Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Burocracia. Será que o escotismo vive sem ela?


Conversa ao pé do fogo.
Burocracia. Será que o escotismo vive sem ela?

          Não sei. Acho que não. Ela como se fosse uma grande teia abarcou tudo o que somos e fazemos. Milhares são a favor e uns pouco não, entre estes eu. Mas não poderíamos ouvir um pouco o que o ex-ministro já falecido Hélio Beltrão disse? - “o Brasil já nasceu rigorosamente centralizado e regulamentado. Desde o primeiro instante, tudo aqui aconteceu de cima para baixo e de trás para diante”. Menos papelada e melhor senso. Isto vale para ao escotismo? Bem se pensarmos em tudo que o ministro fez e falou podemos complementar que quanto mais burocracia menos democracia. Que os digam as normas, comunicações, atas, resoluções e relatórios. Quando se tem dúvidas lá vem um sábio a discorrer sobre regulamentos. Se vamos fazer alguma coisa de novo alguém para nos lembrar de que tem uma norma. Tentem ler os Estatutos que estão cheio de itens e parágrafos e com a cabeça quente começamos a ver para que servem o Congresso Nacional, Assembleias, diretorias, comissões, equipes, internacional, representantes, Conselho Nacional da Juventude, Equipe do Escritório Nacional, Centro cultural, e se fecha com o SIGUE. O chefão da burocracia. E ainda dizem que este SIGUE foi criado para desenvolver e auxiliar as Unidades Escoteiras Locais. Eu acredito nisto.

          Baden-Powell previu isto nos primórdios do escotismo. Quase no final do século dezenove e inicio do século vinte. Assustou-se quando viu bandos de meninos com seu uniforme e chapelão a correrem pelos bosques e florestas inglesas seguindo o que ele escreveu em seus fascículos Escotismo para Rapazes ou original inglês Scouting for Boys. Precisava organizar e para isto chamou amigos para ajudarem. No principio a burocracia era pequena. Quase nenhuma. Já na década de cinquenta, John Thurman escreveu seu celebre artigo os Sete Perigos. Em um deles anotou: - Super administração e não suficiente capacitação. Gostaria de sugerir-lhes dar uma olhadela nos orçamentos e balanços, para verificar se aquilo que gasta com papelada e administração está equilibrado com o que se emprega na capacitação técnica. Ambas as coisas são necessárias, porém mantenhamos o equilíbrio.

         Hoje não se fazem nada sem os regulamentos, sem as normas, sem as mil e uma burocracias que o escotismo nos oferece. Quer saber? Não sei se concordo, mas tenho de concordar. Risos. Do jeito que anda garanto que o escotismo de aventuras acabou. O escotismo de sonhos de heróis se foi. O escotismo da patrulha pelos campos a arvorar uma bandeira não existe mais. Hoje é o Chefe, o acima do Chefe, e o acima mais acima do Chefe. Ele o monitor não mais decide na Corte de Honra. Decidem as normas. Norma A, norma B, norma C. Vai acampar? Autorizações mil. Dos pais, do distrito e se for em outra região ou cidade dos mandas chuvas de lá. Aqueles Escoteiros que apareceram na minha cidade de mochila e bandeiras ao vento a procurar novas aventuras não mais existem.

E para terminar algumas frases dos teóricos pensadores sobre a burocracia:
- Burocracia é a arte de transformar o possível no impossível;
- Minha teoria é a de que nossos erros são as únicas coisas originais que fazemos.
- Burocracia atrapalha. Onde se cria muita dificuldade, há sempre alguém vendendo facilidades.

- "A única coisa que nos salva da burocracia é a ineficiência." (Eugene McCarthy).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Onde andam os sonhos e as aventuras escoteiras?



Conversa ao pé do fogo.
Onde andam os sonhos e as aventuras escoteiras?

Deveriam estar com os Escoteiros e as Escoteiras. Mas será que estão? Afinal se vê tanto Chefe querendo ser o dono das ideias, ser a figura principal que esqueceu sua finalidade na tropa. Esqueceram que existem monitores. Mas para que servem eles? Interessante, fotos e mais fotos dele o chefe falando, dele agindo e decidindo. Cansa-me ver um comando crawl e o Chefe ali segurando o menino e a menina. São escoteiros de porcelana.  Cansa-me ver a tropa formada e monitores “dormitando” no bastão de sua patrulha. Cansa-me ver acampamentos com o Chefe lá no campo dos jovens. Fazendo o que? Aprender a fazer fazendo? Liberdade? Sonho de aventuras? Onde estão as fotos deles subindo em árvores e descendo em uma corda por um nó de evasão? Fazendo uma ponte pênsil, construindo um ninho de águia, o cozinheiro cozinhando e não pais que ali estão e não entendo o que eles fazem lá. Existe o cozinheiro? Existe o Escriba? Existe almoxarife? Existe o construtor de Pioneirias? Existe o bombeiro aguadeiro? Só de nome ou de ação?

Não pegaram nada. Fizeram mil cursos. Lá os formadores ensinaram mil coisas. Mas não ensinaram que estes jovens em seus bairros têm amigos e se encontram sempre sem a presença de nenhum Chefe? Nestas reuniões eles são os donos do programa. E acreditem estes amigos de bairro ficam juntos por anos e anos. No escotismo? Uma patrulha unida com os mesmos patrulheiros por dois anos? Se encontrando fora das reuniões, amigos de verdade? Não sei, devem existir poucas por aí. Muitos estão saindo por que pensaram que seria uma vida de herói e não foi.  Um medo atroz de acidentes, um medo enorme de eles saírem de suas asas, tanto medo que eles desistem. Nem os pais em suas casas são assim. Brinco em muitos artigos que escrevo e costumo colocar lá – Xô Chefe! Xô! Entenda o que você é e nunca será um deles. Seja um irmão mais Velho, mas sem dominar, sem achar que só você se preocupa. Quer fazer o que eles fazem? Chamem outros adultos, façam seus acampamentos e aprendam bastante as técnicas escoteiras.

Sinto pena dos jovens de hoje. Eles não terão histórias para contar. Um fogo do conselho onde o Chefe dirige. Um jogo que só o Chefe dirige e explica para toda a tropa. Monitores ali são enfeites. Uma jornada com o Chefe fora da fila olhando como se eles fossem lobinhos e podem se perder. E eles acreditam que ali tem um sistema de patrulhas. Não foi o escotismo do passado. Nunca foi. Se a proteção continuar em breve teremos o escotismo nas escolas, ou seja, eles sentados em salas de aulas com professores chefes falando, falando, falando e falando. Bem disse Kipling: “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido...”.


Por entre junco e hera verdejante
Correm nascentes de águas límpidas,
Junta-se à sede da minha alma ímpia
Esta cascata pura e refrescante

Já são audíveis os sons da cachoeira
Num simulacro à magia da natureza
Insetos e pássaros voam na certeza
Que Deus existe e a fé é verdadeira...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tributo a Bandeira do Brasil.



Lendas escoteiras.
Tributo a Bandeira do Brasil.

                  Ele me pediu para ficar em of. Pedido feito pedido aceito. Entendi sua posição. Achou que poderia ser ridicularizado pelos amigos do grupo Escoteiro. Mas em sabia que o que ele me dizia era verdade. Minha experiência de pseudo-escritor sobre escotismo me mostram situações inusitadas e ouvir vozes impossíveis era comum para mim. Sua narrativa era fantástica. Começou a me contar de cabeça baixa terminou com ela erguida, como se tivesse prestado uma homenagem a um pedaço de pano que para alguns não tinham valor, mas para ele era sempre foi sagrado. Vamos lá ao seu relato.

