Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Chatos! Eles existem no escotismo?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Chatos! Eles existem no escotismo?

“Há duas espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e... Os amigos, que são os nossos chatos prediletos”. - Mario Quintana.

Não sei. Alguns amigos meus dizem que sim. Dizem que eu mesmo sou um deles. Um até me disse que sou um “Chato de Galochas”. Poxa! Logo eu? Nunca tive galochas. Não sabia que era chato. Dizem que a palavra “Chato de Galocha” é aquela pessoa que mesmo num dia de chuva, põe sua galocha e vem exercitar sua “chatura”. Outros dizem que o Chato de Galocha é o chato prá chuchu que saiu do mundo agrário e ingressou na era moderna. Mas como sou Escoteiro e um chato por profissão, pensei comigo: - Será que tem chatos no escotismo? Pensando bem acho que sim. Já que me coloquei como um deles porque não dizer dos outros? Vejamos a descrição de alguns chatos e tenho certeza que você minha amiga ou você meu amigo não se enquadram em nenhum deles. Por isso não ponham o chapéu na cabeça. Risos.

Vejamos algumas espécies de chatos:
- Fãs de entendidos - São aqueles chatos que não podem ver um Escotista mais graduado que correm para conversar com ele. Ficam ali com cara de aluno junto ao seu professor e querendo absorver toda a pose, todo sorriso e todo conhecimento do Chefão! Deus do céu!

- Politizados em demasia – São aqueles chatos que defendem com unhas e dentes sua organização, seus superiores, suas ideias. Nunca admitem erros. Mesmo não tendo nenhuma experiência, jactam-se de tudo que falam. Os dirigentes escoteiros adoram estes chatos.

- Carentes – Estão chatos estão sempre reclamando. Reclamam de tudo. Do Chefe, dos assistentes, do Diretor Técnico, do Comissário dos acampamentos ruins, das taxas baratinhas cobradas, enfim reclamam de tudo. Quando te pegam na esquina para reclamar haja “saco”!

- Amigos do passado – Gosto destes chatos. Se te pegam na rua, logo convidam para uma cerveja, uma pizza, e sempre pagam as despesas. O ruim é que ficam lembrando, lembrando e você olhando para o relógio sem jeito de sair.

- Viciados em aplicativos – Estes não são “moles”. Adoram te mandar recadinhos para aplicativos no facebook. Você acessa sua conta ou o celular e vê um monte de notificações. E quase sempre são aos mesmos. Não adianta deixar recados. Todo o dia lá estão eles. Irmãos de farda. Irmãos de ideal. Difícil convencê-los que são chatos.

- O olheiro – Desculpem. Não é do meu tempo. Hoje o chamam de Assessor. Desde que criaram a função de assessor para tudo logo o escotismo também criou o seu. A diferença é que é de graça! O chamo de olheiro porque ele vive de olho em você. Quer ser seu orientador, dizer o que fazer. Ensinar a você o caminho para o sucesso, mas quase sempre é o caminho que ele imaginou. Até que gosto da ideia destes chatos. Mas desculpem, não deixam de ser chatos.

- O metódico – É o Chefe que tem o jeito dele de trabalhar, de fazer as coisas. Ele já tem na cabeça o seu jeito certo de realizar suas tarefas. Nunca pede ajuda. Quando estão juntos acampados ele acha que você faz tudo errado. Com aquela “fleuma” Escoteira de Escoteiro bem educado, ele te enche as “paciências”.

- O perseguido – Fica o tempo todo falando que existem complôs contra ele. É o seu Chefe, seu Presidente, seu distrital, a regional ou a nacional. Enfim querem tirá-lo do escotismo. Não sabe o que fazer. Pensou em mudar de lado, mas soube que do outro lado seria a mesma coisa. Não sabe se sai ou se fica. Que medo ele tem de ser demitido ou levado a tal comissão de ética! E o salário oh!

- O nervoso – Nuca está satisfeito com nada. Explode por qualquer coisa. Reclama que não recebeu um agradecimento, uma condecoração. Reclama que já devia ser o Chefe da tropa, do Grupo, reclama que Já devia ter recebido sua insígnia. Reclama de tudo!

O dono do mundo – Este chato é um perigo. Considera-se o maioral. Está acima da lei e quando ela não lhe agrada, refaz de novo. Não quer perder o seu cargo e finge ser seu amigo para se perpetuar no poder. Eles estão lá no alto da pirâmide do escotismo. 

É, tem tantos tipos de chatos que poderia ficar aqui o dia inteiro falando sobre eles. Os chatos amigos, que lhe dão beijinhos na frente e que fazem nas suas costas você não sabe. Tratam-te com carinho e lá ao longe preparam sua cama para ver você dormir e não voltar mais! O folgado, que não levanta a bunda para fazer nada e sempre lhe pedindo para fazer tudo. Tem muitos mesmos. Mas o pior deles é o Capachão. Que puxa saco meu Deus! Os diretores, dirigentes, formadores adoram estes tipos. Ele quer a todo custo ser um deles! Haja paciência com eles, pois pior que eles só eu mesmo. Como sou chato meu Deus! Mas meu conselho é um só, Corra destes tipos! Só não sei como você vai correr de você mesmo! Kkkkkk.


Enfim, é melhor ser como eu. Um chato de galocha! Um chato rei dos chatos. Risos. E vivam os chatos, ainda bem que o escotismo não vive sem eles! Rsrsrsrsrsrsrs, ou melhor... Kkkkkkkkk

Nota de Rodapé:  Se você é um chato, por natureza ou por profissão, não leia esta crônica. Pode se sentir ofendido e eu não desejo isto. Afinal eu sei que sou um chato de galocha e não nego. Mas você não é assim, não é mesmo? E viva os chatos... Afinal o que seria do escotismo sem eles? 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Conversa ao pé do fogo. Jogando conversa fora em um barzinho.


Conversa ao pé do fogo.
Jogando conversa fora em um barzinho.

        - Oi Matheus! (o garçom) Por gentileza, um chopinho! – Um não, quatro. Estamos aqui também. Eram quatro. Saboreavam um gostoso bolinho de bacalhau, quibes entre outros salgadinhos. Sempre estavam ali aos sábados. Acabava a reunião tiravam o uniforme e lá iam eles. Solteiros, nada melhor que um papinho.  – Continue o que estava dizendo disse um – O mesmo de sempre – riu. Acho que nosso movimento tem muitos chefes cheio de empáfia. – Ei calma – Está chamando alguns escotistas de arrogantes? Não seria presunção sua? – Não é. Você me conhece. Veja no nosso grupo. Tem alguns que são muito simpáticos, amigos, e outros se postam com altivez própria de quem é superior.

