Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Assim escreveu Baden-Powell - parte III


Conversa ao pé do fogo.
Assim escreveu Baden-Powell - parte III
LIDERANÇA

É comum citar-se o ditado: «Só sabe chefiar quem aprendeu primeiro a obedecer». É verdade, mas como muitas verdades evidentes também esta tem os seus limites. E prefiro ver como chefe o homem que aprendeu a chefiar.

Quando se quer ver um trabalho feito, deve dizer «Vem!”.”.”.» e não «Vai!».
Diferença entre um líder e um comandante: qualquer parvo pode mandar, pode pôr as pessoas a obedecerem a ordens, se tiver por trás de si suficiente poder de punição, em que se apoie em caso de recusa. Mas liderar é outra coisa; é arrastarmos conosco outros homens num trabalho de envergadura.

A liderança é a chave do êxito - mas a liderança é difícil de definir, e os líderes difíceis de encontrar. Tenho muitas vezes declarado que «qualquer burro pode ser um comandante, e um homem treinado pode muitas vezes dar um instrutor; mas um líder é mais como um poeta - nasce, não se fabrica».

Há quatro aspectos essenciais a procurar num líder:
1. Deve ter uma fé e uma convicção a toda a prova na justeza da sua causa;
2. Deve ter um temperamento enérgico e jovial, bem como simpatia e compreensão amistosa para com os seus seguidores;
3. Deve ter confiança em si mesmo por conhecer bem o seu trabalho;
4. Deve ele próprio pôr em prática aquilo que prega. A essência da liderança pode resumir-se, em «camaradagem e competência».
A liderança por meio de um toque pessoal é a chave do nosso sucesso no Movimento.

E não esqueça “Você é o líder dos seus monitores”. Podemos até chamá-lo do monitor dos monitores. Dirija somente esta patrulha. Cabe a você orientá-los, fazer acampamentos e excursões, sempre visando o adestramento para que eles possam depois adestrar os escoteiros da patrulha. Esta é sua responsabilidade. Não fuja dela e experimente, pois tenho certeza que poderá alcançar o gostinho do sucesso.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Assim escreveu Baden-Powell.


Conversa ao pé do fogo.
Assim escreveu Baden-Powell.

FRATERNIDADE MUNDIAL.

Os Indianos chamavam Kim o «Pequeno Amigo de Todo o Mundo», e todos os Escoteiros deviam esforçar-se por merecer esse nome. O espírito é que conta. A nossa Lei e Promessa de Escoteiros, quando realmente as pomos em prática, afastam todas as ocasiões de guerras e lutas entre as nações.

Sempre que se encontram, um pouco por todo o mundo, os Escoteiros são irmãos. Têm os seus sinais secretos pelos quais se reconhecem, e são prestáveis e hospitaleiros para todos. Um Escoteiro seria capaz de te oferecer o que tivesse de melhor para te dar de comer e para te alojar, mas esperaria tanto que lhe pagasses por isso como que lhe cuspissem na cara. Um Escoteiro é capaz de sacrificar a sua vida para salvar o seu amigo ou mesmo para salvar um estranho... especialmente se esse estranho for uma mulher ou uma criança.

Se todos os homens tivessem desenvolvido em si mesmos o sentido da fraternidade, o hábito de pensar em primeiro lugar nas necessidades dos outros, e de subordinarem a elas as suas ambições, prazeres ou interesses pessoais, teríamos um mundo muito melhor onde viver. «Um sonho utópico», diriam alguns, «mas não passa de um sonho, por isso nem vale a pena tentar».

Mas se, ao sonharmos, nunca estendêssemos as mãos para agarrar a substância dos nossos sonhos, jamais conseguiríamos progredir.

Com o advento da boa vontade e da cooperação, as discórdias triviais que têm dividido as nações cessarão, as classes e os credos deixarão de professar-se irmãos enquanto agem como inimigos e dividem contra si mesmos a sua própria casa.

O Escotismo é uma Fraternidade - um organismo que, na prática, não olha a diferenças de classe, crença, país e cor, por meio do espírito indefinível que o anima - o espírito de cavalheiro de Deus.

Irmãos Escoteiros, peço-vos que façais uma escolha solene.
Existem diferenças de pensar e de sentir entre os povos do mundo, tal como existem diferenças físicas e de línguas. A guerra ensinou-nos que, se uma nação tentar impor a sua vontade particular às outras nações, uma cruel reação seguir-se-á inevitavelmente.

O Jamboree ensinou-nos que, se exercitarmos a tolerância mútua e o hábito de fazermos concessões recíprocas, então haverá compreensão e harmonia. Se for essa a vossa vontade, partamos daqui totalmente decididos a fomentar essa camaradagem entre nós e entre os nossos rapazes, através do espírito mundialmente espalhado da Fraternidade Escoteira, para que possamos ajudar a desenvolver a paz e a felicidade no mundo e a boa vontade entre os homens.

