Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 9 de novembro de 2013

Minha, nossa, tua admirável Vovó Guiomar.



Conversa ao pé do fogo.
Minha, nossa, tua admirável Vovó Guiomar.

Ela não foi e nem era minha avó consanguínea. De nenhum dos Escoteiros. Assim como eu todos nós a chamávamos de Vovó e tínhamos por ela um amor todo especial. Acho que foi a Vovó com mais netos no mundo. Idade? Ela dizia ter 82 anos quando cheguei ao Grupo. Nunca esqueci aqueles sábados deliciosos que ela estava conosco sorrindo, cantando, brincando e tentando ser séria no cerimonial de bandeira, mas com um sorriso brejeiro. Disseram-me um dia que no passado ela acampava ia aos acantonamentos, viajava com a tropa e me garantiram que quando pediram a sede no Grupo Escolar Pedro de Matos ela foi sozinha no palácio do Governador para pedir que cancelassem a ordem. Não quiseram deixá-la entrar e ela ficou ali na porta sentada no meio fio por um dia inteiro. Teve insolação e depois de medicada quiseram levá-la para casa. – Não sem antes falar com o Governador ela disse. – Um assessor se prontificou e ela agradeceu, mas o assunto era com o governador. – Mocinho, eu votei nele e ele não pode me receber? – Doutor Morato o Governador assustou quando soube e deu belas risadas. Foi lá na antessala e deu nela um forte abraço. Claro aproveitou para fotos, pois a eleição estava próxima. A ordem foi cancelada e ganharam mais uma sala. A diretora que agiu assim foi demitida. Vovó Guiomar não gostou e de novo voltou ao Governador. Agora entrava direito. A demissão foi revogada.

Interessante que ela se tornou um de nós e a gente nem prestava mais atenção nela. Mas quando faltava era aquela preocupação e lá íamos nós após as reuniões em grupos a casa dela preocupados. Sei que morava só. Sei também que sempre foi solteira e no passado distante namorou um Chefe de nome Castor. Um dia foi achado boiando no rio Santissimo. Ninguém soube por que morreu. Vovó Guiomar não chorou. Ficou dias pranteando seu amado no Cemitério das Flores. Meses depois voltava lá uma vez por mês fato que até hoje/ontem se repete. Se aquele que amei não foi meu eu não serei de mais ninguém. Ela ria e dizia – Eu casei com o Escotismo. Baden-Powell foi meu padrinho! Era uma pândega e a gente nunca a viu chorar. Se um Chefe faltasse lá estava ela para substituir. Nunca fez nenhum curso e todos sentavam em sua volta e ela fazia um campeonato de piadas. Gostosas piadas. Ela era mestre e sabia contar cada uma que coravam a gente, mas a risada vinha naturalmente sem malícia.

Faltou barraca? Faltou facão? Faltou talheres? Faltou material para os lobos? – Quero a lista ela dizia. No dia seguinte o comércio local tinha de aguentar seus pedidos.  Não perdoava nem mesmo os supermercados com a lista de mantimentos para os acampamentos. Nunca aceitava sair de mão abanando. Ela resolvia tudo. Um dia um Chefe novato resolveu fazer uma diretoria. Não a consultou. Os novos diretores assumiram e nem ligaram mais para ela. Ficava no pátio se sentindo rejeitada. O dinheiro do grupo escasseou. Não tinha mais para comprar materiais. Ela não mais sorria. Sempre com uma cadeira que pegava na sede e na sombra da aroeira sentava como se estivesse cochilando. No conselho de chefes falaram sobre ela. Ela não merecia o que estava acontecendo. – Se não fosse ela não seriamos o que somos hoje – Disse a Akelá Naninha. Reverteram tudo. Disseram a ela que seria a Presidenta. Mandava agora na diretoria. Muitos não quiseram e pediram demissão. O grupo voltou ao normal.

Uma tarde alguém veio avisar que ela tremia. De olhos abertos sorria e tremia. Ninguém sabia o que era. Não reconhecia ninguém. O Chefe Damásio levou-a ao pronto socorro. Ainda sem exames completos diagnosticaram como Mal de Alzheimer. Sua memória começou a falhar, ficava desorientada para voltar para casa, mesmo indo ao grupo se sentia desinteressada, e em alguns momentos ficava agressiva e desagradável. O Hospital marcou o dia para levá-la a uma casa de repouso especializada. Ela foi a contragosto. Todos os domingos a escoteirada corriam todos para lá. Ela aos sábados fugia e pedindo carona chegava ao Grupo Escoteiro sorrindo. Suas crises iam e vinham. Os enfermeiros já sabiam onde ela estava e ninguém deixava que a levassem enquanto não acabasse a reunião. Tentaram fazer um pedido de uma medalha de Gratidão Ouro e recusaram. 120 Escoteiros foram pessoalmente na Assembleia Regional e entraram no auditório pedindo a palavra. Aprovaram a medalha. Foi entregue em um sábado de sol, ela em uma cadeira de rodas com dois enfermeiros no cerimonial de bandeira. Havia neste dia mais de quinhentas pessoas presentes. Antigos Escoteiros do grupo acorreram de todas as partes. A palma escoteira dizem que em tempo algum será a mesma.

Morreu quatro anos depois. Estava irreconhecivel. Nas suas exéquias milhares de antigos Escoteiros presentes. Lorentino morava no Japão e quase não chegou a tempo. Zeca e Bambocha estavam no Suriname e alugaram um jatinho. Centenas de milhares de pessoas emocionadas e lágrimas caiam sobre a terra do campo santo. Zé Arrebol levou seu clarim e tocou o mais lindo toque do silêncio de todos os tempos. A canção da despedida com milhares cantando foi em determinados momentos silenciosa. Seres humanos engasgados choravam e cantavam baixinho. Contaram-me que todas as tardes milhares de borboletas invadiam o seu tumulo por muitos anos. O enterro foi às cinco da tarde, mas às onze da noite guardas de patrulhas escoteiras lá estavam prestando sua homenagem. Rio Pequeno nunca mais foi o mesmo. Mudaram o nome do grupo para Vovó Guiomar. Nos encontros, jamborees e Camporee e outras atividades riam quando se falava o nome do grupo. Mas eles não sabiam que no coração de cada um Vovó Guiomar fez sua morada. E sabiam quem ali era iria morar para sempre.

Nas minhas andanças por este país eu conheci em dezenas de grupos escoteiros muitas vovós Guiomar. Cada uma com seu estilo especial, mas sempre presente sem nunca deixar de fazer o bem sem olhar a quem. Não deixem que ela se vá para depois prestar uma linda homenagem. Afinal eu sei que todos sabem do seu valor.

“Minha Vovô escoteira, cada ruga tua representa uma história vivida. E são tantas... Quantas experiências, quantas histórias para contar, quantos conselhos para dar, quanta paciência para nos suportar... Te amamos, vovó”!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Rei morreu (uniforme caqui). Viva o novo Rei (uniforme novo).



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O Rei morreu (uniforme caqui). Viva o novo Rei (uniforme novo).

