Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Olimpíadas Escoteiras inesquecíveis.


Conversa ao pé do fogo.
Olimpíadas Escoteiras inesquecíveis.

             Era o meu quarto acampamento. Tão logo passei para a tropa de escoteiros as atividades aventureiras ao ar livre se multiplicaram. Conhecia bem a Mata do Quati, um local excelente para acampar, com varias aguadas, e o melhor, uma bela cachoeira que hoje deu lugar a uma pequena hidroelétrica que abastece satisfatoriamente a cidade onde morávamos. Lembro bem na época da piracema, onde nos divertíamos em pegar peixes com as mãos, que se multiplicavam na subida complexa de altos e baixos, rindo, brincando entre as pedras, com aquela nevoa a tomar conta de toda orla da cachoeira. Sempre que ali acampávamos não faltavam as fritadas de lambaris, piaus, corvinas e tantos outros peixes, feitas pelo nosso cozinheiro da patrulha. Um expert em cozinha de campo.

Podíamos escolher a vontade onde montar o nosso campo, pois beirando o Rio do Morcego, a mata deixava belas clareiras, mas a preferida era próxima da cachoeira, claro sem considerar o Córrego do Marmelo, que desembocava no rio, formando um remanso onde nos banhávamos de manhã e a tarde. As patrulhas muitas vezes ficavam até 200 ou 300 metros distantes uma da outra. O barulho diabólico e magnífico da queda d’água era como se fosse uma melodia para os nossos ouvidos e a noite, o som entre as arvores trazia toadas cantigas que a plenos pulmões desafiávamos as demais patrulhas, num quebra coco frenético.

Não tenho certeza, mas a cachoeira do Sonho não era muito conhecida da comunidade local. Pouco visitada. Talvez pela localização, afastada da cidade por mais de 10 quilômetros e precisávamos andar mais quatro mata adentro. Através de pequena trilha chegávamos até ela. A queda d’água com mais de 20 metros de altura, com aproximadamente 50 de extensão, caindo de um só salto, formava um grande lago de águas revoltas todo coberto por uma névoa algumas vezes densa outras vezes não. Lembro que sempre quando acampávamos ali, não sei se por tradições criadas por outras patrulhas mais antigas que devem ter iniciado, no penúltimo dia ininterruptamente, realizávamos nossas olimpíadas, o que na época chamávamos de competição escoteira, onde individualmente e sem representar as patrulhas, fazíamos diversas provas bem diversa das hoje realizadas.

Eu não era bom em todas. Mas a prova do macaco sempre me deixava ou em primeiro ou segundo. Na prova da machadinha e da faca, também não era tão ruim. Não era bom na prova dos nós, da escalada, da travessia e da rodada dos pneus, fora o medo do salto na cachoeira amarrado em uma bóia. Quando os seniores resolveram participar e foram aceitos, logo a alcatéia com a aprovação do Akelá foi incluída na grande olimpíada anual com atividades próprias. Foi necessário fazer um regulamento, onde os lobinhos, escoteiros e seniores pudessem participar de acordo com a idade, peso e altura. Na época não entendi bem, mas confiávamos nos nossos chefes e nunca em tempo algum discordamos de uma ou outra vitória de alguém não merecida. Escolhíamos as provas que iríamos realizar, e pelo tempo não podiam ser mais do que três ou quatro.

Toda a chefia e o Chefe do Grupo sempre estavam presentes neste dia. Eram os juízes e quem nos entregava os prêmios, tais como uma faca nova, um canivete escoteiro, um chapéu Prada de abas largas, um lenço de outro grupo, um distintivo qualquer, ou mesmo medalhas simples, bronze, prata ou ouro, como a dizer que éramos os mais perfeitos naquela contenda anual. A data programada para esta atividade escoteira era aguardada com ansiedade. Não tive muitas vitórias e meus prêmios eram raros, mas a diversão era garantida. O local, a Mata do Quati abarcava todos os seus predicados, satisfazendo as necessidades técnicas, mateiras e como tradição não podia ser alterada. Ali começou e ali teria o seu término.

Não sei quando iniciou a participação dos Grupos Escoteiros das cidades vizinhas. Não lembro bem, mas acho que a primeira idéia foi dada quando acampamos na cidade do minério, onde se localizava uma grande ferrovia que extraia minério de ferro e manganês em grandes quantidades e em enormes comboios de vagões puxados por ate cinco locomotivas eram transportadas até o porto, há mais de 800 quilômetros de distancia, situado em um estado vizinho. A Ferrovia sempre nos oferecia um vagão especial quando acampávamos em áreas próximas da estrada de ferro, (amabilidade cedida devido a um ex-escoteiro atual diretor de operações) a ponto de parar fora dos locais programados para descer. Isto em toda a sua extensão bastando planejar com antecedência. Ele, o nosso vagão era o ultimo do comboio.

Foi em um verão quando lá acampamos (na cidade do minério), e junto com o grupo escoteiro local muito amigo de todos nós, que participamos de uma olimpíada pela primeira vez. Sempre fazíamos acampamentos em conjunto, mas com atividades próprias de campismo e confraternização. De surpresa nos convidaram para participar de uma olimpíada no ginásio local, onde se conheceria o melhor corredor, nadador, saltador e outras modalidades que pouco conhecíamos. Claro que aceitamos, mas foi uma derrocada sem tamanho. No encerramento conseguimos acho eu umas oito medalhas contra mais de 50 do grupo da cidade.

Antes de retornarmos, reunimos todos os monitores inclusive os seniores e um de nós que não lembro quem, achou que aquela derrota tinha que ser revertida. Deu a idéia para que convidássemos o Grupo Escoteiro da Cidade do minério para participar da nossa competição anual, e daríamos a eles oportunidades para se preparem, pois não deram esse gosto para nós. Claro que aceitaram. E até que não foi ruim. Reunir dois grupos, mais de 50 escoteiros, 25 seniores e 40 lobinhos na Mata do Quati foram fantásticos. As competições foram realizadas com companheirismo e respeito. Era ponto de honra os anfitriões fornecerem toda a alimentação aos visitantes. Isto sempre acontecia em qualquer cidade que possuía um Grupo Escoteiro.

