outra. A mixórdia também. Apareceu ninguém sabe de onde, uma banda marcial. Depois soubemos que era de Colatina e foi convidada pelo prefeito. Que banda! Enorme. Correu o boato que eram treinados pela banda dos Fuzileiros Navais. Muito famosa na época. E agora José?
                Agora era enfrentar. Mas o Munir não sabia perder. Bem fardado, um esqueleto humano, com sua varinha mágica, nos levou no centro da banda marcial. Ela linda, 20 bombos, 30 tambores, não sei quantas caixas claras, tarois mil e dezenas de cornetas e clarins. Entramos no meio dela. Uma bagunça. Eles batendo e nós também. Ele meteram as varetas nas nossas cabeças. Revidamos. Uma briga geral. A escoteirada dando soco em tudo que encontrava pela frente. O Chefe João apitando feito um coitado. A policia militar interveio. Conseguiu separar. Chefe João ofegante! Isto é escotismo? Onde aprenderam? A cidade inteira deu risadas por muito tempo. Ainda bem que não tínhamos ainda o tal Conselho de Ética. Se não ao grupo tinha sido fechado e eu não estaria aqui contando esta mixórdia. Esta lambança. Como castigo ficamos sem participar de dois desfiles aquele ano. Aproveitamos e fomos acampar na serra do Caparaó, com lindos picos em sua volta. Um belo de um acampamento. Ufa! Que castigo eim?
                  Enfim, eu marchei muito. Muito mesmo e dei meus tapas também. Não sou santinho, sou Escoteiro sim. Minhas boas ações sempre existiram. Quando Escotista dei exemplo. Mas se marchar é errado que o céu me condene. Ou melhor, que a UEB me condene! Risos. Se pudesse, se algum dia fosse voltar a um grupo eu marcharia de novo. Mas olhem, faríamos belos acampamentos, faríamos lindas atividades aventureiras, nossas reuniões seriam dos monitores e dos jovens e não dos chefes. Continuaria a abraçar a todos. Meninas e meninos e sempre a dizer – Bem vindos! Adoro voces! Aceite meu aperto de mão sincero! E no sete de setembro lá estaria o grupo, com uma boa banda (claro que teríamos) a marchar orgulhosos usando as luvas cinza, brancas, e a turma do pavilhão da bandeira orgulhosa, um carro com um campo de Patrulha montado e lembrando... Arreda grupo, que o ginásio vem, que catinga de macaco, que o Berica tem!  

Tradições? Esqueçam, os tempos são outros!



Tradições? Esqueçam, os tempos são outros!

