Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

SENIORISMO, UM DESAFIO!



SENIORISMO, UM DESAFIO!

A brisa da noite era gostosa e convidava a ficar ali apreciando o silencio. O céu estava cheio de estrelas e podíamos ver os satélites que iam e vinham na imensidão do universo. Aquele fevereiro prometia. Não houve chuvas e o Acampamento Sênior tinha tudo para dar certo, pois se o tempo ficasse firme o programa estava fadado ao sucesso!

Estávamos acampados em um parque do Estado, na área mais distante, onde o público não tinha acesso e a floresta de eucaliptos totalmente agreste se misturava a outras vegetações mostrando que quando a natureza não é interrompida ela se faz. Corria o ano de 1963.

Dentro da floresta havia uma antiga estrada de ferro e sabíamos que ligava duas usinas de produção de cimento, hoje desativadas e abandonadas. Três vagões estavam e guias na hora. Empurrar um vagão na subida e marcar o tempo na descida. Diversão das boas. Eles e elas se divertiam à beça e a anarquia organizada era o sabor de aventura e de sucesso na atividade.

No dia anterior, uma atividade aventureira, programada com antecedência, mas em local desconhecido foi realizada. Receberam mapas, croquis, e até breve. Vamos ver qual a primeira Patrulha chegaria a Lagoa do Marfim. Iniciamos com o nascer do sol e terminaria com o pôr do sol. Neste período, Só nós os chefes ficamos no acampamento. Nada para fazer porque não “pioneirar?” (fazer pioneirias). Chegaram no horário programado. Cansados, banhos na lagoa, jantar.

A noite um fogo sem muita pretensão. Todos estavam cansados e ainda teríamos mais três dias de campo. Após uma atividade noturna, alguns se recolheram e outros ficaram ali conversando em volta de uma pequena fogueira e muitos assuntos foram comentados. Sorrisos não faltaram até que o último Sênior e a última guia resolveram ir dormir.

Fiquei eu duas chefes femininas e mais dois chefes masculinos. Calados, deitados em cima de uma lona, em volta do fogo, olhando o céu, as estrelas, os satélites. A imensidão do universo era um espetáculo à parte. Até um ou outro cometa foi visto varando o espaço onde a vista podia alcançar. Ali estava visível em toda sua nitidez, o “escorpião”, as “três Marias” o “Cruzeiro do Sul” e tantas outras constelações nossas conhecidas. Um dos chefes comentou sobre a beleza do universo e o total desconhecimento da nossa civilização em saber a mínima parte do que ele é e até onde podemos ir e entender. Já estávamos filosofando. A grandeza de tudo aquilo era esplendida, mas totalmente incompreensível.

Eu, inerte e olhando também para o alto, deixava meu pensamento ficar a vontade, sem forçá-lo a uma busca do desconhecido. Uma coruja piou num carvalho próximo. Atraiu nossa atenção. Voltamos à realidade. Era um acampamento Sênior com uma Patrulha de Guias. Não podíamos nunca se esquecer de tudo que estávamos vendo e que Deus está presente ali em toda a sua plenitude. Só não vê quem não quer. Não era o meu primeiro acampamento. Ouve outros. Meu aprendizado estava seguindo o curso normal.

Após algum tempo, em que não se pode medir, voltamos à realidade e as conversas avançaram até altas horas da noite. Comentávamos as dificuldades em manter na ativa aqueles jovens, cujo programa era difícil de manter. Nosso Conselho de Tropa funcionava muito bem. Quase todos vieram da Tropa Escoteira com exceção de três. Eram três patrulhas com cinco seniores em cada uma e uma de guia com seis jovens. No ano anterior eram só três.
  
Todos os dirigentes das duas tropas eram jovens, na faixa dos seus 24 a 28 anos, inclusive eu. Tínhamos facilidades em estar junto a eles em atividades paralelas principalmente com suas famílias onde sempre fomos bem recebidos. Sentíamos dificuldade em manter um padrão de programas aceito e feito pôr eles. Divertiam-se muito nas atividades e adoravam os acampamentos e excursões programadas. No entanto as reuniões de sede não eram bem sucedidas.

No segundo dia do acampamento pela manhã, tivemos uma bela surpresa. Chegaram três ônibus cheios de jovens, uniformizados e a principio achamos ser algum grupo aproveitando o feriado prolongado. A surpresa foi maior, pois não eram do Movimento Escoteiro e sim Desbravadores. Cerca de 150 jovens, na faixa etária de 9 a 18 anos. Moças e rapazes. Junto, uns 20 adultos, mães, pais e chefes.

Estranharam a nossa presença, mas logo nos entrosamos quanto à divisão do local. Os seniores estavam mais afastados, dentro da própria mata e a chefia um pouco fora da área mais aberta. Mais próxima aos seniores. Havia sem problemas local para todos. Mas como seus sistemas diferiam do nosso uma área aberta próximo ao campo da chefia seria essencial. Os mais velhos montaram barracas grandes e uma cozinha que deduzimos ser para todos. As atividades mostravam que o Sistema de Patrulhas era totalmente desconhecido.

Alguns ficavam com os menores e outros com os maiores, andavam para ali para lá, cantavam hinos faziam um ou outro jogo e na maioria das vezes ficavam sem fazer nada. Aos poucos começaram a observar os seniores. Os padrões, o método e querendo aprender foram se aproximando e as amizades foram feitas com facilidades. No terceiro e penúltimo dia, os seniores já estavam formando patrulhas entre eles, dando atividades técnicas enfim, nosso programa foi totalmente alterado e aceito pela chefia, pois era um novo desafio. Não se discutia religião. Ali a fraternidade falava mais alto.

Até o fogo de Conselho que era considerado uma tradição foi alterado. Fizemos em conjunto com os Desbravadores. Eu que não gosto muito de tais tipos de Fogo de Conselho, me diverti a beça. Para eles foi o máximo. No último dia participaram conosco na Cadeia da Fraternidade. Uma grande emoção para os participantes. Pelas lágrimas de ambos os lados, sentia-se a confraternização de dois movimentos que parecia um só. Não sei o resultado para eles, mas para nós foi uma injeção de ânimo que perdurou pôr muitos meses. Durante certo tempo recebemos as visitas deles assim como as patrulhas também os visitaram.

Acho que valeu. Não sei se isto é um desafio Sênior. Hoje tem muitos. Mas quando volto naquele acampamento, fico pensando se aqueles seniores e guias que ali estavam lembram-se dele até hoje. Acho que sim. São fatos assim que marcam e que não esquecemos nunca. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Olá Moço, desculpe, mas não posso aceitar!



