Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O que você sabe sobre os Estatutos da UEB?


Aos amigos e amigas da minha página e dos meus grupos do Facebook e dos meus Blogs.
O que você sabe sobre os Estatutos da UEB?

Estatutos. -  O dicionário informal nos diz que um Estatuto é um conjunto de normas jurídicas acordadas pelos sócios fundadores que regulamenta o funcionamento de uma pessoa jurídica, quer seja uma sociedade, uma associação ou uma fundação. Em geral é comum a todo o tipo de órgão colegiado, incluindo entidade sem personalidade jurídica. Porque tudo isto? Porque este ano a UEB pretende fazer alterações nos estatutos atuais. Parece-me que o tema foi levantado desde 2013. O Congresso Nacional através dos seus representantes e eleitos irão decidir quais as modificações devem ser feitas. Eu pergunto a você: - Você estava ao par sabia disto? Você já estudou bem os estatutos atuais da UEB? Ou você é daqueles que não se preocupa com isto, visa mais seu trabalho com os jovens?

O conselho de chefes do seu grupo se manifestou sobre o tema? Seu distrito fez realizar alguma reunião visando ouvir opiniões para levá-las a quem de direito no Congresso Nacional? Sua Região Escoteira expediu circular informando e pedindo sugestões? Se não fique sabendo que hoje dificilmente temos democracia aberta na UEB. Isto porque os estatutos atuais são pertinentes com os atos que nossos dirigentes nos colocam. Será que não devemos participar mais ativamente da nossa associação conhecendo e sugerindo para sabermos se seremos democráticos ou não? Veja você, hoje não existe transparência nos atos da UEB. Não existem consultas, não existem pesquisas quando querem alterar ou modificar qualquer coisa que acharem válido o fazem a bel prazer. E você? Concorda com isto? Se sim desculpe. Sei que dirá que o escotismo é lindo, que tem ele no coração, que seu trabalho com os jovens tem mais valor e até certo ponto lhe dou razão.


Mas veja, precisamos alavancar o escotismo brasileiro para que uma maior gama de jovens possa usufruir do escotismo. Assim afirmo que você também é responsável por tudo que acontece. Abrir um grupo, conseguir uma diretoria e alguns jovens não é difícil. Tudo se complica com o tempo. Pais que prometem e não cumprem, comunidade que não dá muita importância ao escotismo. Distrito ou Região que em vez de facilitar prejudicam. Lideres políticos e empresariais que por não conhecerem o movimento não colaboram. E isto é culpa de quem? Existe uma roda com engrenagens e dela participamos todos nós. Abra os olhos e ouvidos, arregace as mangas e pense no que você pode fazer. A pergunta final fica: O que você recebeu dos seus dirigentes para sugerir e ou colaborar sobre as prováveis modificações dos Estatutos?

sábado, 10 de janeiro de 2015

O dia em que Lagoa Vermelha parou para assistir o casamento do Chefe Bento Soares.


Lendas escoteiras.
O dia em que Lagoa Vermelha parou para assistir o casamento do Chefe Bento Soares.

                 Era uma cidade feliz. Muito mesmo. Todos lá se conheciam e eram grandes amigos. Aos sábados e domingos se reunião na praça central, cumprimentando-se, contando “causos” e lembrando-se dos velhos tempos. Chefe Bento era uma figura de destaque na cidade. Não porque fosse politico, mas pela sua bondade, pelo seu sorriso e pelo seu trabalho em prol da comunidade. Além de Chefe da Tropa Escoteira Andrômeda ele trabalhava no Posto de Saúde da cidade há mais de vinte anos. Dizia-se que quase todos os habitantes de Lagoa Vermelha foram escoteiros e isto quem sabe explica a grande amizade entre eles. Chefe Bento era mesmo diferente. Se fosse padre estaria explicado, mas não era. Sua tropa Escoteira o adorava. Nunca faltou a uma reunião. O Padre Albertinho não fazia nada sem o consultar. Fizeram tudo para ele se candidatar a prefeito e sempre recusou. O Prefeito Belarmino e as demais autoridades tinham por ele o maior respeito.

               Morava em uma casa simples bem próximo da sede Escoteira motivo pela qual ela estava sempre cheia de escoteiros. Sua mãe dona Lindalva tinha uma paciência enorme. Nunca brigava com a meninada. Ela comentava sempre que se Jesus dizia “vinde a mim as criancinhas” porque eu também não faço o mesmo? Chefe Bento estava noivo de Cidinha, uma jovem simples, que trabalhava como servente no Grupo Escolar Flores da Cunha. Magra, loira e uns olhos azuis que quase não se via, porque ficava sempre de cabeça baixa. Cidinha também era um amor de pessoa. Os alunos adoravam seu estilo e só não entrou para o Grupo Escoteiro porque achava que não tinha “estudo” suficiente. Fizera somente o quarto ano primário e parou de estudar para trabalhar. Sua família dependia dela. Chefe Bento e Cidinha namoravam desde crianças. Ambos achavam que não podiam viver um sem o outro. Nunca houve palavras bonitas entre eles de “eu te amo” “estou apaixonado” e só se beijaram uma vez, mas um beijo calmo, nada de língua prá lá e prá cá.

             A cidade em peso esperava o dia do casamento. Seria em 22 de novembro próximo. Menos de cinco meses. Seria uma festa de arromba. O Padre Albertinho fez questão de celebrar o casamento sem nenhum ônus para eles. A igreja vai ajudar também nos móveis do casal. Os lobinhos, escoteiros, seniores e pioneiros se cotizaram para as demais despesas. Uma lista foi passada de mão em mão de casa em casa. Estava quase cheia. Vários fazendeiros prometeram bois, porcos, galinhas e o clube de mães da igreja e do Grupo Escoteiro comprometeram-se a fazer tudo. Tudo caminhava a mil maravilhas. Em 12 de junho a tropa foi acampar na Serra da Felicidade. Sempre acampavam lá. Ficava nas terras do Coronel Adauto, um fazendeiro amigo e conhecido de todos. Na abertura do campo o Coronel Adauto estava presente. Ele gostava de ver a escoteirada formar e cantar o hino Nacional. Todos se espantaram desta vez. Ao lado dele uma bela morena de olhos negros, saia curtinha, cabelos negros longos, corpo escultural. Linda de morrer! – Minha sobrinha disse. Veio morar comigo.