Irmãos Escoteiros, respondei-me. Unir-vos-ei a mim neste propósito.
Como Deus deve rir-se perante as pequenas diferenças que nós, homens, erguemos entre nós sob a camuflagem da religião, da política, de patriotismo ou de classe, esquecendo-nos do maior de todos os laços - o da Irmandade da Família Humana!
Queremos que a próxima geração veja mais longe, e que olhe os outros como irmãos, filhos de um único Pai, em todo o mundo, qualquer que seja a crença ou a cor, o país ou a casta de cada um.


Com boa vontade e cooperação, as nações estender-se-ão e os políticos descobrirão que já não é possível arrastar para a guerra povos que se encaram amistosamente. Descobrirão que o que conta é a vontade dos povos.

sábado, 17 de setembro de 2016

HOJE TEM REUNIÃO, ALEGRIA DE MONTÃO!


HOJE TEM REUNIÃO, ALEGRIA DE MONTÃO!

Hoje é sábado, a maioria dos Grupos Escoteiros abrem suas portas para receber seus jovens, chefes, diretores e pais. Alguns fazem isto no domingo, outros em dia de semana à noite. Não importa. Onde houver um Grupo Escoteiro seja aonde for, muitos já estão se preparando para serem os primeiros a chegar. Pontualidade escoteira é pontualidade britânica. O lobo, Escoteiro e Sênior não chega atrasado nunca. É ponto de honra estar lá esperando os demais para dizer Melhor Possivel, Sempre Alerta ou Servir. Muitos estão a andar por ai, excursionando, acampando e acantonando. Não importa qual rincão brasileiro, não importa qual nação, mas o Pavilhão Nacional não será esquecido. Esta é a hora mais significativa onde tudo acontece no Cerimonial. Seja antes ou depois.

É ali que serão entregues as comendas, os distintivos, os certificados de classe ou ano, é ali que todos podem ver o crescimento individual a alegria feitas de amizade em uma matilha ou patrulha. Hora que a grande família que é Grupo Escoteiro está se encontrando, cantando, sorrindo e dando seus gritos de Guerra. É ali que anos e anos depois os antigos escoteiros irão retornar para lembrar-se do seu tempo, do seu Chefe, dos seus amigos de matilha e patrulha e será recebido com um sorriso nos lábios. É ali que os pais se sentirão realizados vendo que homens e mulheres de boa índole estão ajudando na formação do seu filho ou filha. É ali que se pratica a boa ação, que se faz uma promessa que todos dizem é para sempre. É ali que existe uma áurea no ar de honra, caráter ética e abnegação.

Lembrando Kipling que saudava os meninos e meninas sonhadoras escreveu um dia: “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido...” Este é o nosso Escotismo uma verdadeira lição de vida.
Eu desejo a todos, do lobo ao Chefe, do pai ao diretor que este dia seja uma reunião cheia de amor, felicidade e alegria. Espero que quando cada um retornar sua morada ou seu lar levem os ensinamentos que B-P nos deixou e que em algum lugar nas estrelas saúda a todos por estarem juntos nesta grande fraternidade mundial.

ESCOTISMO É VIDA, É AMOR E LEALDADE.

UMA ESPETACULAR REUNIÃO, E ALEGRIA DE MONTÃO! 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Recordando momentos felizes. Ser Escoteiro...


Recordando momentos felizes.
 Ser Escoteiro...

É gostoso é bom demais, sentir o cheiro do mato,
Ouvir o som do regato, o cantar de um sabiá,
Um vagalume perdido, o uivo de um lobo guará,
Lá ao longe bem distante, nas montanhas verdejantes,
Onde ele uiva errante, onde é o seu habitat.

Gente que coisa boa, beber água da nascente,
Tão fresca e tão brilhante, de olhos fechados sorrindo,
Sentir o orvalho caindo, no rosto de uma manhã.
Do som da passarinhada ao anunciar nos gritantes,
Até o grilo falante, que canta ao alvorecer.

E lembrando-se da verdade que sem fazer alarde,
Seja na sede ou no campo, seu saber estás buscando,
Para ser alguém amanhã. Bom demais ser Escoteiro,
Correr em busca do tudo, sentir no corpo o orgulho,
De cumprir a promessa a lei. Está é nossa missão.

Meu amigo Escoteiro lembre-se de sua promessa
Fazendo o melhor possivel, recordar o que prometeu,
Que seria homem honrado, do escotismo apaixonado,
A correr montes e vales, em busca das aventuras,
Que só podemos encontrar, no nosso escotismo amado.

Chefe Osvaldo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Transcrição do pensamento de um Velho Chefe Escoteiro.


Transcrição do pensamento de um Velho Chefe Escoteiro.

