Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 23 de junho de 2012

O esplêndido e inesquecível Grande Uivo.



O esplêndido e inesquecível Grande Uivo.

(Toda vez que escrevo sobre lobos, me vem à mente o Chefe Blair de Miranda Mendes. Sem depreciar grandes conhecedores do lobismo, ele para mim foi o melhor. Fui amigo dele e quem sabe mais que amigo, um irmão. Fizemos mil e uma atividades, mil e uma aventuras juntos. Blair e eu fizemos história. Hoje, não falamos mais. Ainda está no movimento. DCIM dos bons. E eu aqui repito, tive a honra de ser seu amigo. Uma honra! Meu abraço Chefe Blair!).
     
“GRANDE UIVO significa uma forma de mostrar que os Lobinhos estão prontos para obedecer às ordens do Akelá e, mais do que isso, fazê-lo da forma Melhor Possível! Assim, é também uma maneira de reafirmar a sua Promessa e dar boas vindas aos visitantes ou uma data festiva”.

              Não! Claro que não. Não vou ensinar como se faz grande Uivo. Nunca! Não vim aqui para isto. Só quero contar o que senti na primeira vez. Ou quem sabe muitos aqui que estão lendo este artigo sabem o que quero dizer. Acredito que mesmo a Akelá, o Bagheera, o Balu, a Kaa e tantos outros que são os irmãos mais velhos dos lobinhos devem também sentir quando o Grande Uivo é realizado. Muito ainda não sabem a importância desta cerimonia em sí que por sinal é linda. Talvez a mais linda de tudo que o movimento Escoteiro nos oferece. Pode até ser que se compare a uma investidura pioneira nos moldes do passado. Claro talvez não como eu fiz um dia, há muito tempo atrás, no fundo de uma gruta brilhante a luz dos lampiões, estalactites mil, lá para os lados de Lagoa Santa em Minas em uma caverna ainda inexplorada, mas isto é outra história e não interessa aqui.
             É incrível ver a face dos lobinhos, das lobinhas quando pela primeira vez fazem o Grande Uivo. É inesquecível. Os olhos? Brilham mais que a luz das estrelas. A face fica corada, o corpo tremendo, e quando entram no círculo e ficam naquela espera angustiante para saber que vai representar os lobos, é de tirar o fôlego. O olhar da Akelá, a perscrutar aqui e ali quem seria. O seu olhar de seriedade, o seu sorriso o piscar de olhos e pronto. Escolheu! E ela com sua voz meiga, simpática, amiga e todos a olhando como se estivessem na Roca do Conselho, lá no alto da montanha, ela firme no centro do círculo com o felizardo já escolhido que sorri de felicidade diz olhando para ele: Melhor! Melhor! Melhor e melhor?
             Se você já foi um deles, se você está presente sempre nesta cerimonia, se você sente aquele amor que os lobos tem por aquela cerimônia, então pode ser que vá perder o fôlego como eu faço sempre. E o final daquele momento culminante marca. Eles saltam no ar, como se fossem voar, e com aquela força própria de lobos corajosos, dizem – Simmmm! Melhor! Melhor! Melhor e melhor! Meus amigos, nesta hora sentimos o chão tremer. O coração bater. E aí, o vento começa a soprar, o sol se sente embaraçado e se é noite de luar, fica aquela bola grande brilhante no céu dançando ao redor dos cometas que também dançam com aquele espetáculo inesquecível. Se fossemos eternos sonhadores veríamos os pássaros se aproximar e cantar sobre a Alcatéia numa homenagem aqueles lobinhos e lobinhas maravilhosos.
           Uma mística que vem lá de dentro da Jângal. Uma mística que não acaba. Que não cansa. Que dá alegria e todas as vezes que é realizada os lobinhos saltitantes se preparam com amor. O Grande Uivo tem um valor inestimável. Lobo! Lobo! Lobo! - Lôoobooo! Hora de formar, hora de gritar! Melhor? Melhor? Melhor? E melhor?
- E, nunca esqueço aquele dia, problemas mil, sentado na escada da sede, pensando como fazer e resolver e eis que a minha frente aparece uma lobinha sorridente, linda no seu uniforme azul, fica em posição de sentido e diz – Melhor Possível Chefe! Risos. O que dizer? Fiquei em pé rápido, posição de sentido e respondi – Melhor Possível jovem lobinha. Ela saiu sorridente e eu pensando que meus problemas eram nada. Ah! Estes lobinhos maravilhosos e suas maravilhosas poses e sorrisos!                 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Os meus doces sonhos da primavera



Os meus doces sonhos da primavera

                    Foi meu primeiro acampamento. Jurei que seria o último. Uma experiência que nunca esqueci. Raios, trovões caindo perto, arvores caindo, uma chuva torrencial achei que o mundo ia acabar. Gritava de medo. E não foi só isto. Pensei que era diferente. Um passeio gostoso no bosque? Bah! Armar a barraca tudo bem. Foi divertido mas depois cortar bambu, furar buraco no chão e a comida? Horrível! Não teve graça. Minhas mãos estavam cheias de calos se tivessem deixado levar o celular tinha ligado para minha mãe ir me buscar. Pedi a Chefe mas ela nem aí. Bem eu sabia que nunca mais voltaria em um. Um verdadeiro desastre. Prometeram-me tanto e quase morri de trabalhar, de correr e porque não dizer de medo. Nunca pensei em ser Escoteira. Nunca mesmo. Marlene minha amiga de colégio foi quem deu a ideia. Uma amiga sua era escoteiras desde lobinha e adorava. O uniforme era lindo. Tinha meninos lindos. – Vai ser sopa, falou. Vamos lá escolheremos um belo namorado e damos o fora. E riu com gosto.
                  Minha mãe foi comigo. Meu pai é falecido. Ficaram um tempão falando e falando. Perguntei se não poderia ir para o pátio e brincar com todo mundo. Never, never. Disse o Chefe. Você deve assistir e ouvir o que estamos conversando. Eu e sua mãe. Vai te interessar. Bobão. Ele não sabia do meu interesse. Depois disse que minha mãe tinha de fazer um curso. Blá, blá, blá. Quanta besteira! Um dia foi aceita. Esqueci, me chamo Isabelle. Sou bonita, assim dizem os rapazes, mas até hoje não arrumei nenhum namorado. Minha mãe dá risada. Isa, você só tem 12 anos! É, ele não sabe que já conheço a vida como ninguém. Não sou mais uma menininha que ele colocava no colo. Bem voltamos aos escoteiros. Colocaram-me numa tal de Patrulha Pantera. Só meninas. E os meninos perguntei? Eles tem a patrulha deles. Bem tinha de experimentar.
                  Estava marcado um acampamento de quatro dias. Um feriado prolongado. Até que gostei da ideia. Ceceia me contou uma vez que fez um acampamento. Só que daqueles em fazenda, onde se paga e tem tudo. Almoço café, jantar e monitores lindos. Tipo os dos filmes que assistir varias vezes. Minha mãe comprou tudo que pedi. Coitada, passávamos por uma dificuldade financeira muito grande. Éramos só ela e eu. Fazia tudo por mim. Gostei da mochila, do cantil, do canivete e os danados dos chefes não deixaram ir de uniforme. Disseram que tinha de fazer promessa. Promessa! Que diabos é isso? Comprei uma camiseta vermelha escrita o nome do grupo. Comprei logo duas, pois sabia que uma ia sujar e não gosto de roupa suja e nem de lavar.
                  No dia do acampamento mamãe me levou até a sede. Lotada. Pais tios, avós todo mundo abraçando e chorando pensando que todos os meninos e meninas iam morrer e não voltar mais. Quando entramos no ônibus foi àquela festa. Cantorias sem fins e os pais lá fora dando adeusinho. Quanta cafonice. Mas me diverti muito na viagem. Havia escoteiros lindos no ônibus. Namorei com o olhar muitos deles mas nenhum me olhou assim, como devia. Chegamos descarregar e aí começou meu inferno astral pessoal. Era um tal de armar barraca, cortar bambu, buscar água, cortar lenha seca, correr daqui e dali. Estava “pregada” e a monitora me chamando de “folgada”. Ajudei o mais que pude. Minhas mãos em frangalhos. Calos e calos um até sangrava. E o almoço? Aquilo era almoço? Uma Escoteira que dizia cozinheira fez um arroz grudendo e enfumaçado. Quando fui comer estava doce. Não colocou sal. O bife? Um horror! Não passou direito. Estava sangrando de um lado. Fizeram ainda uma salada de tomate esta pelo menos eu coloquei o sal que queria.
                  E a noite, cansada “prá dedeu” ainda inventaram um jogo noturno para se esconder no meio do mato. Eu e Verinha juntos e nós morrendo de medo. Uma cobra! Um escorpião? Um jacaré? Meu Deus! Quem sabe aparece uma onça? E se viesse uma manada de elefantes correndo o que fazer? E o pior, cansada e toda dolorida fui dormir. Raios, trovões, uma tempestade desabou sobre nós. A barraca começou a encher-se de água. Comecei a chorar e pedir mamãe! Uma ventania derrubou a barraca. Corremos para debaixo de uma árvore. Um raio a cortou no meio. Meus olhos estavam esbugalhados. Minha voz não saia. Nem rezar eu lembrei. Maldito Escoteiro, nunca mais. Quando chegar em casa quero distância. Nunca me verão nas reuniões. Acampamentos? Deus me livre. Aqui nunca mais!
                 Passaram muitos anos depois disto. Hoje sou a Chefe das Escoteiras. Tenho minha Insígnia de Madeira, muitos amigos escoteiros, casei com um que não é Escoteiro e quando minha filha tiver idade acho que vai ser uma. Sempre dei muitas risadas quando lembrava do meu primeiro acampamento. Olhe quantas saudades! Hoje tenho mais de 150 noites de acampamento. Fui em muitos lugares. Tenho orgulho da minha vida Escoteira e amo o escotismo. Mas o primeiro acampamento dizem que ninguém esquece, e eu não esqueci mesmo! Risos.  