Olá Moço, desculpe, mas não posso aceitar!

Obrigado pelo convite. Sei que ele é sincero. Sabe, eu tenho pensado sobre isso. Já tive outros que disseram que eu devia participar. Mas confesso que estou em dúvida. Por quê? Olhe um dia no passado eu tinha um caderno, meu pai comprou para mim. Um lindo caderno. Mas a capa! Oh! Moço. A capa era linda. Muitos escoteiros em uma montanha, bem perto do céu, com uma linda bandeira do Brasil desfraldada. Era incrível Moço! A “coisa” mais linda que tinha visto.

Pensei logo em ser um deles. Já pensou? Um dia eu lá com aquele lindo uniforme, com aquele chapéu “bacana”, correndo pelas campinas com a minha querida bandeira do Brasil desfraldada ao vento? Pois é Moço. Eu queria mesmo ser um deles. Pensava e sonhava com grandes aventuras, sabe Moço. Dormir numa barraca? Era meu sonho Moço. Lá na floresta bem longe da civilização. Olhe Moço, queria ouvir o cantar da passarada e tomar um banho gelado na cascata. Acredite Moço, queria ver os peixes, ouvir a voz do vento, sentir o cheiro da terra que aqui na cidade não tem. 

Então Moço, eu ia sorrir, gritar e cantar com minha Patrulha, e sabe mais? Eu ia usar a minha machadinha que iria comprar, queria mesmo construir belas construções que vocês dizem ser pioneirias. Queria com meus amigos fazer um jogo cheio de aventuras, quem sabe a busca do Tesouro? Assisti a tantos filmes que pensava que seria maravilhoso encontrar enterrado na encosta do morro do Papagaio um tesouro que foi escondido a muitos e muitos anos na gruta do Pirata.

Pois é Moço, um amigo me contou que a noite eles acendem uma fogueira, que cantam que riem que olham para o céu e sabem de cor todas as constelações. Quando ele dizia isso eu vibrava. Mas Moço, não foi isso que encontrei. Não foi mesmo. Meu pai me levou um dia a um Grupo Escoteiro. Moço, Moço, foi triste. Nem apresentado aos outros eu fui. Jogaram-me em uma Patrulha. Não fui bem recebido. Mas Moço foi triste mesmo. Só o "Chefe" Escoteiro falava. Ninguém dizia nada. O tempo todo o "Chefe" Escoteiro dizendo, faça isso faça aquilo.

Aí Moço eu fiquei mais triste ainda. Levavam-me para a cidade desfilar, plantar árvores, ir em atividades que não me agradavam. O pior Moço é que o uniforme que sonhei ficou na terra do nunca. Deram-me um lenço Moço. Um lenço. E o chapéu? Aquela calça caqui e a camisa?  E o cinto de couro? Não Moço não era mesmo o que sonhei. Tudo bem Moço. Podíamos sim fazer isso se tivesse as outras coisas que sonhei um dia encontrar ali. Olhe Moço, eu queria mesmo aprender sinais de pista, sinais de longas distancias, queria aprender dezenas de nós. Queria mesmo aprender a usar o facão, a armar sozinho a barraca, mas veja o Monitor não deixava. Era ele quem fazia tudo quando o "Chefe" Escoteiro não estava junto.

Então Moço resolvi não ficar mais lá. Moço, foi difícil tomar esta decisão. Fiquei somente seis meses e olhe que muitos que entraram comigo e depois de mim também saíram. Neste tempo Moço só tive um acampamento. E o pior Moço. Perto de muitas casas. Foi ruim mesmo. Não fizemos nada. Alguns pais faziam tudo. Bem gostei do tal jogo da lama, mas sempre o mesmo moço. Sabe moço, se o "Chefe" Escoteiro tivesse me perguntado eu diria para ele o que eu queria encontrar quando entrei na Patrulha. Diria para ele o que sonhava. Em ir a um acampamento de verdade. Mas ele Moço nunca me perguntou. Era ele quem decidia tudo. Triste, muito triste Moço.

Obrigado mesmo Moço. Sei que seu convite é sincero. Mas agradeço. Não dá mesmo Moço. Até meus amigos de turma do bairro dão risadas quando falamos em ser escoteiros. Eles dizem que seus programas são melhores e quem sabe são mesmo Moço? Olhe, estamos juntos com a turma há muitos anos. Só o Neném que foi embora da cidade não está lá mais. E sabe Moço? Lá não tem chefes!

Quem sabe Moço quando crescer eu mesmo vou ser um "Chefe" Escoteiro? Aí Moço eu vou deixar que os meninos que ali entrarem encontrem seus sonhos que fizeram quando resolveram participar. Moço, eu vou deixar eles decidirem quase tudo. Vou mostrar a eles a capa do meu caderno que guardo até hoje e dizer: Podem sorrir turma, agora é para valer! Segurem nossa bandeira, desfraldem-na contra o vento, pois vamos para o nosso acampamento e lá vamos viver mil aventuras!

Obrigado mesmo Moço. Desejo tudo de bom para o senhor. Quero acreditar que outros meninos vão aceitar seu convite, mas eu Moço, não posso. Infelizmente são diferentes dos meus sonhos e olhe moço, não fique triste, seja feliz e aceite o meu Sempre Alerta, de um menino triste que foi Escoteiro por seis meses e não encontrou a felicidade dos seus sonhos! Adeus, adeus Moço!

terça-feira, 17 de abril de 2012

O politicamente correto


O caráter é como uma árvore e a reputação como sua sombra. A sombra é o que nós pensamos dela; a árvore é a coisa real."
(Abraham Lincoln)

O politicamente correto

O politicamente correto (ou correção política) se refere a uma suposta política que consiste em tornar a linguagem neutra em termos de discriminação e evitar que possa ser ofensiva para certas pessoas ou grupos sociais, como a linguagem e o imaginário racista ou sexista. O politicamente incorreto, por outro lado, são uma forma de expressão que procura externalizar os preconceitos sociais sem receios de nenhuma ordem. 

 Estou boquiaberto! Um "Velho" Escoteiro, com 65 anos de escotismo, 71 de idade que não tinha ainda estudado e visto o que significava o Politicamente Correto. Mas como? Pergunto-me. Nunca tinha visto nada igual até hoje. Será que não é coisa da UEB? Risos. Brincadeira.  Bem ainda dá tempo de aprender. Todos sabem que sou uma oposição sadia da UEB. Sempre lutei para que ela fosse forte, grande e atuasse como nós esperamos no aumento quantitativo e qualitativo dos jovens em nossa nação. Claro, interpretações a parte e direito de expressar, nada posso fazer se não usar minhas armas. A ESCRITA. As outras, lutando em campo aberto eu o fiz por longos anos. Agora não dá mais.

