Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 25 de novembro de 2017

Contos de Fogo de Conselho. A origem de Donald e seus sobrinhos Escoteiros


Contos de Fogo de Conselho.
A origem de Donald e seus sobrinhos Escoteiros.

Huguinho, Zezinho e Luisinho.

                        Certo dia, Donald ao chegar a casa encontrou três simpáticos patinhos que traziam uma carta. Na carta, a prima Anita pedia que Donald lhe cuidasse dos "três anjinhos" por algum tempo. Logo de cara, os "três anjinhos" deram-lhe de presente, uma caixa de bombons recheados de pimenta, fizeram mil gracinhas que quase deixaram o Donald maluco. Era o tipo de enredo das colunas publicadas em 1937 nos Estados Unidos, quando os sobrinhos de Donald apareceram pela primeira vez. Eles eram o resultado do trabalho de Alfred Taliaferro, um dos desenhadores da Walt Disney. Este sentiu a necessidade de ampliar o mundo de Donald, que tinha vivido até então na esfera familiar de Mickey.

                       Donald, que era um dos alvos preferidos das brincadeiras dos traquinas sobrinhos de Mickey, acabou por ganhar os seus próprios sobrinhos: três de uma vez só! Nos primeiros tempos, os três patinhos eram terríveis: adoravam atormentar toda a gente, especialmente o tio, e, além disso, detestavam tomar banho e ir à escola! Com o tempo, porém, eles foram criando juízo e, de meninos traquinas, transformaram-se em espertinhos patinhos. Escoteiros-Mirins.

                        Desde as primeiras histórias de Donald, os três sobrinhos já acompanhavam o tio em muitas aventuras. No 1º número da revista O Pato Donald (1950), publicada pela Editora Abril, os três patinhos apareciam com Donald e Tio Patinhas na história "Donald e o Segredo do Castelo". Mas nessa época chamavam-se Nico, Tico e Chico. Só mais tarde receberiam os nomes que têm hoje. De vez em quando Huguinho, Zezinho e Luisinho vestem a roupa de Escoteiros-Mirins, partem para ajudar aos outros e proteger a natureza e os animais.

                       Como Escoteiro-Mirins, consultavam sempre o fabuloso livro que os tirava de quase todas as dificuldades "Manual do Escoteiro-Mirim", o qual apareceu pela primeira vez em Março de 1954. Esse Manual ficou tão famoso que foi necessário publicá-lo "de verdade" com aquela riqueza de informações. O primeiro fez tanto sucesso foi logo seguido de um segundo do volume.

                      Os três sobrinhos tornaram-se Escoteiro-Mirins em Fevereiro de 1951, na revista Walt Disney's Comics Stories (n.125), como criação de Carl Barks. Os três escoteiros tentavam, nesta história, conquistar o posto de Brigadeiro General nos "Junior Woodchucks" (nome inglês original para os Escoteiros-Mirins). Na edição de Setembro de 1951 (n.132) já tinham conquistado o posto de Generais de dez-estrelas.

Origem dos nomes.
Não se conhece com rigor a origem dos nomes dos sobrinhos de Donald. Uma das hipóteses avançada é que em 1937, o desenhador Al Taliaferro deu a cada um dos sobrinhos do Pato Donald o nome de figuras populares nos Estados Unidos da América de então: «Huey» (Huguinho) como homenagem a Huey Long, governador da Louisiana, «Dewey» (Zezinho) em homenagem ao governador republicano de Nova York Thomas E. Dewey, e « Louie» em homenagem ao trompetista Louis Armstrong.

Outra hipótese é a de que Taliaferro tenha pretendido homenagear o almirante George Dewey (1837-1917) da Guerra Hispano-Americana e que "Louie" seja uma homenagem ao animador Louie Schmitt (1908-1993).

prenome completo de Huey é Hubert, de Dewey é Deuteronomy e de Louie é Louis.

Existem rumores sobre um quarto sobrinho, chamado Phooey, mas acredita-se que não seja realmente um personagem e sim um erro de desenhistas entusiasmados que vez por outra faziam quatro e não três personagens.
Nota de rodapé: - Quem quando jovem não se divertiu com Donald e seus Escoteiros-mirins?  Quem um dia não ambicionou a ter um Manual do Escoteiro–Mirim? São histórias que ficaram gravadas em nossas memórias em uma época boa dos Gibis e principalmente dos personagens da Disney que tanto nos encantaram. Conheçam a história deles.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Palavra de Escoteiro ou palavra de honra? “Os dez artigos da Lei Escoteira”


Palavra de Escoteiro ou palavra de honra?
“Os dez artigos da Lei Escoteira”

           Era uma rotina acampar com os monitores e subs da tropa. Pelo menos a cada dois meses íamos para o Sitio do meu amigo Tornelo. – Chefe, fique a vontade, nem precisa pedir autorização. Boa aguada muitos bambus um local excelente. Eram quatro subs e quatro monitores. Eles adoravam tais acampamentos. Eu também, pois tínhamos mais tempo para conversar, aprender fazendo e trocar ideias. Ouvir adolescentes e suas necessidades eram para mim uma alegria sem par.

              Com as atividades de monitores a tropa deu um salto em motivação e crescimento. Nesta acampamento tudo correu normalmente. Jantamos um belo bife com arroz soltinho. Não faltavam bons cozinheiros. Lá pelas nove foram chegando onde montei a fogueira. Eu tinha encontrado perto da Lagoa do Jacaré, dos troncos grossos que deu dois ótimos bancos. Cada um foi se assentando e um deles colocou as batatas no fogo já aceso. O café no bule esmaltado junto à fogueira com pedras em volta para não espalhar as brasas fumegava.

          Havia sorrisos no ar. Todos adoravam participar. Ficamos conversando até que um Monitor me perguntou – E a história de hoje Chefe? Sorri. Sempre tinha uma historia para contar. – Vamos então disse. Hoje irei contar uma história sobre a Lei Escoteira. Eles já sabiam que a palavra de um escoteiro vale mais que sua honra. Mas o que é honra? Melhor contar a história. Alguns se serviram de café quentinho e biscoitos. Calados prestavam enorme atenção. Mal dava para ouvir os grilos e a sinfonia de sapos cururus na lagoa próxima.

       – Tudo começou quando a Patrulha Onça Parda estava reunida na casa do Escoteiro Santos Dumont. Estavam lá o Monitor Rui Barbosa, os Escoteiros e escoteiras Olavo Bilac, Caio Martins, Anita Garibaldi, Barbara Heliodora e Joana Angélica. Eles sempre faziam estas reuniões às quartas feiras em casa de algum membro da patrulha. – Chefe! Interrompeu um Monitor, mas estes nomes são verdadeiros? Lembrei que eles fizeram parte da história do Brasil. Bem pensado Antonio. Mas faz parte da história.  