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Do destino ninguém foge - parte II.



Meus amigos, se ainda não leram a parte I minha sugestão é ler para entender bem a história.

Do destino ninguém foge - parte II.

Prólogo

“Saiu de casa para conversar com um amigo e contar para ele a novidade”. Vibrava com a possibilidade de ser Escoteiro. Ao atravessar a rua, foi pego por um carro a toda a velocidade, fugindo da policia que vinha logo atrás. Foi arremessado à grande distancia. Ficou inconsciente.
Levado ao hospital ficou em coma dois meses. Saiu do coma, mas sem movimentos no corpo, ficara paraplégico.
Durante um bom tempo não lembrou mais de seus sonhos. Agora eram outros. “Pensou que com o tempo seus movimentos voltariam, ele não desanimou e o tempo passou.”

Quatro anos se passaram quando seus pais o levaram para casa. Nenhum movimento durante este tempo. Conseguiu mexer os braços isto depois de muito tratamento em um centro de reabilitação. Mas as pernas não. O corpo também não. No primeiro ano não falava. Não tinha o que dizer. A voz engasgada. Uma terapeuta fez tudo para ele sorrir e nada. Não acreditava em que diziam a ele. O dia mais feliz de sua vida se foi como uma grande tempestade. Ele agora só via raios e trovões a lhe auscultar o cérebro. Seu atropelamento foi um desastre. Matou seu sonho e até sua vontade de viver. Treze anos uma vida a começar assim interrompida. Sua mãe sempre com os olhos vermelhos. Seu pai fez tudo que podia, gastou o que não tinha até que os médicos disseram que era melhor ele ir para casa. Seu corpo não mais reagia ao tratamento.
Em casa pediu a sua mãe que colocasse o uniforme Escoteiro no baú do seu pai. Ele não queria vê-lo nunca mais. Seu quarto era aconchegante, a janela dava para um pequeno jardim que sua mãe cuidava diariamente. Mas ele não sentia mais o perfume das flores e o sol e a lua para ele não tinha diferença. Dormia de dia ficava acordado a noite. Dormia a noite e ficava acordado durante o dia. Trocava sempre à noite pelo dia. Nada lhe faltou. Sua mãe sempre presente. Banhos, fraldas, refeições, virá-lo sempre para não dar ferida ao corpo, enfim uma mãe incansável para que seu filho pelo menos sorrisse.
Uma tarde bateram em sua porta. Sua mãe atendeu. Surpresa. Dois escoteiros uniformizados queriam falar com Miltinho. Ele não entendeu nada. Não os conhecia. Nunca os viu e esteve na sede deles por pouco tempo. – O que querem? Falou. Sejam breve estou sem tempo agora! Mal educado. Nunca pensou que um dia falaria assim. Eles sorriram. Nós não queremos nada de você. É você que vai querer de nós. Chega de auto-piedade. Você só sabe sentir compaixão de sí mesmo? Está com dozinha de você? Lastimando-se? Não vê que tem pessoas sofrendo a sua volta? Afinal, você é um homem ou um rato? – Quem são voces? Quem dá o direito de falarem assim comigo? – Eles não responderam.  Mudaram de assunto. – Sábado que vem vamos vir aqui e levar você para a reunião escoteira. Afinal não era seu sonho? Só porque se acidentou se acovardou?
Miltinho não escondia sua surpresa e eles foram embora. Chamou sua mãe e perguntou quem eram eles? Eles quem? Ela disse. Os dois escoteiros que aqui estiveram. – Meu filho, não veio ninguém aqui hoje. Miltinho ficou mudo. Por quê? Quem eram? Assombração? Afinal ele já estava com dezesseis anos e não tinha medo de nada mesmo entrevado numa cama. Mas porque, porque, insistiu com seu pensamento. No sábado bateram a porta. Lá estava os dois de novo. Vamos – disseram. Ir com voces? Voces são fantasmas! Não ando com fantasmas. Eles riram. Pegaram Miltinho, colocaram-no em uma cadeira de rodas e saíram de casa rumo à sede Escoteira. Nem despediu de sua mãe e seu pai. Os dois a pé empurrando a cadeira de rodas. Uma festa. Aplausos de todos os jovens. Abraçaram-no, e foi para uma Patrulha Sênior com duas meninas e dois meninos. Ele era o quinto. Claro na cadeira de rodas.
Miltinho! Largue esta cadeira, agora vamos fazer um jogo e não dá para você ficar sentado feito um folgado! Um deles sem ele esperar o levantou e outro empurrou a cadeira para o canto do pátio. Miltinho pensou que ia cair, mas suas pernas se firmaram. Ele não acreditava! Vamos molenga! Diziam todos! Miltinho sorriu, correu, brincou, suou e de volta a sua casa quando entrou viu que esqueceu a cadeira de rodas na sede. Que fique lá para sempre, disse para si mesmo. Aperto de mão, abraços e Sempre Alerta e lá foram os dois escoteiros.
Sua mãe o chamou várias vezes e ele custou para acordar. – Mãe a senhora me viu chegar ontem dos escoteiros? Como? Ela disse. Eu fui lá com os dois escoteiros. Sua mãe sorriu. Mas e a cadeira de rodas? Ela não veio! Meu filho, você nunca teve uma cadeira de rodas. Não pode sentar. É bom que ele sonhe pensou sua mãe. Pelo menos não fica tão triste como estava. Se isto lhe faz bem vou ajudar. E eis que Miltinho senta na cama, se levanta e diz a sua mãe – Deixa que eu vá ao banheiro, escovar os dentes e depois vamos todos nós tomar juntos o café da manhã. Há tempos não fazemos isto! Sua mãe estava boquiaberta! Meu Deus! Um milagre? Ela não sabia se ria ou chorava. Gritava de alegria e chamou seu pai que veio correndo. O abraçou. Quem visse veria uma família maravilhada e sorrindo como ninguém sorriu antes.
Miltinho voltou a estudar. Seu pai o levou aos escoteiros. Ele se tornou um jovem tão feliz que o mundo mudou e ele acompanhou. Sei que hoje é muito requisitado na fábrica que trabalha pela sua felicidade. Os outros querem saber como fazer para ser feliz. Miltinho lembra-se de tudo que aconteceu. Não sabe explicar o que houve quem eram os escoteiros e qual o grupo que foi. Não importava. Se Deus quis assim, agradecemos a Deus por ter me dado à vida de novo. Os escoteiros do sonho nunca mais apareceram. Mas Miltinho nunca os esqueceu. Casou e teve um filho. Quase não tinha tempo para ele. Quando fez treze anos disse que queria ser Escoteiro. Miltinho sorriu. Sim ele também se chamava Miltinho. Deu para ele seu uniforme. Vou lá com você no sábado, seu filho sorria de alegria.
De manhã abriu a janela, agradeceu a Deus pela vida e sua alegria em ser Escoteiro. Correu a casa de um amigo para contar a novidade. Ele seria escoteiro como seu pai fora. Ao atravessar a rua viu um carro em alta velocidade fugindo de um carro da policia. Pneus rangeram uma batida forte. Alguém gritava. Miltinho por sorte escapara.  Não sabe como não foi atropelado. Alguém o empurrou antes da batida. O carro dos bandidos bateu em um poste. Um morto e outro ferido. Miltinho respirava forte. Graças a Deus, Graças a Deus. Olhou no final da rua e viu os dois escoteiros acenando. Eram os escoteiros do sonho de seu pai. Acenou também. Meus anjos da guarda pensou. A vida nos reserva surpresas sem explicação. Fazer o que? Aceitar o seu destino, pois Miltinho sabia que do destino ninguém foge!  