Ultimamente não tenho escrito muitos relatos, histórias, artigos tais como costumava escrever diariamente. Tem hora que uma história aparece na mente e daí a segundos ela desparece e passo todo o dia tentando lembrar... E não consigo. Passei a levar comigo uma pequena caderneta e uma caneta pequena. Interessante que enquanto usava nenhuma criatividade ou algum saído de minha imaginação apareceu. Ando sem voz, e vez ou outra até mesmo desanimado, um astral não muito perfeito. Faço o que sempre fiz, vou para um lugar quieto, bem arvorado e levo a tiracolo uma literatura escoteira. Amo o Caminho para o Sucesso de Baden-Powell. Volto outro. Revigorado, faces coradas e sorrisos nos lábios. A décima primeira lei inglesa me vem à mente: Nos escoteiros devemos ser puros nos pensamentos nas palavras e nas ações.

Tenho esquecer esta fase de transição com que vive o mundo e nossa nação e porque não nossa Associação. Penso que se pudéssemos levar a todos os jovens a filosofia escoteira tudo isto seria resolvido. As guerras não mais existiriam, as armas queimadas, as mentes mais puras de coração. Lembro sempre que tivemos grandes homens exemplos de caráter, honra e abnegação. Onde estão eles hoje? Uma luta pelo poder existe em várias camadas da sociedade e até da nossa fraternidade escoteira. Donos da ação, fazendo e desfazendo como se fossem títeres a liderar quem se submete aos seus caprichos. O poder engana. O poder embala aqueles que se acham acima do bem e do mal. Saudades de B-P. De sua simplicidade. Onde dizia que o escotismo é união entre os povos, é amor e fraternidade. Embalava o respeito à honra e o caráter. Precisamos tanto disto que fico a imaginar o porquê nos últimos cem anos não conseguimos.

Brilha a fogueira ao pé do acampamento. Fico de olhos fixos no fogo. Acompanho as chamas e as labaredas que se perdem no ar. Se tudo é tão lindo, se existem ainda muitos que dão a vida para estarem juntos aos irmãos de filosofia porque alguns se acham como dono do lugar? Tantos anos e ainda aprendemos que o respeito, o saber ouvir e concordar ou não com uma pitada de boa ação, não tem hora e nem lugar? Como um movimento que tem uma promessa, que marca que conquista alma, corações e mentes ainda não vimos que o caminho do sucesso é tão fácil de alcançar? Que adianta gritar, tentar levar a ferro e fogo uma filosofia tão meiga, tão simples, tão fácil de aplicar?

Como dar exemplo se alguns ainda não sentiram na pele que estão fora do contexto da Lei, dos artigos que nos mostram o caminho a seguir e não podem ver os caminhos a evitar? Nossa vida é um sinal de pista, colocado a nossa frente para que possamos aprender a fazer fazendo e tentarmos até que um dia iremos chegar ao ponto de reunião, onde Ele nos espera de braços abertos. Os raivosos, os do contra, os cara feia, os mandões os donos do poder não deviam estar conosco a não ser para aprender... Ou quem sabe mudar... Aprender a ser bom, a respeitar, a fazer amigos e abraçar... Seria tão inimaginável alguém descer do seu pedestal, da sua pose de doutor Escoteiro, de dono da verdade e vir aqui na plebe escoteira dizer que somos iguais e ninguém é melhor que o outro?        

Eu sou um Escoteiro. Não sou melhor que ninguém. Não conchavo, não acredito naqueles que correm pelo primeiro lugar. Somos todos iguais e o mais forte ajuda o mais fraco e não desfaz dele só porque não atingiu a escala do padrão Ouro. Ninguém me tira a filosofia que um dia encampei. Aqui escrevo sobre ela, não me meto em outras searas, dos candidatos e tantos mais. Procuro até mesmo fugir de certos acertos e desacertos de discussões estéreis que não trazem no meu modo de entender nenhuma finalidade para alavancar o poderio do escotismo em formar bons cidadãos. Quem sabe um dia  cada um volta para dentro de si e pense melhor o que podemos fazer e realizar.

Escotismo queira ou não é fraternidade, é amor, é lealdade. É cortesia é irmandade, é sorrir ser puro de corpo e alma. É saber sonhar com os pés no chão. É dar sem receber é amar o que se faz. Seu modelo todos conhecem e não precisamos mais de poetas doutores de sonhadores ou pedagogos para mudar o que já é. Se você ainda não é um de nós seja bem vindo. Temos vagas para amigos e para aqueles que querem ser nossos irmãos. Que os nossos líderes vistam a farda da humildade. Que pensem melhor na sua boa ação em conseguir o possivel e o impossível para ajudar aqueles que precisam de nós.

Sempre Alerta!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Os cadetes de Mafeking.


Conversa ao pé do fogo.
Os cadetes de Mafeking.

