Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

domingo, 26 de agosto de 2012

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Ariranha, um cão inesquecível.



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Ariranha, um cão inesquecível.

          Não tenho certeza se foi em 1953 ou 1954 que conheci Ariranha. Nove dias para ser exato convivemos juntos em um acampamento de tropa na Mata do Quati. Não dá para esquecer, pois foi nossa segunda Olimpíada Escoteira, e a cada ano elas marcavam época. Ideia do Munir, um Pioneiro meio afastado do grupo. Chefe Jessé relutou, mas a Corte de Honra achou a ideia expendida. Era uma Olimpíada diferente. Sempre acampávamos em uma clareira próxima ao Rio do Morcego, onde se avistava a bela cachoeira do Sonho. Na época da Piracema era um espetáculo ver os peixes tentando subir nas corredeiras e pulando sobre as pedras. Se podia pegar com a mão.
          As provas eram somente de atividades aventureiras e técnicas – Subir em árvores de seis metros de altura em um minuto – atravessar o rio nadando em dez minutos ida e volta (60 metros) – Fazer 25 nós escoteiros ou de marinheiro em seis minutos de olhos fechados – Deixar-se cair da cachoeira (oitos metros) em um tambor vazio de 200 litros – Semáforas e Morse uma prova onde tínhamos grandes sinaleiros – Fazer um café e pão do caçador em oito minutos – Uma fogueira em dez minutos que durasse quarenta minutos sem alimentar – Cortar uma tora de madeira de oito polegadas em oito minutos usando só um facão – Trilha e pista de animais e tantas outras que deixaram saudades.
         O caminhão da prefeitura nos deixou pela manhã na trilha da mata que levava ao Rio do Morcego. O resto era a pé. Apenas quatro quilômetros. Adorávamos este acampamento anual. A Patrulha se preparava meses antes. O troféu pela vitória alcançada não eram medalhas. Uma faca Escoteira, um canivete Suíço, uma bússola, vários distintivos de lapela com flor de lis, premios que ambicionávamos muito. Cada Patrulha tinha o seu campo separado da outra mais ou menos por oitenta metros. As pioneiras eram feitas no primeiro dia, pois no segundo as Olimpíadas começavam.
         Lembro que estava fazendo uma fossa para o WC quando avistei Ariranha. Notei algum diferente. Parecia um lobo Guará, mas tinha o pelo cinza e quase sem rabo diferente do lobo que conhecia bem. Quem sabe era um cruzamento com um vira-lata qualquer com alguma loba perdida por aí. Ele nunca sentava. Sempre em pé, orelhas para o alto e olhando sem piscar o que fazíamos. Quando me aproximava ele dava alguns passos para trás e parava. Durante todo o dia ele ficou lá, próximo ao nosso campo de patrulha. Acho que foi o Israel que lhe deu o nome de Ariranha. Porque não sei. À noite quando íamos dormir ele lá estava na entrada do pórtico com se fosse velar nosso sono. Pela manhã impreterivelmente lá o encontrávamos.
        Durante a realização das provas da Olimpíada, ele ficava muito próximo a mim. Uma vez entrando na mata a procura de uma pista pisei em falso e um enorme corte se fez em minha perna bem abaixo do joelho. Ele veio até a mim pela primeira vez e lambeu onde o sangue escorria. Parou na hora. Quando passei a mão em seu pelo saltou de lado e tomou distância. Uma noite acordamos com seus latidos. Latia para uma enorme cascavel que impreterivelmente invadiria nosso campo. Ele a espantou. Outra vez seus latidos foram mais altos e foi à tarde quando estávamos tomando banho no córrego da Lagartixa. Desta vez era uma Onça parda. Fugiu com seus latidos.
          Durante os nove dias de campo, Ariranha lá permaneceu. No último dia no cerimonial de bandeira Ariranha se colocou ao meu lado na ferradura. Não me olhava. Estava fixo na bandeira Nacional. Enquanto ela farfalhava ao sabor do vento e descia dos céus seus olhos acompanhavam. Quando as patrulhas deram o grito ele ficou no meio e pela primeira vez se deixou abraçar. Foi um espetáculo comovente. Todos os escoteiros das demais patrulhas vieram também abraçá-lo. Ao partirmos ele nos acompanhou até a estrada onde pegaríamos o caminhão da prefeitura. Ao subir na carroceria ele estava lá me olhando. Abanando o pequeno rabo e deu um uivo enorme. Gritante e choroso. Como se fosse um lobo de verdade se despedindo para sempre.
           Voltei para casa chorando. Chorei por vários dias. Devia ter trazido ele comigo, mas meu pai disse que ele era da floresta, nunca iria se acostumar na cidade. Chamei o Romildo na semana seguinte e fomos até lá de bicicleta. Rodamos e rodamos e nem sinal de Ariranha. Nunca mais o vi, mas nunca mais o esqueci. Ariranha ficou marcado em nossa Patrulha lobo. No nosso livro de Atas ele teve um lugar especial. Não sei se é fácil explicar como se ama um cão em poucos dias e nunca mais o esquece. Não sei mesmo. Até hoje me lembro de Ariranha com saudades. Histórias são histórias, tem umas que marcam, tem outras que ficam gravadas em nossa mente para sempre! 

sábado, 25 de agosto de 2012



Publicado por Marcelo Mallmann

AJUDE OS ESCOTEIROS A MUDAR A PERCEPÇÃO DE QUE O ESCOTISMO NÃO É “DA HORA”