                 - Chefe, eu não costumo jurar, tenho palavra e a palavra de Escoteiro para mim vale minha honra. Eu estava na sede Escoteira. Arrumando em um armário, um emaranhado de cordas que na chegada do acampamento foram deixadas lá de qualquer jeito. Qual não foi minha surpresa que vi duas pessoas conversando. Duas pessoas? Pode rir Chefe, mas eram duas Bandeiras do Brasil. Elas estavam em cima da mesa de reuniões. Pelo que eu soube uma seria aposentada, pois estava muito velha e desbotada. Havia mais de 46 anos que estava conosco. Desde os primórdios em que o grupo foi organizado. A outra era nova. Iria substituir à velha. A principio eu achei que estava vendo e ouvindo coisas, mas não. Vou tentar contar o que aconteceu. – As duas estavam falando! Isto mesmo, conversando chefe! Duas bandeiras? Poderá me dizer. Mas é verdade. A velha dizia para a nova:

- Bem vinda minha amiga, não sabe como me alegro em conhecer você. Sabe, estou aqui há 46 anos, quinze dias e cinco horas. – Riu baixinho. Mas acho que tenho de aposentar e a Diretoria então comprou você. Eu sei que existe uma cerimonia muito bonita, que quando se aposenta uma Bandeira do Brasil, ela tem honras militares, é colocada em uma pira que junto com outras é queimada. Dizem que lá estão vários batalhões de soldados prestando homenagem. Mas quis os nossos diretores e chefes que eu devia ficar em um belo quadro de vidro na sala de recepção, pois tinham por mim muito amor e muita consideração. A bandeira velha deu um suspiro e continuou – Eu também amo todos eles. Vou lhe contar minha nova amiga, algumas lindas passagens que tive com eles. Acho que sempre me senti amada. A primeira foi uma lobinha, Cecília, ela sempre me olhava com carinho. Quando eu era içada ela fazia a saudação com orgulho. Não tirava os olhos de mim. Um dia no acantonamento, quando após o jantar alguns ficaram sem fazer nada, ela me pegou na mesa da Akelá e me levou até uma árvore. Lá com uma cordinha me amarrou e depois me abraçou-me e disse: Bandeira do Brasil, eu te amo. Quero que saiba que tenho orgulho de você. E então seus olhos se encheram de lágrimas e ela me beijou. Minha amiga, que emoção. Demais para mim.

- Depois foi em um acampamento Sênior. Eles e as guias foram acampar no Pico do Itatiaia. Procuraram a parte mais alta. Quando chegaram viram que não tinha onde hastear a bandeira. Eram só pedras. A vista era linda, mas se eu não farfalhasse ao vento naquelas alturas eles não se sentiriam realizados. Dois seniores desceram quatro quilômetros correndo e acharam uma vara enorme de oito metros. Serra acima levaram o mastro.  Entre dois vãos de pedras e outras soltas, firmaram o mastro e me hastearam. Que felicidade amiga. Ver o vento me balançando nas alturas foi demais. E a vista? Maravilhosa! Confesso que chorei de novo de emoção. E então minha amiga, aconteceu um fato que nunca mais esqueci. Aquele sim foi demais para qualquer Bandeira do Brasil. Estava arvorada em um acampamento Escoteiro, e eles jogando um jogo gostoso em volta do campo. Um redemoinho de vento me pegou. Soltou-me da arvore, e fui levado a grandes altitudes. Eles viram e o Chefe gritou: - É nossa bandeira! Salvem-na, não deixem que o vento a leve! – E a escoteirada correu atrás de mim. O ribombar de trovões, raios enormes começaram a cair em redor. Outro vento enorme e a chuva me pegou de jeito. Mas lá embaixo estavam os valorosos escoteiros. Não desistiam. Sempre atrás de mim.

- Vi um escoteiro cair, sua perna sangrando e ele não desistiu. Vi outro molhado, tossindo a chuva caindo aos borbotões e ele não parava. Molhada, cai em cima de uma árvore altíssima. Ninguém desistiu. Um escoteirinho lépido subiu a árvore com dificuldade, pois chovendo e os galhos e os troncos molhados dificultavam. Ele me alcançou. Abraçou-me. Beijou-me. Colocou-me embaixo de sua camisa. Que honra minha amiga, como eles me amavam. Foi uma festa quando cheguei ao acampamento. Todos cantavam com alegria e o Chefe pediu que ficassem em posição de sentido e cantaram com orgulho o meu hino, o hino da Bandeira do Brasil! Nunca esqueci aquele dia. Houve centenas deles minha amiga. Centenas. Agora estou aposentando. Sua vez vai chegar, vais ver como os escoteiros amam sua pátria, sua bandeira. Vais ver quando for hasteada e o vento lhe acariciar e todos vendo você farfalhando no ar, irás sentir orgulho. De saber como é amada por eles!

                      O meu narrador parou. Estava chorando. De orgulho é claro pelo que viu e ouviu. E encerrou dizendo – Sabe Chefe, era eu que iria fechar a sede naquela noite. Fui até as duas bandeiras. Abracei as duas. Apertei em meu coração. Coloquei ambas na mesa desta vez aberta. Fiquei em posição de sentido. Cantei o hino da Bandeira, disse Sempre Alerta as duas com orgulho. Dobrei as duas com as honras que ela mereciam e fui embora. Hoje a velha bandeira mora em um belo quadro de vidro na sede. Todo dia que vou lá, fico em posição de sentido olho para ela, e com amor eu digo. Amo você Bandeira do Brasil. Faço minha saudação Escoteira e bem alto digo – Sempre Alerta!


                     Vi que ele não diria mais nada. Sua voz estava embargada de emoção. Dei nele um abraço e disse – Meu jovem amigo parabéns. Você é como eu, como todos nós escoteiros. Temos amor a nossa pátria. A nossa bandeira. Sei como se sente. Sei como sente todos escoteiros de todo o mundo que amam sua bandeira. Aceite meu abraço com amor e orgulho em te conhecer. Ele saiu e fiquei pensando. Pensei muito. Difícil explicar a emoção que sentimos no hastear e arriar a bandeira do Brasil. Ainda bem que temos isto. Amar a bandeira é amar nossa nação. É nestas horas que digo e repito, me orgulho de ser Escoteiro. Serei Escoteiro para sempre!             

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Papagaio verde esmeralda do Capitão Lockhart.


Lendas Escoteiras.
O Papagaio verde esmeralda do Capitão Lockhart.

                 Calma. Nada a ver com o filme de Anthony Mann, Um Certo Capitão Lockhart. Mas Dona Etelvina assistiu ao filme e batizou seu filho como Capitão Lockhart. A princípio o tabelião se recusou, mas Dona Etelvina foi dura e enfática. Tem de ser este ou não será nenhum. Capitão Lockhart ficou conhecido na cidade de Pedra Roxa. A principio só curiosidade depois ninguém ligava mais. Na escola era bom aluno e todos os colegas gostavam dele por ser prestativo e educado. Capitão Lockhart tinha duas paixões. Papagaios (pipas) e escotismo. Quando fez sete anos lá estava ele se matriculando como lobinho. Não sabia que precisa de sua mãe para isto. Ela foi. Seu pai foi pracinha e morreu na Batalha de Monte Castelo quando ele ainda estava hibernando na barriga de sua mãe.

               Capitão Lockhart fazia papagaios como ninguém. Nos campeonatos anuais na cidade de Pedra Roxa quando não ganhava ficava em segundo. Cada ano mais ele se aprimorava. Sabia escolher o melhor bambu para as varetas, ele mesmo fazia a cola em sua casa usando limão galego, comprou uma tesoura sem ponta e usava sua régua e caneta da escola. Na Casa Ultimato, onde vendiam papeis de seda ela ficava horas escolhendo. Sempre tinha cinco ou seis carreteis de linha dez de reserva. Capitão Lockhart chegava da escola, fazia suas tarefas e a tarde ia até a colina do Morto Enterrado. Lá soltava seus papagaios analisando o peso, a força do vento, as linhadas, tudo para que não perdesse nada na hora de um bom campeonato.

