Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 15 de março de 2018

Conversa ao pé do fogo. O que sabemos sobre a EVASÃO escoteira?



Conversa ao pé do fogo.
O que sabemos sobre a EVASÃO escoteira?

                  Todos nós temos um motivo para ter entrado no Movimento Escoteiro. São muitos. Mas acredito que a maioria sonhava um dia colocar em ação seu espírito aventureiro, explorador, acampar em lugares distantes, se embrenhar em uma floresta ou poder um dia ver o nascer ou o por do sol do alto de uma montanha. Uma fantasia que muitos querem realizar.

                   Outros dizem que não é bem assim. Principalmente os adultos. Teriam eles um motivo especial? Dizem alguns que acreditavam um dia poder ajudar na formação da juventude e o escotismo daria esta possibilidade. Outros foram levados pelos filhos. Fico na duvida se foi isso mesmo que o fez entrar nas hostes escoteiras. Queira ou não a filosofia e o método de Baden-Powell tem um enorme charme que atrai aos que buscam algum diferente e no escotismo se completam.

                   O jovem ou a jovem busca seu espírito aventureiro, companheirismo, fazer diferente e descobrir se o que falam do escotismo é verdadeiro. Enquanto participantes alardeiam seu amor pelos acampamentos, suas histórias de aventuras, a fogueira nas noites enluaradas e aquele velho sonho de se tornar um herói. Alguns esquecem a tecnologia moderna dos celulares das telas de cinema ou computador. Momentaneamente deixa seus amigos do bairro e parte para mais esta aventura, uma escolha que um convite o fez pensar diferente.

                   No início a perseverança é companheira. Acreditam que participam de um movimento tão sonhado, persiste sua tenacidade sua garra e a dedicação o mantem ativo por meses, quem sabe anos. Alguns tiveram a sorte de começar sua lide escoteira em um Grupo bem formado, onde se sentiu parte da Grande Família Escoteira. Outros não tiveram essa sorte.

                  É nesta hora que começa a evasão. Os dirigentes, os amigos, a forma de escoteirar não era como pensou. Alguns procuram outra escola escoteira. Outros criam sua própria escola acreditando que agora poderão realizar seus sonhos aventureiros no que acreditam ser tradicional. Se Baden-Powell acreditava que se precisava de pelo menos dez anos para transmitir ao jovem a formação escoteira, hoje isto não acontece mais.

                  Alguns céticos não acreditam que a evasão escoteira é maior do que dizem. Outros sentem na pele que ele próprio se tornou a “evasão”. Há uma performance em dizer que nosso efetivo cresceu. Alguns ressentidos tentam explicar para poucos sua saída. Eles infelizmente não mais serão lembrados. Tornaram-se ausentes. Dizem que chegamos aos cem mil registrados na EB. Nunca ficamos sabemos qual foi o “Turnover” (rotatividade de membros) do ano que passou. Parece um “tabu” e o porquê ficou no passado.

                   Não entendo porque um tema como este não é discutido, pesquisado ou mesmo estudado para ver até onde pode ser estancada esta perversa evasão. Muitos chefes tem sua própria opinião. Escrevem ou comentam sobre o tema sob sua ótica e seu conhecimento. No entanto entra ano sai ano tudo continua como antes. A lógica do porque tem muitos caminhos muitas filigranas. Quando se pergunta sobre os resultados eles não estão à mostra. A sociedade e os meios educacionais de uma maneira geral desconhece o Movimento Escoteiro.

                   Se pensarmos bem ainda estamos na idade da pedra no tratamento com nosso próximo, no respeito, na cidadania e na ética esperada entre irmãos escoteiros. Nossa fraternidade às vezes desencanta o espirito da irmandade que não parece real. Assim o voluntário se sente abandonado em suas tarefas e nem mesmo os cursos satisfazem ou explicam esta maneira de agir.   

                   A “casta” na Unidade Local não tem prestígio, nunca é consultada e ali é o nascedouro de muitas divergências, cujos lideres que poderiam solucionar usam seu poder de chefia e dentro das normas disciplinares tomam medidas que nem sempre são as melhores. Quando se espera um “Salomão” o que vemos é o contrário, quem sabe antipatias já existentes e assim vemos o aumento da evasão. A democracia entre os membros não é abrangente. Uma cortina de fumaça se esconde entre normas e tropeços que nada produzem para evitar evasões.

                    Dizem que fazer “escotismo” hoje no método Bipidiano não é mais possível. As diversas normas criadas, as qualidades desejadas afastam aqueles que gostariam de fazer um escotismo aventureiro. Os cursos não traduzem as atividades aventureiras esperadas e muitas vezes é um amontado de diretrizes educacionais que nada tem a ver com o método de Baden-Powell. O ponto de vista do jovem perdeu-se no emaranhado de normas e diretrizes feitas por adultos.

                   A cada ano não se vê uma preocupação com a evasão escoteira. Tudo mudou dizem os lideres para melhor. Entretanto os resultados repito, não são os melhores. Mesmo com normas disciplinares o poder ainda é realizado por poucos. Se perguntarmos aos que estão saindo cada um tem uma história para contar. Quem sabe os sonhos burlescos de muitos que estão ao nosso lado dizem que o escotismo não foi o que pensaram.

                  Um simples artigo, nada que possa dizer do resultado final. Sei que sem números reais, sem um estudo sério e uma pesquisa em todas as Unidades Locais não vamos acabar com este mal que assola o escotismo Brasileiro. Meu fraterno abraço aqueles que se tornaram uma página da história!