          - Conversaram e após sugestões de programa para o segundo semestre, Anita Garibaldi pediu a palavra: – Meus irmãos de patrulha lembram-se da última reunião que o Chefe fez um Jogo Escoteiro usando a Lei Escoteira? – Sim, disseram todos. Mas foi um jogo meio parado disse Olavo Bilac. – Concordo disse Anita Garibaldi, mas acho que valeu. E ela perguntou: - O que significa a Lei Escoteira para um escoteiro? – Uma discussão simpática começou. Falou Caio Martins, Santos Dumont, Barbara Heliodora e Joana Angélica. Rui Barbosa o Monitor só observava. .

          - Cumprir ou não cumprir? Dizia. Fazer o melhor possível? Quem sabe assim era mais fácil. Foi Santos Dumont que abriu o jogo – Para dizer a verdade eu não sou muito de cumprir a lei. Ela existe para nos dar um caminho a seguir. Sabemos que cumprir todos os artigos é impossível. – Não sei se concordo disse Olavo Bilac. Anita Garibaldi nada falou. Só ouvia. O mesmo fazia Joana Angélica. Barbara Heliodora não concordou. – Se ela existe e nós prometemos um dia fazer o melhor possível não podemos continuar assim por toda a vida.

          - Joana Angélica lançou um desafio – Se Lei é tudo para os Escoteiros, falamos em honra, palavra escoteira e ética porque não tentamos por dez dias cumprir a risca todos os artigos? Quem sabe, prosseguiu, poderíamos fazer uma aposta e os que perdessem pagaria uma rodada de sorvetes na Sorveteria do Paulão? Muitas opiniões. Rui Barbosa completou – Se aprovam eu estou de acordo. Lembrem-se que faltar com um artigo da lei é questão de consciência. Cada um deu sua palavra e faltar com a verdade não é próprio de escoteiros.

            - Caio Martins entrou na conversa – Acredito que o Escoteiro tem uma só palavra e sua honra vale mais que sua própria vida. – Barbara Heliodora emendou – Concordo, o Escoteiro é leal. Sem lealdade não existe amor, amizade, fraternidade e consciência. Sem lealdade não existe o Espírito Escoteiro.

             Aprovaram o desafio. No final da reunião de patrulha todos juraram com as mãos entrelaçadas: – Prometo ser leal e dou minha palavra escoteira que se errar direi a todos. – Era uma quinta, dia 12 de agosto. O desafio iria durar até o dia 22 de agosto. Rui Barbosa pensativo não sabia se conseguiria cumprir. Olavo Bilac ria baixinho – Este desafio eu tiro de letra - Caio Martins lembrou de suas palavras: - Para cumprir cada um tem de caminhar com suas próprias pernas. Santos Dumont tinha dúvidas se chegaria até o final.

            - Anita Garibaldi não tinha dúvidas. Barbara Heliodora se considerou leal e acreditava que sempre cumpriu os artigos da lei. Joana Angélica receava suas amigas de classe. Falavam muito palavrão e sempre contavam piadas cujo teor era contra a ética e a honra. Dez dias se passaram. Reuniram-se na casa de Joana Angélica. Hora do acerto de contas. Hora que cada um devia dizer se cumpriu ou não a lei escoteira.

            - Rui Barbosa deu o exemplo como Monitor: – Não consegui. No Sétimo artigo me perdi. Tudo por causa do meu pai. Encheu-me as paciências de tal maneira que fui indelicado com ele. Pedi desculpas, mas já havia infligido à lei. Joana Angélica riu e emendou – Eu também não consegui. O quarto artigo é difícil. Amigo de todos? Tive que dar um empurrão na Rebecca minha prima. Entrou no meu quarto e fez uma bagunça que só vendo. Depois me arrependi. Afinal ela só tem cinco anos!

- Caio Martins disse que cumpriu todos. - Barbara Heliodora pediu desculpas, mas não cumpriu o quinto e o oitavo artigo. Não fui cortês com minha mãe e quando ela me repreendeu na frente de todos, eu chorei por dois dias. Olavo Bilac disse que cumpriu sem pestanejar e se precisasse ficaria para sempre cumprindo a lei escoteira. Anita Garibaldi também não conseguiu. Discuti com minha professora, pois ele me deu oito em história. Merecia um dez. Por último Santos Dumont disse que cumpriu todos.


            Os monitores e subs estavam de olhos arregalados. Chefe é história verdadeira? Quer saber? Eu não sei se iria cumprir como muitos fizeram. Não disse sim e não e encerrei a história contando que foram todos tomar o sorvete na Sorveteria do Paulão. Eles empanturraram-se tanto que deu dor de barriga. Risos. - Um silêncio profundo em volta do fogo. Ninguém disse nada. Uma coruja piou ao longe. Os sapos pararam de coaxar. O céu ficou escuro e um relâmpago riscou o ar. O trovão deu para assustar. – Boa noite meus caros monitores, chequem suas barracas a intendência, o lenheiro. Vem uma tempestade por ai!     

Nota de rodapé: - Você se preocupa com a Lei Escoteira em sua tropa? Ela é sempre lembrada nas reuniões e fazem belos jogos para que todos possam assimilar? Sabemos que quando fazemos nossa Promessa dizemos que iremos fazer o Melhor Possível para cumprir. Mas afinal, e o Chefe? Ele deve ser exemplo ou não para seus escoteiros no trato com a Lei? O dito popular em dizer que “não sou santo” vale para nós? Que cada um pense até onde cumpre ou até onde finge cumprir.

sábado, 11 de novembro de 2017

Contos de Fogo de Conselho. Silvio. O que importa é a boa ação.


Contos de Fogo de Conselho.
Silvio.
O que importa é a boa ação.

             A campainha tocou e Silvinho sorriu. Passou toda a aula da professora Doralice sonhando com a bela mochila e o cantil que vira nas lojas Abil. Era um bom aluno e o Chefe Marcio sempre o parabenizava quando mostrava seu boletim. Isto dava pontos a Patrulha. Os Morcegos eram irmãos de sangue como dizia seu monitor. Saiu apressado da escola em direção as Lojas Abil. Entrou sem correr. Não queria que pensassem que era um moleque qualquer. Ele era um Escoteiro, e dos bons. Foi até a vitrine onde expunham os materiais de camping. Viu a mochila verde acolchoada pendurada. Viu também o cantil de capa azul. Ainda não tinham vendido. Já tinha visto o preço. A mochila Cento e quarenta e o cantil sessenta. Um dia iria comprar os dois. Seus pais eram pobres muito pobres. Uma pequena Sapataria e muito fiado. Ele se orgulhava do pai. Era seu herói. Não demorou muito na loja. Saiu assoviando. Gostava de assoviar. “Vem depressa correndo Escoteiro, ajudar o cozinheiro a fazer o jantar!”. Gostava dessa canção.