Depois de tanta celeuma me pergunto de algumas fotos divertidas de jovens com uniforme “diferente” postadas no face, será que os politicamente corretos já leram a literatura da composição da UEB? Sabem como funciona sua estrutura? O que faz a Assembleia Nacional? Elege quem? O que é o CAN? E como é eleito o DEN? Sabem o nome do Presidente e vice do DEN, conhecem pelo menos dois delegados nacionais em sua região? Será que já leram e compreenderam os Estatutos da UEB conhecem bem o Regimento Interno?

Tem uma boa noção do POR e tomaram conhecimento das novas Normas Disciplinares com informações e determinações sobre como deve agir as Comissões de Ética recém-aprimorada? Nisso a UEB é “batuta” Taxativa! Errou paga! Risos (só faltou dizer como a pessoa seria... melhor esquecer). Sei que centenas que vão ler este artigo sabem tudo isso. Dirijo-me aqueles que são politicamente corretos e discordam de todos e ficam de olhos fechados para o que acontece em sua volta.
    
Pergunto-me se sabem a quem a UEB é afiliada mundialmente, se existem outras organizações mundiais? Conhecem as outras organizações escoteiras que existem no Brasil e no Mundo? Como funcionam? Mas deixo de lado esta complexidade. Vou mais fundo. Será que já analisaram as causas da evasão no movimento Escoteiro? Que a cada um que entra sai outro? Culpa de quem? Outro dia li que em cada adulto que sai saem cinco jovens com ele e o mesmo acontece na entrada. Não seria uma evasão prejudicial? Já viram isso em seus grupos?

Pergunto-me se nas matilhas os lobinhos e lobinhas (mais de oitenta por cento) permanecem por mais de dois anos na alcatéia? E as patrulhas? Bem adestradas? Pelo menos setenta por cento com mais de três anos continuam na tropa? Monitores bem formados? Capaz de liderar como ser liderado? Será que cada um deles na Patrulha tem pelo menos dez noites de campo por ano? Será que pelo menos trinta por cento da tropa atingem o grau Liz de Ouro? E as patrulhas seniores/guias tem o mesmo número da tropa ou estão naquela de uma ou duas? E o Escoteiro da Pátria, pelo menos vinte por cento deles alcançam?

Pergunto-me se os jovens sugerem seus programas anuais? Se a democracia no grupo existe com um Bom entrosamento Conselho de Chefes/Diretoria? Do Grupo Escoteiro para outro assunto. Pergunto-me. Será que agora estão satisfeitos com tudo que vem das autoridades escoteiras? Ela é infalível? Um deles me disse que o local para discutir é a Assembleia Regional e Nacional. Pergunto-me, sabem como chegar lá? Para ter voz e voto? Conhece quantos que são delegados nacionais? E do seu estado? É fácil ser eleito? Pergunto-me se eles não gostariam de ser consultados sobre algum tema importante que são impostos sem consulta?

Sobre a Assembleia, pergunto? – Já estiveram lá? Teve oportunidade de discordar e apresentar novas sugestões e essa ser aprovada? O tempo das discussões é suficiente para artigos importantes? Agora mesmo irão apresentar o tal novo uniforme ou traje. Como vai ser? Quem foi o autor da ideia? Um só? Mais de um? Mas somos 67.000 será que os jovens não interessam em opinar? Afinal eles é quem irão usar tal traje.

Poderia perguntar mais, se estão questionando, se estão ao par como são eleitos e escolhidos os dirigentes nacionais? Pergunto-me se aqueles que dizem que o importante é o jovem já viram e conhecem os resultados do seu grupo na comunidade em que residem? Homens e mulheres de caráter em número razoável para dizer a todos que o escotismo é uma forma de formação de caráter e estão a batalhar junto às autoridades em beneficio do escotismo local?

Claro que muitos dirão que sim e vou acreditar. Tem mesmo boa parte dos nossos escotistas que lutam por um escotismo melhor. Mas saibam que até 1978/80, nosso efetivo era de mais de 45.000 membros. Trinta anos depois temos 67.000 e isto com a entrada do movimento feminino que deveria ter dado um substancial aumento (alguns discordam deste numero). Ninguém até hoje analisou do porque nestes trinta anos não crescemos. Por quê? O programa não era bom? Mas foram os notáveis que mudaram.

Minha luta vai continuar. Não concordo com nosso sistema. Ele não nos dá o direito de escolha. Agora mesmo em uma lista que participo, onde tem bons escotistas opinando, são todos de opinião que precisamos mudar, mas ninguém sabe como. É como os deputados e senadores que quando aparece projetos ou leis que podem interferir em suas “lambanças” engavetam. Sabiam que no Congresso Nacional menos de 0,5% do nosso efetivo votam e decidem? Isto não existe em nenhuma democracia plena.

Mas que venham os politicamente corretos. Só espero que daqui a vinte, trinta cinquenta anos eles estejam ainda no escotismo. Para verem se acertaram ou se erraram. Baden Powell (BP) sempre disse – IMPORTANTES SÃO OS RESULTADOS. Que eles sejam bons, pois até agora produzimos muito pouco em termos de quantidade e qualidade.

Tenho ouvido e conversado com muitos escotistas de norte a sul do Brasil. Um deles me disse que um colégio eleitoral (no caso nossas assembleias) é sistema típico de ditaduras. De regimes de exceção. Continua ele – O atual sistema de escolha dentro da UEB beneficia somente, e tão somente os grupos que se revezam há décadas no poder em todas as esferas. Continua ele – Articulações politicas e de interesse são fatos. Por óbvio que é mais fácil garantir votos com meia dúzia de associados ”delegados” votando do que deixar na mão de todos os adultos envolvidos no Movimento Escoteiro.

 Acha ele que os pais dos jovens servem para bancar seus filhos no ME, mas não para decidir o destino dele. Outro amigo diz – Falar de propostas no Congresso é uma bobagem. As que são aprovadas ao nível regional são levadas a nacional e pronto. Não tem ali como fazer propostas ou se dar voz a ninguém. Exceto para fazer alguma pergunta a um palestrante sobre alguma novidade e que em geral, são respondidas com uma tremenda má vontade, em especial se a pergunta questiona a validade do que sendo feito.