Nota - Há tempos fiz uma serie de artigos sobre o motivo do porque muitos estão deixando o Movimento Escoteiro. A UEB até hoje não tem uma politica participativa e democrática. Não tem pesquisas abrangentes sobre o tema e pelo que eu saiba não comenta sobre a evasão. Os mais próximos a ela sempre tem a mesma resposta. Quando publiquei a série “Eles estão saindo do Escotismo” pela primeira vez foi um dos mais comentados e lidos em sua época. A Escoteiros do Brasil tem sempre “politicamente corretos” na linha de frente para defender, explicando o inexplicável. Uma pena!

segunda-feira, 12 de março de 2018

A história da onça e dos chefes escoteiros



Boa tarde amigos e irmãos escoteiros.
A história da onça e de dois chefes escoteiros.

Eram dois chefes escoteiros Insígnias, dirigentes nacionais, que em uma bela tarde de sábado seguiam para visitar um acampamento. Dia lindo sol de brigadeiro conversavam pouco aproveitando a beleza e o encanto do caminho e das lindas cachoeiras. Estavam inebriados com o chilrear dos pássaros esvoaçantes no céu. Em uma curva da trilha deram de cara com uma enorme onça pintada parada, pronta para bote. Afinal ela estava esfomeada, pois havia dias que não comia.

O Chefe mais esperto se salvou escalando uma árvore e lá ficou olhando o que acontecia. O outro gordinho e sem agilidade sabendo que não ia conseguir se defender da onça e nem escalar uma árvore se jogou ao chão e fingiu-se de morto. A onça se aproximou dele e começou a cheirar sua orelha, mas convencida que o Chefe gordinho estava morto, foi embora.

O Chefe Escoteiro mais esperto desceu da árvore e perguntou: - Chefe! O que a onça estava cochichando em seu ouvido? – Ora meu amigo, ela só me disse para pensar duas vezes antes de sair por aí a acampar com alguém que abandona seus amigos escoteiros na hora do perigo!

Moral da história: - É nesta hora que podemos saber quem são nossos verdadeiros amigos e irmãos escoteiros. E você, faria o que?

terça-feira, 6 de março de 2018

Crônicas de um Chefe Escoteiro. O poder do amor.



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O poder do amor.

            Quem lê ou ouve alguém falar da Filosofia Escoteira, fica estupefato. É linda demais. Juventude unida por um só ideal. Voluntários que fazem de tudo para que esta estupenda ideia de um General Inglês possa dar frutos criando homens e mulheres dentro de um paradigma de amor ao próximo, lealdade, caráter honra e porque não uma ética escoteira em que todos possam viver fraternalmente.

             Muitos vieram dos velhos tempos outros dos novos tempos. Acredito que ambos conhecem a fraternidade, a cortesia e o respeito daqueles que se prontificaram a colaborar. Sem soldo, muitas vezes sem um muito obrigado. Brinco educadamente que o escotismo não tem dono, não pode ter. Ele é universal e o Fundador dizia que seus frutos seriam para manter a paz entre os homens para um mundo melhor.

             Mas eis que apareceram normas, regulamentos, regimentos, leis, roteiros de ação, estatutos, código de conduta e tantas outras para dizer o que cada um pode ou não pode fazer. Não existe mais o salomônico Chefe para mostrar o caminho e sorrindo dizer o que se pode fazer. Antes um escotismo alegre, solto, livre como o vento a correr pelos montes, pelas trilhas desconhecidas procurando um lugar para acampar. Hoje? Tudo mudou. Primeiro as normas, pedido escrito se pode ou não fazer. E claro ter a autorização do Chefe do Poder.

              Se isto fosse feito de uma maneira fraterna, educada, sem o cunho de imposição poderia ainda haver aquele sonho dos meninos correndo pelas matas das cidades sem um adulto ao seu lado para dizer o que fazer. Mas não, sem perceber apareceram os “donos do poder”. E então o escotismo mudou. Alguns chegaram com um sorriso outros arrogantes, ríspidos a dizerem o que é certo e errado, mostrando o artigo, a norma e a lei escrita por eles mesmos pensando que assim seria o certo para dizer onde pisar e escoteirar.

              Não critico normas, leis e o escambal. Precisamos delas na sistemática moderna escoteira onde se perdeu a liberdade de ir e vir e que tinha sim um sabor todo especial. A liberdade da responsabilidade já não é mais a mesma. O confiar na palavra escoteira deixou de existir. Agora se agarra ao artigo tal, a lei tal, a norma diretiva que um bando de lideres acreditou que seria o melhor a fazer.

              Onde foi parar a mística? Aquele sorriso ao correr pelos campos para descobrir o imponderável? Onde foi parar o sonho da descoberta, a mangueira alta sombreada a beira de uma cascata de águas cristalinas para que se possa sorver seu néctar e a sede matar? Tudo agora é norma, é lei, ande reto e não pare a não ser quando eu mandar. Olhe você só vai se cumpriu seu dever se pagou a soma que lhe quiseram cobrar. E dizem que ele o General se vivo fosse faria assim também.

               Mas ainda vejo sorrisos, sonhos, vontade de acertar e caminhar como Caio Martins sempre caminhou. “Com as próprias pernas”. São meninos, meninas que se formam como um punhado de sonhadores a fazer um escotismo que acreditam poder realizar. Ainda temos chefes que fecham os olhos para os adoradores do poder e se metem a sair por aí com um bornal, cheios de fantasia, imaginação, encantamento a procura de um escotismo encantado. Não foi assim que ensinou o General?

              Entristece-me a discussão de normas, regulamentos e o escambal. – Chefe, esta difícil... Não dá para continuar... Não dá? Se todos que são achincalhados e humilhados na sua sina escoteira pensar assim, quando iremos vencer esta batalha para dar aos jovens pelo menos uma parte deles que ainda acreditam na graça, no encanto na grandiosidade de um escotismo que julgam perfeito para fazer? Belo é o escotismo de quem acredita de quem luta e não desiste quando na curva encontram espinhos sem olhar direito e ver rosas formosas mostrando o caminho da felicidade.