               Desceu a Rua dos Caracóis e viu debaixo de um banco de rua uma carteira. Viu que estava recheada. Mais de mil reais. Uma fortuna. Daria para a mochila o cantil e muito mais. Não lhe passou pela cabeça ficar com o dinheiro. Mesmo assim pensou a feira e o mercado que sua mãe podia fazer. Seria uma alegria. Era um Escoteiro e nunca faria isto. Lealdade não se impõe se aceita, caráter também ensinou o Chefe Marcio. Procurou seu pai. Explicou. Ambos olharam os documentos. Dr. Mario Marcelo, dentista. Morava no Bairro Palmeiras, Rua do Lavrador 115. Seu pai só tinha o dinheiro de ida para o ônibus, na volta só a pé. Vamos lá, os tostões que tenho para a carne fica para outro dia. Amava seu pai. Sempre o abraçando e sempre cantavam a mesma canção da Vovó: - A montanha feliz!

                  Silvinho foi de uniforme. Só pensava na sua boa ação. Orgulhava-se de vestir seu uniforme. Bateram a porta. Uma moça atendeu. – Poderia falar com o Doutor Mario? – Ele está ocupado respondeu ela de cara amarrada. Podem falar comigo. Preferimos que seja ele. Ela nem respondeu e fechou a porta. Os dois ficaram ali esperando e sentaram no meio fio da rua. Uma hora depois ele gritou na porta bruscamente do seu consultório – O que querem comigo? Estou muito ocupado! – Silvinho se aproximou – Doutor desculpe. Achei sua carteira e vim devolver. Verifique se não está faltando nada! – O doutor olhou. Não falta nada. Agora me deixem em paz, estou ocupado com dois clientes me esperando. Fechou a porta na cara dos dois.
 
                 Silvinho olhou para seu pai e perguntou? Está certo assim pai? Claro filho. Fez o que devia fazer. Se ele não reconheceu não importa. Importa seu ato de grandeza de dignidade. Eu tenho o maior orgulho de você e olhe, prometo que um dia vou lhe dar aquela mochila e o cantil. Quem sabe ganho um dinheiro a mais? E foram os dois cantando pela rua afora, sem ao menos guardar rancor do doutor Mario. Silvinho sentia-se feliz. Ia contar a boa ação para seu Chefe. Sabia que ele iria gostar. Não iria vangloriar e nem contar que o doutor fora mal educado. Ele sabia que o importante foi o que fez. O que os outros fazem deixe para Deus resolver lhe disse seu pai.


E alegre cantou feliz uma canção: - “Vem depressa correndo escoteiro ajudar o cozinheiro a fazer o jantar! Supimpa! Acende o fogo, põe a panela, e dentro dela, o feijão cozinhar!”.

Nota de rodapé: - Boas ações dignificam o caráter. Quanto mais difícil, mas valor tem. É ponto de honra para o escoteiro fazer pelo menos uma por dia. Não as simples e sim aquela que marcam que deixa nas pessoas o orgulho de ser escoteiro e ou ser ajudando por um deles. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Chatos! Eles existem no escotismo?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Chatos! Eles existem no escotismo?

“Há duas espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e... Os amigos, que são os nossos chatos prediletos”. - Mario Quintana.

Não sei. Alguns amigos meus dizem que sim. Dizem que eu mesmo sou um deles. Um até me disse que sou um “Chato de Galochas”. Poxa! Logo eu? Nunca tive galochas. Não sabia que era chato. Dizem que a palavra “Chato de Galocha” é aquela pessoa que mesmo num dia de chuva, põe sua galocha e vem exercitar sua “chatura”. Outros dizem que o Chato de Galocha é o chato prá chuchu que saiu do mundo agrário e ingressou na era moderna. Mas como sou Escoteiro e um chato por profissão, pensei comigo: - Será que tem chatos no escotismo? Pensando bem acho que sim. Já que me coloquei como um deles porque não dizer dos outros? Vejamos a descrição de alguns chatos e tenho certeza que você minha amiga ou você meu amigo não se enquadram em nenhum deles. Por isso não ponham o chapéu na cabeça. Risos.

Vejamos algumas espécies de chatos:
- Fãs de entendidos - São aqueles chatos que não podem ver um Escotista mais graduado que correm para conversar com ele. Ficam ali com cara de aluno junto ao seu professor e querendo absorver toda a pose, todo sorriso e todo conhecimento do Chefão! Deus do céu!

- Politizados em demasia – São aqueles chatos que defendem com unhas e dentes sua organização, seus superiores, suas ideias. Nunca admitem erros. Mesmo não tendo nenhuma experiência, jactam-se de tudo que falam. Os dirigentes escoteiros adoram estes chatos.

- Carentes – Estão chatos estão sempre reclamando. Reclamam de tudo. Do Chefe, dos assistentes, do Diretor Técnico, do Comissário dos acampamentos ruins, das taxas baratinhas cobradas, enfim reclamam de tudo. Quando te pegam na esquina para reclamar haja “saco”!

- Amigos do passado – Gosto destes chatos. Se te pegam na rua, logo convidam para uma cerveja, uma pizza, e sempre pagam as despesas. O ruim é que ficam lembrando, lembrando e você olhando para o relógio sem jeito de sair.

- Viciados em aplicativos – Estes não são “moles”. Adoram te mandar recadinhos para aplicativos no facebook. Você acessa sua conta ou o celular e vê um monte de notificações. E quase sempre são aos mesmos. Não adianta deixar recados. Todo o dia lá estão eles. Irmãos de farda. Irmãos de ideal. Difícil convencê-los que são chatos.

- O olheiro – Desculpem. Não é do meu tempo. Hoje o chamam de Assessor. Desde que criaram a função de assessor para tudo logo o escotismo também criou o seu. A diferença é que é de graça! O chamo de olheiro porque ele vive de olho em você. Quer ser seu orientador, dizer o que fazer. Ensinar a você o caminho para o sucesso, mas quase sempre é o caminho que ele imaginou. Até que gosto da ideia destes chatos. Mas desculpem, não deixam de ser chatos.