            As patrulhas estavam cismadas. Chefe Bento presente como sempre foi, mas agora tinha ao seu lado a bela Francisca e eram somente sorrisos. Dia e noite juntos. Um dia Pedrinho os viu beijando junto ao moinho do Ventor. Um susto. A tropa toda ficou sabendo. Logo a cidade em peso sabia. Segredos? Ali em Lagoa Vermelha não havia. Todos sabiam de tudo. – Coitada da Cidinha diziam. Ela calada. Parecia que não estava revoltada. Claro, Chefe Bento continuou indo a sua casa como se nada tivesse acontecido. Um dia procurou o Padre Albertinho. - Senhor Padre, disse – Não vou confessar agora. É só um conselho. Não sei o que diz meu coração. Não quero ficar sem a Cidinha. Ela é meu sonho para vivermos juntos para sempre. No entanto não sei, mas estou amando a Francisca. O que faço padre?

                 Lagoa Vermelha em peso “cochichavam” entre si. O disse me disse das comadres eram enormes. Quem é essa Francisca? De onde veio? Tomar o Chefe Bento da Cidinha? Vai ver que é uma “pistoleira” da cidade grande. Onde o Coronel Adauto arrumou esta bruxa? Durante um mês o buchicho não parou. Chefe Bento não sabia o que fazer. Não tinha coragem de olhar nos olhos de ninguém. Sempre de cabeça baixa. O Coronel Adauto um dia pediu para ele ir até a fazenda. E agora pensou Chefe Bento? Ele vai me imprensar na parede. Não sei o que fazer. Nem mamãe soube me aconselhar.

               O dia acabava de amanhecer. Um céu avermelhado prenuncio de um dia quente e sem chuva. Um carro preto, grande atravessou a cidade de ponta a ponta e se dirigiu a fazenda do Coronel Adauto. O povo só ficou sabendo quando Zé das Flores, um vaqueiro da fazenda, entrou no Boteco do Martinho e contou as novidades. O marido da Francisca veio buscá-la. Era não queria ir. O Coronel Adauto ficou calado. Eram casados e ela devia obrigação a ele. Não concordou com a farsa dela se apaixonar pelo Chefe Bento. Pensou várias vezes contar o que sabia. Era casada com um mafioso da capital. Sujeito perigoso. Ela fugiu dele e mesmo aconselhando a voltar não aceitou.

                 O povo viu o carro preto pegando a estrada da capital com a Francisca dentro. Quando Chefe Bento soube, dizem seus amigos lá do posto de saúde que ele chorou. Dois meses depois o casamento foi realizado. Vieram escoteiros de varias cidades. Fizeram uma bonita passagem de bastões para ele e Cidinha passar quando saíram da igreja. Padre Albertinho sorria também. Quem sabe ele toma jeito? A nova casa estava preparada, mas eles pouco ficaram ali. Pegaram o ônibus de Lagoa Formosa naquela tarde e foram em lua de mel merecida.


                Acompanhei tudo. Sei que o Chefe Bento nunca mais foi o mesmo. Seu sorriso espontâneo desapareceu. Todos diziam que Cidinha estava sempre com os olhos vermelhos. Dois anos depois nasceu Tomé, um ano mais e Marcela veio ao mundo. Pararam por aí. Sei que depois dos dois rebentos os sorrisos voltou ao rosto do Chefe Bento. Sei também que eles viveram felizes para sempre.                       

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Mudando de conversa onde foi que ficou...


Conversa ao pé do fogo.
Mudando de conversa onde foi que ficou...

¶ Mudando de conversa onde foi que ficou
   Aquela velha amizade...¶.

            Não tem dia que vamos para uma reunião escoteira com a mente longe de tudo? A cabeça pesa. Afinal não somos humanos? Uma discussão no lar, um fato mal entendido, uma dificuldade que existia e brotou logo neste dia. E olhe, não adianta dizer que somos alegres e sorrimos nas dificuldades. Nesta hora não dá. Humanos! Deveríamos ser super-homens ou super-mulheres. Afinal não dizem maravilhas do Chefe Escoteiro? E sabe o pior? Alguém da família diz – “Você esqueceu-se da gente, só se preocupa com estes escoteiros”. Duro não? Mas a obrigação é maior que a razão. Você vai, chega lá, um Escoteiro ou um lobinho te cumprimenta, dá um sorriso. Puxa vida! E agora José?

¶ Aquele papo furado todo fim de noite
Num bar do Leblon ¶.

             Não sei se você já passou por isto. Saida para uma atividade. Ônibus estacionado. Horário estourando. Muitos atrasados. Tralha para colocar no ônibus, mil coisas a fazer. Uma mãe atrás de você – Chefe! Cuidado com meu filho! Chefe e as cobras? Chefe não esqueça os remédios dele! Chefe me ligue qualquer coisa! – O ônibus parte. Mães chorosas dizendo adeus. Parece o fim do mundo. Mas eles não vão aprender a ser alguém? Mal você se acomoda no ônibus e alguém começa a chorar. Tão cedo? O que foi? Fulano me bateu! Você chega ao local da atividade. Tirar a tralha, preparar tudo, corre daqui corre dali, a Patrulha tal não se entende. Lá vai você orientar. Hora do almoço. Alguns reclamando fome. Um Monitor correndo para dizer que um Escoteiro estava com a mochila cheia de biscoitos e comendo! Sua cabeça está a mil. O programa? Pluft! Foi para as “cucuias”. E agora José?

¶ Meu Deus do céu, que tempo bom!
   Tanto chopp gelado, confissões à bessa ¶.

                Dificuldades! Ah! Elas não são para nós escoteiros um bálsamo? Não dizem isto? Não está no oitavo artigo da lei? Não são elas quem nos faz sentir ser alguém? Ter coisas para contar, Lembrar... Chegar ao campo. Ufa! Esquecemos alguma coisa na sede? Alguém se lembrou? A meteorologia garantiu tempo bom. Céu pedrento? Chuva ou vento? Nuvens baixas cor de cobre? É temporal que se descobre? Um temporal. Uma ou mais barracas são levadas com o vento. Não armaram direito. A água invade o campo. Escolheram mal. Mas não dizem que se aprende a fazer fazendo? Agora não é hora de reclamar. E aí? Conseguiram cobrir o lenheiro? Putz! Lenha molhada. A chuva passou. Se tiver vento e depois água deixe andar que não faz mágoa. Mas olhe, cuidado, se tens água e depois vento, põe-te em guarda, e toma tento! E agora José?

¶ Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar,
   E acabava em samba...¶.