             Capitão Lockhart era da Patrulha Corvo. Seu Monitor Nininho era meio mandão, mas todos gostavam dele. As quintas feiras a Patrulha se reunia na sede, onde eram passadas as provas para cada um. A Patrulha tinha dois primeiras classes, três segundas (inclusive Capitão Lockhart) e dois noviços. Ziri era um deles. Quiseram apelidá-lo de Polegar, mas alguém achou melhor Ziri. Esqueceram que seria Siri e não Ziri. Mas apelido posto só sai morto. Aos sábados o Chefe Martinho não dava folga. Cobrava dos Monitores, cobrava dos subs, cobrava de todo mundo. Capitão Lockhart amava tudo aquilo. A tropa vivia acampando, fazendo excursões, e varias vezes ao ano ele o Chefe deixava as Patrulhas acamparem sozinhas, principalmente em acampamentos volantes bem planejados.

              Em novembro a prefeitura estava programando a primeira Olimpíada do Papagaio de Pedra Roxa. Capitão Lockhart soube que o premio seria de dois mil reais. Precisava ganhar este prêmio. Prometera dar o uniforme e o equipamento de campo ao Ziri, pois ele estava com cinco meses e ainda não conseguiu ter o suficiente para fazer e comprar. Promessa é promessa e o Capitão Lockhart não podia fraquejar. O dia chegou. Capitão Lockhart sabia das regras das Olimpíadas. Usar dois carreteis de linha dez com cento e cinquenta metros cada um, o papagaio tinha de puxar toda a linha, (os fiscais iriam olhar na manivela), ficar duas horas no ar e ganhava em primeiro lugar aquela com mais pingos de chuva no papel de seda. Tudo bem. Não era segredo para o Capitão Lockhart.

               O dia chegou. A cidade em peso lá. Mais de duzentos competidores. Capitão Lockhart fizera uma pipa de bom tamanho, mais ou menos oitenta por quarenta, passara quinze dias preparando as varetas, cortou o papel de seda harmoniosamente sem pontas e para montar seu papagaio ficou dois dias ali debruçado na sua mesinha que sua mãe lhe dera de presente. Às nove da manhã se encontrou com a Patrulha. Estavam todos uniformizados. Várias outras patrulhas, lobinhos, seniores e os pioneiros também lá estavam. O Chefe Martinho tinha orgulho do Capitão Lockhart. Adorava o menino. Ele era viúvo e namorava dona Etelvina a mãe do Capitão Lockhart. Nada contra. Eram um belo casal e juntos também foram assistir a vitória ou derrota do Capitão Lockhart.
   
              Não vou entrar em detalhes, mas foi uma disputa renhida. No final ficaram oito competidores. Passado às duas horas foi dado à ordem de descer os papagaios. Um por um foram chegando. O povo todo se amontoando para ver qual estava marcado com pingos de chuva. A do Capitão Lockhart tinha oito pingos. A do Murilo da Birosca do Pedro Mocho (bar) tinha oito também. E agora? Mais trinta minutos no ar. Então após veriam o provável vencedor. Não podia haver empates. Foi emocionante! Muito mesmo. Um frenesi no ar e em terra. Uma torcida vibrante. Os escoteiros pulando e gritando. Terminou o tempo. As pipas desceram. Capitão Lockhart ganhou com mais dois pingos. A do Murilo só um. Foi carregado entre a multidão.


                      No sábado no cerimonial de bandeira, o Chefe Martinho fez uma entrega de um certificado de mérito ao Capitão Lockhart não só por ter representado o grupo nas olimpíadas, como também pelo seu belo gesto em dar ao Escoteiro Ziri um uniforme completo, um cantil, uma faca Escoteira, uma bússola e um cabo trançado de dez metros. A tropa saiu de forma. Os sêniores também. Os lobinhos se juntaram a algazarra. Abraçavam e beijavam o Capitão Lockhart. Uma apoteose que nunca tinham visto nada igual. Soube que meses depois o Chefe Martinho casou com dona Etelvina. Dizem que viveram felizes para sempre. Agora me disseram por fontes fidedignas e não posso garantir que o Capitão Lockhart foi reconhecido como o maior soltador de papagaios do Brasil e esteve em diversos campeonatos no “estrangeiro”. Verdade ou não ele apareceu na TV e em duas revistas o Cruzeiro e a Manchete. Que ele seja feliz com sua gostosa habilidade. E quem quiser que conte dois! Risos.   

domingo, 24 de novembro de 2013

Eu prometo, pela minha honra!


Orgulho de ser Escoteiro.
Eu prometo, pela minha honra!

           Que semana meu Deus! Minha cabeça a mil. Sonhava com o próximo sábado e ao mesmo tempo meu corpo tremia. De medo? Claro que não. O Chefe tinha dito que nós escoteiros não temos medo. Não foi BP quem disse que os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda? Mas sinceramente? Eu tinha sim. Seria um dia que ficaria marcado na minha vida para sempre. Afinal era o dia da minha Promessa Escoteira. Flavio me disse que eu estava pronto. Flavio é meu monitor. Disse que a Corte de Honra aprovou. O Chefe Gildo me chamou na reunião e disse – Sábado que vem você fará sua promessa. Acha que está pronto? Fiquei em duvida na hora. Sim Chefe. Eu estou pronto. Você conhece a Lei dos Escoteiros? Conheço Chefe, ainda não sei de cor, mas prometo que no sábado o Senhor pode perguntar. Direi todas.

           Passei a semana lendo, decorando, pensando e amando o que eu estava fazendo. Amava mesmo o escotismo. Na sexta fui para a pracinha do meu bairro. Ela era meu recanto favorito. Lá eu pensava em mim, na minha mãe, no meu pai e na minha Irmã Constance. Era o meu refugio. Agora estava voltando ao passado. Quatro meses antes. Eu os vi passando na minha rua. Fui atrás. Vi onde se reuniam. Adorei. Amei. Tinha de ser mais um. Minha mãe demorou a dizer sim. Meu pai trabalhava longe. O Chefe entendeu. Fui apresentado. Flavio me apresentou a Patrulha Leão. Todos me deram a mão esquerda. Não sabia o que era, mas nunca mais esqueci este dia.
    
           Não parava de dizer na minha mente, não podia esquecer agora e nunca mais. “Prometo, pela minha honra, fazer o melhor possível para...”, e a Lei? Difícil. Muito difícil para entender todos os artigos, mas eu consegui. Saber que tinha de ser leal, ter uma só palavra, ser amigo de todos, irmão dos demais, ser puro nos meus pensamentos. Que lei! Mas ia prometer que faria tudo para obedecê-la. Meu uniforme estava pronto. Não sei quantas vezes o vesti ali no quarto e me olhava no espelho. Gostava do que via. Estava perfeito! Seria um orgulho de mim mesmo!

           O sábado chegou. Tomei um banho pensando. Era meu dia. O mais lindo dia da minha vida. No meu quarto coloquei peça por peça. Bem passado. Meu chapéu perfeito! Ensinaram-me as dobras do meião. Era a primeira vez. Na tropa só podíamos vestir o uniforme a partir da promessa. Lá fui eu rumo à sede. Assoviava baixinho. “De BP trago o espírito, sempre na mente!” Adorava esta canção. A turma estava lá, patrulhas em seus cantos. Sempre Alerta meus irmãos! Abraços. Era assim nossa Patrulha. O apito do Chefe. Bandeira! Ferradura! As bandeiras tremularam ao vento! Subiram aos céus dos escoteiros! Uma oração. Fui convidado. Eu a fiz. Meus olhos cheios de lágrimas.

