Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Tradições? Esqueçam, os tempos são outros!



Tradições? Esqueçam, os tempos são outros!

Didaticamente, definimos tradição tudo aquilo que foi incorporado ao estilo de vida de um grupo especifico de pessoas e que foi mantido e repetido através dos tempos conferindo-lhe um aspecto cultural. Entendemos a tradição como o conjunto de hábitos e tendências que procuram manter uma sociedade no equilíbrio das forças que lhe deram origem.
Sou frequentemente chamado de tradicionalista. Acho que sou mesmo. Talvez por ter entrado no movimento há muito tempo, quando ainda lobinho. Por ter passado por muitas e muitas situações no Movimento Escoteiro. Tenho dificuldades em aceitar mudanças que apesar de tudo, podem e devem acontecer. Desde que não vão de encontro às tradições e foram arduamente discutidas com todos os interessados. Quem são? Os escotistas de todos os Grupos Escoteiros do país e quem sabe com todos os jovens. Sei que não podemos ficar parados no tempo por isso aceito modificações. Modificações que podem gerar ganhos, apresentação e crescimento individual.
Mas fico pensando se valeu as mudanças de parte do método e nomenclaturas existentes no passado, do uniforme e de tantas outras coisas que julgava importante. Eu as considerava como uma tradição do nosso movimento. Era tão bom lembrar como eram e me soa estranho algumas expressões e assuntos que são discutidos hoje pelos nossos escotistas. Fico pensando naquele antigo escoteiro, que depois de muitos anos volta à sede para rever amigos e seu passado e encontra tudo mudado. É um estranho no ninho.  
Ainda me lembro com saudades de certos aspectos que de certa forma, nos identificava, pois nosso movimento era único a usar e ter em seu seio, nomes que também ajudavam a nos identificar. Apesar de não pretender reverter o passado, pois o que mudou não volta atrás (deveria voltar), não deixo de lamentar o que sinto a respeito. Através de amigos e leitura de normas da UEB fui tomando conhecimento de algumas alterações que foram feitas. Todos que assim o fizeram acreditaram que precisávamos mudar. Seria para melhor. E foi? Vejamos algumas mudanças:
 – Chefe do Grupo, Comissões Executivas, escoteiro noviço, segunda classe, primeira classe, eficiência I e II etc. especialidades, comissário distrital, comissário regional, escoteiro chefe, Cursos com siglas de CAB – Adestramento básico – CIM – insígnia de madeira – Diretores de cursos. Equipe Nacional de Adestramento. Adestramento. Esse é interessante. Sempre criticado. Nos treinamentos das nossas forças armadas ele é usado. No escotismo não. Agora é formação. Mais atual. Do uniforme nem comento mais. Espero que as mudanças sejam boas. Chega de ver situações difíceis de entender.  Agora vem outro aí. Atualíssimo! Todos vão gostar muito. Quem quiser saber melhor vá ao site da UEB e veja a ultima ata publicada. Mas a lista não para por aí, de conselhos, passamos para congressos, assembleias etc.; vejam bem, não estou criticando, só achei que para mim, isso nos identificava. O escotismo era conhecido pela sua tradição e era um orgulho saber que éramos únicos. Lembro que se conhecia um escoteiro pela fivela do cinto.
 Enfim, tem muito mudanças e acredito que fiquei um pouco desatualizado. Será que valeu a pena, será que isto trouxe uma situação melhor para o nosso movimento? Seja de crescimento e apresentação junto à sociedade brasileira? – Não sei não, tenho minhas dúvidas. Iniciaram as mudanças em fins de 80 e até hoje nosso efetivo não cresceu nada. Ficamos ali entre 60.000 a 70.000. As novas gerações irão aplaudir. Afinal é delas o escotismo de hoje. Mas olhem, um dia vou partir. Irei com saudades do meu chapéu. Do meu penacho, do meu distintivo de patrulha, da moeda da boa ação, do nó no lenço para a boa ação diária. Irei lembrar-me dos Conselhos, do garbo do uniforme, do orgulho quando se vestia olhando-se ao espelho se estava tudo em seus lugares.
Vou lembrar também da minha patrulha, do orgulho em ficarmos juntos por anos a fio, (isso existe hoje?) do nosso chefe, um sujeito cujo uniforme era um exemplo. Nunca vou esquecer as inspeções, mesmo com quatro cinco dias de acampamento. Vou rir quando me lembrar de uma noite, que ficamos até duas da manhã, num desafio interminável do Quebra-coco. (será que existe ainda?) Nunca vou esquecer que sabia na ponta da língua a Promessa, a Lei Escoteira e cantava o Ra-ta-plã, o Hino Nacional, o Hino da Bandeira sem erro. Ainda vou lembrar também do meu Chefe de Grupo, do Comissário Distrital, do Comissário Regional e da lembrança quando me disseram – Olhe lá! Aquele é o Escoteiro Chefe do Brasil. Morro de inveja do Escoteiro Chefe Inglês. Sempre presente. Abraçando lobinhos, escoteiros, a Rainha enfim todos o conhecem por fotos. Se seu congênere Brasileiro? Melhor não insistir. Estão lá, distantes, sempre procurados.
Tradições, uma palavra que mostra a força de uma organização. Será que estamos perdendo esta força? Estamos nos tornando um movimento comum? Será que foi melhor usar a nomenclatura que todos usam hoje? Não sei. Muitos não irão concordar comigo. Acredito que estamos sepultando nosso passado. Vamos esquecer nossa história. Nossa identidade será outra. Assimilada pelos novos e olhadas com saudades pelos antigos que irão desaparecer nas nuvens do futuro.
Um dirigente nacional já disse que nossa Promessa diz no final que devemos “Servir” a União dos Escoteiros do Brasil. Portanto devemos calar a boca, fechar os olhos e bater palmas por tudo que fazem. Estamos dormindo no tempo e acreditando que ventos novos irão soprar. Torço por isto. Podem amigos me chamar de ultrapassado. Voces agora lutam por um lugar ao sol do movimento Escoteiro e tem este direito. Mas por favor, respeitem o meu direito de discordar, de escrever o que penso, de achar que muitas de nossas tradições não deviam ter sido enterradas. E por favor, também, não me digam que temos um fórum próprio para mostrar nosso desagravo – Os Congressos e Assembleias. Você realmente acredita nisto?

"A tradição não é dada por direito de herança, e, se a quiser, é preciso muito trabalho para obtê-la." (T. S. Eliot).

terça-feira, 3 de julho de 2012

Jav e Jov, dois escoteiros da pesada.



Jav e Jov, dois escoteiros da pesada.