Na primeira Olimpíada executadas em conjunto, demos um verdadeiro banho, conquistando mais de 70% dos prêmios. No entanto, isto foi mudando através dos tempos. Os visitantes mais e mais se preparavam e não eram considerados uns pata tenras como dizíamos. Quando mudei da cidade em fins de 63, havia mais de três grupos que participavam se tornando uma tradição distrital. Não sei atualmente se ainda persiste, mas as competições escoteiras realizadas e consideradas hoje como olimpíadas olímpicas não nos traziam como as de antes, lembranças vivas de nossa vivencia mateira e técnicas escoteiras forjando aventuras reais. Acredito que podem existir vários grupos que realizam ou participaram de tal atividade. Pode ser que muitos grupos em nosso país tenham conhecimento de tal intensidade técnica e mateira. E isto é extraordinário. Eram marcantes e facilitavam sobremaneira o desenvolvimento nas provas de classe.

Algumas provas apostilo abaixo para exemplificar o que fazíamos e outras tantas não são aqui descritas para não atropelar novas idéias que surgirem com a leitura deste artigo:

- Subir em menos de um minuto em uma árvore de até 8 metros, descer pelo volta do salteador em 15 segundos. Não era para qualquer um;

- Fazer 25 nós escoteiros ou de marinheiros em seis minutos. Até que era fácil;

- Nadar de um lado ao outro do Rio do Morcego, (60 metros) no tempo máximo de 10 minutos com águas revoltas. Era um perigo constante;

- Descer o rio e cair na parte mais baixa da cachoeira preso a uma câmara de ar. Adrenalina pura;

- Receber uma caneca média, um pouco de pó, açúcar e três palitos de fósforos para fazer um café em 8 minutos sem ter nada preparado. Não era tão difícil;

- Participar da prova da faca e machadinha, com lançamentos a distancia e acertar na melancia ou mamão do campo, não era tarefa simples. Só para os mais treinados;

- Cortar uma tora de madeira de mais ou menos seis polegadas com um facão em menos de 3 minutos. Considerado tarefa fácil;

- Ir e voltar numa falsa baiana de mais ou menos 6 metros de comprimento, por cima do Córrego do Marmelo em dois minutos. Sorrisos constantes dos primeiras classes;

- Transmitir sem ajuda de um “espelho” por semáforas 30 ou 40 letras por minuto. Só para bons sinaleiros;

- Construir uma armadilha para caça de animais ou pássaros que funcionasse em menos de 10 minutos. Prova considerada relativamente simples;

- Montar uma barraca de olhos vendados em 4 minutos. Facílimo para os escoteiros pata tenras;

- percorrer uma trilha de 300 metros em semicírculo com sinais de pistas simples em 12 minutos. Para lobinhos. Os escoteiros percorriam em terreno pedregoso tentando achar pegadas feitas com botinas militar do chefe Do Grupo;

- Encontrar pelo cheiro uma onça pintada, com os olhos vendados. (a onça era representada por um cão, muito amigo nosso e colocávamos amarrado em seu corpo sacolinhas de alho picado com gordura vegetal). Só mesmo para os velhos mateiros;

- Preparar um sinal de fumaça recebendo dois palitos de fósforos com fogo verde e transmitir um S.O.S. em 4 minutos. Não era muito simples;

- Carregar nos ombros a moda escoteira outro escoteiro da sua altura e peso por 200 metros em 5 minutos. Tarefa para os melhores corredores;

- Descobrir dentre oito feridos espalhados em um raio de 150 metros, quais as tipóias corretas em 2 minutos. “Beleza”;

- Fazer uma pequena cabana para abrigo de dois escoteiros com mãos limpas só com folhas e galhos secos em 15 minutos. Muitos faziam em 06 minutos;

- Carregar um peso ou sacos de pedras de aproximadamente 50% do seu peso, sem usar as mãos atados com uma grande tipóia presa à cabeça (usávamos um pequeno lençol) em uma distancia de 100 metros em 05 minutos. Considerado prova simples;

- Discursar como um palestrante, alto e em bom tom sem interrupção, a Lei Escoteira do último ao primeiro artigo. Ou de dois em dois numero par, terminando em numero impar. Sem erro era de uma bondade só, afinal saber a Lei era obrigação;

- Ficar amarrado a uma árvore em uma distancia de 12 metros, para servir de alvo onde dois escoteiros atirariam 20 tomates maduros, distantes mais ou menos 20 metros em uma lata acima da cabeça. Tempo de duração – 5 minutos. Uma prova de coragem;

- Mergulhar em um remanso, com um ou dois metros de profundidade e ficar por 05 minutos usando um canudinho do galho (pé) da abóbora ou do mamão. Uma festa na primeira vez;

- Montar uma fogueira de Fogo do Conselho, para duração de hora e meia, não necessitando de manutenção, em 20 minutos. Só mesmo para aqueles com a especialidade de acampador;

- Mostrar na prática como é o passo escoteiro, percurso de Giwell em uma área de mata nativa por uma hora. Na Mata do Quati poucos conseguiam;

- Receber um recado verbal no inicio das atividades e ao final explicitar ao chefe o que foi falado sem esquecer nenhuma palavra. Poucos conseguiam;

Durante uma jornada de 20 minutos na Mata do Quati, identificar pelo menos seis pássaros diferentes e no retorno desenhar dois deles e imitar pelo menos três com seus cantos na floresta. Dificílimo;

Com o passar dos anos, outras provas foram acrescentadas. Sempre provas técnicas treinadas e aprendidas na arte de aprender a fazer fazendo. Muitas foram esquecidas e substituídas, pois não tinham mais o sabor da aventura ou por repetirem sempre os mesmos ganhadores. Todas elas, criadas por nós tinham seu encanto pessoal. A recompensa pelo primeiro lugar incluía o gosto da vitória. Sempre foram as patrulhas que deixavam tudo preparado quando da realização das Olimpíadas. Os escotistas eram os observadores e aqueles que serviam de juiz. Não gostávamos de receber tudo pronto, pois isto nada significava em uma avaliação de nossa capacidade técnica.   

O tempo passou. Vi outro dia grupos escoteiros participando de olimpíadas programadas para eles, uma copia dos métodos olímpicos hoje realizados. Pelas fotos vi que estavam compartilhando com alegria e júbilo. Participei na década de 80/90 de olimpíadas assim programadas, diferentes daquelas do passado, no distrito em que atuava. A participação era maciça e muito bem vista por todos os participantes. Mas sempre me lembro do Rio do Morcego, da Mata do Quati, das grandes competições lá acontecidas. Do barulho da cachoeira do Sonho que sussurravam sons repicantes e harmoniosos aos nossos ouvidos. Foram tempos que nunca serão esquecidos.  Soube que um grande aeroporto foi construído ali. Um Alto Forno siderúrgico que se alimenta com carvão vegetal também. Acredito que a mata se foi. Quem sabe substituída por uma floresta de eucaliptos.