         – Outro Chefe disse: - Não sei se concordo com você. Veja, somos todos seres humanos. Temos nossos defeitos e nunca seremos perfeitos. – Mas meu amigo, você acha que isto poderia acontecer no movimento Escoteiro? Matheus veio com as bebidas. Um pequeno silêncio para saborear o malte famoso. Um deles disse – Há muito mais certezas em um copo de cerveja do que se pode imaginar – todos riram – o Outro olhou para o mais novo Chefe e disse – Corra atrás dos seus sonhos, e na volta traga uma cerveja para mim.

         - Não sei se você está enganado disse um Assistente. Tive uma decepção outro dia. Lembra-se do Chefe (...)? – Lembro. Recebeu a Insígnia de Madeira. Pois é, mudou muito. Parece que até anda diferente. – Não foi ele que tentou ajudar naquele curso do mês passado? – Foi sim. Disse-me que quer ser um formador. Seu sonho sempre foi ser da equipe – Outro gole, outro ah! O bolinho de bacalhau estava perfeito. – Estive conversando com um Chefe que foi Escoteiro quando jovem. Gente boa. Pena que fala demais e não deixa os outros falarem. Ele acha que só ele sabe. Todos riram.

           – A conversa não parava. Quatro amigos de longa data. Outro disse: Estou pensando em sair do grupo. Toma-me muito tempo. E sabem Assistentes não manda nada. Não foi o Lula quem disse? – Mas você reclamou? Procurou falar com ele em particular? – Não adianta. Manda-me o programa por e-mail já pronto. Costumo aparecer em um ou outro item, mas nada sério.

       - Perdemos dois jovens mês passado. Desistiram. - Por quê? Não sei. Não me disseram nada. Um seu pai não quis gastar com a taxa do Jamboree e o menino desistiu. O outro. Disseram seus amigos que o programa deles no bairro era melhor – pode? – Porque você não os procurou? – eu? Sou um mero Assistente meu amigo. O Chefe da tropa não está nem aí – E o diretor Técnico? Ora você conhece o “dito cujo”. Se fosse do outro grupo não diria nada. Ele sim é interessado. – Mais uma pausa, mais um gole e o pratinho de quibe acabou. Mais quibe Matheus disse! – E para mim outro chope – Para mim também.

        – Quem de vocês vai à Assembleia? Eu não vou. – Eu também não. – Acho que vou disse a akelá. – Vai mesmo? Não vai morrer de tédio? – e deram boas risadas. – Este ano não. Tem eleições. – E você vota? – Não voto, mas posso dar minhas “piruadas”. – Vou pensar se vou. Na última vez ficamos feito tontos andando para lá e para cá e outros querendo aparecer. Acho que se tivesse na lojinha espanador e melancia a região ia faturar aos montes. – Pois é, quer saber? Acho que não tinham programa para quem não vota. Podíamos participar de um ou outro seminário. Mas nestes os entendidos não davam vez para ninguém.

        - Um deles olhou para o relógio. Dez da noite. – Já? Vamos ficar mais um pouco. A conversa está animada! E deu boa gargalhas.  Soube que vão ter muitas eleições na Assembleia Nacional. – Eu também soube. – Pois é, dizem que agora a reeleição só por dois mandados – Vamos ver se é verdade – Me disseram que tem uns lá que são eternos. – Todos deram boas risadas.  E quando irão nos perguntar sobre as mudanças que fazem? – Acho que nunca! - Nunca? Mas eu gostaria de opinar. Chega de resolverem tudo por eles.

        – Um silêncio na mesa. Um olhou para o outro – Olhe eu vou dizer uma verdade se não fosse meu amor pelos jovens, já teria saído. Ser voluntário no escotismo não é fácil. É o único lugar onde se paga para ser voluntário. – O que? Paga? Você paga? – Claro pago mensalidades minha e de meu sobrinho, pago taxa de curso, pago taxa de acampamento e nem pensar em ir nestas atividades nacionais. – Dizem que tem grupo que paga tudo!- Paga mesmo? Paga! Sortudos!

        - Matheus! – A saideira, por favor! – Estavam calados. Um deles esperava a entrega da Insígnia Sênior. Soube que tinha sido aprovado. – Porque a demora? – Eles são muito ocupados. Ainda não deu tempo para me enviarem. Não é assim na bucha, você sabe disto. Tudo anda rápido se você é amigo do rei disse. – Já tentei minha medalha de bons serviços e nada. Dez anos. – Dez? Tanto assim? – Isto mesmo. Acho que o distrital ou o Assistente regional não vai com minha cara –

         - Gostaria de dizer isto na Assembleia falou a Akelá! - Porque lá tantos recebem? – Você viu a fila para receber? – É mesmo, um mistério minha amiga. Mistério. Aprenda com eles. Vejam o que fizeram. São considerados a nata do escotismo. Dizem que sacrificam mais que nós. O que você faz na Alcateia todos os sábados, aos domingos, dia de semana em reuniões com seus assistentes, participando de reuniões do distrito não é nada comparado a eles. – Dão duro mesmo? Claro que sim. Ser dirigente não é mole. – Olharam para a cara de um de outro e desandaram a rir.


           - A conta, por favor! – Dividiram, pagaram abraços, dividiram um taxi, pois não foram de carro. A lei seca estava severa. A Akelá foi de ônibus. Mais um sábado. Amanhã domingo. Descansar? Nem pensar. Cada um tem milhares de coisas para fazer. Mas francamente, é uma pretensão destes chefes acharem que trabalham no escotismo mais que os dirigentes não acham? – E eu? Eu meu amigo estou morrendo de rir! Tapir de Prata neles!

Nota de rodapé: - Jogando conversa fora é uma série que há tempos escrevi sobre quatro amigos três chefes e uma Akelá, que a cada quinze dias após as reuniões escoteiras vão jogar conversa fora em um barzinho de um amigo. Tomam seus chopes, pois ninguém é de ferro e sempre os temas discutidos são sobre escotismo. Aos poucos vou publicando toda a serie escrita há mais de cinco anos, mas acho que atual. 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Na beira do caminho tinha uma flor... Tinha uma flor na beira do caminho.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Na beira do caminho tinha uma flor... Tinha uma flor na beira do caminho.