              Segunda feira “braba”. Ir trabalhar. Corpo doido. Acampamento gostoso. Gostoso? Com chuva e vento? Vontade de ficar na cama. Ligar dizendo que não vou. Mas fazer o que? É melhor cantar. Não dizem que quem canta seus males espanta? Responsabilidade! Ah! Tenho que ter e dar exemplo. E a grana está curta. O dia não anda. Dizem que toda segunda feira é assim. Hoje vou tentar pensar pouco no escotismo. Você promete a si mesmo. Alguém pergunta – Como foi o acampamento? Você sorri azedo. Fala algumas palavras. O telefone toca – Chefe, meu filho está tossindo. Pegou chuva no acampamento? E ai você se pergunta – Quem precisa do escotismo, você ou ela? Mas você é e será sempre o responsável. Afinal não disseram que o Chefe é Doutor? Pluft! E agora José?  

¶ Que é a melhor maneira de se conversar,
   Mas tudo mudou, eu sinto tanta pena de não ser a mesma ¶.

                       Escotismo. Ah! Escotismo. Outro dia me chamaram de não sei o que. Não liguei. Não ligo mais. Um amigo me disse o seguinte: Olha, faça seu jogo, com poucos e com certeza, só terás alegria e não tristezas. Será? Poucos? Disseram-me que somos poucos. Tem hora que dou risadas. Ainda lembro quando me convidaram. Venha nos ajudar, é só duas ou três horas por semana. Gozado isto. Duas ou três horas? E as reuniões com chefes no grupo? E a Corte de Honra? E os conselhos de tropa e de primos? E a reunião do distrito? E a reunião com os pais? E as horas passadas em atividades ao ar livre? E os telefonemas na semana? E os e-mails? Puxa vida! Duas ou três horas? E quanto estou ganhando com isto? Nem bônus hora recebo. Se não tomar cuidado meu emprego vai para o “beleleu”. Risos. E agora José?

¶ Perdi a vontade de tomar meu chopp, de escrever meu samba,
   Me perdi de mim, não achei nada ¶.

                     Mas quer saber? Eu gosto do “danado” do escotismo. Adoro! Me sinto bem. Gosto do meu uniforme. Dos meus amigos. A turminha me enturma. Gosto de falar dele. De estar com alguém dele. De saber das novidades. Do Choro dos pais. Da alegria dos meninos. De um ônibus lotado e todos cantando o Rataplã. De ver na volta todos dormindo. Ar de cansado, dever cumprido. Aquele sono reparador. Ver todos partirem com seus pais ao retornar a sede. Passar a chave na porta e dizer: - Minha amiga até a próxima reunião! Isto não é bom? Dever cumprido mesmo? Ah! Escotismo! Tem igual? Existe outro? E agora José?

¶ O que vou fazer?     Mas eu queria tanto, precisava mesmo abraçar você. De dizer às coisas que se acumularam Que estão se perdendo sem explicação,     E sem mais razão e sem mais porque, Mudando de conversa onde foi que ficou.
    Aquela velha amizade¶...


 “Mudando de Conversa, é uma musica dos anos 60, de Mauricio Tapajós e Hermínio Belo de Carvalho. Magnificamente interpretada por Doris Monteiro”.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Virgulino, um repórter da patrulha Condor.


Conversa ao pé do fogo.
Virgulino, um repórter da patrulha Condor.

               - Boa tarde Chefe! – O que foi Virgulino? – Chefe o senhor devia dizer boa tarde! Não vê que estou lhe entrevistando? Não foi o senhor quem disse que eu devia praticar para tirar a especialidade de repórter? – Chefe Nonô olhou Virgulino de soslaio. – Agora Virgulino? É hora de reunião! – Mas é sobre isto que quero entrevistar! – Certo cinco minutos está bem? – O suficiente Chefe. – Então comece, pois tenho muitas coisas ainda para fazer e não estou aqui por sua conta!

- Seu nome? - - Antonio Nonato apelido de Nonô. -  Idade? - 28 anos. - Nasceu onde? (Chefe Nonô coçou a cabeça, mas queria demonstrar boa vontade). Em Pedra do Sino, Minas Gerais. – Porque resolveu ser Chefe? – Porque nunca fui Escoteiro e gosto disto – O senhor se acha um bom Chefe? – (Chefe Nonô coçou o gogó, notou que estava sendo encurralado) – Bem pelo menos ninguém até agora reclamou! – Chefe, porque o Senhor veste o uniforme aqui na sede? – Porque não tenho tempo e venho correndo para ensinar a vocês! – Chefe o Senhor acha correto isto? Não é um mau exemplo? – Chega, faça outra pergunta ou se mande para sua patrulha! Chefe o que o Senhor acha dos jovens quando querem dar uma opinião sobre a reunião? – Porque não? Sempre que fui procurado eu ouvi tudo que tinham a dizer! – Só ouve e mais nada? – O que você queria mais? – O Raimundo disse ao Senhor que os jogos estavam repetidos e sem graça, o que o Senhor fez? – (Chefe Nonô não estava gostando do rumo da entrevista) – Acho que o Raimundo quer muita coisa e não dá nada em troca! – O que ele deveria dar em troca Chefe? – Ser mais frequente, mais assíduo, mais leal, porque ele reclama com vocês e não reclama comigo? – Chefe não seria porque o Senhor não dá satisfação a ninguém?

- A coisa estava esquentando para o Chefe Nonô. Seria melhor encerrar ali antes que ele perdesse a paciência – Chefe! Continuou Virgulino – O que é aprender a fazer fazendo? – Só a frase por si só se explica, será que você não entendeu? – Chefe porque o Senhor não deixa a gente aprender nos acampamentos? – E quem disse que não deixo? – Chefe o Senhor só fica nas patrulhas fazendo tudo, reclamando, e querendo demonstrar que sabe tudo, dizendo que é assim e assado e a gente acaba desistindo! O Senhor não Acha? – Não acho! Gritou o Chefe Nonô. Eu sou amigo de todos! Estou ali para ajudar vocês! – Amigo? E porque suspendeu o Armandinho por dois meses? – Chefe Nonô estava agora fulo, um escoteirinho o desafiando? – Suspendi porque ele foi malcriado, não respeitava mais a patrulha! – Chefe e porque não discutiu o assunto na Corte de Honra? E porque não falou com os pais dele? – Porque não quiz!!!! Gritou. – Eu sou o Chefe aqui e pronto e não tenho que lhe dar satisfações! Faço o que acho que devo fazer! – Chefe, porque o Senhor está vermelho e tremendo? – Vá para sua patrulha e cale a boca! – Qual patrulha Chefe? O Senhor não viu que não veio ninguém dela hoje?

