Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Uma breve história do surgimento do Manual e do Ramo Lobinho.


Passeando na Jangal.

                     Na edição original do livro "Escotismo para Rapazes", Baden-Powell não fixou um limite de idade mínima, nem máxima para o ingresso do menino no Movimento Escoteiro. Como consequência disso as tropas tinham meninos cujas idades flutuavam entre 9 a 18 anos. As coisas, no entanto, não eram tão simples assim! Imediatamente levantaram-se agudas e persistentes vozes dos meninos que eram muito pequenos para serem escoteiros, irmãos menores, que não estavam na faixa etária da "diversão" organizada no princípio do século, queriam entrar na brincadeira e não podiam esperar mais. Os "pequenos" foram tão persistentes, intrometendo-se nas reuniões de Tropa e iniciaram alguns ensaios por volta de 1909.

                Os primeiros esforços de trabalhar com meninos menores não obtiveram sucesso. Alguns escoteiros sentiram em receber estas crianças como "Junior Scouts", mas os resultados foram desastrosos. A tropa desestruturou-se, os mais velhos não desejavam misturar-se com os pequenos e estes não conseguiram acompanhar as vigorosas atividades feitas pelos escoteiros. Tomar providências para que o que mais tarde foi chamado "Junior Scouts” (Escoteiro Junior), foi uma tarefa muito árdua para Baden-Powell, pois embora ele estivessem receptivo à idéia, teve que tomar precauções para evitar a impressão que seu Movimento estava criando um jardim de infância para escoteiros. Naturalmente o uniforme era o mais esperado pelos meninos, assim, essa primeira versão do LOBISMO usava chapéu de abas largas, um lenço, uma mochila e um bastão.

                 Eles aprendiam nós simples sinais de pista, semáfora e noções rudimentares de primeiros socorros. Isto, na verdade, constituía uma versão diluída do Escotismo aplicada por incomodados Assistentes ou Chefes de Tropa. Não há dúvida de que o pioneiro do nosso ramo foi o Reverendo A.R. Brow, Chefe da Tropa número 1 do Enfield Highway, em Niddlessex, Inglaterra. Foi ele quem em janeiro de 1910, publicou um artigo no "Headquarters Gazette", onde concretamente questionava: O que iremos fazer com os meninos menores de 12 anos? B.P. teve dupla preocupação, conforme explicou em artigo do "Headquarters Gazette", a primeira era de não exaurir as crianças desta idade com atividades que não estavam além de sua capacidade física; e a segunda era evitar o risco de perturbar os rapazes mais velhos, os quais poderiam se sentir humilhados em terem de executar as mesmas atividades que os mais jovens.

                  Para esclarecer as suas idéias, escreveu no final do ano de 1913 as primeiras tentativas de denominar os meninos menores e entre as sugestões do chefe estavam os nomes de :Juniores Scouts ? Beavers (castores) ou Wolf Cubs (lobinhos) ou Cubs (filhotes) ou Colts (potros) ou Trappers (ajudante de caçador). Em suma B.P. preocupava-se que o novo ramo tivesse suas próprias características, não fosse uma versão simplificada do programa dedicado aos escoteiros.

As primeiras regras
                 Depois deste período de experiências e indagações, B.P. solicitou a Percy W. Everett que estudasse o que estava fazendo e que redigisse um esquema provisório. Em novembro de 1913, Everett lhe apresentou um projeto intitulado: Regras para escoteiros menores. Sobre este manifesto o Chefe manifestou seu agradecimento ao reverendo Everett, salientando apenas o uso de uma nomenclatura e a distinção necessária pelo uniforme. Segundo B.P. o nome "Lobinho" ou "Cachorro" seria muito adequado especialmente este último para designar os Pata Tenras. Quanto ao uniforme disse que um boné, semelhante ao usado no jogo de criket e um suéter estaria muito de acordo com a elegância e praticidade necessária.

                     Com mudanças e emendas, em 1914, o Headquarter Gazette publicou o esquema para "Lobinho" ou "Jovem Escoteiro" que não era mais que uma forma modificada de adestramento de escoteiros; incluía uma forma de saudação, um emblema em forma de cabeça de lobo, a promessa simples de servir e cumprir o dever e alguns testes simples adaptados à faixa etária. O clima de guerra imprimia um forte sabor patriótico, com muitas manobras, marchas, saudações a Bandeira e cantar o Hino Nacional. A publicação desse esquema foi acompanhada da promessa de B.P. de elaborar um Manual próprio para os pequenos o qual abordasse um método com características próprias.

O Manual do Lobinho
                 B.P. que não teve tempo suficiente para escrever o Manual do Lobinho durante a Primeira Guerra Mundial, porém, anunciou que o faria pouco tempo depois. Com a erupção da guerra, as mulheres escalaram os lugares antes ocupadas pelos jovens, que haviam respondido aos apelos do exército. Assim, foi permitido o ingresso de senhoras e senhoritas no Movimento, estas estavam encantadas com a idéia de que pudessem adestrar os pequenos. Suas idéias foram de grande valia na elucidação de problemas especiais que surgiam no adestramento dos pequenos. E nesta leva feminina que surge o braço direito do Fundador, no ramo lobinho: a Srta. Vera Barclay.