                             Era um sol de meio dia. Quente, fervendo o sangue do Escoteiro caminhante. Mal dava para olhar a frente de tão quente... O chapéu de abas largas tentava segurar os raios amarelos do sol poente. A camisa ensopada. Ele pensou em tirar o lenço e a camisa. Ficar com a camiseta que estava por baixo. Mas esqueceu desta vontade. Aprendeu a andar uniformizado onde fosse. Não importa se tinha alguém a vê-lo ou não. Há horas esperava encontrar uma arvore frondosa, a beira do caminho. Nada. A estrada era de terra e quase não cabiam dois veículos passando um pelo outro. Ele sabia que ainda tinha chão para percorrer. Não fora com sua patrulha pela manhã. Prova de matemática. Um mais dois cinco mais oito e ele aprendeu a tabuada assim nas jornadas da vida. Agora não. Não calculava a soma divisão ou a multiplicação. Precisava parar para descansar, mas e o riacho de águas cristalinas e a árvore frondosa que não apareciam?

                            Tirou seu cantil e bebeu dois goles. Não mais. Ele não sabia quanto tempo de caminhada ainda tinha para encontrar um riacho. Ali era impossível. Tudo estava seco, nem o verde do campo se via. O chão do caminho era terra pura e vermelha. Se chovesse valha-me Deus o barro que formaria. Um, dois, quatro seis quilômetros de pé no chão. Sua mochila pesava. Ele estava acostumado. Bastava encontrar uma árvore frondosa, apenas um cochilo e ele andaria outros seis se necessário. E os pássaros? Ele não via nenhum. Naquele sol escaldante nem pássaro se arriscaria a voar pelos céus. Ele passou por ela... Na beira do caminho. Nem reparou. O sol não deixava. O chapéu quebrando a testa para esconder o calor e a claridade escondia as belezas que ele não via na beira do caminho.

                           Andou alguns passos e parou. Sua mente tinha gravado a flor na beira do caminho. Pensou o que seria e a mente o obrigou a lembrar. Voltou-se calmamente e a viu... Linda, vermelha, quase do tamanho de uma rosa. Mas não era uma rosa. Somente ela com sua planta a segurar como se fosse cair com o peso. Não havia vento, ela não se mexia. Mas era linda. A mais linda flor que ele tinha visto. Deu meia volta até a flor na beira do caminho. Quem pensaria que na beira do caminho tinha uma flor? Verdade, mas na beira do caminho tinha uma flor. Ficou de frente a ela. Viu que ela sorria e não se importava com os raios de sol que não penetravam nas suas pétalas. Tirou sua mochila e se agachou ficando frente a frente com ela. Um perfume suave percorreu seu olfato. Gostoso, delicioso. Aroma agradável de cheirar. Era um balsamo para manter o corpo firme. Aquela sublime fragrância jogava todo seu perfume no Escoteiro que caminhava no sol do caminho.

                       Ficou ali estático por minutos que se transformaram em horas. Ela a flor na beira do caminho o hipnotizava. Ele precisava prosseguir precisava chegar ao acampamento antes do anoitecer. Seus amigos da patrulha o esperavam. Então o sol se escondeu. Uma nuvem branca com pássaros esvoaçantes chegou. Um vento sul começou a soprar. A flor balançou na sua planta, mas não caiu. O Escoteiro procurou um galho e o fincou junto à flor. Do seu cantil molhou a linda flor da beira do caminho. Precisava seguir adiante. O tempo não espera, e ele olhou a flor pela ultima vez. Grande, Vermelha, quase do tamanho de uma rosa. O Escoteiro partiu olhando para trás. Uma enorme tristeza o invadiu. A flor da beira do caminho balançou de um lado a outro. Como se estivesse agradecendo o que o Escoteiro fez por ela.

                         Era só uma flor, uma flor vermelha linda a beira do caminho. E ele viu que na beira do caminho tinha uma flor, tinha uma flor na beira do caminho, tinha uma flor, no meio do caminho tinha uma flor...
(Baseado no poema de Drummond – No meio do caminho tinha uma pedra.).


Nota de rodapé: Nunca me esquecerei dessa jornada. Na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma flor... Tinha uma flor no meio do caminho. No meio do caminho tinha uma flor! Conto baseado no poema de Carlos Drummond de Andrade. No Meio do Caminho.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Coisas de escoteiros, coisas da vida.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Coisas de escoteiros, coisas da vida.

                    Verdade, meu carrinho ficou pronto, já posso deitar e rolar com ele por este mundão de Deus. A pé moletando tava difícil. Não ficou tão bonito como os “Ninhos de Águia” que fazia nos meus acampamentos. Mas ficou igual a “Ponte Levadiça” que ninguém quis usar para atravessar as corredeiras do Rio Pequeno. Pequeno? Só de nome. Fui ao banco e lá chegando o caixa me disse que meu saldo era igual a Zero menos quinhentos. Voltei. Topei com uma Radio Patrulha prendendo um casal e nem fiquei sabendo o porquê. Ao chegar em casa sentei na minha varanda (adoro!) e pensei na prisão.

                    Não sou um escoteiro tão limpo de corpo e alma. Não sou não. Já fui preso, ameaçado e levei bordoadas no trazeiro tudo por culpa de um policial. Mas eles queiram ou não impõe respeito e não podemos ficar sem eles. Com dezessete anos voltava do meu namorico com a Célia e um grande comício acontecia na Av. Dom Pedro. Eu sabia que o Senhor Jânio Quadros estava na cidade. Na Rua Peçanha uma enorme multidão corria em minha direção. Desci da bicicleta e fui para o passeio me esconder atrás de uma arvore. Só vi o barulho e a dor no trazeiro. Alguém me batia com uma taboa e não parava. Virei-me dei nele um soco a “lá Escoteira” e quando ele caiu com o nariz sangrando vi que era um policial. Putz! A barra pesou.

                    Levaram-me para o xadrez. Seis horas depois o Chefe João Soldado e o Capitão Barbosinha me tiraram de lá. Mas as experiências de cadeia não pararam por aí. No final da década de sessenta em uma cidade no interior de Minas, fazíamos um Conselho Regional hoje chamado de Assembleia. Putz! Porque mudaram? Conselho era mais supimpa, mas esta turma de hoje gosta de mudar. Conselhos os índios faziam. Assembleia a CUT e o PT faz sempre. Mas tem gente que gosta fazer o que? Mas continuemos. Estava lá a nata do escotismo mineiro. Eu o Comissário Regional, Chefe Darcy Escoteiro Chefe, Padre João que foi Diretor Nacional de Adestramento (já notaram que os nomes do passado eram mais escoteiros?), padre Geraldo, Chefe Hélio (profissional escoteiro da UEB), o vice-prefeito da cidade e olhe isto sem contar muitos Distritais e Chefes do Estado.