         Ei vocês aí, por favor, não me joguem pedras. Sei que sou um Velho Escoteiro cheio de manias e tradições, e que alguns novos me disseram não ajudar em nada com esta conversa de “antigamente era assim”. Por favor, deixem-me falar afinal será por pouco tempo. Acho que dificilmente chegarei aos cento e dez anos, portanto não liguem para o que eu digo. Mesmo contrariado com muito do está acontecendo hoje eu aceito. Amigos dizem para mim que isto é democrático. Aceitar e saber divergir. O que? Divergir como? Meia dúzia decide mudar uma tradição de anos, um hábito de comportamento, um uniforme conhecido do Oiapoque ao Chuí e não consulta ninguém? (ela diz que sim eu digo que não) Deixa que os associados tomem conhecimento em uma apoteótica festa com modelos e tudo e eu vou ficar calado? Never! Sei que minhas palavras não ajudam em nada. É como o vento que chega faz charminho e se vai sem despedir. E me divirto com muitos que insistem em me dizer: - Que os jovens decidem o que querem. Agora? Primeiro ninguém perguntou a eles quando mudaram e agora eles decidem? Coitados. Bois de piranha isto sim. A modernidade gritada aos quatro ventos por muitos irão fazer a maioria aceitar esta imposição. Estão acostumado a só serem consultados quando o arroz queimou na panela daquele acampamento gostoso.

           Há tempos não colocava meu uniforme completo. Pensei comigo – “Chefinho”, porque não faz como muitos aí? Que gritam aos quatro ventos que o novo chegou para ficar e a maioria dos chefes batem palmas por ele? Vixe! Os adultos falam pelos jovens e dizem que eles são consultados? Depois de sacramentado o que eles irão dizer? Claro a modernidade está aí. Bem vamos continuar a saga dos meus escritos. Chefe Osvaldo vista o seu caqui e vá passear aos sábados em Grupos Escoteiros amigos. Faça seu marketing mesmo sabendo que será em vão. Meu pensamento é danado. Obriga-me a coisas difíceis de realizar. Experimentei o caqui que fiz em oitenta e dois. Ele e minha barriga entraram em choque. Difícil de apaziguar. A barriga não posso aposentar e ela precisa de mim. O melhor é aposentar o velho. Fiz para ele uma homenagem linda. Secreta. Não vou contar. O novo chegou. Um caqui lindo. Mostra sem vergonha a protuberância de um barrigudo teimoso. No topo do Terraço Itália fiz as honras de praxe. Para marcar para sempre. Deixei que o novo desse um abraço no antigo. Lágrimas rolaram. Bandeiras foram içadas, saudações mil. Choramos muito eu o Velho uniforme e o novo impaciente para ser investido no dono do meu corpinho jovem. Paciência com os velhos, como disse um amigo outro dia aqui o que é passado deve ser enterrado. Moço inteligente.

           Testei o uniforme. Chapéu novo olhei no espelho. Barriga danada! Fazer o que? Agora uma sessão de fotos e esperar convites de amigos para visitarem seus grupos. Não pode ser longe, pois minha matutagem e meu farnel de remédios me garantem por máximo de cinco horas e claro dependo de caronas ida e volta. Sentei na poltrona da sala e nem prestei atenção ao filme. O céu que me condene. Nome de filme “sacripanta”. Já fui condenado tantas vezes por dirigentes e ainda vou assistir a um filme deste? Nem pensar. Never! Vou tentar andar por novos caminhos. Muitos irão se decepcionar, pois ninguém esperava uma figura como a minha hoje. Velho, carcomido com o tempo, encurvado, falando baixo, tossindo, e com uma proeminente barriga a andar em passos trôpegos parecendo que vai cair. Risos. Não sei se será uma boa pedida. Mas que seja. Não quero morrer sem levantar minha bandeira. Não levarei a mochila e nem a barraca mesmo que o céu tenha sido minha lona, e meu farnel da comidinha e os lanches gostosos hoje não existe mais, ele vai se contentar com a bruxuleante maquininha de respirar, remédios, bombinhas suspirantes e o escambal.


            Rataplã do arrebol, escoteiros vede a luz! É... Aquela foto do caderno Avante de outrora irá desaparecer no tempo. Aqueles sonhos de meninos com a Bandeira Nacional de caqui e chapelão a correr pelas montanhas será coisa do passado. Sonhos de muitos meninos que um dia sonharam em ser Escoteiros. E qual criança daquela época que não sonhou ser um deles? Ratibum, pum, pum! Agora o tema é outro. Não existe volta. Não adianta reclamar. É fato consumado. Melhor é fechar os olhos e deixar que os sonhos percorram os caminhos de uma vida plena e cheia de felicidade. No amanhã ou no porvir dos novos meninos Escoteiros eles também terão seus sonhos, irão viver seu passado lembrando-se das coisas boas que fizeram. Irão ver novas mudanças e quem sabe eles irão conseguir o que eu não consegui. Uma democracia plena autentica cheia de transparência onde eles estarão naquela montanha do caderno Avante, com seus novos uniformes, alegres e benfazejos, marchando ao sabor do vento e a cantar o Rataplã!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Por que / Por que / Porque ou Porquê?



Por que / Por que / Porque ou Porquê?

Sempre me faço a pergunta do por quê. Porquê?
Por que eu sou um Escoteiro? Porquê?
Por que eu amo o escotismo de montão? Porquê?
Por que eu amo a natureza e não sei viver sem ela? Porquê?
Por que eu adoro e amo acampar? Porquê?
Por que eu choro quando cantam a Canção da Despedida? Porquê?
Por que como Escoteiro eu não gosto de palavrão? Porquê?
Por que eu acredito que todos Escoteiros devem pensar primeiro nos outros? Porquê?
Por que ainda temos pessoas no movimento que não levam a sério a lei e a promessa? Porquê?
Por que eu ainda vejo palavrões aqui onde tem pessoas de todas as idades e muitas vezes estes palavrões são ditos por quem se diz Escoteiro? Porquê?
Por que mesmo pedindo ainda insistem em me vender ilusões? Porquê?
Por que os chefes insistem em falar com todos em vez de instruírem os monitores? Porquê?
Por que eu acredito em Deus? Será porque vivo em contato com natureza? Porquê?
Por que em uma pequena pesquisa descobri que um grande número de chefes ainda não leram os três principais livros de Baden-Powell e muitos nem sabiam os títulos? Porquê?
Por que alguns adultos chefes ainda se apresentam mal uniformizados? Porquê?
Por que os dirigentes nunca se preocuparam em manter tradições importantes que levamos anos para mantê-las? Porquê?
Por que eu adoro (hoje não posso mais) cantar uma canção junto a lobinhos ou Escoteiros? Porquê?
Por que eu gosto de contar estrelas no céu na madrugada em um gostoso acampamento? Porquê?
Por que eu treinei a fazer oito nós com dois pequenos pedaços de barbante dentro da boca com a língua? Porquê?
Por que quase não vejo mais cantarem o Rataplã? Porquê?
Por que os hinos nacionais são quase desconhecidos hoje no escotismo? Porquê?
Por que eu me arrepio todo quando hasteiam uma Bandeira Nacional? Porquê?
Por que eu fico emocionado quando vejo um lobinho e um Escoteiro sorrindo? Porquê?
Por que eu insisto até hoje em continuar no escotismo e discordando de muito do que os dirigentes fazem? Porquê?
Por que em sou feliz e acho que tenho a felicidade em meu coração sempre? Porquê?
Por que eu desejo honestamente e do fundo do coração que todos também possam usufruir da felicidade que eu tenho? Porquê?