                 O seu encontro com o Fundador deu-se no dia 16 de junho de 1916 em uma conferências em Londres, onde Chefes de Lobinhos reuniram-se para reivindicar o esperado Manual do Lobinho, que contivesse um esquema específico para o ramo. Vera Barclay, uma romancista, não compareceu a conferência movida pelos seus objetivos uma vez que lobinhos não interessava, sua fixação eram os escoteiros. Porém, havia recebido um convite especial de B.P. que queria conversar com ela. O objetivo de B.P. era contratá-la para juntar-se a equipe do Headquarters e trabalhar no projeto dos lobinhos. A idéia não a entusiasmou muito uma vez que lobinhos não era o seu trabalho, e fechar-se em um escritório em Londres não estava em seus planos.

                Em sua atuação com escoteiros nas áreas carentes de Londres recebeu de companheiros mais formais a crítica de que os rapazes não atendiam perfeitamente a todos os aspectos da Lei Escoteira. Deu, então, uma resposta que se tornou famosa: "O que interessa é que pelo escotismo, os rapazes se tornem melhores!". No entanto, em virtude de um joelho machucado, estava afastada de suas funções de enfermeira no "Netley Red Cross Hospital” e além do mais, como admitiu posteriormente, era um grande serviço para o escotismo isolar os meninos pequenos e seus persistentes chefes dentro de suas próprias competências.

                 Não demorou muito, porém, e os lobinhos conquistaram completamente a sua simpatia, instalando-se definitivamente dentro de seu coração, de forma que a fizesse fazer de tudo para que eles fossem aceitos na fraternidade escoteira, pleiteando junto ao Headquarters tudo o que eles queriam. Ela dedicou-se com entusiasmo na organização do Manual do Lobinho, intercalando ao famoso manuscrito de B.P. recortes, seus desenhos feitos a pena e bilhetes que encontrava jogados sobre sua mesa, contendo novas idéias de B.P. muitas vezes anotadas em papéis de suas lâminas de barbear. O Manual ficou também enriquecido com suas próprias opiniões acerca das insígnias e especialidades que constituiriam a parte II do Manual.

                O Manual do Lobinho está impregnado de suas influências, feitas com entusiasmo e imaginação e, principalmente de um grande conhecimento da natureza de meninos pequenos. Ela via claramente a necessidade de conservar a essência, tanto quanto o método de treinamento, o tão distinto quanto possível daqueles do escoteiro. Esta posição futuramente influiu fortemente para a sua indicação como Comissária do Quartel General para Lobinhos, posto que ela manteve até 1927.


Porém, o que veio responder a procura de Baden Powell por algo atraente, especial, capaz de sustentar a fantasia e contribuir com a formação da criança foi o Livro da Jângal, cuja adoção revolucionou completamente o esquema.

domingo, 16 de outubro de 2016

Um domingo qualquer e de bem com a vida!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Um domingo qualquer e de bem com a vida!

                        O slogan de bem com a vida é uma metáfora muito usada nos dias de hoje. Parece que a modernidade não trouxe a felicidade ou a satisfação que muitos acreditavam iria acontecer no futuro. Muitos correm atrás da felicidade. Cada um interpreta a seu modo. Alguns se valem de bons conselhos outros se deleitam com os milhares de filósofos ou pensadores que pululam nas paginas sociais mostrando por A mais B como ser feliz. O próprio Baden-Powell foi um dos precursores quando idealizou o movimento Escoteiro e nos falou que a verdadeira felicidade é fazer a felicidade dos outros. Platão e Sócrates falaram algum parecido. Um deles foi enfático em dizer não devemos trocar o que mais queremos na vida por aquilo que mais quer no momento. Completa: - Momentos passam, a vida continua.

                     O modernismo nos trouxe as redes sociais onde anonimamente ou até mesmo pessoalmente comentamos nossas nuances muitos de maneira franca outros se deixam conhecer aos poucos. A jornada da vida vai deixando cicatrizes que alguns sabem enfrentar e outros se perdem nos seus segredos, escondidos no recôndito da alma para ninguém ver... Ou saber. A luta em busca da felicidade já rendeu contos, histórias de filmes que deixaram muitos lacrimosos em uma sala escura ao lado de alguém ou sozinho na escuridão. O bom é que muitos se apiedam e nos dão ânimo nos transmitindo palavras ou frases que se bem interpretadas poderíamos dar um novo rumo em nosso destino. Destino? Será que teríamos que passar por isto e ainda não vimos que podemos escolher nova trilha para caminhar?

                       Winston Churchill era um emérito pensador e herói inglês na segunda guerra pela sua maneira em enfrentar as  forças que lutavam contra ele. Gosto de todas elas, mas as minhas preferenciais são duas: - Um pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade. Um otimista vê uma oportunidade em cada dificuldade. Completa: - O homem não teria alcançado o possivel se, repetidas vezes, não tivesse tentando o impossível. Mas cá entre nos, isto ajuda? Se estamos naquela fossa, na pior, uma tristeza e magoa batendo fundo no coração isto basta para nos revigorar? José de Alencar o ex-Escoteiro e ex-presidente sempre dizia que o sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos no mínimo fará coisas admiráveis.

                      Muitos vangloriam que depois de ser Escoteiro seu mundo mudou... Para melhor? Muitos garantem que sim. Mas isto deixou desaparecer as dificuldades, as tristezas, as nuances de momento e o enfretamento do dia a dia? Sei de casos que sim, mas sei de outros que não. Não é só ser Escoteiro para ter descoberto a felicidade, ou quem sabe a cidade fictícia de Xangri-lá (um conto de James Hilton, descrevendo um lugar paradisíaco escondido nas montanhas do Himalaia). Será que lá poderíamos viver para sempre com a felicidade escoteira sempre a nos acompanhar? Seria bom demais que o escotismo pudesse rivalizar com Xangri-lá e nos dar um mundo novo, onde o tempo parece deter-se em um ambiente de felicidade e saúde, com a convivência harmoniosa entre todos os habitantes do lugar.  