- O metódico – É o Chefe que tem o jeito dele de trabalhar, de fazer as coisas. Ele já tem na cabeça o seu jeito certo de realizar suas tarefas. Nunca pede ajuda. Quando estão juntos acampados ele acha que você faz tudo errado. Com aquela “fleuma” Escoteira de Escoteiro bem educado, ele te enche as “paciências”.

- O perseguido – Fica o tempo todo falando que existem complôs contra ele. É o seu Chefe, seu Presidente, seu distrital, a regional ou a nacional. Enfim querem tirá-lo do escotismo. Não sabe o que fazer. Pensou em mudar de lado, mas soube que do outro lado seria a mesma coisa. Não sabe se sai ou se fica. Que medo ele tem de ser demitido ou levado a tal comissão de ética! E o salário oh!

- O nervoso – Nuca está satisfeito com nada. Explode por qualquer coisa. Reclama que não recebeu um agradecimento, uma condecoração. Reclama que já devia ser o Chefe da tropa, do Grupo, reclama que Já devia ter recebido sua insígnia. Reclama de tudo!

O dono do mundo – Este chato é um perigo. Considera-se o maioral. Está acima da lei e quando ela não lhe agrada, refaz de novo. Não quer perder o seu cargo e finge ser seu amigo para se perpetuar no poder. Eles estão lá no alto da pirâmide do escotismo. 

É, tem tantos tipos de chatos que poderia ficar aqui o dia inteiro falando sobre eles. Os chatos amigos, que lhe dão beijinhos na frente e que fazem nas suas costas você não sabe. Tratam-te com carinho e lá ao longe preparam sua cama para ver você dormir e não voltar mais! O folgado, que não levanta a bunda para fazer nada e sempre lhe pedindo para fazer tudo. Tem muitos mesmos. Mas o pior deles é o Capachão. Que puxa saco meu Deus! Os diretores, dirigentes, formadores adoram estes tipos. Ele quer a todo custo ser um deles! Haja paciência com eles, pois pior que eles só eu mesmo. Como sou chato meu Deus! Mas meu conselho é um só, Corra destes tipos! Só não sei como você vai correr de você mesmo! Kkkkkk.


Enfim, é melhor ser como eu. Um chato de galocha! Um chato rei dos chatos. Risos. E vivam os chatos, ainda bem que o escotismo não vive sem eles! Rsrsrsrsrsrsrs, ou melhor... Kkkkkkkkk

Nota de Rodapé:  Se você é um chato, por natureza ou por profissão, não leia esta crônica. Pode se sentir ofendido e eu não desejo isto. Afinal eu sei que sou um chato de galocha e não nego. Mas você não é assim, não é mesmo? E viva os chatos... Afinal o que seria do escotismo sem eles? 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Conversa ao pé do fogo. Jogando conversa fora em um barzinho.


Conversa ao pé do fogo.
Jogando conversa fora em um barzinho.

        - Oi Matheus! (o garçom) Por gentileza, um chopinho! – Um não, quatro. Estamos aqui também. Eram quatro. Saboreavam um gostoso bolinho de bacalhau, quibes entre outros salgadinhos. Sempre estavam ali aos sábados. Acabava a reunião tiravam o uniforme e lá iam eles. Solteiros, nada melhor que um papinho.  – Continue o que estava dizendo disse um – O mesmo de sempre – riu. Acho que nosso movimento tem muitos chefes cheio de empáfia. – Ei calma – Está chamando alguns escotistas de arrogantes? Não seria presunção sua? – Não é. Você me conhece. Veja no nosso grupo. Tem alguns que são muito simpáticos, amigos, e outros se postam com altivez própria de quem é superior.

         – Outro Chefe disse: - Não sei se concordo com você. Veja, somos todos seres humanos. Temos nossos defeitos e nunca seremos perfeitos. – Mas meu amigo, você acha que isto poderia acontecer no movimento Escoteiro? Matheus veio com as bebidas. Um pequeno silêncio para saborear o malte famoso. Um deles disse – Há muito mais certezas em um copo de cerveja do que se pode imaginar – todos riram – o Outro olhou para o mais novo Chefe e disse – Corra atrás dos seus sonhos, e na volta traga uma cerveja para mim.

         - Não sei se você está enganado disse um Assistente. Tive uma decepção outro dia. Lembra-se do Chefe (...)? – Lembro. Recebeu a Insígnia de Madeira. Pois é, mudou muito. Parece que até anda diferente. – Não foi ele que tentou ajudar naquele curso do mês passado? – Foi sim. Disse-me que quer ser um formador. Seu sonho sempre foi ser da equipe – Outro gole, outro ah! O bolinho de bacalhau estava perfeito. – Estive conversando com um Chefe que foi Escoteiro quando jovem. Gente boa. Pena que fala demais e não deixa os outros falarem. Ele acha que só ele sabe. Todos riram.

           – A conversa não parava. Quatro amigos de longa data. Outro disse: Estou pensando em sair do grupo. Toma-me muito tempo. E sabem Assistentes não manda nada. Não foi o Lula quem disse? – Mas você reclamou? Procurou falar com ele em particular? – Não adianta. Manda-me o programa por e-mail já pronto. Costumo aparecer em um ou outro item, mas nada sério.

       - Perdemos dois jovens mês passado. Desistiram. - Por quê? Não sei. Não me disseram nada. Um seu pai não quis gastar com a taxa do Jamboree e o menino desistiu. O outro. Disseram seus amigos que o programa deles no bairro era melhor – pode? – Porque você não os procurou? – eu? Sou um mero Assistente meu amigo. O Chefe da tropa não está nem aí – E o diretor Técnico? Ora você conhece o “dito cujo”. Se fosse do outro grupo não diria nada. Ele sim é interessado. – Mais uma pausa, mais um gole e o pratinho de quibe acabou. Mais quibe Matheus disse! – E para mim outro chope – Para mim também.

        – Quem de vocês vai à Assembleia? Eu não vou. – Eu também não. – Acho que vou disse a akelá. – Vai mesmo? Não vai morrer de tédio? – e deram boas risadas. – Este ano não. Tem eleições. – E você vota? – Não voto, mas posso dar minhas “piruadas”. – Vou pensar se vou. Na última vez ficamos feito tontos andando para lá e para cá e outros querendo aparecer. Acho que se tivesse na lojinha espanador e melancia a região ia faturar aos montes. – Pois é, quer saber? Acho que não tinham programa para quem não vota. Podíamos participar de um ou outro seminário. Mas nestes os entendidos não davam vez para ninguém.