O rio a cachoeira represada formando um grande lago e o córrego devem ainda existir. Espero que não estejam poluídos. Todas as lembranças são substituídas pelo presente e não podemos fugir da realidade. Acredito que ainda existem outros rios, matas e córregos sem os festivos temas que permaneceram na modernidade da poluição universal. Faz parte dos novos tempos. O escotismo não pode e não deve aceitar tal conjuntura. Acredito e quanto a isto não tenho nenhuma dúvida, que existe um local parecido com o Rio do Morcego e o Córrego do Marmelo em qualquer lugar deste nosso imenso território, onde grandes atividades escoteiras acontecem ou estão sendo desenvolvidas. Seja em forma de competições ou de olimpíadas, mas utilizando as técnicas escoteiras hoje tão esquecidas.


Quem sabe, muitos como eu poderão quando envelhecer, lembrar que o escotismo foi e sempre será visto como uma grande aventura. Cheio de surpresas e uma vida mateira magnífica, como uma grande escola da vida, que deu a mim e a todos que participam ou participaram deste notável programa, um orgulho próprio, sem soberba, deixando um rastro de troféus fantásticos, conquistados com o passar dos anos, que ficarão marcados para sempre em nossa memória.


quarta-feira, 14 de maio de 2014

O Chefe Pata Tenra, Os escoteiros chorões, o tatú-bola e a cascavel.


Lambanças. Quem não as tem?
O Chefe Pata Tenra, Os escoteiros chorões, o tatú-bola e a cascavel.

                 Nem sei se são lambanças. Quem sabe fatos reais de um tempo que passou. Ninguém passa pela vida sem passar por elas. Acontecem com qualquer um. Tive muitas lambanças na vida. Gosto de lembrar-me delas. São divertidas. Fazem-me bem. Cada passo cada jornada seja escoteiramente ou então na lida diária lá estão elas. Prontas para nos tirar do sério. Já contei aqui várias. Mais duas para ficarem na lembrança como verdade ou mentira. Acreditem se quiserem. Estas são duas simples. Nada espantoso. Risos. Não importa. Vamos lá:

- Primeira - 1979 - Acampamento de três tropas, grupos diferentes. Não era distrital. Chefes amigos acampando. Cinco dias. Local excelente. Seis chefes. Todas as tropas com quatro patrulhas completas, ou melhor, algumas com sete. Chegamos cedo. Dez horas. Combinado lanche para o almoço para dar tempo de montagem do campo. Dizem que é tipo Giwell, não sei. Me parece tipo Net. Não gosto. Acho que a Net debocha das outras. Para não atrapalhar, não fizemos a inspeção da tarde. Cinco e meia já no lusco fusco chamada dos intendentes. Viveres para o jantar. Todos vieram. Simples. Um arroz, linguiça frita, batatas cozidas com chuchu. Seis e meia ouvimos as primeiras patrulhas dando o grito. Jantar pronto. Monitores nos procurando no campo de chefia nos convidando e dizendo que o jantar estava pronto. Claro, agradecemos. Fizemos nosso próprio jantar.

Oito horas da noite. Faltavam ainda quatro patrulhas. Todas de um só grupo. Melhor ir lá ver. Em cada campo só barracas montadas e muito mal armadas. Fogão? Necas! Escoteiros? Todos chorando em um canto de fome e medo e pedindo mamãe. Eureka! Só jovenzinhos de dez/onze anos. – Montei a tropa agora, disse o Chefe deles. Resolvemos nivelar a idade, assim todos teriam as mesmas condições. Não preparou os Monitores? - Eles me garantiram que dariam conta. Humm! Se tivéssemos celular naquela época o acampamento estaria cheio de mamães para buscar os filhos. Eu e outro Chefe de outra tropa chamamos nossos Monitores. Ajudem. Façam o que puderem. Passem o comando para o sub.monitor. Tempo livre. Fazer atividade noturna só com todos. Os pata tenras não iriam aguentar. Em nenhum momento os chefes interferiram.

Dez e meia, os chorões jantando. Vieram todos de todas as patrulhas, abraços, ajuda, ensinando pioneiras e as canções zumbindo nos campos. Montaram com eles os fogões suspenso, mesas, toldos e engenhocas. Eles adorando e sorrindo, trabalhando se sentindo homens. Onze e meia. Todos dormindo. Dia seguinte, um belo de um acampamento. Uma amizade sem fim. Os Pata Tenras sorrindo. Adorando o acampamento. Ultimo dia, abraços, apertos de mão, choro, mas desta vez de saudades. O Chefe aprendeu e não interferiu em nenhum momento e nenhum de nós também. Aprender a fazer fazendo afinal eles não estão ali para isto? Pois é. A vida nos ensina e dá muitas voltas. Quem os viu antes e agora! Coisas da vida.

- Segunda – 1952 – Acampamento em Águas Turvas. Dois dias. Só os Raposas. Chegamos sábado bem cedo. Nada de novo. Sabíamos o que fazer. Sete escoteiros. Três Primeira Classe e três segunda. Só eu de Pata Tenra. Duas horas da tarde. Tãozinho correndo – Vi um Tatu-Bola! - Fumanchú vibrou. Daria um ótimo ensopado com batatas. Fumanchú era o máximo. O melhor cozinheiro que já vi. Lá fui eu o Romildo Monitor, o Israel Sub e o Tãozinho intendente. Não é fácil pegar um tatu. Eles já pegaram antes. Buraco fundo. Enfiar a mão? Nunca como dizem por aí pode ter uma cascavel. Vamos usar o truque da fumaça. Galhos secos na porta, fogo muitas folhas verdes molhadas. Uma fumaceira do inferno. É só fechar a porta do buraco. O tatu sai correndo. Dez minutos nada. Vinte. Chocalho de Cascavel. E agora? O tatu se enroscou. A cascavel não podia morder. Só vi o buraco sendo aberto pela cascavel.