                        Enfim são muitas as hipóteses, são muitas as frases de autoajuda para aqueles que precisam de um conforto ou uma palavra de carinho. O Escotismo não é a única solução. Dizer que quem adota a filosofia se transforma para sempre. Tenho lá minhas dúvidas. Não somos chefes para sermos felizes só porque julgamos ser mais um Badeniano ou conforme a metodologia escoteira, mas sim para colaborar um pouco na formação da juventude. Se nossa lei e nossa promessa nos dão novo ânimo a vida continua e só mesmo o tempo poderá curar feridas ou mesmo poderá mudar concepções entre os homens e mulheres desta terra. Se nem todos são felizes por serem escoteiros, tem muitos escoteiros que são felizes. A luta não parar o tempo, pois ele é implacável, mas sem copiar nenhum filósofo ou pensador, não seria melhor dar um abraço ao invés de um olhar raivoso? Não seria melhor dizer muito obrigado que nada dizer? Que cada um entenda que o escotismo não é um meio de vida, mas sim uma maneira excelente para se viver. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Enquanto houver um, vale a pena sim!


Enquanto houver um, vale a pena sim!

Todas as noites quando vou dormir, ou melhor, tentar dormir me pergunto se vale a pena continuar a escrever. – Para quem Chefe? São mais de 15.000 nas suas páginas e nem vinte são frequentes. Uma pergunta que sempre faço a mim mesmo e as respostas veem na hora. Quanto vale um amigo que te quer bem? Se ele está com você não importa se os outros não estão. Cada um tem seus motivos e temos que aceitar o que pensa cada um. Sei que não é fácil ler todos meus escritos. Muitas vezes são longos chatos e sem interesse e o tempo é curto, muitos no trabalho, outros em casa com seus afazeres. Mas se pelo menos vinte gostam de ler não vejo porque parar. Meu pulmão vez ou outra reclama do ar. Meu corpo pesa como chumbo e nem sempre tenho a vivacidade para continuar. Mas quer saber? Não desisto. Posso ficar alguns dias em recuperação, mas vou continuar enquanto puder.

Eu sei que muitos chegam, dão uma olhada e vão embora. Meus contos, minhas histórias e meus artigos nunca dão IBOPE junto à Corte Escoteira. Como não tenho registro não existo para a UEB. Os famosos chefões sejam hoje ou do passado nem um olá dão. Alguns com sono se inscrevem em minhas páginas e quando descobrem quem sou eu se mandam de vez. Bolas, não posso ser unanimidade, gostar não se obriga, respeitar sim. Nosso escotismo graças a Deus não para. Sei que muitos já se foram. Encostaram suas mochilas e quem sabe um dia poderão voltar. Tenho que me sentir realizado. Quem tem um amigo tem um tesouro não dizem isto por aí? Que seja vinte, trinta ou somente um. Quando ele ler sabe que estou escrevendo para ele. Histórias, comédias, escotismo, aprender e ensinar. Você gosta? Acha válido? Obrigado. Sinto-me realizado em saber que posso contar com você e que de alguma forma estou ajudando ao movimento Escoteiro do Brasil.


Uma ótima tarde, um ótimo dia e um fim de semana supimpa, daqueles de tirar o chapéu e dizer: - Obrigado Baden-Powell, graças a você faço escotismo e sou feliz! 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Acampamentos – Fatos e versões.


Crônicas de um Velho Chefe escoteiro.
Acampamentos – Fatos e versões.
(para não ferir susceptibilidades Twedy é um nome fictício)

                Ontem, quando fazia minha aventura diária escoteira percorrendo mais de um quilometro a pé, o que hoje para mim não é fácil, durante a caminhada comecei a me lembrar de fatos pitorescos em acampamentos que tive o privilegio de estar presente e de que guardo ainda boas recordações. Se não me engano acampei por mais de setecentas noites, em barracas, lonadas ou sob estrelas ou até mesmo embaixo de nuvens negras que deixavam a água cair do céu como se fosse uma cachoeira sobre mim. Seria impossível lembrar de tudo, afinal perdi a conta há muito tempo de quantos meninos escoteiros, seniores, pioneiros e chefes tive a honra de acampar com eles. Peguei um “punhado” de lembranças. Sacudi em meu bornal e como em um voo cego escolhi duas para contar.

                 O nome dele se não me engando era Twedy. O apelidamos de Holandês Voador. Era um importante CEO de uma multinacional e por causa do filho resolveu participar como Chefe. Claro como muitos pais ele queria estar perto para ver o que fazíamos com seu filho. Foi em julho que acampamos em um local que sempre dava um ou dois graus abaixo de zero nas épocas de inverno, mas excelente para acampar. Ele não tinha mochila. Levou duas bolsas e uma mala. Chegou em seu carrão importado. Quando viu que iriamos de ônibus e depois percorrer quatro quilômetros a pé quase desistiu. Quem tem experiência de campo sabe que a chegada ao campo é cheia de entretantos. Corre aqui corre ali, patrulhas escolhendo campo, chefia montando seu campo e a intendência, não havia folga. Twedy tinha trazido um banco móvel e ali sentou olhando tudo. – Vamos trabalhar? Eu disse. – Chefe não posso, olhe minhas mãos. Sou um executivo e não um lenhador!