                         Nós tivemos um exemplo do quão útil podem ser os escoteiros em serviço quando formamos um corpo de rapazes na defesa de Mafeking, 1899-1900. Mafeking era uma pequena cidade na África do Sul, quando ela foi cercada pelo exército Boers, Baden-Powell tinha somente umas poucas centenas de soldados para defendê-la. Cada soldado era vital para a linha de frente, e lá na cidade muito trabalho também necessitava ser feito.

                        B-P colocou o seu chefe-de-staff, Major Lord Edward Cecil, para trabalhar. Ele rapidamente formou um Corpo de Cadetes com 18 meninos, com idade a partir de nove anos. Ele escolheu um jovem líder para ser o sargento encarregado (sergeant-major) do corpo de cadetes, seu nome: Warner Goodyear.

                      Os cadetes de Mafeking tinham seu próprio uniforme: uniforme cáqui, chapéu de abas largas com um dos lados dobrado para cima, ou gorro. Antes de tudo os jovens foram bem treinados em entregar mensagens entre as defesas da cidade, servir como ordenanças, ajudar nos hospitais e atuar como vigias para prevenir as forças quando os ataques fossem esperados, e também avisar à população quando o grande canhão bôer fosse apontado para a cidade a fim de dar-lhe uma chance de abrigar-se antes que a bomba caísse.

                      Agora os meninos tinham algo melhor a fazer na cidade que ficar correndo de um lado para outro apanhando fragmento das bombas que explodiam! Eles assumiram o seu trabalho com orgulho, e logo foram reconhecidos como parte das defesas da cidade. O Corpo foi logo aumentado de 18 para 40 meninos.

                     Primeiro os jovens entregavam mensagens usando burros, mas à medida que o estoque de alimentos na cidade desaparecia os animais gradualmente iam terminando na cozinha! Assim eles passaram utilizar bicicletas, e frequentemente tinham que pedalar em meio a fogo pesado. Em uma famosa história B-P advertiu a um jovem que ele poderia ser atingido, e ele respondeu "Eu pedalo tão rápido, Senhor, que eles jamais me alcançarão.”.

                   Quando os selos da cidade se esgotaram durante o cerco eles precisaram de um desenho especial para imprimir novas emissões. Assim todos os selos colados nas cartas entregues pelos cadetes passaram a estampar o líder do Corpo de Cadetes, Warner Goodyear, sentado em sua bicicleta. Após o cerco os Selos de Mafeking,  feitos durante o cerco tornaram-se itens de coleção em todo o Império Britânico.

Baden-Powell, Escotismo para Rapazes
Hillcourt, Baden-Powell: the two lives of a hero

Grinnell-Milne, Mafeking

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Mafeking - O Jogo de blefes de Baden-Powell


Conversa ao pé do fogo.
Mafeking - O Jogo de blefes de Baden-Powell

Quando o cerco de Mafeking começou o regimento britânico estava desarmado, com baixo efetivo e isolado do mundo por um exercito de mais de 6000 soldados Bôer. Mas Baden-Powell estava a cargo das defesas e ele era um experto no "Jogo do Blefe".

O Caçador de Borboletas
Muitos anos antes B-P disfarçou-se de caçador de borboleta na Dalmacia e espionou os fortes e defesas inimigas. Quando encontrasse um soldado inimigo "com o bloco de desenhos na mão, Eu poderia perguntá-lo inocentemente se ele tinha visto tal e qual borboleta nas vizinhanças, e como eu estava ansioso por capturá-la. 99% deles não poderiam distinguir uma borboleta de outra - do mesmo modo que eu - assim eu estava em segurança, eles simpatizavam com aquele inglês louco que estava caçando insetos.”.

Baden-Powell, citado por Hillcourt em "Baden Powell: as duas vidas de um herói”.
O que os soldados não notavam era que nos desenhos das asas das borboletas Baden-Powell colocava os mapas dos fortes e defesas.

Cuidado: Minas!
Um dos maiores prioridades foi evitar que os Boers tomasse a cidade de assalto, porque eles podiam facilmente dominara as frágeis defesas de Mafeking. Mas Baden-Powell deduziu que os Boers temiam que houvessem campos minados...
Assim, para confirmar os temores Bôeres, B-P fez uma corrente com os habitantes para transportes caixas de metal com terríveis avisos de não derrubar ou bater escritos nelas. Centenas destas caixas foram enterradas nos arredores da cidade, e as áreas foram marcadas com avisos para os habitantes e pastores manterem a área livre. Depois ele pediu para os moradores da cidade se manter dentro dela enquanto as novas minas eram testadas.