            Chefe! Tenho um patrulheiro para a promessa! Disse meu Monitor. - Traga-o Marcio. Lá fui eu a frente com o Marcio. – Marley! Você está preparado? Sim Chefe! Meu corpo tremia. – Sabe a lei Escoteira e entende o seu significado? Sim Chefe, e sem ele esperar falei uma por uma. Todos assustaram. Nunca ninguém disse assim. A tropa Escoteira está de acordo com a promessa do Marley? Todos gritaram sim. Levante a mão direita, faça a meia saudação e repita comigo. Interrompi o Chefe. Poderia eu dizê-la sozinho por completo Chefe? Claro. – Estava ali, orgulhoso e agora não mais tremia – “Prometo, pela minha honra, fazer o melhor possível para: - Cumprir o meu Dever para com Deus e minha pátria, ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer à lei do Escoteiro”!

              Que dia meu Deus! Incrível! Meu lenço foi colocado, meu querido distinto de promessa que seria meu para sempre! Um certificado que mandei encadernar e está em meu quarto em um quadro de honra. Agora era um Escoteiro. Orgulhoso! Para sempre teria aquele dia na memória. O grito de Patrulha foi dado, abracei a todos com carinho, a tropa deu o Anrê. Que tarde linda, que beleza de vida! Como eu era feliz! Ser Escoteiro para sempre eu dizia para mim. Minha mãe apareceu, não sabia. A Mana também. Choravam de emoção e me abraçaram com carinho.
Dizer mais o que? Foi o meu dia, um dia que jamais em toda minha vida esquecerei! Orgulho de ser Escoteiro! Claro, para sempre

sábado, 23 de novembro de 2013

De ilusão também se vive.


Conversa ao pé do fogo.
De ilusão também se vive.

           Sempre escrevo e conto histórias onde a aventura, a natureza e os belos sonhos Escoteiros estão presentes em todas as linhas dos meus escritos. Muitos dizem que o hoje não foi o ontem e o amanhã ninguém pode saber. Verdade sim, mas o nosso Movimento Escoteiro não é feito de sonhos? De sonhar em ser um cavaleiro andante? De montar em uma águia e partir em busca da terra do nunca? Quantos ainda ficam dias sonhando para o próximo acampamento? Sonhando em viver na floresta, em subir em árvores, em construir um ninho de águia ou uma ponte pênsil? E cantar? Sim isto mesmo, cantar ao redor de uma fogueira contando “causos” rindo das piadas alegres, deixar os olhos seguir as fagulhas que sem ninguém mandar se dirigem para o céu? – Mas Chefe, isto não mais existe, hoje os jovens nem pensam mais nisto. Será mesmo? Não seria nossa culpa, pois aceitamos ou quem sabe impomos um programa que achamos bom por não acreditar mais que não existem Escoteiros sonhadores?

        Quem sabe nós os adultos falamos por eles sem consultá-los dos seus sonhos? É fácil levar meninos para o campo, ficar horas falando disto e daquilo, esticar uma corda para que um por um passe sob os olhos atentos do Chefe. Se é assim o tempo passou e o sonho desmoronou. Pergunto-me se um dia na hora certa, no lugar certo, em uma sombra de uma grande árvore quem sabe ouvindo os sons da floresta ou do bosque tão perto, ou o doce cantar de um regato ao lado, sorrir ao contar que poderiam todos viajar pelas estrelas no céu azul basta criar na mente esta hipótese plausível? Não precisa de muitos, pois não se cria sonhos com dezenas em sua volta, mas você e eu podemos sem sombra de dúvida começar com poucos. Quem sabe os monitores? Pense, continue pensando que você está com eles subindo uma montanha deixando que eles recebam o vento no rosto, que vejam ao longe o ribombar de um trovão e eles assustados não pensaram em se defender da chuva? Chuva? Bendita chuva que se cair irá criar na mente de cada um a vontade de se tornarem aventureiros audazes, e então por que não parar e contar uma pequena história? Criar em suas mentes que eles podem se safar com aquela chuva que os aventureiros de outrora souberam se safar?

      Tudo é tão simples quando pensamos que os jovens querem acreditar, querem ver, querem sentir, querem fazer e você meu amigo ou minha amiga é o espelho deles. O espelho que eles seguirão e não faça nada para estragar esta visão tão bonita. Deixe que eles viagem na imaginação. Acredite que a vida é um processo de maturidade e está só existirá se deixá-los subir a montanha e ver o que existe do outro lado. Tudo que você fará para criar a fantástica ilusão do sublime sonho mudará completamente a razão da existência dos jovens que de novo irão sonhar, mas sonhar os pés no chão, fazendo, agindo e vivendo o que puderam criar. Faça exatamente como o Código Samurai – A perfeição é uma montanha impossível de escalar e ela deve ser escalada um pouco a cada dia. Sem perceber estamos discordando sempre destes sonhos em achar que eles são impossíveis de realizar.

             Ninguém vive sem ilusões, sem uma bela imaginação, sem criar uma fantasia ou devaneio. Deixe que eles façam desta miragem a realidade que podem e devem criar. Aquele poeta não disse que a vida é feita de ilusões, mas não é das ilusões que saem os melhores momentos da vida? Não diga não aos sonhos deles e se eles não tem sonhos crie um para eles copiarem e fazerem os seus. Todos os jovens querem viver o sonho de ser herói. Tiraram isto dele e nós podemos devolver em forma de escotismo aventureiro. Não aquele de uma fila interminável por uma estrada com você determinando aonde ir. Não tenha medo do que vai acontecer. Haja sim com cautela, mas sem tirar o espírito aventureiro. Lembre-se ali são eles os donos dos sonhos, os donos da aventura, você é um mero coadjuvante que tenta a sua maneira passar para eles o que um dia viveu. Agora o momento são deles e você deve aplaudir isto.

            Ninguém gosta de sonhar e ficar acordando vendo o tempo passar. Ver o vento vir e ir sem ter ao menos possibilidade de tocá-lo. Sem saber o som da floresta, sem saber como é o orvalho da madrugada a cair suavemente no rosto. Sem saber o que os pássaros dizem sem sequer reconhecer o cantar do regato que lhe forneceu a água para sobreviver. Deixe-os ver o vento balançar as árvores, deixe que eles descubram o caminho a seguir, deixe-os descobrirem como podem viver sonhando com os pés no chão. Esqueça a modernidade por alguns minutos e sim pode se preocupar com as adversidades dos novos tempos, mas faça tudo para que eles andem sozinhos. Eles um dia não terão de fazer isto? Belas são as palavras de Kipling que escreveu um dia quem sabe para nós chefes – Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite... Deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos de desejo provado e do encanto reconhecido!

            Não vamos mais além, mas precisamos retornar aos sonhos que um dia os jovens tiveram, precisamos pensar que o mundo é como um acampamento em que montamos nossa tenda podemos apreciar a natureza, e depois voltamos para a nossa casa que é a eternidade. Termino este comentário de alguém que nunca ouvi falar. Osho. Quem foi não importa, mas uma coisa eu garanto é um criador de ilusões a nos mostrar que o caminho para prosseguir é sonhar e acreditar em seus sonhos:

- Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.

E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Amigo, que surpresa, você é Escoteiro? - Não diga!



Publiquei aqui diversas vezes, mas quem sabe você não leu?
Amigo, que surpresa, você é Escoteiro? - Não diga!