             Sei que os donos do poder dificilmente vão mudar. Eles não tem histórias e querem fazer histórias. Qual delas? A do escotismo puro, com cheiro de mato, com trilhas pisadas sem saber aonde vai dar? Pode ser. Mas isto só irá acontecer se ombrear ideias, valores éticos sem dissabores que muitos querem criar. Mas olhe, por favor, não me venha dizer que as normas vieram para ficar! Eu não preciso delas, nunca precisei. Elas sempre existiram na minha maneira escoteira de viver!

Nota – E o velho Chefe sorrindo completou: - Vocês não podem mudar certas circunstâncias ou situações, mas podem adaptar-se a elas sempre, escolhendo a forma do mal menor. Pode não ser o ideal, mas será o melhor. Aproveitem as oportunidades que lhes derem, mesmos que sejam aparentemente pequenas. As grandes árvores vêm de pequeninas sementes. Abraços fraternos.

sábado, 3 de março de 2018

Em volta da fogueira. "Digam aos rapazes da cidade que por cima dos telhados do cinema, existem estrelas no céu." BP.



Em volta da fogueira.
"Digam aos rapazes da cidade que por cima dos telhados do cinema, existem estrelas no céu." BP.

                   Um dia me perguntaram o que o escotismo tem que as outras associações de jovens não têm. – Simples meu amigo, respondi: - Mística simbolismo e tradição. É isso mesmo? Comentam que os jovens de hoje tem outras preocupações, são mais pragmáticos, querem respostas e não são muitos afoitos a contar estrelas no céu. Costumo dizer que o escotismo não é para qualquer um, é para os jovens que ainda tem espírito de aventura e querem descobrir o que tem além do telhado do cinema: - As estrelas que estão no céu!

                  Se você não sonha, se não tem aquela vontade de ser um herói, não quer desbravar lugares nunca explorados, não tem o espirito aventureiro de sozinho ou em grupo marchar nas trilhas que ainda existem nas florestas, nas montanhas, na descoberta de uma cascata, de um Pinheiro enorme e saber que ele tem mais de cem anos, então acredito que o escotismo não é para você. E preciso que seu sangue tenha o vermelho para dizer: - Somos irmãos... Tu e eu!

                 Veja o Pata Tenra na sua alcateia. Sonha com a promessa, mas fica boquiaberto com o Grande Uivo. Grande Uivo? É... Veja seu olhar, seus olhos piscantes, a vontade de estar ali, mas sabe que tem de crescer e aprender para ter este direito. Tente entender seu olhar quando parte para o acantonamento. Sua mãe preocupada e ele sorrindo. E quando ver os marrecos no lago, o beija flor no jardim, o vento forte a soprar não tem nada no mundo que possa substituir o seu sorriso de quem já se sente um Mowgly na Floresta.

                Em uma Patrulha, menino ou ela menina, sonhando em vestir um uniforme, em jurar a bandeira, sente o orgulho de pertencer àquela união que nunca será esquecida. Armar uma barraca, passar uma noite no campo, seguir a trilha para ver o sol se pôr são fatos marcantes que nunca vai esquecer. E quando chegar lá nos seniores, alguém dizer: - Moçada! A bandeira em saudação! Que orgulho, ver o farfalhar da bandeira no vento, no alto daquela montanha sendo por todos saudada...

               Procure meu amigo alguém ou alguma organização que possa ter um passado como o escotismo. Se tem alguém com uma recordação de Brownsea, de “Gilwell Park”, com um aperto de mão, com uma saudação, com um chapelão e um lenço todos cheios de tradições e místicas. Tente entender o aprender fazendo, a fraternidade e o melhor uma Lei e uma Promessa não obrigatória, que se diz: - Fazer o melhor possível para cumprir!

               Mas agora pule para o voluntário. Tão afoito de ajudar esquece-se dos seus amigos, de sua família, de seus parentes para esta estar lá, junto à juventude, acreditando que pode ajudar... Ele também tem seu “pedaço” de mística, um anel trançado, um lenço costurado com um pano dos Mac Laren. O famoso lenço de Gilwell ficou na história. O Tartan da família Maclarem será para sempre lembrado. E não ficou por aí, tem o cordão de couro, copiado de um presente de um antigo Chefe Zulu. “Diz à lenda que seu portador atrai boa sorte”.

                As contas do Colar de Dinizulu um Chefe guerreiro será um marco lembrado por toda a vida escoteira. Mística, simbolismo e tradições. Um marco do Escotismo que poucos ou poucas outras associações de jovens podem ter. Tivemos a sorte de que um homem simples que criou um movimento sem igual. Simples sim, nunca pensou em ser o melhor. Um homem que nos primórdios do escotismo nunca foi um diretor de curso e nem dirigiu nenhum deles em Gilwell Park. Não tinha sonhos de formador e sim de educador.

                Hoje muitos dizem que o escotismo mudou. Engano, o escotismo nunca vai mudar. Sua características seu simbolismo suas místicas e tradições se manterão para sempre. Tudo isso se perpetuará por todas as gerações escoteiras. Nossas tradições nunca serão apagadas, a principal dela é Baden-Powell, um homem com uma visão muito além do seu tempo e que nunca será esquecido.

"Digam aos rapazes da cidade que por cima dos telhados do cinema, existem estrelas no céu." BP. Ah! Escotismo. Que marca que vira um vício gostoso de se fazer, que fazem homens mulheres e jovens dançar as mais fantásticas danças da Jângal ou das noites enluaradas em volta da fogueira com as mãos entrelaçadas acreditando em um mundo melhor. Um movimento sem igual, com uma fraternidade onde se passaram mais de quinhentos milhões de jovens e adultos pelas suas trilhas.

Nota – Só o escotismo pode criar a maior fraternidade de jovens no mundo. – Pensem como BP. Porque foi ele quem disse que “Deus nos colocou nesta vida para sermos felizes. – Não se contente com o que, mas consiga descobrir o porquê e como”! – Faça escotismo, ame seu próximo e acredite se um dia passou pelas sendas do escotismo ele vai existir para sempre dentro de você!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Fim do dia. Somente lembranças...



