Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Noviço, Segunda e Primeira Classe. Nunca mais?



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Noviço, Segunda e Primeira Classe. Nunca mais?

                 Muitos dos novos chefes nunca ouviram falar. Outros têm uma pequena ideia e alguns passaram por elas. Pensando bem quem sabe elas hoje não teriam mais validade com as novas técnicas modernas de ensino. Por volta de 1925 o “Velho Lobo” apelido carinhoso do Almirante Benjamim Sodré, escreveu o precursor dos livros de classe para escoteiros e seniores. “O Guia do Escoteiro” foi à bíblia de muitos do que passaram no escotismo até 1954. Inclusive a minha.

               Por dezesseis anos ele passou de mão em mão nas patrulhas e tropas escoteiras. Em janeiro de 1941 exatamente na data de falecimento de Baden-Powell, passou a circular uma nova literatura “Para Ser Escoteiro” do Chefe Francisco Floriano de Paula. “Em 1961 foi convidado a dividir o trabalho em provas de classe, passando a serem três livros: - “Para ser Escoteiro Noviço” Para ser Escoteiro Segunda Classe” e “Para ser escoteiro Primeira Classe”. Em 1991 por um curto período foi introduzido algumas etapas de classe tipo múltipla escolha.

                Em 1963 a UEB reeditou os três livros do Chefe Floriano desta vez pelas mãos do Chefe Luiz Paulo Carneiro Maia e Ivan Bordallo Monteiro. Finalmente depois de diversas adaptações e alterações chegamos hoje ao Novo Programa Educativo da UEB. Não entro na validade ou não do programa. Deixo isso para os novos pedagogos que entendem mais da educação escoteira que eu. Quem sabe na minha nostalgia eu procuro ver com olhos de quem viveu naquela época. Se os jovens de hoje iriam gostar ou mesmo realizar as etapas exigidas até chegar a um Escoteiro de Primeira Classe só perguntando a eles.

                 Salto o obstáculo do Escoteiro Noviço e das exigências para a Segunda Classe. Queira ou não pular o obstáculo de cada uma dessas provas não era para qualquer um. Deveriam ser facilitadas? Acho que não. Afinal aprender a utilizar e manusear uma faca ou canivete era uma obrigação de todos os jovens acampadores. Se hoje tem um GPS naquela época existiam como hoje as estrelas, as constelações, o vento, as folhas das árvores o sol e a lua para nos dar o caminho a seguir.

                Um passo Escoteiro, um Passo duplo, saber a altura de uma montanha, uma árvore ou um rio era demais. Mas não vamos falar sobre elas. Muitos daquela época conseguiram ter em sua farda o distintivo tão sonhado de Segunda Classe. Sonhado? Não esqueçamos as especialidades. Um muro de lamentações para muitos. Não sei, mas acho diferente de hoje. Conseguir uma de Acampador, intendente, cozinheiro, socorrista ou sinaleiro era um verdadeiro desafio. Os nós os sinais ficaram para trás. Mas saber de cor a Lei e a Promessa eram ponto de honra.

                A Primeira Classe era um sonho que muitos não conseguiram realizar. Muitas das exigências eram simples, mas outras não. Era como a especialidade de Socorrista que hoje muitos desconjuram pela sua maneira rústica de executar. Veneno? Faca em brasa? Torniquete? Garrote? Tipoias? Ataduras? Pelo menos todos faziam questão de aprender e fazer.

                 Ninguém se preocupava com a exigência de quinze noites acampados, várias excursões e estar preparado para com um companheiro, fazer uma jornada de vinte e cinco quilômetros a pé. Cozinhar a própria refeição estava no ombro: - A especialidade de Cozinheiro. Percurso de Gilwell muitos aprendiam na Segunda Classe. Se fossem para o campo, amavam a natureza. A fauna, a flora, os minerais eram fatos corriqueiros. Mapas, croquis eram manuseados diversas vezes nas excursões e acampamentos.  

                 Os relatórios, os projetos, a Rosa dos Ventos, a bussola, o sol, o relógio, a lua as estrelas, indícios naturais era rotina na Patrulha. Carta Topográfica se aprendia nos Cantos de Patrulha onde uma vez por semana eles se reuniam. Fazer um esboço de um campo de Patrulha, levando em conta o vento, a cozinha as barracas e o Refeitório eram coisas de Pata-Tenra. Fossas, canto do lenhador, intendência e as artimanhas e engenhocas eram comuns nos acampamentos de Patrulha.

                 Não sei se a Primeira Classe era difícil. Conheci muitos que orgulhosamente a receberam. Eu tive esta honra. Naquela época ver uma Patrulha com um ou dois primeiras e três ou quatro segundas a gente sabia com qual Patrulha estava lidando. Foi uma época de escotismo solto, sem amarras, meninos com suas mochilas correndo pelos campos, mostrando responsabilidade, lealdade, cortesia, sinceridade e sabendo manter o autocontrole demonstrando estar à altura do nome escoteiro em sua maturidade.

                 A modernidade não pode parar. As adaptações também. Não sei se o que BP disse quando criou o método escoteiro, acreditando que todo o programa deveria ser voltado para o campo, para as atividades ao ar livre, não foram sufocadas pelas técnicas modernas de ensino. Prevejo que em breve toda metodologia Bipidiana seja absorvida pelos novos programas que irão surgir. Só espero que o objetivo de BP seja alcançado. Os resultados! O homem e a mulher em uma comunidade dando exemplos pessoais e cuja honra e caráter não havendo dúvidas que foi o Escotismo um dos principais responsáveis!

Nota – Não me meto com a nova metodologia de programas de hoje. Se antes a preocupação eram atividades mateiras hoje não. Bom isso. Os cursos hoje são mais objetivos. Temos cursos para o Escotista, para o Dirigente Institucional, a nível Preliminar, Básico e Avançado. São cursos bem diferentes, pois aprender nós, amarras e técnicas escoteiras ficaram no passado. Não existe mais necessidade. Gostei de saber do curso para chefes sobre o ECA, e o mais novo: Formando Staffs para o futuro! Não é este o nome? Desculpe.

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