                 Os Escoteiros da tropa X desfrutam de excelentes aventuras, mesmo assim sofrem provocações por serem Escoteiros. Como os líderes podem ajudar a mudar a percepção de que o Escotismo não é legal
*Represália molecada!
               Devemos ensinar nossos Escoteiros a responder quando alguém faz um comentário negativo. Exemplo: “Escotismo é coisa de boiola? Quando foi a última vez que você caminhou 30 km, rapelou 25 metros, pedalou 90 km, escalou um pico de mais de 2000 metros, ou navegou de canoa até uma ilha?” “Se houver alguma emergência, você pode confiar que eu estou preparado para cuidar de você. Você seria capaz de cuidar de mim?” “Onde você acha que eu aprendi as habilidades de liderança para ser o capitão do time da escola?” “Pelo menos eu serei capaz de pôr no meu currículo que alcancei o Escoteiro da Pátria. O que é que você vai colocar no seu?” “Você faz parte de alguma coisa onde você e outros da sua idade planejam e executam o que fazem? Eu faço. A gente organiza e planeja nossos encontros e atividades. Não é como todo o resto, onde os adultos é que comandam!”.
              Quando os Escoteiros respondem desta forma, normalmente os comentários negativos se calam, e muitas vezes aquele que fez os comentários sobre o Escotismo acaba entrando para o grupo.
*Seja Pertinente
             Já que o entretenimento é tão imersivo hoje em dia, temos que intensificar nossos esforços para mantermos o alcance. Por exemplo, preparando uma edição “Sobrevivência Zumbi” da especialidade de Defesa Civil, Primeiros Socorros e Prevenção de Incêndios. Os requisitos são os mesmos, mas a instrução é apresentada de forma teatral e imaginativa. Tenho certeza que a conquista deste distintivo será memorável, eficaz, e digna de comentários. Medir a eficácia do nosso programa através da boa vontade dos jovens em contar aos outros sobre isso nos dá a certeza de que como adultos estamos indo na direção certa.
*Mochilão, não Meião. 
           Muitas pessoas não entram para o Escotismo porque o uniforme é tudo o que elas veem. Mais atenção deve ser dada ao que fazemos do que ao que vestimos: sair em grandes viagens, fazer amigos incríveis, e aprender liderança, serviço e novas habilidades. Temos que mudar a imagem do Escotismo de uma camisa bege e meião cinza para uma visão de escaladas em rocha e aventuras com mochilão. Não é mudando o uniforme que mudaremos nossos números.
*Aproveite a Tecnologia. Tire fotos dos jovens em ação, fazendo as coisas divertidas e legais que os Escoteiros fazem, e procure publicar essas fotos no jornal local, no blog da tropa e no Facebook. Fazendo que os jovens tenham orgulho de aparecer “like a boss" nas atividades que participam. O Escotismo é um esporte para o ano todo, e deve ser vendido como tal.
            Faça com que toda sua seção, se não estiver de uniforme escoteiro, esteja com camisetas iguais, assim você ainda parece uniforme como grupo, e aumenta um pouco o fator da hora.
           *Faça a Diferença. Alcateias e tropas devem começar a trabalhar juntas para mostrar à comunidade como é legal ser Escoteiro, não só porque descemos corredeiras em botes e construímos torres com nossas próprias mãos, mas porque servimos nossa comunidade e fazemos a diferença. Nós precisamos fazer um trabalho melhor para ter certeza que a comunidade sabe quem nós somos e qual o impacto que nós temos só então os jovens vão achar que é legal tanto estar limpando um parque ou fazendo uma trilha na montanha.
           *Foque no Sucesso. Pergunte aos Escoteiros, “O que você quer ser quando crescer?” Executivos líderes públicos, oficiais das forças armadas, atletas, etc. todos foram Escoteiros. Dos 312 pilotos e cientistas selecionados como astronautas desde 1959, pelo menos 207 foram identificados como tendo sido Escoteiros. Dos 24 homens que viajaram para a Lua, 21 foram Escoteiros, incluindo 10 dos 12 homens que fisicamente caminharam sobre a superfície da lua. Três viajaram à Lua duas vezes. Precisamos dar alguns exemplos e demonstrar como as lições de vida e habilidades aprendidas no Escotismo contribuem para o sucesso futuro.
           Além do mais, quem não acha facas e fogueiras algo da hora?

Chatos! Existem no escotismo?


Há duas espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e... Os amigos, que são os nossos chatos prediletos.
Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Chatos! Existem no escotismo?

              Não sei. Alguns amigos meus dizem que sim. Dizem que eu sou um deles. Um até me disse que sou um “Chato de Galochas”. Poxa! Logo eu? Nunca tive galochas. Não sabia que era chato. Dizem que a palavra “Chato de Galocha” é aquela pessoa que mesmo num dia de chuva, põe sua galocha e vem exercitar sua “chatura”. Outros dizem que o Chato de Galocha é o chato prá chuchu que saiu do mundo agrário e ingressou na era moderna. Mas como sou Escoteiro e um chato por profissão, pensei comigo: - Será que tem chatos no escotismo? Pensando bem acho que sim. Já que me coloquei como um deles porque não dizer dos outros? Vejamos a descrição de alguns chatos e tenho certeza que você minha amiga e você meu amigo não se enquadram em nenhum deles. Ainda bem!
- Fãs de entendidos - São aqueles chatos que não podem ver um Escotista mais graduado que correm para conversar com ele. Ficam ali com cara de aluno junto ao seu professor e querendo absorver toda a pose, todo sorriso e todo conhecimento do Chefão!
- Politizados em demasia – São aqueles chatos que defendem com unhas e dentes sua organização, seus superiores, suas ideias. Nunca admitem erros. Mesmo não tendo nenhuma experiência, jactam-se de tudo que falam. Os dirigentes adoram estes chatos.
- Carentes – Estão chatos estão sempre reclamando. Reclamam de tudo. Do Chefe, dos assistentes, do Diretor Técnico, do Comissário dos acampamentos ruins, das taxas baratinhas cobradas, enfim reclamam de tudo. Quando te pegam na esquina para reclamar haja “saco”!
- Amigos do passado – Gosto destes chatos. Se te pegam na rua, logo convidam para uma cerveja, uma pizza, e sempre pagam as despesas. O ruim é que ficam lembrando, lembrando e você olhando para o relógio sem jeito de sair.
- Viciados em aplicativos – Estes não são “moles”. Adoram te mandar recadinhos para aplicativos no facebook. Você acessa sua conta ou o celular e vê um monte de notificações. E quase sempre são aos mesmos. Não adianta deixar recados. Todo o dia lá estão eles. Irmãos de farda. Irmãos de ideal. Difícil convencê-los que são chatos.
- O olheiro – Desculpem. Não é do meu tempo. Hoje o chamam de Assessor. Desde que criaram a função de assessor para tudo logo o escotismo também criou o seu. A diferença é que é de graça! O chamo de olheiro porque ele vive de olho em você. Quer ser seu orientador, dizer o que fazer. Ensinar a você o caminho para o sucesso, mas quase sempre é o caminho que ele imaginou. Até que gosto da ideia destes chatos. Mas desculpem, não deixam de ser chatos.
- O metódico – É o Chefe que tem o jeito dele de trabalhar, de fazer as coisas. Ele já tem na cabeça o seu jeito certo de realizar suas tarefas. Nunca pede ajuda. Quando estão juntos acampados ele acha que você faz tudo errado. Com aquela “fleuma” Escoteira de Escoteiro bem educado, ele te enche as “paciências”.
- O perseguido – Fica o tempo todo falando que existem complôs contra ele. E o seu Chefe, seu Presidente, seu distrital, enfim querem tirá-lo do escotismo. Não sabe o que fazer. Pensou em mudar de lado, mas soube que do outro lado seria a mesma coisa. Não sabe se sai ou se fica. Que medo ele tem de ser demitido ou levado a tal comissão de ética! E o salário oh!
- O nervoso – Nuca está satisfeito com nada. Explode por qualquer coisa. Reclama que não recebeu um agradecimento, uma condecoração. Reclama que já devia ser o Chefe da tropa, do Grupo, reclama que Já devia ter recebido sua insígnia. Reclama de tudo!
O dono do mundo – Este chato é um perigo. Considera-se o maioral. Está acima da lei e quando ela não lhe agrada, a faz de novo. Não quer perder o seu cargo e finge ser seu amigo para se perpetuar no poder.
            É, tem tantos tipos de chatos que poderia ficar aqui o dia inteiro falando sobre eles. Os chatos amigos, que lhe dão beijinhos na frente e que fazem nas suas costas você não sabe. Tratam-te com carinho e lá ao longe preparam sua cama para ver você dormir e não voltar mais!  O folgado, que não levanta a bunda para fazer nada e sempre lhe pedindo para fazer tudo. Tem muitos mesmos. Mas o pior deles é o Capachão. Que puxa saco meu Deus! Os diretores, dirigentes, formadores adoram estes tipos. Ele quer a todo custo ser um deles! Haja paciência com eles, pois pior que eles só eu mesmo. Como sou chato meu Deus! Mas meu conselho é um só, Corra destes tipos! Só não sei como você vai correr de você mesmo!
          Enfim, é melhor ser como eu. Um chato de galocha! Um chato rei dos chatos. Risos. E vivam os chatos, ainda bem que o escotismo não vive sem eles! Rsrsrsrsrsrsrs, ou melhor... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

As crônicas do Chefe escoteiro. Evasão – Rotatividade – Turnover.