Fim do dia.
Somente lembranças...

                       Mais um dia. Assim eles vão passando. Cada um uma experiência nova. Novos amigos, novos contatos e sabendo que o mundo gira e a roda do tempo não parar de girar. Dizem que estamos sempre aprendendo. Não importa se os anos estão passando, se eles são como as escunas que navegaram os setes mares no passado e no presente. O presente hoje é passado quando eu terminar de escrever.

                       Planos? Muitos. Escrever o quanto puder. Meu legado? Não sei. Quem sabe minhas historias. O que fazer com elas depois que eu me for? Será que poderiam servir no futuro aos novos escoteiros e escoteiras que iram chegar? Não sei. Ficarei lá de cima na espreita aonde elas foram parar.

                       O escotismo não para. Cheguei à conclusão que muitos estão fazendo um bom escotismo. Gosto disto. Gostaria de estar junto. Não vai dar. O corpo enxuto do Velho Chefe não é mais o mesmo. Passos trôpegos, bengala fazendo tic.toc. Tenho muitos convites de Grupos amigos. Até mesmo em estados distantes. Quem sabe um dia faço uma surpresa, chego na hora da bandeira e grito alto Sempre Alerta! Preciso voar novamente e sentir a alegria de uma Alcateia, de uma tropa, da meninada cantando e brincando sem parar.

                      Ainda não vi o Jornal Nacional. Vou lá e aproveito para ver o Jornal das 10 da Globonews. Ainda sem sono. Conheci há muitos anos um Preto Velho que morava nas barrancas do Rio das Velhas que não dormia. Quando ia a cidade passava pela fazenda (eu era um administrador, espécie de gerente) e ficávamos horas com ele contando causos para mim. Eu gostava de ouvir. Não sabia assinar o nome, mas tinha tantas coisas a me ensinar. E como aprendi. Não acreditei quando me disse que tinha mais de 110 anos. Afirmou-me que há mais de vinte anos não dormia. Perguntou-me porque Deus lhe deu aquela missão. Não soube responder.

                  Quando chegava a hora de ir embora virava para mim e dizia; - “Sabe seu Osvardo, quando eu morrer eu vou para o céu e lá quero dormir muito. Não sei se os anjos vão deixar”. Uma tarde passei de barco em frente a sua casa de taipa e o vi pescando. Ele tirou o chapéu de palha e fez uma reverencia. Sorri e gritei uma boa tarde. Dei uma parada e lá veio ele me contar que deste a morte de Dona Aninha morava sozinho. Nunca me falou de filhos e nem perguntei.

                 À noitinha daquele dia vieram me dizer que ele estava morto. Morrera pela manhã, sorrindo e estava sendo velado na casa do Totonho Peixe Grande (contava pataca que pescou o maior dourado do Rio das Velhas com quase oitenta quilos. Putz! Dourado danado). Impossível eu disse, eu o vi na barranca da sua casa hoje! Todos me olharam como eu fosse louco. Falar o que?  Ah! Histórias que já se foram, histórias que não existem mais. Valeu enquanto me foram dadas.

Nota - Vi uma estrela tão alta, vi uma estrela tão fria! Vi uma estrela luzindo na minha vida vazia. Era uma estrela tão alta! Era uma estrela tão fria! Era uma estrela sozinha luzindo no fim do dia. Por que da sua distância para a minha companhia Não baixava aquela estrela? Por que tão alta Luzia? E ouvi-a na sombra funda responder que assim fazia Para dar uma esperança mais triste ao fim do meu dia. (Manuel Bandeira)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018



Papeando nas areias do Waingunga.
O Ramo Lobinho. Parte II.
O que disseram os Chefes sobre o artigo.

                 Ontem publiquei um artigo sobre o Ramo Lobinho e sua provável evasão após a passagem. Dentro das minhas ponderações não sei se me fiz claro do que os Lobos Modernos aprendem, e os Escoteiros Modernos dão continuidade. Se tivéssemos em volta da fogueira mil Akelás interagindo sobre o tema não sei o que iria acontecer. Sei que tem chefes de alcateia que buscam ideias e aprendizado, mas sei também que tem aqueles para quem os lobos da alcateia se tornam filhos. São os pais e as mães de Mowgly. Quem sabe baseados na figura de Akelá e Raksha.

                  Por outro lado é fato notório que muitas tropas ainda não estão preparadas para receber os lobinhos. Lobinhos? Esse diminuitivo é a diversão na Patrulha. Eu disse que a maioria que passa são diminuídos em sua importância e às vezes menosprezados até mesmo pelo noviço que entrou há poucos meses. Do que adiantou seus três ou quatro anos de lobo? De que adiantou suas etapas ou mesmo seu Cruzeiro do Sul?  Quem sabe você pode analisar.  

                  Quem sabe um dirigente, um formador ou um Assessor Pessoal poderiam dar subsídios para isto não acontecer. Sinceramente nem sei se estes temas são motivos nos Distritos, regiões e outras atividades nacionais.  

                Temas que poderiam ser discutidos a dois, a três ou até mesmo no Conselho de Chefes são relegados ao esquecimento. A importância é de quem escreve um bom manual, uma boa literatura dizendo o que devem fazer os chefes de lobos e escoteiros. A ideia de uma família no Grupo Escoteiro muitas vezes é esquecida ou postergada. Ouvir, escutar, perceber, entender e sentir parece não fazer mais parte no Dicionário do Grupo Escoteiro.