Ah! Meu amigo e como sou. Nem imaginas o meu orgulho em ser um destes milhões que moram neste mundão de Deus. Sabe meu amigo, no escotismo estou aprendendo a ser alguém responsável para que todos que me amam possam um dia orgulhar. Ali junto aos meus amigos eu aprendo que o caráter é importante em cada um de nós. Que ser leal é ponto de honra, e minha palavra? Sim é sagrada. Estou aprendendo que a honra faz parte dos honestos. Que a ética é mais que tudo. Aprendo tantas coisas que cada dia que passa mais eu me orgulho de pertencer a este movimento maravilhoso.

Eu sei que você não sabe, mas são tantas coisas maravilhosas que acontecem comigo, que hoje sei que a felicidade pode ser alcançada e eu a já a alcancei. Sou um privilegiado por Deus em estar aqui. Saiba meu querido amigo que eu já vi um céu cheio de estrelas brilhantes, deitado na relva, em volta de uma fogueira com muitos amigos e amigas do escotismo. Ali vi as constelações, um cometa que passando e deixando um raio de luz no espaço sideral, uma lua enorme suspensa no céu. E é isto meu amigo que mais e mais me leva a certeza que o escoteiro é puro nos seus pensamentos, nas suas palavras e nas suas ações.

Eu gostaria que um dia você pudesse junto comigo dormir sob as estrelas! Fazer delas sua barraca. Ver o nascer do sol e ver ele se pôr ainda vermelho no horizonte deixando uma marca profunda em nossos corações. Quem sabe um dia vai poder comigo saborear o cheiro da terra molhada, do perfume das flores silvestres, do som maravilhoso da passarada, do piar da coruja em um carvalho qualquer. Quem sabe um dia você vais poder beber a água límpida de uma nascente que corre na terra e em sua viagem irá refrescar terras e animais até que um dia vai alcançar o mar. Quem sabe você vai poder ver o lenho crepitando em uma bela fogueira onde todos riem, cantam e com seus olhos esperançosos vão vendo as fagulhas subirem aos céus, languidas e serenas até que a aragem leva-as para longe daquela clareira cheia de vida.

Meu amigo pode acreditar, é lindo e fabuloso ser do movimento escoteiro. Acho que é um privilégio de poucos e sinceramente? Poderia ser o privilégio de muitos. Quando vejo a chuva caindo em uma floresta, ouço o som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Sei que você não sabe que temos uma ternura imensa com a natureza. Para nós é fácil encontrar o Norte e o Sul, seguir a sota-vento, barlavento ou encontrar o caminho a sudoeste. Nem imaginas o que é sentir o vento no rosto, descobrir as flores desabrochando em campinas verdejante. Eu gostaria que você soubesse como é gostoso podemos tirar o calçado e molhar os pés nas águas geladas de um gostoso riacho. Poder sentar e tirar uma soneca embaixo de uma grande e frondosa árvore e olhar em volta com os olhos vibrantes às cores do céu, do mar, das montanhas onde o sol se põe. Poder ver e sentir o cheiro da relva ver o vento que sopra com amor, fazendo ondas no capim verde daquelas campinas verdejantes em vales floridos. Meu amigo, você nem imagina a maravilha que é chegar ao cume de uma montanha e ver o horizonte! Um espetáculo imperdível meu amigo!

Mas olhe, não sei se terá a oportunidade de ter o que temos. É preciso acreditar. É preciso ter fé e coragem. Aqui aprendemos que o medo é próprio dos fracos. Temos como Escoteiros a obrigação de ajudar a todos indistintamente e ter força de vontade e amor para conviver em uma vida saudável junto dos demais irmãos escoteiros. Mas saiba, se um dia quiser, quem sabe, você pode até entrar em um Grupo Escoteiro. No entanto não se esqueça, e preste muita atenção. Qualquer um pode entrar, mas é importante saber que ser escoteiro não é para qualquer um!

Se um dia tomar a decisão e resolver mesmo, seja bem vindo. Vou lhe esperar de braços abertos. E aí então você sem sombra de dúvida será mais um irmão de tantos milhões espalhados pelo mundo. E quando for, vai saber que o nosso fundador Lord Baden-Powell disse algumas palavras para os novos e que marcam em cada um de nós. – Ele assim o disse um dia - Saiba você meu jovem se quiser Escoteiro, saiba que somente os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda. E se aceitar o desafio você pode acreditar que será muito bem recebido, pois nós escoteiros somos amigos de todos e irmão dos demais escoteiros.

E quando for um de nós aceite o desafio, tão simples que vai marcar você por toda a vida. Assim coloque sua mochila e seu farnel, pegue seu cantil, leve seu canivete Escoteiro, vista com orgulho seu uniforme escoteiro, agora levante sua bandeira, cante uma canção, grite seu grito de guerra e parta conosco nesta bela aventura!

Chefe Osvaldo. 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

De quem é a culpa?



Conversa ao pé do fogo.
De quem é a culpa?

Diversas publicações estão a correr em todas as redes sociais. A Polícia Federal prendeu centenas de pedófilos entre eles alguns Chefes Escoteiros. Chefe Escoteiro? Fingia ser isto sim. Mas não passava de um doente mental. Doente que deveria receber todas as punições que a lei permite ou mais. Escrever somente não resolve. Dar nomes aos bois resolveria? Seria muita ingenuidade achar que somos todos puros de alma e pensamento. O movimento Escoteiro é um farto manancial para estes doentes mentais. Grupo Escoteiro estruturado, onde tem um bom sistema de patrulhas, bons monitores, (acredito até em um Conselho de Tropa para Escoteiros apesar de muitos acharem que não) uma ótima Corte de Honra, um Escotista para cada matilha, um perfeito Conselho de Chefes e uma democracia perfeita evitam muito a participação dos mal intencionados. Sei de muitos grupos que aceitam sem fazerem uma averiguação ou mesmo analisarem com cuidado a validade de tal aceitação. Infelizmente não é bem assim.

Por diversas vezes recebi comentários de guias e seniores e até chefes contando horrores. Guias e seniores? Sei não. Onde estão os chefes? Os pais? Por mais que alguns tentem me convencer eu nunca aprovaria em um grupo onde tivesse participando o escotismo misto. Exceto nos lobos e nos pioneiros.  Mas sei que tem muitos melhores que eu e defendem com todo ardor este tipo de participação. Defendem com unhas de dentes como se estivessem bem preparados para agir e acreditam que tudo vai dar certo. Conhecem o futuro. Já vi em alguns casos que o próprio Sistema de Patrulhas praticamente não existe mais. Um grande receio de deixar todos no mesmo campo de patrulha vinte e quatro horas por dia. Que bom seria ter locais para debater tais temas, desde o grupo até a mais alta esfera nacional. Não foi bem assim que aconteceu. Mas isto é outra história. Eu conheço os primórdios disto tudo. Vivi a época. Um caso foi interessante. A bebida no campo foi por conta do Chefe. Aconteceu no Brasil. Não vou citar nomes, mas foi uma festa. Digna de filme erótico. Acham que é só este? Tenho mais de doze testemunhos que mantenho a sete chaves.

Competem nesta hora os dirigentes do distrito serem os primeiros a descobrirem e não ficar demagogicamente enaltecendo seus feitos de acampamentos ou acantonamentos distritais. Idem as regiões. Só sabem convidar e se lá no desenrolar estão a postos eu não sei. Quem participa e corre nas madrugadas em vigília nestas atividades sabe o que vai encontrar. Eu já vi coisas do arco da velha. Providências? Um jeitinho aqui e outro ali. Nesta hora é que todos deviam saber aqueles implicados e dar nomes aos bois. Mas não é isto que acontece. Não se presta conta, não se sabe o que discutem nossos lideres nas entranhas do escotismo. Comissão de Ética? Conversa entre quatro paredes.