As crônicas do Chefe escoteiro.
Evasão – Rotatividade – Turnover.

               Eu sei que muitos de voces chefes escoteiros sabem o que significa perder a cada ano jovens em suas tropas e alcateias. É triste saber que alguns não vão vir mais. Quando isto acontece com um ou dois por ano vá lá, mas quando o número aumenta é sinal que a luz de alerta deve ser acesa. Meus dados são escassos, mas conversando aqui e ali com amigos, chegamos à conclusão que quase empata a saída com a entrada de jovens e adultos nos grupos escoteiros. É alarmante. Infelizmente ainda não vi nenhum estudo sério por parte dos nossos dirigentes. A cartilha deles eu conheço de longa data.  São explicações que não convencem. Pois entra ano e sai ano tudo continua na mesma.
Será que sempre foi assim? No passado que vivi não. Claro não tínhamos um crescimento satisfatório como em outros países e isto era bem compreensível. Difícil contato, condições adversas de estradas, meios de comunicação, e muitos grupos viviam praticamente isolados e sem registros e as visitas a eles se feitas eram com muitas dificuldades. Mas se não me engano chegamos mesmo assim a registrar quase setenta e cinco mil na década de 80/90. (iniciando com as moças a partir de 84. Devíamos com elas ter dado um salto no efetivo o que não aconteceu). Era comum conhecer em patrulhas e matilhas, jovens com dois e três anos de atividade. (saudades da segunda estrela, da segunda classe, da primeira classe) Poucos saiam.
                Dizem que a saúde de uma organização se define pela relação entre o número de pessoas que entra e pelo número de pessoas que sai. Isto em muitas empresas e organizações em todo o mundo define se tem algum errado. Lá os números são outros. A partir de cinco por cento já é assustador. E aqui? É preocupante. O envolvimento de todos os órgãos escoteiros para alertar ou mesmo discutir o porquê de tudo ainda não aconteceu. Não sei se é prioridade da UEB.
               Não seria bom que houvesse um alerta e quem sabe uma orientação para que cada Escotista fizesse em sua sessão um trabalho a respeito? Dizer o obvio todos dizem. Até eu. (novos programas nada adiantaram) Mas e então? Se você não tem uma tropa completa, se sua Alcatéia é pequena e pensa em aumentar e não aparecem candidatos é porque suas atividades não estão agradando. Uma tropa Sênior resolveu em Conselho de Tropa fazer as reuniões quinzenais. Por quê? Quem sabe ir lá aos sábados não tinha atrativos. Sempre achei que a pesquisa era o caminho ideal. Sempre aconselhei em cursos, em palestras que este era o melhor caminho. Pesquisar. Pesquisar muito. Ouvir sempre os jovens. Justificar e explicar não adianta. Se eles saíram é claro que lá no bairro tem programas melhores. Ir a casa deles. Conversar com os pais. A intenção seria a de saber o que houve e não tentar se redimir e claro sem pedir sua volta à tropa ou alcatéia com promessas fantasiosas.
                  Se estivéssemos fazendo isto há tempos, se descobríssemos o que eles querem, (tem muitos que dizem saber o que eles querem, e porque a evasão continua?) Se houvesse um trabalho bem feito quem sabe poderíamos ter um retorno ao sucesso que todos nós esperamos. Em conversa com formadores é sempre aquele pensamento – Conhecimento, bons programas etc. Eu também já disse isto. Programas. E então? Não estão havendo cursos? Centenas e milhares de escotistas participando e a evasão não cessa? E o pior ela acontece em todas as idades. Desde os lobinhos até os escotistas. Não sei quantos, mas Insígnias de Madeira também fazem parte desta evasão. Se ela caísse para menos de vinte por cento nosso efetivo amentaria sem sombra de duvidas. Não como hoje.
                  Enquanto os dirigentes não se tocarem de uma tomada de posição englobando todos, digo todos do movimento Escoteiro, enquanto não houver uma preocupação geral e uma discussão séria sobre o tema, nosso crescimento será pífio. Se levarmos em consideração os últimos quarenta anos qual foi o aumento da população brasileira e comparar com o escotismo, veremos que em termos de juventude não crescemos nada, isto é, regredimos e muito. (Vide relatório do Doutor Jeans publicado no blog).
                 A evasão é a praga do nosso movimento. A cada ano ela aumenta. Tentar explicar a evolução dos tempos, a nova metodologia e a mudança radical de um mundo moderno que os jovens estão vivendo não me convence. E nem mudar programas sem ver a realidade também convence. Temos muitos grupos no Brasil que ela praticamente não existe. O porque deste sucesso não ser de todos tem de ter uma explicação. Dizem que devemos sempre ouvir os jovens na confecção dos programas. Porque isto também não foi feito ou mesmo não é feito hoje em nível nacional com os jovens? Com a palavra nossos dirigentes. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Lendas escoteiras. A lenda de Chico Mortalha – O malvado.



Lendas escoteiras.

A lenda de Chico Mortalha – O malvado.