                    No sábado, lá pelas onze da noite terminada as eleições, fomos a um programa típico de escoteiros famintos. Uma moqueca de peixes (cidade ao lado da represa de Furnas) que ninguém queria perder. Era perto e caminhávamos a pé junto a um muro alto quando vimos do outro lado do muro uma plantação de goiabas. Brancas, vermelhas, e soube que lá tinha verde, rosa e azul apesar de que não vi. Risos. O Chefe Nonato do Grupo de Sabará viu uma reentrância no muro e subiu por ela pegando duas goiabas. Demais. Grandes, enormes pareciam ovos de canguru (Chefe canguru não bota ovo! - Não? Então troca para Ema ou avestruz). E foi então que vi o Padre Geraldo subindo e pulando do outro lado do muro. Logo o muro ficou cheio de chefes, todos querendo sua goiaba colorida.

                 Vinte minutos depois após três apitos longos e um Lobo, Lobo, Lobo todos retornaram para a rua, cada um com os bolsos cheios de goiaba. Hoje a vestimenta seria ideal, com aquelas calças bombachas e bolsões que mais parecem bolso de guerrilheiros para levar munição poderiam caber muitas goiabas. Eis que chegaram esbaforidos um homem bigodudo e mais seis soldados. – “Teje todos presos”, ladrões de goiaba! Chefe Darcy com aquela fleuma britânica respondeu. – Calma, veja o preço, iremos pagar! O Helio que era lá do norte disse que não iria pagar nada. Seria uma piada se não fosse sério. Quatro padres, um Regional, um Escoteiro Chefe, Seis DCIM, uns tantos DCB, muitos IM e oito distritais sem contar o Presidente da Região um Coronel que todos conheciam pela sua valentia e honradez ir parar no xadrez.

                 – Eis que o Vice-prefeito da cidade tomou a frente junto com o Padre Anselmo pároco de lá. – Calma Juvêncio. São meus amigos. Eu que autorizei! – Pois é doutor, ainda bem, as celas da delegacia estão vazias e cabe todo mundo. Mas olhe se quiserem abro o portão e todos poderão colher as goiabas em technicolor e as coloridas a vontade! Agradecemos e fomos comer a peixada que por sinal estava no ponto e quem iria pagar era o Lions Club da Cidade, isto porque o Rotary quase saiu nos tapas para ter a honra de pagar. “Benza” Deus!  


                   Posso afirmar que setenta por cento foi real, o restante é coisa de escritor que quando não aumenta um ponto esquece do seu conto. Tempo bom sô! Tempo de sorrir de ser feliz, de ser fraterno não importando o cargo onde a amizade era real. Boa tarde para todos vocês.   

Nota de Rodapé: -   Olá gente escoteira. Hoje tirei o dia para sorrir, para brincar comigo mesmo e não fiquem chateados com a foto publicada. Uma parecida que publiquei há anos nunca vi tanto politicamente correto me dando bordoadas. Mas verdade é que não sei se é um lindo uniforme ou não. Parece que foi desenhado na França. Mas repito hoje estou de bem com a vida, e não quero me indispor. Principalmente agora com meu carrinho 2003 funcionando, escapamento furado, mas e daí? E então vi um casal sendo preso e pensei: - Porque não escrever sobre prisão? E rebusquei nas minhas lembranças “causos” para contar. Isto mesmo. Já fiquei horas no xilindró. Porque é só ler à crônica. Boa tarde a todos com um sempre alerta de quem gosta de sorrir, mesmo estando sem um tostão furado! Rs,rs,rs. 

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Lendas da Jângal. O ultimo Grande Uivo – É difícil dizer adeus...


Lendas da Jângal.
O ultimo Grande Uivo – É difícil dizer adeus...

           Em nossa vida estamos sempre dizendo adeus. Não é um adeus para sempre. Mas para crescer temos que deixar para trás aqueles que amamos e nunca deixaremos de amar. Todos nós um dia deixaremos o nosso lar, sem perceber dizemos adeus aos nossos pais, nossos irmãos, mas continuamos junto a todos eles sempre na mente e no coração. Um dia vamos partir para mais longe, mas o longe é tão perto que nos manteremos unidos em qualquer tempo. Muitas vezes sentimos saudades do passado, buscamos lá no fundo da memória cada ato, cada ação e isto nos trás um bem tremendo. Dizem que recordar é viver. Acredito sim. Lembrando Drummond ele dizia que fácil é dizer “oi” ou “como vai?” Difícil é dizer “adeus”... Fácil é abraçar, apertar a mão. Difícil é sentir a energia que é transmitida... Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só...

           Realmente é difícil dizer adeus. Uma palavra que não gostamos de usar. No escotismo estamos sempre dizendo adeus. Um adeus diferente, pois estamos a poucos passos daqueles que despedimos. Mas aquela saudade gritante ainda machuca quando partimos para a Cidade dos Homens. Se um dia fomos lobos o nosso amor a nossa Alcateia, a nossa Akelá, nosso Balu, Kaa, Baguera ou Raksha ficará para sempre em nosso coração. Se ali vivemos uma vida cheia de amor, nada poderemos fazer para que um dia cada um de nós fique para trás. Vai chegar a hora de dizermos adeus. Faz parte do nosso crescimento? Sim faz parte. Iremos deixar para trás um pedaço de nós. Não foi assim que disseram? O homem ao homem! É o desafio da Jângal! Já parte aquele que foi nosso irmão. Ouvi, então, julgai, ó vós, gente da Jângal, respondei: - Quem irá detê-lo então?

          Tantos anos, um tempo simples cheio de amigos e sem querer sabemos que o homem vai ao homem, mesmo que saibamos que na Jângal está a nossa trilha, ninguém mais vai poder nos seguir. Nem mesmo Shere Khan. Permanece aquela dúvida cruel de menino lobo, a lembrar de que Mowgly queria ter morrido nas garras dos Dholes, quando sua força esvaiu-se e ele sabia que não foi veneno. Dia e noite ouvia um passo duplo no seu caminho. Quando voltava à cabeça sentia que alguém se esconde atrás. Procurava por toda parte atrás dos troncos, atrás das pedras, e não encontrava ninguém. Chamou e não tinha resposta, mas sentia que alguém o ouvia e se guarda de responder. Ele se lembra de tudo. Sabia que tinha de partir. Se Baloo, Akelá disse que ele iria um dia partir para a Alcateia dos homens não tinha como fugir. Não era a lei? Não foi Kaa quem disse que homem vai para os homens? Mesmo que a Jângal não mais o expulse? É não adiantava mesmo que os irmãos Gris uivem furiosamente dizendo – Enquanto vivermos ninguém, ninguém mesmo ousará!