Pernas para quem vos quer. De cascavel os Escoteiros querem distância! Deixe para amanhã disse o monitor. Voltaremos e matamos a cascavel e pegamos o tatu. O danado não vai escapar! Dormimos. Um bom Fogo de Conselho só com uma patrulha. Bom demais. Adoro esta vida de Escoteiro. Dei risadas, mas de vez em quando ouvia chocalho de cascavel. Os patrulheiros também ouviram. Melhor fazer um fogo alto em frente às duas barracas de duas lonas. Dormimos. Dia seguinte espreguiçando, saí da barraca. Putz Grila! Oito Cascavéis em volta. Dormiram ali esperando a gente acordar. Todos levantaram assustados. Romildo gritou! Por aqui. Corram o que puderem. Fomos para o lago entramos na água e ficamos lá até duas da tarde. Voltamos. Campo vazio. Desmontar acampamento. Vamos para a fazenda do Linhares.  Em fila partimos chocalhos na mata atrás de nós. Saímos na Rio Bahia. Avistamos quatro delas na beira da estrada a nos espiar. Uma carona em um caminhão caçamba até nossa cidade.


Nunca mais voltamos em Aguas Turvas. Não gosto de cascavéis até hoje. Sempre que vejo uma me dá arrepio. Uma mordida, quatro horas para morrer. Dependendo dela nem soro resolve. E naquela época soro? Melhor uma Surucucu. Não corre. Para e enfrenta. Se você corre ela fica. Cascavel não. Corre atrás da gente. Enfim, quem já acampou já viu cobras sabe como é. Sempre correndo da gente. Quase todas fogem quando fazemos barulho no mato, mas quer saber? Nunca confiem em cascavéis! 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Uniformes. Vale a pena usá-los?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Uniformes. Vale a pena usá-los?

         Uma vez li que o uniforme é um item prático para uma organização. Considerando que as roupas são caras e desgastam, e claro pensando que nossa organização não é um desfile de modas, usar o uniforme evita situações constrangedoras com roupas sujas e rasgadas. Será que é só isto mesmo? Dizem que o uniforme identifica a pessoa que o está usando e sua organização. Dizem ainda que mostra se somos organizados, se somos disciplinados e que “vestimos a camisa” da nossa organização. Envergonhar do uniforme é não ser merecer em participar do que escolhemos como meta de vida. Ou nos identificamos como membro da equipe mostrando que fazemos parte ou então o melhor é desistirmos. Pensando que somos Escoteiros e somos conhecidos por um uniforme mesmo que ele tenha sido desmembrado em dois ou mais ainda é este que nos identifica.

         No entanto noto que muitos não levam a sério a uniformização. De uns tempos pra cá, a liberdade tomou conta de nossa associação. Cada grupo (sem generalizar) usava ou ainda usa o que o Chefe se mostrou exemplo. Ele mesmo costuma dizer que todos devem portar uma camiseta, do grupo é claro, com cores diferentes entre os demais e muitas vezes esta camiseta representa o Grupo Escoteiro o que não é verdade. Assim o costume se tornou inglório para nossa apresentação a sociedade. Algumas vezes inquiri educadamente um ou outro perguntando por que não estão de uniforme naquela atividade aventureira. – Resposta: - Chefe é para não sujar ou gastar! Bom isto. Uma resposta à altura. Mas será mesmo verdade? Gastamos muitas vezes uma quantia que não é pequena para fazermos um uniforme. Se notarmos bem usamos uma vez por semana, por menos de quatro horas. Nos acampamentos a maioria das sessões quase não o usa. Se uma patrulha está a pé ou fazendo uma jornada aventureira, seria deste que disciplinados, um dos mais perfeitos marketing do escotismo. (Um chamariz enorme para os jovens que veem e não participam isto se estivessem bem uniformizados).

           Houve uma época que fazíamos questão de estarmos bem uniformizados. Fazíamos questão de nos mostrar em público não como hoje que tem chefes, pioneiros e seniores dando exemplo de levar em uma sacola ou guardar na sede e vesti-lo lá. Vergonha? Se é isto ele não é merecedor de participar do nosso movimento. Lembro que já lobinho passando para Escoteiro não tive a sorte de fazer a promessa no mesmo dia da passagem (hoje é comum isto). Meu uniforme de Escoteiro só seria usado quando da promessa. Era ponto de honra na tropa. Ninguém vestia peças sem estar devidamente promessado e preparado para vesti-lo. A liberdade tomou conta e hoje é comum um de calça curta, ou a camisa fora da calça, sem o lenço ou até com o lenço, mas sem a promessa. Quem vê aquele jovem na comunidade não entende bem a disciplina e o orgulho de participar de um movimento maravilhoso como o nosso.

              Quando existem normas severas para isto então nossa apresentação em publico se torna respeitosa e somos reconhecidos como um movimento sério e educativo. Se o Grupo conseguiu com que todos os participantes se uniformizassem não existe desculpa para que eles não se apresentem assim. O jovem ou a jovem que teve um inicio dentro de padrões de apresentação, de aceitação das normas e só quando fizerem suas promessas irão vestir o uniforme então ele será motivo de orgulho por toda vida escoteira. Quando o adulto se mostra desleixado, quando ele dá exemplo de “invencionices” de peças ou distintivos e cobertura ele nunca poderá cobrar dos jovens a postura que se espera de um membro Escoteiro.

             Muitas vezes noto que o próprio adulto desconhece as normas ou se faz por desconhecer. Ele é o exemplo e sabe que o que fizer será motivo de copia por todos que estão a sua volta. Lembro com saudades que levávamos a sério a uniformização. A inspeção inicial e final era severa. Nos acampamentos não se aceitava desculpa. Tinhamos que aprender a lavar e passar “a escoteira”. (Dois ou três galhos esticados com as peças durante a secagem).  Lá também nas atividades ao ar livre nunca saímos do campo sem o uniforme. Permitia-se que ficássemos de camiseta nas horas de tempo livre. Eu mesmo mandei de volta para casa jovens que chegavam à sede com o uniforme mal apresentado ou que não fizeram suas promessas. Errado? Não senhor! Ele quando entrou sabia como se portar. A disciplina começa na sede e se ela não existe o jovem não terá nunca o que pretendemos para sua formação.

