Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Do mundo nada se leva.


Um conto de Natal.
Do mundo nada se leva.

Cabecinha boa de menino triste,
De menino triste que sofre sozinho,
Que sozinho sofre, e resiste...

      Valentine seguia pela rua deserta. Era dia ainda e ela não tinha medo, pois conhecia a todos no bairro onde morava. Tentou a casa de Marly e ela não estava. Era sua sub-monitora. Sentia um vazio tremendo. Não gostava de férias. O grupo Escoteiro interrompia suas atividades e ela ficava sem saber o que fazer. Os chefes precisavam mudar de rumo, passear com suas famílias e ter uma folga merecida. Valentine só pensava em escotismo. Sempre foi boa filha e boa estudante, mas quanto tempo tinha que entrou e amou? Acreditava ser mais de nove anos. Lobinha, escoteira e agora guia. Porque não dar liberdade às patrulhas para fazerem atividades sem os chefes? Valentine caminhava devagar. Era véspera de natal e sua mãe em viagem pela firma prometera chegar no dia vinte e quatro sem falta. Sua avó materna era quem tomava conta. Valentine se acostumara e sabia que sua Avó tomava conta dela como se fosse sua mãe. Valentine ouviu um choro de uma criança recém-nascida. De onde vinha? Viu do outro lado da rua uma pequena cesta e correu atravessando a rua sem olhar. O que viu quase perdeu a respiração. Um lindo bebê de olhos azuis a sorrir para ela.

Cabecinha boa de menino ausente,
Que de sofrer tanto se fez pensativo,
E não sabe mais o que sente...

         Pegou a cestinha e sorria de alegria. Mas o que fazer? Ir à delegacia? Ela estava tão sozinha em sua casa, e muitas das amigas viajando que pensou: Sempre sonhou em ter um bebê porque não este? Valentine tomou uma decisão não condizente com uma Guia Escoteira. Sem pensar levou a criança para sua casa. Tinha que escondê-la da sua Avó e de algumas visitas que costumavam aparecer. Entrou e foi direito para seu quarto. Uma parte da cama ela colocou o bebezinho. Correu a cozinha e fez uma mamadeira. Ela sabia como fazer. Tirou a especialidade de Babá. Ninguém notou nem mesmo quando de madrugada José chorou. Ela o chamava de José quem sabe para homenagear o esposo da virgem Maria. Assim como Jesus nasceu em uma manjedoura por um milagre, ela começou a acreditar que aquela criança seria seu milagre. Dois dias seguidos e ninguém desconfiou. Sua Avó era bem velhinha e meio surda. Isto ajudou muito nos planos de Valentine. Marly chegou de supetão ao seu quarto. Eram amigas e ela tinha plena liberdade de entrar e sair quando quisesse. Marly se assustou com a criança. Valentine explicou. – Impossível Valentine. Você sabe disto. Uma mentira não dura para sempre e você é uma escoteira tem honra e ética. Valentine chorava. Não queria perder o bebê. Mas qual a saída?

Cabecinha boa de menino mudo,
Que não teve nada, que não pediu nada,
Pelo medo de perder tudo.

     Pediu a sua amiga Marly que não contasse nada para ninguém. Que ela esperasse até o natal e ela iria levá-lo a delegacia. Seriam apenas mais três dias. Marly mais nova que ela tinha a cabeça no lugar. Sabia que era errado o que ela queria fazer e seria errado ela esconder também. Mas adorava sua amiga viu em seus olhos pequenos lágrimas que desciam e ela teve pena. Virou cumplice. Será que a Chefe Noêmia iria entender? Ela falava tanto da Lei Escoteira! Agora elas eram duas a cuidar do menino José. Sem perceber Marly começou a amar aquela criança. As noites ela dormia pensando como fazer para as duas ficarem com ela para sempre. Sabia que em sua casa era impossível. Nonô seu irmão mais novo “fuçava” em tudo. Ele logo iria descobrir. Onde então? Não vislumbrou nenhum local para criar a criança. Adotar? Mas elas eram tão novas! Valentine com desesseis e ela com quinze. Contar para o Padre Zózimo? Ele nunca iria entender. Também nenhum Chefe do grupo iria compreender. Constance, Joelma, Mary e Nair da patrulha não poderiam saber. Correriam para contar as suas mães e o segredo iria para o brejo.

Cabecinha boa de menino santo,
Que do alto se inclina sobre a água do mundo
Para mirar seu desencanto.

          Era o dia de Natal. Dia que elas se comprometeram ser o ultimo a viver com o menino José. Sabiam que no dia seguinte seria um martírio devolvê-lo a delegacia. Valentine sabia que ele seria levado ao Juizado e eles o encaminhariam para uma Vara da Infância e Juventude. Alguém um dia iria adotá-lo. Não poderia ser elas? Mas com esta idade? Sua mãe nunca iria concordar em entrar com um pedido de adoção. Valentine passou a pior véspera do natal de sua vida. Chorou o dia inteiro. Corria a dar tudo para o Bebê José. Teve hora que riu de si mesma pelos cuidados e ria mais ainda quando Marly chegava e queria disputar com ela os cuidados com o menino José. Valentine deixou o menino com Marly e foi comprar leite na padaria. Onde tinha encontrado a cestinha com o bebê ela viu uma mocinha sentada na calçada e chorando. Perguntou por que chorava e ela respondeu – Deixei meu filho recém-nascido aqui. O abandonei em uma hora de desespero. Agora me arrependi. Não sei quem o levou e onde ele foi parar. Valentine pegou sua mão, pare de chorar moça, seu filho está comigo. Venha, vamos a minha casa e você poderá ver que o tratamos como se fosse um filho nosso.

Para ver passar numa onda lenta e fria,
A estrela perdida da felicidade
Que soube que não possuiria.

          Não há mais para contar. Mirtes a mãe de José foi com ela a sua casa e passou um natal com todos eles como nunca passou em sua vida. Era de família rica e sabia que eles não iriam entender a gravidez. Mas ela resolveu enfrentar a tudo e a todos. A mãe de Valentine chegou e a festa foi mais linda ainda. No dia seguinte Mirtes levou José para sempre. Deixou o endereço para um dia se quiserem visitá-lo. Era em uma cidade não muito longe. Insistiu para que elas fossem madrinhas. Valentine e Marly não paravam de chorar. Madrinhas? Seria uma honra! Quando o ônibus partiu Valentine e Marly abraçaram-se chorando. Elas sabiam que foi encontrada a melhor solução. Fizeram questão de contar para todos o que fizeram. Não houve recriminação, mas sua mãe a orientou que não deviam ter feito o que fizeram. Do mundo nada se leva e devemos perceber que os verdadeiros valores da vida devem ser feitos dentro da lei e da ordem. Isto antes que seja tarde demais...


Os versos são de autoria de Cecília Meireles.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O último adeus do Velho Lobo.



Contos de Natal.
O último adeus do Velho Lobo.