                Jav e Jov eram irmãos. Gêmeos. Isto mesmo. Irmãos gêmeos. Sua mãe fazia questão que vestissem iguais e tivessem penteados iguais. Quem via o Jav não sabia se era o Jov e quem via o Jov não sabia quem era o Jav. Risos. Cresceram assim. Muito unidos. Unha e carne como se diz.  Aos quatro anos aprenderam a se divertir. Quem é você? Sou o Jav e você? Sou o Jov. Nem a mãe deles sabia direito quem era um e outro. Não tinham marcas que os identificassem. Resolveram infernizar a vida de todos. Começou na escola. Agora com cinco anos. Jov puxou o cabelo de Melita. Melita gritou. Jov se escondeu. Jav estava em outra sala. Onde está o Jov? Gritou a professora – Aqui professorai sou o Jov disse. E o Jav onde anda? Já tinha dado tempo para o Jav subir em um pé de jaca e dar boas risadas.
                O tempo foi passando, Jov e Jav aprontando. – Moço me dá um sorvete de baunilha e chocolate. O sorveteiro conversando com uma moça preparou um e deu ao Jav e o Jov que estava atrás dele tomou a frente enquanto o Jav correu e se escondeu. O sorveteiro parou de conversar e disse – um real – O que? Você não me deu nenhum sorvete. Dá-me um sorvete de chocolate só. O sorveteiro não entendeu. Não dava tempo para ele tomar o sorvete e no chão não tinha sinal que tinha caído. Eles fizeram sete anos. Os pais não sabiam mais o que fazer para acabar com suas diabruras. Na escola já tinham sido expulsos de duas. Agora estavam em uma particular. Mais exigente. Quem é você? Sou o Jav. O inspetor de disciplina tenta marcar o Jav olhando fixo. E você? Sou o Jov. Nada. Difícil de marcar. Mandou chamar a mãe. Se deixar eu carimbo a cada um. Mando fazer um carimbo do Jov e outro do Jav. A mãe deixou. Jav e Jov fizeram um carimbo igual. Carimbavam-se como Jav e Jov. O Inspetor ficou louco!
                 O Colégio tinha um psicólogo. Ele pediu para ver um de cada vez. Falou com Jov. Depois mandou sair e entrar o jav. Os dois juntos se misturaram. O Jov entrou de novo. Você então é o Jav? Perguntou? Sim. Respondeu o Jov. Não adiantava. Os dois não tinham jeito. Mas aprenderam a lidar com os dois. Se for assim que queriam que assim fosse. O diretor disse – Vou chamar voces de Jovejav. Não importa quem seja. Na mesma sala. Sentados juntos e devem andar juntos. E riu com gosto. Eles não gostaram. Não dava para aprontar.
                 Um dia sua mãe viu um lobinho passando em frente sua casa. Porque não colocar os filhos no Escoteiro? Pensou. E assim o fizeram. O Chefe não entendeu nada. Achou os dois iguais e vestindo a mesma roupa. Não seria fácil diferenciá-los. A Akelá Francisca quando os viu riu para si e disse – Sejam bem vindos. Eles riram. Um manancial para aprontar pensaram. Jov ficou na matilha Amarela, Jav na verde. Todo sábado um ia para a matilha do outro. Foi fácil fazer outros distintivos de matilha. Conheceram todos das duas matilhas. Ritinha desconfiou. Ela tinha um sexto sentido. Chefe, quem está aqui é o Jav e não o Jov! E agora? Você é o Jav? Sou o Jov. Danou-se. Chamou o Diretor Técnico. Acho que estão brincando com a gente. O Diretor Técnico gritou! Já para a sede. Os dois foram. Mas fazer o que?
                 Eles ficaram nos escoteiros por muitos anos. Não conseguiram mais enganar a todos. Ritinha ficou responsável. Ela sabia quem era o Jav e quem era o Jov. O escotismo mudou muito Jav e Jov.  Havia uma lei, uma promessa. Jav e Jov fizeram no mesmo dia. Uma dúvida. Prometer? Assim vai acabar nossa diversão. Não teve jeito. Quando Jav viu o Jov prometer, não podia ficar atrás. Cresceram. Ambos se formaram em medicina. Todos os dois escolheram cardiologia. Porque não sei. Em um hospital público enquanto Jav ia ao cinema Jov dava plantão. Depois Jov voltava e Jav ia. O pior aconteceu. Jov conheceu uma bela moça. Apaixonou. Jav queria ficar ao lado dela. Brigaram. Ficaram cinco anos sem conversar. Jov casou. Jav solteiro. Jov um dia acidentou-se. Enquanto recuperava Jav ficava com a esposa a conversar. Ela sabia que ele era o Jav. Gostava dele. Gostava dos dois. De Jov e Jav.
                 Jav apaixonou por Mercedes, esposa do Jov. Resolveu ir para longe. Manaus. Jov chorou com a partida de Jav. Foi melhor assim. Viveram por muitos anos afastados um do outro. Jav envelheceu mais que o Jov.  Ambos morreram no mesmo dia. Foram enterrados juntos. O epitáfio dizia: - Aqui jaz Jov e aqui ao seu lado Jav. Bem ninguém sabia se era isto mesmo. E assim termina a historia de Jav e Jov. Dois gêmeos escoteiros da pesada. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O meu amado e astuto lenço verde e amarelo



O meu amado e astuto lenço verde e amarelo

             Todos do movimento Escoteiro têm um. Sempre o recebem quando da promessa e o usam por toda a vida. Cada grupo cada escoteiro tem orgulho do seu lenço, alguns fazem bordados lindos e outros escolhem cores bombásticas. Quando você encontra vários irmãos em grandes atividades um belo colorido se faz presente onde cada um diz – Sou do grupo tal. E o dizem com orgulho. E ele, sempre ele é o responsável pela identificação. Eu também tenho o meu. Desde criança quando o recebi fazendo a promessa de lobo. Coitado, hoje está "Velho", desbotado e quando olha para mim finge que vai chorar de tristeza. É um pândego este meu lenço. Já o conheço de longa data.
              Claro que ele fala comigo. Risos. Não acreditam? O Escoteiro não tem uma só palavra? Mas é verdade! A mais pura verdade. Conversei muito com um chapéu bem velhinho de três bicos, fui amigo de um bastão da Patrulha Pantera, conversava muito com o meu Lampião Vermelho encantado. Mas o meu lenço verde e amarelo é quem me dava mais trabalho. Sempre choroso. Sempre reclamando. – Calma, me dobre devagar, assim ficarei velho e não posso representar o grupo! – Ei, saia da chuva! Assim eu vou desbotar mais rápido! – Cuidado com espinhos na árvore, eles podem me rasgar! E por aí ele seguia com suas lamúrias.
             Quando passei para Escoteiro é que ele sofreu mais. No meu pescoço chorava lágrimas e lágrimas de crocodilo. Um dia quando estava perdido no Espinhaço da Canastra, ele não parava de dizer – Me tire do pescoço. Não faça de mim um bode expiatório da sua “lerdeza” em não prestar atenção ao caminho! Claro, nos safamos fácil. Um bom SOS com um sinal de fumaça e logo o Chefe chegou. Cheguei em casa e o chamei (o lenço). – Olhe, ou você muda ou vai para o fundo do baú! Já estou cheio de suas choradeiras. Vou comprar outro no grupo e você vai ficar sozinho pelo resto da sua vida. Olhou-me com aqueles olhos suplicantes e pela primeira vez me pediu desculpas.
              Mas no fundo eu gostava dele muito. Afinal foi minha mãe quem fez e olhe com duas bandas para ficar mais cheio, mais gordo e dar um ar especial quando o colocava no uniforme. As marcas de guerra ficaram gravadas nele para sempre. Muitas vezes teve que ser cerzido. Enfrentou comigo borrascas, vendavais leves, chuvas intermitentes, sol de rachar, travessias em rios, florestas e ele sempre soube que não teria boa vida. Ficou no meu pescoço por muitos anos. Até quando tive de mudar de cidade e no grupo que entrei era outro lenço. Então uma briga. O Vermelho e Branco que passei a usar era um gozador irreverente. Sempre pegando no pé do meu Verde e Amarelo que ficou protegido por um plástico colocado em uma parede do meu quarto.
            Hoje lá estão os cinco que um dia tive a honra de usar. Todos na parece do meu quarto e agora do escritório. O Verde e Amarelo ficou amigo do Vermelho e Branco, do Vermelho e Preto, do Azul e grená e do Branco e cinza. Grupos por onde passei e que me deixaram saudades. Quando lá estou só com eles, um gostoso bate papo entre mim e eles se desenrolam como se fosse uma conversa ao pé do fogo, onde relembramos com saudades dos tempos aventureiros em que passamos juntos. Cada um sempre tinha uma história que julgava mais importante que os demais. Mas eu gostava de ouvi-los. Era divertido. O Verde e Amarelo pela sua idade falava grosso, querendo ser o pai de todos. Mas no fundo eram grandes amigos. Devem conversar o dia todo mesmo quando não estou presente.
             Saudades dos Grupos Escoteiros que passei. Bons amigos eu lá deixei. Ainda bem que os lenços hoje estão comigo para me fazer reviver as histórias e as epopeias que lá aconteceram. Valeu. Mas não sei por que, tenho uma preferencia pelo meu Verde e Amarelo. Ele sabe disto. Sorri para mim como a dizer – Eu sou o melhor! – Metido ele não? Mas para dizer a verdade eu amo todos. Fazem parte de mim, fazem parte da minha vida Escoteira.
              E você? Trata bem o seu lenço? Joga-o em qualquer lugar quando chega de atividades escoteiras? Não o deixa já pronto em um cabide para ele se manter no formato? Claro que sim. Escoteiro que é escoteiro cuida sempre do seu lenço, do seu chapéu ou boné, do seu bastão e do seu uniforme. Afinal faz parte da sua educação escoteira e ela nunca será esquecida!      