        - Um deles olhou para o relógio. Dez da noite. – Já? Vamos ficar mais um pouco. A conversa está animada! E deu boa gargalhas.  Soube que vão ter muitas eleições na Assembleia Nacional. – Eu também soube. – Pois é, dizem que agora a reeleição só por dois mandados – Vamos ver se é verdade – Me disseram que tem uns lá que são eternos. – Todos deram boas risadas.  E quando irão nos perguntar sobre as mudanças que fazem? – Acho que nunca! - Nunca? Mas eu gostaria de opinar. Chega de resolverem tudo por eles.

        – Um silêncio na mesa. Um olhou para o outro – Olhe eu vou dizer uma verdade se não fosse meu amor pelos jovens, já teria saído. Ser voluntário no escotismo não é fácil. É o único lugar onde se paga para ser voluntário. – O que? Paga? Você paga? – Claro pago mensalidades minha e de meu sobrinho, pago taxa de curso, pago taxa de acampamento e nem pensar em ir nestas atividades nacionais. – Dizem que tem grupo que paga tudo!- Paga mesmo? Paga! Sortudos!

        - Matheus! – A saideira, por favor! – Estavam calados. Um deles esperava a entrega da Insígnia Sênior. Soube que tinha sido aprovado. – Porque a demora? – Eles são muito ocupados. Ainda não deu tempo para me enviarem. Não é assim na bucha, você sabe disto. Tudo anda rápido se você é amigo do rei disse. – Já tentei minha medalha de bons serviços e nada. Dez anos. – Dez? Tanto assim? – Isto mesmo. Acho que o distrital ou o Assistente regional não vai com minha cara –

         - Gostaria de dizer isto na Assembleia falou a Akelá! - Porque lá tantos recebem? – Você viu a fila para receber? – É mesmo, um mistério minha amiga. Mistério. Aprenda com eles. Vejam o que fizeram. São considerados a nata do escotismo. Dizem que sacrificam mais que nós. O que você faz na Alcateia todos os sábados, aos domingos, dia de semana em reuniões com seus assistentes, participando de reuniões do distrito não é nada comparado a eles. – Dão duro mesmo? Claro que sim. Ser dirigente não é mole. – Olharam para a cara de um de outro e desandaram a rir.


           - A conta, por favor! – Dividiram, pagaram abraços, dividiram um taxi, pois não foram de carro. A lei seca estava severa. A Akelá foi de ônibus. Mais um sábado. Amanhã domingo. Descansar? Nem pensar. Cada um tem milhares de coisas para fazer. Mas francamente, é uma pretensão destes chefes acharem que trabalham no escotismo mais que os dirigentes não acham? – E eu? Eu meu amigo estou morrendo de rir! Tapir de Prata neles!

Nota de rodapé: - Jogando conversa fora é uma série que há tempos escrevi sobre quatro amigos três chefes e uma Akelá, que a cada quinze dias após as reuniões escoteiras vão jogar conversa fora em um barzinho de um amigo. Tomam seus chopes, pois ninguém é de ferro e sempre os temas discutidos são sobre escotismo. Aos poucos vou publicando toda a serie escrita há mais de cinco anos, mas acho que atual. 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Na beira do caminho tinha uma flor... Tinha uma flor na beira do caminho.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Na beira do caminho tinha uma flor... Tinha uma flor na beira do caminho.

                             Era um sol de meio dia. Quente, fervendo o sangue do Escoteiro caminhante. Mal dava para olhar a frente de tão quente... O chapéu de abas largas tentava segurar os raios amarelos do sol poente. A camisa ensopada. Ele pensou em tirar o lenço e a camisa. Ficar com a camiseta que estava por baixo. Mas esqueceu desta vontade. Aprendeu a andar uniformizado onde fosse. Não importa se tinha alguém a vê-lo ou não. Há horas esperava encontrar uma arvore frondosa, a beira do caminho. Nada. A estrada era de terra e quase não cabiam dois veículos passando um pelo outro. Ele sabia que ainda tinha chão para percorrer. Não fora com sua patrulha pela manhã. Prova de matemática. Um mais dois cinco mais oito e ele aprendeu a tabuada assim nas jornadas da vida. Agora não. Não calculava a soma divisão ou a multiplicação. Precisava parar para descansar, mas e o riacho de águas cristalinas e a árvore frondosa que não apareciam?

                            Tirou seu cantil e bebeu dois goles. Não mais. Ele não sabia quanto tempo de caminhada ainda tinha para encontrar um riacho. Ali era impossível. Tudo estava seco, nem o verde do campo se via. O chão do caminho era terra pura e vermelha. Se chovesse valha-me Deus o barro que formaria. Um, dois, quatro seis quilômetros de pé no chão. Sua mochila pesava. Ele estava acostumado. Bastava encontrar uma árvore frondosa, apenas um cochilo e ele andaria outros seis se necessário. E os pássaros? Ele não via nenhum. Naquele sol escaldante nem pássaro se arriscaria a voar pelos céus. Ele passou por ela... Na beira do caminho. Nem reparou. O sol não deixava. O chapéu quebrando a testa para esconder o calor e a claridade escondia as belezas que ele não via na beira do caminho.

                           Andou alguns passos e parou. Sua mente tinha gravado a flor na beira do caminho. Pensou o que seria e a mente o obrigou a lembrar. Voltou-se calmamente e a viu... Linda, vermelha, quase do tamanho de uma rosa. Mas não era uma rosa. Somente ela com sua planta a segurar como se fosse cair com o peso. Não havia vento, ela não se mexia. Mas era linda. A mais linda flor que ele tinha visto. Deu meia volta até a flor na beira do caminho. Quem pensaria que na beira do caminho tinha uma flor? Verdade, mas na beira do caminho tinha uma flor. Ficou de frente a ela. Viu que ela sorria e não se importava com os raios de sol que não penetravam nas suas pétalas. Tirou sua mochila e se agachou ficando frente a frente com ela. Um perfume suave percorreu seu olfato. Gostoso, delicioso. Aroma agradável de cheirar. Era um balsamo para manter o corpo firme. Aquela sublime fragrância jogava todo seu perfume no Escoteiro que caminhava no sol do caminho.

