Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 10 de dezembro de 2016

Hoje não tem reunião, “Tamo” de férias irmão!


Hoje não tem reunião,
“Tamo” de férias irmão!

Me diga Jocasta da Morcego,
Já não temos mais sossego?
Já acabou a reunião
E “tamo” de férias irmão?

Não posso escoteirar
E nem posso acampar?
Acredite até a Chefe Vera
Também saiu de férias.

Soube que o MacBoi,
O lobo que está dodói,
Aquele que sabia cantar,
Agora nem pode lobear.

Tom, Valdete e Maria Raia,
Foram todos para a praia.
E “nois” o que fazer?
Do Escoteiro esquecer?

“Minino” que maldade,
Agora é viver de saudade,
Já nem faço boa ação,
Na sede fecharam o portão.

Temos que entender Tião Assado,
Que os chefes estão cansados.
Chorar nem vem que não tem,
Reunião só no ano que vem!

Hoje não tem reunião,
“Tamo” de férias irmão!
E guando janeiro chegar,

Vou de novo escoteirar!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O amigo da onça.


O amigo da onça.

                Era a hora da “siesta”. Sempre vou para minha varanda para “dormitar” um pouco e visitar meu futuro lar em uma estrela do universo. Gosto disto. Sinto-me bem lá. Quando também forem para as estrelas me avisem, pois irão passar alguns dias como meus convidados na bela estrela de Capella. Nem bem fechei os olhos e um taxi azul parou na minha porta. Azul? Aqui é Branco e os do UBER pretos. Mudaram a cor? Desceu dois homens do banco traseiro. O motorista engravatado ficou a espera. “Dai a César o que de César e a Deus o que de Deus”, mas eram iguaizinhos ao Juiz Sergio Mouro e o Procurador Deltan Dallagnol. Sósias? Bem o melhor era esperar o que desejavam, pois a “mentira tem perna curta”. Levantei educadamente. Estava uniformizado. Calça curta caqui e chapelão. Bem não era comum, mas “o seguro morreu de Velho” e eu sabia que poderia receber visitas.

                 Entrem e, por favor, e identifiquem-se! Eles sorriram. Foi o Tal do Mouro quem disse: Chefe Osvaldo, sou o Juiz Sergio Mouro e este é o Procurador Dallagnol que me ajuda a levar as barras dos tribunais os políticos e empreiteiros de má fama. Estamos limpando a Petrobrás para fazer nosso país um Brasil grande! – Olhei para os dois. “Papagaio come milho, periquito leva a fama” não é assim que dizem? Sentaram-se nas minhas cadeiras de plástico, que um dia ganhei de uma festa que fui e o dono sabia que eu estava numa “pitimba” sem tamanho. Reclamar? “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. Como eram homens importantes e não de conversa mole como alguns dirigentes da EB foram direto ao assunto:

              - Chefe, precisamos do Senhor. Eu? “Sabem com quem está falando” – Riram. Sou apenas um Chefe Escoteiro que nem um Salário Mínimo ganha está mais prá lá do que prá cá, sem registro na EB e esperando que me mandem uma cartinha dizendo que se não registrar irei para a Comissão de Ética e poderei ser processado criminalmente. – Deixa disto Chefe Osvaldo, eles não teriam esta coragem disse o Juiz Mouro. – Sei não Excelência, dizem que “a ocasião faz o ladrão”. – Chefe me chame de Lobo Contente. Era assim que pretendia ser chamado no escotismo. – Putz Grila! Foi Escoteiro? “Macaco Velho não pula em galho seco” e esperei a continuação de sua prosa. – Chefe eu e o Dallagnol vamos tirar o Renan da Presidência do Senado e precisamos de alguém de caráter e ética para ficar no seu lugar! “Quem vê a barba do vizinho arder põe a sua de molho” logo pensei. Não iria me meter naquela cumbuca.