Os que conhecem grupos bem estruturados sabem que dificilmente isto irá acontecer com eles. Mas não se enganem mais de quarenta por cento dos grupos no Brasil não tem nenhuma organização assim. Investiguem, olhem, perguntem e tenho certeza que muitos de vocês sabem até mais do que eu do que se passa. Fui Comissário Regional na década de setenta. Muitos anos se passaram. Muitos casos aconteceram. Fui duro na hora. Não fui amigo? Infelizmente você vai pagar o pato. Entre o certo e o duvidoso fiquei com o duvidoso. Vai com Deus amigo! Se é que o posso chamar assim. Injustiças? Prefiro cometê-las a ter um nome como o Movimento Escoteiro reconhecido por sua seriedade e formação educacional ser colocado como um movimento de adultos mal formados e sem condições de participarem.

Pedófilos? Irão existir sempre. Escondem-se. São covardes. Seu maior amigo no grupo ou no distrito ou na região pode ser um deles. Tomar cuidado eu sei que todos dizem, mas o fulano? Coloco minha mão no fogo por ele! Que fogaréu eim? Sou daqueles que o adulto Escoteiro, o voluntário Escoteiro tem de ser como a mulher de César. Não basta ser honesto, tem que parecer honesto. Mas são menos de 05% por cento. Poucos não? Mas fazem um estrago enorme!


Que cada um faça sua parte claro, se achar que deve fazer.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Quem vem lá? Sou eu amigo. Um Velho Escoteiro que saiu da gaiola e aprendeu a voar.



Quem vem lá?
Sou eu amigo. Um Velho Escoteiro que saiu da gaiola e aprendeu a voar.

Não acreditava, mas minhas asas ainda bateram incessante no céu azul e mais uma vez neste ano com a ajuda do vento lá fui eu novamente em plagas nunca antes conhecidas. Duas vezes? Isto mesmo, duas vezes. A primeira eu fui respirar um ar perfeito no campo escola. Na segunda comecei a ter medo. Medo? Um Velho Escoteiro como eu que voou em plagas distantes neste Brasil Gigante, enfrentou tempestades, vendavais e rajadas de ventos incríveis em altas montanhas e ter medo? Tinha de pensar. Não tinha mais aquela vivacidade de outrora, agora teria de ser precavido. Afinal apesar de Dédalo ter orientado seu filho que não voasse tão alto eu não iria seguir os mesmos passos. Segui o conselho dele a risca. Se voasse muito alto os raios solares poderiam facilmente derreter a cera que segurava as penas presas em minhas asas e eu poderia despencar no mar violento. Meu nobre piloto Geraldo me mostrou como sobrevoar a seara do Falcão Pelegrino. Fácil Chefe. Mesmo com este sol escaldante ele me levou no céu de brigadeiro até lá.

Valeu outra vez. Valeu a minha coragem de deixar minha gaiola onde tenho tudo as mãos e voltar de novo a cumprimentar mãos de autênticos Escoteiros, sorrir de novo junto a lobinhos e lobinhas. São coisas estranhas para quem hoje não vive mais no ninho. Só a gente que viveu sabe como é bom um sorriso sincero, uma alegria autêntica, uma recepção fantástica que me levou sem pensar ao meu passado de regional. Cada cidade das minhas Minas Gerais agora vinha na lembrança novamente. Desta vez autenticada por perfeitos cavalheiros Escoteiros. Fiquei ali pensando o quanto eu escrevi, quanto falei em meus contos impossíveis, em meus artigos ferinos e eis que do nada surge assim como a estalar dos dedos tudo que pensava não mais encontrar. Um sorriso franco um escotismo autêntico de valentes chefes, pais, colaboradores que lutam para manter mais de cento e quarenta jovens no mais alto padrão Escoteiro.

Um Velho Escoteiro como eu sabe como é. Num piscar é como se fosse um filme deste a fundação de um Grupo Escoteiro. Um olhar, um aperto de mão um sorriso um líder que sabe ser liderado não anda por aí facilmente. Eu sabia que estava em casa. Via com meus próprios olhos a simplicidade em pessoa na figura de um Chefe simples, amigo, cavalheiro que não dirigia com mão de ferro, mas com um sorriso simples um piscar de olhos ou até um elogio gostoso. Um irmão mais Velho e nunca um ditador de ordens. Uma sincronização perfeita. Todos colaborando. Do menor lobinho ou lobinha aos velhos Escoteiros que lá viveram nas asas do falcão do passado. Lembrei-me de um comentário de um dirigente que os jovens de hoje querem coisas novas. Não gostam do nosso uniforme. Um dos motivos por eles não se aproximarem do escotismo. E aí meu Chefe! Isto acontece aqui? – Resposta adorável - Nunca, temos uma lista enorme de interessados e o caqui ainda vai morar aqui muito tempo. Ninguém comenta e nem vamos discutir se devemos ou não mudar. Nesta hora senti que uma enorme palma escoteira surgiu estrondosamente em meu coração.

Coisa bonita de se ver. Falcões indo e vindo. Todos bem uniformizados. Afinal não era fácil manter duas alcateias. Uma tropa masculina e outra feminina. Uma sênior e uma de guias e mais não sei quantos pioneiros. São quarenta chefes! Quarenta? E a diretoria já pensa em aumentar as sessões e adultos na liderança. Não quis bater tanta palma assim. Afinal só estava lá há uma hora. Olhando tudo aquilo junto a uma simpática Chefe de outro Grupo Escoteiro e o meu piloto de Boeing que não se negou a me ensinar a voar com asas de cera. Um dos responsáveis de tudo aquilo. Fiquei meditando. Para que mudar tanto como nossos dirigentes fazem? Ali estava à prova viva que quando se quer se faz. Aquele escotismo autêntico. – Todos registrados chefe! Nunca deixamos de participar de um Jamboree desde que começamos, os interessados quatro anos antes já estão em campanha. E olhe que cada sessão pelo menos acampa ou acantona quatro ou cinco vezes por ano. Os Escoteiros e seniores muito mais. Fechei os olhos e abri olhando diretamente no céu azul e tentei avistar tudo isto do Oiapoque ao Chuí. Ainda bem que não me decepcionei. Lá estavam ainda dezenas de grupos assim, mas não era a maioria. Lembrei-me de um artigo que fiz dizendo sobre formadores: Quem sabe fazer a massa sabe fazer o pão. Ali estavam chefes competentes que sabiam como fazer e não eram formadores.

Não havia como duvidar. A festividade era perfeita. Uma sincronização perfeita. Ninguém gritando faça isto ou faça aquilo. Grandes sim em número e muito maior em percorrer com maestria o Caminho para o Sucesso. Escotismo perfeito, remadas bem dadas no mar azul do atlântico e uma formação que sabia por experiência própria e sem sombra de duvida daria como está dando frutos. Será que os dirigentes (conheço alguns que sim) sabem fazer a massa e o pão? Ou só ouviram falar? Lá vou eu esta simpatia de Velho Escoteiro a cozinhar meus velhos amigos da corte. Não aprendi outra coisa? Risos. - Geraldo! Hora de voar. Rosangela prazer em conhecê-la. George Hirata orgulhoso em ter conhecido você pessoalmente e seu maravilhoso Grupo Escoteiro Falcão Peregrino. Parti com um simples aceno. Não houve adeus, nem um até logo. Ouve sim um olhar de amigos que se diziam sem falar que seriam amigos para sempre. Uma amizade que iria existir no coração de cada um.