domingo, 1 de julho de 2012

O custo para ser escotista vale à pena?



O  custo para ser escotista vale à pena?
Para o chefe ou a chefe escoteira meditar...

         Não é um tema interessante? Não sei. Pode ser que não. Mas eu lhe pergunto quanto você gasta para ser Chefe Escoteiro? Ou uma Chefe Escoteira? Muito pouco? Razoável? Além do que pode gastar? Os amigos devem estar estranhando porque entrei nesse tema. Por quê? Olhem, tenho tentado defender por todos os meios o que os dirigentes de Regiões, distritos ou a própria UEB fazem. Contam-me cada uma. Não vou repetir aqui todas aqui, mas as principais se referem à tecnocracia de alguns dirigentes, ou mesmo a “arrogância de outros” “ou o profissionalismo de muitos” pensando que os gastos são absorvidos com facilidade pelos chefes escoteiros. Acho que os únicos voluntários que gastam do seu próprio bolso para ajudar e colaborar estão no escotismo. E como gastam.
         Verdade. Para alguns pode não ser muito. Para outros, que no fim do mês olham as contas de água, luz, telefone, gás, internet, prestação A, B e C, colégio ou material didático dos filhos ficam deveras assustados. E o salário? Sumindo! E agora vem aquele curso, aquele Jamboree, e o acampamento, aquela atividade linda programada pelo Distrito. Como fazer? - Grupos Escoteiros devem estar estruturados para isso. São eles que arcam com essas despesas, dizem. Verdade mesmo? Vocês acreditam nisso? Eu não. Pode ser que uma porcentagem pequena o faça, mas a grande maioria não.
         Se a esposa, ou a família não participa, sempre existe aquele ressentimento. Você devia pagar isso, comprar aquilo e não ficar gastando com o escotismo. Mas o menino não tinha condições! Tinha de ajudá-lo. E o curso? Precisava fazer. E assim vai. - Família! Eu acho que eu vou ao Jamboree. São apenas uns oitocentos reais. Se calcularem bem não é caro. Ele esqueceu-se das despesas de transporte, alimentação ida e volta e tantas outras. E o curso? A diária é mínima. Já me disseram que é menor do que uma diária de um hotel cinco estrelas! Afinal preciso “tirar” minha Insígnia da Madeira. Será que ele não está enganando a si próprio? Sabe que irá gastar logo no inicio do ano, onde tantas contas para pagar estão sobre a mesa e mesmo assim acha que dá para fazer o tal curso ou ir naquela atividade escoteira?
           Depois ele chega lá, e vê tantos figurões, gente linda, bem uniformizada, (?) de lenço da Insígnia, e diz para si próprio – Agora sim, vou aprender tudo! Desculpem a brincadeira. Sem ofensas aos bravos membros formadores da UEB. Bravos sim. Sei do trabalho insano que fazem para ajudar o Escotismo Brasileiro. Eu fui um deles no passado. Sofri como eles. E claro, gastei do meu bolso como eles! Recompensa? Ver o sorriso, o abraço de alunos e dizer para sí próprio: - “Foi um lindo curso”. Dou risadas é na avaliação final. Poucos discordam. Claro, ainda não receberam o certificado de aprovação. Vá discordar para ver. Risos. 
          Sem criticas. Sou “danado” para criticar. Risos. Não estou lá agora. Nem sei como é. Mas sei como era. Lutava para baratear a taxa. Brigava mesmo por isso. O regional fora de série. Pensava como eu. Tinha um executivo. Ele andava. Visitava supermercados. De uniforme, ganhava muita coisa do cardápio. Eu mesmo convidava pais ou outros chefes para ajudar na cozinha. O pau de toda obra era a Patrulha de Serviço. Jovens de grupos que nos ajudavam. Grandes jovens. Devíamos muito a eles na época. A região não nadava em dinheiro (agora sei que também não), mas as taxas sempre ela cobria uma parte. No final todos podiam pagar sem prejudicar suas finanças pessoais. Fazíamos um escotismo sem pretensão de sobrar valores da taxa para a região. (e com uma prestação de contas perfeita).
          Estão rindo? Outra época? Deve ser. Hoje os profissionais substituíram os amadores do passado. Acho que eu era um amador. Podem dizer assim, eu gostava mesmo de ser um amador. De conseguir auxilio em todos os lugares para ajudar aos jovens a participar de atividades regionais, ou mesmo distritais. Foram diversas. Uma taxa “pequenina, pequeninita”, infinitamente pequena. Com orgulho lá estavam patrulhas de toda a região ou do distrito. Muitos que abandonam o escotismo sempre reclamam do alto custo. Todos já disseram e eu repito, quando Baden Powell fundou o escotismo, era para os jovens humildes e pobres. Hoje ele caminha para a elite.
           Perguntem aos chefes escoteiros do Brasil. Perguntem aos que se foram. Principalmente a muitos Insígnias da Madeira que não mais estão na ativa.  Não perguntem a mim. São eles que comentam sempre. Das dificuldades de um Escotista hoje ser um participante ativo em todas as atividades nacionais, regionais e distritais. (sem considerar a de grupo). Claro que muitos vão dizer – Eu amo o escotismo, trabalho por ele e acredito que posso ajudar. Portanto não reclamo em gastar! Certo. Cada um faz o que gosta e eu aceito.
         Ei! Será que não dá para diminuir um pouco estas taxas? Não? Vocês as acham pequenas? Um aqui do meu estado disse que são menores que diárias de hotéis. Risos. Hotéis? Só para quem não conhece como é. Mas bateria palma sim para quando me convencerem que tudo agora é de graça. Risos. Beleza!  Parodiando minha Avó, “quem pode, pode, quem não pode se sacode”! Enquanto isto encha os bolsos se quiser ser um voluntário e colaborar para a formação de nossa juventude Escoteira.

Eu não sou pobre, apenas um rico em dificuldade...

sábado, 30 de junho de 2012

"Velho", você ainda acha que é escoteiro?



"Velho", você ainda acha que é escoteiro?