- Chefe Nonô quase deu uns petelecos em Virgulino. Custou a se acalmar. Deu três apitos e formou a tropa. Não passavam de doze. A maioria não veio à reunião. – Ele com raiva gritou com todo mundo: - Avisem aos patrulheiros que não vieram, que os que não comparecerem no sábado estão suspenso por noventa dias! E não vão mais ao acampamento – Virgulino levantou o braço: - Chefe! Qual acampamento? Tem oito meses que só ficamos aqui na sede, e só vamos a praça catar lixo e mais nada? – Você acha que eu posso ficar a disposição de vocês? Eu tenho mais o que fazer!  –  Chefe! - O que foi desta vez Virgulino? – Porque vai suspender os que não vieram? Eles não vão voltar mesmo! – Chefe Nonô não aguentou mais. – Virgulino? – Sim Chefe! - Esqueça a especialidade de repórter. Você não passou e não tem condições de receber o distintivo! - Virgulino riu baixinho. – Porque está rindo? Perguntou o Chefe. – Eu rindo Chefe? Estou é pensando se no próximo sábado voltarei aqui. Vou pensar bastante na semana! – Se quiser sumir, suma! Disse o Chefe. Aqui só tem machos, homens de verdade! Quem é mole e covarde não serve para ser Escoteiro! – Toda a tropa calou. Todos olharam para baixo. Não tinham mais o que dizer.

- E vou falar para todos vocês! Aqueles que não quiserem vir, que não venha mais. Eu me sacrifico, me mato, dou duro e venho aqui todos os sábados, estou cansado, e vocês não agradecem? Que sumam e não voltem mais! Escoteiro que é Escoteiro sabe sorrir nas dificuldades – Uma vozinha lá no fim da fila gritou – Chefe o que nós estamos fazendo aqui?


( Tire você suas próprias conclusões leitor!).    

domingo, 28 de dezembro de 2014

Seu nome era Bela, fora Escoteira e queria ser Presidente do Brasil!


Lendas Escoteiras.
Seu nome era Bela, fora Escoteira e queria ser Presidente do Brasil!

               - Você a conheceu? – Claro, foi da minha patrulha. Os Corujas não gostaram quando o Chefe a apresentou, principalmente aquela menina magrinha, sem graça, um sorriso torto e com cara sonolenta. – Ela era assim na época? – Bem nos primeiros dias achamos isto. Ledo engano. De uma noite para o dia se transformou. Tinha um jeitinho enfeitiçado que pedia humildemente e todos obedeciam. - Risos – Então ela logo se revelou? – E como! Laercio o Monitor a principio não gostou, nunca pensou em ter uma menina na patrulha. Ele era daquele tipo machão. E para dar um castigo tirou Noel da cozinha e a nomeou cozinheira. – E ela aceitou? – Não disse não. Ela era inteligente demais para nós. E sabe de uma coisa? Foi uma excelente cozinheira e sabia como agir. Todos buscavam água, todos abasteciam o lenheiro e era dar um estalar de dedo e todos corriam a sua volta. – Então ela ficou na cozinha? Que isto! Nem pensar. Era cativante de tal maneira que logo mostrou sua força em tudo. Fez cada banco, cada poltrona de campo e mesas que eu até hoje fico pensando porque não pensamos como ela.

                - Pois é, mas se me lembro bem sua patrulha só tinha ela de menina. – Isto mesmo. Duas tentaram, mas logo saíram. Sabe como é receber ordens de meninos é uma coisa, mas de outra menina? Bela era fora de série. Bela no nome, pois eu a achava feia. Tinha um coração de ouro isto sim ela tinha. A gente sempre era passado para trás na inteligência e percepção. Lembro-me de um jogo de mais de cinco horas que fizemos na Estrada dos Afonsos.  Era uma estrada carroçável. Os seniores fizeram um desafio para quem conseguisse passar sem eles verem, dariam um canivete Suíço dos mais caros. Eles também não seriam vistos. – E ela? – Ela meu amigo surpreendeu a todos. Não sei onde conseguiu um vestido de chita cheio de bolinhas azuis, um chapéu de palha na cabeça, uma sandália de dedo e fingindo ser um “carreiro” levava um carro de boi carregado de milho e todos nem desconfiaram. E o pior, quando ela passou logo depois da curva do Canta Galo devolveu tudo que pediu emprestado aos donos, vestiu seu uniforme, deu uma volta enorme no Morro do Quati e surpreendeu os valentes seniores por trás prendendo todo mundo!

                   - Nossa! Bela era assim mesmo? - Você não viu nada. Quando passou para os seniores se modificou. Aceitava mais as ordens de Calango o Monitor da Pico da Neblina. Calango ria a toa, pois ela agora não era mais a menininha magra, sem graça de quando entrou na tropa. Ficou linda, cabelão enorme, usava um batom vermelho sem se mostrar muito. A Escoteirada sênior babava só de olhar para ela. – E ela? - Nossa você precisava ver. Fingia namorar todo mundo, mas na verdade eram eles que a serviam. Aquela frase que quem não sabe servir não serve para viver não era para ela. – Olhe, sem maldade, ela não fazia isto por pirraça. Era seu dom. Se existia uma Escoteira que conhecia as bases de uma boa liderança então pense em Bela. Nem bem fez dezoito anos, ainda sem ninguém morando em seu coração, claro, apesar de todos ficarem em sua volta ela foi convidado pelo Gita para se candidatar a vereador.

                     - E ai? – Ai que ela aceitou, mas não no partido dele. Sempre dizia que pensava fazer politica, mas em um partido sério e honesto. – E ela conseguiu encontrar um? – Nunca! Ela inteligente feito à peste colocou na internet e convidou a quem quisesse participar do PEN – PEN? O que é isto? – Partido Escoteiro Nacional. Não ria, é verdade. Ela escrevia e seus vídeos eram tão perfeitos, levando a alegria e felicidade, em fazer o bem sem olhar a quem, a ser honesto, a ter honra e ética que todos acreditaram nela. Em oito meses registrou seu partido. – Verdade mesmo? – Claro que sim, tudo ali era Escoteiro. A Lei Escoteira era a lei do partido. Aqueles que se aproximavam da diretoria do partido tinham de fazer cem boas ações sem cobrar, provar honestidade e claro, fazer a promessa de fidelidade. – Promessa? Você está brincando! – Não brinco, você sabe agora como ela é. De vereadora a prefeita de prefeita a Deputada Federal, nem quis ser senadora. Agora é candidata a Presidente do Brasil.