E lá fui eu com minhas asas de cera, magnificamente pilotado por Geraldo de volta a minha gaiola. Quando irei voar novamente? Não sei. Não posso facilitar. As coisas não são tão simples para este Velho Escoteiro. Se facilitar minha asas de cera podem derreter. Um último olhar na sede do Grupo, fincada no coração de um bairro nobre, mas cuja nobreza fica do lado de fora. Quando se adentra naquele maravilhoso mundo dos Escoteiros só existe fraternidade. Até breve! E meu Anrê a todos que ali conheci. Guardei minhas asas de cera. Esperar uma nova oportunidade. Dosando o bater de asas poderei ir longe. Ate quando? Não sei. Só Ele lá no alto pode saber.

sábado, 9 de novembro de 2013

Minha, nossa, tua admirável Vovó Guiomar.



Conversa ao pé do fogo.
Minha, nossa, tua admirável Vovó Guiomar.

Ela não foi e nem era minha avó consanguínea. De nenhum dos Escoteiros. Assim como eu todos nós a chamávamos de Vovó e tínhamos por ela um amor todo especial. Acho que foi a Vovó com mais netos no mundo. Idade? Ela dizia ter 82 anos quando cheguei ao Grupo. Nunca esqueci aqueles sábados deliciosos que ela estava conosco sorrindo, cantando, brincando e tentando ser séria no cerimonial de bandeira, mas com um sorriso brejeiro. Disseram-me um dia que no passado ela acampava ia aos acantonamentos, viajava com a tropa e me garantiram que quando pediram a sede no Grupo Escolar Pedro de Matos ela foi sozinha no palácio do Governador para pedir que cancelassem a ordem. Não quiseram deixá-la entrar e ela ficou ali na porta sentada no meio fio por um dia inteiro. Teve insolação e depois de medicada quiseram levá-la para casa. – Não sem antes falar com o Governador ela disse. – Um assessor se prontificou e ela agradeceu, mas o assunto era com o governador. – Mocinho, eu votei nele e ele não pode me receber? – Doutor Morato o Governador assustou quando soube e deu belas risadas. Foi lá na antessala e deu nela um forte abraço. Claro aproveitou para fotos, pois a eleição estava próxima. A ordem foi cancelada e ganharam mais uma sala. A diretora que agiu assim foi demitida. Vovó Guiomar não gostou e de novo voltou ao Governador. Agora entrava direito. A demissão foi revogada.

Interessante que ela se tornou um de nós e a gente nem prestava mais atenção nela. Mas quando faltava era aquela preocupação e lá íamos nós após as reuniões em grupos a casa dela preocupados. Sei que morava só. Sei também que sempre foi solteira e no passado distante namorou um Chefe de nome Castor. Um dia foi achado boiando no rio Santissimo. Ninguém soube por que morreu. Vovó Guiomar não chorou. Ficou dias pranteando seu amado no Cemitério das Flores. Meses depois voltava lá uma vez por mês fato que até hoje/ontem se repete. Se aquele que amei não foi meu eu não serei de mais ninguém. Ela ria e dizia – Eu casei com o Escotismo. Baden-Powell foi meu padrinho! Era uma pândega e a gente nunca a viu chorar. Se um Chefe faltasse lá estava ela para substituir. Nunca fez nenhum curso e todos sentavam em sua volta e ela fazia um campeonato de piadas. Gostosas piadas. Ela era mestre e sabia contar cada uma que coravam a gente, mas a risada vinha naturalmente sem malícia.

Faltou barraca? Faltou facão? Faltou talheres? Faltou material para os lobos? – Quero a lista ela dizia. No dia seguinte o comércio local tinha de aguentar seus pedidos.  Não perdoava nem mesmo os supermercados com a lista de mantimentos para os acampamentos. Nunca aceitava sair de mão abanando. Ela resolvia tudo. Um dia um Chefe novato resolveu fazer uma diretoria. Não a consultou. Os novos diretores assumiram e nem ligaram mais para ela. Ficava no pátio se sentindo rejeitada. O dinheiro do grupo escasseou. Não tinha mais para comprar materiais. Ela não mais sorria. Sempre com uma cadeira que pegava na sede e na sombra da aroeira sentava como se estivesse cochilando. No conselho de chefes falaram sobre ela. Ela não merecia o que estava acontecendo. – Se não fosse ela não seriamos o que somos hoje – Disse a Akelá Naninha. Reverteram tudo. Disseram a ela que seria a Presidenta. Mandava agora na diretoria. Muitos não quiseram e pediram demissão. O grupo voltou ao normal.

Uma tarde alguém veio avisar que ela tremia. De olhos abertos sorria e tremia. Ninguém sabia o que era. Não reconhecia ninguém. O Chefe Damásio levou-a ao pronto socorro. Ainda sem exames completos diagnosticaram como Mal de Alzheimer. Sua memória começou a falhar, ficava desorientada para voltar para casa, mesmo indo ao grupo se sentia desinteressada, e em alguns momentos ficava agressiva e desagradável. O Hospital marcou o dia para levá-la a uma casa de repouso especializada. Ela foi a contragosto. Todos os domingos a escoteirada corriam todos para lá. Ela aos sábados fugia e pedindo carona chegava ao Grupo Escoteiro sorrindo. Suas crises iam e vinham. Os enfermeiros já sabiam onde ela estava e ninguém deixava que a levassem enquanto não acabasse a reunião. Tentaram fazer um pedido de uma medalha de Gratidão Ouro e recusaram. 120 Escoteiros foram pessoalmente na Assembleia Regional e entraram no auditório pedindo a palavra. Aprovaram a medalha. Foi entregue em um sábado de sol, ela em uma cadeira de rodas com dois enfermeiros no cerimonial de bandeira. Havia neste dia mais de quinhentas pessoas presentes. Antigos Escoteiros do grupo acorreram de todas as partes. A palma escoteira dizem que em tempo algum será a mesma.

Morreu quatro anos depois. Estava irreconhecivel. Nas suas exéquias milhares de antigos Escoteiros presentes. Lorentino morava no Japão e quase não chegou a tempo. Zeca e Bambocha estavam no Suriname e alugaram um jatinho. Centenas de milhares de pessoas emocionadas e lágrimas caiam sobre a terra do campo santo. Zé Arrebol levou seu clarim e tocou o mais lindo toque do silêncio de todos os tempos. A canção da despedida com milhares cantando foi em determinados momentos silenciosa. Seres humanos engasgados choravam e cantavam baixinho. Contaram-me que todas as tardes milhares de borboletas invadiam o seu tumulo por muitos anos. O enterro foi às cinco da tarde, mas às onze da noite guardas de patrulhas escoteiras lá estavam prestando sua homenagem. Rio Pequeno nunca mais foi o mesmo. Mudaram o nome do grupo para Vovó Guiomar. Nos encontros, jamborees e Camporee e outras atividades riam quando se falava o nome do grupo. Mas eles não sabiam que no coração de cada um Vovó Guiomar fez sua morada. E sabiam quem ali era iria morar para sempre.

Nas minhas andanças por este país eu conheci em dezenas de grupos escoteiros muitas vovós Guiomar. Cada uma com seu estilo especial, mas sempre presente sem nunca deixar de fazer o bem sem olhar a quem. Não deixem que ela se vá para depois prestar uma linda homenagem. Afinal eu sei que todos sabem do seu valor.

“Minha Vovô escoteira, cada ruga tua representa uma história vivida. E são tantas... Quantas experiências, quantas histórias para contar, quantos conselhos para dar, quanta paciência para nos suportar... Te amamos, vovó”!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Rei morreu (uniforme caqui). Viva o novo Rei (uniforme novo).



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O Rei morreu (uniforme caqui). Viva o novo Rei (uniforme novo).