Ei! Você ainda duvida? Claro que sim. Nem mais e nem menos que você. Mas eu sou de outra geração. Dos cabeças brancas. Aqueles que dizem tradicionalistas e só atrapalham os novos que gostam da modernidade. Mas acreditem, sou um Escoteiro do coração. E sei que voces também o são. Eu sei que amam o escotismo como eu. Eu sei que pensam nele todo o tempo e que a cada sábado ele vem forte trazer a alegria e a fraternidade dos amigos que juntos irão fazer atividades mil. Mas se me permitem, confirmo meu pensamento do escotismo e porque sou Escoteiro.

- Eu penso que um dia fiz uma promessa. Não brinquei de fazer. Levei a sério e a levo até hoje. E sei que muitos também são assim;
- Eu prezo o garbo e a boa ordem. Faço questão de vestir o uniforme com elegância. Do jeito que aprendi. Meu lenço quando coloco olho no espelho se está correto, bem postado, bem colocado. Meu cinto? Faço questão de limpar e engraxar. Meu sapato? Engraxado. Minha calça cinza de tergal comprida ou a curta caqui? Bem passada. Muito bem passada. Este será o meu uniforme. Não vou vestir outro;
- Horários? Em cima da hora. Nem um minuto mais nem um minuto menos. Pontualidade Escoteira para mim é mais que a inglesa. Se for chegar atrasado não vou. Se vai encontrar comigo não venha. Atraso? Nunca! Não gosto. Marque outro dia;
- Horários de reuniões? Só em casos especiais extrapolaram cinco dez minutos. Pedia desculpas aos pais quando atrasava;
- Cerimonial da bandeira? Um orgulho ver todos perfilados. Ninguém brincando, sérios e compenetrados com seu garbo e boa ordem. Sei que vocês também fazem assim;
- Inspeção? Adoro. Fiz muitas e até deixei que fizessem comigo muitas vezes. Porque não? Alegria quando um Monitor me olhava de cima em baixo, sério e compenetrado. Olhava o chapéu, o cinto. Os botões abotoados, os quatro dedos da quebra do meião, as listas corretas e quando me pedia para ver as unhas? Olhava se minhas orelhas estavam limpas? Risos. O Monitor ficava orgulhoso em inspecionar o Chefe e eu orgulhoso do Monitor;
- Alvorada no acampamento? Para mim sempre uma tradição. Seis horas. Seis e quinze ginastica. Feita pelos monitores. Eu os tinha adestrado antes. Horário de dormir? Sagrado. Nunca depois de onze horas;
- Decidir sozinho os destinos da tropa ou do Grupo Escoteiro Nunca. Sem os monitores não sabia o que fazer. Sem os chefes me sentia só. Aprendi assim. Mudar? NUNCA!
- Aceitar uniforme pela metade? Mal colocado? Camisa do lado de fora? Lenço torto? Nunca. Nada como chamar o jovem e educadamente ensiná-lo como se porta um uniforme, e contar o que BP disse sobre ele. “Meu jovem, quando você está uniformizado você representa toda a organização Escoteira”. Quem olha para você acredita que ali todos tem orgulho do seu uniforme e sabem que o escotismo é um exemplo de cidadania;
- Sou Escoteiro da maneira que aprendi. Com uma mochila nas costas e fazendo aventuras por este “mundão” afora. Nunca gostei de ficar dando ordens sentado em uma cadeira ou apitando em uma reunião escoteira. Isto nunca foi minha “praia”;
- Sou Escoteiro como diz o Roberto Carlos, a moda antiga. Daqueles que gostam de um sorriso. De um abraço gostoso. De dizer eu gosto de você. Dos que gostam de ser o primeiro a dizer Sempre Alerta. De dizer muito obrigado a todos com que convivo no escotismo e fora dele;
- Sou Escoteiro porque amo o escotismo. O amei desde o primeiro dia que eu vergonhosamente olhei de soslaio para o meu Akelá e ele me recebeu na Alcatéia sério sem me dar um sorriso e depois eu o amei para sempre;
- Portanto meus amigos se notarem que sou diferente eu sou mesmo. Não tenho protocolos, não tenho cara feia, não faço continência por respeito, mas sim por amizade e gosto disto!
- Sou Escoteiro porque gosto de cantar (uma voz danada de feia e rouca) e em qualquer tempo, seja com chuva e com sol eu cantava, e como cantava!
- Sou escoteiro porque acredito no movimento e como Escoteiro me dou o direito de discordar de tudo que eu achar errado. Detesto castas, detesto gente metida a “besta” só porque tem isto e aquilo. Não vão me ver nunca batendo palmas para dirigentes. Mas sempre irão me ver dando Anrê, palmas escoteiras, gritos de guerra a toda essa juventude que está firme nas fileiras escoteiras a qualquer tempo com sol ou com chuva;
- Sou Escoteiro porque depois que cresci acreditei que o escotismo é que precisa de mim e não eu dele. Mas me entreguei a ele de corpo e alma;
- Enquanto viver serei Escoteiro e não importa o que aconteça, pois mesmo não sendo flamenguista o hino deles eu canto Escoteiramente: – Uma vez Escoteiro sempre Escoteiro. Escoteiro eu sempre ei de ser, Escoteiro eu sou até morrer!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Pernilongo, a Muriçoca, o carrapato e outros bichos.



O Pernilongo, a Muriçoca, o carrapato e outros bichos.      