                 Éramos oito chefes, seis deles pata tenra. Twedy sabia como eu era e estranhei seu estilo folgado. A meninada corria por todo lado preparando seu campo. Lá pelas duas ele veio reclamar que estava com fome quando seria o almoço. – Peguei o programa e mostrei para ele. O primeiro dia a cozinha é sua eu disse. É você quem vai dizer quando vamos almoçar! Como era um líder em seu trabalho foi logo me dizendo que ia almoçar fora e todos os chefes poderiam ir comigo que ele pagava. – O chamei para ir comigo visitar os campos de patrulha que estavam sendo montados. – Mostrei o filho dele suado, com as mãos cheias de calo e construindo um fogão de barro. Para secar mais rápido um fogo foi aceso e duas panelas soltavam deliciosos aromas de uma refeição supimpa. – Veja seu filho. Pensei que você era quem iria dar exemplo. Que tal aprender com ele?

                 Claro que ele trocou sua roupa de grife e logo com um facão o vi cortando bambus a granel. Sumiu neste mundo nunca mais o vi. Vez ou outra seu filho entra em contato comigo. Um dia me disse – Chefe, o acampamento mudou meu pai! Lembrei-me de um Chefe que me dizia: - Você pode ficar anos com um aprendiz de Escoteiro e não o conhecer ou então fazer um acampamento com ele e em menos de vinte e quatro horas ver o que ele é, e o que será no futuro. E Voltaire? Um menino gordo desculpe, avolumado sim. Sua mãe quando o deixou sob nossos cuidados chorava a cântaros. – O que vão fazer com ele? Chefe o senhor vai dar toda a atenção a ele? Deu-me uma lista de remédios e horários. - Chefe... Bem tenho experiência de sobra com pais protetores. Eles não entendem que o escotismo é uma maneira de dar liberdade e livro arbítrio desde cedo para que quando crescerem saber como fazer e agir.

                         Voltaire quase desistiu. Sua Avó, sua tia, sum mãe e a empregada não saiam de perto dele. O ônibus partiu. Ainda bem que era uma época sem celular. Quatro dias acampados em uma clareira de uma floresta sombria. Sem civilização, só nós abrindo um novo caminho para aprendermos a nos virar. Tinha bons monitores. Sabiam como agir e fazer. Não me preocupava. Em hora nenhuma procurei Voltaire. Ele era um menino esperto. Seu corpo não ajudava, mas em nenhum momento o vi parado. Mesmo suando as bicas para a montagem de campo, ele era um exemplo para os demais. Quando Moralto o monitor me procurou para reclamar de Pagé, eu disse para ele: - Peça para Voltaire conversar com ele. Moralto riu e voltou ao campo.

                       No dia da chegada a família de Voltaire toda lá. Quanta choradeira. Pensei comigo que antes dos filhos acamparem quem devia fazer um bom acampamento na selva são os pais e parentes protetores. Afinal para que servem nossos filhos? Ficaram sob nossas asas por todo o sempre? Esta é a vantagem do escotismo. Não sou muito a favor de pais protetores estarem chefiando tropas com seus filhos atuando. Sei que não é muito fácil, pois não se encontra chefes preparados como voluntários dando sopa. Mas que estes pais façam tudo para não ter o filhote sobe suas asas. Isto além de prejudicar o próprio filho, vai dar mau exemplo para os demais. Muitos anos depois me encontrei com Voltaire. Ainda forte, mas não gordo. – Chefe, se não fosse o escotismo não seria o que era hoje! – São estas palavras que nos motivam a continuar.


                       Peço desculpas aos leitores que no meu ponto de vista estes fatos e versões não os deixem acabrunhados. Não foi esta minha intenção. Hoje não é ontem onde tínhamos um manancial Escoteiro crescido para atuarem nas alcateias e tropas. Hoje dependemos dos pais, estes abnegados que estão dando tudo de si para colaborar. Escotismo é bom, tem um programa um método, mas tem uma finalidade muito importante; Desenvolver o jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Lei Escoteira e na Promessa escoteira. Através de prática no trabalho em equipe e da vida ao ar livre, faz com que o jovem assuma seu próprio crescimento tornando-o um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade e disciplina.

sábado, 8 de outubro de 2016

Porque hoje tem reunião, vamos ter alegria de montão!


Porque hoje tem reunião, vamos ter alegria de montão!

Estou lhe fazendo um convite,
Não importa sua idade.
Que seja menina ou menino,
Velho ou se é um frade.
Que tal saltar de mateiro,
E entrar nos escoteiros?

Venha nos conhecer,
Sei que vai gostar.
Se no sábado nada faz.
Eu sou  Vado o escoteiro.
Te recebo com carinho,
Mesmo com o sol a pino.

Você escolhe, seja um olheiro.
Lobinho Sênior ou escoteiro.
Aqui não tem nenhum blefe,
Ser diretor, presidente ou Chefe.
Vais encontrar amizade,
Somos uma fraternidade.

Entrando vai rir a beça,
E sério na sua promessa.
Tem uma lei a cumprir,
Vai aprender a sorrir.
Quando fizer a saudação,
Vais ver que somos irmãos.

Aqui é só altruísmo,
Amor e bom escotismo.
Vamos, venha nos visitar.
Uma honra te abraçar.
Prometo estar na porta
Seja o que é não importa.

Avante, estamos esperando,
Use sua voz de comando.
Melhor Possivel Sempre Alerta
Para você a porta está aberta.
E na hora da bandeira,
Saudará a moda escoteira.

Meu convite está feito.
Escolha e do seu jeito.
Hoje é sábado, sonhos mil,
Seja um Escoteiro do Brasil.
E vai ser um bom mateiro

Te saudamos novo Escoteiro!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O CONTADOR DE HISTÓRIAS ESCOTEIRAS –


O CONTADOR DE HISTÓRIAS ESCOTEIRAS – SETE VOLUMES. PDF.