        Todos os habitantes de Floradas na Serra conheciam a lenda. Claro, lenda é lenda e serve para contar, não para acreditar. Mas a criançada da cidade acreditava. Mamães, professoras, pais, vovós quando queriam chamar atenção por uma simples travessura lá estava Chico Mortalha presente para amedrontar. Se foi verdade ou não isto não posso dizer. Quem me contou foi o Padre Josenilton. Chico Mortalha era um pistoleiro famoso. Um matador. Matava tudo que encontrava. Velhos, moços, jovens, crianças, animais. Matava tudo que aparecesse em sua frente. Seu último crime foi à morte do Bispo Marcelino. Gente boa, boníssima. Mas o prefeito encrencou com ele. Pagou a Chico Mortalha para dar um sumiço no bispo. Dito e feito. O Bispo sumiu! Ninguém nunca mais o viu.
         Desconfiaram que fosse crime encomendado. Chamaram o Delegado Paredes da capital. Não provou, mas disse que foi Chico Mortalha. O povo se revoltou. Foi na casa dele. Levaram-no para a Lagoa das Piranhas. Tiraram a roupa dele e amarraram em todo seu corpo nacos de coração de boi. As piranhas adoram. Amarraram ele em um galho que dava em cima da lagoa. Iam descendo aos poucos seu corpo. As piranhas devoravam tudo que mergulhava na água. Primeiro suas pernas, depois seu corpo, só sobrou à cabeça de Chico Mortalha. Dizem que não deu um gemido. Por fim cortaram a corda e Chico sumiu nas aguas profundas da lagoa. Contava-se que uma vez por ano, na data de sua morte, ele aparecia na lagoa, em pé, sem afundar e dava gemidos imensos que nenhum peixe, nenhum animal ficava por perto.
          Há mais de trinta anos existia um belo Grupo Escoteiro em Floradas na Serra. Quase todos os homens da cidade haviam passado pelas suas fileiras. Uma grande Alcatéia, uma ótima tropa, três Patrulha seniores e um Clã que precisa definir quantos poderiam participar, pois em suas reuniões sempre apareciam mais de cinquenta pioneiros. Seria um tema para o próximo Conselho de Chefes do Grupo. Chiquinho Mortalha era Sênior. Desculpe. Risos. Seu nome era Lorenildo Simplício das Mercês. Não gostava do nome. Nunca gostou. Quando foi lobinho colocaram nele este apelido. Não se incomodou. Ficou para sempre. Talvez por ficar sempre de cara amarrada. Não sorria. Mas todos gostavam dele. Tinha uma força descomunal para sua idade. Não era alto, mas levantava toras, pesos enormes com facilidade. Nos acampamentos o pau para toda obra. Era bem quisto na Patrulha. Desde quando Escoteiro. Conseguiu a Primeira Classe. Pretendia ser Escoteiro da Pátria.
          Em sua Patrulha todos os temiam. Não pela sua força, mas pela sua astúcia. Dizia que quando desse na telha ia enfrentar este tal de Chico Mortalha lá na lagoa na data que costumava aparecer. Ninguém acreditava. Dito e feito. Em onze de agosto, data da morte do tal Chico Mortalha lá foi ele rumo à lagoa. Sozinho é claro. Levou sua faca, sua machadinha e uma corda de dez metros. Lá chegando subiu no pé de uma Copaíba enorme. Se amarrou nos galhos e esperou. Não tinha pressa. Que venha o Chico Mortalha. Estava na hora de enfrentá-lo. Sete horas da noite, nove, dez, onze, meia noite. Nada do Chico. Era fanfarronice. Ela assim pensava. Uma hora cochilou. Dormiu. Não caiu, pois estava amarrado. Mas alguém o desamarrou. Ele caiu do alto dentro da lagoa. Afundou. Abriu os olhos e viu com horror o Chico Mortalha. Só a caveira, pois as piranhas não deixaram nada. Chico sorria para Chiquinho. Não teve medo. Pegou sua faca e disse que ele era Escoteiro. “O Escoteiro não tem medo de nada” A caveira começou a rir.
         Gargalhadas enormes. Chiquinho isto é Lorenildo precisa de ar. Subiu até a borda da lagoa, respirou e mergulhou de novo. Danado de Sênior. Não tinha medo mesmo. A caveira o pegou pelo ombro, o levou até o pé da árvore fora da lagoa. O abraçou e disse a ele que era bom conhecer um Escoteiro. Poderia ter sido um, pois quem sabe não seria o que tinha sido. Ficaram amigos. Conversaram toda a madrugada. Chico Mortalha contou muito da sua vida. De seu grande amor por Nininha, mas nunca disse a ela. Morrera de tuberculose e solteira. Hoje ela faz companhia a ele no fundo da lagoa.
         O dia amanheceu. Lorenildo voltou para sua casa. Seus pais preocupados. Todos os escoteiros a procurada dele. Resolveu não contar nada. Não devia. Agora era amigo de Chico Mortalha o Malvado. Tinha prometido a ele que voltaria no próximo aniversário e iria conhecer Nininha. O tempo passou. Lorenildo casou. Contou para seus filhos, mas eles riam e achavam que seu pai era um bom contador de histórias.
        Todos os anos, durante toda a sua vida Lorenildo voltava à lagoa. Fizera um amigo, ou melhor, amigos. Chico e Nininha. Sentava a beira da Copaíba e Chico Mortalha aparecia com Nininha e eles se abraçavam. Ficavam ali conversando por toda a madrugada. A cidade sabia, mas tinha medo. O Grupo Escoteiro não comentava. A Patrulha entendia. Amigos são amigos. Durante toda sua vida agora como Chefe Escoteiro não deixava de visitar Chico Mortalha e Nininha na Lagoa das Piranhas. Amigos para sempre. Diferente, pois Chiquinho era um Escoteiro do bem. 
           E como dizem por aí, boi não é vaca, feijão não é arroz e quem quiser que conte dois! E como dizia minha avó, “Pedro, nem tê-lo, nem vê-lo, nem querê-lo, nem a porta da casa consegui-lo... mas sempre é bom na casa havê-lo”. Risos.
E quem quiser que conte outra!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

As crônicas de um Chefe Escoteiro. Pioneirias, sonho do Escoteiro?



As crônicas de um Chefe Escoteiro.
Pioneirias, sonho do Escoteiro?