                Para ele seria o mesmo natal de sempre. A família reunida, os netos correndo pela casa, as conversas dos filhos, tudo muito parecido com os anos anteriores, mas sempre com um sabor especial. Quarta feira, 24 de dezembro. Ele acordou cedo. Tomou seus remédios e sem o desjejum partiu. Era sempre assim. Uma volta no bairro para sua caminhada matinal. Sabia que no retorno o café fumegante estaria pronto. A família sempre se reunia à tarde, e por volta da meia noite todos iam a mesa para se refastelarem com o magnifico manjar da Mama. Ele já havia notado uns lapsos de memória e sabia a tempos que seus pensamentos se misturavam. A Santa Catarina pirolim pirolim pom pom, era filha do Rei”♫. Sentiu-se cansado e sentou em um ponto de ônibus na avenida próxima a sua casa. Fechou os olhos para tentar fazer sua mente voltar ao presente. Não sabia como, mas o ônibus chegou e ele entrou. Sentou na frente. Porque fazia isto? Ele não sabia. Nunca fez isto antes. Na viagem que ele não sabia o destino se lembrou do seu passado. Se viu menino escoteiro na Mata do Morcego. Encurralado em uma árvore por uma jaguatirica. Ela o olhava com olhar amigo. Ele não acreditava. ♫”Acenda, Fogo, acenda, Acenda essa fogueira”. Aqueça minha tenda e ilumine essa clareira! ♫...

          - Senhor aqui é o ponto final! – disse o motorista. – Mas como vou fazer para voltar? – Espere o próximo ônibus. Este vai se recolher a garagem! Ele desceu. Não sabia onde estava. Lembrou-se quando sênior acordou em um vale enorme, cheio de pássaros cantantes e uma cascata que faziam um barulhão. Ele não sabia onde estava quando saiu da barraca. Chegaram à noite perdidos e sem rumo certo. ♫ “Acorda escoteiro que o galo já cantou, cantou, cantou o galo já cantou... Co-co-ro-có.... ♫. Olhou para um lado e para o outro, uma enorme avenida e milhões de carros passando de um lado e de outro. Prédios enormes. Qual ônibus para voltar? Ele não sabia. Não sabia de mais nada. Esquecera seu telefone e endereço. Nunca saia com seus documentos pois sua volta no quarteirão era pequena. Viu que nem dinheiro tinha – Seu guarda, preciso voltar para casa – Onde o senhor mora? – Não sei! – Seu nome? – Não lembro. Sei que me chamavam de Velho Lobo, eu fui escoteiro. – O guarda o olhou de esguelha. – Não posso ajudar, atravesse a rua e ande dois quarteirões. Vais encontrar uma viatura equipada com rádio. Quem sabe podem ajudar o senhor! ♫ “Avançam as Patrulhas, lá ao longe, lá ao longe. Avançam as Patrulhas, cantando com valor, lá ao longe!”“... 

           Teve medo ao atravessar. Nunca viu tanta gente correndo e querendo chegar do outro lado. Confundiu-se e no meio do caminho parou. Sua mente o levou até o Despenhadeiro do Lobo. Um medo incrível de escorregar e cair. Ele ficou pendurado em um galho e se não fosse o Nonato cozinheiro tinha morrido.  ♫ “Rigor, Boom, rigor, boom. Vem correndo depressa Escoteiro Ajudar o cozinheiro a fazer um jantar supimpa, supimpa Parazibum, zibum” ♫. Parou no meio da avenida. Nunca sentiu tanto medo. Ninguém se preocupava com ele. Mesmo com seus 87 anos ele ainda pensava que podia manter o domínio de sí mesmo. Em passadas largas atravessou a outra parte da avenida. Sentiu que alguém o segurava por trás e na frente um jovem lhe deu um murro na barriga. Ele sentiu uma dor tremenda. Ali na calçada estava sendo assaltado por pivetes e ninguém o socorreu. ♫ “Como é feliz o acampamento na floresta, Junto de nós passa um riacho a murmurar, cantam as aves em seus ninhos sempre em festa, o vento sopra a ramagem a cantar!” ♫. Uma moça o pegou com braço e mandou-o sentar próximo ao vão do MASP. Eram duas da tarde, ele precisava dos seus remédios. A fraqueza chegava e ele sabia que não ia aguentar.

               Precisava comer. Em sua casa já teria almoçado. Lembrava que nem o café da manhã tomou. Levantou com dificuldade. Viu uma lanchonete, viu coxinhas, e bolinhos de carne. – Moço eu posso comer um e pagar depois? – O garçom riu. - Sem dinheiro necas meu Velho. Saiu andando em passos trôpegos. Começou a sentir tontura. Sabia por quê. A diabete fazia efeitos em seu corpo. ♫ “Quando se planta la bela polenta, la bela polenta, Se planta cosi. Se planta cosi. Oh!, oh!, oh!, bela polenta cossi” ♫. A tarde chegou de mansinho e as luzes dos postes se ascenderam. O frio começou a fazer efeito em seu corpo. Não tinha blusa. Uma senhora negra riu quando viu que ele tiritava de frio. Lembrou-se quando se aventurou no Deserto de Atacama e no Vale da Morte. No dia um calor de rachar a noite o frio era demais. – Venha comigo ela disse. Debaixo do viaduto tem fogueiras feitas pelos meus amigos. Ele foi. ♫ “Em Silêncio acampamento, este canto vinde ouvir, são fagulhas da fogueira que nos dizem escoteiros a Servir” ♫...

            A noite foi cruel. Mesmo em volta daquela fogueira ele pensava que não iria resistir até o outro dia. Carros passavam proximo buzinando. Era noite de natal e ele não se lembrava do seu nome, de sua família só lembrava-se do seu apelido. Velho Lobo. Lembrou-se também da subida no Pico da Manada no Peru. Dormiram encostados em uma enorme pedra onde cabia só dois e eram cinco! Foi lá que pela primeira vez viu a neve que caia em flocos brancos e lindos de ver. ♫ “Longo é o caminho, longo, longo, mas andaremos sem parar! Duro é o caminho, duro, duro, cantemos para não cansar!” ♫... Dormia e acordava, dormia assentado encostado a lateral do viaduto. Os seus novos amigos dormiam tendo como cobertor papelões que eles guardavam das lides onde recolhiam lixo reciclado para sobreviver. Ouviu ao longe alguém cantando uma canção de natal. Lembrava vagamente quando em uma reunião de Giwell em um Jamboree alguém contou uma história de natal. A lembrança o emocionou. ♫ “Eu era um bom lobo um bom lobo de lei. Não estou mais lobando, o que fazer não sei, me sinto velho e fraco não sei mais lobear, logo a Gilwell Assim que eu possa vou voltar” ♫...

            O dia amanheceu. Ele estava fora de si. Sentia falta de ar, tremia e quase não ficava em pé. Seu corpo não obedecia a sua mente. Como um robô saiu cambaleando pela rua. As pessoas desvencilhavam-se achando que ele estava embriagado. Até uma senhora disse bem alto – “Com esta idade e bêbado pela manhã”? Ele começou a se sentir mal. Uma dor enorme no peito. Sabia que era seu fim. Seus olhos se fecharam. ♫ “Prometo neste dia, cumprir a lei, sou teu escoteiro, Senhor e Rei. Eu te amarei pra sempre, cada vez mais. Senhor minha promessa, protegerás” ♫... Viu sua mãe sorrindo, como ela era bela e nova. Viu seus irmãos e irmãs que já tinham partido ali acenando. Fechou os olhos e esperou ser chamado para subir aos céus com eles. Acordou assustado em sua cama em seu quarto. Toda sua família em volta sorrindo. Era sua mulher, eram seus filhos, seus netos e vizinhos. O quarto cheio de gente. Bem vindo Papai, bem vindo marido, Vovô estava morrendo de saudades! Então não tinha morrido? Viu próximo uma jovem uniformizada de Escoteiro. – Quem é você? Foi sua esposa quem contou – Ela viu você caindo e dizendo ser um Velho Lobo. Sabia que você era um Escoteiro. Pediu um taxi e o levou ao pronto socorro. Telefonou para várias delegacias e uma delas já sabia do seu sumiço. Comunicaram por telefone. Ela meu marido, foi seu anjo de natal!