               Dizem que ouvir faz bem, seguir não. – Pois não Lobo Contente, (Será que ele era contente mesmo com sua função?) – Prossiga! – Ele não se fez de rogado. – Chefe vamos mandar o Renan para Curitiba, irá passar umas férias na Penitenciaria de Pinhais. Necas de ficar no Prédio da Policia Federal. Cana com uniforme e tudo! – Bem “cada cabeça uma sentença” eu sabia que “leite de vaca não mata bezerro”. “Mas Excelência” (ele não gostou de ser chamado de Excelência). Não posso ser o Presidente do Senado. Não fui eleito! Esqueça isto. Vamos fazer nova Constituição.  Tudo vai ser mudado. A cambada vai ter de pagar o que fizeram a República! – Não estava gostando disto. Sou um democrata e sei que se alguém “criou fama e deitou na cama” não vai parar. – Olhe pode convidar seus amigos escoteiros e até aceito seus compinchas da Sede Nacional lá de Curitiba.

                       Lobo Contente! Tá loco meu? Como pedir ajuda a uma liderança que faz um pacto com políticos chamados de Bancada Escoteira da Câmara?  O Senhor conhece um por um e sabe que mais da metade está sendo investigado na Lava-Jato. Ele riu. “Cada cabeça uma sentença”. Dallagnol entrou na conversa. – Chefe, sabemos do seu alto espírito Escoteiro, é hora de assumir e não sumir! – Pensei com meus botões: - “Não há rosas sem espinhos”. Aceitar? Ir para Brasília? Quem disse que lá “se gritar pega ladrão não fica um meu irmão”? – E o Temer? O que farão dele? - O Juiz Sergio Moro e o Procurador Dallagnol se entreolharam e sorriram. Eu conhecia bem aquele sorriso. Já vi muitos lideres nacionais, regionais e distritais com ele. Pensei que “onde há fumaça, há fogo”, mas não podia correr.

                      Doutor Moro, sua excelência merece respeito. Sou um Escoteiro do mundo. Não gosto de injustiças e nem de receber o que não mereço. Afinal “Não se faz uma omelete sem quebrar os ovos” e também sabia que “Nunca digas que desta água não beberei”! Comecei a gostar do convite. – E o Lula? Perguntei ao Lobo Contente.  Outra vez ele e o Dallagnol se entreolharam e sorriram. Levantei e apertei a mão esquerda de cada um. Nesta hora dezenas de helicópteros da marinha, da aeronáutica e do Exercito começaram a sobrevoar minha cabaninha no alto do Jardim Marieta. – A coisa foi pru brejo! Pensei. Fuzileiros, aeronáuticos e verdinhos do exército cercaram minha casa. Na frente o Ministro Fux e o Ricardo Lewandowski junto com a Dilma que estava de braços dado com o Lula e junto o Mercadante e o Cardoso. E agora José? “quem ama o feio, bonito lhe parece”.

                    Vi passar correndo sendo perseguido pela força nacional, o Aécio e o Alkmin. E o Fernandinho? Escapou. O cara mesmo com 85 anos era treinado com sua verborragia e daria um grande Escoteiro Chefe. “Teje preso” Gritou o Comandante Militar. Voltou novamente o AI 5! “Onde há fumaça, há fogo” Não era meu fogão de cozinha escoteira nos meus campos de patrulha. “Agora tava f...” – “É pela boca que o peixe morre”.


                  - Triste o meu destino. Cai da cadeira e me dei de bruços no chão. Vi alguns dentes brincando de esconde, esconde. Célia como sempre veio correndo. Marido! De novo? “Melhor sair do escotismo, isto vai acabar matando você” – Perguntei para ela: - E o Moro, e o Dallagnol? Levantei com dificuldade e gritei em plenos pulmões que me custaram mais dois dentes voando no espaço: Lobo Contente onde está você? Se mandaram. A barra pesou e “Gato escaldado tem medo de água fria”. Preciso tomar cuidado com as forças na natureza! Kkkkkk.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Bloco 7 – Lobos em ação. Disponível a todos gratuitamente em PDF.


Bloco 7 – Lobos em ação. Disponível a todos gratuitamente em PDF.

Incluí mais um compêndio (fascículo) no Bloco 7 (Lobos em Ação) com o titulo Contos de Lobos para Lobos contendo mais de cinquenta histórias todos contando historias de lobinhos (130 páginas). São histórias com vivencias de Alcatéia dos seus “lobitos” fazendo traquinagem, brincando na floresta de Mowgly e tantos outros temas já por demais conhecidos dos que gostam dos meus contos e histórias. Em todos as historias sempre existe uma maneira de aconselhar e mostrar a melhor trilha para vivenciar a Jângal e como podem colaborar os chefes, Akelás, Balu, Kaa, Bagueera e tantos outros. São histórias para contar aos lobinhos.
Caso tenha interesse pode solicitar via minha caixa postal (inteiramente gratuito) ferrazosvaldo@bol.com.br o caderno em separado ou se ainda não possui, todos os demais cadernos (Os Lobos da Alcatéia de Seeonee, reminiscências do Livro da Jangal, Os Irmãos de Mowgly, Interpretação do Livro da Jangal e a Embriaguez da Primavera). Para isto basta escrever: Envie o Bloco 7.