terça-feira, 19 de junho de 2012

Sugestões de um "Velho" Escoteiro



Sugestões de um "Velho" Escoteiro

A Patrulha de Serviço

Devemos se possível (caso não tenham) criar a Patrulha de serviço no grupo Escoteiro. Anualmente o Conselho de Chefes e cada sessão em particular determina a patrulha de serviço do dia. A responsabilidade deve ser repartida com todos. Afinal a sede Escoteira e as atividades ali programadas tem o objetivo da formação do jovem e este deve também ser responsável pelo andamento, limpeza apresentação.
Compete à patrulha de serviço, limpar a sede durante a semana (será vistoriada e vale para a inspeção diária), preparar as bandeiras, arriar e hastear as mesmas no inicio e fim de reunião. Quando da Alcatéia pode ser feito pelos primos e segundos assessorados por um assistente do ramo. Em qualquer caso, uma comissão formada pelo Diretor Técnico, chefes de sessão e um pai, sempre deverão dar suas opiniões sobre o serviço realizado e até pode ser que atingindo uma determinada nota, recebam um parabéns especial que pode ser uma bandeirola ou um premio qualquer.

Conselho de Chefes

Nenhum grupo sobrevive sem um bom Conselho de Chefes. Deles participam os Escotistas do Grupo Escoteiro, inclusive os novos ainda sem promessa. Todos com direito a voz e voto. O Diretor Técnico que preside a reunião deve ter uma pauta a ser seguida, pauta esta feita após ouvir os Escotistas de cada seção antes do inicio, sobre quais assuntos devem ser levados à discussão para aprovação ou informação. A pauta é importante para evitar improvisações.
Compete ao conselho, além do que é determinado no POR e outras normas no Regimento Interno ou nos Estatutos, manter um bom relacionamento entre todos, dando voz e voto a cada um no destino do Grupo, relacionados às sessões. O Diretor Técnico pode apresentar temas oriundos dos Diretores do Grupo. No entanto ali eles não participam (os diretores) a não ser se convidados. Os temas se necessários poderá ser decidido por votação, e esta pode ser aberta ou secreta.  Neste caso a decisão é de todos os participantes. Lembramos que a democracia é importante para que todos respeitem e sejam respeitados.
No Conselho de Chefes é onde se vão dirimir dúvidas, discutir temas apresentados pelos chefes, aprovar atividades nacionais, programar o registro do grupo junto a UEB, sabe como e onde terão cursos realizados e como inscrever, aprovação de gastos nas seções (claro que a parte financeira tem que ser aprovada pela Comissão Executiva). O Conselho de Chefes também é o responsável pelo programa anual e neste caso o Grupo formaliza como ele deve ser feito e seguido.
Cada Grupo Escoteiro deve observar suas normas internas, sempre informando aos escotistas seus direitos e deveres. Estas sugestões estão sujeitas as normas e diretrizes da direção nacional.

Sobre admissão de novos (noviços)

É de responsabilidade do Chefe do Grupo, ou de alguém indicado por ele. É necessária uma norma, visando valorizar a admissão, a Tropa e o Grupo Escoteiro. Muitos grupos já possuem uma planificação e nossa sugestão é só para aqueles que ainda não a possuem.
Uma boa admissão, feita corretamente traz dividendos excelentes. É a hora de fazer com que os pais sintam suas responsabilidades, participem da vida do grupo. Costumo dizer que tudo que é fácil não se dá valor. Exigir dos pais quem sabe um cursinho informativo, onde teriam melhores condições de saber o que é o Movimento Escoteiro. Dificilmente a inscrição aceita no mesmo dia e nem o jovem é conduzido à patrulha, matilha sem antes cumprir etapas já formalizadas. Pensar em facilidades é prejudicar o futuro onde os pais irão achar que não são imprescindíveis e mais cedo ou mais tarde deixarem tudo sobre a responsabilidade dos chefes.
No primeiro dia, os pais devem estar presentes. Ambos. Se não podem, ver outra data onde poderão ser recebidos. O Chefe do Grupo explica as normas, o que se pretende dos pais, do jovem, o que o escotismo tem a oferecer, sua organização, as atividades ao ar livre, as viagens, as responsabilidades e finalmente os pais preenchem na hora a ficha de inscrição, com assinatura de ambos.
Eles se comprometem a participar das reuniões de pais feitas pelas seções, ficam sabendo de suas responsabilidades como conselheiros do grupo, da reunião anual ou extraordinária do Conselho (assembleia) do Grupo, da indicação de prováveis conselheiros regionais, dos acampamentos, das excursões, da colaboração que o grupo fará na formação do jovem junto a sociedade, a igreja e na educação extraescolar. Importantes que saibam que o chefe também tem família trabalha e está ali para ajudar.
Feito todo o roteiro e dependendo de vagas nas sessões os jovens serão apresentados com certo formalismo. Sempre sós. Nada de ter mais de um ou dois pais neste dia. O Diretor Técnico é quem apresenta o jovem e seus pais ao grupo. Após o Chefe da sessão onde ele ficará, o apresenta a todos de sua tropa ou Alcatéia. Isto sempre é feito após o cerimonial e deve ser rápido para não atrapalhar a programação já feita. Quando do termino, uma palma Escoteira, o grito da Patrulha onde o jovem vai participar. Na alcatéia quando da realização do Grande Uivo o Akelá irá apresentar o noviço a todos, claro ele só ira assistir, pois ainda não está pronto para participar do Grande Uivo.
Feito assim, valorizando os pais os dividendos serão enormes. Não esquecer que o contato com os pais não deve ser só no primeiro dia. Mensalmente um telefonema, um e-mail é importante para manter o vinculo até que ele possa ser aproveitado em alguma atividade ou responsabilidade maior no grupo Escoteiro. Conheço grupos que fazem atividades sociais em casa de um ou outro pai uma vez por quinzena, após as reuniões de sábado (lá pelas oito nove da noite). Os comes e bebes são divididos. Sem caráter de obrigação, mas dão ótimos resultados.
Por hoje é só. Meu abraço cordial. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Eu adoro a calça curta!



Eu adoro a calça curta!
 