                Poderia eu escrever aqui centenas de artigos que poucos iriam levar em consideração. Dirigentes e formadores aqui não aparecem e nem dão sua opinião. Eles gostam mesmo é de uma boa palestra e ali em frente aos alunos se tornam a autoridade no assunto. Achei interessante postar aqui o pensamento de algumas chefes de lobo e de tropa que comentaram o artigo. Quem sabe pode trazer subsídios para uma futura avaliação dos resultados. Fiquem a vontade para discordar. (Em OF para evitar constrangimentos).

Comentários do Artigo Papeando nas areias do Waingunga. O Ramo Lobinho.

Comentários I. - Sentimos mesmo essa diferença... Nesse tempo observamos que poucos lobos seguem em frente após a passagem para outra sessão... Perdemos por vezes jovens motivados, pela chefia não entender que ele acabou de chegar e ainda tem o lobo nele e precisa ser trabalhado para tornar-se um escoteiro.

Comentários II - A grande questão é que na maioria dos grupos a alcateia atua isolada do ramo escoteiro. Ao contrário das tropas escoteira e sênior que há um vínculo maior. É comum vermos escoteiros e seniores interagindo, até porque os vínculos já foram criados na tropa escoteira. Já os lobinhos vivem totalmente a parte de tudo isso. É difícil ver essa amizade entre os lobinhos e os escoteiros. Enquanto o jovem está na alcateia ele vive uma realidade muito diferente da tropa. Quando o lobinho passa para Tropa ele não é acolhido pelos escoteiros, na verdade o pensamento é quase unânime por parte da tropa "Esse lobinho vai ver só. Ele vai se ferrar na nossa mão. Ou ele vira um escoteiro de verdade ou sai do grupo.".

Comentários III - E o resultado todos nós sabemos qual é. O grande problema disso tudo é o choque de realidade. Hoje o universo da alcateia é totalmente diferente dos outros ramos. E eu acho que a alcateia, está sim virando uma sala de aula. Não digo um jardim de infância, mas uma sala de aula. Fico cada vez mais perplexa com as atividades apresentadas hoje para o ramo lobinho. Um monte de recursos audiovisuais, papel colorido, tintas, canetas, colas, tintas, fantasias, etc... Eu fui professora primária e me sinto como se estivesse voltado à sala de aula. As crianças fazem isso à semana inteira, e quando chegam ao grupo no sábado à alcateia parece uma extensão da escola. Quando começou a evasão dos lobinhos do nosso grupo, eu fui conversar com alguns pais e a resposta era a mesma... “Ele está desmotivado”!

Comentários IV - E alguns pais bem sinceros chegaram para mim e falaram: - “Chefe, estive observando algumas atividades e elas são chatas, não atrai a criança, escotismo é natureza e não se vê mais isso”. Quando as crianças não estão dentro da alcateia, estão em atividades dentro de ginásios, cinemas, teatros, museus. Chefe... - Me disse o pai: - Isso eu faço com meu filho nos dias de chuva que não tem aonde a gente ir.  Fala-se tanto que devemos ouvir os jovens. Mas não me parece que os jovens estejam sendo ouvidos. Só se ouvem os sábios pedagogos do escotismo moderno que acreditam cegamente que estão fazendo o melhor para o escotismo e que essa é a melhor forma de atrair e manter os jovens no ME. Triste realidade a que vivemos.

Comentários V - Minha briga sempre foi essa Porque lobinhos tem que estudar pra fazer promessa escoteira? Eles já prometeram seguir uma lei, não seria apenas renovar? Porque tem menos direitos se já aprenderam a cumprir a lei e a fazerem nós e fogo e mais algumas cositas? Não ganhei a briga, pois as desculpas não me convenceram. Mas continuo a luta.

Comentários VI - Lendo com calma, vi que acabamos passando por isso na alcateia; as crianças vivem a fantasia no mundo da Jangál e quando partem para a cidade dos homens, poucos continuam. Para eles é difícil deixar a fantasia e viver a realidade.

Comentários VII - Bom dia chefe. Tenho ido a vários cursos, tudo é ensinado para cursantes. Mas porque eles não fazem como aprendem. Vejo chefes, próximos a mim, inventando coisas desnecessárias e até absurdas. E esquece-se de ensinar aos jovens o necessário.

Nota – E então, deu para tirar alguma conclusão? Eu tenho a minha e sei que você tem a sua. Mas sabe a melhor de todas? É Ver os lobos fazendo a passagem para Tropa Escoteira, ficando lá quatro anos e finalmente entrando na Rota Sênior. Quem não iria sorrir e pensar... Fiz minha parte... Valeu!
Obs. – As fotos publicadas são antigas. É possível que a maioria dos lobos já tenham feito à passagem. Espero que estejam firmes e escoteirando por aí!


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Papeando nas areias do Waingunga. O Ramo Lobinho.



Papeando nas areias do Waingunga.
O Ramo Lobinho.

                O Ramo Lobinho não é minha praia. Fui lobinho, mas o programa na época era bem diferente do atual. Acredito que meu Balu nunca tinha lido o Manual do Lobinho de BP e nem tampouco o Livro da Selva. Ele sabia da existência de um Mowgly, de um Akelá, de Um Balu um Bagheera e uma Kaa. Sabia da Roca do Conselho e do Shery Kaan. Inventou algumas danças esquisitas e pelo menos nos incentivava a abrir um e os dois olhos com a Primeira e Segunda Estrela. Um dia apareceu com o Lobinho Cruzeiro do Sul! Ufa!

                Fui crescendo e aprendendo um “tiquitito” de nada sobre lobos atuando como Akela. Apenas dois anos. Mais tarde fui agraciado com a IM de Lobinhos e atuei dirigindo alguns cursos de lobo sempre cercado de sumidades em Mowgly que me ajudaram muito nas minhas deficiências “lobísticas”. De tempos em tempos me perguntava por que a progressão não era satisfatória já que poucos lobos permaneciam na tropa e quase nenhum passando para os seniores. Pioneiros era difícil alguns deles chegarem até lá.