Já leu? Não? Gosta das minhas histórias? Conta sempre uma para seus lobinhos, escoteiros netos, marmanjos e etecetera e tal? Bem são somente histórias Escoteiras. Cada volume com media de 30 a 40 histórias. Tem histórias para dar e vender. Ops! Não vendo não! – é de graça! Isto mesmo, na moleza, não paga nada. Basta escrever no meu e-mail: - Chefe! Me envie o BLOCO 16. Amo suas historias (kkkkkk) pode me mandar os sete volumes em PDF gratuito? Pronto. Se tiver tempo espere. Ando meio “dodói”, e muitas vezes tenho de visitar o homem do jaleco branco. Mas faço questão de enviar a você. Agora se vai pedir para guardar sem ler, fica na moita. É melhor não pedir. Afinal perdi meu tempo para que? Mas por favor, deixa de ser folgado e ficar colocando seu e-mail aqui ou em minha página querendo que eu copie e envie a você. Vai receber de graça. Se manca né Mané? Escreva para mim em minha caixa postal – ferrazosvaldo@bol.com.br. Custa nada não!
Inté mais ver e quem sabe um dia vai ter que pagar? Afinal um livro pode sair por aí em alguns anos. Se estiver vivo até lá! Kkkkkkkk.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Antonio.


Antonio.

Rio da Prata, outubro de 2016.
Prezado Chefe Manuel.

Faz tempo que queria escrever esta carta. Sempre adiando para amanhã e foi Naninha minha esposa que me encorajou a pegar na caneta e começar. Em principio pensei em mandar um e-mail, mas acreditei que gostaria mais de uma carta com cheiro de tinta, letra pequena papel de linho, para lembrar o passado que o senhor ajudou a construir em minha vida. Sabe Chefe, eu sempre amei meu pai e minha mãe, eles me deram tudo que eu poderia ter em vida. Deram-me amor, tranquilidade e sabedoria. Mas o senhor foi meu segundo pai. O que me ensinaste eu não aprenderia em nenhum lugar do mundo. Ajudou-me a ser amigo, a ser leal, a ser Cortez e antes de tudo a ter honra que naquela época nem sabíamos o que era tal palavra. Foi o senhor quem me disse o que era caráter e eu o levei a sério. Pois é Chefe, nunca esqueço o que me dizia sempre: Escoteiro alguns escolhem seus amigos que julgam perfeitos, meu conselho é escolher aqueles que te fazem bem.

Quantos anos nos vimos pela última vez? Sessenta e dois? Mais? Não me lembro, mas não esqueço. Quantas vezes o senhor nos mostrou o caminho a evitar? Quantas vezes nos alertou do perigo e das estradas falsas, trilhas espúrias que devíamos contornar? Quantas vezes me chamou altas horas da noite para me incentivar a sorrir e aprender que a vida vale a pena e que devemos respeitar o mundo do outro. Lembra aquela noite no Pico do Condor? - Nunca esqueci - Escoteiro nunca implore carinho, atenção e amor. Se não for dado livremente, não vale a pena ter. Chefe o senhor tudo fez para que tivéssemos a união perfeita na patrulha e na Tropa. Sempre dizia que todas as riquezas do mundo não valem um bom amigo. Quantas e quantas vezes nos incentivava a fazer fazendo, dizendo que os calos e o sangue que brotava nas mãos ao construir uma mesa, não era mais que um aprendizado para o futuro? Explicava que nem tudo são rosas formosas e devíamos evitar seus espinhos para entender o seu encanto.

Foi o senhor Chefe quem me despertou para a simetria a harmonia e a imponência da natureza. Mostrou-me a força das estrelas e do universo, me fez sentir o cheiro da terra nas matas que passamos me fez ouvir com perfeição o canto dos pássaros, me fez ouvir o som do vento a soprar na imensidão das campinas como ondas verdes do mar. Lembra Chefe quando eu avistei uma nascente de águas cristalinas na subida da serra, uma sede atroz e o senhor sorriu. Cantou baixinho uma canção e disse: Escoteiro, tudo na vida tem sua hora e seu lugar. Desanimar não é o que precisamos para vencer. Quando você acredita que uma coisa é impossível, você a tornará impossível. E foi então que naquele momento sublime o senhor sussurrou baixinho: Sorria Escoteiro! Deus acaba de ter dar um novo dia e coisas extraordinárias podem acontecer, se você crer!

Chefe, eu teria muitas coisas para lembrar e dizer o quanto sou grato ao senhor. Eu sempre agradeço a Deus por iluminar o meu caminho e colocar o senhor no leme da minha jornada. Depois que o conheci e que fui Escoteiro, minha vida tem sido marcada por realizações diárias, que às vezes não dou o devido valor, mas eu sei que graças a Deus e ao Senhor eu agradeço muito por tudo que fez por mim. Saiba Chefe que está sempre em todos os momentos da minha vida. Não sei se ainda está aqui ou nas graças de uma estrela brilhante no céu. Hoje fazendo minhas horas extras de uma existência, nunca esqueço quando me ensinou que a dor me faz mais forte, o medo mais corajoso e a paciência um sábio. Pois é Chefe, se não fosse o Senhor não seria nada do que acredito ser.
Obrigado Chefe.
Antonio.  

terça-feira, 4 de outubro de 2016

São Francisco e o dia do Lobinho.


Conversa ao pé do fogo.
São Francisco e o dia do Lobinho.