                       Ficou ali estático por minutos que se transformaram em horas. Ela a flor na beira do caminho o hipnotizava. Ele precisava prosseguir precisava chegar ao acampamento antes do anoitecer. Seus amigos da patrulha o esperavam. Então o sol se escondeu. Uma nuvem branca com pássaros esvoaçantes chegou. Um vento sul começou a soprar. A flor balançou na sua planta, mas não caiu. O Escoteiro procurou um galho e o fincou junto à flor. Do seu cantil molhou a linda flor da beira do caminho. Precisava seguir adiante. O tempo não espera, e ele olhou a flor pela ultima vez. Grande, Vermelha, quase do tamanho de uma rosa. O Escoteiro partiu olhando para trás. Uma enorme tristeza o invadiu. A flor da beira do caminho balançou de um lado a outro. Como se estivesse agradecendo o que o Escoteiro fez por ela.

                         Era só uma flor, uma flor vermelha linda a beira do caminho. E ele viu que na beira do caminho tinha uma flor, tinha uma flor na beira do caminho, tinha uma flor, no meio do caminho tinha uma flor...
(Baseado no poema de Drummond – No meio do caminho tinha uma pedra.).


Nota de rodapé: Nunca me esquecerei dessa jornada. Na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma flor... Tinha uma flor no meio do caminho. No meio do caminho tinha uma flor! Conto baseado no poema de Carlos Drummond de Andrade. No Meio do Caminho.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Coisas de escoteiros, coisas da vida.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Coisas de escoteiros, coisas da vida.

                    Verdade, meu carrinho ficou pronto, já posso deitar e rolar com ele por este mundão de Deus. A pé moletando tava difícil. Não ficou tão bonito como os “Ninhos de Águia” que fazia nos meus acampamentos. Mas ficou igual a “Ponte Levadiça” que ninguém quis usar para atravessar as corredeiras do Rio Pequeno. Pequeno? Só de nome. Fui ao banco e lá chegando o caixa me disse que meu saldo era igual a Zero menos quinhentos. Voltei. Topei com uma Radio Patrulha prendendo um casal e nem fiquei sabendo o porquê. Ao chegar em casa sentei na minha varanda (adoro!) e pensei na prisão.

                    Não sou um escoteiro tão limpo de corpo e alma. Não sou não. Já fui preso, ameaçado e levei bordoadas no trazeiro tudo por culpa de um policial. Mas eles queiram ou não impõe respeito e não podemos ficar sem eles. Com dezessete anos voltava do meu namorico com a Célia e um grande comício acontecia na Av. Dom Pedro. Eu sabia que o Senhor Jânio Quadros estava na cidade. Na Rua Peçanha uma enorme multidão corria em minha direção. Desci da bicicleta e fui para o passeio me esconder atrás de uma arvore. Só vi o barulho e a dor no trazeiro. Alguém me batia com uma taboa e não parava. Virei-me dei nele um soco a “lá Escoteira” e quando ele caiu com o nariz sangrando vi que era um policial. Putz! A barra pesou.

                    Levaram-me para o xadrez. Seis horas depois o Chefe João Soldado e o Capitão Barbosinha me tiraram de lá. Mas as experiências de cadeia não pararam por aí. No final da década de sessenta em uma cidade no interior de Minas, fazíamos um Conselho Regional hoje chamado de Assembleia. Putz! Porque mudaram? Conselho era mais supimpa, mas esta turma de hoje gosta de mudar. Conselhos os índios faziam. Assembleia a CUT e o PT faz sempre. Mas tem gente que gosta fazer o que? Mas continuemos. Estava lá a nata do escotismo mineiro. Eu o Comissário Regional, Chefe Darcy Escoteiro Chefe, Padre João que foi Diretor Nacional de Adestramento (já notaram que os nomes do passado eram mais escoteiros?), padre Geraldo, Chefe Hélio (profissional escoteiro da UEB), o vice-prefeito da cidade e olhe isto sem contar muitos Distritais e Chefes do Estado.

                    No sábado, lá pelas onze da noite terminada as eleições, fomos a um programa típico de escoteiros famintos. Uma moqueca de peixes (cidade ao lado da represa de Furnas) que ninguém queria perder. Era perto e caminhávamos a pé junto a um muro alto quando vimos do outro lado do muro uma plantação de goiabas. Brancas, vermelhas, e soube que lá tinha verde, rosa e azul apesar de que não vi. Risos. O Chefe Nonato do Grupo de Sabará viu uma reentrância no muro e subiu por ela pegando duas goiabas. Demais. Grandes, enormes pareciam ovos de canguru (Chefe canguru não bota ovo! - Não? Então troca para Ema ou avestruz). E foi então que vi o Padre Geraldo subindo e pulando do outro lado do muro. Logo o muro ficou cheio de chefes, todos querendo sua goiaba colorida.

                 Vinte minutos depois após três apitos longos e um Lobo, Lobo, Lobo todos retornaram para a rua, cada um com os bolsos cheios de goiaba. Hoje a vestimenta seria ideal, com aquelas calças bombachas e bolsões que mais parecem bolso de guerrilheiros para levar munição poderiam caber muitas goiabas. Eis que chegaram esbaforidos um homem bigodudo e mais seis soldados. – “Teje todos presos”, ladrões de goiaba! Chefe Darcy com aquela fleuma britânica respondeu. – Calma, veja o preço, iremos pagar! O Helio que era lá do norte disse que não iria pagar nada. Seria uma piada se não fosse sério. Quatro padres, um Regional, um Escoteiro Chefe, Seis DCIM, uns tantos DCB, muitos IM e oito distritais sem contar o Presidente da Região um Coronel que todos conheciam pela sua valentia e honradez ir parar no xadrez.

                 – Eis que o Vice-prefeito da cidade tomou a frente junto com o Padre Anselmo pároco de lá. – Calma Juvêncio. São meus amigos. Eu que autorizei! – Pois é doutor, ainda bem, as celas da delegacia estão vazias e cabe todo mundo. Mas olhe se quiserem abro o portão e todos poderão colher as goiabas em technicolor e as coloridas a vontade! Agradecemos e fomos comer a peixada que por sinal estava no ponto e quem iria pagar era o Lions Club da Cidade, isto porque o Rotary quase saiu nos tapas para ter a honra de pagar. “Benza” Deus!  


                   Posso afirmar que setenta por cento foi real, o restante é coisa de escritor que quando não aumenta um ponto esquece do seu conto. Tempo bom sô! Tempo de sorrir de ser feliz, de ser fraterno não importando o cargo onde a amizade era real. Boa tarde para todos vocês.   