                 Uma vez em um CAB de Lobos, convidei aos alunos para uma mesa redonda e trocarmos ideias sobre a passagem e a permanência futura do lobo na tropa. Alguém comentou o porquê quando um lobo passa para uma Patrulha tem menos direitos que um novato que chegou primeiro que ele e nunca foi lobo. A discussão foi boa, mas os resultados foram esquecidos. Não sei hoje, mas ouvindo Mestres em Lobismo parece que a evasão e os direitos dos lobos nas tropas ainda são permanentes.

                 Quando surgiu o Manual do Lobinho de BP, ele serviu de base para muitas alcateias que estavam começando. Contar a história do surgimento do Ramo Lobinho não é tão importante já que acredito todos os lideres de Seeonee devem conhecer de cor. Mas vejamos se naquele inicio os menores de nove anos já participavam das patrulhas, e não gostaram do programa quando foram separados quem sabe, surgiu à primeira divergência dos menores.

                  Muitos daqueles iniciantes levantaram-se contra o novo programa e alguns se intrometiam nas reuniões de tropa para serem ouvidos e poderem participar. Conta-se que os primeiros esforços para trabalhar com meninos menores não obtiveram sucesso. Os “Junior Scouts” não tiveram bons resultados. Foi nesta época que Baden-Powell resolveu tomar providencias. Foi uma tarefa árdua. Ele queria evitar que o movimento estivesse criando um Jardim de Infância.

                 B.P se preocupou e explicou em um artigo no “Headquarters Gazette” que não iria exaurir as crianças com atividades além de sua capacidade física. Em 1913 escreveu as primeiras tentativas de denominar os menores com nomes sugestivos: - Juniores Scouts, (escoteiros juniores) Beavers (castores) Wolf Cubs (lobinhos) Cubs (filhotes) Colts (potros) e até mesmo Trappers (ajudante de caçador). Ele se preocupava que o novo ramo tivesse suas próprias características e não uma versão simplificada do programa dedicado aos escoteiros.

                   A história a seguir é conhecida. Percy W. Everett a pedido de B.P. estudou um esquema provisório. O projeto incialmente foi intitulado de: “Regras para escoteiros menores”. Com o início da Guerra a maioria dos homens atendiam aos apelos do exercito e foi permitido a participação de mulheres no escotismo. Elas estavam encantadas com a ideia de que pudessem adestrar os pequenos. Foi nesta época que surgiu o braço direito do fundador no ramo Lobinho: - A Srta. Vera Barclay. Lembremos que todos esperavam o primeiro Manual do Lobinho já prometido por B.P.

                   Vera se dedicou com entusiasmo na organização do Manual do lobinho. Sua dedicação foi tanta que influiu fortemente para sua indicação como Comissária do Quartel General para Lobinhos. Porém o que veio responder a procura de Baden-Powell por algo atraente, especial, capaz de sustentar a fantasia e contribuir com a formação da criança foi o “Livro d Jângal” cuja adoção revolucionou completamente o esquema.

                  The Jungle Book (Livro da Jângal) de Rudyard Kipling foi publicado pela primeira vez em Nova York em 1904 e sua poesia diáfana e pura captou a imaginação do publico. B.P sabia da importância da imaginação para meninos mais jovens e reconheceu, nesta obra, o suporte que viria dar a eles, todo o divertimento, interesse e atividade que necessitavam e que viria também a abrir o apetite pelo escotismo.

                 Mais de cem anos se passaram. Do Livro da Jângal aos Manuais de Lobinhos muita coisa mudou. Se foi bom ou não quem deve saber são as chefes ou os chefes de lobos. Se a preocupação é com um programa para lobinhos sem estar interligado com o programa de tropa, se o ciclo de ontem não será o mesmo de hoje e de amanhã, se as alterações feitas e os programas muitas vezes infantis demais para os meninos de hoje são válidos ou não.

                 Não discuto as alterações e o desejo de muitos dirigentes de “alto coturno na UEB” fazerem alterações ou mesmo editando novos manuais. Quantos surgiram depois do primeiro de Baden-Powell? Surtiram os efeitos esperados? Os lobinhos estão devidamente preparados para uma passagem e serem recebidos na tropa como um valente Mowgly da Jângal? Ou eles serão os últimos da fila sendo sempre chamados de lobinhos, filhinho da mamãe?

               Sem menosprezar sei de alcateias e tropas que atuam conjuntamente e os resultados são os melhores. Queira ou não, acredito que temos muito a estudar para que a permanência do passante para a cidade dos homens se sinta bem na companhia um do outro. Não sei se o tema foi interessante. Quem sabe volto nele outra vez.

Nota – Um domingo sombrio levantei cedo com o horário de verão sendo exterminado, bengalei por aí e pensei: Porque o lobinho ao passar para a tropa tem menos direito do que aquele que entrou há poucos meses atrás e não foi lobinho? O que ele leva como bagagem para construir o respeito dos demais da Patrulha? Ainda o chamam de “Lobinho, filhinho da Mamãe”? E eis aqui um artigo, não o melhor, mas quem sabe muitos poderão dar suas opiniões e mostrar que eu estou errado nos meus pensamentos. Melhor Possível!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Cozinha mateira? Sei não!



Conversa ao pé do fogo.
Cozinha mateira? Sei não!

                         Temos hoje uma plêiade de bons mateiros que se divertem no campo a fazerem comida mateira. Delicia! Sei que tem gente que faz e não gosta. Manjado é o pão do caçador. E a sopa de cebola, o pão do minuto, o ovo no espeto, ovo na casca de laranja, ovo no barro, milho na brasa, maçã recheada na fogueira? E o frango no barro? A carne moída na batata cozida nas brasas do fogo de conselho? Arre! São centenas. Se deixar os mateiros Escoteiros engordam esta lista em minutos ou horas. Dizem os bons mateiros que a comida mateira escoteira é a técnica de se cozinhar sem a utilização de utensílios domésticos. É um desafio.