Com todo mundo seguro em casa, Major Panzera e eu saímos e colocamos uma banana de dinamite em um formigueiro. Acendemos o pavio e corremos para nos protegermos até que tudo fosse pelos ares, o que foi feito com um esplendido estrondo e uma grande nuvem de poeira. Da poeira surgiu um homem com uma bicicleta, que coincidentemente passava, e ele saiu pedalando tão rápido quanto pode em direção ao Transvaal, oito milhas à frente, onde sem dúvida ele contou como por simplesmente pedalar pela estrada ele explodiu uma mina mortal. As caixas não estavam cheia de nada ais mortal que areia!
Baden-Powell, citado por Duncan Grinnell-Milne em Mafeking.

Muitos holofotes de busca.
Quando o cerco começou estava na cidade um viajante que fazia lâmpadas de acetileno. Baden-Powell e o Sargento Moffatt colocou-o para trabalhar na confecção de um holofote utilizando duas latas de biscoitos, com um queimador de acetileno com um tubo de borracha alimentando-o com gás. Este aparato foi preso a um mastro com ponta afiada, o qual poderia ser facilmente cravado no solo.

Na primeira noite que os holofotes foram postos em uso. Primeiro foram acesos e apontados sobre as posições Bôeres em um lado da cidade, depois rapidamente desmontados e acesos no outro lado da cidade... Após um tempo os Boers convenceram-se que atacar a cidade à noite seria inútil, pois ela estava cercada por holofotes de busca... Infelizmente os holofotes não duraram muito: os suprimentos de carbureto foram destruídos, ou num incêndio causado por uma bomba bôer, ou pela inundação após um temporal.

Duas metralhas a mais.
O mesmo blefe foi usado com relação ao pequeno suprimento de metralhas da cidade. B-P construiu postos para metralhadoras ao redor da cidade, e seus soldados poderiam disparar uma metralhadora de um deles, depois rapidamente removê-la para outro posto e disparar novamente. Para os Boers parecia que havia dúzias de metralhadoras protegendo a cidade.

Mas logo Mafeking acrescentou à sua limitada artilharia um velho canhão que foi achado sendo utilizado como uma barreira. A arma foi logo montada e posta em ação. Ela foi batizada de `Lord Nelson', e disparava uma bala de 10 libras. Coincidentemente `Lord Nelson' tinha as iniciais B.P. & Co. Gravadas nele. Ele foi fundido na fundição Bailey & Pegg em 1770.

Um outro canhão logo entrou em ação. Feito em casa, em Mafeking, fundido em uma fornalha feita aproveitando-se uma cisterna revestida com tijolos. O canhão foi feito de uma chaminé de aço com quatro polegadas reforçadas por trilhos dobrados em anéis. O chassi foi aproveitado de uma velha máquina debulhadora. Bombas foram feitas fundindo-se refugos metálicos. A arma podia disparar projeteis de 8 kg pra uma distância de quase 4 km. Este canhão foi chamado de "O LOBO" em homenagem a Baden-Powell: Impeesa, o lobo que nunca dorme.

Arame Farpado

Logo B-P ficou sem arame farpado para proteger as trincheiras de seus soldados. Mas ele notou que à distância tudo que se podia ver eram soldados rastejando sob um obstáculo invisível - ele não poderia ver o arame - Assim ele pediu que continuassem erguendo posições e esticando arames imaginários entre eles. Depois eles fingiam rastejar sob os novos "obstáculos" que eles ergueram. O inimigo não tinha condições de saber que não havia nenhum arame no local.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Boa tarde a minha plêiade de amigos. A nóis aqui travez!


Boa tarde a minha plêiade de amigos. A nóis aqui travez!

Andei sumido por uns tempos dos meus blogs. Velho não tem jeito. Vira e mexe tem de tirar umas férias forçadas. Mas eu sei que o tempo passa a vida não para, os sonhos continuam e não tem maneira e nem eira de deixar tudo para trás e não voltar nunca mais. Uma volta na rotina da vida, um retorno mal dormido e eis-me aqui a palavrear, parolando frases para anunciar que não foi desta vez. Desde pequeno que aprendi a sorrir, pois meu pai dizia que o meu sorriso podia mudar a vida de alguém. Hurruu! Alguns dias de molho, sem choro, bebericando medicamentos, tratamentos tudo para poder retornar e dizer: Voltei de onde nunca devia ter saído. O que tem de ser será. Não vou declamar o pior que o poeta disse: - Morrer, dormir, não mais: - Termina a vida e com ela terminam nossas dores, um punhado de terra, algumas flores e quem sabe às vezes uma lágrima fingida. Anuncio a escoteirada que os anjos me levaram a sonhar muito, rir alto, pois a ordem dos fatores não altera o desejo de alcançar a felicidade.