São tantos e tantos os porquês. Mas quer saber? Eu sei o por que. Afinal é só um Por que / Por quê / Porque ou Porquê!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Abri a porta da gaiola do passado e voei para o presente.









Abri a porta da gaiola do passado e voei para o presente.

Foi um belo sábado. Sol a pino, nuvens no céu para fazer um dia perfeito. Pontualidade inglesa eu disse aos meus caroneiros. Levantei cedo, banho e comecei a rotina de anos e anos para colocar meu uniforme. Olhei o cinto, brilhando. Ótimo. Olhei o chapéu. Abas largas e retas. Cadê o sapato? Marido melhor ir com o tênis preto. (só tenho ele. Kkkkk). Bem não gostei, mas fazer o que? O sapato preto era 38 e meu pé engordou. Não serve mais. Calça, camisa bem presa dentro da calça, coloco o meião e depois o tênis.  Eu não. A Célia. Não consigo dobrar o corpo. Celia uma mulher sem igual. Ser Velho não é mole. Veja se as estrias estão retas! Eu disse. – Você sabe que eu sei disso afinal fui escoteira por 30 anos foi à resposta. Fui para o espelho, lenço sobre o pescoço o ritual do anel bem postado. Por último o colar. Agora o chapéu. Fácil. Vou para a varanda. Os dois chefes amigos (Geraldo e Denis Corazza) chegaram com 32 segundos atrasados, não gostei. Mas os perdoei, pois são dois grandes escotistas. Tentei conversar na viagem e falei pouco. O danado do ar faltando. Chegamos. Alegria, abraços, sempre alerta, ainda bem que nenhum SAPS. Detesto o SAPS.
 
Fotos, abraços e com minha cara de sapo morto tento sorrir. Espero que me entendam. A grande ferradura fica pronta. Centenas de meninos correndo. Rapidamente estão formados. Bandeiras ao vento e lá no céu vi o passado descendo ali. Quantos disto eu vi? Quantas vezes participei? Desde 1947. Perdi a conta. É o tempo não apaga o tempo. Emoções começam a vir à tona. Sou chamado ao centro da ferradura. Meu anfitrião o Robson, um Escoteiro meu do Águia Branca da década de oitenta e que ainda usava fraldas ali agora homem feito e emocionado quase chorando. Robson o Distrital e chefão da atividade Eu não sabia o que falar. Uma ferradura enorme. Robson repita para eles o que vou dizer – Chefe vou tentar, vou tentar estou engasgado. Incrível este momento. São coisas que só os grandes Escoteiros entendem. Falei uns dois minutos. Não é hora para discurso. A atividade de abertura terminou. Hora de bater pernas e voltar. Impossível continuar, pois meu ar vai e vem. Daria tudo para ficar os dois dias, sentir o calor do Fogo do Conselho, sentir o ar da mata do Jaraguá que tantas e tantas vezes senti no passado. Quem sabe o Macaquinho Tião ainda estaria vivo? Ou o Quati doidão? A Jaguatirica já deve ter ido para o céu. Quem sabe a coruja buraqueira amiga de tantos cursos que ali colaborei? Seria pedir muito lá se foram quase trinta anos – Chapéu a postos procuro a mochila que não levei. Rotina que não se esquece. Robson e Denis me dizem - Chefe aguarde. O Cido vem aí. Intimamos ele a vir. Cido, ele e a esposa Celia amigos do peito desde 79. Sempre juntos até hoje. Ele chegou. Fiquei contente estava de calça curta. Anda por aí se exibindo com a comprida. Peguei na orelha dele um dia. Veio do Cemucan de uma atividade para me dar um abraço. Mais de quarenta quilômetros.

Mais abraços e a partida. Chefe Geraldo me levou. Vai me levar domingo as onze ou meio dia de novo a visitar o Falcão Pelegrino. Amigão o Geraldo. Vou conhecer o George Hirata Chefe dos Falcões. Aqui somos velhos amigos virtuais. Devo conhecer outros e assim comecei minha jornada nas estrelas desculpem minha nova jornada na terra. Ainda pretendo abraçar muita gente. Basta me convidar e vir me buscar e trazer em minha casa. Não posso dirigir.


Valeu e se valeu. O Velho Escoteiro bateu asas e voou agora nas asas da imaginação pisando devagar no sonho real. Sempre Alerta meu amigo e minha amiga assim direi quando encontrá-lo por aí nestas minhas andanças. Quantas? Não sei, mas quer saber? Se um dia nos encontrarmos por aí já sabe o que vou dizer – SEMPRE ALERTA! É UMA HONRA CONHECER VOCÊ. POSSO LHE DAR UM ABRAÇO?

sábado, 2 de novembro de 2013

O Chefe Escoteiro de lua Verde.



Lendas escoteiras.
O Chefe Escoteiro de lua Verde.

                     Três patrulhas. A quarta só no ano seguinte. Tropa nova, com menos de seis meses de atividade. O Chefe Galício era novo, menos de vinte e três anos. Resolveu um dia ser Escoteiro. Nunca foi. Achou nos guardados do seu pai um livro chamado Escotismo Para Rapazes de Baden Powell o fundador. Leu em uma noite. Gostou. Seu pai quase não falava. Vivia em uma cadeira de rodas. A mãe morrera há anos. Ele arrimo da família. Sempre pensou em ir embora de Lua Verde. Só conseguiu terminar o segundo grau. Cidade pequena, menos de dez mil habitantes. Sem perspectivas de crescimento profissional. Não podia deixar seu pai. Para sobreviverem ele montou uma quitanda. Pequena. Na frente de sua casa para não pagar aluguel. Algumas verduras, frutas, doces, e quando pode comprar uma geladeira, refrigerantes e algumas guloseimas geladas. Dava para seguir adiante a cada mês. O “fiado” era a parte mais difícil. Como negar ao Seu Romerildo? A Dona Eufrásia e a tantos outros? Eram como ele. Nem sabiam o que iam comer amanhã.

                    Depois que leu o livro o releu diversas vezes, pensou com seus botões. - Porque não ter uma tropa Escoteira? E assim fez. Mãos a obra. Convidar meninos foi fácil, a sede também não foi difícil. Ficaram num pequeno porão da Igreja Matriz. Mas Galício não entendia nada. Começou assim na raça, nem sabia que existia autorização, alguém responsável acima dele. Ele e os Raposas, os Tigres e os Leões eram os escoteiros mais felizes do mundo. Amigos, irmãos, juntos sempre. Quando os viam pela cidade a correr pelos campos, parecia um bando de meninos loucos a fazerem suas aventuras fantásticas. Galício adorava. Um dia recebeu uma carta. Era do Grande Chefe Escoteiro da Capital. O convidava para um curso. Todas as despesas pagas. Porque não ir? A quitanda deixou na mão de Quinzinho e Marquinho. Dois Monitores que sempre o ajudavam nos sábados quando a quitanda estava cheia.