             Não existe maior alegria para um Escoteiro ou uma Escoteira quando ao terminar de fazer uma pioneiria dar uns passos atrás e olhar com carinho sua obra. Um sorriso brota, os olhos brilham e dá uma vontade de tirar foto, filmar e mostrar para todo mundo. – Fui eu quem fiz! Fui eu quem fiz! Pode alguém aparecer e dizer que está mal feita, podem dizer o que quiser, mas ele ou ela estão ali orgulhosos pela construção que dedicaram horas, calos nas mãos, suor e mosquitos a enlouquecer qualquer um. Nesta hora é que todo o escotismo brota no coração. Bate aquela chama que nos dá orgulho em pertencer ao movimento.
             Todos jovens que entram no escotismo logo ouvem falar nesta palavra mágica. Pioneirias. O que é isto? Perguntam. Construções rusticas feitas com nós e amarras diz o Monitor. E ele fica com aquilo na cabeça. Doido para acampar e fazer uma. Depois não importa se o vento sul a jogou ao chão, ele vai ter “causos” e muitos para contar. De um simples banco um dia ele vai dizer aos seus netos que construiu uma linda poltrona reclinável e que bastava fechar os olhos e ela balançava ao sabor do vento. Os netos irão ouvir com orgulho e sonhar também em fazer o que seu avô fazia.
             Dizem e contam por aí que pioneiria tem técnica. Já vi artigos, livros, desenhos todos escritos. Eu mesmo publiquei vários. – Técnicas de Pioneiras. Tenho lá minhas dúvidas. Quando as fiz não tinha livros nem desenhos. Eram criadas da imaginação. Um pau ou bambu aqui, outro ali, umas amarras com sisal ou cipó e elas iam brotando conforme as necessidades. De vez em quando vejo fotos de algumas, lindas, esplêndidas, algumas obras de carpinteiros/engenheiros e não de jovens escoteiros. Dias e dias para fazer. Não sei se tem graça. A graça meus amigos é o Escoteiro ou Escoteira fazer. Chefe! Xôô! Se manda. Não fale, não fique ai olhando. Não dê palpites. Deixa-os crescerem! Faz parte do nosso método!
             Para mim vale mais uma pequena amarra dada por um jovem que uma casa em cima de uma árvore que não tem finalidade no adestramento progressivo e que foi feita pelo Chefe/engenheiro. Ao dar a Amarra de acabamento ou fazer um simples Volta do Fiel é o inicio de tudo. E a Costura de Arremate? Simplesmente maravilhosa! Quando visitava acampamentos escoteiros no passado, ficava orgulhoso em ver no campo de Patrulha, como um simples sisal ou cipó cercava o campo. Ninguém pulava ou entrava por ali. A entrada era pelo pórtico. Rústico, simples sem aquelas belezas que vemos em fotos ou em grandes acampamentos escoteiros e sempre feitas pelos chefes. – Sempre Alerta Patrulha! Licença para entrar? Todos respeitavam.
              E durante a inspeção de campo pela manhã, ver uma mesa simples, um toldo mesmo que enrugado, bancos para sentar nas refeições, um fogãozinho suspenso, um lenheiro, um porta ferramentas, fossas de líquidos e detritos com tampas, mais ao fundo um WC bem feito ou mal feito, um tripé para o lampião, chapéus, um porta bastão e por aí afora eu me orgulhava. Nunca gostei de chefes que em vez de ajudar prejudicavam a Patrulha. Tudo limpo alguns levavam no bolso palitos, papeis para jogar ao chão e dizer: Não estava tão limpo. É correto? O que dirá a Patrulha? - Chamei a atenção de muitos e até em cursos que dirigi apareciam chefes assim. Vejam bem, eram formadores!
              E quando o cerimonial de bandeira terminava, era bom dizer o que tinha achado do campo, e fazer muitos elogios. Entregar a bandeirola de eficiência, cumprimentar o Monitor e toda a Patrulha, era bom demais! Que orgulho! Vê-los sorrindo! Pioneirias! Ah! Como são belas quando feitas por eles. Xôô Chefes! Voces não. Voces não precisam disto. Treinem seus monitores. Orientem-nos a ter ideias, mas deixe que eles façam, deixe que eles criem e um dia, um belo dia eles dirão: - Chefe vamos fazer um acampamento de dois ou três dias só para grandes pioneirias? Já pensou? Eles dizendo isto e não você?
             Pioneirias! Quem já fez nunca esquece. Mesmo aquelas que o vento malvado jogou ao chão. Mesmo aquelas que umas vacas invadiram o campo e pisaram em tudo. Mesmo aquelas que um dia passamos uma noite sentados nos bancos sobre a proteção do toldo, pois a chuva torrencial encheu de água e barro as barracas. Lembranças. Belas lembranças de pioneirias que brotaram na mente do escoteiro. Trazer água de um córrego próximo usando bambus, fazer uma ponte, Jangada de piteiras, Pórtico de três metros ou mais, estrado para barracas suspensa, escadas de cordas ou cipó, o caminho do Tarzan, um ninho de águia, uma passagem suspensa de bambus ou madeira de lei e até um elevador rústico. Tantas e tantas que começaram com uma simples amarra! Isto meus amigos, isto é escotismo!
“Deixai-os fazer, deixai-os seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido!” (Kipling). (Xôô Chefe!)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

As crônicas de um Chefe escoteiro. Manias.



As crônicas de um Chefe escoteiro.

Manias.

Dentre as manias que eu tenho uma é gostar de você
Mania é coisa que a gente tem, mas não sabe por que
Mania de querer bem, às vezes de falar mal
Mania de não deitar sem antes ler o jornal
De só entrar no chuveiro cantando a mesma canção.


        Eu gosto desta canção. Linda. Claro é cantada por Dolores Duran grande cantora. Mas tirei o dia para falar de manias. Quem não as tem? Hoje resolvi mudar. Manias e rotinas deixar de lado. Esconder debaixo da cama. Comecei por ficar mais tarde sem me levantar. Que dificuldade! Cinco seis sete horas e não aguentava mais. Levantei. Rosto, dente e etc. Sem comentários o etc. Inalar, e café. Sempre as seis hoje as oito. E agora? Pé na estrada. Meus oitocentos metros que faço em quase quarenta minutos. Devagar se vai ao longe. Na varanda abri um livro. Já o li não sei quantas vezes. Seara Vermelha de Jorge Amado. Li e não prestei atenção. Hoje seis folhas. Parei. Olhei para a Rodovia Castelo Branco, carros parados. Sempre assim esta hora.
        Onze horas, laranjas ou mexericas? Que duvida cruel! Resolvido. Laranjas. Duas. Agora ligar o PC e ver os e-mails, entrar na internet. Rotina e rotina, todo dia isto. Afinal não ia mudar? Pensei um dia em ficar uma semana sem ligar o PC. Facebook? Que Mania! Vou ficar longe! Consegui ficar mais de vinte minutos. Não deu para ficar mais. Um dia largo tudo isto e boto o pé na estrada. Quem sabe quando chegar ao fim dela não existirá esta rotina que hoje me dá ordens e não consigo ficar sem obedecer? Hora do almoço. Hora da soneca, hora de escrever. Escrever o que? Sem ideias. Porque não falar de escotismo? Risos. Não é um bom tema? Mas falar o que?
         Pensei em falar sobre o poder no Escotismo. O poder que tem uma atração incrível. Disseram-me que isto acontece com todos. Não existem inocentes. Todos almejam o poder. Será mesmo? Mas o duro é que quando entram não querem sair mais. E fazem tudo para manter de fora aqueles que querem entrar. Que rotina meu Deus! Preciso deixar de falar de escotismo. Em minha vida criei inúmeras inimizades com isto. Deveria ter sido submisso como muitos dos meus amigos foram. Hoje abarrotados de medalhas. Idi Amim Dada se ainda estivesse no poder ficaria morto de inveja. Risos. Caramba! Mas não ia eu mudar hoje? Sair da rotina? Que manias eu tenho! Será que não tenho outro tema que não escotismo? Mensalão? Nem pensar. Corinthians? Deus me livre. Sou um cruzeirense calmo. Não brigo. Afinal eles ganham muito e eu não ganho nada!
          A tarde se foi. Ainda um sol raquítico no horizonte. Na Castelo Branco o trânsito flui melhor. Outra inalação. Uma hora. Não sei se gosto disto. Mas fazer o que? Mania ou rotina? Rotina. Esta não dá para mudar. Um ar que não vem obriga a maquininha a jogar em minhas narinas remédios da vida. Eureka! Uma grande ideia! Quem sabe lá não tem poder? Ou tem? Acho que não. Se temos o livro arbítrio aqui teremos lá também. Mas seria bom se os lá de cima procurassem entender os cá de baixo. Pelo menos ouvir. Como é bom ouvir o próximo. Ver o que ele tem a dizer. Em você! Isto mesmo você que é da turma dos Catorze do Forte, que manda e desmanda, ouça um pouco. De norte a sul. Não só uns poucos privilegiados.
         Preciso escrever uns artigos. Sem ideias. Preciso escrever uns contos. Sem ideias. Preciso escrever, preciso... Rotina, manias, até quando?

Manias

Dentre as manias que eu tenho uma é gostar de você
Mania é coisa que a gente tem, mas não sabe por que
Mania de querer bem, às vezes de falar mal
Mania de não deitar sem antes ler o jornal
De só entrar no chuveiro cantando a mesma canção.

De só pedir o cinzeiro depois da cinza no chão
Eu tenho várias manias, delas não faço segredo.
Quem pode ver tinta fresca sem logo passar o dedo
De contar sempre aumentado tudo o que diz ou que fez
De guardar fósforo usado dentro da caixa outra vez
Mania é coisa que a gente tem, mas não saber por quê.