         Um chapéu de abas largas e retas (aprendíamos com o Monitor como fazer), meias bem postas com listas retas, sapatos engraxados ou tênis preto limpos e nunca sem cor. A camisa e a calça fazíamos questão de nós mesmo passar. A mamãe do lado ensinando. Assim íamos aprendendo a fazer fazendo. Podem dizer que os tempos são outros. Se são estão errados. Estes tempos não estão trazendo então o que sempre sonhamos. Um escotismo respeitado, com uma comunidade participante e acreditando que ali seus filhos iriam aprender a ter civilidade, obediência, disciplina e agindo por sí próprio sem depender sempre dos outros. Tudo é questão de ver em que lado estamos lutando. Do lado do que pretendia Baden-Powell ou do lado do bem querer e fazer o que bem entender em nome dos modernos tempos. Se isto trás resultados eu desconheço.

       Não importa o uniforme que vestimos. Temos que ter orgulho dele em qualquer hora. Ele foi feito para nos representar e isto só nos deve trazer alegria em dizer: - Sou Escoteiro e me orgulho. Quando me disseram que muitos jovens não entravam no escotismo porque achava o caqui ridículo eu fechado em mim mesmo dizia: - Graças a Deus que eles não entraram. Não nos seriam úteis e iriam um dia ou outro mostrar que os Escoteiros não se orgulham da sua organização. Dizem que com a nova vestimenta, mais moderna eles agora iram participar. Que Deus nos ajude para que eles não nos tragam a má impressão que já estamos vendo – Calça curta, comprida, camisa dentro da calça e fora da calça, calçado a escolher, meia branca preta ou qualquer cor. Lenço amarrado na ponta, cobertura a escolher. Espero mesmo que os que forem vestir a vestimenta que se orgulhem do seu uniforme. Só assim um dia poderemos dizer que nossa organização tem tudo para modificar o Brasil!

           Lembremos que levamos dezenas de anos para que a sociedade nos reconhecesse com o uniforme caqui. Agora vamos começar tudo de novo com a vestimenta. Se ela não for bem apresentada ao publico o escotismo vai perder e muito com o que esperamos das autoridades, ou seja, o reconhecimento que somos um movimento sério e disciplinado, de formação e educação de jovens e que a sociedade pode confiar que somos sérios e que investir nos seus filhos no escotismo é um passo enorme para um Brasil grande!

sábado, 10 de maio de 2014

FELIZ DIAS DAS MÃES.


FELIZ DIAS DAS MÃES.

Através da figura de Olave Baden-Powell Aqui minhas homenagens a todas as mães escoteiras ou não desejando a elas que o mundo seja bom e compreensivo entre todos os seres humanos.
Olave St. Clair Soames (Chesterfield22 de fevereiro de 1889 - Surrey25 de junho de 1977). Seu pai Harold Soames e sua mãe Katherine Hill tiveram mais dois filhos, um menino chamado Arthur e uma outra menina chamada Auriol, quando nasceu Olave, puseram este nome porque esperavam um filho homem que se chamaria Olaf.

A vida de Olave, desde pequena foi feliz e sempre rodeada de pessoas queridas. Apesar de sua saúde precária nos primeiros anos, o contato permanente com a natureza e sua vida ordenada a transformou numa jovem sadia e alegre, forte e com uma incrível energia. Nunca foi para colégios ou centro superiores, mas foi educada por instrutores que eram parte da família. Sempre se interessou por música e tocava violão muito bem. Durante anos praticou rodeada de seu esposo e seus filhos, mas seu trabalho não lhe deu tempo para aperfeiçoar. Olave foi uma grande interessada em esportes, praticou tênisremo, patinação, montava a cavalo, andava de bicicleta e quando estava cansada conduzia carruagem e automóvel. Nesta época, há algo de curioso em sua vida: apesar de gozar de tudo aquilo que uma jovem poderia ambicionar, sentia um grande vazio em sua vida, em seu interior queria ser útil e poder servir aos demais. Por ser muito jovem não a aceitaram na escola de enfermagem o que a fez desistir de seguir alguma carreira.

Ao atingir a maturidade, Olave achou que a vida da sociedade de sua época era bastante monótona e, por isso, resolveu dedicar-se aos meninos inválidos, que ela recolhia em Bornemouth, onde cuidava deles. Em 1912, quando tinha 23 anos, seu pai que a cada ano viajava ao exterior, convidou-a a acompanha-lo em uma viagem às Índias Ocidentais. Embarcaram no "Arcadian" sem imaginar que seu futuro ia mudar totalmente durante aquela viagem. Neste barco viajava, acompanhado de vários oficiais, Lord Robert Baden-Powell, fundador do Escotismo, que nesta época já ostentava o título de Lord, e gozava de grande popularidade e reputação em muitos países do mundo. Um amigo de seu pai apresentou Olave a Robert. Ele tinha 55 anos naquela época, o que não impediu que entre os dois nascesse um grande amor, já que possuíam as mesmas idéias e aspirações. O curto tempo da viagem foi suficiente para compreender que haviam nascido um para o outro e seus futuros lhe preparavam uma grande missão.

Quando deixaram a Jamaica, Baden-Powell e Olave estavam noivos e, em outubro do mesmo ano, casaram-se, indo passar sua lua-de-mel na África, iniciando uma vida em comum que foi enriquecida por três filhos: Peter que nasceu em 1913, Heather em 1915 e Betty em 1917. Entre o cuidado com a casa, a educação dos filhos e a ajuda pessoal a seu esposo, transformou-se em sua secretária, encarregada de manter correspondência com milhares de pessoas de todo o mundo que lhe escreviam. Nestes anos já havia muitos grupos de Bandeirantes na Inglaterra e sua Presidente era a irmã de Lord Baden-Powell, Agnes. Havia uma grande necessidade de dirigentes e coordenadores e por esse motivo em 1914, Lady Baden-Powell entra para o Movimento Bandeirante e dedica seus esforços na área onde residem. Pouco a pouco se deu a conhecer por sua organização, sua liderança, seu entusiasmo e personalidade. Já em 1916 é nomeada Comissária Chefe.