           Isto é coisa do demônio, dizia a Chefe Mercedes. Chefe “gente boa” a Chefe Mercedes. Entrou com idade avançada e logo conseguiu sua Insígnia de Madeira. No entanto ela detestava estes insetos que ela chamava coisas do Demônio. No primeiro acampamento os pernilongos se deliciaram. Em outro uma “tropa de carrapatos fez dela seu ninho”! Risos. Eu dizia a ela que pernilongos muriçocas e muruins parecem ser da mesma família, mas não são. Risos. São escolados e cada um tem sua maneira própria de morder e chupar o sangue dos pobres dos escoteiros, escoteiras e lobinhos. Coitada da Chefe Mercedes. Seu braço ficou todo mordido e suas pernas também, pois achou que podia usar calças curtas. Risos. Danado de insetos chupa sangue. Adoram escoteiros e escoteiras quando vão acampar. Dizem que os jovens ficam tão encantados com o campo que se esquecem de tudo e os pernilongos e carrapatos se deliciam.
          Acampei muito em minha vida. Sem falsa modéstia quase 800 noites de acampamento. Nunca gostei muito destes “bichos”. Insetos chupa sangue não é o meu forte. Hoje a modernidade trouxe o repelente, na minha época não tinha. Dava cinco e meia da tarde lá íamos nós ver onde soprava o vento e com ele a favor no campo de Patrulha colhíamos folhas verdes, e fazíamos um fogo com uma fumaceira infernal. Enquanto durava a fumaça os demoniozinhos fugiam a espera quando pudessem voltar. Uma vez descobri que existem diferença do pernilongo da cidade e o do acampamento. O do acampamento ataca, morde e você sente logo. Nós os antigos os chamamos de muruins. Com um raminho na mão a gente os espanta. Os da cidade não. São covardões. Vivem escondido em baixo da cama, de um móvel qualquer.  Primeiro zumbem no seu ouvido e somem. Você acorda com uma coceira danada. Pronto, ele já encheu a pança de sangue e se foi.
           Uma vez acampei próximo as barrancas do Rio das Velhas, bem perto da Barra do Guaiçuí onde se podia avistar o São Francisco. Era uma fazenda de um membro da diretoria do grupo onde tinha uma bela floresta nas suas margens. O local era de tirar o queixo. Lindo mesmo. Perfeito para um grande acampamento.  O capataz da fazenda nos preveniu. Olhe Chefe, lá a noite é um inferno. De cinco e meia as sete ninguém aguenta, as muriçocas são sedentas de sangue. Rimos dele. Não sabia que éramos da tropa dos valentes e intrépidos seniores escoteiros. Primeiro dia, barraca, algumas pioneirias, uma mesa e deixamos do lado centenas de boas folhas verdes. Que venham estes malditos demônios, dissemos. Vão enfrentar uma tropa que não tem medo de nada!
           Seis horas o inferno desceu entre nós. Não era um, não eram dois e sim mais de cem mil. Milhões quem sabe. Você olhava e via aquela nuvem cinzenta e não havia onde correr. Mas nós corremos. Até a sede da fazenda, mais de quatro quilômetros. O capataz riu a valer. Voltamos ao campo lá pelas nove da noite. A paz desceu a terra! Mas desistimos de dormir ali. Procuramos uma área próxima à fazenda e lá ficamos. Mas querem saber de uma coisa? Pernilongo e muriçocas avisam quando vão atacar e quando não avisam pelo menos só coça. Risos. Mas e o danado do carrapato? Este sim é o satã em pessoa. Não grita, não canta, não fala e procura um lugar para se esconder no seu corpo ficando lá dias e dias. A principio uma coceira gostosa. Você coça e para. Até o dia que descobre o bicho gordo, cheio de sangue como a dizer a você – Seu idiota enchi de sangue seu. Agora posso morrer! Risos. E morre mesmo. Você não perdoa.
             Para dizer a verdade nunca levei repelente. Achava que se os heróis da floresta, os bravos sertanejos ou os mateiros não usavam isto eu também não o faria. Mas dizem e não sei quem disse que isto não é coisa de escoteiros. Quem ainda não enfrentou saudáveis pernilongos, alegres muriçocas, carrapatinhos gentis, e aranhas lindas nas suas teias nas florestas à noite no rosto, dançando ou rindo de você, então você ainda não foi batizado Escoteiro. Meus amigos, quantas coisas contamos para nossos escoteiros para reafirmar aquilo que ele é. – Escoteiro não anda voa! Escoteiro não ri, dá gargalhadas! Escoteiro não chora, dá pernadas na dificuldade! Escoteiro não tem medo, luta até a morte! Escoteiro não corre dos insetos ou animais peçonhentos, enfrenta por toda a vida!
              Não sei não. Coitado do Escoteiro quando dizem isto para ele. Ele vai ficar assustado. Sabe que nem seus super heróis são assim. Sabe que ele é humano como os outros. Eu prefiro dizer calmamente que ele não se preocupe com as dificuldades, elas passam e reafirmo a eles – Se você tem amor no coração, sabe ser fraterno, se você sabe sorrir com o zumbido da noite, sabe apreciar o orvalho de madrugada, você é um Escoteiro.
Até outro dia meus amigos e minhas amigas. Tantas coisas a dizer o que seria um bom Escoteiro que prefiro um dia fazer outro artigo. E viva os pernilongos! Viva as muriçocas! Bem vindos os carrapatinhos espertos! No fundo no fundo sou Escoteiro e adoro eles!  Até breve, portanto!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

PONTUALIDADE, UMA QUESTÃO DE HONRA PARA NÓS ESCOTEIROS.




Pontualidade é a arte de não desperdiçar o tempo alheio.
Anônimo
A pontualidade é uma demonstração de respeito pelo outro e pela vida.
"A pontualidade é cortesia dos Reis e obrigação dos educados"
Provérbio Inglês

PONTUALIDADE, UMA QUESTÃO DE HONRA PARA NÓS ESCOTEIROS.

                Eu não sei por que resolvi escrever sobre a pontualidade. Não é um assunto de adestramento, de técnica, de programas, mas acredito ser da formação escoteira e de formação moral. Não sei se será bem recebido pelos meus amigos leitores. Vejamos bem, somos exemplos, somos vistos como perfeitos, muitas vezes pela comunidade, pelos pais, pelos membros juvenis e estamos a toda hora lançando a semente da responsabilidade, da amizade e confraternização. Na Lei Escoteira incentivamos as atividades religiosas, escolares e de cidadania. Portanto, somos responsáveis pela formação de nossos jovens nestes aspectos sem sombra de dúvida.
               No entanto a falta de pontualidade é sempre um sinal de desrespeito pelo próximo e pela organização social e está presente em nosso meio. Ela está presente nas rotinas, nas tarefas que desempenhamos, nos desafios e nos objetivos que nos propormos realizar. De todos os recursos a que temos acesso, o tempo é um dos mais relevantes pela sua natureza volátil e, para muitos de nós, perdermos horas à espera de outros, significa desperdiçar um precioso bem.
              Também é importante que devemos perceber e assumir que a forma como lidamos com o relógio, diz muito sobre a nossa educação e temperamento. Numa sociedade tão exigente e complexa como a nossa, é uma questão de procurarmos definir prioridades, sabendo de antemão que nunca iremos ter tempo para fazermos tudo o que precisamos ou gostaríamos de fazer.
              Ninguém gosta de ficar à espera. Se nos pusermos no lugar do outro poderemos vir a constatar que esta atitude não é um pormenor sem importância, mas constitui de fato uma falta de civismo e respeito. Vejamos algumas situações no dia a dia das reuniões de seções ou acampamentos:

- O horário de inicio da reunião é 14h30min (hipotético) alguns pais trazem os filhos nos horários, outros não. Será que é devido às falhas anteriores por parte dos escotistas responsáveis?
- O tempo de duração da cerimônia de bandeira (hipotético) é de 10 minutos, mas foram gastos mais de 20 minutos. Nestes casos os programas feitos pelas seções não terão a continuidade esperada.
- A inspeção, ou o Grande Uivo era de 10 minutos, mas se gastou 15 ou mais.
- O jogo inicial era de 10 minutos, mas se gastou muito mais.
- O adestramento de base ou de patrulha/matilha era de 15 minutos, mas se gastou muito mais.
- Diversas outras atividades programadas tiveram que ser canceladas ou substituídas por falta de tempo, já que ele foi gasto em outras atividades.
- E finalmente, o encerramento atrasou e os pais que estavam à espera ficaram inconformados, pois muitos deles tinham outro compromisso.
Agora, vejam bem, foi feito um programa, distribuído tarefas junto aos assistentes, preparou-se material para isto e boa parte foi perdida. Esticar o horário, mudar à hora de encerramento? E os pais?
É importante esclarecer que temos praticamente uma atividade por semana, com tempo determinado e muitas vezes perdemos um programa por não sabermos como utilizá-lo.
- Eu pergunto como fica a motivação dos assistentes quando sua atividade é cancelada? – Como fica o programa de progressividade nas etapas e provas? – Não seria o caso de quem sabe, perdendo boa parte do programa, com consequente atraso no progresso do jovem este é induzido a sair do movimento? 
                      Eu posso dizer que vivi muito tal situação. Alem das atividades escoteiras nos grupos, também atividades distritais, regionais ou nacionais não começavam no horário. Os jogos e atividades programadas se extrapolaram. Chegamos a tal ponto, que diversos cursos de adestramento que dirigi, tinha alunos que chegavam atrasados. Mandá-los de volta, recusá-los? Como disse acima, é uma falta de respeito para com aqueles que chegaram no horário. Isto não pode fazer parte do dia a dia de nossas atividades escoteiras.
                     Nos adultos somos o exemplo. Temos que manter nossa fleuma de uma pontualidade “britânica” para mostrar que os outros podem contar conosco. Nos Grupos Escoteiros que participei, havia flexibilidade para um pequeno atraso, mas que não extrapolasse o essencial.
                    Tenho certeza que a maioria de vocês que me leem, aconteceu um pequeno ou um grande atraso na chegada de um acampamento, de uma excursão, de um bivaque ou mesmo acantonamento. Coloquem-se no lugar dos pais que estão à espera, sem nenhuma notícia. Acredito inclusive que a decepção pode em alguns casos ser superior à alegria e motivação do jovem no seu retorno. E na saída então, esperamos este, aquele e no final, saímos com total desrespeito com aqueles que chegaram no horário, prejudicando todo o programa que havia sido feito.
                   Conheci um executivo escoteiro profissional, que conseguiu ser recebido por um presidente de uma multinacional e cujo intuito era de conseguir meios e locais para alojar em sede própria um Grupo Escoteiro da comunidade. Ele se prontificou em receber e ouvir e até quem sabe ajudar.  Infelizmente ouve um atraso de 30 minutos e a reunião foi cancelada. Que belo exemplo ele deu. Acredito que daí para frente aquele Presidente olharia com desconfiança para o Movimento Escoteiro.
                    Temos diversas situações de escotistas que divergem de tal situação, chegando mesmo a pedir demissão pela falta dos responsáveis do Grupo Escoteiro em não tomar providencias. Como sempre, é mais uma cisão e mais outro grupo sendo organizado e quem sabe pode não haver frutos do que existe e no que está começando.
                     Não é preciso dizer, que muitos de vocês leitores não se coadunam com o que aqui escrevi. Conheço uma centena ou mais de Grupos Escoteiros responsáveis e acredito que todos lutam para que fatos como este não aconteçam.  Infelizmente, pela minha experiência pessoal passei e ainda passo por convites de escotistas que ainda não se espelham com os dizeres sagrados da pontualidade. (e francamente, detesto ficar esperando!).