Dentre as manias que eu tenho uma é gostar de você
...

...uma é gostar de você.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Leis, regras, normas, artigos, parágrafos e outros “escambal”!



As crônicas de um Chefe Escoteiro.

Leis, regras, normas, artigos, parágrafos e outros “escambal”!

"Tenho seis regras que me ensinaram tudo o que sei: O quê, Por que, Quando, Como, Onde, e Quem?" (Rudyard Kipling).

                  O mundo é feito de regras, normas, artigos, leis, decretos, parágrafos que até me assusto com tudo isso. Nada podemos fazer sem pensar que podemos infligir alguma delas. Claro. São necessárias. Assim dizem. E no escotismo então? Uma parafernália. Cada dia que passa mais normas, mais regras, mas artigos dizendo o que podemos e não podemos fazer. Não satisfeitos os nossos dirigentes criaram uma tal de Comissão de Ética. Li e não gostei. Achei meio ameaçador. No final da década de cinquenta, uns sábios de nossa liderança criaram o nosso POR. Princípios, Organizações e Regras da União dos Escoteiros do Brasil. Lindo! Um grande livro. Muitas páginas, completo. Diz tudo que você podia ou não fazer. Foi mudando, mudando e até que concordei. Muitas coisas estavam evoluindo e a adaptação era necessária. Acho que pouca gente leu tudo!
              Tem hora que me sinto cerceado. Se hoje estivesse à frente de uma sessão escoteira não sei se me desincumbiria bem das minhas responsabilidades. Tudo mudado. Nada se faz sem pensar nas leis, regras, artigos, parágrafos ou o escambal. Certo? Claro que sim. Têm tantos por aí exigindo direitos que podem aparecer no escotismo alguém a exigir os seus. “Quero meus honorários”! Quero meus direitos! Quero minha Insígnia! Quero meu Tapir de Prata! Quero meus tacos! Que se faça justiça! Quero, quero... Saudades dos velhos tempos. Oi Romildo! E aí? Vamos acampar sábado? Era assim. Colocava minha mochila, ração A ou B, uma meia lona da barraca e lá ia eu cantando o Ra-ta-plã! (falando nisso você sabe cantar ele completo?).
                Agora? Se você quer ser voluntário no escotismo, vai ter de enfrentar mil normas, mil regras, mil leis. E ainda pagar por isto. Voluntário que paga! Um escambal. Antes não. Os chefes vinham dos pioneiros, que vinham dos seniores, que vinham dos escoteiros, que vinham dos lobinhos... Um escambal de “beleza” mesmo. Difícil isso hoje. Prefiro nem comentar. Mas se queres mesmo ser um voluntário “pagante”, preencha a ficha, leia as normas, as leis e observe bem se não tem letrinhas miúdas (ou tem?). Se tiver não esqueça, o PROCON pode ajudar. Risos. Depois vais receber um “Tutor ou assessor pessoal” Será o responsável pelo seu desenvolvimento. (que luxo! não tínhamos isto no passado). Ele vai lhe orientar, pois aprendeu em um curso tim tim por tim tim. Cuidado com ele. Pode querer vir a ser seu dono e dirigir seu destino Escoteiro. Brincando. Nada disto. Todos eles são gente boa.
                 De muitos tutores e assessores que vejo atuando a maioria é Diretor Técnico. Afinal não temos tanta gente por aí “dando sopa” para tomar conta de “marmanjos” escoteiros. Um belo dia você vai amarrar a ponta do lenço, pode ser com uma camiseta do grupo, ou pode ser sem camisa, tanto faz e já está promessado. Brincadeira. Sei que não é assim em muitos grupos. Mas tem tantos amarrando o lenço, sem uniforme, um belo chapéu australiano, um lindo tênis branco, uma bermuda amarela... Escoteiros avante! Rataplã!
                  Acampar? Deus me livre. Não tem o pedido de autorização para o Comissário do distrito? E se for sair do seu Estado de origem, já pediu autorização dos estados onde vai passar? E fora do Brasil? Isto deve ser feito em quatro vias. Uma para o grupo, uma para o distrito uma para a região e uma para a direção nacional. Se possível com firma reconhecida! E depois? Uma autorização por escrito dos pais. Também com firma reconhecida. E tome cuidado. Se houver um gritinho mais alto do chefe, os pais podem processá-lo. Se um pai for advogado é melhor não acampar mesmo. Fique em casa no Facebook que vai ganhar muito mais. Risos.
                Depois, depois, é fazer centenas de processos. Haja papel e tempo para Liz de Ouro, para Escoteiro da Pátria, para Insígnia de BP, para Condecorações, Para os cordões de eficiência, para, para, para... Melhor contratar um contador para isso. Nunca vi tantos processos e ainda dizem que o escoteiro tem uma só palavra. Mas enfim, isso é a modernidade. Cada dia recebendo novas normas, novos programas. – “A partir desta data, fica determinado que a determinação anterior não vai determinar mais nada!”.
                 Prefiro ficar em casa. Já não posso mais andar direito mesmo. Falar então? E olhem, meus olhos se confundem quando leio tantas normas, leis, decretos, regras, artigos, parágrafos... Isso é um escambal. No bom sentido.  Mas enfim, sempre me lembram de que o mundo é outro. Deve ser. Estou aqui no computador, no Facebook. Não existia antes. Mas não será que antes eu era mais feliz e não sabia?

"A verdade é que muita gente cria regras para não ter de tomar decisões." 
 (Mike Krzyzewski).

"Aprenda bem as regras e depois as esqueça." (Matsuô Bashô).

domingo, 19 de agosto de 2012

As crônicas de um Chefe Escoteiro. Quando setembro vier.



As crônicas de um Chefe Escoteiro.

Quando setembro vier.