Nota de Rodapé: -   Olá gente escoteira. Hoje tirei o dia para sorrir, para brincar comigo mesmo e não fiquem chateados com a foto publicada. Uma parecida que publiquei há anos nunca vi tanto politicamente correto me dando bordoadas. Mas verdade é que não sei se é um lindo uniforme ou não. Parece que foi desenhado na França. Mas repito hoje estou de bem com a vida, e não quero me indispor. Principalmente agora com meu carrinho 2003 funcionando, escapamento furado, mas e daí? E então vi um casal sendo preso e pensei: - Porque não escrever sobre prisão? E rebusquei nas minhas lembranças “causos” para contar. Isto mesmo. Já fiquei horas no xilindró. Porque é só ler à crônica. Boa tarde a todos com um sempre alerta de quem gosta de sorrir, mesmo estando sem um tostão furado! Rs,rs,rs. 

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Lendas da Jângal. O ultimo Grande Uivo – É difícil dizer adeus...


Lendas da Jângal.
O ultimo Grande Uivo – É difícil dizer adeus...

           Em nossa vida estamos sempre dizendo adeus. Não é um adeus para sempre. Mas para crescer temos que deixar para trás aqueles que amamos e nunca deixaremos de amar. Todos nós um dia deixaremos o nosso lar, sem perceber dizemos adeus aos nossos pais, nossos irmãos, mas continuamos junto a todos eles sempre na mente e no coração. Um dia vamos partir para mais longe, mas o longe é tão perto que nos manteremos unidos em qualquer tempo. Muitas vezes sentimos saudades do passado, buscamos lá no fundo da memória cada ato, cada ação e isto nos trás um bem tremendo. Dizem que recordar é viver. Acredito sim. Lembrando Drummond ele dizia que fácil é dizer “oi” ou “como vai?” Difícil é dizer “adeus”... Fácil é abraçar, apertar a mão. Difícil é sentir a energia que é transmitida... Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só...

           Realmente é difícil dizer adeus. Uma palavra que não gostamos de usar. No escotismo estamos sempre dizendo adeus. Um adeus diferente, pois estamos a poucos passos daqueles que despedimos. Mas aquela saudade gritante ainda machuca quando partimos para a Cidade dos Homens. Se um dia fomos lobos o nosso amor a nossa Alcateia, a nossa Akelá, nosso Balu, Kaa, Baguera ou Raksha ficará para sempre em nosso coração. Se ali vivemos uma vida cheia de amor, nada poderemos fazer para que um dia cada um de nós fique para trás. Vai chegar a hora de dizermos adeus. Faz parte do nosso crescimento? Sim faz parte. Iremos deixar para trás um pedaço de nós. Não foi assim que disseram? O homem ao homem! É o desafio da Jângal! Já parte aquele que foi nosso irmão. Ouvi, então, julgai, ó vós, gente da Jângal, respondei: - Quem irá detê-lo então?

          Tantos anos, um tempo simples cheio de amigos e sem querer sabemos que o homem vai ao homem, mesmo que saibamos que na Jângal está a nossa trilha, ninguém mais vai poder nos seguir. Nem mesmo Shere Khan. Permanece aquela dúvida cruel de menino lobo, a lembrar de que Mowgly queria ter morrido nas garras dos Dholes, quando sua força esvaiu-se e ele sabia que não foi veneno. Dia e noite ouvia um passo duplo no seu caminho. Quando voltava à cabeça sentia que alguém se esconde atrás. Procurava por toda parte atrás dos troncos, atrás das pedras, e não encontrava ninguém. Chamou e não tinha resposta, mas sentia que alguém o ouvia e se guarda de responder. Ele se lembra de tudo. Sabia que tinha de partir. Se Baloo, Akelá disse que ele iria um dia partir para a Alcateia dos homens não tinha como fugir. Não era a lei? Não foi Kaa quem disse que homem vai para os homens? Mesmo que a Jângal não mais o expulse? É não adiantava mesmo que os irmãos Gris uivem furiosamente dizendo – Enquanto vivermos ninguém, ninguém mesmo ousará!

           Ele sente que já está com saudades. Estão todos prontos para o Ultimo Grande Uivo. Quantas vezes ele os fez? Quantas vezes ele gritou melhor, melhor, melhor e melhor? Quantas vezes a Akelá no centro do círculo de braços abertos olhou para ele e ele sabia o que responder? Tudo agora vai acabar para sempre? Mas ele se lembrava das palavras de Bagheera dizendo que ele deveria seguir novos caminhos – Senhor da Jângal, lembra-se que Bagheera te ama, vai em paz. O Grande Uivo terminou. Era a hora da passagem. Passagem? Ele iria partir? Dizer adeus? Olhou além da floresta e viu os homens meninos o esperando. Ele já os conhecia. Ficou varias luas com eles. Foi bem tratado, aprendeu a dizer o Grito da Patrulha, aprendeu o novo lema à saudação. Aprendeu muitas coisas...

              Ele não sabia se chorava ou se dizia adeus quando se despediu de cada um. Mão por mão. Aquela do coração firme como a dizer: - Estarei sempre aqui e vocês estarão sempre aqui no meu coração. Olhou para Kaa e lembrou que ela chorava e que era difícil arrancar a pele, mesmo que Baloo também chorasse e pedia que antes de partir ele o chamasse. Venha até a mim sábia rãnzinha e ele quase rompeu em soluços naquela despedida dolorida. Não se esqueça de mim. Ele lembrava quando estava partindo e Kaa repetia – “Somos todos, eu e você irmãos de sangue”. Seus olhos estavam molhados de lágrimas. Tinha de partir, sabia que está era sua sina seu destino. Ainda deu para ouvir os soluços e os gritos do Lobo Gris que de olhos erguidos para o céu dizia – Onde me aninharei doravante? Pois agora os caminhos são novos...

          Era seu último Grande Uivo. Mais uma vez olhou lobo por lobo. Nunca mais iria esquecer aquele dia. Hora de partir. Sempre é uma hora difícil de dizer adeus. Mais uma vez ele se lembrou das palavras do seu irmão o lobo Gris – “Filhote de homem, senhor da Jângal, filho de Raksha, meu irmão de caverna, O teu caminho é o meu caminho. A tua caça é a minha caça e a tua luta de morte é a minha luta de morte”. E ele completou gritando para a Alcateia quando partiu - “Boa caçada grande povo da Jângal”! Não tinha mais nada a dizer. Mais uma vez deu seu ultimo adeus e ouvindo a canção do lobinho ele partiu para seu novo mundo. Akelá o levou até a trilha que o levaria a cidade dos homens. Segurou sua mão esquerda e disse – Você sempre será bem vindo ao nosso meio. Quem foi um lobo sempre será um lobo. Vá com Deus e que na cidade dos homens você seja feliz como foi aqui!