Nesta época a Inglaterra atravessava uma época difícil, pois a guerra impedia que fossem realizadas muitas atividades Bandeirantes, havia muita preocupação. Os poucos grupos ativos de Bandeirantes dedicavam-se aos primeiros socorros, emergências e serviços. Lady Baden-Powell se manteve em permanente contato com todos estes grupos e visitou toda a Inglaterra. Em 1918 foi nomeada Chefe Bandeirante da Grã-Bretanha. Também em 1918, Olave recebeu o "Gold Fish", medalha que só a ela foi concedida, pois é mais importante que o próprio "Silver Fish", a mais alta condecoração do Bandeirantismo Inglês. Com a colaboração de Olave neste mesmo ano é impresso o primeiro exemplar Bandeirante já dirigido à menina, conhecido como o livro de Baden-Powell (Girl Guiding), se agrega a este manual, especificamente para treinamentos o livro chamado "treinando meninas como Guias". Olave sempre teve em mente estender o movimento a muitos lugares, por isso deu muita importância a todo tipo de material impresso.

Desejando difundir o Movimento Bandeirante em nossa terra, em 1919 Lady Baden-Powell escreveu uma carta às mulheres brasileiras, na qual lhes pedia que se interessassem pela causa que estava congregando meninas e jovens de todo o mundo. Foi portador desta carta o Sr. Barclay, amigo dos Baden-Powell, que vinha ao Rio de Janeiro a negócios. Aqui chegando, o Sr. Barclay, entrou em contato com Sir Henry Lynch, a quem entregou a mensagem de Lady Baden-Powell. Sir Henry Lynch e seu irmão Sr. Edmund Lionel Lynch, interessados pelo assunto, pediram a sua mãe, Sra. Adele Lynch, que promovesse uma reunião em sua casa, convidando diversas autoridades e senhoras que pudessem tomar a iniciativa de fundar o Bandeirantismo em nosso país. Esta reunião realizou-se no dia 30 de maio de 1919.

Naquela época em muitos países já havia Bandeirantes e Fadas, por esse motivo foi necessário criar um comitê específico que pudesse manter a comunicação permanente com todos os países, intercambiando correspondência, notícias, relatórios, necessidade. Lady Baden-Powell contou com a colaboração de várias mulheres, não só em seu país, todas elas ativas dirigentes, comissárias, como também encontrou respostas favoráveis nas amigas que tinha fora da Inglaterra. Ela aceitou ser a Primeira Presidente deste Comitê e a curto prazo conseguiu formar outro fora do país que se encarregava dos grupos de meninas e jovens, cujos pais residiam em outros continentes.


Foram estes órgãos, que deram a base para a existência do que hoje conhecemos como Bureau Mundial e Associação mundial de Bandeirantes, cuja sede é em Londres, Inglaterra. Graças a Deus que lhe concedeu um organismo forte e uma mente sã para poder realizar o trabalho a que se propôs, de manter vivo os ideais de seu querido esposo. No ano de 1937 a saúde de Lord Baden-Powell começa a enfraquecer e eles decidem mudar para o Kenya, lugar aonde já haviam vivido casados e aonde ele cumpriu com sua carreira militar na juventude. Compraram uma propriedade rodeada de natureza primitiva e exuberante que puseram o nome de PAXTU, o que significa "paz para dois". Nestes anos ela se dedica a cuidar de seu esposo, recopiar escritos e pinturas, atender correspondência e receber visita de filhos, amigos, muitos deles vindo de longe somente para vê-los. Em oito de janeiro de 1941, falece Lord Baden-Powell, e foi enterrado no mesmo lugar em que viveu seus últimos anos.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Monitores, quem vive sem eles?


Conversa ao pé do fogo.
Monitores, quem vive sem eles?

Um condensado do livro de Roland E. Phillipps do seu livro o Sistema de Patrulhas. (eu o tenho em PDF se alguém se interessar mande-me um e-mail elioso@terra.com.br). No seu livro comentou: - "O monitor não deve ser, nem ama seca, nem tenente berrão, nem domador de feras, mas apenas um irmão mais velho que se segue porque se ama". 
   
Principais características que um Monitor de patrulha deve ter:

Líder - um exemplo a seguir;
Companheiro - um amigo dá ajuda e conselhos, compreensivo;
Comunicativo - diz as suas ideias;
Leal - de confiança, preocupa-se muito com o que faz;
Democrático - respeita todas as opiniões da mesma maneira;
Humilde - não mostra a toda à gente as capacidades que tem e dá valor às dos outros;
Trabalhador - aplica-se nas suas tarefas;
Responsável - faz sempre as suas tarefas; 
Assíduo e pontual - chega há horas e não falta;
Participativo - ajuda em tudo o que é preciso, está sempre pronto.
  
As funções do Monitor: 

- Prepara as reuniões de patrulha;
- Diz aos dirigentes a opinião da patrulha; 
- Diz à patrulha a opinião dos dirigentes;
- Ajuda e ensina os elementos nas provas de etapa de progresso pessoal;
- Ajuda a resolver problemas na patrulha;
- Escreve os problemas e coisas que a patrulha precise, e leva para a Corte de Honra.
- Na Corte de Honra representa e transmite a opinião da patrulha;
- Leva o totem da patrulha;
- Fala em nome da patrulha sempre que necessário;
- Alimenta o "bom" espírito de patrulha.

As funções do Submonitor: 
- Ajuda o monitor nas tarefas de organização da patrulha;
- Substitui o monitor quando ele falta;
- Participa na Corte de Honra a convite.
- Ajuda e ensina os elementos nas provas de etapa de progresso pessoal.

 A eleição do Monitor e Submonitor: 
Eleição - conselho de patrulha sob orientação da Chefia de Tropa.
Demissão – Corte de Honra com amplo direito de defesa. 

A eleição do Submonitor: 
Eleição - escolhido pelo monitor e aprovado pela patrulha 
Demissão – Corte de Honra com amplo direito de defesa. 

É importante não esquecer que todos os cargos são muito importantes para a Patrulha estar bem. Não há nenhum melhor do que o outro. 

Na Patrulha o monitor deve preocupar-se em dar-se bem: 
- Com os elementos da patrulha; 
- Com os dirigentes e com os pais; 
  
Com os elementos da patrulha o Monitor pode: 
- Combinar lanches em casa dos patrulheiros (as);
- Conhecer as casas e as famílias;
- Ter momentos divertidos: ir ao cinema, lanchar, etc.;
- Escrever informações sobre cada um.

Com os dirigentes o monitor pode:
- Combinar encontrar-se com o dirigente para desabafar / pedir ajuda;
- Falar sobre todas as coisas, mesmo as que não concorda; 
- Organizar atividades com a Patrulha para conhecer a família;
- Combinar com os patrulheiros (as) para conhecer a família de propósito.