              Ei! Nada contra de quem gosta da comprida caqui, amarela, cinza, azul, branca, marrom e agora verde. Nada contra. Mas eu? Eu adoro mesmo a calça curta. Quando visto meu uniforme caqui me sinto bem. Não sei por que. Sinto-me mais Escoteiro. Antigamente, lá pelos idos de 60, 70 e 80 havia uma norma no POR que dizia – Junto aos jovens e em atividades com eles se usa a o caqui tradicional (estava mesmo escrito tradicional). O cinza deve ser usado em cerimonias especiais, atividades sociais etc. Assim aquela norma valeu para mim até hoje. Sei que a jogaram pela janela e ela se foi com o vento sul que sopra forte para nunca mais voltar. Modernidade. Vento moderno.
               Sei que muitos hoje e até naquela época tinham vergonha. Aqui e ali alguns com a comprida caqui. Bem não era o meu caso. Nunca tive vergonha. Claro hoje vejo fotos de Baden Powell (BP) sempre de calças curtas nunca vi nenhuma foto com ele usando a comprida (estilo inglês podem me dizer) e me orgulho de ter feito o mesmo. Mas já me condenaram aqui por me arraigar nesta fútil ideia de manter uma tradição que não tem valor para eles. Claro. Respeito. Tradições? Bah! Para tradições. Mas insisto, eu adoro e sempre adorei minha calça curta. Quantas peripécias passei com ela. Mas as alegrias superaram. Chegar a uma cidade, com o grupo, com a tropa ou com a Patrulha o andar ereto em frente, sorrindo e vendo todos nas portas, janelas a admiraram aqueles esbeltos escoteiros (risos eu não era assim tão esbelto) a desfilarem, (Puts! Agora proibiram) bandeiras ao vento! As meninas nos vendo apaixonadas. De onde São? Olhe aquele ali, lindo! Risos.
              Claro, sempre provando a mim mesmo que enfrentaria multidões ou o que seja com ela. Um dia fui para a sede. A pé. Tinha a minha bicicleta. Era fácil ir com ela. Mas como era somente seis quarteirões porque não desfilar a pé? Fazia isto sempre (hoje se escondem em um automóvel e alguns nem o lenço colocam só na sede. Mas eles podem agora. É moderno). Ao passar em frente à Padaria do Osmar alguém gritou! Que belas pernas! Dez pratas para quem passar a mão! Engrossou! E agora? Dezessete anos, metido a valente, faca de um lado, machadinha pequena de outro. Um verdadeiro pistoleiro do oeste. Mão na cintura gritei! Quem se habilita? Quem vai ser o primeiro? Risos. Ninguém. Nunca mais falaram nada.
              A calça curta para nós era sagrada. Nossos chefes sempre usaram. Sempre eles são nosso exemplo. Hoje até dirigentes nacionais se vestem com o tal traje e participam de tudo. Exemplos? Claro. Quem os vê assim aprenderam e vão ensinar a todos a nova moda. Risos. E ainda me dizem que é barato simples e fácil de fazer. Mas e daí? Aumentou o numero de escoteiros por isto? E interessante, só vejo a maioria jovens e escotistas classe media usando. Principalmente em Jamborees, acampamentos nacionais e internacionais onde se paga uma pequena fábula para ir. Os humildes, os sem nada que nunca vão a estas atividades sonham em vestir um uniforme completo. Mas estou falando da calça curta. Desculpem. Saí do rumo. Perdi minha bússola prismática da minha lide “caqueana”. Vamos voltar ao percurso de Gilwell aqui comentado.
             Uma vez acampamos em Baixo Guandu. Um grupo começando. Mais de trintas jovens escoteiros. Esperaram-nos na estação. O trem chegou, olhamos espantados para eles, eles olharam espantados para nós. Eles de calça comprida. Todos. Nós de calça curta. Todos. E aí? Um Monitor me procurou. Por quê? Você curto e eu comprido? Não sei meu amigo não sei. Aprendi assim, nosso grupo é antigo. Sempre manteve as tradições. Fomos para o campo. A noite todos eles estavam de calças curtas. Risos. Arrumaram uma tesoura e picotaram a pobre da calça. Deus me livre!   
            Minha calça curta dos velhos tempos! Adoro você! Estranho até hoje quando vejo alguém de comprido caqui. Cinza até que vá lá. Mas como dizem os filósofos, tudo não passa de um hábito de comportamento e gosto não se discute. Aprendeu assim fará assim. Em breve estaremos todos de verde e caqui. Não sei se de chinelos ou sem meias, o calçado hoje pouco importa. Cobertura? Poderia ser um chapéu de cowboy vermelho vivo! Seria lindo, tudo colorido como se fosse um belo arco íris. Cacilda. Lá estou eu de novo a criticar e centenas a defender. Não tenho este direito, sou um "Velho" Escoteiro  chato, gagá e aposentado. Mas acreditem, não importa. Se eu vivesse mais cem, duzentos anos eu estaria envergando a minha linda, a minha gostosa, a minha deliciosa, a minha espetacular, a minha grandiosa, a minha imponente, a minha majestosa, a minha divina a minha linda muito linda calça curta!    

domingo, 17 de junho de 2012

Porque sou escoteiro?



Porque sou escoteiro?

Ei! Eu sei que você sabe. Acho que já falei aqui antes. Mas eu sou de outra geração. Dos cabeças brancas. Aqueles que dizem tradicionalistas e só atrapalham os novos que gostam da modernidade. Mas acreditem, sou um Escoteiro do coração. E sei que voces também o são. Eu sei que amam o escotismo como eu. Eu sei que pensam nele todo o tempo e que a cada sábado ele vem forte trazer a alegria e a fraternidade dos amigos que juntos irão fazer atividades mil. Mas se me permitem, confirmo meu pensamento do escotismo e porque sou Escoteiro.

- Eu penso que um dia fiz uma promessa. Não brinquei de fazer. Levei a sério e a levo até hoje. E sei que muitos também são assim;
- Eu prezo o garbo e a boa ordem. Faço questão de vestir o uniforme com elegância. Do jeito que aprendi. Meu lenço quando coloco olho no espelho se está correto, bem postado, bem colocado. Meu cinto? Faço questão de limpar e engraxar. Meu sapato? Engraxado. Minha calça cinza de tergal comprida ou a curta caqui? Bem passada. Muito bem passada. Este será o meu uniforme. Não vou vestir outro;
- Horários? Em cima da hora. Nem um minuto mais nem um minuto menos. Pontualidade Escoteira para mim é mais que a inglesa. Se for chegar atrasado não vou. Se vai encontrar comigo não venha. Atraso? Nunca! Não gosto. Marque outro dia;
- Horários de reuniões? Só em casos especiais extrapolaram cinco dez minutos. Pedia desculpas aos pais quando atrasava;
- Cerimonial da bandeira? Um orgulho ver todos perfilados. Ninguém brincando, sérios e compenetrados com seu garbo e boa ordem. Sei que você também faz assim;
- Inspeção? Adoro. Fiz muitas e até deixei que fizessem comigo muitas vezes. Porque não? Alegria quando um Monitor me olhava de cima em baixo, sério e compenetrado. Olhava o chapéu, o cinto. Os botões abotoados, os quatro dedos da quebra do meião, as listas corretas e quando me pedia para ver as unhas? Olhava se minhas orelhas estavam limpas? Risos. O Monitor ficava orgulhoso em inspecionar o Chefe e eu orgulhoso do Monitor;
- Alvorada no acampamento? Para mim sempre uma tradição. Seis horas. Seis e quinze ginastica. Feita pelos monitores. Eu os tinha adestrado antes. Horário de dormir? Sagrado. Nunca depois de onze horas;
- Decidir sozinho os destinos da tropa ou do Grupo Escoteiro Nunca. Sem os monitores não sabia o que fazer. Sem os chefes me sentia só. Aprendi assim. Mudar? NUNCA!
- Aceitar uniforme pela metade? Mal colocado? Camisa do lado de fora? Lenço torto? Nunca. Nada como chamar o jovem e educadamente ensiná-lo como se porta um uniforme, e contar o que BP disse sobre ele. “Meu jovem, quando você está uniformizado você representa toda a organização Escoteira”. Quem olha para você acredita que ali todos tem orgulho do seu uniforme e sabem que o escotismo é um exemplo de cidadania;
- Sou Escoteiro da maneira que aprendi. Com uma mochila nas costas e fazendo aventuras por este “mundão” afora. Nunca gostei de ficar dando ordens sentado em uma cadeira ou apitando em uma reunião escoteira. Isto nunca foi minha “praia”;
- Sou Escoteiro como diz o Roberto Carlos, a moda antiga. Daqueles que gostam de um sorriso. De um abraço gostoso. De dizer eu gosto de você. Dos que gostam de ser o primeiro a dizer Sempre Alerta. De dizer muito obrigado a todos com que convivo no escotismo e fora dele;
- Sou Escoteiro porque amo o escotismo. O amei desde o primeiro dia que eu vergonhosamente olhei de soslaio para o meu Akelá e ele me recebeu na Alcatéia sério sem me dar um sorriso e depois eu o amei para sempre;
- Portanto meus amigos se notarem que sou diferente eu sou mesmo. Não tenho protocolos, não tenho cara feia, não faço continência por respeito, mas sim por amizade e gosto disto!
- Sou Escoteiro porque gosto de cantar (uma voz danada de feia e rouca) e em qualquer tempo, seja com chuva e com sol eu cantava, e como cantava!
- Sou escoteiro porque acredito no movimento e como Escoteiro me dou o direito de discordar de tudo que eu achar errado. Detesto castas, detesto gente metido só porque tem isto e aquilo. Não vão me ver nunca batendo palmas para dirigentes. Mas sempre irão me ver dando Anrê, palmas escoteiras, gritos de guerra a toda essa juventude que está firme nas fileiras escoteiras a qualquer tempo com sol ou com chuva;
- Sou Escoteiro porque depois que cresci acreditei que o escotismo é que precisa de mim e não eu dele. Mas me entreguei a ele de corpo e alma;
- Enquanto viver serei Escoteiro e não importa o que aconteça, pois mesmo não sendo flamenguista o hino deles eu canto Escoteiramente: – Uma vez Escoteiro sempre Escoteiro. Escoteiro eu sempre ei de ser, Escoteiro serei até morrer!

sábado, 16 de junho de 2012

A empáfia de todos nós.