Francisco de Assis é um personagem importante na vida da Alcateia, pois ele foi escolhido como padroeiro dos lobinhos. Recebeu este título porque tinha grande carinho e respeito pelos animais e pelo seu semelhante. Por isso, o dia dos lobinhos é comemorado em 04 de outubro, no dia de São Francisco de Assis.

Quando São Francisco morava na cidade  de Gubbio, apareceu na comarca um grande lobo, terrível e feroz, não só devorava os animais, mas também atacava os homens ao ponto de que estavam todos aterrorizados, porque varias vezes o lobo chegava bem próximo da cidade. São Francisco movido pela compaixão quis sair e enfrentar lobo, mas os moradores da cidade não quiseram deixar e tentaram dissuadi-lo.

Mas São Francisco caminhou resolutamente para onde estava o lobo e na vista de muitas pessoas aconteceu o seguinte: O lobo avançou em direção de São Francisco com a boca aberta e Francisco fez o sinal da cruz o chamou e disse: "Vem aqui irmão lobo, eu te mando da parte do Nosso Criador Jesus Cristo. Que não causes dano a ninguém e a nada - Coisa admirável. Disse apenas isto e o terrível lobo fechou a boca e se aproximou mansamente, deitando-se aos pés de São Francisco.
São Francisco então disse: “Irmão lobo, tu estas fazendo muitos danos e medo neste povoado maltratando e matando criaturas de Deus sem a permissão Dele”. Você não está contente em matar outros animais e bestas e ainda tem o atrevimento de dar morte e causar danos ao homem, imagem de seu Deus. Por tudo isto está merecendo a forca do ladrão e  do homicida malvado. Quero irmão lobo, fazer as pazes com você e o povo dessa cidade, assim pare de perseguir os homens e seus animais. Com estas palavras o lobo baixou a cabeça e São Francisco disse "vou fazer que o povo desta cidade te dê o necessário de modo que não passe fome, mas não faça nenhum mal nem ao homem nem a outro animal. Me prometes? O lobo inclinando a cabeça diz entender claramente o que dizia São Francisco e este estão disse; " venha comigo ".

O lobo levantou a pata dianteira e colocou-a na mão de São Francisco e
Daquela data em seguida o lobo ia de porta em porta e todos o tratavam como a um cachorro de estimação e davam a ele comida e abrigo. E o lobo não causou nenhum mal a esta gente.

Viveu mansamente e morreu de velho nesta cidade como lembrança do milagre de São Francisco.
Dia 4 de Outubro é dia de São Francisco de Assis. Por seu apreço à natureza, é mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais, meio ambiente e dos Lobinhos. Pra mim ele é, porém, o Santo dos Jovens. Um exemplo de conversão a ser seguido. 

Francisco de Assis nasceu na cidade de Assis, Úmbria, Itália, em 1182. Pertencia à burguesia, e dessa condição tirava todos os proveitos. Como seu pai, tentou o comércio, mas logo abandonou a idéia por não ter muito jeito para isso. Sonhou, então, com as glórias militares, procurando desta maneira alcançar o status que sua condição exigia.

Contudo, em 1206 para espanto de todos, Francisco de Assis abandonou tudo, andando errante e maltrapilho, numa verdadeira afronta e protesto contra sua sociedade burguesa. Entregou-se totalmente a um estilo de vida fundado na pobreza, na simplicidade de vida, no amor total a todas as criaturas. Com alguns amigos deu início ao que seria a Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos.

Pobrezinho de Assis, como era chamado, foi uma criatura de paz e de bem, terno e amoroso. Amava os animais, as plantas e toda a natureza. Poeta cantava o Sol, a Lua e as Estrelas. Sua alegria, sua simplicidade, sua ternura lhe granjearam estima e simpatia tais que fizeram dele um dos santos mais populares dos nossos dias.


Todo Lobinho deve conhecer a história de Francisco de Assis e seguir o exemplo deixado por ele de amor à natureza e aos seus semelhantes.

sábado, 1 de outubro de 2016

Hoje tem reunião, alegria de montão!


Hoje tem reunião, alegria de montão!

Hoje tem reunião, alegria de montão.
Lá tem tudo, tem amor no coração.
Vai ter jogos, vai ter amizade,
Eles se orgulham de pertencer à fraternidade.

Vamos lá, lobos seniores e escoteiros,
Avisem para o mundo inteiro,
Hoje não há quem aguenta,
Preparem o uniforme e a vestimenta.

As meninas e guias Escoteiras,
Tão sorridentes tão faceiras,
Irão dizer: Sempre Alerta Melhor possivel,
Meu dia será inesquecível!


Uma “batuta” reunião para todos vocês!

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Os lobos da Alcatéia de Seeonee. Tigre, Tigre, Tigre!


Os lobos da Alcatéia de Seeonee.
Tigre, Tigre, Tigre!

A Flor vermelha.
                       Na Jangal Mowgli viveu incríveis aventuras. No entanto Akelá, o líder da alcatéia, envelhecia e logo ele erraria o bote pela primeira vez, assim como muitos dos lobos mais velhos. Shere-Khan usava sua influência sobre os jovens lobos e convencia-os que Mowgli era um intruso perigoso. Bagheera sabia que quando Akelá perdesse seu bote, ambos morreriam, o Lobo Solitário e Mowgli. O plano para salvar sua vida passava pela aldeia dos homens e Mowgli, que vivia à espreita, observando-os, achou fácil roubar uma vasilha cheia de brasas das mãos de um apavorado menino. Na caverna de mãe lobo ficou todo o dia soprando as brasas e cobrindo-as com gravetos secos para mantê-las vivas.