Nota – Por favor, entre em contato comigo na minha caixa postal. Deixar aqui seu e-mail para que eu o copie não faz parte da boa performance escoteira. Obrigado. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Desistir jamais! O fim pode ser o recomeço.


Desistir jamais!
O fim pode ser o recomeço.

            Tomé era frequente nas reuniões Escoteiras. Um dia achou que o Chefe dizia sempre as mesmas coisas, fazia as mesmas coisas e então parou de frequentar. Dois meses depois o Chefe em uma noite fria de inverno foi visitá-lo. – “Deve ter vindo para tentar me convencer a voltar” pensou Tomé consigo mesmo. Imaginou que não podia dizer a verdadeira razão de sua saída. Os mesmos programas, os mesmos jogos sempre repetitivos. Ele pensou e pensou. Precisava encontrar uma desculpa, pois não queria magoar o Chefe que sempre o tratou muito bem. Enquanto pensava colocou duas cadeiras diante da lareira e começou a falar sobre o tempo.

            O chefe não disse nada. O ouvia calado. Tomé depois de tentar inutilmente puxar conversa por mais algum tempo, também se calou. Os dois ficaram em silêncio, contemplando o fogo por quase meia hora. Foi então que o Chefe levantou-se e com a ajuda de um galho que ainda não tinha queimado, afastou uma brasa, colocando-a longe do fogo. A brasa, como não tinha suficiente calor para continuar queimando, começou a apagar. Tomé mais que depressa, atirou-a de volta ao centro da lareira. 

            Boa noite, disse o Chefe e levantou-se para sair. – Boa noite e muito obrigado respondeu Tomé. E foi então que Tomé viu que a brasa longe do fogo, por mais brilhante que seja, terminará extinguindo rapidamente. 


Moral da história: - O Escoteiro longe dos seus amigos, por mais inteligente que seja não conseguirá conservar seu calor e sua chama. Tomé sorriu para si mesmo e prometeu fazer tudo para mudar o que achava errado. Sabia que criticar é fácil, mas porque não consertar o erro? Tomé voltou às reuniões no sábado seguinte. Ele agora ia conversar com seus amigos de patrulha e mostrar ao Chefe como caminhar com suas próprias pernas. Agora ele tinha certeza que precisava voltar!      

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Duvida.


Duvida.

Será que algum dia iremos ver uma foto assim com Donald Trump recebendo jovens Badenianos acampados na Casa Branca?

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Meu amigo e minha amiga escoteira.


Meu amigo e minha amiga escoteira.

Quero agradecer a todos que aqui me prestigiam, seja curtindo, comentando ou compartilhando. Não posso esquecer também as centenas de e-mails recebidos quando um ou outro solicitaram meus livros e contos escoteiros sempre me dizendo uma palavra de carinho. Sem perceber vi que me tornei um Chefe turrão, pois dificilmente me coloco na posição de obediência às nuances da EB. EB... Nasci sob a égide da UEB. Agora é EB. Vá ver que tenho meus motivos e nisto não quero seguidores. Em contra partida me dedico aos poucos que ainda se animam a ler meus escritos. Vez ou outra uma palavra de carinho, de amizade e mesmo sendo poucos me sinto realizado e feliz. Ainda sou daqueles que acredita que o Escotismo é dos jovens e é para eles que volto todo meu esforço nos meus contos e histórias.

Tenho visto a presença de alguns jovens me seguindo. Maravilhoso. A eles faço questão de tirar meu chapéu, fazer uma mesura e dizer a eles: Anrê! Enquanto houver um jovem praticando os ensinamentos de B-P o escotismo não fenecerá. A eles dedico os sonhos de Seeonee, a aventura de Brownsea, o desejo de um Sênior ou uma Guia de se guiar nas trilhas de Baden-Powell. Sei que os Pioneiros e as Pioneiras do mundo continuarão seu Caminho para o Sucesso e a lutar pelo seu lema SERVIR. Mesmo que alguns queiram mudar os ensinamentos de B-P eu acredito que ele nunca vai acabar nunca vai desaparecer, pois os ventos que sopram a favor são para confirmar que tudo vai dar certo.