A empáfia de todos nós.

Não, todos nós? Claro que não. Afinal dizer que todos nos somos possuidores de arrogância, desdém, intolerância são adjetivos fortes demais. Porque não dizer que somos prudentes, discretos, humildes, circunspecto? Isto assim seria melhor. Mas seria isto mesmo o que eu queria dizer? Bem, procurei outros adjetivos e não encontrei o que queria e quem sabe hoje não estou muito inspirado. Mas vejamos será que estamos mesmos ouvindo os jovens em nossas sessões? O que? Claro que sim irão me dizer. Mas eu ainda insisto, e porque tantos se afastam? Porque não temos a maioria das sessões escoteiras em todo o país completas, sem vagas, e com isto nosso movimento iria atingir proporções excelentes dentro da comunidade?
É costume ver por aí, alguns dizendo – Eu sei o que eles querem. Eu sei o que o meu Escoteiro quer. Eu sei o que meu Monitor quer. Eu sei o que os lobinhos querem. Eles sabem que eu os entendo. Dou o meu melhor. Mas porque não temos patrulhas completas anos a fio? Agora é fácil dizer que sabe o que eles querem. Aprendemos com nossos dirigentes. Eles sempre agem assim. Dizem saber o que precisamos e o que nós queremos. Sei da boa intenção de todos, mas boas intenções? Sem polemizar vejam a ata (no site da UEB) onde se comenta o novo uniforme. Leiam calmamente. Analisem e pensem – Porque pelo menos não deram ciência ou colocaram em votação na Assembleia Nacional? Notem que alguns dos membros falam sobre isto. E no final dizem – Vamos mostrar no Jamboree. Mostrar e dizer – Eis o uniforme novo. Podem bater palmas! Só nas lojas escoteiras!
Mas não quero falar sobre uniforme. Já me enchi com os tais que se arrogam em defensores de tais atos com justificativas plenas e abrangentes que satisfazem a muitos. Eu sinto que temos uma falha muito grande em não sabermos fazer pesquisas, ouvir a todos (dependendo do tema todos setenta mil como consta no relatório) para se ter uma ideia do que fazer. Mas pesquisa não é coisa de amadores. Hoje mesmo vi um artigo do Ombudsman da Folha de São Paulo, que critica o jornal pelas pesquisas e diz coisas interessantes sobre ela – Não devemos nos impressionar com milhares de entrevistas realizadas. – É preciso saber como foi o questionário aplicado – Desconfiar sempre em pesquisas da Internet – Transparência é importante. O tema é longo, e olhem não sou um expert no assunto. Mas do jeito que anda as coisas está ruim. Atenção, nada a ver com a explicação da UEB sobre a pesquisa que fizeram do novo uniforme.
Uma vez, dirigindo um encontro de jovens (aproximadamente oitenta deles de todo o estado) o tema principal fugiu devido à liderança de dois ou três que resolveram colocar em questão o uniforme. Deixei a discussão andar. Oitenta discutindo? Nada disto. Não mais que cinco ou seis. Os demais acompanhando sem opinar. E no final chegaram à conclusão que o uniforme usado no exercito pelas forças de fronteiras (no Amazonas) seria ótimo para os seniores. Bem, no ano seguinte as mesmas discussões agora aprovaram outro. Das forças especiais americanas. Porque isto? Cada ano uma escolha? Acredito que os chefes não ensinaram para eles os valores básicos do escotismo e que dai se incluem as tradições.
Quando ouço alguém falar que sabe o que é melhor para sua tropa fico preocupado. Se verificarem bem todos que assim procederam pode ser que alguns não tiveram bons resultados finais e não foi BP quem disse que só os resultados interessam? Até hoje os resultados não foram os piores, mas também não foram os melhores. Estas mudanças quem sabe influíram no nosso crescimento quantitativo e qualitativo. Quando todos chegarem à conclusão que o Grupo Escoteiro é a parte mais importante em toda a organização e para isto ele deve ser ouvido em qualquer mudança então só assim poderemos acreditar na força do nosso movimento. Até lá parece que não temos direitos e como dizem alguns nós somos a parte que devemos preocupar como nossos jovens e fazer deles cidadãos de bem. E os dirigentes? Liberdade para fazerem o que quiserem? Normas dirigidas por uma pequena fração representativa?
Comece agora a ouvir seus jovens. Faça-o como BP nos ensinou em seus livros escoteiros. O Escotismo para Rapazes e o Guia do Chefe Escoteiro. Não acredite no que dizem alguns que eles estão ultrapassados. Não estão. Adaptações sem alterar o conteúdo são válidas. Mas ali está a essência do escotismo. Se isto não tiver mais valor, é melhor chamar de outro nome, mudar a organização e deixar de lado as bases do escotismo que deu enorme contribuição e pode ainda dar muitas contribuições na formação da juventude de uma nação. Quem se arroga como proprietária do nome Escoteiro no Brasil deveria honrar as tradições. Pelo menos isto! 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A lenda do Sapo Vermelho.



A lenda do Sapo Vermelho.

(Nesta historia simples, coloquei o nome de muitos amigos meus do Facebook. As personagens nada têm a ver com a personalidade de cada um. Fazem parte do desenrolar da história. Aos demais amigos peço desculpas por não ter colocados todos na historia. Não ia ser fácil. risos).