                    Naquela noite Akelá perdeu o seu bote e o conselho reuniu-se para assistir a luta de morte que elegeria um novo líder. Mowgli, entre Bagheera e Baloo, segurava seu pote de barro com as brasas. Shere-Khan falou contra Akelá e contra Mowgli, incitando os lobos a matá-los. Então, derrubando as brasas, Mowgli disse: - Basta de discussão de cachorro! Muito já me disseram esta noite para provar que sou homem, a mim que desejava ser lobo toda vida, de modo que estou convencido de que sou homem!  - Vou-me para minha gente. A Jângal estará fechada para mim. Serei, porém mais generoso que vocês; porque fui durante dez anos irmão de vocês em tudo menos no sangue. Chamou-os traidores e disse que iria embora, uma vez que era o que todos queriam.

                   Prometo que quando me tornar homem, entre os homens não trairei vocês perante eles, como vocês fizeram comigo. Vendo o fogo, os animais recuaram aterrorizados. Mowgli usou um galho como uma tocha e assim armado com a  “flor vermelha”, que era como os animais chamavam o fogo, o menino de dez anos agiu como homem pela primeira vez. Puxou os bigodes do tigre, chamou-o de cão sarnento e manco, obrigou-o a tremer de pavor e a fugir chamuscado pelo fogo que ele brandia sobre a cabeçorra malhada.

                 Exigiu que fosse poupada a vida de Akelá, e que ele fosse sempre ouvido nas reuniões do conselho. Mowgli ainda prometeu que na próxima reunião da Roca do Conselho que ele viesse, ainda mais homem traria a pele do comedor de bezerros, Shere-Khan sobre a cabeça. Depois, sentiu uma tristeza enorme e pensou que estava morrendo, mas Bagheera disse que eram apenas lágrimas. - "Você já é um homem", disse Bagheera mansamente.
Com a cabeça enterrada no colo peludo de Baloo, Mowgli chorou.

A Vida na Aldeia.
Mowgly correu mais de trinta quilómetros até chegar ao portão da aldeia e sentou-se. Pouco depois cerca de cem pessoas reuniam-se junto do portão a olhar, a gritar e a apontar para ele. Os aldeões acolhem o menino-lobo com curiosidade. Mowgly acha que eles se assemelham ao povo macaco, não têm maneiras. No entanto, uma mulher, Messua, parece reconhecer nele o seu Nadú levado há muito tempo pelo tigre. Cheia de gentileza ela tenta fazer-lhe tomar o gosto pela companhia dos homens. Mas Mowgly não compreende os jogos das crianças nem os preceitos da religião. Uma noite ele teve uma visita, o Irmão Cinzento, o mais velho dos filhos da Mãe Lobo. O irmão cinzento era o melhor amigo de Mowgly e por isso foi levar-lhe notícias da vida na selva. Ele passou os meses seguintes a aprender as leis dos homens.

Um dia ele senta-se a ouvir as histórias de Buldeo, o caçador da aldeia. Este divagava acerca dos hábitos dos animais da selva. Mas as histórias eram muito disparatadas, e Mowgly não se conteve e disse que Buldeo ainda não tinha dito uma única palavra verdadeira acerca da selva.

O dia seguinte, ao nascer do Sol, o Mowgli desceu a rua da aldeia montado em Rama, o grande búfalo macho, chefe da manada. Nesse momento encontra novamente o Irmão Cinzento, que o alerta para o perigo: - O Tigre mau tem andado à tua procura, - disse o Irmão Cinzento. – Tenciona matar-te esta noite, no portão da aldeia. Ajudado pelo Irmão Cinzento e por Akelá, Mowgly passa à ação. Divide o rebanho em dois e atrai Chery Khan para esse local. Chery Khan cai na armadilha e fica preso no desfiladeiro. A carga dos búfalos, conduzida por Rama, chefe do rebanho, não deixa qualquer oportunidade para o tigre.

Atrás deles, o Chery Khan jazia morto, no solo. Mowgli cumpriu a sua promessa, iria levar a pele do Tigre à Rocha do Conselho. Mas, Buldeo surpreende-o a esfolar o tigre e quer apoderar-se da pele. Então, Mowgli chamou por Akelá: - Aquelá - queixou-se o Mowgli. – Este homem está a incomodar-me. De repente, o Buldeo deu por si estendido na erva, com um lobo em cima. Buldeo cheio de medo voltou para a aldeia e contou a todos o grande feito de Mowgli, o que causou um grande reboliço na aldeia. Mowgli acabou por ser expulso da aldeia. -Outra vez?! – Disse o Mowgli. – Primeiro foi porque eu era um homem. Agora é porque eu sou um lobo. Vamos embora, Aquelá!

Ninguém tinha substituído o Aquelá como chefe da Alcateia. Os lobos caçavam e lutavam a seu belo prazer. Mas responderam à chamada de Aquelá, por hábito. Reuniram-se em redor do Rocha de Conselho, uns a coxear com feridas causadas por balas ou por armadilhas, outros com sarna, por comerem alimentos impróprios. Faltavam muitos, mas os que restavam viram a pele às listas do Chery Khan estendida na rocha, com as garras enormes suspensas da extremidade das patas vazias.


- Olhem bem, oh Lobos. Cumpri a minha promessa ou não? – Perguntou o Mowgli. Os lobos exclamaram “Sim!” e um, todo ferido, uivou: - Os lobos exclamaram “Sim!” e um, todo ferido, uivou: - Volta a ser o nosso chefe, Aquela. Conduz-nos de novo, cria humana. Estamos fartos de não termos leis que nos guiem. Queremos ser de novo o Povo Livre! - Isso não pode ser! – Rosnou a Baguera. – Quando já não tiverem fome, podem mudar de ideias outra vez. Por alguma razão são chamados de Povo Livre. Lutaram pela liberdade e ela é vossa. Que vos faça bom proveito, oh Lobos!