Mais uma vez voltei sem sair e por aí me perdi pensando que não existe melhor remédio no mundo que uma gargalhada, nem que seja mal assombrada. Obrigado àqueles que se lembraram das minhas pequenas férias, dos que não tinham o que curtir, dos que não podiam comentar e nem compartilhar. Aqui estou e me aguardem os que me acham um Velho chato, enfadonho, irritante e incomodo. Os que dificilmente leem o que escrevo se preparem, pois vou encher minhas páginas de considerados escritos e relatos, todos escoteiros, pois aprendi a viver escoteirando e se assim o faço terei aprendido a morrer sorrindo. Puxa! Substitua morrer por abraços e beijos carinhosos de alguém que ama seus amigos, pois não estou aqui para uma rápida visita. Não vou me apressar e nas minhas caminhadas para escoteirar não vou esquecer-me de ficar alerta nas trilhas e de sentir o cheiro das flores no caminho.

Boa tarde! 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A Escola da Vida!


A Escola da Vida!

                       Não sei se existe idade cronológica para que nós possamos aprender a cada dia nesta formidável escola do mundo em que vivemos. Li certa vez que todos nós estamos matriculados na Escola da Vida. Desde que nascemos. Nesta escola o mestre é o tempo. A cada dia vamos aprendendo. Não importa a idade, pois o aprendizado não para. Dia e noite. É bom aprender com o silêncio, com os falantes, com os intolerantes e os gentís. Eu posso dizer que sou grato a todos pelo que aprendi e ainda aprendo. Não levo em consideração se são rudes, se são estranhos. A eles sou eternamente grato. De vez em quando penso nas palavras de Baden Powell quando disse que é uma pena que um homem tenha que viver sessenta anos para adquirir alguma experiência de vida e a leve para o túmulo, cabendo aos que o seguem começar tudo de novo, cometendo os mesmos erros e enfrentando os mesmos problemas.

                     Leonardo da Vinci comentou que a experiência é uma escola onde são caras as lições, mas em nenhuma outra os tolos podem aprender. Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende. São duas coisas distintas – O saber dado pelos mestres nas escolas e a vida como ela é, sendo olhada, guardada em nossa mente e nos fazendo crescer no dia a dia. Pois é, no dia em que guiarmos nossas ações, juízos, estudos e decisões por valores que visam ao sublime em vez da mesquinhez, quando agirmos inspirados mais nos critérios de justiça, da generosidade, da prudência, da temperança do que do interesse do egoísmo, no dia em que agirmos meditando sempre na beleza da doçura, na importância da humildade, no valor da coragem e no lugar da compaixão, nesse dia nosso planeta atingirá aquele estágio supremo que toda evolução técnica teve por meta.

                O escotismo nos deu escolhas. Não importa se entramos nele como jovens ou adultos. Deu-nos escolhas simples, honestas baseadas em uma lei e uma promessa. Aprendemos tanto a cada dia, a cada hora, a cada minuto. Aos poucos vamos fazendo um arquivo em nossa memória impossível de descrever ou escrever. Este arquivo é quem nos ensina como compreender, ser calmo, ponderado, e assim aceitarmos mais alegremente a vida como ela é, sem reclamar e aceitando o que nos foi dado como meta. Fico pensando porque muitos jovens ainda não se voltaram para o que dizem os mais velhos, aqueles que já estiveram em todas as salas da escola da vida. Não seria vantajoso escolher com aqueles que já passaram por todas elas, que carregam experiência e não se perdem no caminho desta escola?

                São muitos que sabem o valor de participar ativamente deste movimento que se tornou para nós os mais velhos uma excelente Escola da Vida. Os percalços que encontramos tudo que amamos são aulas para o nosso aprendizado. Chega a hora que viver junto aos jovens não dá mais. A idade é implacável. A Escola da Vida e Deus me deram o que preciso para continuar a jornada de outra forma. Mente clara, pensante, ativa procurando nos seus recônditos uma maneira de ajudar e colaborar. Baden-Powell nos mostrou o valor da natureza em nosso crescimento – Escoteiros quando um filhote de lobo ouve as palavras “estudo da natureza”, seu primeiro pensamento é sobre coleções da escola de folha secas, mas estudo da natureza real significa muito mais do que isso, o que significa saber sobre tudo o que não é feito pelo homem, mas criado por Deus.  E a natureza é uma das grandes matérias da Escola da Vida.


                 Todo homem toda a mulher passa pela Escola da Vida. Eles são os que sustentam a nação e o mundo com o que aprenderam. São livros não escritos, são matérias do dia a dia. São as alegrias, as dificuldades, os sacrifícios que nos dão a certeza de um dia receber o diploma tão esperado. Mas este diploma é apenas uma etapa. A Escola da Vida não para. Há muito que aprender. Ela nos dá a única riqueza que vamos levar conosco na viagem que um dia iremos realizar. E a cada estação, a cada apito do trem descendo ou subindo iremos encontrar mais e mais escolas. São milhares. Nunca irão parar. Seria bom que todos trocassem ideias como os que passaram por esta escola antes da maturidade. Mas acredito que tem de ser assim. Como dizia o poeta, mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo!