                O Grupo Escoteiro Águia do Deserto estava em polvorosa. O Chefe Castanha, Diretor Técnico conversava com o presidente do grupo o Chefe Rogerio. Conclusões? Ninguém sabia. Como agir? Diversas sugestões. O próprio Conselho de Chefes reunidos no dia anterior ficou por mais de quatro horas tentando achar uma solução. Eram e sempre foram um Grupo Escoteiro padrão e bem respeitado em sua cidade. Hiury o Chefe da Tropa estava lá. Esteban o Mestre Pioneiro quase não falou. Hilda da Tropa de Guias era uma grande amiga da família de Milinho. Antônio Carlos calado. Sempre fora assim.  Felipão um assistente muito falante falava sem parar. Carlos Adl da tropa Escoteira que sonhava em receber sua insígnia não perdoava. Rodrigo assistente nos seniores e Rosa assistente da tropa das escoteiras eram os mais exaltados. Os pais de Milinho (Murilo) Rui e Marcia choravam durante a reunião. Pensavam o que fizeram para ter um filho assim. Foi uma discussão das boas.
               Era verdade. Milinho o lobinho não era flor que se cheire. Traquinas era pouco para chamá-lo. Quase pôs fogo na sede na semana anterior quando acendeu cinco velas para chamar o “Espirito de Mowgly” como ele dizia. Ainda bem que a Bagheera Elizete chegou a tempo para evitar a catástrofe. Na Alcatéia todos gostavam dele. Vanessinha pata tenra era sua preferida. Talvez porque ela sempre o ajudou nas suas “lambanças”, mas sabida, ficava com um pé atrás com cara de inocente arrependida. Milinho tinha sido expulso de duas escolas primárias. Mesmo os pais insistindo, pois ele só tinha sete anos Dona dryka à diretora disse que não aguentava mais. Na classe nenhuma professora podia dar aula. A professora Aline um dia achou que ia vencer a batalha com ele. Colocou de castigo na ultima carteira e assim ninguém veria sua traquinagem. Sorrindo foi sentar quando sentiu uma pontada enorme no traseiro. Alguém colocou na cadeira varias tachinhas e ela não aguentou mais. - Já para a diretoria disse!
              Os pais de Milinho eram pobres, mas a vizinhança que gostava muito deles tentaram ajuda-los a pagar um psicólogo e quem sabe ele melhoraria? Seu Nilton o presidente dos amigos do bairro e sua esposa Dona Luiza foram a casa deles levar a boa notícia. Ao subir na escada da varanda não viu uma cordinha esticada. Tropeçaram e caiu em suas cabeças uma lata cheia de água. Os pais pediram desculpas. Na semana seguinte o levaram ao psicólogo. O Doutor Marcelo Bezerra riu quando disseram como era Milinho. – Deixa comigo disse. Vamos tentar ajudá-los. Tudo foi bem na primeira consulta. Na Segunda o cheiro ruim invadiu o consultório. O Doutor Marcelo descobriu um barbante que fedia à medida que queimava as pontas. Olhou para Milinho e não disse nada. Bem foram só três consultas. – Olhem disse o Doutor Marcelo, tentem os escoteiros. Se eles não puderem dar um jeito nem Deus pode. E riu.
               Ilda era da Matilha Verde. Detestava Milinho. O mesmo pensavam Amanda e Anny duas lobinhas Cruzeiro do Sul. Quando entrou ele foi para a matilha delas. Mas em menos de duas reuniões as mães dona Lilian e dona Taufica, sem contar o pai de uma o senhor Marcos Roberto disseram que iam tirar as filha do grupo. Conversa daqui e dali tudo se ajeitou. Foi Celia Regina e Isabel que o deixaram ser da matilha Azul. Nunca se arrependeram, pois adoravam as trapalhadas de Milinho. A Patrulha da Onça Pantaneira através do seu escriba o Escoteiro Jefferson resolveu contar sua historias em um livro. O Monitor Mario não achou boa ideia. Dermival o sub também não gostou. Mas a história foi escrita e muitos anos depois se tornou um dos livros mais lidos em sua cidade.
               No verão de 68, a Alcatéia foi fazer um acampamento no sitio da Viúva Sabrina. Ela morava com sua irmã, Dona Monica. Elas adorava os escoteiros e quando eles iam lá sempre se juntava a eles. Joaquim Neto o caseiro não gostava principalmente quando Milinho ia acantonar. Ele já o conhecia de longa data. A Akelá Ieda combinou com Moreira o Balu e Eliana a Kaa ficarem de olho em Milinho. O lobinho era um desastre. Ninguém entendia porque até hoje não o mandaram embora. Achavam que devia ser os pais Rui e Marcia, pois sempre quando eram chamados só ficavam chorando e todos tinham pena. Walkiria a lobinha da marrom corria quando via Milinho. Uma tarde ele desapareceu. Tantos sempre o olhando que dormiram no ponto e ele sumiu. Foi Luana a menina que sonhava ser Escoteira uma morena dos cabelos negros e filha do caseiro que disse saber onde ele estava.
               O lobinho Milinho se escondeu no banheiro, pulou a janela e correu para um arvoredo próximo e lá deitou embaixo de uma árvore. Deve ter dormido, pois se transformou em um horrendo sapo vermelho. Ele tinha muito medo da lagoa, pois lá tinha uma cobra enorme e um gavião que queriam comê-lo de todo jeito. Num canto da lagoa, Douglas o gavião malvado olhava o Sapo Vermelho. Carla a cobra mansa e amiga de todos também espreitava embaixo d’água. Milinho o Sapo Vermelho estava com sono, mas não podia dormir. Acordou com o José Alves o Grilo Falante gritando – Corra Sapo! Eles vem te comer! . Correr prá onde? Alberto Franco o Jacaré cinzento disse – pule nas minhas costas eu o levarei a margem. E agora? Confiar neste jacaré? Mas não se fez de rogado. Pulou. O jacaré afundou e levou Milinho o Sapo Vermelho com ele. No fundo da lagoa estava o Jacaré, A cobra, O Gavião e até Vilma a malvada Peixe Espada comedora de sapos. Paty a linda estrela cadente lá no céu assistiu a tudo e deu belas risadas junto aos cometas Walter Dohme, Elmer e Fernando Robleño que passavam. Na via láctea, Natalia Cristina e Cris outras estrelas cadentes também sorriram.
                Milinho acordou gritando. A Akelá e todos os lobinhos estavam em volta dele. Todos davam enormes gargalhadas. Vera uma mãe que ajudava veio abraçá-lo. Ele chorava e suava. Bruno e Carlinha de sua matilha Azul também vieram abraçar Milinho. Ele olhou todo mundo e ali mesmo fez um juramento. Juro Akelá que nunca mais farei traquinagem. Acho que aprendi a lição. E foi assim que Murilo Homem, mais conhecido como Milinho o traquina se transformou em um lobinho que todos passaram a orgulhar. Foi um susto na Alcatéia. Chegaram a telefonar para o delegado Ricardo Frugoli e o detetive Wagner que deram belas gargalhas com tudo. Ainda bem que ele tinha muitos amigos e todos o ajudaram em ser um cruzeiro do sul. Quando passou para a tropa, todas as patrulhas o queriam.
              Uma história simples. Mais que uma história uma lenda. De amigos de Milinho e amigos meus. Para ficar na lembrança de todos os meus amigos aqui quando um dia eu me for. Que eles no escotismo ajudem sempre a um Milinho dos milhares que existem por aí a ser um bom Escoteiro. A lenda do Sapo Vermelho é um conto dedicado a todos. Obrigado!  

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Do destino ninguém foge.




Do destino ninguém foge.

Acho que o nome dele era Matheus, não tenho certeza. Mas todos o chamavam de Miltinho, porque não sei. Nunca me disseram. Talvez porque seu avô era assim chamado e como ele tinha todo o jeito dele, nada como manter o apelido carinhoso.
Era filho único e com 12 anos já estava no quinto ano do fundamental. Estudava em um bom colégio pago e mesmo não sendo um estudioso por natureza, não tinha por que reclamar de suas notas. Não diferia muito dos jovens de sua idade. Gostava de futebol e sempre que podia, ia para a quadra do colégio bater uma bola com os amigos. Também não era um futuro craque.
Em seu bairro tinha alguns amigos, não muitos. A noite se encontrava com eles para um papo ou até uma brincadeira qualquer. Nos fins de semana nem sempre saia com seus pais. Sempre ia até uma pequena quadra esportiva, próximo a sua casa e lá passava as tardes de sábado ou domingo.   
Seu pai trabalhava como gerente financeiro de uma cadeia de lojas e nunca chegava em casa antes das 9 da noite. Sua mãe, dona de casa era quem mais estava junto a ele no dia a dia. Nunca seu pai o levou para passear nos finais de semana e pouco interessava pela sua vida não perguntando nada quando se encontravam.
Um tarde de um sábado, vindo da quadra de futebol, viu três escoteiros vindos em sua direção. Já os tinha visto antes, mas não sabia como eram o que faziam e onde se encontravam. Passaram por ele conversando entre si e dobrando a esquina desapareceram como fumaça no ar. Ele ficou ali meditando, meditando e ponderou o que seria aquilo e como fazer para participar.  
Comentou com sua mãe sobre sua intenção. Ela não disse nem sim e nem não. Resolveu investigar por conta própria. Descobriu o local deles. Era um colégio a oito quadras de sua casa. Foi lá em um sábado. Viu muitos meninos e meninas brincando, correndo e um chefe apitando. Não entendeu muito, mas pelo sorriso estampado no rosto de todos, achou que devia ser bom.
Ficou ali até alguém de uniforme aparecer perto dele e perguntou como era para participar. O encaminharam para a sala onde estava o que devia ser o chefão. Ele o olhou de alto a baixo. Perguntou por que queria ser escoteiro. Ele não soube responder, mas disse que queria experimentar.
Gentilmente explicou o que fazia um escoteiro. Suas responsabilidades suas atividades e muita responsabilidade quando fizer sua Promessa Escoteira.
Encantou quando contou como eram os acampamentos, as excursões às viagens de longa distancia a grande fraternidade mundial que sempre se encontra nos Acampamentos Nacionais, Regionais ou Distritais.
Emocionou-se ao saber o que era um Jamboree e não conseguia imaginar mais de 10.000 escoteiros reunidos e acampados em um só local. Ficou sabendo de um tal General Inglês que foi o fundador. Soube que mais de 150 países possuíam grupamentos escoteiros.
Pensou que seria bom pertencer a uma patrulha. Jogar com eles. Tomar decisões, vida em grupo imaginou. Já imaginava ter seu distintivo, fazer sua promessa, mas logo acordou do seu sonho, pois era apenas narrativa do Chefe para ele, pois precisava de tomar uma serie de providencias antes de sua aceitação.
Recebeu uma ficha de inscrição que devia ser preenchida pelo seu pai e sua mãe. Tudo bem. Ele foi para a casa sonhando acordado e quase se perdeu no retorno, tomando um rumo desconhecido.
Entregou a ficha e a sua mãe. Com o pai achava difícil de falar, não se entendiam bem. Quando a noite surgiu viu o barulho do carro. Estava chegando do trabalho. Um comprimento seco, um banho, o jantar e logo foi para a sala ver o jornal da noite na TV. Já estava desistindo. Sua mãe se aproximou e sussurrou para o pai o desejo do filho. Entregou a ele a ficha de inscrição para sua assinatura.
Ele a principio não estava entendendo. Riu e veio falar com ele. Parabéns disse agora você escolheu bem. No próximo sábado irei com você até lá para conversar com o responsável. Ele não acreditou e seu pai o levou até seu quarto (o dele) e tirou de dentro de uma mala antiga, um uniforme de escoteiro e o lenço e o presenteou. Era o seu quando jovem. Participara por quatro anos. Fora monitor e primeira classe. Mudaram de cidade, onde foram não havia grupos. Mas ele não tinha esquecido.
Sempre pensou em colocá-lo em um Grupo Escoteiro, mas não sabia onde e ele não tinha se manifestado a respeito. O tempo foi passando e ele se esqueceu de tudo. O trabalho o absorvia muito. Pediu desculpas ao filho. Disse que iria apoiá-lo e acompanhar em todas as situações que se fizessem necessárias.
Foi um dia feliz. Foi para o seu quarto e colocou o uniforme na cama. Ficou ali a admirá-lo. Não se conteve. Vestiu a camisa, colocou a calça curta, devagar colocou os meiões. Olhando no espelho colocou o lenço. Ainda não sabia como colocar. Como gravata ou mais longe do pescoço. Viu que o uniforme era grande para ele. Não se importou. Achou que era o máximo.
Durante a semana o vestia se olhava e sonhava. Era como estivesse fazendo a promessa, acampando, junto a novos amigos, vivendo em uma patrulha e ele sonhava com o dia em que iria participar pela primeira vez. Logo que o dia amanheceu, acordou e foi até a janela. Sorriu para o sol e fez sua oração matinal agradecendo a Deus pela oportunidade.
Saiu de casa para conversar com um amigo e contar para ele a novidade. Vibrava com a possibilidade de ser Escoteiro. Ao atravessar a rua, foi pego por um carro a toda a velocidade, fugindo da policia que vinha logo atrás. Foi arremessado à grande distancia. Ficou inconsciente.
Levado ao hospital ficou em coma dois meses. Saiu do coma, mas sem movimentos no corpo, ficara paraplégico.
Durante um bom tempo não lembrou mais de seus sonhos. Agora eram outros. Pensou que com o tempo seus movimentos voltariam, ele não desanimou e o tempo passou. (um dia conto o final da história)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Quando as saudades chegam, não importa a idade.