Didaticamente, definimos tradição tudo aquilo que foi incorporado ao estilo de vida de um grupo especifico de pessoas e que foi mantido e repetido através dos tempos conferindo-lhe um aspecto cultural. Entendemos a tradição como o conjunto de hábitos e tendências que procuram manter uma sociedade no equilíbrio das forças que lhe deram origem.
Sou frequentemente chamado de tradicionalista. Acho que sou mesmo. Talvez por ter entrado no movimento há muito tempo, quando ainda lobinho. Por ter passado por muitas e muitas situações no Movimento Escoteiro. Tenho dificuldades em aceitar mudanças que apesar de tudo, podem e devem acontecer. Desde que não vão de encontro às tradições e foram arduamente discutidas com todos os interessados. Quem são? Os escotistas de todos os Grupos Escoteiros do país e quem sabe com todos os jovens. Sei que não podemos ficar parados no tempo por isso aceito modificações. Modificações que podem gerar ganhos, apresentação e crescimento individual.
Mas fico pensando se valeu as mudanças de parte do método e nomenclaturas existentes no passado, do uniforme e de tantas outras coisas que julgava importante. Eu as considerava como uma tradição do nosso movimento. Era tão bom lembrar como eram e me soa estranho algumas expressões e assuntos que são discutidos hoje pelos nossos escotistas. Fico pensando naquele antigo escoteiro, que depois de muitos anos volta à sede para rever amigos e seu passado e encontra tudo mudado. É um estranho no ninho.  
Ainda me lembro com saudades de certos aspectos que de certa forma, nos identificava, pois nosso movimento era único a usar e ter em seu seio, nomes que também ajudavam a nos identificar. Apesar de não pretender reverter o passado, pois o que mudou não volta atrás (deveria voltar), não deixo de lamentar o que sinto a respeito. Através de amigos e leitura de normas da UEB fui tomando conhecimento de algumas alterações que foram feitas. Todos que assim o fizeram acreditaram que precisávamos mudar. Seria para melhor. E foi? Vejamos algumas mudanças:
 – Chefe do Grupo, Comissões Executivas, escoteiro noviço, segunda classe, primeira classe, eficiência I e II etc. especialidades, comissário distrital, comissário regional, escoteiro chefe, Cursos com siglas de CAB – Adestramento básico – CIM – insígnia de madeira – Diretores de cursos. Equipe Nacional de Adestramento. Adestramento. Esse é interessante. Sempre criticado. Nos treinamentos das nossas forças armadas ele é usado. No escotismo não. Agora é formação. Mais atual. Do uniforme nem comento mais. Espero que as mudanças sejam boas. Chega de ver situações difíceis de entender.  Agora vem outro aí. Atualíssimo! Todos vão gostar muito. Quem quiser saber melhor vá ao site da UEB e veja a ultima ata publicada. Mas a lista não para por aí, de conselhos, passamos para congressos, assembleias etc.; vejam bem, não estou criticando, só achei que para mim, isso nos identificava. O escotismo era conhecido pela sua tradição e era um orgulho saber que éramos únicos. Lembro que se conhecia um escoteiro pela fivela do cinto.
 Enfim, tem muito mudanças e acredito que fiquei um pouco desatualizado. Será que valeu a pena, será que isto trouxe uma situação melhor para o nosso movimento? Seja de crescimento e apresentação junto à sociedade brasileira? – Não sei não, tenho minhas dúvidas. Iniciaram as mudanças em fins de 80 e até hoje nosso efetivo não cresceu nada. Ficamos ali entre 60.000 a 70.000. As novas gerações irão aplaudir. Afinal é delas o escotismo de hoje. Mas olhem, um dia vou partir. Irei com saudades do meu chapéu. Do meu penacho, do meu distintivo de patrulha, da moeda da boa ação, do nó no lenço para a boa ação diária. Irei lembrar-me dos Conselhos, do garbo do uniforme, do orgulho quando se vestia olhando-se ao espelho se estava tudo em seus lugares.
Vou lembrar também da minha patrulha, do orgulho em ficarmos juntos por anos a fio, (isso existe hoje?) do nosso chefe, um sujeito cujo uniforme era um exemplo. Nunca vou esquecer as inspeções, mesmo com quatro cinco dias de acampamento. Vou rir quando me lembrar de uma noite, que ficamos até duas da manhã, num desafio interminável do Quebra-coco. (será que existe ainda?) Nunca vou esquecer que sabia na ponta da língua a Promessa, a Lei Escoteira e cantava o Ra-ta-plã, o Hino Nacional, o Hino da Bandeira sem erro. Ainda vou lembrar também do meu Chefe de Grupo, do Comissário Distrital, do Comissário Regional e da lembrança quando me disseram – Olhe lá! Aquele é o Escoteiro Chefe do Brasil. Morro de inveja do Escoteiro Chefe Inglês. Sempre presente. Abraçando lobinhos, escoteiros, a Rainha enfim todos o conhecem por fotos. Se seu congênere Brasileiro? Melhor não insistir. Estão lá, distantes, sempre procurados.
Tradições, uma palavra que mostra a força de uma organização. Será que estamos perdendo esta força? Estamos nos tornando um movimento comum? Será que foi melhor usar a nomenclatura que todos usam hoje? Não sei. Muitos não irão concordar comigo. Acredito que estamos sepultando nosso passado. Vamos esquecer nossa história. Nossa identidade será outra. Assimilada pelos novos e olhadas com saudades pelos antigos que irão desaparecer nas nuvens do futuro.
Um dirigente nacional já disse que nossa Promessa diz no final que devemos “Servir” a União dos Escoteiros do Brasil. Portanto devemos calar a boca, fechar os olhos e bater palmas por tudo que fazem. Estamos dormindo no tempo e acreditando que ventos novos irão soprar. Torço por isto. Podem amigos me chamar de ultrapassado. Voces agora lutam por um lugar ao sol do movimento Escoteiro e tem este direito. Mas por favor, respeitem o meu direito de discordar, de escrever o que penso, de achar que muitas de nossas tradições não deviam ter sido enterradas. E por favor, também, não me digam que temos um fórum próprio para mostrar nosso desagravo – Os Congressos e Assembleias. Você realmente acredita nisto?

"A tradição não é dada por direito de herança, e, se a quiser, é preciso muito trabalho para obtê-la." (T. S. Eliot).

terça-feira, 3 de julho de 2012

Jav e Jov, dois escoteiros da pesada.



Jav e Jov, dois escoteiros da pesada.