Bravo, bravo Bravo, bravíssimo, bravo, bravo bravo, bravíssimo bravo, bravíssimo bravo, bravíssimo bravo, bravo bravo, bravíssimo” ♫...

domingo, 15 de dezembro de 2013

São coisas do passado.




Conversa ao pé do fogo.
São coisas do passado.

        Jovens Escoteiros e jovens escoteiras. Estou aqui a imaginar vocês em volta de um fogo amigo, em uma clareira de uma floresta onde o verde se foi e agora a noite chegou, com um riacho cantante ao lado, fazendo seu caminho de sempre a procura de um rio e depois o mar. Sei que vocês estão ali porque ainda acreditam na beleza do escotismo. Sei que vocês já sentiram o cheiro da terra, o perfume da floresta, a brisa gostosa que sopra do lago dourado, um poente que nunca irão esquecer. Sei que agora aqui em minha volta, assentados neste banco tosco feito de madeira simples, quem sabe a saborear um café brasileiro cujo bule cheio está a manter o calor, bem próximo à pequena fogueira. Não é um fogo do conselho e vocês sabem disto. É apenas uma conversa ao pé do fogo sem eira e nem beira, sem inicio e sem fim. Todos estão ali para jogar conversa fora, mas que não escapa algumas frases que saem de dentro do coração.

     Cada um de nós, vocês e eu vivemos uma vida diferente de muitos outros rapazes e moças. Hoje sabemos o valor dela e com o passar do tempo também poderão valorizar mais e mais aqueles que viveram nas benesses escoteiras. Quando o inverno chegar daqui a muitos e muitos anos quem sabe, irão sentar em algum canto da casa e deixar o pensamento correr pelos céus, a perseguir a borboleta verde que perdida na rua vazia, irão sorrir ao lembrar-se do seu passado. Dizem que não é triste lembrar o passado, triste mesmo é não ter passado para lembrar. Confirmam-me os poetas que fechar os olhos e lembrar-se do passado é a maior máquina do tempo e o melhor remédio para o homem. Quantas coisas belas vocês viveram no escotismo? Se ainda não viveram façam elas se tornarem realidade. Não deixe que a inercia de uma vida sem aventuras aconteçam com vocês. Não reclamem que nunca deram nada a vocês. Nada cai do céu aleatoriamente. A montanha não é intransponível. Será sim se ficarem a admirar sua beleza sem pisar em suas terras no mais alto cume que puderem alcançar.

        Sabem meus amigos e minhas amigas escoteiras que estão aqui na frente da minha barraca, aproveitando o calor gostoso desta noite fria, a falar de amores, de sonhos e de belas coisas que estão vivendo e poderão conhecer melhor. Não siga a rotina da vida, lutem para sair da caserna pelo menos uma vez. Se acamparem procurem ver o que poucos Escoteiros e escoteiras conseguiram ver. Quantas estrelas têm no céu? Quantos cometas passaram em chispas velozes e quantos pedidos vocês fizeram? Olhem aquela campina, vejam quantas flores silvestres. Não as tire do seu habitat, vá até elas, sinta o perfume de cada uma. Feche os olhos e sonhe que poderia ser também uma borboleta dourada, um beija flor azul e branco a voar pelos vales floridos. Inocência? Pode até ser, mas é uma inocência gostosa de fazer e sonhar. Deixe seu cérebro acompanhar o lumiar dos vagalumes, procure ver na árvore próxima os olhos enormes de uma coruja esverdeada. Veja quanta beleza! Cantem a velha canção – “O espírito da coruja mora neste acampamento”!

       Saboreiem meus caros Escoteiros e escoteiras o cantar dos pássaros no céu. Regozijem com um amanhecer maravilhoso. Saiam da barraca para apreciar os pardais a tocarem suas sinfonias impossíveis. Se possível sinta o gosto da água retirada de uma pequena nascente, tomada em uma folha que colheste no pé da arvore encantada. Hoje o dia findou. Sei que cada um de vocês cantou, correu, criou pioneirias fantásticas e viram o sol seguir seu caminho para o oeste. Sei que bombasticamente viram sua bandeira a saudar a natureza aproveitando o vento que lhe trouxe a paz. Não ouve chuvas, não precisaram ver que se tens vento e depois agua deixando andar que não faz mágoa, e nem se tem agua e depois vento e não foi necessário pôr-se em guarda e toma tento. Risos. Não foi preciso. Um céu de brigadeiro aconteceu. Agora fechem os olhos e imaginem quantas coisas belas vocês aprenderam e estas coisas estão armazenadas em cada um dos seus cérebros nos imagináveis chips da vida.

      Que outras centenas de conversa ao pé do fogo aconteçam com vocês. Alguém me disse que não se vive mais o espirito de aventuras, que não se vive mais o sentir a natureza em todo seu esplendor. Dizem que agora os tempos são outros. Um poeta sempre ele me disse que nós humanos somos os únicos seres que conseguimos pensar no futuro. Lembrar-se do passado e “destruir” o presente. Não sei se acredito nisto. Nas minhas noites enluaradas ou não, ao pé de um fogo amigo quantas histórias eu tenho para contar. Vejo meu amigo Gilliard que não é Escoteiro, mas que dizia: - Posso usar meu dia para imaginar o Futuro, agir no Presente ou lembrar-se do Passado. O Segredo é saber extrair o máximo da década de cada um deles. Lembrar-se do Passado apenas o suficiente para fazer do Presente um bom lugar para viver, e a cada dia tornar realidade um Futuro mais feliz e mais real.

         Nós, você, eu e todos os membros participantes do movimento Escoteiro temos nosso quinhão de responsabilidade para fazer uma vida melhor, onde a alegria e a felicidade estejam conosco, presas em nossos corações para sempre. E assim quando todos vocês meus jovens e minhas jovens escoteiras chegarem na minha idade, poderiam dizer para si  próprio ao recordar. Em fiz parte, eu ajudei, eu sou um deles. Como fui feliz e nunca esqueço que até hoje ainda sou feliz! Oh! Meu Deus, obrigado por me dar a oportunidade de recordar!

          

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Uma deliciosa atividade aventureira.


Conversa ao pé do fogo.
Uma deliciosa atividade aventureira.

                 - Todos já sabem o que fazer. Vamos apenas recordar as instruções: - Patrulha Quati, irá seguir a S. (sul), em passo duplo vão percorrer seis quilômetros. Patrulha Jaguatirica deve seguir a SSE (sulsueste). A Leopardo vai a SE (sueste). A Touro a E (este). As escoteiras irão a ENE (esnordeste) a Pantera e a Lobo Guará a NE (nordeste). Já sabem, vocês estarão indo em forma de leque. O retorno é só considerar na bússola o contrário. Não haverá encontro entre vocês. Chequem as bússolas as pranchetas, o esquadro o transferidor e a régua. Confiram se todos trouxeram a Ração B. Nada para fazer depois. Quando retornarem tudo deve estar pronto para ser entregue a chefia. O Chefe Walfrido e a Chefe Vanice deram as últimas instruções.