Quando as saudades chegam, não importa a idade.
Maria Luiza Silveira.

Sinto saudades do antigo movimento escoteiro, sinto saudades de enfiar o pé na lama, de fazer comida mateira, saudade de poucos momentos que vivi que realmente pareciam com o escotismo fundado há 105 anos atrás. Ah! Escotismo, você anda tão diferente, as pessoas não tem o mesmo amor pelo escotismo que tinham antes, pelo menos, nem todas. Posso sentir no tom com que cantam a canção da despedida em acampamentos, certas pessoas estão ali, mas é como se não estivessem. Eu te amo tanto movimento escoteiro. Não, não sou uma senhora que está lembrando-se de seus momentos quando era uma jovem escoteira, sou só uma garota que prefere o tradicional escotismo.
Também não sou a favor do uso do traje, acho o uniforme cáqui mais tradicional, e lembra mais o escotismo de antigamente. Pessoas fazem promessa por fazer, isso me deixa triste. Sei que ainda é o melhor meio de transformar pessoas, e eu gosto de você assim como é, mas não posso negar que prefiro o tradicional, a parte boa. Acampamentos onde a ajudante de cozinha do grupo faz comida? Não gosto disso, gosto de enfiar a mão na massa e cozinhar para minha patrulha na fogueira. Eu sei, eu sei, o mundo está mudando cada vez mais e temos que mudar junto com ele, mas não vamos muito depressa e nem façamos mudanças muito radicais, os verdadeiros valores estão se perdendo. Não vamos deixar que junto com o mundo o escotismo se perca já se passaram milhões de pessoas por aqui, e saíram pessoas melhores graças ao escotismo.
Hoje sinto um tom diferente nisso tudo. Vamos rever nossos conceitos, ver se todas essas mudanças no escotismo estão valendo a pena. Eu gosto mesmo da parte de enfiar o pé no barro, acampar com chuva, gosto da parte difícil, pouco se aprende com as coisas fáceis. Será que nosso mestre B.P lá do grande acampamento está feliz do jeito que estamos? Não que o trabalho dos chefes esteja sendo ruim, nada disso, não julgo ninguém, afinal, quem sou eu para julgar? E o escotismo é ótimo, eu absolutamente amo, amei e continuarei amando o escotismo, mesmo sem forças, mesmo sem vida, honrarei minha promessa até a última batida de meu coração e continuarei acampando, excursionando, fazendo o que faço hoje, até que minhas pernas parem, pois para as pessoas que não são escoteiras isso é apenas um texto grande e chato, mas eu dou muito valor a ele.
É tanto orgulho em cantar a canção da despedida num fogo de conselho que as pessoas se assustam a me ver chorando na primeira estrofe da musica, mas é assim mesmo, são muitas lembranças boas para uma única pessoa. Só acho que aos poucos isto está se perdendo, as lembranças, os valores. Tenho muito medo que isso se acabe, porque o escotismo é uma das poucas coisas boas que ainda restam nesse mundo. Por mim continuaríamos daquele jeitinho, como B.P criou, mas sei que sou uma das poucas pessoas que preferem essa coisa à moda antiga. Só não deixem que os verdadeiros valores se acabem. Sempre alerta. 

19º Grupo escoteiro Campo Belo, Itatiaia - RJ. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

As canções que eu cantei para mim.



As canções que eu cantei para mim.

Hoje estava tomando um banho frio. Frio? Risos. Gosto muito são os meus preferidos. E não é que em dado momento comecei a cantar? Gente! Quanto tempo não cantava. Já fui um bom cantor de chuveiro hoje não mais. A voz é péssima, sai rouca e quem houve assusta. Sempre parando para respirar, pois o ar some. Motivo pela qual evito cantar as mais lindas canções escoteiras que amo e gosto muito. Até minha gaita saudosa dos acampamentos onde a beira da fogueira tocava musicas gostosas, eu abandonei. Meu violão que tocava mal e muito mal doei para um menino que disse não poder comprar um. Não dá mais. A música no chuveiro saiu normalmente. Não era grande coisa, mas me lembrei de quando compomo-la em um barzinho perdido por aí, com mais oito participantes. Um sábado, após a última atividade Escoteira no Conselho Regional em uma cidade do interior e nada melhor que um bate papo gostoso com amigos escoteiros. Três jovens Akelás, Celia e outros escotistas todos novos. De "Velho" ali só eu com 27 anos. Um Chefe estava triste, pois seu noivado acabou. Mesmo todos sendo solidários e consolando nada ajudava e ele resolveu se embebedar bebendo guaranás Antártica aos montões (risos). Sabíamos que era por poucos dias. Logo estariam de volta e tudo voltaria ao normal novamente (hoje ele e ela estão casados, três filhos já homens feitos).
Brinquei dizendo que ia fazer uma canção para ele. Todos riram. Na época era metido a compositor. Sem me considerar o bom e me colocar em um patamar que não mereço, fiz diversas canções escoteiras no passado. Ainda tenho as letras de algumas, mas as músicas só na cabeça, pois nada entendo de partituras e notas. Com um guardanapo escrevi com ajuda de todos a canção do Chefe Escoteiro apaixonado, vamos à letra (a musica está na cabeça):

O Chefe Escoteiro apaixonado.

Preciso encontrar uma Akelá para mim,
Me sinto tão só, reze por mim! (repeteco)

Vejo na distância, montes e vales,
Excursões e acampamentos, não curam meus males,
Me sinto tão só, Baden Powell me ajude!