                     - É mesmo, estou vendo o trabalho dela. O escotismo deu um salto de qualidade e os políticos também. Aqueles que não eram honestos foram desmascarados. Muitos foram para a cadeia. Tenho certeza que seu partido nesta eleição será o maior no Congresso Nacional. E você acha que ela será eleita? – Meu amigo, acho que você não estava no Brasil nos últimos tempos. Ela vai ser a primeira Presidente oriunda do Movimento Escoteiro e eleita no primeiro turno. Não existe páreo para ela. Sua visão do Brasil é enorme. Sabe o que fazer e vai fazer. Nas últimas pesquisas ela estava com oitenta por cento e o Lulalah nem chegava aos cinco por cento! – É se você diz eu acredito. Você ainda tem contato com ela? – Claro, ela nunca nos esqueceu. Apesar de sua fama até hoje vem visitar o grupo. Assim são aqueles Escoteiros que um dia cresceram e souberam reconhecer o valor do escotismo e o que receberam ali quando jovem.

                     - História? Lenda? Ilusões? Não podemos sonhar com alguém honesto, probo, que tenha honra e seja ético, que tenha uma só palavra, que seja leal, que seja cortês sempre? Não sei se foi história e se nunca aconteceu. Bela foi um sonho que nunca existiu. Um sonho bom, gostoso daqueles que a gente sorri quando termina. Penso que se fosse verdade queira ou não queira ela lutaria pelo que acreditou. Quem sabe poderia até não ser eleita, mas em afirmo e digo aos ventos do norte, do sul leste e oeste. Nos meus sonhos, Bela não se envergonha em dizer que é Escoteira. Faz questão de todos saberem que tem ética, respeito, honestidade, palavra e tantas outras necessidades que esperamos em um bom candidato que se diz Escoteiro. Eu acredito que se isto um dia acontecesse ela iria mostrar que nós Escoteiros temos o que falta a muitos políticos no Brasil. Caráter!


                   Enquanto isto o melhor mesmo é sonhar que algum dia possa aparecer um Escoteiro ou uma Escoteira chamada Bela e que ama o escotismo de todo o coração e será nossa escolhida. Viva Bela, a futura Presidente do Brasil!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Dicas úteis para os pata-tenras acenderem um fogo.


Conversa ao pé do fogo.
Dicas úteis para os pata-tenras acenderem um fogo.

1. Parte os gravetos e galhos em pedaços pequenos.
2. Com um facão ou machadinha lasca os gravetos e galhos para obter as primeiras chamas.
3. Coloca  um band-aid no polegar direito para não dar calos.
4. Corta os troncos mais grossos em pedaços ou lascas com menos de 50 cm de comprimento.
5. Desinfeta a ferida do pé esquerdo que fizeste com o facão e coloca-lhe um band-aid.
6. Com as lascas pequenas e gravetos obtidas, faça uma fogueira tipo pirâmide.
7. Por cima da pirâmide de gravetos, coloca uma segunda pirâmide com os pedaços partidos maiores conforme explicado acima.
8. Volta a fazer novamente a pirâmide que por não ficar no ponto desabou.
9. Acende um fósforo.
10. Acende outro fósforo.
11. Evita dizer obscenidades: o Escoteiro é puro nos pensamentos, nas palavras e nas ações.
12. Acende mais outro fósforo, protegendo-o da brisa que sopra suavemente.
13. Aproxima o fósforo da pirâmide de gravetos e deixa o fogo lastrar.
14. Agora é sua vez de sorrir de felicidade pelo feito.
15. Com suavidade, sopra para a base da pirâmide, para dar mais força ao fogo.
16. Aplique depois pomada para queimaduras na ponta do nariz.
17. Sopra mais um bocado, mantendo uma distância de segurança entre o nariz e o fogo.
18. Suspira de alívio, enquanto as chamas se propagam.
19. Coloca mais gravetos e achas um pouco mais grossas, em cima da pirâmide.
20. Tenta remediar o desabamento total da pirâmide que provocaste por ser descuidado.
21. Agora que descobriste que se acabaram os gravetos e achas de dimensão média e que o fogo ainda não acendeu com segurança, vai ao floresta procurar mais gravetos.
22. Regressa em passo de corrida, pois já te afastaste da fogueira há tempo demais e Cacilda! Começou a chuviscar.
23. Resmunga baixinho, perante o fogo apagado.
24. Repete os passos todos a partir da sugestão 9º, enquanto despejas discretamente a metade da garrafinha de álcool etílico que trouxeste para assar uma bananas e linguiças que escondeu do chefe em sua barraca.
25. Aplica pomada para queimaduras na mão esquerda.
26. Muda-te para o outro lado da fogueira, para fugir a fumaça.
27. Volta para onde estavas, pois a fumaça te acompanhou.
28. Volta a mudar de posição. A fumaça não te deixa em paz.
29. Resigna-te com a atração irresistível que a fumaça parece ter por ti.
30. Coloca na fogueira os troncos mais grossos e refugia-te na barraca para escapar à chuva forte que começou a cair, estragando os planos para o Fogo de Conselho.

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

sábado, 20 de dezembro de 2014

Dez dicas para o Monitor tratar seus patrulheiros.


Conversa ao pé do fogo.
Dez dicas para o Monitor tratar seus patrulheiros.

1. Não faças comentários que possam humilhar ou envergonhar algum dos Escoteiros de sua patrulha.
 2. Se precisares chamar à atenção de algum deles, faça a sós, sem os outros ouvirem.
3. Não deixes de fora os patrulheiros mais tímidos ou novatos, fala para eles, dá-lhes atenção, mostra que estás sempre a contar com a ajuda deles e que são importantes para a Patrulha. Dá-lhes um elogio para os  motivares e perceberem que estão a ser úteis.
 4. Muitas vezes, consegues modificar o comportamento e as atitudes dos outros recorrendo à boa disposição e a algumas piadas, desde que não humilhes ninguém.
 5. Não leves muito a sério um patrulheiro que seja muito resmungão. Responde-lhe com bom humor.
6. Não fales nas costas uns dos outros. Os patrulheiros vão imitar-te e irão acabar por falar de ti nas tuas costas. Dá um bom exemplo.
7. Mostra-te paciente para com todos. A paciência é uma grande virtude e os teus escoteiros saberão reconhecer-te essa característica, mesmo que não o digam abertamente.
 8. Se algum dos patrulheiros agirem incorretamente com outro, explica-lhe de que modo foi incorreto e sugere-lhe que peça desculpa.
9. Não grites com os teus escoteiros Se gritares, o mais provável é perderes autoridade.
10. Não mostres ressentimentos para com alguém que tenha feito algo de errado ou tenha prejudicado a Patrulha. A capacidade de perdoar é uma virtude.