                  Não era um grande jogo. Para eles uma bela atividade Aventureira.                   Quem deu a ideia foi a Patrulha Touro. Depois salpicada pelas demais. Podia-se dizer que todos deram sua contribuição. O tema foi apresentado a Tropa Feminina e feito o convite para fazerem a atividade em conjunto. – A preparação foi longa. A escolha das Colinas do Sultão foi ideia da Chefe Vanice. Era um belo lugar. Muitas árvores formando um lindo bosque. Uma subida simples sem ser íngreme. O Ribeirão do Rocambole era ideal para uma boa aguada e um bom banho. Os dois viram a ultima Patrulha sumir através do capim gordura e das arvores que aqui e ali faziam a beleza do lugar. Claro ambos preocupados. Mas quem não fica? As patrulhas agora estavam sós. Cada uma sabia da importância de cumprir as regras discutidas a exaustão na Corte de Honra e na Reunião de Patrulha. Todos se comprometeram. Afinal o Escoteiro não tem uma só palavra?

                   O que eles iriam fazer? – Varias tarefas. Cada Patrulha iria treinar orientação, não só o Monitor, mas todos deveriam ficar com a bússola pelo menos um quilômetro. A Patrulha iria levar uma máquina fotográfica e tirar fotos de animais pássaros e repteis que encontrassem. Durante a semana com as fotos eles deveriam identificar os bichos na biblioteca ou na Internet. Claro que se fizessem muito barulho não iriam tirar nenhuma foto. Também um seria escalado para o passo duplo. A contagem de distância percorrida seria importante para a confecção do croqui. Também iriam fazer um percurso de Giwell. Quando chegassem ao Ribeirão do Rocambole iriam montar um toldo, um fogão tropeiro e uma refeição simples com arroz, ovos, linguiça e batatas fritas. Sabiam que ia haver inspeção, portanto o local deveria ficar limpo sem vestígios.

                   Na mochila levariam o necessário. Uma muda de roupa, uma capa de plástico para chuva. Material de higiene e estava liberado biscoitos e doces. Melhor do que proibir. O Monitor daria as ordens quando pudessem comer. No local que acampassem poderiam tentar fotos por uma área de no máximo quinhentos metros quadrados. Seria bom levar cantil e quem não tivesse uma garrafa de plástico. A refeição seria por conta deles. Cada um levaria um pouco de arroz, uma linguiça, dois ovos e o Monitor e o sub levariam o alho, o sal e o óleo. Levariam também açúcar e pó de café. Foram treinados a empacotar e guardar na mochila. Todos deveriam manter-se dentro do horário. A saída foi ótima. Às sete e meia já estavam prontos para partir. Oito pais ofereceram seus veículos para transportá-los. Um deles tinha uma Kombi e sobrou lugar.

                  O Chefe e a Chefe e mais dois assistentes iriam em um só carro. Era o suficiente. Eles ficariam no ponto de partida e monitorando as patrulhas em atividade. Sem atrapalhar. Afinal estaria em ação o método de BP. Fazer para aprender, errar se preciso até fazer o certo. Só o Monitor foi autorizado a levar celular. Para emergências. Ficou combinado com as patrulhas que às três da tarde eles deviam fazer uma fogueira com muita fumaça e transmitir o sinal de socorro usado no mundo inteiro. S.O.S. Combinou-se com os pais para buscá-los a seis da tarde. Interessante. Nenhum Monitor usou o celular. Tudo valia pontos para a Bandeirola de eficiência, mas o mais importante era fazerem uma atividade sem chefes. Era ponto de honra para cada um dar certo.

                  Ainda bem que conheciam o local e bem. O Capitão Coutinho, dono da fazenda foi Escoteiro e disse para o Administrador/Capataz que a fazenda estaria sempre à disposição dos escoteiros. Às três da tarde quase todas as patrulhas conseguiram transmitir o S.O.S. No jargão era simples. S=- - - O= . . .
Eles ficaram um mês aprendendo código Morse. As cinco em ponto começaram a chegar. A Quati foi à última. Os relatórios foram apresentados. O Croqui, o percurso de Giwell, o relatório da atividade, o vasilhame limpo foi inspecionado. A chefia os esperava com um delicioso chocolate quente com pão e manteiga. Uma alegria geral. Os pais chegaram e se contagiaram com a alegria dos filhos. – “Está tudo azul, o caminho aberto, sopra o vento sul, tudo dando certo, nossa caminhada, neste belo dia, não vai ser mais nada”! Só muita alegria.


                      Isto mesmo. Só alegria na atividade aventureira quando as patrulhas fazem tudo bem feito, sozinhos claro, dando risadas e cantando: - Está tudo azul... E eu dou risadas quando falo – Xô chefes!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

De ilusão também se vive.


Conversa ao pé do fogo.
De ilusão também se vive.

           Sempre escrevo e conto histórias onde a aventura, a natureza e os belos sonhos Escoteiros estão presentes em todas as linhas dos meus escritos. Muitos dizem que o hoje não foi o ontem e o amanhã ninguém pode saber. Verdade sim, mas o nosso Movimento Escoteiro não é feito de sonhos? De sonhar em ser um cavaleiro andante? De montar em uma águia e partir em busca da terra do nunca? Quantos ainda ficam dias sonhando para o próximo acampamento? Sonhando em viver na floresta, em subir em árvores, em construir um ninho de águia ou uma ponte pênsil? E cantar? Sim isto mesmo, cantar ao redor de uma fogueira contando “causos” rindo das piadas alegres, deixar os olhos seguir as fagulhas que sem ninguém mandar se dirigem para o céu? – Mas Chefe, isto não mais existe, hoje os jovens nem pensam mais nisto. Será mesmo? Não seria nossa culpa, pois aceitamos ou quem sabe impomos um programa que achamos bom por não acreditar mais que não existem Escoteiros sonhadores?

        Quem sabe nós os adultos falamos por eles sem consultá-los dos seus sonhos? É fácil levar meninos para o campo, ficar horas falando disto e daquilo, esticar uma corda para que um por um passe sob os olhos atentos do Chefe. Se for assim o tempo passou e o sonho desmoronou. Pergunto-me se um dia na hora certa, no lugar certo, em uma sombra de uma grande árvore quem sabe ouvindo os sons da floresta ou do bosque tão perto, ou o doce cantar de um regato ao lado, sorrir ao contar que poderiam todos viajar pelas estrelas no céu azul basta criar na mente esta hipótese plausível? Não precisa de muitos, pois não se cria sonhos com dezenas em sua volta, mas você e eu podemos sem sombra de dúvida começar com poucos. Quem sabe os monitores? Pense, continue pensando que você está com eles subindo uma montanha deixando que eles recebam o vento no rosto, que vejam ao longe o ribombar de um trovão e eles assustados não pensaram em se defender da chuva? Chuva? Bendita chuva que se cair irá criar na mente de cada um a vontade de se tornarem aventureiros audazes, e então por que não parar e contar uma pequena história? Criar em suas mentes que eles podem se safar com aquela chuva que os aventureiros de outrora souberam se safar?