Continua ele (é um participante ativo nestes congressos) – Poderia mencionar as tais “reuniões” e “almoços” reservado à cúpula. Ali é que são costuradas as politicas os conchavos. Lembra ele o que aconteceu Brasília no último Congresso. Uma comissão de notáveis com portas fechadas para ver se conseguiam apoio para candidatos ao CAN entre outros temas importantes. Rindo ele disse que as assembleias servem sim, para rever amigos, turismo, pois a realidade é bem diferente do que se espera de uma verdadeira estrutura democrática. Termina dizendo – Não se pode fugir das influências. O poder está na mão de meia dúzia.
"Bom caráter é para ser mais enaltecido do que talento extraordinário. A maioria dos talentos é de uma certa forma um dom. Bom caráter, em contraste, não nos é dado. Temos que construi-lo peça por peça... por pensamentos, escolhas, coragem, e determinação." 
 (John Luther).

Escotismo e assistencialismo



Escotismo e assistencialismo

O assistencialismo é a ação de pessoas, organizações governamentais e entidades sociais junto às camadas sociais mais desfavorecidas, marginalizadas e carentes, caracterizada pela ajuda momentânea, filantrópica, pontual (doações de alimentos e medicamentos, por exemplo). Tal prática, desprovida de teoria, não é capaz de transformar a realidade social das comunidades mais pobres, pois atende apenas às necessidades individuais e a ajuda é feita por meio de doações. A falta de mudanças estruturais significativas não tira os necessitados da condição de carentes, pois não há elaboração projetos e políticas assistenciais. Um dos problemas suscitados pelo assistencialismo é a conservação da situação de carência das camadas marginalizadas por finalidades político-econômicas, visto que, por ser uma prática de doação, é um ótimo meio de construção de uma imagem favorável dos doadores em relação a certos públicos (principalmente os mais desinformados). (definição de Fabio Procópio, retirado em seu blog na internet).

O escotismo procura atual individualmente na formação do jovem, deixando que ele próprio tome a iniciativa, com a colaboração de um adulto dentro dos padrões que nos deixou Baden Powell (BP). A formação simples, vivenciadas em atividades mateiras, pretende colaborar com a família, a escola e a sua religião. O método é simples, com atividades ao ar livre, deixando que o jovem aprenda a fazer fazendo. Seus objetivos são a formação de homens e mulheres dentro da sociedade, visando uma integração sadia, formada de caráter, ética e ajuda ao próximo.

Não pretendo polemizar sobre uniforme, quem pode e quem não pode. Dou o assunto como encerrado. Para mim a maneira de fazer fazendo é simples, pois atuei muito em comunidades carentes com resultados excelentes. Filho de sapateiro sei muito bem o que é sonhar com um uniforme, participar desta grande fraternidade. Quando jovem toda a tropa era composta de jovens carentes, mas fizemos um belo escotismo. Sempre considerei que os menos aquinhoados também tem seus sonhos e nós devemos fazer tudo para dar a eles a oportunidade que tivemos
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No entanto hoje muitos se justificam com um uniforme simples, considerando que isto vai dar oportunidade a todos que adentram as hostes escoteiras, principalmente os que não tem condição financeira para se manterem. É uma polêmica que não quero participar mais e que aceito que os voluntários que assim pensam continuem a trabalhar conforme reza sua consciência. Infelizmente, o tal traje está sendo muito bem aproveitado por aqueles em melhores condições financeiras, e não pelos mais pobres, haja visto que em Jamborees ou encontros nacionais ou regionais, lá estão rapazes e moças alegres, sorridentes com seus trajes coloridos e dispenderam uma boa quantia para estarem ali. (Nada contra, apoio total).

Certo ou errado, acredito que sem as bases sólidas que o escotismo oferece, vivenciando uma alcatéia dentro da mística da Jângal, com número razoável de chefes atuantes sem pensar em quantidade e com patrulhas bem formadas, bons monitores, e muitas atividades ao ar livre, permanência por pelo menos mais de dois anos como membro Escoteiro, sabendo que os pais entendem e aprovam sua participação, este é o escotismo que acredito e assim sendo o uniforme é um mal menor.

Que cada um defina o que considera importante na formação escoteira, e neste caso o uniforme ou traje deixa de ter para mim a importância na condução de um grupo Escoteiro. Como dizia Baden Powell (BP), O RESULTADO É QUE É IMPORTANTE!

sábado, 14 de abril de 2012

APRENDER A FAZER FAZENDO



APRENDER A FAZER FAZENDO

           Uma das máximas do escotismo tão importante e que BP sempre enfatizou, diz que nós chefes escoteiros devemos fazer de tudo para que nossos monitores conduzam a própria patrulha. Quando um escotista está sempre olhando se preocupando, não deixando que eles façam sempre para aprender, é um erro e foge copletamente do mais puro e mais correto ensinamento que temos.

         Aprender a fazer fazendo. Hoje as escolas, organizações e até universidades usam esse método e estão tirando proveito, mais que nós escotistas cujo fundador foi o idealizador do método. E ainda tem alguns educadores que nos chamam de um movimento atrasado e ineficaz. Afinal existe maneira melhor para aprender? Errar quantas vezes for até fazer o certo?

         Existem diversas maneiras para fazermos isto. Primeiro, dando a eles toda a liberdade para programar o programa, ficando a cargo da chefia somente elementos surpresas e condições físicas e ambientais. Outro dia, comentava com um jovem sênior, sobre o programa da tropa, e ele me dizia que a chefia fazia tudo. Perguntei se ele não opinava e me disse que não, pois assim havia surpresa no programa. Finalizei perguntando se no ano anterior quantos entraram e quantos tinham saído? Sua resposta – Somos somente quatro. Os demais saíram e ninguém entrou. Aí veio a realidade. Ali nunca foi dado aos seniores a liberdade de aprender a fazer fazendo. Tanto fizeram para eles que resolveram sair.

        Uma guia me respondeu que nunca pensaram em fazer nada. O chefe fazia tudo, assim ficava mais fácil. Elas não tinham de se esforçar, havia sempre um ar de mistério e todos gostavam. Perguntei como sempre, - Quantos voces eram no ano passado? O mesmo número de hoje, somos seis, claro, sairam quatro e entraram quatro. Não perdemos nada!

       Como não existem bons programas que despertem seus interesses e os mantenham na ativa, ficam sempre comentando, programando, e contando os dias de alguma atividade regional ou nacional. Não tiveram outra em suas tropas que marcaram e pedem bis. Alí nessas atividades eles se realizam, não pelo programa em si, mais pela amizade e fraternidade. Ali nada farão a não ser divertir. Tudo já está pronto, até as refeições. A Direção programou tudo. Desde a chegada ao término. Tudo feito de antemão. Eles serão um “Bon vivant”. Ou seja, “Comemos e bebemos, a Deus agradecemos”.