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O adeus sem volta do Escoteiro.


Vale a pena ler de novo.
O adeus sem volta do Escoteiro.

                           Pingo D’água e Varetinha estavam desanimados. Já estavam cansados de dizer a mesma coisa e sabiam que não estavam sozinhos. Tudo mudou da água para o vinho. O escotismo agora era outro e eles não sabiam o que fazer. Pedir conselhos? Comentar com alguém? Eles acreditavam que nenhum adulto iria dar razão a eles. Claro fizeram tentativas no Conselho de Patrulha, mas o próprio Monitor não via nada de errado, portanto suas opiniões nunca foram levadas em consideração na Corte de Honra. Pensaram em comentar com o Diretor Técnico, mas ele e o Chefe Tavinho eram unha e carne. Eles não queriam sair do Grupo Escoteiro, mas tudo estava sendo levado para isto e o pior ninguém via nada. Ninguém enxergava que a tropa encolhia a cada mês e poucos procuravam agora se inscrever. Não dizem que o pior cego é o que não quer ver? Não iam a tanto, mas pensavam que tem gente que é cego e não por cegueira. Deve ser por falta de inteligência.

                             Pingo D’água e Varetinha eram amigos desde que se conheceram na tropa. Ambos eram de patrulhas diferentes. Ele da Patrulha Lobo e Varetinha da Patrulha Texugo, no entanto eram unidos como se fossem da mesma patrulha. Foram mais de dois anos de felicidade, fazendo acampamentos, excursões, grandes jogos, aventuras mil que agora escassearam e praticamente não existem mais. Lembravam-se do antigo Chefe Tornado com saudades. Ele sim era um Chefe que nunca deveria ter saído da tropa. Quando entrou a Lobo tinha seis patrulheiros. Ele foi o sétimo. Chefe Tornado era daqueles que dizia – Aprender é fazer. Quer aprender? Faça o nó na árvore ou no galho mais alto com uma só mão. Fazer no braço ou bastão na vai ajudar na hora do vamos ver! Ele lembrava que em vários acampamentos as patrulhas estavam completas e as atividades eram lindas. Eles não paravam. Era Morse à noite ou semáforas ou fumaça no dia, sinais de pista, seguir pista a moda índia, grandes pioneiras, dezenas de nós e amarras, barracas suspensas, artimanhas e engenhocas, nossa! Que saudades!

                     Tudo mudou com a mudança do Chefe Tornado para a Capital. Ele nunca teve um assistente uma pena, pois poderia ter dado continuidade à tropa. Chefe Lobão convidou o Chefe Tavinho para assumir a tropa. Chegou com ares de chefão. Sempre gritando falando com todo mundo e as patrulhas começaram a desanimar com as atividades. Jogos? Nem consultava ninguém. Muitas vezes dava uma bola e dizia - Se virem! Jogar futebol não era o meu forte e nem de Varetinha. Bastavam as atividades de educação física no colégio. Eu queria escotismo de campo, de luta, de aventuras e de desafios. Ele era cego mesmo, pois não percebia que as faltas aumentaram. Alguns desistiam e nem iam mais ao grupo para dizer que saíram e não iam mais voltar. De 32 escoteiros a tropa agora tinha 18 e muitas reuniões não passavam de 12.

                         Perna Fina o Monitor nem se incomodava. Ele sempre foi um bom gritador. Por ser maior e mais forte levava a patrulha no muque. Em tempo algum aprendeu que o bom líder e aquele que sabe liderar e ser liderado. Não ensinaram isto para ele. Esqueceu completamente que precisávamos ser consultados e ouvidos. Mesmo falando para ele entrava em um ouvido e saia por outro. E olhe que foi num tal Ponta de Flecha e voltou todo posudo se achando o tal. Mostrou o certificado como se fosse o melhor Monitor do mundo, e só faltou dizer que agora o respeito a ele tinha de ser maior. Eu e Varetinha conversávamos muito sobre isto. A maioria dos patrulheiros que ainda frequentavam nada dizia. Eu conversei com meu pai. Ele nunca foi Escoteiro e seu conselho foi – Faça o que achar melhor e completou – Aprenda a tomar decisões. Achar melhor? Tomar decisões? Chamei Varetinha e disse a ele que ia sair. Amava o escotismo. Sempre pensei que seria Escoteiro para sempre. A minha maneira aguentei por quase um ano as mudanças na tropa. Não dava mais. Nossa patrulha não tinha mais que três ou quatro frequentando. Ouve dias que éramos três.