                   Partiu de trem para a capital. Quinze horas de viagem. Na chegada se informou onde era o Zoológico. Pegou o bonde. Desceu no final e dai seguiu a pé. Eram mais seis quilômetros. Nada que assustasse Galício. Quando chegou viu muitos chefes. Bastante. Gostou do curso. Não gostou de alguns. Prepotentes, vaidosos, cheios de importância. Não era seu estilo. Aprendeu muito. Resolveu que deviam ter uma Alcatéia. Mas quem convidar? No trem quando retornava pensava a respeito. Uma jovem morena sentou ao seu lado. Galício teve duas namoradas. Pouco tempo com elas. Nunca pensou em casar. Novo. Agora com seu pai entrevado não tinha esse direito. Ela o olhou de cabeça baixa. Galício viu que chorava. – Por quê? Perguntou. Ela não respondeu. Acordou com ela dormindo em seu ombro. Reparou que era muito bonita, mas tinha o olhar envelhecido por uma vida de lutas.

                    Toda a viagem ela chorava. Galício insistiu. Ela nada dizia. Só disse que deveria ter morrido e Deus quis assim. Que seja. - Vai para onde? Sem destino respondia – Sem destino? Não tem amigos, parentes, nada? Não tenho. Quando chegou à estação de Lua Verde tinha resolvido. Desça comigo. Ficará uns dias em minha casa. Ela assustou – Descer? E sua família? Não se preocupe. Uns dias em Lua Verde você irá colocar a cabeça no lugar e saberá aonde ir e o que fazer. Ela desceu. A cidade inteira na janela vendo Galício e a bela morena. Quem era? Ele casou? Ele não disse nada. Sua vida continuou. Seu pai nem perguntou. Os escoteiros nada disseram. Sua vida mudou. Lena era uma mulher perfeita. Cuidava da casa. Fazia tudo. Seu pai tinha os olhos brilhando quando estava ao seu lado. A cidade inteira comentando. E a Tropa? Alguns pais querendo tirar os filhos. Os comentários não eram bons. Uma mulher da vida, só podia ser.

                   Galício resolveu casar com Lena. Ela disse não. Por quê? Você não tem ninguém. – Ela chorando disse que ia contar a verdade. Era mulher de vida na capital. Gostava de um soldado. Ele prometeu casar com ela. Morreu em tiroteio com bandidos. Chorou muito e o pior. Tinha AIDS. Sim, isto mesmo! Ainda em fase inicial.  Galício manteve seu pedido. Não importa. Quero você como minha mulher. Casaram-se na Igreja de São Judas Tadeu. Cerimônia simples. Ele uma vizinha e as três patrulhas escoteiras. Casou de uniforme. Ela feliz. Sorria. Viveram muitos anos. Lena se tornou Akelá. Os lobinhos adoravam sua Chefe. Galício e Lena nunca fizeram sexo. O amor dos dois eram diferentes. Lena morreu com quarenta e oito anos. Seu velório foi assistido por toda a cidade. Dizem que virou santa. Não sei. Mas seus lobinhos hoje homens feitos nunca esqueceram a Chefe que tiveram. Galício chorou por muitos anos. Morreu com sessenta e quatro anos.


                  Conheci ambos. Sempre quando vou a Lua Verde não deixo de fazer uma visita ao tumulo dos dois. Lado a lado. Escreveram uma lápide simples. Nem sei quem escreveu. – “Aqui jaz, dois amantes que nunca foram. Amaram o escotismo e com ele viverão para sempre no céu!”.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Um hipotético passeio no futuro. Cuidado isto pode ser real e acontecer com você!



Jogando conversa fora.
Um hipotético passeio no futuro. Cuidado isto pode ser real e acontecer com você!

 - Um antigo Escoteiro, depois de anos, retorna ao grupo onde cresceu e aprendeu toda a filosofia do programa Escoteiro. Ali recebeu formação de caráter, ética e liderança. Aprendeu o que era honra e considerava a Lei Escoteira como sua filosofia de vida. Era grato por isso. Ele chega ao grupo, e vê um número bem inferior ao que eram antes. Sempre Alerta! Diz alegre e solicito. Alguém olha de soslaio para ele e diz de maneira despretensiosa - Oi! - Amigo eu fui Escoteiro aqui, poderia falar com o chefe do Grupo? Não tem mais responde. Só Diretor Técnico. Tem alguém da Comissão Executiva? Também não, isto já era. Agora é Diretoria.  Ele olha para o lado e vê um monitor displicente, sem patrulheiros, com o mesmo bastão do passado, onde sua patrulha tinha orgulho, e vê agora a bandeirola quase caindo. – Onde está a patrulha dele? – faltaram todos. Estamos prevendo punições em massa! Responde.

Você é chefe aqui? Pergunta. Não, sou formador, responde. Não entendi. Dou cursos moço. Formo adultos para chefes. Não vê meus tacos? E a Akelá? O Baloo onde estão? Isto não existe mais, a mística da jângal já era. Já estão mudando tudo. Estes termos do passado atrapalham nosso crescimento. Olhe, continua o humilde antigo Escoteiro - Não estou mais vendo escoteiros com os distintivos de Segunda e Primeira classe. Ninguém aqui ainda conseguiu? - Já acabou há tempos responde isto é passado. Agora está tudo moderno, é pista, trilha, rumo e travessia. – Se me dá licença estou muito ocupado.

Ele agora está em dúvida. Mesmo assim insiste e pergunta: - Me diga, não usam o uniforme caqui? Estão todos com uma camiseta e o lenço do grupo com um nó nas pontas. Muitos com tênis colorido e alguns usam chapéus esquisitos de todos os tipos, poderia explicar-me? É assim mesmo, responde. Você como formador está usando um caqui de calça comprida e um chapéu canadense. É isso mesmo? O formador encara o ex-escotista. Olhe o que você vê está no POR e os demais estão com o traje. Já temos também a vestimenta. Nossos líderes nos presentearam com uma estupenda vestimenta. Custa caro? Pergunta o ex-escoteiro. Se você é pobre aqui não temos lugar para você. Acha que existe almoço grátis? Aqui você paga o lenço, o distintivo, o anel os acampamentos. Não acredita que dinheiro cai do céu não é? Ele arrisca uma última pergunta – Sabe dizer quando vai ser o próximo Conselho do Grupo? Gostaria de participar. Não existe isto aqui – responde, você está vivendo no passado. Só temos Assembleias de Grupo e é só para os do grupo, aqui sapo de fora não tem vez.


Ele vai embora. Triste, desacreditado. Acha que não é o grupo onde tanto amou e onde viveu seus mais lindos sonhos e suas grandes aventuras. Quem sabe ele se enganou e um sindicato qualquer montou uma sucursal infanto/juvenil e ele achou que eram escoteiros?