        Sempre em toda minha vida escoteira, tentei mostrar as vantagens de deixar os jovens fazer. Seja seu crescimento individual, sua evolução técnica. Sempre lembrei a todos, sejam os escoteiros ou as escoteiras tinham e tem em seus bairros ou ruas amigos de infância, que se encontravam sempre, faziam seu próprio programa e ficavam eternamente juntos. Nenhum deles jamais reclamamou do programa que planejaram ou fizeram. A “turma” ficava unida por muitos e muitos anos.

       Em artigo aqui comentei e repisei sobre o programa da tropa. A patrulha tem condições para fazê-lo. Muito mesmo. Claro, não todo ele, mas boa parte sim. E alguns até me disseram que o programa seria ruim, e eles poderiam não gostar. Mas voce já tentou? Pelo menos tentou? Agora não é somente em uma ou duas reuniões que voce vai conseguir motivá-los. Isso é como se fosse uma pescaria. Tem de escolher a isca, a vara e o local onde vai pescar.

       Pela minha experiência em tropas, sempre vi que os jovens que fazem seu próprio programa, ficam mais tempo no escotismo. Facilitam sobremaneira o desenvolvimento de uma atividade, onde a técnica e o conhecimento adquirido é desenvolvido corretamente. Se voce usa bem a Corte de Honra, se sua tropa faz semanalmente um Conselho de Patrulha e se voce tem sua patrulha de monitores bem formada, voce sabe como é. Sucesso na certa. 

      Por experiencia própria, as tropas que atuam dentro do método, tem melhor desenvolvimento e se orgulham do que fizeram. Observe a alegria de uma patrulha que fez uma mesa mesmo que torta e quase caindo e outra olhando o chefe fazer. A arte de aprender fazendo tambem se aplica ao programa da tropa. Muitos chefes alegam que eles não entendem, não sabem como fazer, e acha que tudo vai dar errado com muitos meninos saindo por esse motivo.

      Esqueçam o “Não vão dar – É impossível – Eles não sabe escolher e programar” isso não é verdade. Claro não é de um dia para outro que o chefe terá os resultados esperados. Aprender a pescar demora. Talvés o chefe que ainda não conseguiu não deu a isca certa.

      É preciso lembrar que nosso movimento tem características próprias. Colocar jovens em forma, marchar, perfilar, saudar, gritar e cantar conforme já disse, qualquer um com boa postura e vóz de comando consegue. Mas esse não é o chefe que esperamos ter. O chefe que precisamos é aquele calmo, que fala pouco, que confia é um irmão mais velho, um aconselhador, tutor, não o dono de tudo. E ainda tem aqueles que dizem – Esta é minha tropa, esta é minha patrulha, este é meu monitor, esta é minha escoteira. Caramba comprou tudo?  

      Experimente. Dê um prazo para voce e para eles. Com o tempo irá se surpreender. Se mostrar aos monitores onde devem chegar, eles chegarão lá sem sombra de duvida. Confiar faz parte do método. Quem ensina e forma é o monitor. Você sim é o monitor dos seus monitores.

       Se isso acontecer, irá ver maravilhas no crescimento de sua tropa. Tenho certeza que a evasão irá diminuir muito. Os amigos que não participam iram interessar e em pouco tempo as vagas serão preenchidas e a fila de espera irá crescer. Torno a repetir que entra ano e sai ano, o melhor programa é feito pelos jovens em seus bairros, na sua comunidade junto com seus amigos. Se for um programa ruim ou não eles gostam e estão lá sempre participando. Acredito que voce não viu nenhum adulto lá com eles fazendo o programa e eles assistindo. Tenho certeza que não.

      Quando a tropa caminha com suas próprias pernas, quem ganha são os jovens e voce. Eles porque estão aprendendo o que o escotismo se propós, voce porque vai ter mais tempo para eles e para sua familia. Experimente não custa nada tentar. E vai se surpreender com os resultados.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Parábola da Televisão, Internet, Celular e o Acampamento. A lição de Olhos Azuis Profundos!



Parábola da Televisão, Internet, Celular e o Acampamento.
A lição de Olhos Azuis Profundos!

Olhos Azuis Profundos chegou a sua casa aborrecida. Todos os dias a rotina era a mesma. Escola, amigas, casa, TV, internet e seu inseparável celular que lhe fazia companhia vinte e quatro horas por dia. Queria mudar. Fazer outra coisa. Mas fazer o que? Entrou e quando chegou à porta do seu quarto ouviu alguém conversando. Quem era? Ninguém podia entrar ali. Seus pais, seu irmão sabia que ela não aceitava intrusões em seu quarto. Queria privacidade.

Abriu a porta devagar. Viu a Internet falando. Junto a Televisão e uma Barraca imaginária. Depois soube que era o símbolo do acampamento. Dizia a Internet: - Ainda bem que Olhos azuis Profundos têm a mim. Dou diversão a ela o tempo todo. Comigo ela viaja pelo mundo, conversa com os amigos, faz trabalhos escolares e me lendo pode até sonhar! Todos riram da Internet. Deixa disso metida, disse a Televisão.

- Olhem quem dá ela as novelas? Quem deixa ela ver em uma tela grande seus filmes preferidos? Quem lhe dá opção de deitada ou descansando em uma poltrona ao simples toque de um controle escolher os melhores canais do mundo? E olhe, se ela dormir, ou cochilar eu não paro de funcionar. Fico colocando em sua mente tudo que passa em mim. – Uma revolta se apossou do celular que estava em sua mão.

- Ele gritou e esbravejou. – Metida e metido! Podem cair fora! Eu sou o preferido dela. Afinal ando em sua bolsa, em sua mão, ela faz de mim o que quiser. Conversa com amigas, lê suas mensagens, passeia no Face book e no Orkut comigo e quando quer acha em mim todos os canais que você Televisão soberbamente se jacta de ter! Eu sou o único. O seu preferido. Quando não me tem a mão ela chora. Reclama. Por isto tenho que estar sempre presente.

O acampamento estava calado. Era humilde. Nunca se revoltou. Agora mais triste se sentia, pois só falavam em novos tempos. Sabia que Olhos Azuis Profundos não era Escoteira. Pensou em nada dizer. Mas ele sabia de sua importância. Pediu se podia falar. A Internet, a Televisão e o Celular riram bastante. O que uma barraquinha “mixuruca” tem a dizer? O acampamento era educado. Não gostava de jactar-se. Nunca fez isso. Sabia de sua importância para quem o conhecia.