         Ei vocês aí, por favor, não me joguem pedras. Sei que sou um Velho Escoteiro cheio de manias e tradições, e que alguns novos me disseram não ajudar em nada com esta conversa de “antigamente era assim”. Por favor, deixem-me falar afinal será por pouco tempo. Acho que dificilmente chegarei aos cento e dez anos, portanto não liguem para o que eu digo. Mesmo contrariado com muito do está acontecendo hoje eu aceito. Amigos dizem para mim que isto é democrático. Aceitar e saber divergir. O que? Divergir como? Meia dúzia decide mudar uma tradição de anos, um hábito de comportamento, um uniforme conhecido do Oiapoque ao Chuí e não consulta ninguém? (ela diz que sim eu digo que não) Deixa que os associados tomem conhecimento em uma apoteótica festa com modelos e tudo e eu vou ficar calado? Never! Sei que minhas palavras não ajudam em nada. É como o vento que chega faz charminho e se vai sem despedir. E me divirto com muitos que insistem em me dizer: - Que os jovens decidem o que querem. Agora? Primeiro ninguém perguntou a eles quando mudaram e agora eles decidem? Coitados. Bois de piranha isto sim. A modernidade gritada aos quatro ventos por muitos irão fazer a maioria aceitar esta imposição. Estão acostumado a só serem consultados quando o arroz queimou na panela daquele acampamento gostoso.

           Há tempos não colocava meu uniforme completo. Pensei comigo – “Chefinho”, porque não faz como muitos aí? Que gritam aos quatro ventos que o novo chegou para ficar e a maioria dos chefes batem palmas por ele? Vixe! Os adultos falam pelos jovens e dizem que eles são consultados? Depois de sacramentado o que eles irão dizer? Claro a modernidade está aí. Bem vamos continuar a saga dos meus escritos. Chefe Osvaldo vista o seu caqui e vá passear aos sábados em Grupos Escoteiros amigos. Faça seu marketing mesmo sabendo que será em vão. Meu pensamento é danado. Obriga-me a coisas difíceis de realizar. Experimentei o caqui que fiz em oitenta e dois. Ele e minha barriga entraram em choque. Difícil de apaziguar. A barriga não posso aposentar e ela precisa de mim. O melhor é aposentar o velho. Fiz para ele uma homenagem linda. Secreta. Não vou contar. O novo chegou. Um caqui lindo. Mostra sem vergonha a protuberância de um barrigudo teimoso. No topo do Terraço Itália fiz as honras de praxe. Para marcar para sempre. Deixei que o novo desse um abraço no antigo. Lágrimas rolaram. Bandeiras foram içadas, saudações mil. Choramos muito eu o Velho uniforme e o novo impaciente para ser investido no dono do meu corpinho jovem. Paciência com os velhos, como disse um amigo outro dia aqui o que é passado deve ser enterrado. Moço inteligente.

           Testei o uniforme. Chapéu novo olhei no espelho. Barriga danada! Fazer o que? Agora uma sessão de fotos e esperar convites de amigos para visitarem seus grupos. Não pode ser longe, pois minha matutagem e meu farnel de remédios me garantem por máximo de cinco horas e claro dependo de caronas ida e volta. Sentei na poltrona da sala e nem prestei atenção ao filme. O céu que me condene. Nome de filme “sacripanta”. Já fui condenado tantas vezes por dirigentes e ainda vou assistir a um filme deste? Nem pensar. Never! Vou tentar andar por novos caminhos. Muitos irão se decepcionar, pois ninguém esperava uma figura como a minha hoje. Velho, carcomido com o tempo, encurvado, falando baixo, tossindo, e com uma proeminente barriga a andar em passos trôpegos parecendo que vai cair. Risos. Não sei se será uma boa pedida. Mas que seja. Não quero morrer sem levantar minha bandeira. Não levarei a mochila e nem a barraca mesmo que o céu tenha sido minha lona, e meu farnel da comidinha e os lanches gostosos hoje não existe mais, ele vai se contentar com a bruxuleante maquininha de respirar, remédios, bombinhas suspirantes e o escambal.


            Rataplã do arrebol, escoteiros vede a luz! É... Aquela foto do caderno Avante de outrora irá desaparecer no tempo. Aqueles sonhos de meninos com a Bandeira Nacional de caqui e chapelão a correr pelas montanhas será coisa do passado. Sonhos de muitos meninos que um dia sonharam em ser Escoteiros. E qual criança daquela época que não sonhou ser um deles? Ratibum, pum, pum! Agora o tema é outro. Não existe volta. Não adianta reclamar. É fato consumado. Melhor é fechar os olhos e deixar que os sonhos percorram os caminhos de uma vida plena e cheia de felicidade. No amanhã ou no porvir dos novos meninos Escoteiros eles também terão seus sonhos, irão viver seu passado lembrando-se das coisas boas que fizeram. Irão ver novas mudanças e quem sabe eles irão conseguir o que eu não consegui. Uma democracia plena autentica cheia de transparência onde eles estarão naquela montanha do caderno Avante, com seus novos uniformes, alegres e benfazejos, marchando ao sabor do vento e a cantar o Rataplã!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Por que / Por que / Porque ou Porquê?



Por que / Por que / Porque ou Porquê?

Sempre me faço a pergunta do por quê. Porquê?
Por que eu sou um Escoteiro? Porquê?
Por que eu amo o escotismo de montão? Porquê?
Por que eu amo a natureza e não sei viver sem ela? Porquê?
Por que eu adoro e amo acampar? Porquê?
Por que eu choro quando cantam a Canção da Despedida? Porquê?
Por que como Escoteiro eu não gosto de palavrão? Porquê?
Por que eu acredito que todos Escoteiros devem pensar primeiro nos outros? Porquê?
Por que ainda temos pessoas no movimento que não levam a sério a lei e a promessa? Porquê?
Por que eu ainda vejo palavrões aqui onde tem pessoas de todas as idades e muitas vezes estes palavrões são ditos por quem se diz Escoteiro? Porquê?
Por que mesmo pedindo ainda insistem em me vender ilusões? Porquê?
Por que os chefes insistem em falar com todos em vez de instruírem os monitores? Porquê?
Por que eu acredito em Deus? Será porque vivo em contato com natureza? Porquê?
Por que em uma pequena pesquisa descobri que um grande número de chefes ainda não leram os três principais livros de Baden-Powell e muitos nem sabiam os títulos? Porquê?
Por que alguns adultos chefes ainda se apresentam mal uniformizados? Porquê?
Por que os dirigentes nunca se preocuparam em manter tradições importantes que levamos anos para mantê-las? Porquê?
Por que eu adoro (hoje não posso mais) cantar uma canção junto a lobinhos ou Escoteiros? Porquê?
Por que eu gosto de contar estrelas no céu na madrugada em um gostoso acampamento? Porquê?
Por que eu treinei a fazer oito nós com dois pequenos pedaços de barbante dentro da boca com a língua? Porquê?
Por que quase não vejo mais cantarem o Rataplã? Porquê?
Por que os hinos nacionais são quase desconhecidos hoje no escotismo? Porquê?
Por que eu me arrepio todo quando hasteiam uma Bandeira Nacional? Porquê?
Por que eu fico emocionado quando vejo um lobinho e um Escoteiro sorrindo? Porquê?
Por que eu insisto até hoje em continuar no escotismo e discordando de muito do que os dirigentes fazem? Porquê?
Por que em sou feliz e acho que tenho a felicidade em meu coração sempre? Porquê?
Por que eu desejo honestamente e do fundo do coração que todos também possam usufruir da felicidade que eu tenho? Porquê?


São tantos e tantos os porquês. Mas quer saber? Eu sei o por que. Afinal é só um Por que / Por quê / Porque ou Porquê!