           Ele sente que já está com saudades. Estão todos prontos para o Ultimo Grande Uivo. Quantas vezes ele os fez? Quantas vezes ele gritou melhor, melhor, melhor e melhor? Quantas vezes a Akelá no centro do círculo de braços abertos olhou para ele e ele sabia o que responder? Tudo agora vai acabar para sempre? Mas ele se lembrava das palavras de Bagheera dizendo que ele deveria seguir novos caminhos – Senhor da Jângal, lembra-se que Bagheera te ama, vai em paz. O Grande Uivo terminou. Era a hora da passagem. Passagem? Ele iria partir? Dizer adeus? Olhou além da floresta e viu os homens meninos o esperando. Ele já os conhecia. Ficou varias luas com eles. Foi bem tratado, aprendeu a dizer o Grito da Patrulha, aprendeu o novo lema à saudação. Aprendeu muitas coisas...

              Ele não sabia se chorava ou se dizia adeus quando se despediu de cada um. Mão por mão. Aquela do coração firme como a dizer: - Estarei sempre aqui e vocês estarão sempre aqui no meu coração. Olhou para Kaa e lembrou que ela chorava e que era difícil arrancar a pele, mesmo que Baloo também chorasse e pedia que antes de partir ele o chamasse. Venha até a mim sábia rãnzinha e ele quase rompeu em soluços naquela despedida dolorida. Não se esqueça de mim. Ele lembrava quando estava partindo e Kaa repetia – “Somos todos, eu e você irmãos de sangue”. Seus olhos estavam molhados de lágrimas. Tinha de partir, sabia que está era sua sina seu destino. Ainda deu para ouvir os soluços e os gritos do Lobo Gris que de olhos erguidos para o céu dizia – Onde me aninharei doravante? Pois agora os caminhos são novos...

          Era seu último Grande Uivo. Mais uma vez olhou lobo por lobo. Nunca mais iria esquecer aquele dia. Hora de partir. Sempre é uma hora difícil de dizer adeus. Mais uma vez ele se lembrou das palavras do seu irmão o lobo Gris – “Filhote de homem, senhor da Jângal, filho de Raksha, meu irmão de caverna, O teu caminho é o meu caminho. A tua caça é a minha caça e a tua luta de morte é a minha luta de morte”. E ele completou gritando para a Alcateia quando partiu - “Boa caçada grande povo da Jângal”! Não tinha mais nada a dizer. Mais uma vez deu seu ultimo adeus e ouvindo a canção do lobinho ele partiu para seu novo mundo. Akelá o levou até a trilha que o levaria a cidade dos homens. Segurou sua mão esquerda e disse – Você sempre será bem vindo ao nosso meio. Quem foi um lobo sempre será um lobo. Vá com Deus e que na cidade dos homens você seja feliz como foi aqui!

        O Monitor e o Chefe o esperavam na trilha da cidade dos homens. Com sorriso saudoso e venturoso ele apertou a mão do Chefe e do seu Monitor. Agora teria uma patrulha, agora ele teria de agir como homem. Sabia que todos iriam ajudá-lo na nova vida. Pois ali disseram eles que seriam um por todos e todos por um. Olhou para trás, acenou para a Akelá e os lobinhos. Seu coração bateu forte. Que vontade de voltar de dizer que não queria ir. Mas agora não era um homem? Suas passadas deviam ser para frente e voltar seria um retrocesso. Pensou consigo como era difícil dizer adeus. Difícil mesmo, mas agora era um homem. Disseram para ele que o homem mais sábio e mais digno de confiança é o que aceita as coisas como são. Ele agora tinha uma nova vida. Sabia que não seria fácil, pois nada neste mundo é fácil. Mowgly não era mais o mesmo quando partiu. Seu coração doído iria se regenerar. Foi saudado por todos na Tropa Escoteira, na cidade dos homens. Fez questão de apertar a mão de todos. Havia aprendido que o Escoteiro é amigo de todos e irmãos dos demais escoteiros.

“O abutre Chill conduz a noite incerta, e que o morcego Mang ora liberta - É esta a hora em que adormece o gado, Pelo aprisco fechado. É esta a hora do orgulho e da força unha ferina aguda garra. Ouve-se o grito: Boa caça aquele Que a Lei da Jângal se agarra”.


Nota de Rodapé: – Ai de mim! Exclamou Mowgly em soluços. Eu não sei o que sei! Não vou, não vou, não quero ir, mas sinto-me arrastado por ambos os pés. Como poderei deixar de viver estas noites do Jângal? – Ergue os olhos, irmãozinho, disse Baloo. Não há mal nisso. Quando o mel está comido, abandonamos os favos. – Depois que soltamos a pele velha, não podemos vestir de novo, ajuntou Kaa. É da lei. A pantera lambeu os pés de Mowgly. – Lembra-te que Bagheera te ama, disse ela por fim, retirando-se num salto. No sopé da colina entreparou e gritou: Boas caçadas em teu novo caminho, senhor da Jângal! Lembra-te sempre que Bagheera te ama.

domingo, 22 de outubro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. “Sempre aos Domingos”.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
“Sempre aos Domingos”.

                   Há diferença é que muitos estão passeando, olhando a vida de ontem e de hoje para ver se o caminho a seguir é este. Para mim um aposentado, um Velho Chefe Escoteiro sem eira nem beira os domingos são iguais. Não faço nada, escrevo, converso com meus familiares, atendo visitas que vem ver o velho (são poucas hoje) e fico algum tempo em minha varanda onde adoro imaginar que a vida é bela e merece um sorriso para continuar a viver. Lá fora uma chuvinha miúda cai. Depois do calor da semana bem vinda. Ela me faz lembrar tantas coisas que fecho os olhos e deixo minha mente voar nas asas da imaginação e me levar.

                   Cada dia para mim não é rotina. Faço dele um pedaço do meu viver. Porque não? Se não posso estender minhas mãos pessoalmente porque não fazer isto pelas ondas da modernidade até onde elas irão chegar? Pensamentos voam. Passeio pelos cantos do mundo. Muitos sorrisos nas fotos montadas pelas páginas de um amigo ou amiga que se orgulha por uma razão qualquer. Todos tem algum para mostrar. Alguns mostram tristezas, outros a saudade da perda, outros dos dias que se foram e outros dos dias que virão. Lá do sul vejo uma Chefe sorrindo, lá do norte alguém comentando que suas vozes irão viajar pelos ares visitando escoteiros do Brasil e de outras nações.