         Setembro vem aí, um mês calmo, mês que gosto de sentar na varanda e me lembrar do passado. Assim é setembro. Todos os tempos, todos os períodos são bons enquanto vivemos. Pode ser no passado ou presente. Podemos fazer diferente, igual e isto não é importante. O escotismo é único e mesmo querendo que outros passassem pelo que muitos antigos escoteiros passaram sei que é impossível. Lembro que era um tempo de ventos amigáveis, sem as atribulações de hoje. Podíamos sair por aí sem as preocupações que acometem a esta era moderna. Ainda bem que a promessa, as formaturas e o sistema de patrulhas mal ou bem se mantêm e isto é bom. O que não mudou são os sorrisos. Os mesmo ontem e hoje. Adoro-os. Os meninos e as meninas nos fazem rejuvenescer. De vez em quando converso com um e outro e vejo que eles também têm histórias para contar. Formidável. A chama ainda não se apagou e acho que não irá se apagar nunca.
        Hoje vejo que muitos se complicam para fazerem um programa. Nas mãos dos chefes. Antes não. Em mãos dos escoteiros. Claro, hoje não seria possível dizer a minha mãe e meu pai que iria acampar em Santa Maria de bicicleta. 250 quilômetros ida e mais 250 quilômetros volta. Oito dias. Qual Chefe vai? Nenhum! Qualquer pai de hoje cairia da cadeira se ouvisse isto. E se dissesse que conseguimos passagens gratuitas até Caparaó de trem. Pai, vamos aproveitar as férias. Serão só dez dias. Sabia pai que Caparaó significa águas cristalinas que rolam da serra? Sabia pai que o Pico da Bandeira se chama assim porque o Imperador Pedro II mandou colocar uma bandeira em seu cume? Sabia pai que A serra do Caparaó, além do pico da Bandeira, tem ainda o Pico do Cruzeiro, o Pico do Calçado, O Morro da Cruz do Negro, o Pico da Pedra roxa, o Pico dos Cabritos ou do Tesouro, o Pico do Tesourinha e ainda a Pedra Menina?
       Vai ser difícil qualquer pai entender hoje. E quem vai com voces? Ninguém pai. Somos Sênior e o senhor sabe, tropa Sênior, Sênior é, é que é bacana! Risos. Não cantávamos assim naquela época. Mas e o pai de hoje? Olhos esbugalhados, pensando, que diabos este escotismo pensa que é? E se ele nos visse no campo cortando madeira. “MADEIRA!” gritávamos. E Lá ia a tora caindo. Hoje não pode. Mas naquela época? Florestas enormes. Entrávamos nela como se estivéssemos passeando no “foot” de nossa cidade. (foot, praça onde aos sábados e domingos a noite ficávamos ali a paquerar as lindas meninas). De dia ou de noite varávamos trilhas, matas, atravessávamos rios, e quando desse sono era só deitar na relva, na pedra ou em qualquer lugar e dormir. Hoje? Impossível.
         Já pensou? Um Chefe no nosso campo dando “pitacos”? Nem pensar. Bastava um sisal ou um cipó a 30 cms do chão e ninguém passava. Todos sabiam que deviam ir na entrada onde existia o pórtico bater palma e pedir licença. Afinal era nossa casa e não a casa da “mãe Joana!”. Chefe, você ensinou ao nosso Monitor, deixe a patrulha fazer, por favor! Vá para sua barraca, faça lá suas pioneirias, sua refeição. Quem sabe hoje à tarde quando da apresentação do jantar pronto o convidamos?
         Setembro vai chegar e não vai demorar em ir embora. Não dá mais. Agora precisamos tomar cuidado. A marginalidade. Minha prova de jornada? Hoje poucos fazem. Pai, vamos eu e o Israel fazer uma prova de jornada. Só nós dois. Serão só cinco dias. Vamos descer o Rio Boitanga de jangada que nós mesmos faremos e só levaremos sal e óleo. Serão pouco mais de cento e vinte quilômetros de corredeiras até a ilha dos Aimorés. Lá vamos conseguir comida! O que diria o pai hoje com este pedido? Só rindo. Está louco? Nem pense. Esqueça! Vou tirar você do escotismo.
        Setembro, tão próximo e vai passar tão rápido. Ainda acredito que podemos fazer muito do que nós os antigos escoteiros fizemos. Não sei. Alguns chefes me dizem que fazem. Acredito. Mas rezo para que os chefes lembrem que seus escoteiros precisam de liberdade. Nem que seja vigiada, mas precisam. Lembro-me sempre do passado e das palavras de Kipling e até hoje penso que o escotismo tem ainda muito que aprender:

  “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido...”.
KIPLING

sábado, 18 de agosto de 2012

Muito além do por do sol.



Muito além do por do sol.

           Escotismo! É meu amigo, ele tem uma força que dobra o mais valente com seu método, com sua filosofia, com sua promessa, com o sabor de aventura, onde se pode ir onde jamais se sonhou. Quem não se encantou um dia ao cantar o Rataplã? Quem não sorriu um dia ao ver o espetáculo do amanhecer em uma barraca na orla de uma floresta? E porque não dizer de sentir a fumaça do fogão, o cheiro de uma refeição inconfundível, os olhos vidrados na panela mágica, se coloca um galho aqui, uma lenha ali, ver o aguadeiro levar a água que dará a todos um manjar dos deuses? Escotismo marca. É como o ferro em brasa que escreve em nossos corações um amor difícil de explicar. Um caminho de alegrias e felicidade.
           Escotismo! O que você tem meu amigo? Que força é essa que nos atrai? Que nos hipnotiza e nos faz correr atrás de você, de peito aberto em busca de aventuras? A cada dia se vai descobrindo um lindo e belo caminho a seguir e mais e mais este escotismo vai fincando raízes que nunca nos abandonarão. Rimos das coisas simples do dia a dia, como lavar uma panela lá no riacho, mas tem cena mais linda? Quando você fez isto? Nunca eu sei. Nunca você cortou um bambu e quando você olhou para ele o viu dizendo: - Serei seu banco, sua cama, serei aqui para você sua casa seu lar. Simples não? Mas você amou tudo aquilo.
          Falar que você viu o nascer e o por do sol não vale. Já foi falado. Falar que você pode ver as estrelas no céu também não vale. Já foi visto. Mas dizem que a primeira vez é que a gente nunca esquece isto vale. E todos nós sempre tivemos nossa primeira vez. Dormir em uma barraca, junto com amigos que brincam que contam piadas e acordar de madrugada sem o cobertor, pois lá não tem a mamãe para olhar você. Acordar e ver o sol entrando na barraca. Sair, esfregar os olhos e todos a correr para tantas aventuras que virão.  Mas preste atenção em coisas simples, que um dia vai fazer você recordar e pensar que agora elas se tornarão tão importantes em sua vida que sua mente. Quando se lembrar quem sabe, terás um pouco de nostalgia, de saudade, que às vezes machuca e então você quer voltar no tempo e ir lá onde esteve.
         Um jogo, um abraço, um Monitor alegre, amigos do peito na Patrulha que lhe dão orgulho e quando juntos dão o grito tem uma coisa que fica mexendo com você. Você não sabe se ri se chora se abraça todo mundo, mas não para por aí. E quando senta a moda índia em volta de uma fogueira, já noite alta, e as chamas insistem em subir aos céus, iluminando as árvores, aquela coruja que olha a todos com surpresa, o rosto de seus amigos, os olhos que brilham como se ali estivesse à fogueira dos sonhos e então você pensa - Que lindo isto! Mas não param suas surpresas, todos cantam canções lindas, brincam ao redor do fogo e aos poucos você descobre que é a pessoa mais feliz do mundo!
       E quando chega a hora de apagar a fogueira, de voltar a sua barraca, de dar um belo sorriso quando for dormir, eis que todos dão as mãos, entrelaçadas, ainda ao redor do calor do fogo, dizendo que não irão se separar nunca, que não é mais que um até logo, um adeus que não existe, pois é apenas um até breve e você quase chora. E todos apertam mais e mais as mãos e dizem que um dia de novo irão se encontrar aqui ou em outro fogo. Você quando ouve e canta que o senhor protege e abençoa a todos, você não sabe mesmo se vai chorar. Chorar? E quem não chora? Alí não tem valentes assim. Não dá para segurar. E seus olhos ficam marejados. Lagrimas irão cair. Deixe cair. É bom. Ajuda a amar mais e mais este movimento incrível!
       Alem do por do sol, além do arco íris existem sempre alguns escoteiros ou escoteiras que lá estão acampando. Estão a viver um mundo incrível. Uma aventura sem igual. Irão lembrar que o amor entre eles nada e ninguém vai separar. Vamos deixar o vento soprar, que venha o vendaval, que venha a brisa fria do leste. Que o orvalho caia e molhe a fronte de todos, pois isto é nossa marca que veio para ficar. Deixe que tudo aconteça normalmente. Olhe para o regato, veja uma folha que caiu na correnteza e vai aos poucos sendo levada para mar. Deixe o escotismo entrar em você. Aos poucos. Deixe seus olhos passear nas campinas verdejante, nos peixes saltitantes no rio formoso. Deixe que vejam as flores silvestres que desabrocham, abra os olhos e os ouvidos e veja o beija flor com seu bailado de mestre, a dançar em volta dos papagaios, dos bem-te-vis, dos pardais coloridos. São tantas coisas belas que você vai poder viver e guardar para sempre no seu coração.
         Além do por do sol, além do arco íris, existe um sonho. Real. Simplesmente fantástico. Escoteiros e escoteiras lá estão vivendo uma vida de aventuras. Isto é extraordinário. A montanha azul que lá está, é a casa deles. Vá você também viver o que eles vivem. Vamos! Eles vão receber todos de braços abertos com amor no coração. Pois sabem que alem do por do sol, além do arco íris é ali que eles encontraram a verdadeira felicidade!
       Vamos, coloque sua mochila, desfralde sua bandeira e diga alerta para os que ficaram e grite alto: Avante! Sempre Juntos! Em frente marche! Cante uma bela canção e parta com eles em busca dos seus sonhos. Rataplã do arrebol, escoteiros vede a luz! Rataplã olhai o sol, de um Brasil que nos conduz!          