E não se esqueça destas palavras de BP. Elas podem ajudar você muito:

Levar-se muito a sério enquanto jovem é o primeiro passa para tornar-se um “pedante”. Um pouco de bom humor poderá tirá-lo deste perigo e também de muitas ocasiões desagradáveis. – Aquele que se elogia é geralmente aquele que necessita de ajuda;
- Um Monitor equilibrado vale meia dúzia de extravagantes;

- Muitos querem seus direitos, antes de o trem merecido. BP.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Margarida, um jagunço do Sertão.


Lendas Escoteiras.
Margarida, um jagunço do Sertão.

                              - Conheço o caminho disse Boca Larga. Quando Escoteiro eu e minha patrulha entramos na trilha do Lobo e em menos de cinco horas saímos próximo a Malacacheta. Pela estrada do Rei iremos demorar mais de doze horas. Cento e cinquenta quilômetros só de subida. – Cabeçudo o sub Monitor concordou. Ele também já tinha percorrido a trilha do lobo. Unha Grande o intendente ficou em duvida. – Tem quanto tempo que vocês passaram por lá? Dois três quatro anos? Será que a trilha ainda existe? Nariz Longo o Monitor pensava no que todos diziam. Cabeludo o cozinheiro nunca dizia nada, sempre calado. - Se formos iremos em cinco. Dedo Duro não vai, seu pai vai viajar e resolveu levá-lo consigo. Esta jornada não estava no programa e foi o Chefe Sansão quem nos disse que soubera de um novo Grupo Escoteiro em Malacacheta. – Porque não vão lá e confirmem se realmente tem um Grupo Escoteiro? Afinal o Acampamento distrital será daqui a dois meses e mais um grupo será ótimo.             
                      
                                Ninguém nunca tinha ido a Malacacheta. Seu Tonico motorista do ônibus foi quem nos contou como era o caminho. – Olhe são quase cento e cinquenta quilômetros. O ruim é que é subida e descida. Tem a Serra do Quati que têm bem uns quatro quilômetros só de subida. Nariz Longo pôs em votação. Vamos pela estrada ou pela trilha do lobo? Todos votaram pela trilha. Se fosse verdade o que Boca Larga disse iriam fazer o trecho todo em menos de cinco horas. Tudo combinado, ração B para três dias, duas barracas de duas lonas, um caldeirão e uma caçarola, facão e machadinha. Às oito da noite de sexta feira partimos. A trilha margeava o Rio Verde um velho amigo conhecido. Lá pelas duas da manhã paramos. No céu uma noite cheio de estrelas e uma linda lua. Não montamos barraca. Impossível chover aquela noite. Melhor dormir sob as estrelas. Nossa sopinha Estava quase no ponto. Todo mundo com uma fome danada. A madrugada ia brava e foi então que fomos surpreendidos. Apareceu de surpresa sem se anunciar. Estava ali a nossa frente em pé. Um homem magro, barbudo, uma fileira de dente todos cariados. Usava perneiras, pois era uma região espinhosa. Chapéu de couro. No ombro seu fuzil inseparável que ele chamava de Loló. Amarrado na barriga um enorme colt 45. Depois fiquei sabendo que em cada perna tinha um punhal escondido. Quem seria? Todos nós ficamos preocupados.

                      Posso me adentrá? Falou baixinho. Olhamos espantados. Ele sério. – Me chamo Margarida, dá para comer com vocês? – Claro eu disse. Ficamos de olho e atento no que ele ia fazer. Coragem? Nada disto, mas dizem que ficar alerta faz bem em toda e qualquer ocasião. Sentou tirou um prato sujo do seu bornal e Boca Larga encheu. Comeu feito um danado. Não pediu mais. Só água. Tínhamos café no bule esquentando no canto do fogão tropeiro. Bebeu com gosto. – Falou pouco. Meu nome é Margarida, meu pai me deu. Nunca mudei. Por causa dele matei muita gente. Se me chamam sem rir, tudo bem se derem um risinho esquento o bucho dele. – Olhei para Unha Grande e ele piscou. Queria rir. Meu Deus! Não deixe ele rir!

                     - Não precisam ficar com medo. Me trataram bem. Vou embora lá pelas cinco da manhã. Podem dormir tranquilos. Enrosquei em minha capa preta em volta do fogo. – Você nasceu onde? Perguntei. – Em Barra Dourada. Próximo a nascente do Paraopeba. Lembrei-me do rio. Cascalho imundo. Pobre do rio. Estragaram ele tentando achar um ouro que não tinha. Até hoje as máquinas estão lá sujando o rio. Cabeludo queria saber mais. – Matou quantos Senhor Margarida? – Não me chame de Senhor. Senhor é o Senhor seu pai! – Putz grila! Pensei. Mas se quer saber matei mais de dez. Muitos porque riram do meu nome. Maldita hora que meu pai me batizou assim. Queriam uma menina e nasci macho. Agora não tenho onde ficar. A policia de captura sempre está atrás de mim.

                       Fiquei calado. Nariz Longo me olhava e piscava os olhos. Margarida desconfiou. - Porque esta piscação? Nada Seu Margarida. Nariz Longo tem um defeito na pálpebra. – E que merda é esta de pálpebra? Danou-se! Custei para explicar. Já estava tremendo. Margarida passou boa parte da noite sentado. Eu não consegui dormir. Fingia que dormia. Às cinco da manhã juntou suas coisas, um bornal que devia levar suas balas, seu fuzil e já ia partir quando dei ele um farnel de biscoito de polvilho. Agradeceu, ficou em posição de sentido, gritou Sempre Alerta e partiu sem sorrir. Consegui cochilar até as seis. Ouvi um tropel de cavalos. Cinco soldados e um Capitão. Deviam ser da tal policia de captura.

