Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Histórias escoteiras. O assombroso Fantasma da sede do Grupo Escoteiro Tapajós. (baseado em um fato real)


Histórias escoteiras.
O assombroso Fantasma da sede do Grupo Escoteiro Tapajós.
(baseado em um fato real)

                    Podem crer, foram dois dias depois do natal que tudo aconteceu. Conheci um Chefe na Usiminas onde estava começando na usina e resolvemos montar um Grupo Escoteiro. Escolhemos Melo Viana um distrito de Coronel Fabriciano em Minas Gerais e para lá nos mudamos de mala e cuia deixando os belos alojamentos da Usina cheios de belas pulgas e percevejos. Eu um Chefe Escoteiro de Governador Valadares e o Carlos de Juiz de Fora entendido em lobos tínhamos tudo para criar do nada um sonho que todo Chefe tem um dia e poucos conseguem realizar.

                    Ficamos alguns meses em uma pensão e depois alugamos uma casa pequena onde mais um Chefe apareceu. Odair, Assistente de Tropa advindo de Muriaé. A prefeitura de Cel. Fabriciano nos cedeu uma antiga Escola com três salas que dava perfeitamente para cada sessão e ainda sobrava. Foi assim que surgiu o Grupo Escoteiro Tapajós que existe até hoje. Tivemos no Distrito de Melo Viana um apoio fantástico a contar do padre da igreja local. Em pouco tempo já tínhamos 12 chefes sendo cinco com o CAB Escoteiro e Lobinho.

                Seis meses se passaram e por uma fatalidade o Chefe Odair de Muriaé faleceu. Uma epopeia levar o falecido até Muriaé para ser sepultado. Ficamos tristes por perder um ótimo e fiel amigo. Nossa sede dava fundos para o Cemitério do Distrito de Melo Viana. Os três barracões eram divididos entre as sessões. Um para os lobinhos, um para a tropa e outro para a diretoria e almoxarifado.

                Duas semanas do passamento do Odair o Zé Pontes da diretoria me procurou para avisar que os vizinhos reclamavam de uma algazarra que acontecia em uma das salas da sede após a meia noite dos sábados. Chefe tocam corneta, bumbos, tambores e tarois. Pensei comigo. Só quatro de nós tinham as chaves. Quem seria? – Melhor ir lá para ver. Ir sozinho? Sei que era um escoteiro durão, mas nunca me dei bem com fantasma. Para ir lá tinha de contornar todo o cemitério cujas catacumbas e os túmulos de terra ficavam bem a mostra depois da cerca de arame farpado. Entrar na sede a meia noite? E se fosse verdade? Nem pensar. Vamos em dois. Dos chefes ninguém topou. O Carlos disse: Vado morro de medo de fantasmas!

                  Passou um mês. A Banda continuava tocando a meia noite nos sábados. Escoteiros e lobinhos evitando entrar na sede mesmo durante o dia. Os “Fantasmas da sede” estavam tomando proporções tal que vimos o números de jovens diminuírem. Precisamos desmascarar os tais fantasma. Segunda armado de um bastão com ponteira de aço e duas lanternas esperei dar onze quarenta e cinco da noite e tremendo fui para lá. Deus! Como tremia. O medo era borrar as calças. Ao passar pelo cemitério parecia que estava vendo em cada tumulo uma caveira se levantando. Fechava os olhos abria e elas desapareciam. O que o medo pode fazer não?

                   Onze e cinquenta e cinco. Um silêncio de morte. Juntei todas as minhas forças meti a chave na fechadura e entrei. E o pior me senti uma “besta quadrada”, pois me tranquei por dentro. Porque fiz isto? Não sei. Sentei em uma cadeira em volta de uma escrivania. O silencio era total. Já estava respirando melhor. Acho que não tinha nada. O povo inventa! Sorri pensando como o povo pode inventar! Deus! Foi então que vi uma corneta levantada no ar! Ninguém segurava! Um clarim esguichou no meu ouvido! Dei um berro que acordaria toda vizinhança. Larguei a lanterna e corri para a porta. Não abria. Onde estava a chave? Perdi. Um Bombo um tambor e duas cornetas tocavam sem parar fazendo uma barulheira infernal.

                   Eu gritava e berrava como um louco. Consegui abrir a porta. Sai correndo em desabalada carreira. As calças toda molhada e borrada. Fui direto ao Pároco. Ele dormia. O acordei. – O Senhor vai comigo – Chefe Osvaldo é impressão sua. – Vamos lá, não é o homem de Deus? – Precisa benzer a sede. Lá fomos eu e ele. Vi que ele sorria, queria mostrar uma força que não tinha. Entramos, silencio. Ele me olhou – Tá vendo? Não tem nada. Uma corneta berrou alto no seu ouvido. – Ele gritou – Louvado seja meu Senhor Jesus Cristo. Me socorre!  Nem me olhou sumiu na porta na minha frente.

                No sábado seguinte ele oito vicentinos, cinco filhas de Maria (o que elas iriam fazer lá?) foram a meia noite na sede dizendo que iriam exorcizar. Rezaram, cantaram e foram embora. Acho que deu certo. Os barulhos sumiram. Joguei fora a calça que usei naquele dia. Não dava nem para lavar. Até hoje não sei se foi o espírito do Odair. Ele nunca me disse nada. Uma semana depois fui pegar um guarda chuva em cima do guarda roupa na casa que morávamos. Chovia a cântaros. Trovejava. Relâmpagos no céu. Chefe Carlos trabalhando de zero hora. (turnos alternados). Estava sozinho em casa. Subi em uma cadeira. Meu Deus! A dentadura do Odair aberta como se estivesse rindo para mim! (ele tinha dentadura). Cai da cadeira estatelado no chão.

               Sai correndo e só parei no bar do Zaqueu. Melhor ficar ali até as madrugadas tomando umas e outra. Voltar para a casa? Vai ser difícil. Nunca mais ninguém reclamou da barulheira da banda. Tudo voltou ao normal. Os meninos que saíram voltaram. O tempo passou. A Usina me mandou embora. Ainda bem que a pedido do Padre Lara hoje Bispo montamos uma tropa na Igreja em Cel. Fabriciano. Saudades de Dom Lara, grande Chefe, sempre apoiando e sei que apoia até hoje.

               Um dia desses pensei em visitar o Tapajós em Fabriciano. Afinal saí de lá em 1965. Tempo demais. Não esqueço a canção do Grupo que eu e o Carlos fizemos: ¶ Eu sou um grande escoteiro, ouçam bem a minha voz... Vivo alerta o dia inteiro! Pois pertenço ao Tapajós! – £ Sinais de pista, eu dou escola, sou um artista em dar nós, sou sinaleiro a toda hora! Pois pertenço ao Tapajós! - Saudades muitas saudades...

Afinal são histórias. Acreditem se quiserem. Ainda guardo lembranças do Carlos do Odair de Don Lara, do Pontes, do Nogueira e de tantos outros. Valeu uma época. Valeu uma vida!


Nota - Todos nós temos uma história de fantasma para contar. Eu tenho muitas todas tirada da minha imaginação. Mas esta tem tudo para ser real. E foi mesmo. Não acreditam? Pena, o Carlos morreu. O padre também. Zé Pontes se estiver vivo tem mais de cem anos. Sobrou quem? Eu, pois o Padre Lara nunca soube de nada. Mas olhem não fico triste por não acreditarem. Pena que não guardei minhas calças borradas para provar! Kkkkkk.   

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