      Tudo é tão simples quando pensamos que os jovens querem acreditar, querem ver, querem sentir, querem fazer e você meu amigo ou minha amiga é o espelho deles. O espelho que eles seguirão e não faça nada para estragar esta visão tão bonita. Deixe que eles viagem na imaginação. Acredite que a vida é um processo de maturidade e está só existirá se deixá-los subir a montanha e ver o que existe do outro lado. Tudo que você fará para criar a fantástica ilusão do sublime sonho mudará completamente a razão da existência dos jovens que de novo irão sonhar, mas sonhar os pés no chão, fazendo, agindo e vivendo o que puderam criar. Faça exatamente como o Código Samurai – A perfeição é uma montanha impossível de escalar e ela deve ser escalada um pouco a cada dia. Sem perceber estamos discordando sempre destes sonhos em achar que eles são impossíveis de realizar.

             Ninguém vive sem ilusões, sem uma bela imaginação, sem criar uma fantasia ou devaneio. Deixe que eles façam desta miragem a realidade que podem e devem criar. Aquele poeta não disse que a vida é feita de ilusões, mas não é das ilusões que saem os melhores momentos da vida? Não diga não aos sonhos deles e se eles não têm sonhos crie um para eles copiarem e fizer os seus. Todos os jovens querem viver o sonho de ser herói. Tiraram isto dele e nós podemos devolver em forma de escotismo aventureiro. Não aquele de uma fila interminável por uma estrada com você determinando aonde ir. Não tenha medo do que vai acontecer. Haja sim com cautela, mas sem tirar o espírito aventureiro. Lembre-se ali são eles os donos dos sonhos, os donos da aventura, você é um mero coadjuvante que tenta a sua maneira passar para eles o que um dia viveu. Agora o momento são deles e você deve aplaudir isto.

            Ninguém gosta de sonhar e ficar acordando vendo o tempo passar. Ver o vento vir e ir sem ter ao menos possibilidade de tocá-lo. Sem saber o som da floresta, sem saber como é o orvalho da madrugada a cair suavemente no rosto. Sem saber o que os pássaros dizem sem sequer reconhecer o cantar do regato que lhe forneceu a água para sobreviver. Deixe-os ver o vento balançar as árvores, deixe que eles descubram o caminho a seguir, deixe-os descobrirem como podem viver sonhando com os pés no chão. Esqueça a modernidade por alguns minutos e sim pode se preocupar com as adversidades dos novos tempos, mas faça tudo para que eles andem sozinhos. Eles um dia não terão de fazer isto? Belas são as palavras de Kipling que escreveu um dia quem sabe para nós chefes – Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite... Deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos de desejo provado e do encanto reconhecido!

            Não vamos mais além, mas precisamos retornar aos sonhos que um dia os jovens tiveram, precisamos pensar que o mundo é como um acampamento em que montamos nossa tenda podemos apreciar a natureza, e depois voltamos para a nossa casa que é a eternidade. Termino este comentário de alguém que nunca ouvi falar. Osho. Quem foi não importa, mas uma coisa eu garanto é um criador de ilusões a nos mostrar que o caminho para prosseguir é sonhar e acreditar em seus sonhos:

- Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.

Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!

De Volta para o Futuro – parte I



Ontem postei aqui de Volta para o Futuro II. Fiquei a vontade com o primeiro.

As crônicas de um Chefe Escoteiro.
De Volta para o Futuro – parte I
(Bach to the Future)

         Uma volta ao passado, diferente do que fez Robert Zemeckis na sua trilogia De Volta para o Futuro. Quisera eu ser tão inteligente como o Dr. Emmett L. ‘Doc’, o Doutor amigo de Marty McFly que em três deliciosos episódios voltam no tempo precisamente em 1955, no DeLorean, um automóvel que se transforma em uma máquina do tempo. Quem me dera ter este carro para viajar no tempo. Assim sou obrigado a conviver com minhas memórias, cujos chips estão em fase de desgaste natural pela idade. Neste retorno no tempo, procuro fazer analogias do passado com o presente. Difícil, comparativamente é quase impossível, mas vamos lá.

        Um grupo simples. Nada de coisas maravilhosas. Mal e mal cinco cadeiras uma mesa, uma pequena escrivaria, daquelas antigas, cujo tampo se fecha ao terminar a jornada. Uma salinha onde cabiam todos os nossos sacos com quatro alças de intendência, quatro carrocinhas, inclusive também usadas pelos seniores, e uma saleta pequena para os lobinhos. Um pátio de uns seiscentos metros quadrados e se chovesse corríamos para a rua onde havia uma serraria e lá nos escondíamos. Nosso Chefe de Grupo, um Sargento da Polícia Militar gente boníssima ia ao grupo quinzenalmente. Nosso Chefe Jessé, um bom camarada. Não participava de todas as reuniões. Fora Escoteiro e Sênior, mas casou e conseguiu se empregar na Cia. Vale do Rio Doce. Um serviço que o levava em viagens em fins.

         Nas reuniões ele chamava o Romildo, o mais velho dos monitores, o qual todos nós o chamávamos de guia da Tropa. Entregava a ele uns rabiscos para as reuniões futuras. Ele chamava os monitores, conversavam e as reuniões saiam. Em quase todas sempre uma ou outra Patrulha ia acampar. Nossa vida Escoteira era mais ao ar livre que dentro da sede. Atividades externas? Procurávamos o Chefe Jessé no seu trabalho ou em casa e avisávamos aonde íamos horário de saída e retorno. Mais nada. Nosso treinamento era feito por nós mesmos. Sem ser presunçoso, sabíamos de olhos fechados técnicas que hoje poucos sabem. Nosso Chefe do Grupo entrava em contatos com mais três grupos em cidades próximas. Sempre nos levava a acampar com eles. O trem e a bicicleta e nossa Carrocinha da Empresa de Viação Vulcabrás (andar a pé) eram nossos meio de transporte. As carrocinhas serviam para acampamentos mais próximos a nossa cidade. Era lindo ver as quatro patrulhas uniformizadas, vários escoteiros segunda e primeira classes, mostrando que a maioria tinha três, quatro ou cinco anos de atividade.

          Hoje? Dificilmente. Tudo mudou. Nada poderia ser como antes. As grandes cidades não oferecem condições mínimas de segurança. Mas olhem pegando carona no DeLorean, eu vou a 1961, 1975 e 1980 e 1990. Vários grupos. O último que participei muito do que fiz eu fiz com eles também. Nossa evasão não ultrapassava cinco por cento. Começamos com dois jovens e quando saí tinha 160 membros do grupo. Na época era um dos Grupos que mais possuíam Liz de Ouro e Escoteiro da Pátria no estado. Concordo inteiramente que haja novos critérios, novas normas, pois agora se precisa disciplinar toda a organização. Estão a aparecer muitos rebeldes cheios de megalomanias. Declaram-se do contra, oposicionistas e quer saber? Para mim não são diferentes do que se acham donos do escotismo atual. Tem outros que fundam organizações a torto e a direito, mas é um direito deles e eu respeito. Mas voltemos a 1961. Ainda uma época das antigas. Um grupo, em uma igreja. Começamos com oito. Quando saímos de lá tinha cento e quarenta membros. Tínhamos duas tropas como filiais. Risos. Em uma cidade bem próxima.