 O Monitor não é, nem deve ser: 
- O sabichão, saber tudo ou ter a mania que sabe;
- O mandão, mandar em todos ou ser mandado;
- O mauzão, zangar-se quando as coisas estão mal; 
- O patrão, delegar tarefas e não fazer nada; 

- A carne para canhão, assumir sozinho as responsabilidades de uma situação de patrulha; 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Cascudo um Escoteiro sonhador. (Repeteco)


Lendas escoteiras.
Cascudo um Escoteiro sonhador. (Repeteco)

       O ônibus parou no ponto e desci. Meu tempo era curto, portanto não podia ficar olhando aqui e ali. Estava na Av. São João e mais dois quarteirões eu iria encontrar a Rua Santa Efigênia. Talvez pela pressa eu dei um esbarrão forte em um transeunte e ele olhou-me desaforado. Não queria briga e pedi desculpas. Ele que tinha caído no chão levantou e me encarou. Poxa, pensei! Não vim aqui para isto. O desconhecido deu um belo sorriso – Monitor! É você? – Olhei para ele. Não reconheci. Estava de terno, um sujeito forte, cabelos negros bem penteados. O danado até que era simpático. – Desculpe amigo, pelo jeito estivemos juntos no passado no escotismo. Ele deu belas risadas chamando a atenção de outros que passavam. – Olhe bem Monitor! Sou eu, Josiel de Arimatéia a que você e os outros da tropa chamavam de Cascudo! Caramba, como ele mudou, agora eu me lembrava de nosso glorioso passado. Ele se aproximou de mim bateu os calcanhares e gritou bem alto: – “Sempre Alerta Monitor”! Quem passava sorria.

       Nos abraços efusivamente – Vamos beber alguma coisa. Eu pago ele disse. Na esquina bem proximo a Avenida Ipiranga encontramos um barzinho aconchegante. Olhei para ele, se transformou em um homenzarrão bem mais alto que eu. Ele ria de satisfação – Monitor! Como foi bom encontrá-lo. Quanto tempo eim? – É meu amigo – falei. Muito tempo. Mais de quarenta anos. E você me fale de você – eu disse. Monitor eu ralei muito neste mundo. Você deve se lembrar do meu pai um pobretão. Coitado. Mas me formei e hoje sou Promotor de Justiça. – Nossa! Pensei. – Que bom eu disse. Mas desistiu do escotismo? Lembro que você era um entusiasta. – Olhe Monitor, acho que você sabe, é muito difícil entrar e participar de um Grupo Escoteiro como o nosso no passado. Enquanto estudava nem pensei em procurar um grupo depois quando me formei achei que podia ajudar. Ele riu e continuou – Mas eles não querem ninguém como eu. Preferem pessoas mais humildes que não discutem muito. – Pensei comigo como as coisas mudaram.

      - Mas Monitor não vamos falar sobre isto. Porque não se lembrar daqueles tempos? – Porque não pensei. – Olá posso me sentar com vocês? Olhei e vi um senhor de uns sessenta anos cabelos grisalhos, óculos de grau bem grossos e uma bengala – Não estranhem meu pedido ele disse. Também fui Escoteiro e sênior. Estive na luta pelas estradas da vida e só me dei conta que era hora de parar a cinco anos passados. Cansei. Estava solteiro, não tive ninguém ao meu lado. Tentei como você entrar em um grupo. Sempre amei o movimento Escoteiro, foi ele quem me deu a força para enfrentar tudo que enfrentei. – Ele já estava sentado. – Não parou por ai, outro sentado numa mesa próxima sorria. Deu-nos o sinal de Sempre Alerta. – Posso participar com vocês? Claro eu disse. Quatro antigos Escoteiros se encontrando por uma cisma do destino. Cada um querendo lembrar e contar histórias do seu passado. Todos dizendo que não se adaptaram ao escotismo de hoje. Tentaram mas viram que eram um peixe fora d’água.

        Mas bons Escoteiros não ficam reclamando. Eles quando se encontram é para contar causos e causos. Lembrei-me de um Chefe que me enviou um convite -
Chefe! Aguardamos sua visita. No meu grupo o senhor vai poder contar muitas “historinhas”. Ri a valer. Contar “historinhas”! Sei que quando começamos a contar nosso passado era onze da manhã. Agora passava das seis da tarde. Cada um telefonou para sua cara metade explicando. Não guardei o nome de todos e eu pouco falei. Quantas histórias foram contadas. As noites das cobras, o vale seco, o Calcanhar de Aquiles onde todos tinham medo de ir, o Delegado que prendeu uma patrulha inteira, quinze escoteiros correndo de seis emas selvagens, e assim foi até o cair da noite. Pensei comigo que não era só eu o contador de histórias. Todos aqueles antigos Escoteiros também tinham a sua.

        Se quatro antigos Escoteiros em um pequeno bar tinham tantas coisas para contar quem diria se estivessem em uma floresta, numa clareira qualquer, uma noite sem lua e o céu estrelado eles contariam histórias a noite toda. Nos olhos de cada um eu via a chama da esperança, a vontade de voltar no passado, às saudades que machucam, mas que ajudam a viver. Ninguém comentou sobre suas dificuldades atuais, sua vida familiar ou profissional. Ali os quatro saudosos só lembraram-se do passado. Ah! Os poetas, sempre eles para nos dizerem tudo do passado, a dizer que saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que no machuca, é não ver o futuro que nos convida... Aguinaldo Silva escreveu isto. Melhor é ler Confúcio dizendo que a experiência é uma lanterna dependurada nas costas que apenas ilumina o caminho já percorrido.


       Cheguei e em casa quase meia noite. Pelo meu sorriso a Célia sentiu que eu estava feliz. Contei para ela o encontro com Josiel de Arimatéia, o Cascudo, um escoteiro da minha patrulha, contei do Geraldo Nonato que nunca vi e que devia ter sido um grande escoteiro e do Leandro Farias um Velho Escoteiro como eu. Ela me ouviu com um olhar gostoso e um sorriso carinhoso. Existem muitas felicidades que não vemos. A maior delas é estar ao lado de uma criatura maravilhosa que sempre me apoiou. Uma grande companheira, a mulher que amo. Não esperem muitas aventuras neste conto simples. Comecei do nada e termino com a história de um grande amor. Um não são dois. O primeiro minha linda esposa querida e o segundo meu escotismo maravilhoso. Ambos jamais esquecerei!

domingo, 27 de abril de 2014

Para que eles servem?