Aqui da minha morada vou ainda mantendo meus sonhos presos na filosofia que adotei e adoto até hoje. Meu tempo de peão Escoteiro de aventuras passou. Se posso ajudar com minhas lembranças eu me sinto realizado. Obrigado a todos vocês por me darem as forças que estão se esvaindo. A luta não para como dizia um celebre General Inglês na segunda grande guerra: - Soldados vamos fazer o possivel agora e o impossível daqui a pouco! Frase que sempre adotei. Afinal um dia aceitei o desafio e ele nunca acabou. Meu Anrê e Bravoo aos Escoteiros do Mundo!


Sempre Alerta!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A canção que ela fez para mim!


A canção que ela fez para mim!

                     Vida de Sênior é bão demais! Um sábado de reunião, ufa! O dia não era de brigadeiro. Desanimado e mesmo assim fui cumprir minha jornada escoteira. Reunião de sede não gostava. Amava o campo, as trilhas as florestas e os rios caudalosos. Ao chegar pensei que não era um bom dia para animar a patrulha. Na sede ninguém. Por quê? Sempre nos encontramos ali antes do inicio, falar dos outros, papear, “causos” não era uma rotina? Fui para o pátio da sede. Então eu a vi. Fiquei sem fala. Linda! Impossivelmente linda! Seria uma princesa? Desceu das nuvens direto na sede? Ou quem sabe um anjo que Deus mandou para dar novo ânimo aos seniores? Meu coração disparou. Minha mente deixava o corpo e se transportava para os mais lindos campos e montanhas a explorar. Fui à Cachoeira do Sonho, fui à Montanha Das Borboletas Douradas, fui até no despenhadeiro da Mil Mortes. Joguei-me lá de cima. Sabia que não ia morrer.

                 Foi então que percebi. Lá estavam os Seniores. Todos eles. Não faltou ninguém. Estavam em pé encostados à parede da biblioteca. Como eu não tiravam os olhos da linda moça dos cabelos loiros e cachos dourados. Cachos despencando como na Cascata do Sol Nascente. Olhos? Azuis! Incrivelmente azuis. Uni-me a eles. Não notaram a minha presença. Seus olhos esbugalhados assim como o meu só tinham uma direção. Cláudia Alvonaro. Seu corpo? Não posso dizer aqui. Afinal dizem que somos limpo de corpo e alma. Mas parecia ter sido esculpido por Michelangelo, ou melhor, Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni. Ah! Una Madonna Escoteira? Quem sabe ali estava sua obra prima da renascença sua bela escultura a Pietá. Não podia ser. Estávamos em 1958 e não 1498 quando ela foi esculpida.  

                   A paixão tomou conta de mim. De mim só não de todos os seniores. Doze rapazes perdidamente apaixonados pela bela Cláudia Alvonaro. Mas de onde ela veio? Do céu? Do firmamento? De uma estrela distante na Galáxia de Andrômeda? Da cidade não era. Conhecíamos todas as beldades. – Ela é de Vitória. Espírito Santo disse um Sênior. Meu Deus! Capixaba e linda assim? Bendita Vitória. Santino o Chefe Sênior adentrou ao pátio. Jovem ainda. Vinte e oito anos. Viu-nos e foi até nós cumprimentando. Ninguém olhou para ele. Inteligente como todo Chefe Sênior descobriu através de um “Kim” imaginário o motivo de nossa perplexidade e imutabilidade. – Ora, ora, parecem que nunca viram uma garota! Ele disse. Sem respostas. Continuávamos mudos. Olhos vidrados na bela Cláudia Alvonaro. A mais bela capixaba que o mundo conheceu. E nós os bravos seniores da tropa Anhanguera.