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Como é gostoso sorrir.



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Como é gostoso sorrir.

           Eu sempre tive uma queda por Machado de Assis. Ele sempre foi prodigo em comentar sobre uma vastidão de temas e soube transportá-los para uma realidade que nos toca fundo. Hoje resolvi falar sobre como é gostoso sorrir. Abro meus escritos com o que ele escreveu – “Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas”! Adorável isto. Mas não é bom sorrir? E ver os outros sorrirem então? Lembro que a muitos e muitos anos estava dirigindo um curso Escoteiro e na equipe havia um padre sério que vivia de cara fechada. Todos tinham medo dele e não deixava saudades em suas palestras. – Padre eu falei, porque não sorri para os alunos Escoteiros? – E ele – Uai! Disseram-me que é assim que se procede em Gilwell Park. Ele tinha uma sessão quinze minutos depois. Entrou sério e sisudo. Uma época que os alunos levantavam-se na entrada do formador. Sentaram e ele de cara feia olhava todo mundo. Seus olhinhos miúdos corriam os bancos postados na orla daquela floresta. Todos calados pensando: Que diabo quer este padre? E ele olhando a cara de um por um começou a rir. Seu riso aumentou. Os alunos chefes não entendiam nada. Mas sua risada era contagiante. Ficaram lá rindo por muito tempo. O padre nunca mais foi esquecido e no inicio de outros cursos sempre me perguntavam – O Padre X está na equipe?

         Já me disseram muitas vezes que o salário de um Chefe está no sorriso de suas crianças. É mesmo. Existe algum mais lindo que um sorriso? E se for de criança melhor. Chegar ao seu grupo, ver a alegria estampada, ver o Diretor técnico vindo lhe cumprimentar e sorrir, os demais chefes sorrindo e olhando para você dizendo - Sempre Alerta meu Chefe, alegre em ver você de novo! Tem salário que paga tudo isto? Não tem. Aí você se enche de orgulho e diz em sua consciência, valeu ser voluntário. Ajudando o próximo estou ajudando a mim mesmo. Eu tive a oportunidade de ver belos sorrisos. Já notaram quando saem para uma atividade ou acantonamento? Todos chegando sorrindo e as mães preocupadas? Elas sem saber destoam do conjunto. Mas eles estão sorrindo de orelha a orelha. Muitos dormem nos ônibus e quando lá chegam é aquela alegria. E o Fogo de Conselho? Você já teve a alegria de ficar observando os rostinhos infantis e juvenis a brilharem quando as chamas altas querem tocar no céu? Prestou atenção neles? É Indescritível. Uma hora ou duas horas e eles pregados ali, sentados na grama, olhando sempre para o fogo crepitando e se aparece alguém para um esquete ou um jogral meu Deus! Os sorrisos dobram.

         Não sei por que alguns chefes são sisudos. Cara feia. São até bonitos, mas com seu estilo de chefão é de matar. Quando formam as crianças eles se portam como se fossem os Capitães da Guerra. Dão uma olhada de ponta a ponta e param em alguém que não está como ele deseja. Isto se não gritar pedido que fique firme. Acredito que ele ainda não pegou que o escotismo tem de ter alegria em tudo. Não existe hora nenhuma para ficar sério. Pode até ser uma atividade séria, uma cerimonia séria, um jogo sério (jogo?) não importa. Importa é a maneira de se apresentar e conduzir tudo isto. Amigos sorrir faz parte do bem viver. Já me disseram que sorrir sempre é um ótimo remédio. Os entendidos dizem que isto foi uma grande descoberta científica. Dizem que vale a pena dar uma boa gargalhada. Isto mesmo, ele contagia a quem está por perto e nos momentos difíceis lembrar coisas boas e tentar sorrir mesmo que por pouco tempo ajuda. Muitos comentam que nos piores momentos um sorriso torna as coisas que eram difíceis ficarem fáceis. Uma pesquisa revela o porquê rir é o melhor remédio, segundo os pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra todos estes benefícios só existem quando se trata de um riso de felicidade e de euforia. O riso social, por vergonha, embaraço ou por educação, não tem o mesmo efeito.

             O escotismo é uma fonte inigualável de alegria e satisfação pessoal. Sabendo sorrir e valorizar seus amigos é meio caminho andado. Uma época fui sisudo. Muito. Chegava e todos ficavam calados. Mas a Escola da Vida me mudou. Hoje sorrio muito e poucos acham que estou sorrindo. De vez em quando fico no espelho treinando, mas não é fácil. Gosto de lembrar Baden-Powell sempre. Dizia que sempre foi feliz e gostava de fazer as pessoas felizes. Afinal não foi ele quem colocou lá na Lei Escoteira o Oitavo Artigo? – O Escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades. Veja o que disse o poeta Dinamor: - Quem quiser vencer na vida deve fazer como os sábios: mesmo com a alma partida, ter um sorriso nos lábios. Quer viver mais tempo? Quer se curar rapidamente? Quer fazer do seu Grupo Escoteiro uma família feliz? Coloque um sorriso nos lábios, mas espere um sorriso autêntico, alegre e espontâneo, pois se não for assim todos saberão que você não está sendo verdadeiro.


            Antes de terminar me lembrei de um fato interessante. Estava eu e a Celia (se passou há uns dez anos) em um restaurante (simples não aqueles cinco estrelas) e ouvi uma gargalhada gostosa. Daquelas que a gente tenta dar e não consegue. Ao meu lado um casal novo dizia – Que falta de educação. O maitre devia coloca-la para fora. Virei-me e vi quem estava sorrindo. Nada mais nada menos que Dolores. Uma antiga Chefe de lobinhos hoje com seus oitenta e sete. Levantei-me e fui até a mesa do casal – Meus amigos superem se possível esse inconveniente, aquela senhora tem oitenta sete. Olhem bem ela vai viver mais vinte tranquilamente. Sabem por quê? Porque ela gosta de sorrir, ela enfrenta as dificuldades sorrindo. Completei com Martin Luther King – Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios! 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Escotismo, uma maneira gostosa de ser feliz.



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Escotismo, uma maneira gostosa de ser feliz.

Era uma mesa simples. Nada diferente de tantas que ele um dia viu fazer. Era sua primeira. Teve a permissão de construí-la só. Era um desafio que ele mesmo fez para si. Decidiu com o Monitor onde seria o campo escolhido era grande e ela não deveria ficar longe da cozinha. Viu os outros planejando atividades mil. Sabia que sempre fora assim. Pensou como seria. Quantas achas de madeira, quantos bambus. Multiplicou, fez da álgebra a parte final para não errar as medidas de sua mesa. Mãos a obra. Uma machadinha e um facão eram instrumentos preciosos. Proximo ao bambuzal viu dois eucaliptos. Estavam autorizados no corte. Quando o primeiro caiu ele ia gritar “madeira”! Mas sentiu tristeza, pois ela ele sabia morrera nas mãos de um Escoteiro. Alguém lhe disse que cortando vinte centímetros acima da terra as mudas ao redor dariam outras três. Não ajudou, mas deu para esquecer a tristeza momentânea.