- Fui expulso pela alcateia dos homens e pela dos lobos – disse o Mowgli. – De agora em diante, vou caçar sozinho!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Eu sou candidato a Presidente do Brasil!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Eu sou candidato a Presidente do Brasil!

                       Eu estive pensando. Porque não me candidatar a algum cargo público? Já pensou? Eu prefeito ou vereador? Nossa! É pouco. Preciso ser muito mais. Presidente? Senador? Deputado? Se fosse acusado de falcatruas iria me declarar inocente ou culpado? Afinal acredito que tenho uma só palavra. – Sergio Moro: Chefe pegou propinas da Petrobrás? Eu: - Excelência, só uns milhãozinhos de dólares na Suíça. – E a cara do Moro? Ele acostumou com as respostas dos acusados que juram inocência. – Eu excelência, tudo que recebi está devidamente registrado no Tribunal Eleitoral. – Mas doutor, e o que consta na sua conta na Suíça? Não é meu já disse. É do Maluf! Meu patrimônio foi administrado pelo Banco Merril Lynck. Depois repassei para dois Trusts constituído na Escócia. Eles é que administram e não eu. – Pois é, vai ser difícil para eu mentir. Afinal jurei um dia pela minha honra dizer a verdade somente à verdade.

                     Bem, será que eu não seria um presidente ou governador ou prefeito honesto? Existe isto? Claro que sim. Difícil é saber quem são. Dizem que devemos ter cuidado em escolher há quem vamos dar o nosso voto. Mas cá prá nós, escolher como? Com esta barulheira infernal, carro de som pra todo lado, será que dá para entender? E os santinhos? Minha nossa nunca vi tamanha sujeira. Acho que isto está errado. Não vou votar quem grita mais alto, quem suja minha casinha e minha rua. Se até mesmo algum vizinho a gente nem sabe sua vida que de lá um que mora em outro bairro? Se você vê muitos gastando o que não tem, e se somado seus proventos se eleito não vai dar para pagar o que gastou, será que ele é um candidato honesto? Lembro quando o vereador era um voluntário sem salário. Mesmo assim havia uma “penca” deles como candidatos. Tive um amigo vereador Escoteiro que me contou cada coisa de deixar a orelha em pé. Mas e se eu for eleito, não serei um candidato Escoteiro honesto?

                    Pois é. Não estranhem se eu me candidatar a prefeito. Aqui em Osasco não sei se serei eleito. Os chefes da minha área nem bom dia me dão que de lá Sempre Alerta. Portanto não vão votar em mim. Mas quem vota? Será que fazendo promessas serei eleito? – Prometo dar a cada grupo uma tralha de campo completa, uma sede própria e um jatinho para acampar. Prometo dar aos lobos tudo que precisam para desenvolver suas atividades. Irei construir prá eles uma Jangal particular. Prometo dar ao grupo um computador da última geração para navegar no SIGUE e saber como pagar as taxas da UEB. Prometo dar um chapéu Escoteiro para cada um que usar o uniforme caqui. Kkkkkk. Esta foi demais. E os vestimenteiros também não vão querer um chapéu? Prá eles eu darei um meião cinza dos bons e um cinto Escoteiro nos trinks. Chega de meinha azul ou branca curtinha. Bem minhas promessas são balofas, mas quem sabe feitas com honestidade.  Se não prometer não vou ser eleito.

                   Meus amigos e minhas amigas, só brincando. Nunca serei candidato a nada. Até no escotismo não fui um bom dirigente. Quantas reclamações. Portanto prometo pela minha honra jamais me candidatar aqui no Brasil. Quem sabe na ONU? Lá sim, poderei me esbaldar. Vou mudar o chapéu Escoteiro para Capacete Azul. Vai ser demais. Vou mudar o lenço vou mudar o uniforme, vou mudar a Lei vou mudar... Uai! Presidente da ONU tem há ver o que com escoteiros? Melhor voltar para minha insignificância. Ser somente o Velho Chefe Escoteiro chato de galocha. Candidato eu? Nem pensar, mas pense em dar seu voto a algum que é ou foi Escoteiro. Quem sabe poderemos escolher pessoas mais nobres para dirigir a nação? Quem viver verá!


                 Pois é, quem não quer uma “boquinha” como esta? Trabalhar dois dias na semana, ter de vinte a trinta funcionários e ajuda de custo para tudo? Um carro? Motorista? Tem algum candidato dizendo que vai acabar com estas mordomias? Que não vai ter carro de som e nem santinho? Duvideuodóo! Eita politica que não muda. Acho que o Congresso deveria dar poderes a UEB para fazer mudanças ou quem sabe um choque de gestão. Eles são bons em mudança e como falam em modernidade. E por isto ainda continuo pensando, acho que vou me candidatar a presidente do Brasil pelo PES (Partido dos Escoteiros sem Sede). Nossa mãe! Nunca vi tanta chatice em questão de ordem. “Presidente, uma questão de ordem, por favor!” - O Pior é aguentar tudo isto até domingo. Portanto se for presidente vou virar ditador. Quem falar mal de mim ou querer meu impeachment vai direto para a Comissão de Ética da UEB. E chega por hoje. Aguardem o lançamento de minha candidatura pelo partido dos Escoteiros sem Sede. O famoso PES. Até mais e Inté como diz o mineiro!