          Volto de novo em meu DeLorean a 1955. A técnica se sobrepunha a teoria. Nada de grandes relatórios sobre isto ou aquilo. Cursos? Necas, era a arte de aprender a fazer fazendo. Tudo muito simples. Se um dia puderem ver como eram as etapas para se conseguir as estrelas, ou as classes de segunda e primeira poderão ter uma ideia melhor. Não eram tão simples assim. Você olhava um Escoteiro, seu uniforme, sua postura, sua disciplina e principalmente sua ética e honestidade junto aos amigos da patrulha para se orgulhar. Nada que difere hoje. Muitos também são assim. Já dizia nosso Mestre BP que se conhece o Escoteiro pelo seu uniforme. Será? Hoje dizem que não. Dizem que o uniforme não faz o Escoteiro. Bem, cada um entenda como quiser.

          São épocas. Cada um que viveu a sua tem boas lembranças. Mas aqueles do passado se orgulham muito do tempo que ficavam no escotismo. As patrulhas eram completas, todos uniformizados, poucos novatos. Se apareciam interessados, melhor abrir uma segunda tropa. Mas chega de lembranças. Lembra-me o Dr. Emmett L. ‘Doc’ que o DeLorean precisa voltar ao presente. Saudades sim, mas tristezas não. Vamos embarcar neste carro mágico. Não quero ir para o futuro distante. Tenho medo. Não sei o que vou encontrar lá. Hoje encontro bom escotismo ainda. Bons chefes dedicados. Pena que não temos mais aquele gostinho da aventura do passado. Mas o passado se foi não? Bom mesmo foi o Marty McFly. Foi no passado, no futuro, em outra dimensão do presente e se deu bem. Bach to the Future, vamos lá de volta para o futuro parte II proximamente.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

De Volta para o Futuro II. (Back to the Future Part II)



Crônicas de um Chefe Escoteiro
De Volta para o Futuro II.
(Back to the Future Part II)

                  Não teve jeito. Não queria conhecer o futuro, mas ao sentar na poltrona do DeLorean do Doutor Emmett Brown me deixei seduzir como se fosse Marty MacFly investigando sua vida futura. No meu caso não era a minha vida. Já tinha voltado ao passado em De Volta para o Futuro I em 1950. Mostrei para alguns como era o escotismo naquele tempo. Agora pensei em ver como era o nosso escotismo no futuro. Fui direto ao ano estelar de 2.180. 2.180? Isto mesmo. Meus caros, que susto! Fui parar logo em uma reunião de Corte de Honra! Sabem onde estava sendo realizada? Na casa do Chefe da tropa. Ele de roupão pressurizado e chinelo voador (quando andava plainava no ar), tomava um uísque contrabandeado do planeta Uebaibe e lia o noticioso esportivo de um jornal de outro planeta de nome Bidypower, através do seu super potente Smartphone e na sua frente uma enorme tela panorâmica que ele com um simples gesto colocava do tamanho que quisesse e onde apareciam os Monitores e subs. Claro cada um em suas casas. Eles pediram para evitar a holografia, achavam que não se sentiam bem assim. Eles discutiram o porquê as patrulhas estavam diminuindo a cada ano (Ora, ora, ainda?).

                  Chefe a Zeta Leonis está com dois somente. Eu e mais um. Outro logo emendou – Chefe a Epsilon Tauri tinha quatro e agora três.  E assim foi a Kapa Leonis a Alpha Capricomi. Todos reclamando que quase nenhum jovem queria participar mais das patrulhas. – Olha Chefe, falou o Monitor da Epsilon Tauri, o Senhor sabe desde que as meninas se sublevaram para ter suas próprias patrulhas (meu Deus! Que bom!) os meninos estão desistindo. Quando elas participavam eles adoravam mais e podiam namorar vontade. O Senhor sabe fora do escotismo a Lei é severa com quem fosse encontrado beijando e nos acampamentos tudo isto era normal, pois nós praticamos o escotismo moderno. Agora estão com aquela conversa que acampamentos holográficos perderam a motivação. Sei que escolhemos bem, tentamos tudo na Galáxia de Andrômeda. E o da Grande Nuvem de Magalhães foi um fracasso. Eles querem acampamentos reais. Nada de holografias. O Monitor da Epsilon Tauri disse que eles adoraram a excursão na viagem feita pela nave Pioneer 2012 até a magnetosfera de Galileu Gallilei. Cansaram é claro, pois os jogos de videogames espaciais na nave intergaláctica não eram lá estas coisas.

                    Estava embasbacado. Este era o futuro do escotismo? E olhe que sem esperar o Diretor Técnico entrou na conversa. Avisou que a partir do mês que vem a sede Escoteira estava de mudança. Compraram em Xangai um novo Site feito pelos chineses e montaram no espaço sideral um pequeno planeta que seria só do Grupo Escoteiro. Claro eles deram o nome de Avatar dos Anéis Azuis de Saturno o nome do grupo. O primeiro Grupo Escoteiro a montar no espaço uma sede Escoteira. Todos agora podem ir lá pelo sistema de Teletransporte do Computador CAN/DEN-88782343. É só ficar sócio e se inscrever no SIGUE espacial. Qualquer cartão de crédito intergaláctico resolve. Eles aceitam. Só não dividem e nem aceitam boletos de chefes escoteiros. Porque não sei. Assim vocês podem quando quiserem ir ao grupo, mas as atividades ainda serão feitas aqui na terra por meio de holografias. Voces escolhem onde. Mas devem programar. Tivemos casos de mais de duzentas patrulhas escolherem o Pico da Neblina no mesmo dia. A empresa UEBEBE/SP quase explodiu. Não deixem de enviar pedidos de autorizações em modelo Super Espaço ao Distrital Capitão Pikard. Ou ao seu Assistente o Chefe Doutor Spock. Se for difícil encontrá-los procurem o Capitão James T. Kirk que assumiu como Comissário Espacial internacional Escoteiro. O cara viaja para todo lado.

                    No próximo sábado continuou o Diretor Técnico, estarei ausente. Vou assistir a uma Reunião da OCBGDEF. (os catorze bons gerais do escotismo do futuro) que agora estão liderando o movimento da UBEB (União Brasileira dos Escoteiros Brasileiros). Sei que não tenho mais direito a voto, pois na ultima eleição ficou decidido que só eles decidem e mandam. Vocês sabem que agora não tem mais outras organizações. Montaram um exército próprio de androides que usam o novo uniformem somente para “caçar” os tais escoteiros tradicionais e os florestais. Voces sabem que eles estão na clandestinidade. Vários Robôs escoteiros estão à procura deles. Eles serão deportados para Hidra, uma Lua de Plutão situada no Cinturão de Kuiper. Jogaram lá uma bomba Genesis e a lua virou planeta. Só tem florestas. Os tradicionais e os florestais adoram árvores e riachos de águas límpidas. Dizem que são bons em pioneirias. Que atraso de vida meu Deus! E deu boas risadas. Estava estarrecido. Sai dali correndo. Pedi ao Doutor Emmett Brown que me levasse em seu DeLorean de volta ao passado. Não me sentia bem. Isto não pode acontecer ou será que vai acontecer? Melhor parar por aqui. Estou pensando em Baden Powell. Onde ele está pode ver o futuro? Se pode deve estar chamando todos seus oficiais de Mafeking. Uma nova guerra do Transvaal deverá ser iniciada. Ou eles acabam com a UBEB ou a UBEB acabariam com eles! Mas eles tinham experiências. Os jovens do passado e agora os do futuro dariam um ótimo apoio como estafetas. Estafetas? No escotismo moderno? Só rindo mesmo, kkkkk!