Cantamos por muito tempo, rindo e bebendo guaranás (se falar nos chopinhos e dois uisquezinhos que tomei vão dizer coisas aqui) e vimos uma das jovens chefes chorando. Também tinha perdido seu amor. E agora? Claro, fazer uma canção para ela. De novo um guardanapo e saiu em menos de meia hora a canção:

A Akelá apaixonada:

- Procuro um rapaz bem solteiro,
Bonito que me faça feliz.
Deve ser um Chefe Escoteiro,
E que tenha uma flor de lis.

Deve, ser, alguém, que entenda o meu desespero,
O Grande Uivo é minha luta, pois quero amar,
Alguém de calças curtas!

Risos. Foi uma noite memorável. Um mês depois todos estavam de volta com seus amores, mas as canções foram cantadas em muitos e muitos fogos de conselho e barzinhos por este mundão afora.
Nunca mais os vi e nem sei onde andam. Um eu sei que casou como disse e a Akelá não tive mais notícia. Bem uma historinha real meio sem graça, mas fazer o que? Lembranças são lembranças e vou mesmo cantar todas no meu chuveiro! Quem sabe alguns deles estão aqui lendo e após lerem vão lembrar-se daquela noite gostosa, quente, vendo as águas tranquilas da lagoa de Furnas iluminada por uma lua rechonchuda, em uma cidade do interior, comendo moqueca de peixe, pedaços lindos e deliciosos de cascudo frito, lá no fim do mundo onde chefes escoteiros uniformizados alegres, sentimentais, cantaram e riram de suas histórias e de suas canções? Ah! Lembranças! Como é belo lembrar! 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A trilha Escoteira



A trilha Escoteira
A embriaguez da primavera!
“O homem ao homem”! É o desafio da Jângal!
Já parte aquele que foi nosso irmão.
Ouvi, então, julgai, ó vós, gente da Jângal.
Respondei: quem irá detê-lo então?

O homem ao homem! Ele soluça na Jângal!
O nosso irmão se aflige dos males supremos.
O homem ao homem!  Nós os amamos na Jângal!
Esta é o sua trilha e nós não mais o seguiremos.
DO LIVRO DA JÂNGAL DE RUDYARD KIPLING

            - Ao pular os três degraus que levava a varanda da casa do “Velho” Escoteiro, o sentido da audição ficou alerta e captou sem grandes surpresas uma tarde com a 3a Sinfonia de Beethovem (Primeiro Movimento - Alegro com Brio) e que fluía suavemente pela janela da Sala Grande. Vovó e o “Velho” estavam de mãos dadas, lado a lado, sentados na poltrona de couro preto, olhos semicerrados, como que transportados para os floridos jardins do “Nosso Lar”, inebriados com os doces aromas das flores que exalavam naquela outra dimensão do infinito. Como um velho cão de caça, entrei e sentei calmamente no meu banquinho de três pés sem fazer barulho fiquei ouvindo a doce melodia que tanto me encantava.
            O “Velho” pigarreou e me acordou de pronto. Sem delongas disse o que me levou ali nesta noite. A trilha. O conselho de chefes quase se engalfinhou quando o tema foi levantado. Uns acusavam os outros pela falta de adaptação e pouco tempo que os lobos ficavam na tropa posteriormente. O "Velho" me ouvia e à medida que piscava os olhos, esticava suas grisalhas sobrancelhas notava que o tema lhe interessava. Fechei o “assunto” sem dar meu ponto de vista. O “velho” sorriu e continuou calado. Também me mantive mudo. Nada como fazer o “velho“ falar, pensei.
– você me trouxe um tema interessante, disse o "Velho". Pode ser que não tenha dados concretos para lhe responder. Pelo que vejo e olhe falo em nome de poucas alcateias que visito também eles estão preocupados com a maneira como a trilha vem sendo desenvolvida. Muitos lobos abandonam em pouco tempo, talvez desmotivados pela recepção, por serem considerados patas tenras e outros que não foram lobinhos e da mesma idade tem sempre preferencia nas atividades de Patrulha.
Uma vez acompanhei uma reunião em uma Alcatéia e fiquei alegre com o que vi. Primeiro a Alcatéia não se prendia muito ao novo programa e sem abandoná-lo introduziu nele muitas atividades ao ar livre, tais como nós, sinais de pista, mapas, bussolas e barracas tudo sem a pretensão de substituir o programa ou o método de tropa Escoteira. Isto me agradou um pouco. Fugiam destas atividades desculpe em dizer, mas de faz de contas, tais como muitas canções, muitas danças, desenhos e brincadeiras muitos infantis. A Akelá me disse que eles sempre quando ela os procurava para saber o que achavam (sempre fez isto) diziam que agora estava bom. Antes o que faziam nada diferenciava da escola e por isto perdiam o interesse. Notei também que ela e seus assistentes se portavam como irmãos mais velhos e não substitutos de mães e avós com palavras melosas de meu lobinho, meu amor etc.
Ela também me garantiu que agora os lobinhos com primeira e segunda estrela eram olhados de outro modo pelos novatos. No último acampamento apesar de ter uma casa próximo para eventualidades, eles dormiram em barracas, tiveram inspeção, fizeram um café (três pais tinham uma cozinha separada) seguiram a pista de Shere Khan, fugiram dos bandarlogs subindo em árvores altas (bem protegidos com outras cordas) e o melhor, foram para a cidade dos homens em um comando Crow em cima de um córrego. Eles adoraram. Já me pediram para repetir a dose.
Agora estamos fazendo uma trilha bem combinada com o Chefe Escoteiro e o Monitor. Este o prepara para a promessa e ele aprende todas as etapas e provas necessárias. Quando fazemos a passagem, ele entra em uma barraca armada, troca o uniforme de lobinho pelo de Escoteiro, e recebido pela tropa e Patrulha faz a promessa como escoteiro. Claro, seu distintivo de cruzeiro do sul, pois brigo para todos atingirem esta etapa está pregado na camisa onde mostra suas qualidades quando lobinho. A Patrulha sente que agora tem mais um para ajudar e não para carregar.
A mística nunca é esquecida. Ela procura fazer tudo naturalmente sem enfeitar ou criar situações muito infantis que não agradam os lobinhos mais velhos. Dei boas risadas quando ela me disse que a alcatéia é um todo, mas que ela dá atenção especial aos primos. Faz reuniões em separado e até fez um acantonamento delicioso com eles. Soube inclusive que um assistente distrital viu e não gostou. Tentou mostrar a ela que aquele não era o caminho. Ela educadamente disse – Me mostre uma Alcatéia que você possa citar como exemplo, que não há desistências, que depois de passar para a tropa e ficam pelo menos dois anos então eu irei concordar com você. E foi mais alem. Veja a nossa alcateia, tem 24 lobinhos. O mais novato tem seis meses. Temos já oito com o cruzeiro do sul e vários sendo preparados na trilha Escoteira. Estou pronta a mudar se tiver mesmo alguma Alcatéia que possa me dar subsídios maiores.
Não tinha. Ele ficou de pensar e voltar depois. (não deve ter voltado) Dei uma boa olhada na Alcatéia. Gostei do que vi. Na tropa eles tinham um dia para uma atividade entre as patrulhas e matilhas pelo menos a cada dois meses, bem programadas com antecedência. Muitos dos novos escoteiros que foram lobinhos são sempre autorizados a ficar com a Alcatéia uma vez por mês. É interessante quando você assiste tal integração, uma fraternidade lobo/Escoteiro como via ali. Não tinha nada mais a dizer. Alí eles tinham encontrado o caminho para o sucesso.
Fiquei pensando no que o "Velho" me disse. Eu já tinha lido o livro de Kipling o Livro a jângal. Para mim um dos livros mais interessantes que tinha lido. Tem tantas coisas interessantes que qualquer alcatéia tem plenas condições de desenvolver bons programas de reuniões. Vovó observava o “Velho” e servia nosso café.  Fechei os olhos. Parecia que eu estava lá no alto de uma montanha e avistava uma Alcatéia, via lobinhos e via uma tropa de Escoteiros escalando montanhas. Um escoteiro apertava a mão de um lobinho como a dizer:

 -"O amanhã é nosso. Somos do mesmo sangue, tu e eu... Boa caçada!”.
“As estrelas desmaiam, concluiu o Lobo Gris, de olhos erguidos para o céu”. Onde me aninharei amanhã? Porque dora em diante os caminhos são novos!