                       No último acampamento, um dos poucos que fizemos não tivemos liberdade. Ele levou pais para cozinhar para nós. Disse que assim teríamos mais tempo para outras atividades. Deus do céu! Pensei que isto só com lobinhos. No nosso canto de patrulha ele não saia de lá. Sempre fazendo o que deveríamos fazer. O fogo do conselho foi o pior que participei. Só ele determinava só ele falava só ele dizia o que fazer. Esperei a reunião seguinte e procurei o Chefe Tavinho. Queria ser sincero e dizer por que estava saindo. Nunca devia ter feito isto. Ele me olhou e disse que ser Escoteiro não era para qualquer um. Para ficar e participar tinha de ser forte, aceitar sem reclamar. No escotismo não tem lugar para perdedores. Meu Deus! Nunca esperei isto dele. Eu era para ele um perdedor? Será isto mesmo? Será que ele estava certo e eu errado? Varetinha me disse que não ia falar com ele e lá não pisava mais. No sábado seguinte não fui. Por dois meses não apareci no Grupo Escoteiro. Ninguém nunca me procurou para saber o que houve. Nem o Monitor.  Diversos outros meninos que saíram me procuraram para reclamar. Outros que nunca foram riam e diziam que lá nunca iriam aparecer. Ser Escoteiro? Nunca meu amigo. Nunca!

                      De vez em quando encontro com um e outro que ainda estão lá. Dizem que quase todos saíram e entraram outros. Nada tinha mudado. A tropa tinha 15 agora, mas com as meninas. Elas foram incorporadas por falta de chefia. O Chefe Tavinho continua. Não mudou nada. Labareda um Monitor da Tigre me contou em segredo – Olhe Pingo D’água, eu estive para sair. Fiquei por causa da patrulha, ou melhor, para dois deles, pois os demais saíram e entraram novos. Tudo continua como antes. É só apito, jogos repetidos, ele gritando para todos e sorrindo para as meninas. Elas agora são o xodó dele. Só tira foto com elas. Acampamentos? Poucos. Muito poucos. Dizem que ele vai substituir o Chefe Lobão que anda muito doente. Rezo que sim, pois quem sabe aparece um Chefe de verdade?


                      E aqui termina a história. Uma ficção que muitos dizem não acontecer. Mas eu Chefe escolado e vivido sei que estamos perdendo muitos jovens porque os chefes ainda não se tocaram que a Tropa não é dele, a Tropa pertence aos jovens e ponto final!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Xau amigos, o frio está a chegar, Vou prá terra do fogo, é lá que eu vou morar!


Xau amigos, o frio está a chegar,
Vou prá terra do fogo, é lá que eu vou morar!

Quarta marrenta, sem vento começou a esfriar.
Um dia eu me arrebento e vou na Terra do Fogo morar.
Vou convidar meu amigo, o Tunico Cozinheiro,
Um verdadeiro Escoteiro que fez tretas por demais.
Se tiver vaga não esqueço, de comida me abasteço,
Levo tralha levo sapa, e lá vou eu acampar.

Levarei também Zé Mulambo. Ele é bom Escoteiro,
Na patrulha um moleque a fazer rir e chorar.
Zé lembra daquela tora? Que nos levou mata afora,
Não era tora? Era uma enorme Sucuri
E você tirando sarro, a cobra eu nunca mais vi.
Ainda bem que Lindomar, que um dia foi embora,
Foi para Serra Pelada, e uma índia ele namora.

Sei que Baiano o sub, enamorou de Diana,
Ele se apaixonou quando foi catar mamona,
Era uma belezura danada, até eu fiquei com ciúme,
Não contei e fui chorar minhas mágoas
Na cabana do Malaquias, bem atrás do Curtume.
Patrulha joia era a nossa, que não usava perfume.

Ela foi feita na forja, de bigorna eterno aço,
Ninguém tretava com ela, boa de briga boa de braço.
Foi Anjo Preto monitor, todo cheio de andor,
Que sumiu um dia de sol bem no meio do mato.
Voltou gritando de dor, lutou com a capivara,
Levou picada de abelha, e milhões de carrapato.

Mas não tem meu pé me dói, Vou prá Terra do Fogo,
Levarei meus patrulheiros, pois eu jamais fui bobo.
Lá montarei minha barraca, minha casa meu amor.
Tomarei banho no rio, bem no meio do calor.
Se a patrulha quiser, faremos arroz carreteiro,
Somos fortes e valentes, nós somos bons escoteiros.

E quando o frio chegar, me aconchego lá na gruta,
Passarei no Seu Tomé, vou colher bastante fruta,
E de lá não vou sair, enquanto este frio não sumir.
Vou parando por aqui, nestes versos de bobeira,
Se puder levar mais um, levarei à escoteira,
Aquela menina levada, que dizia pátria amada.

Se ela não for comigo, levarei meu outro amigo,
Bom Contador de histórias, nas noites de lua cheia,
E no fogo do conselho, eu não vou entrar no meio,
Em sonhos eu vou levar, nas chamas do rebosteio,
E vou encerrando meu amigo saiba que não sou bobo,

Com tristeza eu vou embora, morar na Terra do Fogo.