                  Agradeci ao Doutor Brown pela carona. Pensei até em pedir a ele que me levasse ao passado como ele foi com o jovem Marty MacFly ao Velho Oeste. Mas fazer o que lá? 1870 ainda não tinha escotismo. Eu não queria nunca me encontrar a mercê do famigerado bandido Biff Tannen e sua quadrilha. Ainda bem que não eram escoteiros. Melhor ficar por aqui. Que façam bom proveito do escotismo do futuro. Não estarei lá mesmo para criticar. Risos. Que a UBEB seja muito feliz!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Burocracia. Será que o escotismo vive sem ela?


Conversa ao pé do fogo.
Burocracia. Será que o escotismo vive sem ela?

          Não sei. Acho que não. Ela como se fosse uma grande teia abarcou tudo o que somos e fazemos. Milhares são a favor e uns pouco não, entre estes eu. Mas não poderíamos ouvir um pouco o que o ex-ministro já falecido Hélio Beltrão disse? - “o Brasil já nasceu rigorosamente centralizado e regulamentado. Desde o primeiro instante, tudo aqui aconteceu de cima para baixo e de trás para diante”. Menos papelada e melhor senso. Isto vale para ao escotismo? Bem se pensarmos em tudo que o ministro fez e falou podemos complementar que quanto mais burocracia menos democracia. Que os digam as normas, comunicações, atas, resoluções e relatórios. Quando se tem dúvidas lá vem um sábio a discorrer sobre regulamentos. Se vamos fazer alguma coisa de novo alguém para nos lembrar de que tem uma norma. Tentem ler os Estatutos que estão cheio de itens e parágrafos e com a cabeça quente começamos a ver para que servem o Congresso Nacional, Assembleias, diretorias, comissões, equipes, internacional, representantes, Conselho Nacional da Juventude, Equipe do Escritório Nacional, Centro cultural, e se fecha com o SIGUE. O chefão da burocracia. E ainda dizem que este SIGUE foi criado para desenvolver e auxiliar as Unidades Escoteiras Locais. Eu acredito nisto.

          Baden-Powell previu isto nos primórdios do escotismo. Quase no final do século dezenove e inicio do século vinte. Assustou-se quando viu bandos de meninos com seu uniforme e chapelão a correrem pelos bosques e florestas inglesas seguindo o que ele escreveu em seus fascículos Escotismo para Rapazes ou original inglês Scouting for Boys. Precisava organizar e para isto chamou amigos para ajudarem. No principio a burocracia era pequena. Quase nenhuma. Já na década de cinquenta, John Thurman escreveu seu celebre artigo os Sete Perigos. Em um deles anotou: - Super administração e não suficiente capacitação. Gostaria de sugerir-lhes dar uma olhadela nos orçamentos e balanços, para verificar se aquilo que gasta com papelada e administração está equilibrado com o que se emprega na capacitação técnica. Ambas as coisas são necessárias, porém mantenhamos o equilíbrio.

         Hoje não se fazem nada sem os regulamentos, sem as normas, sem as mil e uma burocracias que o escotismo nos oferece. Quer saber? Não sei se concordo, mas tenho de concordar. Risos. Do jeito que anda garanto que o escotismo de aventuras acabou. O escotismo de sonhos de heróis se foi. O escotismo da patrulha pelos campos a arvorar uma bandeira não existe mais. Hoje é o Chefe, o acima do Chefe, e o acima mais acima do Chefe. Ele o monitor não mais decide na Corte de Honra. Decidem as normas. Norma A, norma B, norma C. Vai acampar? Autorizações mil. Dos pais, do distrito e se for em outra região ou cidade dos mandas chuvas de lá. Aqueles Escoteiros que apareceram na minha cidade de mochila e bandeiras ao vento a procurar novas aventuras não mais existem.

E para terminar algumas frases dos teóricos pensadores sobre a burocracia:
- Burocracia é a arte de transformar o possível no impossível;
- Minha teoria é a de que nossos erros são as únicas coisas originais que fazemos.
- Burocracia atrapalha. Onde se cria muita dificuldade, há sempre alguém vendendo facilidades.

- "A única coisa que nos salva da burocracia é a ineficiência." (Eugene McCarthy).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Onde andam os sonhos e as aventuras escoteiras?



Conversa ao pé do fogo.
Onde andam os sonhos e as aventuras escoteiras?

Deveriam estar com os Escoteiros e as Escoteiras. Mas será que estão? Afinal se vê tanto Chefe querendo ser o dono das ideias, ser a figura principal que esqueceu sua finalidade na tropa. Esqueceram que existem monitores. Mas para que servem eles? Interessante, fotos e mais fotos dele o chefe falando, dele agindo e decidindo. Cansa-me ver um comando crawl e o Chefe ali segurando o menino e a menina. São escoteiros de porcelana.  Cansa-me ver a tropa formada e monitores “dormitando” no bastão de sua patrulha. Cansa-me ver acampamentos com o Chefe lá no campo dos jovens. Fazendo o que? Aprender a fazer fazendo? Liberdade? Sonho de aventuras? Onde estão as fotos deles subindo em árvores e descendo em uma corda por um nó de evasão? Fazendo uma ponte pênsil, construindo um ninho de águia, o cozinheiro cozinhando e não pais que ali estão e não entendo o que eles fazem lá. Existe o cozinheiro? Existe o Escriba? Existe almoxarife? Existe o construtor de Pioneirias? Existe o bombeiro aguadeiro? Só de nome ou de ação?

Não pegaram nada. Fizeram mil cursos. Lá os formadores ensinaram mil coisas. Mas não ensinaram que estes jovens em seus bairros têm amigos e se encontram sempre sem a presença de nenhum Chefe? Nestas reuniões eles são os donos do programa. E acreditem estes amigos de bairro ficam juntos por anos e anos. No escotismo? Uma patrulha unida com os mesmos patrulheiros por dois anos? Se encontrando fora das reuniões, amigos de verdade? Não sei, devem existir poucas por aí. Muitos estão saindo por que pensaram que seria uma vida de herói e não foi.  Um medo atroz de acidentes, um medo enorme de eles saírem de suas asas, tanto medo que eles desistem. Nem os pais em suas casas são assim. Brinco em muitos artigos que escrevo e costumo colocar lá – Xô Chefe! Xô! Entenda o que você é e nunca será um deles. Seja um irmão mais Velho, mas sem dominar, sem achar que só você se preocupa. Quer fazer o que eles fazem? Chamem outros adultos, façam seus acampamentos e aprendam bastante as técnicas escoteiras.

Sinto pena dos jovens de hoje. Eles não terão histórias para contar. Um fogo do conselho onde o Chefe dirige. Um jogo que só o Chefe dirige e explica para toda a tropa. Monitores ali são enfeites. Uma jornada com o Chefe fora da fila olhando como se eles fossem lobinhos e podem se perder. E eles acreditam que ali tem um sistema de patrulhas. Não foi o escotismo do passado. Nunca foi. Se a proteção continuar em breve teremos o escotismo nas escolas, ou seja, eles sentados em salas de aulas com professores chefes falando, falando, falando e falando. Bem disse Kipling: “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido...”.