                   Não é do meu tempo. Hoje muitos gostam de “coisas” que nunca fiz. Gritam no microfone aos quatro ventos como se estivessem no Fogo do Conselho invocando os Ventos do Norte e do Sul. Eles amam o que fazem. Alguns pensam que estão dando aos seus jovens uma nova maneira de viver, outros pensando que isto os fará feliz. Um rádio potente, uma onda correndo nos céus em busca de outros que lá estão escoteirando e imaginando se o outro também está feliz a conversar e se entender escoteiramente.

                     Eu na minha simplória trajetória procuro outras razões para sorrir. Corro como um vento nas tempestades por montanhas e vales, por trilhas e rios caudalosos, pego o trem da saudade, monto na minha estrela e viajo até a mata do Tenente, vejo ao longe a bruma branca a se formar na enorme cascata do Rio Formoso. Enquanto isto vai tocando na minha vitrola canções que me fazem feliz. “Somewhere over the Rainbow”. Israel “IZ” Kamakawiwo canta na minha imaginação. E então penso nela, penso nele, penso nos jovens que se animam a escalar as serranias e alturas. Quem são eles? São escoteiros do Brasil.

                      E bate fundo como uma saudade um poema de um poeta escoteiro que nunca vi. – Já viste por acaso, a luz das madrugadas, uns veleiros azuis singrando mar afora? Ou então em marcha a cantar patriótica toada, um grupo que lá na serra alcantilada em plena mata acampa e uma bandeira arvora? Desta flotilha azul, quem são os marinheiros, que se animam a escalar da serrania e altura? Contemplais... São jovens escoteiros, entusiastas joviais, briosos brasileiros que lá vão brincar ao léu de uma aventura...

                       E o Velho Chefe Escoteiro canta, quem sabe o Rataplã do mar. Canta o arrebol, canta o Rataplã do coração. E a tarde vai chegando. Ele no seu afã de sorrir e fazer sorrir corre para sua máquina de sonhos. Joga no ar uma saudade, saúda aos que estão Joteando pelos quatro cantos do mundo. Olá! Voce que me lê, eu sou apenas um Velho Escoteiro que gosta de você. Tente fazer alguém feliz, quem sabe seus amores e esqueça suas dores.

                      E na hora de encerrar, quem sabe finalizando o poema do poeta escoteiro que nunca vi eu falo por ele: - E se você, que não é escoteiro, sem demora, traga seu concurso a nobre instituição, e quando ouvirdes Rataplã lá fora, também direis: - Eu sou escoteiro agora e dos jovens do Brasil tereis a gratidão!

Bom domingo, meu abraço fraterno e sempre alerta!

Nota de rodapé: -  Olá meus amigos minhas amigas. Nesta tarde bolorenta onde cai uma chuvinha intermitente em minha cidade, sem ter um microfone nas mãos para Jotear eu desejo a todos vocês muitas alegrias, que levem suas palavras pelo mundo mostrando que o escotismo bate fundo e ainda permanece no coração de muitos que sabem ser escoteiros do coração. Boa tarde. 

sábado, 21 de outubro de 2017

Anotações de Baden-Powell – Número 2. Apenas basta sorrir!


Anotações de Baden-Powell – Número 2.
Apenas basta sorrir!

“Quando tudo vai mal e parece inclinado,
    A tornar-se pior e mais turvo a seguir,
   Não dê coices, nem grite e não fique afobado;
        Apenas basta sorrir.

           Quando alguém, a você, quer passar para trás.
              E tomar mais que a parte que lhe competir,
                Seja firme, gentil e paciente rapaz:
                  Apenas basta sorrir.
             
                     Mas se um dia você ficar “cheio“ demais
                       (certas vezes você ficará abafado)
                           Não podendo sorrir, não se irrite jamais
                              “Apenas fique calado”.
                  Do Livro o Caminho para o Sucesso. Baden Powell.

Boa disposição.
- A falta de riso significa falta de saúde. Deves rir tanto quanto puderes que te faz bem; por isso, sempre que puderes dar uma boa gargalhada ria à vontade. E faz rir os outros também quando puderes, visto que lhes faz bem. Se estiveres a sofrer, ou em apuros, faz por rir da tua dor ou das tuas preocupações; se te lembrares disto, e te obrigares a rir, vais ver que te faz realmente bem. Uma dificuldade deixa logo de ser uma dificuldade assim que te rires dela e a enfrentares.

- A vida do Escoteiro torna-o tão jovial que ele está sempre a sorrir. “Um sorriso leva duas vezes mais longe do que uma careta”. Uma palmada amigável nas costas é um estímulo mais poderoso do que uma picada de alfinete. Se olhares para um verdadeiro lobo, vê-lo-ás sempre de focinho franzido, como se estivesse a sorrir. Então, o lobinho também deve andar sempre sorridente. Mesmo que não te apeteça sorrir - e por vezes até podes ter vontade de chorar - lembra-te de que os lobinhos nunca choram. Com efeito, os Lobinhos sorriem sempre, e quando têm problemas ou estão com dores, quando estão em apuros ou em perigo, sorriem sempre e aguentam.

Nos Lobinhos, o sorriso do escoteiro deve ser um riso aberto. O riso neutraliza a maior parte dos defeitos das crianças e promove a alegre camaradagem e a abertura de espírito. O rapaz que muito ri pouco mente. Uma Escoteira anda sempre a sorrir e a cantar, dando alegria aos outros e a si mesma, especialmente em tempos de perigo, pois mesmo então nunca deixa de fazê-lo.
«Ri enquanto trabalhas» (lema sugerido para as Escoteiras)

Em geral, existe sempre um lado divertido até mesmo nas piores alturas. O bom humor é tão contagioso como o sarampo. Uma boa dose de riso é um banho para o cérebro. Com carácter e um sorriso, o rapaz vencerá os males que se lhe deparem no caminho. Há muito tempo, descobri por experiência própria quanta verdade existe no ditado; «Um sorriso e uma bengala ajudar-te-ão a atravessar todas as dificuldades que há no mundo»; e quando ganhei mais experiência, percebi que normalmente até se pode deixar a bengala em casa.

Se um rapaz se habitua a mostrar um semblante alegre quando vai pela rua, já faz muito. (Não nos esqueçamos de que ele adquire este hábito graças ao exemplo do seu Chefe). A sua atitude ilumina e torna mais felizes muitos dos que passam por ele, comparada com as deprimentes centenas de caras tristonhas com que também se cruzam. A alegria e a tristeza são tão contagiosa uma como a outra.
«Um sorriso é a chave secreta que abre muitos corações».

As Escoteiras nunca resmungam perante as dificuldades, nem refilam umas com as outras, nem se põem de má cara quando ficam de fora. Acho que nós, os Escoteiros, podíamos acrescentar mais uma às sete virtudes cristãs - concretamente, a boa disposição. Há uma divisa que afirma: “Sê bom, e serás feliz”. A minha versão é: “Sê bem disposto, e serás feliz”.