                  Um deles disse que esta é a comida típica dos Escoteiros nos acampamentos. Afinal preparar sua própria comida é um desafio para qualquer escoteiro. Saber improvisar, paciência para substituir as tradicionais feitas nas panelas é uma arte. (pelo menos se tem uma vantagem, evitar lavar panelas, arre!). - Nada como um bom fogo, boas achas para brasa para deleite de uma boa refeição. Adoro uma banana verde uma cebola, uma batata e enrolar o pão do caçador para depois de cozido me deliciar. Conheci patrulhas que adoravam fazer um bom churrasco. Será que vale no acampamento? Trazer de casa? Nem pensar.

                   Eu sou daquele tempo, onde a diligência passava e gritavam: Correspondência? A Wells Fargo está passando! Alguns escoteiros desciam para esticar as canelas e apreciar uma Patrulha fazendo um belo almoço de cozinha mateira. Neste tempo dos cowboys as patrulhas iam caçar tatu, rodelas bem fritinhas de uma jiboia, se ter sorte pegar uns patos e marrecos na beira da lagoa. Não pode mais? Tudo bem, mas era um manancial a disposição. Pato-do-mato, pato-criolo, pato-bravo, cairina, pato-selvagem e pato-mudo. Haja pato!

                  Claro, o respeito à natureza e a liberdade da fauna tem de existir. Mas lá onde Genghis Khan perdeu as botas não falta uma gordura de porco, um pouco de sal para fritar, cozinhar ou fazer uma bela sopa destes gostosos animais e pássaros no meio de jenipapo ou uma bela abobora achada nas milongas de um rio qualquer. Tempo das Falas Novas, seja setembro ou novembro, onde Mowgly tentava acompanhar a bicharada embriagando na primavera!

                 Uma mochila, manta, muda de roupa, material de higiene um facão bem afiado, um canivete escoteiro, uma faca mundial e pronto. Partíamos cantando a Canção do Arrebol. “Alerta Escoteiro Alerta”! Lista de mantimentos? Taxa a pagar? Meu Deus! Nem pensar. Está me acompanhando? Quer ir comigo prú campo? Use de sua imaginação e venha comigo conhecer e viver aonde o vento nos levar. Na lagoa do Epaminondas? Oba! Sempre um franguinho a disposição, era só degolar! Risos! Depois pescar traíras, bagres e pintados na sombra da goiabeira.

                 Que fartura dos ensopados. Como disse Pero Vaz de Caminha, nesta terra se plantando ou mesmo não... Tudo dá! Pode rir, mas no Rio Chorão era peixe para pegar com a mão. Zé Bigode o intendente e às vezes cozinheiro, na curva da cachoeira pegava peixes com fartura. Então gente vamos avante? Mochila nas costas sorrisos nos lábios vamos atravessar o Rio Piraçu, correnteza forte, e depois de atravessar vamos arranchar na Clareira do Guaporé. Um vai pegar lenha, outro um fogo mateiro e você Akelá procure uma colmeia e devagar sem alarde tire um ou dois favos de mel! Medo? Chame o Baloo, ele é o mestre do mel de abelha.

                 Eita campo sem graça, se não vier tempestade, se não houver trovões raios na mata este acampamento perde graça. A noite é a melhor hora. Capa no costado, fogueira acesa, bananas e cuidado com a batata doce, ela não dá de banda! Um cafezinho pru Monitor e pru gaúcho um chimarrão no ponto e bem passado! Passado? Kkkkkk. E a noite vamos pegar galinha d’angola gostosa frita ou não até demais. Vamos fazer no barro. Tiro o bucho e bem limpado, pouco de sal e gordura, meto barro nas penas e cabeça, no buraco meio fundo a fogueira produziu brasas demais. E lá vai ela, bem tampada e é só esperar para se deliciar.

                  Comida mateira? Poxa gente aqui não é boteco e nem restaurante. Vamos que vamos na floresta do Jangadeiro. Lá tem Castanha e o Açaí. E lindos pés de palmito, sem contar inhames, maracujás e folhas de Lobrobô. Não conhecem? Risos. Espere o ensopado que faço sem panelas... Está rindo? Calma. É o truque do velho chefe. Não conto para ninguém, só para quem acampa comigo risos. Pois é, comida mateira é bom demais. Tem gente que gosta e outra não. Eu fico no meu pedaço. No campo não tenho embaraço. Dá para comer? Não enjeito!

                  Sei que hoje tudo é levado da sede. Mas tem outro jeito? Não sei. Mas você que esteve comigo nesta bela viagem de sonhos aventureiros não gostou? Lembra-se do Macaquinho que pulou em seu ombro na selva do Soldado? Medo da febre amarela? Nem não! O macaco é nosso irmão.  

                  São tantas lembranças que você nunca mais vai esquecer. Comida Mateira? Comece, e em pouco tempo estará tão acostumado que vai pedir a mamãe: - (folgado... Pedindo a mamãe?) Mamãe! Hoje eu quero sopa de maracujá com folhas de Lobrobô. E não esqueça mamãe, deixe tostar bastante a Galinha D’angola feita no barro branco que encontrei que tá assando lá no quintal!

Nota - São coisas do passado, agora não mais. Mas que foi uma época boa foi e supimpa que valeu a pena ter tantas coisas para lembrar. Dizem que cada ano os novos escoteiros também fazem sua comida mateira. Tem cada tipo de dar água na boca. Fico feliz em saber, pois assim quando for um Velho como eu, irá se orgulhar do que fez e do que marcou sua vida escoteira, com vivência mateira para nunca mais esquecer.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Noviço, Segunda e Primeira Classe. Nunca mais?



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Noviço, Segunda e Primeira Classe. Nunca mais?