Arrastou-a por quinhentos metros. Longe. Não foi fácil. Voltou para os bambus e fez o mesmo. Tirou a camisa escoteira. O sol a pino, mas não dizem que os Escoteiros não se assustam com nada? Uma estaca e lá esta ele cortando e medindo sua madeira e bambus. Tudo pronto agora era fazer os buracos. Seriam quatro. Quarenta centímetros de fundo no mínimo para que a base fique forte. Uma hora, duas três. Estava agora terminando. Quantas amarras deu? Quantos nós fez? Agora fazia simultaneamente duas costuras de arremate. O suor não perdoava. Correu até o regato e lavou o rosto, deitou na beirada e bebeu a água pausadamente com a própria boca. Olhou de longe sua construção. Foi mais perto, pôs a mão na cintura fazendo pose. Olhou de um lado, passou para o outro. Estava deslumbrado com o que fez. Ninguém na patrulha observou ou elogiou. Puderas afinal isto era uma rotina de todos. Pegou a lona, jogou pela viga mestra, já tinha fincado a primeira forquilha. Ele ria da lona torta. Aguarde dona lona, ele disse. Mais quatro espeques. Pronto. Podia chover canivete.


No jantar viu quando todos pegaram seus pratos suas canecas e se dirigiram para a mesa. Ele foi o último. Queria vê-los todos em volta e sentados. Um espetáculo a parte de quem fez. Oraram. Senhor obrigado por esta refeição, obrigado pela natureza bela que nos deu para viver uns dias, obrigado senhor pela água límpida do córrego, obrigado senhor pela noite, pelos vagalumes e pela Dona Coruja que vai nos olhar com seus olhos espantados. Amem! Ele baixinho completou: - E pela força que me deu por ter feito a sala de jantar da patrulha. Obrigado Senhor. E ele dormiu tranquilo. Os calos nas mãos iriam fazer efeitos no dia seguinte. Os ossos do corpo doíam e iam piorar, mas ele não se importava. Tinha feito sua parte. Ele não era o único era mais um na patrulha. Dormiu feito um anjo e sabia que este dia seria para ele o inicio de muitos outros que iria mostrar a força de trabalhar em grupo. Isto é escotismo!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O legado do lobinho Pasqualino



Uma fábula deliciosa para os chefes de Alcateias lerem ou contarem aos seus lobinhos e lobinhas.

O legado do lobinho Pasqualino

                Pasqualino queria muita coisa. Parecia um menino mimado. Queria e pedia aos seus pais videogame, uma bicicleta e roupas novas. Ainda não tinha sete anos e seus pais, pessoas humildes tentavam explicar e ele as dificuldades que estavam passando. Ele não entendia, ou melhor, não queria entender. Quando resolveu entrar para os lobinhos foi um Deus nos acuda! Seus pais o levaram e o matricularam, dizendo ao "Chefe" Escoteiro que não tinham condições financeiras. Pasqualino gostou. Divertia-se. Não era um bom lobinho. A Akelá o ensinou as cinco leis e ele nem aí. Na matilha não obedecia ao primo. Nas formaturas ficava brincando para chamar a atenção de todos.

                Sempre davam uma oportunidade a Pasqualino. A própria Akelá estava desistindo. Foi à casa de seus pais e mesmo humilde era limpa arejada e o casal de uma simpatia radiante. Na sua promessa acharam que Pasqualino iria mudar. Não mudou. O Grupo Escoteiro comprou para ele o uniforme e Pasqualino nem sorriu. Achava que era a obrigação de todos para com ele. Era assim também na escola. Todos preocupavam com seu futuro. Isto não podia continuar. Mandar embora do grupo o Pasqualino não era a solução. Iria continuar assim e apesar de pais maravilhosos todos achavam que o futuro dele seria nebuloso.

                Um dia em um feriado de Sete de Setembro a Alcatéia foi fazer um acantonamento. Claro, a taxa de Pasqualino foi paga pelo grupo. Sua mãe esmerou em tudo para que fosse separado para ele tudo que a Alcatéia pediu para o acantonamento. Mas ao chegar lá, ele viu que os outros da matilha tinham coisas que ele não tinha. Esbravejou. Reclamou. Quem não conhecesse achava que ele era um pobre menino onde todos só queriam prejudicá-lo. No sábado à tarde, enquanto sua matilha era encarregada da limpeza do salão onde se reuniam Pasqualino se mandou.

               Pensou consigo que iria dar um susto na Akelá e quando sua mãe soubesse o que aconteceu ela iria dar muito mais a ele. Menino danado o Pasqualino. Ao sair na pequena trilha que levava a uma montanha ele se encantou. Era como se a trilha o hipnotiza-se. Seguiu a trilha cantando “A Promessa de Mowgly era matar o Shere Khan”. Ele gostava desta. Cantava muito. Viu que próximo à trilha tinha um regato e por que não dar um mergulho? Pois é. Pasqualino não tinha mesmo responsabilidade. Pulou na água e deixou a correnteza o levar. Não viu, mas uma enorme cachoeira engoliu Pasqualino e ele caiu de uma grande altura.

              Desmaiou. Acordou com a barriga cheia de agua e viu ao seu lado um enorme tigre que o olhava e sorria. Custou em Pasqualino? Custou conseguir que você me achasse. Pasqualino tremia. Quem é você? Shere Khan meu caro Pasqualino. Tentei pegar o Mowgly, mas Baloo e Bagheera não deixam eu me aproximar dele. Agora tenho você. Vou comê-lo inteirinho. E Shere Khan ria. Pasqualino começou a gritar e saiu correndo. Corria e gritava. Ao seu lado Shere Khan o acompanhava e dizia: - Pode gritar, ninguém vai ouvir. Ninguém se interessa por um lobinho indisciplinado como você. Não deu mais. Pasqualino caiu e acordou na caverna de Shere Khan. Ele tinha ascendido uma fogueira. Lembrou-se do fogo do conselho que assistiu no ultimo acampamento. Agora era diferente. Tenebroso por assim dizer.

             Estava amarrado. Chegaram outros tigres. Enormes! Dentuços! Olhos vermelhos com fogo.  Este vai ser nosso banquete? Perguntaram. Shere Khan ria e dizia – Vamos nos fartar. E esse vai ser delicioso. Ele grita, ele berra por qualquer coisa. E melhor sua carne deve estar estragada, pois não se contenta com nada. Só sabe reclamar e pedir. Não faz nada para ninguém! Um dos tigres lambeu os beiços. Que delicia! Pasqualino estava horrorizado. Lembrou-se de rezar. Nunca tinha feito isto. Tudo que queria conseguia mesmo sendo pobre por isso nunca rezou. Sua oração não saia. Estava rouco. Levaram-no para o fogo. Os tigres começaram a dançar em volta e a cantar: “Come, come tigre manco, que é hora de fartar, vamos todos meus amigos, pois é hora do jantar!”.