Vede sempre o lado melhor das coisas e não o pior.

Nota de rodapé: - Hoje dia de reunião poucos irão ler agora a magnifica interpretação de Baden-Powell sobre a alegria e o riso. Sei que quando saírem da reunião na primeira oportunidade irão ler. Vale a pena. BP foi um homem além do seu tempo. Em tudo que fez e criou. “Sê bem disposto, faça uma boa ação e serás feliz”.
  

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Conversa ao pé do fogo. Dissecando um artigo publicado.


Conversa ao pé do fogo.
Dissecando um artigo publicado.

               Postei há dias um artigo sobre o portador da Insígnia de Madeira. Foi baseado em muitas publicações que li e também o que pensava Baden-Powell. Alguns poucos comentam que a IM era bem considerada no passado e hoje não mais. Sei que todos conhecem a história do curso, do lenço, das contas e de suas místicas e simbolismo motivo de orgulho para todos nós escoteiros. Até hoje em todo o mundo o caminho é um só. Ter a honra de pertencer ao 1º Grupo de Gilwell. O volta a Gilwell tão bem cantado em rodas de Insígnias da Madeira dão o tom às místicas que envolvem aos portadores da IM.

                Não importa que o 1º Grupo de Gilwell seja apenas uma quimera, uma criação hipotética. Ele existe na imaginação e faz parte da Mística do Escotismo que começou em 1910. Quando Baden-Powell escreveu e publicou o “Escotismo para rapazes” ele jamais imaginou as dimensões que sua criação chegaria a ter. O aprendizado dos primeiros chefes não tinha uma organização formal e na maioria das vezes era baseada no conhecimento geral. Baden-Powell viu a necessidade de organizar a formação dos chefes escoteiros de uma maneira mais metódica. Alguns cursos foram realizados em Richmond/Londres em 1909 e 1910 sob a liderança do próprio Baden-Powell. Eram cursos rápidos e o maior deles foi realizado em fevereiro de 1911. Com o advento da primeira guerra os cursos deram uma pausa para voltar posteriormente.

                Em 1918 com o fim da guerra o Movimento escoteiro crescia em ritmo acelerado. Precisam ter um local que servissem como área de acampamento e como um centro de formação escoteira. A história de Gilwell Park é conhecida de todos. Graças a Rosneath, de Dumbartonshire na Escócia que doou uma quantia em libras foi possível adquirir um local próprio uma área chamava de Gilwell Hall. Gilwell Park já com novo nome teve de ser totalmente reformado e foi inaugurado em 26 de junho de 1919. O primeiro curso de formação escoteira aconteceu de 8 a 19 de setembro de 1919 (onze dias, muito diferente de hoje) e dirigido por Francis Gidney, o primeiro Chefe de Campo de Gilwell contando com a participação do próprio Baden-Powell.

                As histórias reais e imaginárias, as místicas e simbolismo se sucederam após este primeiro curso. A Insígnia, o lenço suas contas hoje é do conhecimento geral. Anos se passaram e o sistema praticado em Gilwell rodou mundo e aportou no Brasil. Os cursos do passado eram realizados com copias mimeografados cedidos por Gilwell Park, muitos de 8 a 11 dias. A modernidade deu possibilidade de se modificar e alterar muito do que existiu. Bom ou não poucos ainda hoje usam o modelo Gilwellano. Felizmente ou infelizmente muitas das alterações feitas não só no curriculum do curso como em muitos programas foram feitos a poucas mãos.

                 A disciplina, a lei e a promessa são invocadas a cada um que discorda ou quer sugerir. O mote do vá a Assembleia não passa de uma ilusão. Enquanto não for alterado o Estatuto da União dos Escoteiros do Brasil, teremos decisões que muitas vezes são contrárias ao pensamento geral. A União dos Escoteiros do Brasil parece se satisfazer com a grande rotatividade/evasão ou em inglês Turnover. Isso faz com que muitos novos aceitem sem discutir ou argumentar o que ela diz através dos seus atos.

                 Nada que faz ou decide tem alcance maior do que sua máquina dirigente de poucos membros. A consulta às bases nunca aconteceu. Opiniões são desprezadas desde que vão de encontro ao pensamento dos dirigentes. As pesquisas entre seus membros e unidades locais nunca aconteceram. Infelizmente a IM tornou-se um símbolo de nobreza ou elevação de Status que muitos ainda não entenderam sua posição junto aos jovens. Nem todos se enquadram com o que escrevo e penso. Temos muitos chefes que merecem nossa admiração e respeito. Sejam eles IMs ou não.

                 A importância de ser um portador da Insígnia de Madeira vai além da formação de caráter e do entendimento que o escotismo foi criado para os jovens e o Chefe é um ator coadjuvante. Para eles todos deveriam se voltar com cortesia e respeito. Se hoje os que não concordam tivessem sua IM poderíamos dar uma nova fisionomia do que pensamos e agimos. Reclamar só não nos leva a nenhuma solução. Ficar entre paredes e pátio fazendo um escotismo arredio acreditando ser a melhor solução tenho minhas dúvidas. A continuidade e a perseverança principalmente dos jovens deve ser o objetivo final.

               Ainda tenho sonhos que os fiz desde os primórdios de minha existência escoteira. Conviver em fraternidade, harmonia, respeito e ética entre todos participantes do escotismo do Brasil e do mundo. Luto por uma democracia escoteira plena sem dono e com raiz. Onde o poder emana dos associados e há todos eles devem ser dada a possibilidade de eleger, votar e ser votado não importando seu cargo eletivo no escotismo nacional o sucesso é garantido.

               Quando arregaçarmos as mangas do uniforme, dizendo vamos em frente e saber que a união faz a força, o poder faz um milagre e a derrota um vencedor teremos sim um escotismo respeitado e reconhecido pelas autoridades e pela população brasileira, independente de ser um IM ou não.

Obrigado. Chefe Osvaldo.

Nota de rodapé: - Não deveria ser o artigo de hoje. Meu artigo o Portador da Insígnia de Madeira produziu inúmeros comentários em minhas paginas grupos e muitos que compartilharam. Alguns concordando e outros discordando. É bom isso quando vemos o meio escoteiro adulto participando mais e vendo onde irá colocar seus passos escoteiros no futuro. É apenas um pensamento de um Velho Chefe Escoteiro que pode estar errado já que não sou nenhuma sumidade ou entendido do Escotismo de Baden Powell. Tudo que sei aprendi na Escola da Vida.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Conversa ao pé do fogo. Cem anos de escotismo. Valeu?