                Jav e Jov eram irmãos. Gêmeos. Isto mesmo. Irmãos gêmeos. Sua mãe fazia questão que vestissem iguais e tivessem penteados iguais. Quem via o Jav não sabia se era o Jov e quem via o Jov não sabia quem era o Jav. Risos. Cresceram assim. Muito unidos. Unha e carne como se diz.  Aos quatro anos aprenderam a se divertir. Quem é você? Sou o Jav e você? Sou o Jov. Nem a mãe deles sabia direito quem era um e outro. Não tinham marcas que os identificassem. Resolveram infernizar a vida de todos. Começou na escola. Agora com cinco anos. Jov puxou o cabelo de Melita. Melita gritou. Jov se escondeu. Jav estava em outra sala. Onde está o Jov? Gritou a professora – Aqui professorai sou o Jov disse. E o Jav onde anda? Já tinha dado tempo para o Jav subir em um pé de jaca e dar boas risadas.
                O tempo foi passando, Jov e Jav aprontando. – Moço me dá um sorvete de baunilha e chocolate. O sorveteiro conversando com uma moça preparou um e deu ao Jav e o Jov que estava atrás dele tomou a frente enquanto o Jav correu e se escondeu. O sorveteiro parou de conversar e disse – um real – O que? Você não me deu nenhum sorvete. Dá-me um sorvete de chocolate só. O sorveteiro não entendeu. Não dava tempo para ele tomar o sorvete e no chão não tinha sinal que tinha caído. Eles fizeram sete anos. Os pais não sabiam mais o que fazer para acabar com suas diabruras. Na escola já tinham sido expulsos de duas. Agora estavam em uma particular. Mais exigente. Quem é você? Sou o Jav. O inspetor de disciplina tenta marcar o Jav olhando fixo. E você? Sou o Jov. Nada. Difícil de marcar. Mandou chamar a mãe. Se deixar eu carimbo a cada um. Mando fazer um carimbo do Jov e outro do Jav. A mãe deixou. Jav e Jov fizeram um carimbo igual. Carimbavam-se como Jav e Jov. O Inspetor ficou louco!
                 O Colégio tinha um psicólogo. Ele pediu para ver um de cada vez. Falou com Jov. Depois mandou sair e entrar o jav. Os dois juntos se misturaram. O Jov entrou de novo. Você então é o Jav? Perguntou? Sim. Respondeu o Jov. Não adiantava. Os dois não tinham jeito. Mas aprenderam a lidar com os dois. Se for assim que queriam que assim fosse. O diretor disse – Vou chamar voces de Jovejav. Não importa quem seja. Na mesma sala. Sentados juntos e devem andar juntos. E riu com gosto. Eles não gostaram. Não dava para aprontar.
                 Um dia sua mãe viu um lobinho passando em frente sua casa. Porque não colocar os filhos no Escoteiro? Pensou. E assim o fizeram. O Chefe não entendeu nada. Achou os dois iguais e vestindo a mesma roupa. Não seria fácil diferenciá-los. A Akelá Francisca quando os viu riu para si e disse – Sejam bem vindos. Eles riram. Um manancial para aprontar pensaram. Jov ficou na matilha Amarela, Jav na verde. Todo sábado um ia para a matilha do outro. Foi fácil fazer outros distintivos de matilha. Conheceram todos das duas matilhas. Ritinha desconfiou. Ela tinha um sexto sentido. Chefe, quem está aqui é o Jav e não o Jov! E agora? Você é o Jav? Sou o Jov. Danou-se. Chamou o Diretor Técnico. Acho que estão brincando com a gente. O Diretor Técnico gritou! Já para a sede. Os dois foram. Mas fazer o que?
                 Eles ficaram nos escoteiros por muitos anos. Não conseguiram mais enganar a todos. Ritinha ficou responsável. Ela sabia quem era o Jav e quem era o Jov. O escotismo mudou muito Jav e Jov.  Havia uma lei, uma promessa. Jav e Jov fizeram no mesmo dia. Uma dúvida. Prometer? Assim vai acabar nossa diversão. Não teve jeito. Quando Jav viu o Jov prometer, não podia ficar atrás. Cresceram. Ambos se formaram em medicina. Todos os dois escolheram cardiologia. Porque não sei. Em um hospital público enquanto Jav ia ao cinema Jov dava plantão. Depois Jov voltava e Jav ia. O pior aconteceu. Jov conheceu uma bela moça. Apaixonou. Jav queria ficar ao lado dela. Brigaram. Ficaram cinco anos sem conversar. Jov casou. Jav solteiro. Jov um dia acidentou-se. Enquanto recuperava Jav ficava com a esposa a conversar. Ela sabia que ele era o Jav. Gostava dele. Gostava dos dois. De Jov e Jav.
                 Jav apaixonou por Mercedes, esposa do Jov. Resolveu ir para longe. Manaus. Jov chorou com a partida de Jav. Foi melhor assim. Viveram por muitos anos afastados um do outro. Jav envelheceu mais que o Jov.  Ambos morreram no mesmo dia. Foram enterrados juntos. O epitáfio dizia: - Aqui jaz Jov e aqui ao seu lado Jav. Bem ninguém sabia se era isto mesmo. E assim termina a historia de Jav e Jov. Dois gêmeos escoteiros da pesada. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O meu amado e astuto lenço verde e amarelo