Teoria é quando se sabe tudo e nada funciona.
Prática é quando tudo funciona e ninguém sabe o por que.
Neste recinto, conjugam-se teoria e prática: nada funciona e ninguém sabe porque.
(Escrito num cartaz de uma repartição pública de Brasília)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O grito de Patrulha.



O grito de Patrulha.

              O escotismo é interessante. À medida que vamos conhecendo seus estilos, seus fatos, suas histórias e tradições mais e mais vamos entregando nossos corações. Ele nos conquista de tal maneira que para muitos é difícil explicar. A cada dia que vamos prestando atenção a tudo que acontece em volta, uma marca vai ficando e nunca mais sai do nosso ser. E como marca. Hoje resolvi comentar sobre o Grito de Patrulha. Isto mesmo. Sei que vocês também sabem seu valor. Aqui comento sem o intuito de ensinar. Não se ensina o que todos conhecem tão bem como eu. Gritos são tradições imutáveis. Existem para dar vida a Patrulha. É como se ela quisesse dizer: - Jovens, se unam como um todo em volta da fraternidade, aqui somos um só. E como é delicioso, agradável quando se vê uma Patrulha orgulhosa dando seu Grito de Patrulha.
             Cada tropa tem seu estilo. Cada uma tem sua história. Tem aquelas que as patrulhas ficam em circulo fechado, bastão ao meio, todos ali segurando e o Monitor eleva acima o totem da Patrulha e dão o grito. Tem outras que se formam em linha e todos olhando a frente com o Monitor com bastão levantado dão seus gritos sorrindo deliciosamente. Não importa como. Mas prestem atenção quando do grito. Por ele sabemos se a tropa está firme nos seus ideais, se a Patrulha é unida, se o oitavo artigo está ali presente sempre. Os gritos mostram muito. A valentia simpática do Monitor e o prazer e alegria do mais novo em participar.
            E quando terminam? Uma apoteose. Vejam o olhar! Vejam o orgulho de pertencer a Patrulha. Só quem esteve lá sabe como é. Não importa se o grito é longo, curto, se é em português, latim, francês, inglês, ou mesmo em linguagem galáctica ou em tupi-guarani. Não importa mesmo. Mas sabem o que é mais importante? Nunca aceitar que troquem o grito. Ele é uma tradição e tradições se mantem firmes no coração de cada um. Alguém que assumiu a monitoria não gosta? O Chefe também? Mas meu amigo, quantos ali passaram e deram este grito? Você está esquecendo que eles um dia junto a outros escoteiros que aí não estão mais gritaram alto, com toda a força dos seus pulmões? Sentiram a vibração da Patrulha? O orgulho de pertencer a ela? Portanto grito não se muda nunca. É eterno. Para sempre. Forever!
           Quando Escoteiro o grito era dado sempre quando se formava. Sempre quando o jogo terminava, sempre do inicio de uma atividade. E o grito ao levantar no acampamento? Alvorada, cedo, orvalho caindo, um frio danado e lá estávamos nós. Bastão ao meio, totem levantado e gritava! Que sono meu Deus! Que frio danado! Mas o grito era dado. Com chuva ou sem chuva lá estava a Patrulha a mostrar que tinha orgulho, tinha união e seu grito nunca podia ser esquecido. Nosso grito foi marcado em montes e vales, em altas montanhas, em diversos estados, dentro de vagões em viagens intermináveis, em ajuris, em ARP, e olhe uma vez eu e um membro da Patrulha com orgulho demos nosso grito orgulhoso quando estivemos ao lado de um candidato a presidente do Brasil. Depois de eleito foi uma decepção. Mas ele ouviu nosso grito, se assustou sorriu e disse – Sempre Alerta!
          Eu sei que existem os gritos de tropa, de grupo claro todos são importantes, mas o Grito da Patrulha é único. Ele dá uma comichão no corpo, uma sensação deliciosa de ser mais um. E quando alguém vai embora? Nunca mais volta? Dá-se o grito da despedida. Sem choro, ali escoteiros e escoteiras não choram. É só uma maneira de homenagear, de mostrar que ele foi importante assim como o foi quando adentrou a Patrulha e o Monitor explicou a ele o porquê do grito, como era feito e que agora ele era mais um. E amigos, é preciso ver o olhar de um jovem novato quando do primeiro grito. Não existe nada que possa substituir o olhar, o sorriso a voz ao gritar, o ser a vibrar por dentro e dizer, agora eu sou mais um.
          Que as patrulhas gritem. Alto e em bom tom. Que mostrem a todos sua força, sua vontade seu orgulho em ser Escoteiro. Grito de Patrulha, quem já deu nunca mais vai esquecer!

domingo, 24 de junho de 2012

AS SEMENTES AFRICANAS NO ESCOTISMO.



Um pouco de historia de Baden Powell (BP)

AS SEMENTES AFRICANAS NO ESCOTISMO.

Indo em direção ao Outspan Hotel em Nyeri os visitantes se defrontam com esta placa fixada em uma árvore numa curva da estrada. O Outspan tem um monte de visitantes: alguns que vão lá enquanto visitam Nyeri a serviço ou negócios, outros que vão em férias, há aqueles que a usam como base para a escalada do famoso monte, e há aqueles que lá vão especialmente para conhecer a famosa "Paxtu", a última casa de Baden-Powell, fundador dos Movimentos Guia e Escoteiro.