                       Ninguém apeou. O Capitão perguntou gritando: – Viram um jagunço magro, barbudo, armado até os dentes por estas bandas? E agora? O Escoteiro tem uma só palavra falar o que? – Não Senhor. Chegamos aqui às duas da manhã. Só deu para fazer uma sopinha um café e já íamos partir. – Vão para onde? Malacacheta Senhor Capitão. Fazer o que lá? Um Chefe Escoteiro nos convidou. Nos olhou como quem não acredita. – E tem Grupo Escoteiro lá? – Nosso Chefe Sansão disse que sim! Nos olhou ressabiado deu até logo e partiu. Pegamos as bicicletas, arrumamos tudo e quando íamos partir um barulho no mato e surgiu Margarida. – Ainda bem que não disseram nada, falou. Estava com a Loló (fuzil) armada e se dissesse que me viram iam levar uns tiros no rabo!


                     Foi embora cantando. ¶“Sordado marvado, sai da carçada que lá vai porva!”¶. Resolvemos voltar para nossa cidade. O Chefe Sansão que nos desculpasse. Para dizer a verdade eu estava com as calças toda molhada e outros com elas borradas. Não dava mais para prosseguir. Nunca mais ouvimos falar de Margarida. Do capitão não. Era famoso. Quando a cadeia estava cheia, pegava uns ladrõezinhos de fancaria colocava em fila e saiam pelas ruas da cidade e fazendo-os gritarem – Roubei galinha! Roubei o porquinho da dona Noêmia. Bebi demais, sou pinguço! Depois soltava. Pois é. Seis meses depois recebemos a visita dos Escoteiros de Malacacheta. Não acreditaram em nossa história, mas conheciam Margarida. Ficamos amigos e fomos varias vezes na cidade deles a convite. Bons tempos, tempos que uma bicicleta ou um Vulcabrás nos pés nos levava a aventuras inimagináveis. E Margarida? Sumiu no mundo.      

sábado, 13 de dezembro de 2014

A lenda do Tesouro perdido no Vale de Negev.



Mais um livro em meu curriculum: - A lenda do Tesouro perdido no Vale de Negev.

             Seis meses escrevendo. Muitas vezes voltando para reescrever uma história fantástica, pois sempre me perdia em suas páginas. Tive que ler e reler o Novo e o Velho Testamento várias vezes para não perder o fio da meada. Ali tive os subsídios que necessitava para escrever esta história. A Lenda do Tesouro perdido no Vale de Negev foi o livro que mais exigiu tempo e pesquisa sobre todos os demais. Quarenta e oito páginas parece pouco, mas não é. Uma história diferente, uma lenda de um tesouro escondido pelo Pirata inglês Edward Teach, que no ano de 1682 desembarcou no Arroio de São Bartolomeu no norte da Bahia e rumou terra adentro e em local incerto e não sabido enterrou o tesouro. Não existem mapas e muitos dizem que quem achar uma caverna proximo ao Vale de Canaã antes de chegar nas planícies de Moab, no vale da Judeia pode encontrar o tesouro. Foi lá que surgiu a cidade de Jericó. Uma cidade mágica e mística que um dia uma patrulha Escoteira perdida descobriu surgindo então o primeiro grupo Escoteiro Mar da Galileia. Contam os historiadores que quem descobrir o caminho sagrado sobre o Monte Sinai, o Vale da Judeia, cruzando o Vale do Rio Eufrates, Represa do Lago Hule, Vale do Canaã, Rio Nilo e a Montanha do Monte Tabor irão viver felizes para sempre.

                Esta fabulosa aventura começa pelo Chefe Zebulon e termina com o Chefe João Batista. O crescimento do Grupo Escoteiro não podia acontecer sem Judá, o primeiro Monitor, Simão Zelote, um Escoteiro que aceitava desafios e muitos outros. Abraão Monitor da Garça Real, Tiago da Patrulha Camelo, Uziel da Gralha e Batuel da Corvo, todos eles e seus patrulheiros fizeram acontecer a maior aventura de suas vidas. Ele a chamaram de Operação Arca da Aliança. Jericó era uma cidade incrível, ninguém sabia onde ficava não estava nos mapas e nenhum governo sabia de sua existência. Só os escolhidos poderiam chegar atravessando o Mar da Galileia. Jericó era uma espécie de Xangrilá, onde todos viviam felizes e com amor no coração. Ela tinha a proteção de Nabucodonosor um escravo fugitivo e seu fundador e de seus três administradores - Melchior, Baltazar e Gaspar conhecidos como os Três Reis Magos. Tem muitas outras personagens que ao desenrolar da história os leitores irão conhecer.

                Mais um livro, mais uma história. Uma aventura sem igual feito pela tropa Rio Jordão percorrendo a pé por doze dias sobre lugares históricos do Novo e Velho testamento. Quatro patrulhas e um Chefe que ficarão marcados na mente de cada um. Vocês irão conhecer uma aventura fantástica por lugares nunca antes imaginados. Seja um dos primeiros a ler. Faça seu pedido inteiramente grátis e receba hoje ainda em PDF. Aguardo seu pedido no meu e-mail elioso@terra.com.br. É só escrever: - Chefe pode enviar o livro do tesouro?

               Será que eles encontraram o tesouro? E os fantasmas do Galeão Pirata iam deixar? Se Jericó era um tesouro que todos amavam e lá eram felizes para sempre iriam querer mais? E o escravo fugitivo Nabucodonosor qual foi seu papel na história? Grupo Escoteiro Mar da Galileia, onde a fraternidade, o respeito e o amor convivem lado a lado com a Lei e da Promessa Escoteira!         

domingo, 7 de dezembro de 2014

Meu primeiro curso Escoteiro foi inesquecível!


Conversa ao pé do fogo.
Meu primeiro curso Escoteiro foi inesquecível!

              Curso é curso, cada um que fez o seu primeiro eu sei que não esquece. O meu primeiro foi Inesquecível! Corria o ano de 1959, sênior com quase dezoito anos fui intimado pelo Chefe João a ir fazer um curso na capital. Os demais chefes do grupo não podiam ou não se interessaram. Desculpem era outra época. – Porque não? Pensei. A Região se prontificava a pagar a passagem e a taxa do curso. Bem sei que isto não acontece hoje em dia e algumas taxas são meio carinhas né? Mas naquela época era assim. Preparei-me como um louco. Afinal eu pensava que iam nos colocar em uma sala e ver se tínhamos conhecimentos técnicos para ser Chefe. Não perdi tempo, renovei meus conhecimentos em nós, sabia mais de quarenta nós Escoteiros e de marinheiro e precisava de mais. Fiquei dias praticando semáforas e Morse. Eu era bom nisto. Não só eu, mas todos os Escoteiros do grupo.