- Eu meus amigos, poderia oferecer a ela o perfume das flores silvestres. Poderia mostrar a ela a mais bela e misteriosa flor da floresta, o desabrochar de Orquídea branca lá em cima da montanha no carvalho centenário. Ela iria ver os olhos brilhantes como os dela na Coruja da noite.  Poderia mostrar a ela a beleza do Balé dos Beija Flores na primavera. Ensinar a ela a seguir as estrelas brilhantes no firmamento. Quem sabe um passeio de sonhos na Via Láctea? Iria ensinar a ela a reconhecer as estrelas, que sabe a Alfa-Centauro? Já pensou ela ver a chuva caindo na mata? Leve, calma como se fosse uma linda sinfonia imperdível aos ouvidos de um mateiro. E a noite iria cantar com ela em volta do fogo junto a tantas amigas que lá estarão.

- E continuou – Ela iria sorrir com o nascer do sol, e maravilhar-se com o por do sol, iria jogar, passear, fazer jornadas, ter uma fome tal que comeria um elefante o que não faz agora. Iria tenho certeza maravilhar-se na piracema, a ver os peixes saltitantes na cascata da nevoa branca, tentando alcançar o inatingível.  Ela meus amigos iria sentir orgulho de sí mesma. Não seria mais dependente, pois ali iria aprender junto à natureza uma vida de aventuras. Ela iria colocar uma mochila e partir para um mundo de sonhos, onde nada estava previsto. A descoberta seria dela. Ela iria aprender a fazer fazendo e depois meus amigos quando retornasse, ela saberia que o escotismo e eu poderemos lhe oferecer muito mais.

- O Acampamento com tristeza disse para terminar – Nossa jovem meus amigos em breve terá as pernas e os braços atrofiados. Ela não anda mais. Agora viajam com voces vendo outros fazerem e ela nada fazer. Sua mente irá desaparecer na loucura do tempo. Nunca irá ver Deus em plena natureza, na cascata do riacho, nas campinas verdejantes, na noite e no amanhecer de um novo dia. Eu fico triste por ela. Triste porque só ela pode dizer sim ou não e voces e eu somos meros coadjuvantes! E sabem? Fico triste por voces, pois se a luz faltar e a bateria acabar voces desaparecem como o vento na tempestade. Eu? Nunca vou desparecer, com chuva ou não, tendo eletricidade ou não. Eu sou a mão de Deus aqui na terra!

Olhos Azuis Profundos suspirou fundo. Nunca imaginou que aquela barraca era tão sábia. Quem era ela? Escoteiros? Já tinha ouvido falar. Tomou uma decisão. Procurou na Internet endereços de um Grupo Escoteiro. A Internet riu com orgulho. Ligou a TV e viu um belo acampamento passando em um canal. A TV deu gargalhada. Chamou pelo Celular uma amiga que conhecia outra que era Escoteira. O Celular explodiu em felicidade.

Olhou para o Acampamento e disse meu amigo, você me convenceu. Vamos acampar? E lá foi ela com o acampamento, sua nova mochila e deixando para trás a Internet, A Televisão e o Celular. Eles tentaram reclamar, mas Olhos Azuis Profundos disse – Não vou levar voces. A natureza não pode se misturar a modernidade. Verei Deus ao meu lado e poderei sonhar com uma viagem nas estrelas brilhantes e quem sabe, pegar uma carona em um cometa azul? Mas eu volto, sempre pensando no meu amado e adorado acampamento. Adeus, ou melhor, até logo meus amigos eletrônicos, que surgiram com a natureza, pois foi ela quem fez voces!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Que susto! “eita” Pesadelo.



Que susto! “eita” Pesadelo.

Ainda bem que foi um pesadelo. Ainda bem. Estou com a respiração ofegante até agora. Que coisa senhor. Um pesadelo horrível! Acho que vou até passar mal quando me lembrar de tudo novamente. Vou rezar bastante para que isso não aconteça nunca. Acontecer o que? O que meu pesadelo me mostrou o que seria o escotismo no futuro. – Mas afinal que “raios” de pesadelo é este? – Calma. Deixe-me recuperar o folego primeiro e conto para você.

- Sente-se aqui na beira da cama e vou contar. Mas lembre-se foi só um pesadelo, nunca isto vai acontecer conosco. Juro que não vai acontecer.

- Fui dormir ontem muito tarde. Fiquei escrevendo histórias escoteiras até de madrugada. Como não tinha jantado, preparei dois ovos estrelados e comi com feijão inteiro e farinha torrada. Adoro isso. Mas foi o que me fez mal. Dormi e meu corpo doía. Acordei – Lembrei-me que era dia de reunião. Estava agora acordando 30 anos depois! Eu já não era mais do Movimento e tinha prometido fazer uma visita ao meu antigo grupo. Afinal me considero um antigo Escoteiro. Claro que sim! Fui lobinho, Escoteiro, Sênior e fiquei mais três anos com assistente na tropa Escoteira.

Tomei um banho, vesti meu antigo uniforme caqui com chapelão e lá fui eu cantando – “Põe tuas mágoas bem no fundo do bornal e sorri!” Gosto desta canção. Adoro. Quando cheguei à porta do pátio, vi um movimento pequeno. Entrei e eles estavam formados para a bandeira. Era um "Chefe" Escoteiro que dirigia. Estranhei. Na minha época era a Patrulha de serviço. Fui até lá, saudei a todos e entrei na ferradura fazendo o sinal de praxe.

Estranhei mais ainda. Na oração foi um "Chefe" Escoteiro quem a fez. E incrível, não houve inspeção. Estavam todos misturados. Meninas e meninos juntos. Já tinha lido sobre isso. Era a tal coeducação. Pena que as patrulhas não estavam completas. Perguntei ao "Chefe" Escoteiro o porquê. Ele riu e me disse que o escotismo não é para qualquer um. Só aqueles abnegados, os que tem escotismo no coração. - Nossa! Nunca soube disso.

Como não vi ninguém de segunda ou primeira classe e nos lobinhos no boné não tinha ninguém de primeira ou segunda estrela, perguntei se o grupo era novo. – Claro que não respondeu abruptamente. Agora temos um novo sistema de progressão de provas. O ultimo não deu certo, mas nossos dirigentes benfeitores sempre mudam para melhor.

Percebi que muitos estavam de camiseta e o lenço do grupo. Alguns até de chinelo. O "Chefe" Escoteiro e um assistente estavam com calça Lee incrivelmente desbotada e calçavam um tênis branco. Um deles tinha um chapéu esquisito na cabeça. Perguntei se não usavam mais o caqui. – Amigo, me disseram, você está por fora. Isto que vê é escotismo moderno! Escotismo do futuro!