Conversa ao pé do fogo.
Cem anos de escotismo. Valeu?

                Em 2010 o escotismo fez cem anos. Muitos resultados a apresentar. Alguns calculam que mais de quinhentos milhões de seres humanos passaram pelo escotismo. Um número surpreendente. Centenas de milhares de homens e mulheres que documentaram o valor do escotismo. Posições chaves em seus países, políticos, cantores, atores, muitos reconhecidos pela sua performance em suas atividades profissionais e tantos outros dignificam e dignificaram o método Badeniano. Agradecidos a BP pelo que representou em seu modo atual de vida. Isto é o melhor Marketing, a melhor propaganda para alavancar e tornar conhecido o escotismo em todos os tempos.

                 Em centenas de países o escotismo sobrevive com sucesso e muitos lutando para que não se apague a chama escoteira que tão bem nos conduziu pela trilha do sucesso de nosso fundador Baden-Powell. Artigos, contos, marketing são escritos e mostrados na imprensa falada, escrita e televisada. Alguns países se retraem outros crescem a passos largos. Queira ou não a politica se sobressai juntamente com os egos de cada um. O “eu de cada um” é o que caracteriza a personalidade de cada individuo. Nestes casos nem sempre no escotismo isto leva ao “Caminho para o Sucesso”.

                 Não sou um emérito conhecedor e estudioso do escotismo nos países que assentaram as bases Badeniana. Até mesmo no nosso País costumo errar nos meus complexos artigos sobre o tema e muitas vezes me deixo levar pelo amadorismo, ou melhor, pelo fascínio que me torna um entusiasmado cobrador de resultados. Sei que se fala muito nos tempos modernos e isto dá uma ênfase a qualquer tema nos tempos de hoje. Quem me dera ser um conhecedor da psicologia social de Sigmund Freud. Um matuto mineiro não pode pensar a tanto.

                 Alguns afirmam que o escotismo em nosso País surgiu nos primórdios de sua fundação, quando o Primeiro Tenente da Marinha de Guerra Eduardo Henrique Weaver e o suboficial Amélio Azevedo Marques que presenciaram o nascimento do escotismo inglês trouxeram a ideia para o Brasil. Afirmam historiadores que no dia 14 de junho de 1910, na casa número 13 do Chinchorro no Catumbi, Rio de Janeiro eles se se reuniram pela primeira vez. Assim nasceu o Centro de Boys Scouts do Brasil. Uma noticia nos jornais da época assim foi publicada:
"À imprensa desta capital, brilhante e poderoso fator de progresso, campeã de todas as idéias nobres, vem o Centro de Boys Scouts do Brasil, solicitar o auxílio de sua boa vontade, o esteio de que necessita para que em todos os lares brasileiros penetre o conhecimento do quanto à Pátria pode ser útil à instrução dos Boys Scouts".

                  Mais de cem anos passados. Alguns afirmam que estas datas servem mais para a historia Escoteira e que a realidade é outra. Historiadores comentam que nosso Movimento Badeniano no Brasil só foi fundado quinze anos depois. Nos anos que se seguiram diversos homens lutaram para dar uma fisionomia e credibilidade no método de Baden-Powell. O tempo passou. Ainda não temos resultados absolutos apesar de que nossa liderança afirma o contrário. Falta ainda muitos testemunhos daqueles que passaram pela fileira escoteira para sermos devidamente reconhecidos como um método importante na formação de jovens.  

                  Cem anos de escotismo. Baden-Powell foi enfático em dizer que precisaríamos manter nossos jovens por pelo menos anos no escotismo. A verdade é que isto não é mais possível com a nova metodologia moderna e educacional que muitos acreditam ser o encontro da modernidade com o presente e o futuro. Ainda temos muito que fazer. Esquecer a metodologia Badeniana ou aceitar o que dizem os pedagogos, pensadores, psicólogos e altos dignitários acadêmicos sobre a nova formação de mentalidade dos jovens no dia de hoje ainda não se provou autêntica.

                    Resultados. Eles que interessam. Devemos esquecer Baden-Powell que criou um método diferente de tudo que se conhecia há mais de cem anos? Tempos da diligencia, da bicicleta bem diferente das tecnologias do dia de hoje. Difícil dizer. Não há mais serventia o facão, a machadinha e a vida na natureza selvagem. A descoberta de novos encantamentos existe hoje de outras formas. A chama do herói, de ser um bandeirante, de ser um amante da natureza vai sendo substituída pelas maravilhas tecnológicas que são oferecidas aos jovens de hoje.

                     Alguns dizem que precisamos nos reencontrar. Quem sabe ouvir mais e falar menos. Quem sabe nossos lideres saem a campo para ver até onde chegamos. Ver a realidade de outra forma sem julgar caminhos que poderão ser contrários ao seu pensamento. Precisamos sim fazer um mea-culpa. Aceitamos muito as ideias dos novos que chegam e esquecemos que nosso passado foi escrito por um homem que até hoje é considerado “Além de seu tempo”!    

Termino o meu artigo plagiando Giancarlo Valente que por si só se explica.
- Somos homens e mulheres provenientes de caminhos diversos, mas unidos na convicção de que o escotismo é uma estrada de liberdade para todas as estações da vida, assim como na de  que a  felicidade está em servir aos outros a partir dos mais fracos e dos indefesos. O adulto Escotista é uma mulher ou um homem de paz: homem livre, uma pessoa que tem a coragem de ir “além de”, uma pessoa que olha o mundo com o olhar de um jovem. O adulto Escotista é uma pessoa competente para transmitir o próprio saber. Uma pessoa que sabe estar junto aos demais, tomando-lhes as mãos. Uma pessoa que vive a historia com o espírito de serviço. O adulto Escotista é uma pessoa que crê no futuro e é um sinal de esperança. Uma pessoa que não se considera ter chegado à meta. Um velho sempre mais velho, fora do contexto social. Se tudo permanecer como está!


O adulto Escotista consegue maravilhar-se olhando ao seu redor. È o que serve sem esperar um muito obrigado. È uma testemunha do empenho em direção aos últimos. O adulto Escotista é um recurso da sociedade futura. È, também, a esperança de uma mudança. - Giancarlo Valente. 

Nota de rodapé: - Um artigo feito para meditar. Pensamentos utópicos ou reais. Cem anos de escotismo já se passaram. Onde pisamos? O que fazemos? Onde estão os resultados tão esperados? Cem anos. Quando iremos ver que o escotismo de Baden-Powell tem de ser compreendido a luz da modernidade sem modificação? De quem é a verdade? Os nossos dirigentes ou aqueles que foram esquecidos na escuridão?