        O Monitor e o Chefe o esperavam na trilha da cidade dos homens. Com sorriso saudoso e venturoso ele apertou a mão do Chefe e do seu Monitor. Agora teria uma patrulha, agora ele teria de agir como homem. Sabia que todos iriam ajudá-lo na nova vida. Pois ali disseram eles que seriam um por todos e todos por um. Olhou para trás, acenou para a Akelá e os lobinhos. Seu coração bateu forte. Que vontade de voltar de dizer que não queria ir. Mas agora não era um homem? Suas passadas deviam ser para frente e voltar seria um retrocesso. Pensou consigo como era difícil dizer adeus. Difícil mesmo, mas agora era um homem. Disseram para ele que o homem mais sábio e mais digno de confiança é o que aceita as coisas como são. Ele agora tinha uma nova vida. Sabia que não seria fácil, pois nada neste mundo é fácil. Mowgly não era mais o mesmo quando partiu. Seu coração doído iria se regenerar. Foi saudado por todos na Tropa Escoteira, na cidade dos homens. Fez questão de apertar a mão de todos. Havia aprendido que o Escoteiro é amigo de todos e irmãos dos demais escoteiros.

“O abutre Chill conduz a noite incerta, e que o morcego Mang ora liberta - É esta a hora em que adormece o gado, Pelo aprisco fechado. É esta a hora do orgulho e da força unha ferina aguda garra. Ouve-se o grito: Boa caça aquele Que a Lei da Jângal se agarra”.


Nota de Rodapé: – Ai de mim! Exclamou Mowgly em soluços. Eu não sei o que sei! Não vou, não vou, não quero ir, mas sinto-me arrastado por ambos os pés. Como poderei deixar de viver estas noites do Jângal? – Ergue os olhos, irmãozinho, disse Baloo. Não há mal nisso. Quando o mel está comido, abandonamos os favos. – Depois que soltamos a pele velha, não podemos vestir de novo, ajuntou Kaa. É da lei. A pantera lambeu os pés de Mowgly. – Lembra-te que Bagheera te ama, disse ela por fim, retirando-se num salto. No sopé da colina entreparou e gritou: Boas caçadas em teu novo caminho, senhor da Jângal! Lembra-te sempre que Bagheera te ama.

domingo, 22 de outubro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. “Sempre aos Domingos”.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
“Sempre aos Domingos”.

                   Há diferença é que muitos estão passeando, olhando a vida de ontem e de hoje para ver se o caminho a seguir é este. Para mim um aposentado, um Velho Chefe Escoteiro sem eira nem beira os domingos são iguais. Não faço nada, escrevo, converso com meus familiares, atendo visitas que vem ver o velho (são poucas hoje) e fico algum tempo em minha varanda onde adoro imaginar que a vida é bela e merece um sorriso para continuar a viver. Lá fora uma chuvinha miúda cai. Depois do calor da semana bem vinda. Ela me faz lembrar tantas coisas que fecho os olhos e deixo minha mente voar nas asas da imaginação e me levar.

                   Cada dia para mim não é rotina. Faço dele um pedaço do meu viver. Porque não? Se não posso estender minhas mãos pessoalmente porque não fazer isto pelas ondas da modernidade até onde elas irão chegar? Pensamentos voam. Passeio pelos cantos do mundo. Muitos sorrisos nas fotos montadas pelas páginas de um amigo ou amiga que se orgulha por uma razão qualquer. Todos tem algum para mostrar. Alguns mostram tristezas, outros a saudade da perda, outros dos dias que se foram e outros dos dias que virão. Lá do sul vejo uma Chefe sorrindo, lá do norte alguém comentando que suas vozes irão viajar pelos ares visitando escoteiros do Brasil e de outras nações.

                   Não é do meu tempo. Hoje muitos gostam de “coisas” que nunca fiz. Gritam no microfone aos quatro ventos como se estivessem no Fogo do Conselho invocando os Ventos do Norte e do Sul. Eles amam o que fazem. Alguns pensam que estão dando aos seus jovens uma nova maneira de viver, outros pensando que isto os fará feliz. Um rádio potente, uma onda correndo nos céus em busca de outros que lá estão escoteirando e imaginando se o outro também está feliz a conversar e se entender escoteiramente.

                     Eu na minha simplória trajetória procuro outras razões para sorrir. Corro como um vento nas tempestades por montanhas e vales, por trilhas e rios caudalosos, pego o trem da saudade, monto na minha estrela e viajo até a mata do Tenente, vejo ao longe a bruma branca a se formar na enorme cascata do Rio Formoso. Enquanto isto vai tocando na minha vitrola canções que me fazem feliz. “Somewhere over the Rainbow”. Israel “IZ” Kamakawiwo canta na minha imaginação. E então penso nela, penso nele, penso nos jovens que se animam a escalar as serranias e alturas. Quem são eles? São escoteiros do Brasil.

                      E bate fundo como uma saudade um poema de um poeta escoteiro que nunca vi. – Já viste por acaso, a luz das madrugadas, uns veleiros azuis singrando mar afora? Ou então em marcha a cantar patriótica toada, um grupo que lá na serra alcantilada em plena mata acampa e uma bandeira arvora? Desta flotilha azul, quem são os marinheiros, que se animam a escalar da serrania e altura? Contemplais... São jovens escoteiros, entusiastas joviais, briosos brasileiros que lá vão brincar ao léu de uma aventura...

                       E o Velho Chefe Escoteiro canta, quem sabe o Rataplã do mar. Canta o arrebol, canta o Rataplã do coração. E a tarde vai chegando. Ele no seu afã de sorrir e fazer sorrir corre para sua máquina de sonhos. Joga no ar uma saudade, saúda aos que estão Joteando pelos quatro cantos do mundo. Olá! Voce que me lê, eu sou apenas um Velho Escoteiro que gosta de você. Tente fazer alguém feliz, quem sabe seus amores e esqueça suas dores.

                      E na hora de encerrar, quem sabe finalizando o poema do poeta escoteiro que nunca vi eu falo por ele: - E se você, que não é escoteiro, sem demora, traga seu concurso a nobre instituição, e quando ouvirdes Rataplã lá fora, também direis: - Eu sou escoteiro agora e dos jovens do Brasil tereis a gratidão!

Bom domingo, meu abraço fraterno e sempre alerta!

Nota de rodapé: -  Olá meus amigos minhas amigas. Nesta tarde bolorenta onde cai uma chuvinha intermitente em minha cidade, sem ter um microfone nas mãos para Jotear eu desejo a todos vocês muitas alegrias, que levem suas palavras pelo mundo mostrando que o escotismo bate fundo e ainda permanece no coração de muitos que sabem ser escoteiros do coração. Boa tarde.