O meu amado e astuto lenço verde e amarelo

             Todos do movimento Escoteiro têm um. Sempre o recebem quando da promessa e o usam por toda a vida. Cada grupo cada escoteiro tem orgulho do seu lenço, alguns fazem bordados lindos e outros escolhem cores bombásticas. Quando você encontra vários irmãos em grandes atividades um belo colorido se faz presente onde cada um diz – Sou do grupo tal. E o dizem com orgulho. E ele, sempre ele é o responsável pela identificação. Eu também tenho o meu. Desde criança quando o recebi fazendo a promessa de lobo. Coitado, hoje está "Velho", desbotado e quando olha para mim finge que vai chorar de tristeza. É um pândego este meu lenço. Já o conheço de longa data.
              Claro que ele fala comigo. Risos. Não acreditam? O Escoteiro não tem uma só palavra? Mas é verdade! A mais pura verdade. Conversei muito com um chapéu bem velhinho de três bicos, fui amigo de um bastão da Patrulha Pantera, conversava muito com o meu Lampião Vermelho encantado. Mas o meu lenço verde e amarelo é quem me dava mais trabalho. Sempre choroso. Sempre reclamando. – Calma, me dobre devagar, assim ficarei velho e não posso representar o grupo! – Ei, saia da chuva! Assim eu vou desbotar mais rápido! – Cuidado com espinhos na árvore, eles podem me rasgar! E por aí ele seguia com suas lamúrias.
             Quando passei para Escoteiro é que ele sofreu mais. No meu pescoço chorava lágrimas e lágrimas de crocodilo. Um dia quando estava perdido no Espinhaço da Canastra, ele não parava de dizer – Me tire do pescoço. Não faça de mim um bode expiatório da sua “lerdeza” em não prestar atenção ao caminho! Claro, nos safamos fácil. Um bom SOS com um sinal de fumaça e logo o Chefe chegou. Cheguei em casa e o chamei (o lenço). – Olhe, ou você muda ou vai para o fundo do baú! Já estou cheio de suas choradeiras. Vou comprar outro no grupo e você vai ficar sozinho pelo resto da sua vida. Olhou-me com aqueles olhos suplicantes e pela primeira vez me pediu desculpas.
              Mas no fundo eu gostava dele muito. Afinal foi minha mãe quem fez e olhe com duas bandas para ficar mais cheio, mais gordo e dar um ar especial quando o colocava no uniforme. As marcas de guerra ficaram gravadas nele para sempre. Muitas vezes teve que ser cerzido. Enfrentou comigo borrascas, vendavais leves, chuvas intermitentes, sol de rachar, travessias em rios, florestas e ele sempre soube que não teria boa vida. Ficou no meu pescoço por muitos anos. Até quando tive de mudar de cidade e no grupo que entrei era outro lenço. Então uma briga. O Vermelho e Branco que passei a usar era um gozador irreverente. Sempre pegando no pé do meu Verde e Amarelo que ficou protegido por um plástico colocado em uma parede do meu quarto.
            Hoje lá estão os cinco que um dia tive a honra de usar. Todos na parece do meu quarto e agora do escritório. O Verde e Amarelo ficou amigo do Vermelho e Branco, do Vermelho e Preto, do Azul e grená e do Branco e cinza. Grupos por onde passei e que me deixaram saudades. Quando lá estou só com eles, um gostoso bate papo entre mim e eles se desenrolam como se fosse uma conversa ao pé do fogo, onde relembramos com saudades dos tempos aventureiros em que passamos juntos. Cada um sempre tinha uma história que julgava mais importante que os demais. Mas eu gostava de ouvi-los. Era divertido. O Verde e Amarelo pela sua idade falava grosso, querendo ser o pai de todos. Mas no fundo eram grandes amigos. Devem conversar o dia todo mesmo quando não estou presente.
             Saudades dos Grupos Escoteiros que passei. Bons amigos eu lá deixei. Ainda bem que os lenços hoje estão comigo para me fazer reviver as histórias e as epopeias que lá aconteceram. Valeu. Mas não sei por que, tenho uma preferencia pelo meu Verde e Amarelo. Ele sabe disto. Sorri para mim como a dizer – Eu sou o melhor! – Metido ele não? Mas para dizer a verdade eu amo todos. Fazem parte de mim, fazem parte da minha vida Escoteira.
              E você? Trata bem o seu lenço? Joga-o em qualquer lugar quando chega de atividades escoteiras? Não o deixa já pronto em um cabide para ele se manter no formato? Claro que sim. Escoteiro que é escoteiro cuida sempre do seu lenço, do seu chapéu ou boné, do seu bastão e do seu uniforme. Afinal faz parte da sua educação escoteira e ela nunca será esquecida!