Bem, não iria discutir com ele. Não fui lá para isso. Olhe falei, eu fui da Lobo. Uma Patrulha antiga que tinha uma tradição aqui. No livro de ata da Patrulha eu escrevi muito lá. Onde estaria para eu reler? – Amigo, me disseram – Esqueça. A Patrulha lobo desapareceu. Os meninos e meninas preferem agora nomes de patrulha em inglês. Muito mais moderno!

Fiquei pensativo. Você poderia me fazer um favor? – Onde encontro o Chefe de Grupo? Ele riu. Que isso moço. Isto não existe mais. Agora é Diretor Técnico. Perguntei então se eu poderia participar na chefia com eles. Olhe procure nosso Diretor Técnico, ele vai lhe dar uma ficha para preencher, e se for aceito vai lhe dizer quem é seu assessor pessoal. – O que? Aqui tem isso? Claro que sim. Fiquei em duvida. Não via ali mais que quatro chefes atuantes.

Mas me diga, quando vai ser o próximo conselho de Grupo? Ele riu de novo – Aprenda amigo, hoje tudo mudou. Conselho não existe mais. Agora é Congresso. Nacional, regional e de grupo. – Pensei comigo, mudou muito. Mas querendo ser amigável eu disse a ele que na minha época o grupo recebeu a visita do Escoteiro Chefe. Ele deu risadas. Esqueça meu caro, agora não existe isto mais. É só presidente e diretor. Lá na cúpula tem o CAN e o DEN! E o que significa isto, perguntei.  Não sei, ainda não aprendi ele respondeu.

Resolvi ir embora. Quando ia saindo ele gritou – Oi! Se vier aqui de novo tire este uniforme ultrapassado. E saiba quem sem o registro não pode usar. Deu um belo de um sorriso. Gritei ainda para ele – Quando vai ser o próximo acampamento da tropa? – Ele disse – Quase não fazemos mais. Quando vamos vai todo mundo. Lobinho, escoteiros, Sênior e pioneiros. Os pais levam panelões e cozinham para todos! Vai gostar. Ninguém faz nada. Se você for registrado e aceito pelo assessor quem sabe pode ir a uma atividade Distrital, Regional ou Nacional? São essas atividades que agora fazemos
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Fui embora pensando e fiquei sem voz. Quis cantar e não consegui. Levei uma pedrada na cabeça e cai no chão. Alguns escoteiros passaram e um disse para ligar o 191 do Samu. Eles são quem socorrem os bêbados! E foram embora rindo!

Ainda bem que acordei no passado onde vivia. Puxa vida! Que pesadelo! Graças a Deus voltava ao que era antes. Meu belo e charmoso escotismo a moda antiga!
Risos, risos e milhares de risos.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O filho do "Chefe"



O filho do "Chefe"

A meditação nos trás paz e muitas vezes respondem as nossas inquisições do dia a dia. Eu gosto de meditar. Principalmente sobre o nosso Movimento Escoteiro. Voltei os olhos para o passado, aquele bem distante e depois fui percorrendo o caminho que conheci até chegar os dias de hoje. Quando jovem nossos escotistas eram oriundos do próprio movimento Escoteiro. Difícil explicar e difícil de muitos entenderem. Os jovens ficavam mais anos e a evasão era menor. Enquanto isso aconteceu se manteve o tradicional e o sistema de patrulhas que aprenderam em sua mocidade.

O tempo foi passando. Já não havia tantos escotistas oriundos das próprias tropas. Alguns voluntários adentraram no escotismo. Isto foi bom, pois mantivemos o crescimento que desejávamos. Pequeno é claro, mas satisfatório. Infelizmente a evasão começou a aumentar. Acontece que as cidades crescendo e a falta de adultos se tornou uma tendência que poderia até prejudicar o andar do escotismo em termos nacionais.

O número de escotistas advindo das tropas foi suplantado pelos pais. Um número crescente deles adentrou no escotismo. Aos poucos eles assumiram posições diversas na hierarquia escoteira e para nossa felicidade mantiveram o escotismo unido. No entanto foi aí que começaram as mudanças. Todos é claro sempre acreditaram que o faziam em beneficio do escotismo. A maioria dos pais permaneceram nas sessões escoteiras do grupo. Muitas tropas e alcateias devem agradecer a eles as suas atividades e continuidade.

Como foi essa chegada dos pais? O jovem interessa em participar. A mãe ou o pai ou ambos o levam a um Grupo Escoteiro mais próximo. Isto acontece muito nas cidades maiores. Difícil deixar o jovem ir e vir só. Já não confiamos como antes. O pai ou a mãe ficam ali esperando o final da reunião. Duas três horas (depende muito do Grupo que leva a sério a pontualidade Escoteira e a retidão do horário). É cansativo. Mas chega uma hora que passam a gostar das atividades. E se já ficam ali esperando porque não participar diretamente? (o começo do vírus escoteiro é aí – risos)

Quando entra o casal muito bom. Se não pode haver discordâncias no lar. Claro que o filho une a todos e o seu sorriso quando de uniforme faz com que os pais se entendam. (tem casos que não).  Ai vem à parte mais difícil. Deixar que o filho ande com suas próprias pernas. A proteção familiar sem perceber se estende ao grupo. Muitos pais acreditam piamente que isto não acontece. Os demais chefes da sessão olham de outra forma. Quando o Grupo Escoteiro tem boa estrutura tudo se resolve satisfatoriamente.

Mas não é fácil. O espirito Escoteiro ainda não foi assimilado. Existem casos que isto até prejudica ao filho. Principalmente quando um dos pais é o titular da sessão e quer mostrar que ali não tem proteção. Outros casos são que os pais tem receio de fazer certos tipos de atividade que julgam ser perigosas. Não viveram aquela situação e não é fácil participar confiando. Se temos nas sessões escoteiras escotistas bem formados o problema inexiste. Caso contrário à discórdia poderá se um fato que prejudica em muito o filho ou a filha que aos poucos vai sentindo uma animosidade com sua pessoa.

Não é fácil a convivência entre adultos seja no escotismo ou em qualquer parte da sociedade. Uma solução seria um Diretor Técnico com mentalidade aberta, democrático e com boa vivencia no escotismo. Teria que ser um “Salomão” para resolver contendas, um psicólogo para aconselhar e um político (no bom sentido) para resolver tudo entre todos os participantes adultos. Mas sabemos que temos poucos desses escotistas no cargo de Diretor Técnico.  Pelo que vejo pelo que ouço e por histórias contadas o Conselho de Chefes de Grupo praticamente inexiste em boa parte dos grupos escoteiros.