B-P visitou a África oriental pela primeira vez - cada um dos atuais países do Quênia, Uganda and Tanzânia - em 1906, e registrou as suas impressões tanto em palavras quanto em imagens em seu livro Sketches in Mafeking and East África, publicado em 1907.
Ele não retornou lá até 1935 quando ele realizou inspeções de escoteiros em gincanas organizadas em todo o país. Ele então visitou o seu velho amigo, Major E. Sherbrooke Walker, M.C., que foi o primeiro secretário particular de B-P após a fundação do Movimento Escoteiro e que tinha posse da primeira Fiança de Escotista (n.t.: nomeação?) emitida. Após numerosas aventuras Erie Walker construiu o Outspan Hotel in Nyeri e o ainda mais famoso Treetops.
B-P mais uma vez apaixonou-se pela "bela visão das planícies até o topo careca e nevado do Monte Quênia", descrita após a sua visita em 1906, e então quando no inverno de 1937 foi aconselhado pelo seu médico a descansar foi para Nyeiri que ele foi.
`Quando ele nos deixou', escreveu Erie Walker em seu livro Treetops Hotel descrevendo a partida de B-P do Quênia em 1938, `Lord Baden-Powell estava envelhecido. (Ele estava com 81 anos). "Quanto mais próximo de Nyeri, mais próximo da felicidade", ele disse, "Eu voltarei para passar o resto da minha vida no Outspan.”.
'E então ele nos pediu que construísse uma casa de campo antes dele voltar para aquela que ele disse seria a sua terceira e última vez. Ele marcou um lugar no jardim. "Quanto", ele disse, custará para construir uma pequena casa com uma sala de estar, uma ampla varanda, dois quartos, dois banheiros e duas lareiras?
`Eu fiz um cálculo rápido. "Doze mil pés quadrados, a dez shillings por pé quadrado", Eu respondi, "chega a seiscentas libras". (O que nós construiríamos a este custo agora!).
`Ele consequentemente adquiriu ações em nossa pequena companhia com aquele valor, com a qual nós construiríamos a casa, mobiliaríamos, e faríamos um jardim privado, com alegres flores, e com uma fonte e banheira de pássaros em frente à varanda. Ele tinha debatido como chamar a casa e pensou em vários nomes. 'Finalmente ele disse: "Eu chamei aminha casa em Bentley `Pax' por que eu a comprei no dia do Armistício após a Primeira Guerra Mundial. Eu acho que vou chamar a minha casa aqui de `Pax', também (too em inglês).”.
`Após isto ela sempre foi conhecida como "Paxtoo", ou "Paxtu”. '
B-P. e Lady B-P comemorou suas bodas de prata em 1937 e escoteiros e bandeirantes de todo o mundo coletaram um fizeram uma coleta para presenteá-los.
`Nós utilizamos parte do presente de bodas de prata dado pelos Escoteiros e Bandeirantes' escreveu B-P em O Scouter de Maio de 1938, 'para construir para nós mesmos uma casa de campo em Nyeri. Nós a chamamos de "Paxtu", desde que ela será uma segunda "Pax" para nós (two=dois em inglês), e uma lembrança permanente da generosa boa vontade do Movimento. '
Em outubro de 1938, ele retornou para Nyeri para viver em Paxtu, e jamais deixou a África Oriental outra vez.
A casa permanece quase igual quando ela foi construída, apesar do velho teto makuti ter sido substituído por um metálico, e o jardim foi drasticamente arrancado em 1964, mas a fonte e a banheira de pássaros permanecem. A casa agora está junta ao bloco principal do hotel com uma série de apartamentos.
Uma descrição da casa foi feita por B-P em uma carta ao ator, Cyril Maude, em1939:-
`Nós nos sentamos aqui sob um contínuo brilho de sol (com mangueiras para regar nosso jardim) e jamais, desde que nós chegamos aqui, quatro meses atrás, falhamos em ter um dia ensolarado para um desjejum na varanda. Eu anexo uma foto da cabana que nós construímos para nós e achamos ótima de todas as maneiras. Uma sala de estar no centro, com toda a frente aberta, com portas de vidro dobráveis. Em cada lado um quarto de dormir com closet, banheiro, lavatórios, etc. e dependências de empregados ao fundo, com um caminho coberto até o hotel, 200 jardas adiante, de onde vem todas as nossas refeições. Nós temos água quente e fria, com luz elétrica e aquecimento, um jardim encantador (cresceu muito após a foto) e uma gloriosa vista através da floresta e planície até o Monte Quênia com o seu pico nevado. '
Por vinte anos, até a morte da Srtª Miss Corbett em 1963, a casa foi habitada por Jim Corbett, velho amigo de B-P, autor de Man-eaters of Kumaon e outros livros conhecidos, e sua irmã Maggie.
Em 1964 Escoteiros e Bandeirantes do Quênia contribuíram para a compra de um marco que foi colocado no jardim em frente à casa, o qual porta a seguinte inscrição:
"Este monumento foi doado pelos Escoteiros e Bandeirantes do Quênia em memória de Lord Baden-Powell of Gilwell, seu primeiro Fundador, que viveu aqui de outubro de 1938 até a sua morte em oito de janeiro de 1941."
Ao mesmo tempo o sinal na alameda de entrada e a placa esculpida em cedro (ilustração nesta página) na própria casa foram doados pela Associação Escoteira do Quênia para manter viva a memória do Fundador, e para guiar os incontáveis visitantes que vêm de toda a parte do globo para visitar a última morada do Fundador e sua tumba no cemitério perto dali.

sábado, 23 de junho de 2012

O esplêndido e inesquecível Grande Uivo.



O esplêndido e inesquecível Grande Uivo.

(Toda vez que escrevo sobre lobos, me vem à mente o Chefe Blair de Miranda Mendes. Sem depreciar grandes conhecedores do lobismo, ele para mim foi o melhor. Fui amigo dele e quem sabe mais que amigo, um irmão. Fizemos mil e uma atividades, mil e uma aventuras juntos. Blair e eu fizemos história. Hoje, não falamos mais. Ainda está no movimento. DCIM dos bons. E eu aqui repito, tive a honra de ser seu amigo. Uma honra! Meu abraço Chefe Blair!).
     
“GRANDE UIVO significa uma forma de mostrar que os Lobinhos estão prontos para obedecer às ordens do Akelá e, mais do que isso, fazê-lo da forma Melhor Possível! Assim, é também uma maneira de reafirmar a sua Promessa e dar boas vindas aos visitantes ou uma data festiva”.