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

As crônicas do Chefe Escoteiro. (lendas para fogo de conselho) A ardilosa Acará do riacho Vermelho.



As crônicas do Chefe Escoteiro.
(lendas para fogo de conselho)
A ardilosa Acará do riacho Vermelho.

            Podem dizer que é invenção. Podem dizer o que quiserem. Não me importo, juro pela alma do Cavalo Baio do Seu Chico das Mercês que é verdade. Afinal tenho mais três testemunhas (todas já se foram para ao grande acampamento). Quatro experientes escoteiros sendo enganados por um peixe? Fiquei deveras preocupado com o acontecido. Isto nunca aconteceu antes. Como uma simples pescaria um peixinho “mixuruca” deu um baile em quatro primeiras classes? E sem me gabar, me considerava um grande pescador. No Rio Doce pesquei todo tipo de peixe. Era “bamba” na pesca do Timburé. O peixe que não era para qualquer um pescar. Um dia até peguei um com as mãos quando mergulhava num remanso lá pelos lados de Derribadinha.
           Mas vamos contar o que aconteceu. Acredite quem quiser. Nosso Chefe era muito amigo do Seu Chico das Mercês. Ele tinha um sitiozinho lá pelos lados de Malacacheta. Assim ele dizia. Um sitiozinho, mas querem saber? A cavalo precisava de mais de cinco dias para percorrer toda sua divisa com outras fazendas. Sempre acampávamos lá. Não era longe e ele era um amigo do peito dos escoteiros. O melhor, a mata era linda e sumia de vista. Cinco córregos e ainda o Rio Vertente cruzava de norte a sul em suas terras. Um local perfeito. Nada que menos de duas horas nas nossas bicicletas não resolvesse a viagem (parece que eram duas léguas de distancia, mais ou menos doze quilômetros).
          Férias de janeiro. Grupo fechado em férias, mas alguns da Patrulha Lobo só reclamavam de não fazer nada. Porque não acampar? Melhor ainda, vamos levar só sal e óleo e lá nos viramos? Desafio era conosco. Éramos quatro primeiras classes. Experiência era o que não nos faltavam. Primeiro dia, montamos uma cabana que quebrava o galho para os quatro dormirem. Chegamos às três da tarde. Seu Chico sempre rindo. Era uma festa quando íamos. – Jantem comigo hoje, disse. Obrigado Seu Chico, mas sabe como é. Pretendemos acampar lá próximo ao Córrego Vermelho e não é perto. - Entendo ele disse. Mas cuidado. Não contem com as acarás de lá. São danadas de espertas. Todos riram. Peixe esperto? Só mesmo o seu Chico para dizer isto.
         Lá pelas quatro achei um local com muita minhoca “puladeira”. Perfeito. Era a melhor para a ocasião. Cortamos eu e o Fumanchú duas varas de bambus e em minutos tínhamos tudo preparado. Romildo e Israel ficaram no campo fazendo uma mesa. Achamos um belo remanso. Água cristalina. Lá no fundo uma bela de uma Acará. Enorme. Rabo vermelho. Só ela seria um jantar perfeito. Joguei meu anzol e aproximei de sua boca. Ela deu uma nadada para trás. Fui mais próximo e ela escondeu em uma galhada. Perdi meu anzol. Fumanchú tentou e nada. Tinha reservas. De novo ela andando de ré. Resolveu pular na água e sumia. Aparecia em outro remanso bem abaixo. Corríamos até lá e nada. A maldita sumia e aparecia em outro remanso. Já ia escurecer e não tínhamos pegado nada. Caramba! E as traíras? E os lambaris? Só aquela maldita Acará?
          Não podíamos desistir. A fome ia chegar e comer capim? Programa de índio. Foi então que resolvemos fingir que íamos embora. Voltamos rastejando pé ante pé e vimos o inusitado. Não era uma Acará, eram mais de vinte. Elas fingiam ser uma só. Impossível? Já disse, juro pela alma do Cavalo Baio do Seu Chico. Combinei com Fumanchú. Você joga a linha mais no meio e eu no inicio do remanso. Vamos nos encontrar bem devagar. Pelo menos uma vaia morder. Sabem o que elas fizeram? Uma fila indiana como se estivessem a escrever a palavra “otários” no fundo do remanso. Não acreditei. E elas então ficaram juntas e vieram até a borda da água e fizeram biquinhos como estar dando risadas.
          Voltamos sem nada. Uma noite sem comer não mata ninguém. Na volta achei um pé de banana maçã. Quebrou o galho. Nossa pescaria mudou de rumo. Agora íamos até o rio Vertente. Lá não teve problemas. Uma pescaria das boas. De vez em quando ia até o remanso e ficava olhando as Acarás. Elas sempre vinham à tona e abriam sua boquinha como a dizer: - Otários! Acho que esta foi minha melhor história. Ninguém vai acreditar, mas fazer o que? Contei isto para muitos escoteiros. Todos que foram lá foram tapeados pelas Acarás. Na tropa e nos Seniores não houve quem não tentasse. Pela primeira vez, a Patrulha Lobo foi enganada por um bando de Acarás. Um peixinho que todos dizem ser mansos e agora eu mudei de opinião.
          E quem quiser acreditar tudo bem, quem não quiser deixem a história para contar a noite em um Fogo de Conselho. Mas não se esqueçam de dizer a todos que eu juro que é verdade. Pela alma do Cavalo Baio do Seu Chico das Mercês.
Nota – O Cavalo Baio nunca existiu. Era uma lenda que Seu Chico contava e ninguém acreditava!
E quem quiser que conte outra.