Mas apesar de tudo, se não fossem os pais o destino do escotismo teria sido outro. Talvez bem pior. Eles trouxeram sangue novo. Ideias novas. Vontade de fazer e agir. Louvo isso. Só está faltando que aqueles que aderem a órgãos superiores sejam mais compreensivos nas decisões e na formação de ideias, pois muitos estão dizendo até que BP está ultrapassado, que o mundo é outro, que os jovens aspiram outra forma de atividade. Mil explicações.

Não discuto. Até acho válido. Quem sabe esses poucos que pensam assim não deveriam criar outra organização? UJF (união dos jovens do futuro). Ali eles ou até mesmo escotistas mais antigos poderiam por em prática tudo que acham válido, podem ser criativos, ter um belo traje, um lenço diferente (quem sabe um belo chapéu australiano – risos). Poderia até ser um caminho que precisamos para trazer todos os jovens a uma organização infanto juvenil. Mas o escotismo não. O escotismo é único. O escotismo é aquele de BP. Adaptar sim mudar nunca. A época da carrocinha passou. Não dá mais para sair em Patrulha com ela ao campo. Agora precisamos adaptar outros meios de transporte. Mas só nestes poucos casos posso concordar.

Bem vindo os pais. Eles são hoje o baluarte do Escotismo nacional. Tem um longo caminho ainda a percorrer, mas quem sabe eles serão a solução do futuro? E para encerrar, não se esqueçam. Se querem mesmo mudanças lembrem-se da UJF. Lá é o lugar certo para isso. Risos.

domingo, 8 de abril de 2012

O Comissário, o pistoleiro, o Delegado, o peixe e tantas lambanças que ficaram no passado.



VOCÊ JÁ LEU AS ANTERIORES? FAMOSAS LAMBANÇAS DO PASSADO.

O Comissário, o pistoleiro, o Delegado, o peixe e tantas lambanças que ficaram no passado.

De volta com as lambanças. Já contei tantas aqui, porque não mais algumas? Alguns dirão: Chefe! Isto é uma obra de ficção, hipotético, invenção sua. Outros irão acreditar. E eu? Fico na minha. Não digo nada. Olhe vivi tantas coisas que de vez em quando minha mente confunde a verdade da ficção. Afinal foram tantos anos e como dizem – Eram dois caroços de feijão no passado e hoje dá para fazer uma feijoada para toda a família. O tempo, só o tempo multiplica o passado. Risos. 


Mais duas lambanças. Lembranças do passado. E acredite se quiser.

Primeira – 1968. Comissário Regional em Minas. Viajando pelo interior visitando Grupos Escoteiros. Um convite interessante de uma cidade próxima a Caratinga. Peguei o noturno da Central do Brasil até Ponte Nova. Lá embarquei no trem misto da Estrada de Ferro Leopoldina. Ela me levaria até a cidade próxima a Caratinga, onde deveria ir. Viagem normal. Gostosa. Uma parada em uma estação. Lá fora dezenas de policiais armados até os dentes. Ninguém na plataforma. Uma voz gritou alto! – “Zé Neguinho, desça com as mãos para cima! O trem está cheio, desça sem fazer mal a ninguém”. Ele se levantou da poltrona próxima a minha. Assustado. Olhou-me.

- Bolinha? É você? (meu apelido de infância) Incrível, era o Zé Neguinho do Passado. Das brigas homéricas em Governador Valadares. Briga entre mim e ele. Motivo? Não sei até hoje. Acho que ambos gostávamos de brigar. Lembrei-me imediatamente. Dei um sorriso e disse – Zé, de novo? Pensei que tinha morrido cabra da peste! – Ele riu e disse – Acho que não vou morrer tão cedo. Mandou um passageiro que estava do meu lado sumir e sentou ao meu lado.

- Sabe a melhor briga? Disse ele. Foi aquela no morro da Pastoril. Só eu e você. Ninguém para assistir. Brigamos quase uma hora. Depois você sentou e eu também. Nós dois “pregados” olho roxo, sangue no nariz. Ficamos olhando um para o outro e você disse. – Filho da Puta! E eu disse – Filho de uma égua! E caímos na risada. Essa valeu. Foi a nossa última? Perguntou. - Acho que não respondi. Tivemos mais uma na Rio Bahia, próximo à ponte do São Raimundo, eu já ia fazer 17 anos.

A voz lá fora do Delegado foi mais forte – Saia com as mãos para cima e vamos evitar um tumulto onde podem morrer muita gente! Zé Neguinho gritou – Delegado, espere! Saio em cinco minutos. E ficou ali comigo a lembrar. Não sei se éramos amigos. Não sei. Brigávamos pelo menos quatro a seis vezes por mês. Quando passava mais tempo sentia falta. – Ele apertou minha mão. – Olhe – disse – Você foi o único Escoteiro que me enfrentou sozinho sem a cambada. E deu grandes risadas. Levantou me olhou com aqueles olhos esbugalhados que já conhecia, deu uma bela de uma gargalhada e saiu se entregando a policia.

Segunda – Acampamento em Derribadinha do Rio Doce. Lá tinha uma pequena gruta. Dava para ficar a Patrulha. Resolvemos fazer um pesqueiro. Íamos sempre lá. Levei seis lanches, Romildo mais seis. Éramos só quatro. Dois tinham faltado. Mamãe fez lindos lanches de pão com carne moída. Colocou gostosos molhos. Comemos todos até fartar. Mas no dia seguinte deu alguma coisa errada. Comi mais dois lanches. De calção estávamos a fincar estacas na beira do rio com água na cintura. Dois foram cortar capim para forrar as estacas no fundo.

Uma dor de barriga tremenda. Romildo também. Os dois que não comeram não sentiram nada. Cheguei a rolar no chão de tanta dor. Fui para a gruta. Deitei gemendo. Dormi. Acordei noite escura, ninguém ali. Só eu. Chegaram quatro homens mal encarados. Olharam-me e riram. Acenderam uma fogueira. – Vamos assar este menino! 

– um disse. Agarraram-me pelas orelhas. Gritei, chamei Romildo, Fumanchú, Israel e Tonho. Ninguém apareceu para me ajudar. Um medo terrível!

Gritava e gritava. Berrava de medo. Eles rindo. Romildo gritando – Acorda Vado, acorda! Acordei suando. Ainda era dia. Um pesadelo. Puta Merda! Parecia verdade. Terminamos o pesqueiro. À tardinha Tonho pegou um piau que dava mais de dois quilos. No nosso fogo estrela ele jazia lá, tostando. Peixe frito na brasa. A noite veio. Barriga cheia. Todos foram dormir. Eu não. Achava que nunca mais dormiria ali. Risos.

E como digo no final das minhas histórias, acredite se quiser
E quem quiser que conte outra!