              Não! Claro que não. Não vou ensinar como se faz grande Uivo. Nunca! Não vim aqui para isto. Só quero contar o que senti na primeira vez. Ou quem sabe muitos aqui que estão lendo este artigo sabem o que quero dizer. Acredito que mesmo a Akelá, o Bagheera, o Balu, a Kaa e tantos outros que são os irmãos mais velhos dos lobinhos devem também sentir quando o Grande Uivo é realizado. Muito ainda não sabem a importância desta cerimonia em sí que por sinal é linda. Talvez a mais linda de tudo que o movimento Escoteiro nos oferece. Pode até ser que se compare a uma investidura pioneira nos moldes do passado. Claro talvez não como eu fiz um dia, há muito tempo atrás, no fundo de uma gruta brilhante a luz dos lampiões, estalactites mil, lá para os lados de Lagoa Santa em Minas em uma caverna ainda inexplorada, mas isto é outra história e não interessa aqui.
             É incrível ver a face dos lobinhos, das lobinhas quando pela primeira vez fazem o Grande Uivo. É inesquecível. Os olhos? Brilham mais que a luz das estrelas. A face fica corada, o corpo tremendo, e quando entram no círculo e ficam naquela espera angustiante para saber que vai representar os lobos, é de tirar o fôlego. O olhar da Akelá, a perscrutar aqui e ali quem seria. O seu olhar de seriedade, o seu sorriso o piscar de olhos e pronto. Escolheu! E ela com sua voz meiga, simpática, amiga e todos a olhando como se estivessem na Roca do Conselho, lá no alto da montanha, ela firme no centro do círculo com o felizardo já escolhido que sorri de felicidade diz olhando para ele: Melhor! Melhor! Melhor e melhor?
             Se você já foi um deles, se você está presente sempre nesta cerimonia, se você sente aquele amor que os lobos tem por aquela cerimônia, então pode ser que vá perder o fôlego como eu faço sempre. E o final daquele momento culminante marca. Eles saltam no ar, como se fossem voar, e com aquela força própria de lobos corajosos, dizem – Simmmm! Melhor! Melhor! Melhor e melhor! Meus amigos, nesta hora sentimos o chão tremer. O coração bater. E aí, o vento começa a soprar, o sol se sente embaraçado e se é noite de luar, fica aquela bola grande brilhante no céu dançando ao redor dos cometas que também dançam com aquele espetáculo inesquecível. Se fossemos eternos sonhadores veríamos os pássaros se aproximar e cantar sobre a Alcatéia numa homenagem aqueles lobinhos e lobinhas maravilhosos.
           Uma mística que vem lá de dentro da Jângal. Uma mística que não acaba. Que não cansa. Que dá alegria e todas as vezes que é realizada os lobinhos saltitantes se preparam com amor. O Grande Uivo tem um valor inestimável. Lobo! Lobo! Lobo! - Lôoobooo! Hora de formar, hora de gritar! Melhor? Melhor? Melhor? E melhor?
- E, nunca esqueço aquele dia, problemas mil, sentado na escada da sede, pensando como fazer e resolver e eis que a minha frente aparece uma lobinha sorridente, linda no seu uniforme azul, fica em posição de sentido e diz – Melhor Possível Chefe! Risos. O que dizer? Fiquei em pé rápido, posição de sentido e respondi – Melhor Possível jovem lobinha. Ela saiu sorridente e eu pensando que meus problemas eram nada. Ah! Estes lobinhos maravilhosos e suas maravilhosas poses e sorrisos!                 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Os meus doces sonhos da primavera



Os meus doces sonhos da primavera

                    Foi meu primeiro acampamento. Jurei que seria o último. Uma experiência que nunca esqueci. Raios, trovões caindo perto, arvores caindo, uma chuva torrencial achei que o mundo ia acabar. Gritava de medo. E não foi só isto. Pensei que era diferente. Um passeio gostoso no bosque? Bah! Armar a barraca tudo bem. Foi divertido mas depois cortar bambu, furar buraco no chão e a comida? Horrível! Não teve graça. Minhas mãos estavam cheias de calos se tivessem deixado levar o celular tinha ligado para minha mãe ir me buscar. Pedi a Chefe mas ela nem aí. Bem eu sabia que nunca mais voltaria em um. Um verdadeiro desastre. Prometeram-me tanto e quase morri de trabalhar, de correr e porque não dizer de medo. Nunca pensei em ser Escoteira. Nunca mesmo. Marlene minha amiga de colégio foi quem deu a ideia. Uma amiga sua era escoteiras desde lobinha e adorava. O uniforme era lindo. Tinha meninos lindos. – Vai ser sopa, falou. Vamos lá escolheremos um belo namorado e damos o fora. E riu com gosto.
                  Minha mãe foi comigo. Meu pai é falecido. Ficaram um tempão falando e falando. Perguntei se não poderia ir para o pátio e brincar com todo mundo. Never, never. Disse o Chefe. Você deve assistir e ouvir o que estamos conversando. Eu e sua mãe. Vai te interessar. Bobão. Ele não sabia do meu interesse. Depois disse que minha mãe tinha de fazer um curso. Blá, blá, blá. Quanta besteira! Um dia foi aceita. Esqueci, me chamo Isabelle. Sou bonita, assim dizem os rapazes, mas até hoje não arrumei nenhum namorado. Minha mãe dá risada. Isa, você só tem 12 anos! É, ele não sabe que já conheço a vida como ninguém. Não sou mais uma menininha que ele colocava no colo. Bem voltamos aos escoteiros. Colocaram-me numa tal de Patrulha Pantera. Só meninas. E os meninos perguntei? Eles tem a patrulha deles. Bem tinha de experimentar.
                  Estava marcado um acampamento de quatro dias. Um feriado prolongado. Até que gostei da ideia. Ceceia me contou uma vez que fez um acampamento. Só que daqueles em fazenda, onde se paga e tem tudo. Almoço café, jantar e monitores lindos. Tipo os dos filmes que assistir varias vezes. Minha mãe comprou tudo que pedi. Coitada, passávamos por uma dificuldade financeira muito grande. Éramos só ela e eu. Fazia tudo por mim. Gostei da mochila, do cantil, do canivete e os danados dos chefes não deixaram ir de uniforme. Disseram que tinha de fazer promessa. Promessa! Que diabos é isso? Comprei uma camiseta vermelha escrita o nome do grupo. Comprei logo duas, pois sabia que uma ia sujar e não gosto de roupa suja e nem de lavar.
                  No dia do acampamento mamãe me levou até a sede. Lotada. Pais tios, avós todo mundo abraçando e chorando pensando que todos os meninos e meninas iam morrer e não voltar mais. Quando entramos no ônibus foi àquela festa. Cantorias sem fins e os pais lá fora dando adeusinho. Quanta cafonice. Mas me diverti muito na viagem. Havia escoteiros lindos no ônibus. Namorei com o olhar muitos deles mas nenhum me olhou assim, como devia. Chegamos descarregar e aí começou meu inferno astral pessoal. Era um tal de armar barraca, cortar bambu, buscar água, cortar lenha seca, correr daqui e dali. Estava “pregada” e a monitora me chamando de “folgada”. Ajudei o mais que pude. Minhas mãos em frangalhos. Calos e calos um até sangrava. E o almoço? Aquilo era almoço? Uma Escoteira que dizia cozinheira fez um arroz grudendo e enfumaçado. Quando fui comer estava doce. Não colocou sal. O bife? Um horror! Não passou direito. Estava sangrando de um lado. Fizeram ainda uma salada de tomate esta pelo menos eu coloquei o sal que queria.
                  E a noite, cansada “prá dedeu” ainda inventaram um jogo noturno para se esconder no meio do mato. Eu e Verinha juntos e nós morrendo de medo. Uma cobra! Um escorpião? Um jacaré? Meu Deus! Quem sabe aparece uma onça? E se viesse uma manada de elefantes correndo o que fazer? E o pior, cansada e toda dolorida fui dormir. Raios, trovões, uma tempestade desabou sobre nós. A barraca começou a encher-se de água. Comecei a chorar e pedir mamãe! Uma ventania derrubou a barraca. Corremos para debaixo de uma árvore. Um raio a cortou no meio. Meus olhos estavam esbugalhados. Minha voz não saia. Nem rezar eu lembrei. Maldito Escoteiro, nunca mais. Quando chegar em casa quero distância. Nunca me verão nas reuniões. Acampamentos? Deus me livre. Aqui nunca mais!
                 Passaram muitos anos depois disto. Hoje sou a Chefe das Escoteiras. Tenho minha Insígnia de Madeira, muitos amigos escoteiros, casei com um que não é Escoteiro e quando minha filha tiver idade acho que vai ser uma. Sempre dei muitas risadas quando lembrava do meu primeiro acampamento. Olhe quantas saudades! Hoje tenho mais de 150 noites de acampamento. Fui em muitos lugares. Tenho orgulho da minha vida Escoteira e amo o escotismo. Mas o primeiro acampamento dizem que ninguém esquece, e eu não esqueci mesmo! Risos.