               Sabia a lei e a promessa de cor e salteado. Um perito em primeiros socorros, orientação pela bússola e pelas estrelas. Passo duplo e Passo Escoteiro era fichinha. Armava barraca com uma só mão, de olhos fechados e sozinho a de duas lonas eu armava em quatro minutos. Acreditem se quiserem. Lia mapas, tirava de letra um percurso de Giwell, exímio no uso do machado do lenhador e no uso do Traçador. Fazia com perfeição uma tala ou torniquete, Sinais de pista eu ria dos que estava nos manuais. Reconhecia boa parte dos habitantes da floresta só em ver suas pegadas. Na cozinha não era o Fumanchu, mas quebrava o galho num café sem coador, num arroz sem panela e no frango no barro. Revisei tudo. Tintim por tintim. Esses chefes da cidade grande e estes comissários iriam me conhecer. Embarquei numa terça às sete da noite no noturno da Vitória Minas. De uniforme é claro. Meu uniforme estava nos trinques. Sapato super engraxado (meu Vulcabrás de guerra), fivela do cinto brilhando, meu chapéu tinindo, meu lenço de fazer inveja.

               Fiz questão de colocar tudo que ganhei na camisa escoteira. Cruzeiro do Sul, Segunda Classe, Primeira Classe, trinta e cinco especialidades, Correia de Mateiro, Cordão Dourado, as duas tiras de Monitor no bolso esquerdo e meu distintivo da Patrulha Touro. Claro, do lado minha faca mundial e meu cantil francês. Sem esquecer o cabo para emergências. Fiz questão de colocar todas minhas estrelas de atividade. Só usava as de um ano. Eram dez. Quatro de lobinho, quatro de Escoteiro e duas de sênior. Vocês devem estar se perguntando, mas pode com dezessete anos e meio fazer curso? Se pode ou não eu não sabia. Meu Chefe me mandou e como bom Escoteiro disciplinado lá fui eu. Cheguei a capital no horário marcado. A pé e orgulhoso do meu uniforme e Chapelão desfilei da estação até a Av. Afonso Pena com minha mochila e sorrindo para todo mundo. Próximo ao Parque Municipal peguei o ônibus para o Zoológico. Às onze e meia cheguei ao portão. Um seta indicava o ponto de reunião. Seta mal feita pensei eu. Eu faria melhor!

              Não mais que dois quilômetros seguindo uma pista ridícula cheguei. Uns vinte e cinco alunos em uma sombra conversavam. Tinha Escoteiro do ar e do mar de diversos estados. – Pensei comigo: - Vou mostrar a eles que nós básicos somos os melhores falei para mim mesmo! Cheguei na roda, todos me olharam espantados e na melhor pose de um soltado inglês, juntei os cascos, fiz a saudação e gritei alto: Sempre Alerta! A maioria começou a rir. – Palhaços, eu pensei, não sabem o que é um Escoteiro de coração. Sentei em um canto, minha mochila verde da Policia Militar cheia com minha manta negra cheia de distintivos em volta. Tirei o cantil na melhor pose e bebi uma talagada d’água. Ninguém me pediu um “golinho”. Às doze horas em ponto ouvi um berro de um berrante. Não era berrante e depois fui saber que era o Chifre do Kudu. Putz! Que nome. Se falasse isto para os seniores iriam dizer que era um palavrão.

            Ninguém se apresentou. Formamos uma ferradura. Bandeira em saudação e oração. A equipe posta na frente se apresentou – Chefe Francisco Floriano de Paula, Chefe Darcy Malta e Chefe JF (João Francisco de Abreu). Sabia que seriam seis dias ali acampados. (naquela época nos cursos existia uma patrulha de serviço de meninos Escoteiros para ajudar a equipe).  Cada um deu um passo à frente e se apresentou. Quando chegou a minha vez, na melhor pose militar desfiei meu nome, onde nasci minha idade, meu tempo de escotismo, minha cidade e o JF fez sinal para eu parar. Explicações como seria o curso. Sistema de patrulhas em rodizio, responsabilidade e antes do debandar JF me chamou a frente a todos. Para minha vergonha disse em poucas palavras que um Chefe não usa seus distintivos como eu. Só poderia usar meu lenço, meu distintivo de promessa e mais nada. Me deu uma hora para tirar tudo! Ia mandar ele a M... Mas pensei bem e não o fiz.

               Quer saber? De todos foi meu melhor curso que fiz. Nunca o esqueci e tampouco os amigos que fiz lá. Hoje não lembro de ninguém a não ser o Az de Ouro, (nome preservado)  de Montes claros que sem perceber tínhamos grandes afinidades. Aprendi muito. Deixei minha soberba de ser o melhor. Deixei minha índole de não levar desaforo para casa. Mas quer saber o melhor do curso? Vocês não vão acreditar. Pela primeira vez deram para a patrulha fazer fritados de Bacon. Uma delicia. Nunca comi e nunca ouvi falar! Queria mais, mas a frigideira vazia. Chamei à tardinha o Az de Ouro. Perguntei se ele gostou. Ele disse que sim, como eu ele também nunca tinha comido. Eu era mestre quando jovem de roubar bananas na barraca de intendência. Agora sabia que precisava comer mais bacon. Valia tudo para conseguir uma fatia. Eu e ele pegamos um bom pedaço na barraca de Intendência e fomos longe do acampamento. Ali acendemos um foguinho, fatiamos o bacon e preso em um espeto o assamos. Deus meu! Que coisa gostosa! Quando contasse para a turma da tropa eles iriam morrer de inveja. Pena que durante mais de dois dias uma dor de barriga quase nos fez abandonar o curso.


               Bem foi meu primeiro curso. Chamava CAB (Curso de adestramento básico) caminho para a Insígnia da madeira. Na época seis dias, minha insígnia foram nove dias. Hoje? Mesmo preso em um alojamento, ou em barracas, comida pronta deve acontecer muitas delicias no curso. Mas fazer um acampado, sistema de patrulhas, cozinha, pioneirias, correr pela mata de madrugada ao ouvir o som do Chifre do Kudu (A tropa deu excelentes gargalhadas), cantar dentro do lago, fazer um ninho de águia são coisas que a gente não esquece. Quer saber? Valeu. E como valeu. Nunca guardei animosidade com o JF. Só um dia em uma cidade no Vale do Aço, ele lá, metido a bacana com sua insígnia, mandou tudo mundo fazer um monte com seus chapéus. O jogo seria ver quem seria o ultimo a achar o seu. Antes de ele dizer o jogo já começou guerra, corri lá e peguei o meu. Ele me olhou enviesado. O meu não. O meu não. Você não sabe como é difícil manter as abas retas meu amigo!