             Pasqualino acordou gritando. Gritava e berrava. Sentia a chama do fogo da caverna do tigre lhe queimando o corpo. A Akelá estava assustada. Viu Pasqualino deitado debaixo de uma arvore e nem sabia o que aconteceu. Bem, conta-se a lenda que Pasqualino mudou. E como mudou! Ninguém mais reconhecia nele o Pasqualino de outrora. Dizem e isto eu não sei, que Pasqualino só fazia o bem. Era amado na Alcatéia e quando foi para a tropa foi recebido com grandes abraços e lá fez grandes amigos.

         Os pais de Pasqualino se sentiram os mais felizes do mundo. Seu filho do coração era outro. Agora não importava para ele a riqueza. Tudo que conseguia sabia dar valor. Valeu Pasqualino. Valeu. Espero que seu legado sirva de exemplos a todos os lobinhos indisciplinados que ainda existem por aí. Sei que são poucos, pois os que conheço sempre ouvem os velhos lobos.


          Até hoje Pasqualino dá risadas. Sabe que Shere Khan mais uma vez perdeu. Tigre manco tigre louco, vá para sua terra! Para sua caverna mal cheirosa! Se um dia o encontrar você não vai me reconhecer! Pasqualino ria. Pois é meus amigos eu soube que se tornou um grande médico e que ajudava em todas as favelas da cidade. No Grupo Escoteiro que organizou só aceitava meninos e meninas pobres. Sempre contava para eles que ali Shere Khan não tinha vez! Viva Pasqualino, que ele consiga atingir a felicidade e encontre o caminho para o sucesso que merece!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Porque não temos apoio?


Porque não temos apoio?
Artigo escrito pelo Chefe Elmer S. Pessoa – DCIM e Lenita A. Pessoa - DCIM                                                                                             

Todos nós sabemos a resposta! Ou ainda melhor, até pensamos que sabemos, procurando alguma resposta nas possibilidades que nosso cérebro acumula e que nos satisfaça plenamente. Ainda, na linha da divagação, achamos simplesmente impossível àquele que conheça um pouco mais o Movimento Escoteiro, não reconheça nele os benefícios oferecidos às crianças, jovens, adultos e a família como um todo! E isso sem mencionar a ativa participação do Escotismo em várias áreas incluindo, conservacionismo, sustentabilidade e trabalho comunitário.

Isto não existe, já nos expressando com raiva, por não entender a lógica desta questão. Um dia vou falar “poucas e boas” para algumas autoridades...  Mas toda essa ira termina em nada, como já aconteceram inúmeras vezes. E, não podemos nos esquecer de que é sempre mais fácil colocar a culpa nos outros, do que fazer uma criteriosa autoavaliação e reconhecer que temos muito com tudo isso. Também nos foi dito, procurando uma justificativa, que um país em crescimento tem muitas carências em todos os setores, inclusive na área assistencial, faltando recursos para hospitais, creches, escolas, atendimento emergencial e outras tantas necessidades, não sobrando verba para ser dotada ao Escotismo...

Mas, na réplica eu insisto: a verba não é para dar condições de ampliarmos nossa atuação, beneficiando diretamente crianças e jovens e, como consequência, toda uma sociedade? Mesmo assim, tudo continua na mesma, faltando à verba que, na realidade existe porem não chega ao destino previsto, tendo em vista os noticiários dos Jornais, rádios e TVs. Incompetência, negligência, falta de iniciativa, isolamento social, falta de alguém dinâmico na área de relações públicas, penetração junto às autoridades constituídas e aos órgãos do jornalismo escrito, falado e televisado e outras tantas coisas mais, que contribuem para esse diagnóstico.

Não chegaríamos a tanto, contudo, penso que vocês chegaram à mesma conclusão do que eu: A somatória de um pouquinho de cada um, não é? Até a falta de tempo implicaria neste episódio cujos resultados só temos a lamentar!  Mas, que não há uma explicação racional para essa falta de apoio, não há! Somos, no Brasil, por volta de oitenta mil membros do Escotismo! É uma força muito grande e que abrange ambos os sexos e em todas as idades! Atingem as diversas religiões, profissões, padrões culturais e econômicos, etnias diferentes, tendências políticas variadas e ainda, com a capacidade de fazer do Escotismo um Movimento suprapartidário e, para todos aqueles que desejarem filiar-se a ele. E, notem bem: Trabalhamos de graça!

Mesmo que fosse por interesse de promoção pessoal, seria racional recebermos apoio das autoridades, pois, de uma forma ou de outra, formamos uma numerosa “mão de obra gratuita” fazendo muita ação social que caberia ao governo fazê-las. Nem por esse caminho nos apoiam... E por que não desistimos de continuar “dando socos em ponta de faca”?  Não paramos de insistir em ajudar o próximo? Não fazemos do Escotismo apenas um clube social, esportivo, aventureiro, de campismo e outras coisas mais, de menor responsabilidade? Por que pensar no menos favorecido?

Nem trabalhando com um número enorme de voluntários a serviço da sociedade carente as autoridades colaboram... Porem sabe que estamos presentes nas catástrofes, nas campanhas oficiais do governo e isto sem contar todas as ações oriundas das nossas iniciativas. Nem precisam chamar, porque nos apresentamos para o trabalho sem sermos chamados... Fazemos isso porque está em nossa missão, em nossa Promessa e em nossa Lei Escoteira! Fazemos a Boa Ação, o trabalho comunitário e as ações de sustentabilidade por índole, pelo fato que o “Escoteiro ajuda o próximo” e para formarmos bons cidadãos, como comprovadamente o fazemos há mais de cem anos! Imaginem vocês, o quanto mais poderia ter sido feito se tivéssemos apoio das autoridades constituídas... Quantos jovens mais seriam bem formados seguindo o método Escoteiro e seus princípios.

Não deixaremos de fazê-las por um ato de rebeldia, ou de protesto. Apenas lamentamos a quantidade que deixamos de fazer, quantas pessoas poderíamos ajudar, minimizar suas dificuldades, se tivéssemos um apoio efetivo. Acreditamos que, quando pararem para pensar e, sensibilizados, perceberem que o Escotismo é um movimento criado para formar bons cidadãos e que o auxilio as pessoas e entidades, fazem parte do nosso programa, certamente nos darão melhores condições de crescermos e multiplicarmos nossas ações.  

Tudo o que o Escotismo solicita é direcionado a outros que recebem dentro da maior transparência. Para nós basta à cessão de um local em uma escola para ser a sede do Grupo e que pudéssemos usá-la sem problemas com a escola para as reuniões de Escoteiros e algum material de campismo, pois o restante pode deixar por nossa conta.


Enquanto a situação não se alterar, vamos nos arranjando como sempre o fizemos e sem deixar de cumprir nossa obrigação, ensinando às gerações futuras que elas serão frutos do que fizermos agora. Com apoio ou sem ele o que não tememos é o trabalho!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Minha linda Barraca Suspensa.


Lendas escoteiras.
Minha linda Barraca Suspensa.