Coisas de velhos Escoteiros.
Para que eles servem?

      Dizem por aí que velhos Escoteiros só têm uma utilidade: - Servir de poste para que os outros comentem o que ele foi e mais nada. Afinal o mundo é outro e ele o Velho Escoteiro já expirou seu tempo e aqui na terra e insiste em fazer hora extra. Assim pensando, pois ninguém quer ouvir suas ideias e sugestões eu fico na minha de escrever e publicar. Ainda bem que em minhas publicações tem alguns comentários e uns poucos que leem e curtem. Podem me contradizer, mas se você é um Velho Escoteiro me diga se sempre é consultado pelos membros dirigentes nacionais ou regionais e em alguns casos no seu grupo escoteiro? Quem sabe sim, podem ter-lhe perguntando se ser um Velho Escoteiro chato e “maniento” rende dividendos financeiros. Risos. Brincando somente e que me perdoem os outros velhos Escoteiros não vou compará-los a este quem vos escreve.

      Meu intuito aqui hoje é escrever esta pequena crônica é somente para lhe contar um fato do acontecido ontem, sábado, 26 de abril de 2014. Lá estava eu gostosamente cochilando no Santuário Mãe de Deus, onde se reuniam alguma centenas de Escoteiros paulistas que religiosamente assistiam a missa que por sinal foi uma das mais belas que já tinha visto. As canções do Padre Marcelo marcam profundamente. Missa é missa e não se sai abraçando e dando sempre alerta apesar de que um ou outro gato pingado aparecia. E foi então um chegou – Me olhou de esguelha sorrindo! Sou eu Chefe Osvaldo o Chefe Castanha. Beleza! Abraços e apertos de mãos saudosos. O tempo passa e eu ainda cochilando. Um Chefe, uma Chefe me cutuca e diz que sempre lê minhas histórias. Outro diz que sempre se emociona. Bom isto. Fico orgulhoso quando ouço alguém dizer assim. Mas além da rotina do Velho Escoteiro pouco reconhecido entre os jovens, pois ele não é nenhuma sumidade eis que chega ao final a missa e eu maravilhado com o cantar de todos a pedido do Bispo. Cantam a Canção da Promessa. Lindo. Espetacular! Parabéns!

    Termina tudo e eis que cada Grupo Escoteiro orgulhosamente dá seu grito de guerra. Um aqui outro ali e outro acolá. Bonito isto. Eu conversando com amigos vejo que formam um grande círculo. Poxa! Seria hora da Cadeia da Fraternidade? Não posso perder de maneira nenhuma. Aperta ali, aperta aqui e eu me aboleto entre uma senhora e uma escoteira. Adoro isto. Nunca fiquei de fora de uma Cadeia da Fraternidade e agora no fim da minha vida não ia perder esta. Foram mais de quatro centenas delas. Cada uma sempre diferente e emocionante. Começam a cantar, o dirigente como todos – Gente, para a direita, para a esquerda. Porque perder a esperança de nos tornar a ver, porque perder a esperança se há tanto querer”♫... O Velho Escoteiro tenta acompanhar com suas pernas bambas, uma voz fanhosa e canta somente com os lábios. Linda Cadeia da Fraternidade. Bem cantada todos sabem como fazer. Uma pausa um silencio, eu um Velho Escoteiro achei que acabou.

    Não tinha acabado, mas aquela euforia de participar de tantas, de sentir na veia a canção que ninguém esquece e de olhos fechados pensando que seu passado voltou fiz o que ninguém esperava... Gritei bem alto e olhe nem sei como saiu minha voz – “Escoteiros, um por todos” todos respondem – “Todos por um”! Repito novamente. E depois acrescento – Uma vez Escoteiro? Todos respondem – Sempre Escoteiro. E achando que era um Baden Powell renascido da Fênix, dou um sorriso e finalizo: Sempre? – respondem todos Alerta! - Missão cumprida. O Velho Escoteiro se sentiu realizado. Mas não, impossível, eu não era o dirigente, eu não tinha este direito! Arvorei em um direito que não tinha! O dirigente, o que realmente possuía este direito veio direto a mim, educado é claro – Chefe o senhor cortou a canção! Não estava na hora! No fundo ele queria dizer que ele é quem estava dirigindo e era dele o direito. Ele educadamente podia até ter completado – Porque não me pediu Chefe?

     Tentei sorrir e contar uma piada. Não sabia onde enfiar a cabeça. Preferi brincar com ele pedindo desculpas e me despedi de todos. Fui embora olhando para trás e imaginando os comentários, mas sorrindo baixinho. Mas quer saber uma verdade? Eu gostei. Gostei muito e adorei o que fiz. Certo ou errado mesmo não tendo este direito não posso dizer se o faria de novo. Eu sei que direitos são direitos, que norma é norma, mas quando eu poderia fazer isto novamente? Quantas Cadeias da Fraternidade eu ainda participarei? Se o Chefe dirigente estiver lendo esta crônica eu peço sinceras desculpas, mas me desculpando ou não, não me arrependo. Lembrar só de lembrar o passado é bom, mas agir como se você estive nele presente ainda é melhor. Não sei onde tirei a voz em um circulo com mais de quatro centenas de Escoteiros. Mas ela saiu sem eu esperar, gritada, forte alegre e parecia que eu era o Osvaldo, um Escoteiro com meus vinte e seis anos, naquele longínquo tempo passado, nas minhas Minas Gerais onde dirigi uma Cadeia de fraternidade com mais de dois mil Escoteiros. Uma apoteose!


       Obrigado amigos por me compreenderem, pois não vi nos olhos de nenhum jovem nenhuma admoestação. Para eles não importava quem estava dirigindo, cumpriram sua missão e aceitaram que outro ali dissesse as palavras mágicas de todo fim da Cadeia da Fraternidade. Senti um orgulho “danado” deles. Uma meninada alegre, cantante, que estavam lá prestando sua homenagem e nem sabiam que alegraram o coração de um Velho Escoteiro que achou que podia... Mas ele não podia nunca ter tomado a liderança. Pois é, são coisas de velhos Escoteiros, afinal para que eles servem?