Por entre junco e hera verdejante
Correm nascentes de águas límpidas,
Junta-se à sede da minha alma ímpia
Esta cascata pura e refrescante

Já são audíveis os sons da cachoeira
Num simulacro à magia da natureza
Insetos e pássaros voam na certeza
Que Deus existe e a fé é verdadeira...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tributo a Bandeira do Brasil.



Lendas escoteiras.
Tributo a Bandeira do Brasil.

                  Ele me pediu para ficar em of. Pedido feito pedido aceito. Entendi sua posição. Achou que poderia ser ridicularizado pelos amigos do grupo Escoteiro. Mas em sabia que o que ele me dizia era verdade. Minha experiência de pseudo-escritor sobre escotismo me mostram situações inusitadas e ouvir vozes impossíveis era comum para mim. Sua narrativa era fantástica. Começou a me contar de cabeça baixa terminou com ela erguida, como se tivesse prestado uma homenagem a um pedaço de pano que para alguns não tinham valor, mas para ele era sempre foi sagrado. Vamos lá ao seu relato.

                 - Chefe, eu não costumo jurar, tenho palavra e a palavra de Escoteiro para mim vale minha honra. Eu estava na sede Escoteira. Arrumando em um armário, um emaranhado de cordas que na chegada do acampamento foram deixadas lá de qualquer jeito. Qual não foi minha surpresa que vi duas pessoas conversando. Duas pessoas? Pode rir Chefe, mas eram duas Bandeiras do Brasil. Elas estavam em cima da mesa de reuniões. Pelo que eu soube uma seria aposentada, pois estava muito velha e desbotada. Havia mais de 46 anos que estava conosco. Desde os primórdios em que o grupo foi organizado. A outra era nova. Iria substituir à velha. A principio eu achei que estava vendo e ouvindo coisas, mas não. Vou tentar contar o que aconteceu. – As duas estavam falando! Isto mesmo, conversando chefe! Duas bandeiras? Poderá me dizer. Mas é verdade. A velha dizia para a nova:

- Bem vinda minha amiga, não sabe como me alegro em conhecer você. Sabe, estou aqui há 46 anos, quinze dias e cinco horas. – Riu baixinho. Mas acho que tenho de aposentar e a Diretoria então comprou você. Eu sei que existe uma cerimonia muito bonita, que quando se aposenta uma Bandeira do Brasil, ela tem honras militares, é colocada em uma pira que junto com outras é queimada. Dizem que lá estão vários batalhões de soldados prestando homenagem. Mas quis os nossos diretores e chefes que eu devia ficar em um belo quadro de vidro na sala de recepção, pois tinham por mim muito amor e muita consideração. A bandeira velha deu um suspiro e continuou – Eu também amo todos eles. Vou lhe contar minha nova amiga, algumas lindas passagens que tive com eles. Acho que sempre me senti amada. A primeira foi uma lobinha, Cecília, ela sempre me olhava com carinho. Quando eu era içada ela fazia a saudação com orgulho. Não tirava os olhos de mim. Um dia no acantonamento, quando após o jantar alguns ficaram sem fazer nada, ela me pegou na mesa da Akelá e me levou até uma árvore. Lá com uma cordinha me amarrou e depois me abraçou-me e disse: Bandeira do Brasil, eu te amo. Quero que saiba que tenho orgulho de você. E então seus olhos se encheram de lágrimas e ela me beijou. Minha amiga, que emoção. Demais para mim.

- Depois foi em um acampamento Sênior. Eles e as guias foram acampar no Pico do Itatiaia. Procuraram a parte mais alta. Quando chegaram viram que não tinha onde hastear a bandeira. Eram só pedras. A vista era linda, mas se eu não farfalhasse ao vento naquelas alturas eles não se sentiriam realizados. Dois seniores desceram quatro quilômetros correndo e acharam uma vara enorme de oito metros. Serra acima levaram o mastro.  Entre dois vãos de pedras e outras soltas, firmaram o mastro e me hastearam. Que felicidade amiga. Ver o vento me balançando nas alturas foi demais. E a vista? Maravilhosa! Confesso que chorei de novo de emoção. E então minha amiga, aconteceu um fato que nunca mais esqueci. Aquele sim foi demais para qualquer Bandeira do Brasil. Estava arvorada em um acampamento Escoteiro, e eles jogando um jogo gostoso em volta do campo. Um redemoinho de vento me pegou. Soltou-me da arvore, e fui levado a grandes altitudes. Eles viram e o Chefe gritou: - É nossa bandeira! Salvem-na, não deixem que o vento a leve! – E a escoteirada correu atrás de mim. O ribombar de trovões, raios enormes começaram a cair em redor. Outro vento enorme e a chuva me pegou de jeito. Mas lá embaixo estavam os valorosos escoteiros. Não desistiam. Sempre atrás de mim.

- Vi um escoteiro cair, sua perna sangrando e ele não desistiu. Vi outro molhado, tossindo a chuva caindo aos borbotões e ele não parava. Molhada, cai em cima de uma árvore altíssima. Ninguém desistiu. Um escoteirinho lépido subiu a árvore com dificuldade, pois chovendo e os galhos e os troncos molhados dificultavam. Ele me alcançou. Abraçou-me. Beijou-me. Colocou-me embaixo de sua camisa. Que honra minha amiga, como eles me amavam. Foi uma festa quando cheguei ao acampamento. Todos cantavam com alegria e o Chefe pediu que ficassem em posição de sentido e cantaram com orgulho o meu hino, o hino da Bandeira do Brasil! Nunca esqueci aquele dia. Houve centenas deles minha amiga. Centenas. Agora estou aposentando. Sua vez vai chegar, vais ver como os escoteiros amam sua pátria, sua bandeira. Vais ver quando for hasteada e o vento lhe acariciar e todos vendo você farfalhando no ar, irás sentir orgulho. De saber como é amada por eles!

                      O meu narrador parou. Estava chorando. De orgulho é claro pelo que viu e ouviu. E encerrou dizendo – Sabe Chefe, era eu que iria fechar a sede naquela noite. Fui até as duas bandeiras. Abracei as duas. Apertei em meu coração. Coloquei ambas na mesa desta vez aberta. Fiquei em posição de sentido. Cantei o hino da Bandeira, disse Sempre Alerta as duas com orgulho. Dobrei as duas com as honras que ela mereciam e fui embora. Hoje a velha bandeira mora em um belo quadro de vidro na sede. Todo dia que vou lá, fico em posição de sentido olho para ela, e com amor eu digo. Amo você Bandeira do Brasil. Faço minha saudação Escoteira e bem alto digo – Sempre Alerta!


                     Vi que ele não diria mais nada. Sua voz estava embargada de emoção. Dei nele um abraço e disse – Meu jovem amigo parabéns. Você é como eu, como todos nós escoteiros. Temos amor a nossa pátria. A nossa bandeira. Sei como se sente. Sei como sente todos escoteiros de todo o mundo que amam sua bandeira. Aceite meu abraço com amor e orgulho em te conhecer. Ele saiu e fiquei pensando. Pensei muito. Difícil explicar a emoção que sentimos no hastear e arriar a bandeira do Brasil. Ainda bem que temos isto. Amar a bandeira é amar nossa nação. É nestas horas que digo e repito, me orgulho de ser Escoteiro. Serei Escoteiro para sempre!