           Quando eu era lobinho me perguntava, uma barraca suspensa? O que seria? O vento a levantar a lona? Pendurada em um avião? Teria que amarrar? Se o vento fosse muito forte teria que ter bons espeques para segurar. E assim eu ficava a pensar o que seria uma barraca suspensa. Não tenho certeza, mas acho que foi um acampamento de lobos, isto mesmo, uma época que lobinhos acampavam na Floresta de Mowgly, dormíamos sob barracas, ajudávamos o sênior guia da nossa matilha no almoço, no jantar no café e olhe que tinha alguns guias seniores que deixávamos fritar um ovo, uma linguiça e eu um dia já com dez anos fiz uma sopa de macarrão que nunca mais esqueci. Deliciosa. Nosso Akelá disse que não devia sobrar nada, pois Shere Khan o tigre malvado poderia rondar o acampamento para pedir um pratinho. Comemos a mais não poder.

           Lembro que no dia seguinte chegaram os seniores para acampar bem próximo a nós. Foi então que vi pela primeira vez uma barraca suspensa. Linda, enorme, duas barracas uma em cima da outra, ela ficou tão alta que chegou ao céu! Queria tocar as nuvens e pedi para ver de perto, uma escada de cordas, subi devagar e sonhei em dormir ali. À noite sonhei. Estava de Uniforme Escoteiro. Meu chapéu de abas largas me protegendo do sol. Transportei troncos enormes, abri valetas enormes, cortei cipós que nunca tinha visto. Procurei ver o fio do meu machado do lenhador, o fio da minha machadinha, o fio do meu facão. Precisavam ser afiados. Comecei meu trabalho, minha barraca suspensa seria alta, muito alta, daria para acariciar as nuvens quando passassem. Não sei se terminei, pois acordei com o Baloo gritando Lobo, Lobo, Lobo. Danado de Baloo! Eu queria tanto ver a linda Barraca Suspensa que construí.

           O tempo passou. Fui crescendo, crescendo até que um dia nos fomos com a patrulha acampar. Queríamos construir a nossa primeira barraca suspensa. Deveria ser linda, forte como um touro. Alta como as nuvens no céu. Impossível de ser escalada e quem sabe um elevador para nos levar até lá? Risos. Bíceps a postos! Chapelão a proteger do sol, entramos na mata - Madeira! Meu Deus! Que época boa, hoje dizem que dizimamos nossas florestas. E antes? Quantas madeiras caíram para nos proteger das intempéries? Uma mata que engolia seus troncos, que de tão forte produzia centenas de outras e que se não tomássemos cuidado ela nos engoliria também. Um dois até três para arrastar os troncos. Outros embrenhavam-se mais no fundo da mata escura. Galhadas enormes, onde está o céu? Ali tem um lindo cipó, enorme, grosso firme e diziam que o cipó-cravo era o melhor. Seria este um cipó-cravo?

               O sol a pino. Mesmo com o chapelão o suor escorria pelo rosto. Meninos ainda a sentir o suor resvalando pelo rosto, provocando orgulho pelo trabalho realizado. Levantar um varão, dois cipós – Vamos! Força! Mais uma vez! E o varão era encaixado na fossa feita. Firmar, pedras, pequenas lascas de madeira fincadas em volta. Poxa! Um já foi, faltam três! Três da tarde, o último no lugar. – Alguém achou bambu? Pergunta o Monitor. Nada! Só mesmo cortar galhos retos. E vamos lá à procura deles na mata escura. Cinco da tarde, dois já fizeram a escada de corda. Levantar um lado e amarrar, outro e mais outro, hora de fazer o forro de madeira. Cipós cruzam o espaço a procura do melhor lugar para amarrar. Quem já fez uma quadrada, uma diagonal ou uma paralela com cipó sabe como é. Ah! A barra pesou. Escureceu. Costuras de arremate no escuro. Neco! Você e o Jamil já cortarem bastante capim?

              Sete da noite, uma parada para o jantar. Protéus já a postos com um pequeno fogão tropeiro. Era questão de tempo. Um jantar delicioso. Oito e meia da noite. Vamos lá, Acho que se nós armarmos com calma o primeiro estrado cabe duas barracas. Amanhã vamos fazer o segundo andar. Puxa! Segundo andar? Não foi difícil. Dez da noite. Um banho no remanso do Riacho da Lua. Que banho gostoso. Um pequeno fogo, contar lorotas, Protéus faz um café, Nonato conta uma piada, sem graça, mas todos riem. Uma época que o sorriso brotava espontâneo. Vamos dormir diz o Monitor – Senhor! Olhe por nós nesta noite, deixe que as estrelas sejam nossos olhos e que a mata seja nossa companheira nesta noite. Obrigado pelo dia Senhor! E agente dorme o sono dos justos. Sete meninos Escoteiros querendo ser homens. Não esperaram crescer e ser seniores para construírem suas Barracas Suspensas.

             Barracas Suspensas. Quem não as fez? Qual aquele que foi Escoteiro e sênior e não construiu uma? Firme nos galhos das árvores, entrelaçando troncos, subindo madeira, olhando para o céu e dizendo – Me aguarde! Daqui a pouco chegarei aí! Todos nós nos orgulhamos do que fizemos. Nossas Barracas Suspensas baixas ou altas estão ali guardadas em nossa mente. Uma vez me disseram que quem não fez uma está devendo a sua história escoteira. Pode ser, mas de uma coisa eu sei, quando se termina, quando dá alguns passos para trás e olha o que ajudou a fazer a gente se sente orgulhoso. Quem sabe até pretencioso. Pode ser, mas não me culpem nem me condenem na minha primeira vez me senti altivo, entufado, orgulhoso, pedante, presunçoso, soberbo, ufano e vaidoso. Risos. Fazer o que? Afinal foi a minha primeira vez e a primeira vez a gente não esquece nunca! Minha linda Barraca Suspensa quando me lembro dela tenho certeza que as nuvens brancas que passavam faziam uma reverência.

              Minha Barraca Suspensa. Aqui ali e acolá. Na serra da Mantiqueira, na Serra do Cipó, no Pico da Bandeira/ou Serra do Caparaó, na Pedra da Mina, No Pico das Agulhas Negras, Na pedra do Sino, ali ficou minha marca. Minha não da patrulha. Quantas eu fiz? Perdi a conta. Foram muitas e algumas inesquecíveis como aquela feita na Mata do Morcego, madrugada fria, trovões ribombavam ao longe e se aproximando. Um enorme raio partiu uma arvore ao meio bem próximo a nós, um barulho enorme, parecia que a terra tragava toda a mata. Seniores pulando alto, descendo como se fossem lagartixas pelos troncos molhados. Caiu bem em cima da Barraca Suspensa. Coitada. Não teve chance. Foi pega de surpresa e não pode reagir. Uma noite enrolados uns com os outros sentados no molhado da relva, tentando dormir com a chuva miúda que caia.


               Barracas suspensas, tão altas que davam para tocar nas nuvens que passavam! Quantas caíram por não estarem bem afixadas? Ainda bem. Graças a Ele nosso fundador que dizia – “Se queres aprender faça você mesmo”. “Se errar tente de novo e continue assim até que um dia você conclua que fez o certo”