                 Muitos dos novos chefes nunca ouviram falar. Outros têm uma pequena ideia e alguns passaram por elas. Pensando bem quem sabe elas hoje não teriam mais validade com as novas técnicas modernas de ensino. Por volta de 1925 o “Velho Lobo” apelido carinhoso do Almirante Benjamim Sodré, escreveu o precursor dos livros de classe para escoteiros e seniores. “O Guia do Escoteiro” foi à bíblia de muitos do que passaram no escotismo até 1954. Inclusive a minha.

               Por dezesseis anos ele passou de mão em mão nas patrulhas e tropas escoteiras. Em janeiro de 1941 exatamente na data de falecimento de Baden-Powell, passou a circular uma nova literatura “Para Ser Escoteiro” do Chefe Francisco Floriano de Paula. “Em 1961 foi convidado a dividir o trabalho em provas de classe, passando a serem três livros: - “Para ser Escoteiro Noviço” Para ser Escoteiro Segunda Classe” e “Para ser escoteiro Primeira Classe”. Em 1991 por um curto período foi introduzido algumas etapas de classe tipo múltipla escolha.

                Em 1963 a UEB reeditou os três livros do Chefe Floriano desta vez pelas mãos do Chefe Luiz Paulo Carneiro Maia e Ivan Bordallo Monteiro. Finalmente depois de diversas adaptações e alterações chegamos hoje ao Novo Programa Educativo da UEB. Não entro na validade ou não do programa. Deixo isso para os novos pedagogos que entendem mais da educação escoteira que eu. Quem sabe na minha nostalgia eu procuro ver com olhos de quem viveu naquela época. Se os jovens de hoje iriam gostar ou mesmo realizar as etapas exigidas até chegar a um Escoteiro de Primeira Classe só perguntando a eles.

                 Salto o obstáculo do Escoteiro Noviço e das exigências para a Segunda Classe. Queira ou não pular o obstáculo de cada uma dessas provas não era para qualquer um. Deveriam ser facilitadas? Acho que não. Afinal aprender a utilizar e manusear uma faca ou canivete era uma obrigação de todos os jovens acampadores. Se hoje tem um GPS naquela época existiam como hoje as estrelas, as constelações, o vento, as folhas das árvores o sol e a lua para nos dar o caminho a seguir.

                Um passo Escoteiro, um Passo duplo, saber a altura de uma montanha, uma árvore ou um rio era demais. Mas não vamos falar sobre elas. Muitos daquela época conseguiram ter em sua farda o distintivo tão sonhado de Segunda Classe. Sonhado? Não esqueçamos as especialidades. Um muro de lamentações para muitos. Não sei, mas acho diferente de hoje. Conseguir uma de Acampador, intendente, cozinheiro, socorrista ou sinaleiro era um verdadeiro desafio. Os nós os sinais ficaram para trás. Mas saber de cor a Lei e a Promessa eram ponto de honra.

                A Primeira Classe era um sonho que muitos não conseguiram realizar. Muitas das exigências eram simples, mas outras não. Era como a especialidade de Socorrista que hoje muitos desconjuram pela sua maneira rústica de executar. Veneno? Faca em brasa? Torniquete? Garrote? Tipoias? Ataduras? Pelo menos todos faziam questão de aprender e fazer.

                 Ninguém se preocupava com a exigência de quinze noites acampados, várias excursões e estar preparado para com um companheiro, fazer uma jornada de vinte e cinco quilômetros a pé. Cozinhar a própria refeição estava no ombro: - A especialidade de Cozinheiro. Percurso de Gilwell muitos aprendiam na Segunda Classe. Se fossem para o campo, amavam a natureza. A fauna, a flora, os minerais eram fatos corriqueiros. Mapas, croquis eram manuseados diversas vezes nas excursões e acampamentos.  

                 Os relatórios, os projetos, a Rosa dos Ventos, a bussola, o sol, o relógio, a lua as estrelas, indícios naturais era rotina na Patrulha. Carta Topográfica se aprendia nos Cantos de Patrulha onde uma vez por semana eles se reuniam. Fazer um esboço de um campo de Patrulha, levando em conta o vento, a cozinha as barracas e o Refeitório eram coisas de Pata-Tenra. Fossas, canto do lenhador, intendência e as artimanhas e engenhocas eram comuns nos acampamentos de Patrulha.

                 Não sei se a Primeira Classe era difícil. Conheci muitos que orgulhosamente a receberam. Eu tive esta honra. Naquela época ver uma Patrulha com um ou dois primeiras e três ou quatro segundas a gente sabia com qual Patrulha estava lidando. Foi uma época de escotismo solto, sem amarras, meninos com suas mochilas correndo pelos campos, mostrando responsabilidade, lealdade, cortesia, sinceridade e sabendo manter o autocontrole demonstrando estar à altura do nome escoteiro em sua maturidade.

                 A modernidade não pode parar. As adaptações também. Não sei se o que BP disse quando criou o método escoteiro, acreditando que todo o programa deveria ser voltado para o campo, para as atividades ao ar livre, não foram sufocadas pelas técnicas modernas de ensino. Prevejo que em breve toda metodologia Bipidiana seja absorvida pelos novos programas que irão surgir. Só espero que o objetivo de BP seja alcançado. Os resultados! O homem e a mulher em uma comunidade dando exemplos pessoais e cuja honra e caráter não havendo dúvidas que foi o Escotismo um dos principais responsáveis!

Nota – Não me meto com a nova metodologia de programas de hoje. Se antes a preocupação eram atividades mateiras hoje não. Bom isso. Os cursos hoje são mais objetivos. Temos cursos para o Escotista, para o Dirigente Institucional, a nível Preliminar, Básico e Avançado. São cursos bem diferentes, pois aprender nós, amarras e técnicas escoteiras ficaram no passado. Não existe mais necessidade. Gostei de saber do curso para chefes sobre o ECA, e o mais novo: Formando Staffs para o futuro! Não é este o nome? Desculpe.