                     Ela estava linda. Uniforme azul, bonezinho de lobo. Saia curtinha (que pernas meu Deus!). Akelá? Não tinha mais de dezoito anos! Não seus bobos disse o Chefe Sênior. Ela é Assistente. Tem dezessete. Está fazendo uma visita. Vai embora hoje no trem noturno das oito. – Vou também! Falaram todos ao mesmo tempo. Chefe Santino riu sonoramente. Que vida. Descobre-se o amor de nossas vidas, a nossa alma gêmea e ela vai embora assim? E para piorar tudo ela começou a cantar. Os lobos sentados em círculo e ela cantando uma canção que não conhecia. Voz? Uma cantora nata! Ninguém na sede tirava os olhos dela. Maravilhosamente bela e uma voz harmoniosa, que podia seguramente ser a maior cantora de todos os tempos.

                   O céu que me condene! Que me mate! Que acabe comigo. Estava “deverasmente” apaixonado. Perdidamente apaixonado. E o pior aconteceu! Ela olhou para mim e deu um sorriso. Senti o corpo tremer. Tive que sentar. Que sorriso! Que voz! Que rosto! Que corpo! Não podia ser uma mulher Akelá. Era uma deusa trazida do Olimpo. E eis que como se fosse uma chicotada, como se tivesse caído uma pedra enorme em minha cabeça, um Chefe novo de uns vinte e cinco anos entrou acompanhado do Chefe do grupo.  – Vamos embora meu amor! O que? Meu amor? Então olhei melhor, ele estava com a aliança na esquerda e ela também. Marido e mulher.


                  Ela se foi. Deu um “xauzinho” e disse um Sempre Alerta que nunca mais, nunca mais mesmo e eu juro, irei esquecer. A mulher dos meus sonhos, a mulher que iria ser a minha vida, a minha alma gêmea se foi. Se houve reunião de seniores eu não sei. Acho que os outros também ficaram como eu no mundo da lua. Começamos mudos e terminamos calados. Chefe Santino sorria no alto dos seus vinte e oito anos. Um homem experimentado sabendo o que sentia aqueles garotos que estavam crescendo e aprendendo com a vida. Cláudia Alvonaro virou a esquina abraçado com seu amado. A tropa acompanhou com os olhos seu ultimo adeus. E eu? Fiquei meses sonhando e planejando ir acampar em Vitória. Mas será que ela iria deixar o marido e se casar comigo?

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O dia foi feito para sorrir!


Crônicas do Velho Chefe Escoteiro.
O dia foi feito para sorrir!

             Levantei sentindo uma vibração estranha no ar. Sei que é uma segunda feira, mas e daí? Amanhã não é feriado? Não é dia da Proclamação da República? Um dia me perguntei para que servem os feriados, para lembrar das datas importantes ou para dormir até mais tarde, aproveitar quando são prolongados e partir por aí para sentir outros ventos, outros pensamentos e descansar a mente que precisa de mudanças. Não adianta tentar dizer que estas datas são para homenagear alguém, fatos acontecidos, quem sabe lembrar que foi um levante politico-militar que em 15 de novembro de 1889 foi instaurado a forma republicana federativa presidencialista do Governo do Brasil. Dom Pedro II foi apeado do poder. Mas deixe prá la. Isto é passado e o Brasil hoje gosta de viver o presente.

            Mas vamos voltar ao dia de hoje. Sabe aqueles dias que a gente sente que não vai dar certo? Que algum vai acontecer? Quem não serão coisas boas somente? Pois é. Pensei assim e mudei minha maneira de ser. Precisava sorrir. Dizem que o sorriso enobrece a alta e faz o sangue jorrar melhor no coração. Se eu gosto de distribuir sorrisos por que não pensara que ser feliz não é viver apenas momentos de alegria. É ter coragem de enfrentar os momentos de tristeza e sabedoria para transformar os problemas em aprendizado. E assim foi dito, assim foi pensado e... Pois é. Não adianta dizer que a vida me ensinou que chorar alivia, mas sorrir torna tudo mais bonito. E eis que sendo um admirador do nosso fundador lembrei das palavras dele:

- Desejo ardentemente que tenhas uma vida longa e feliz como a minha. Poderás com isto conseguir conservar com saúde e alegria a fim de poderes auxiliar os outros. Vou dizer-te o meu segredo e tenho certeza que com o conhecimento dele serás como eu: tenho sempre me esforçado para cumprir a Promessa e a Lei Escoteira em todos os atos de minha vida. Se fizeres o possível para obteres sucesso na vida, assim procedendo, futuramente terás muita alegria, se viveres 80 anos. Baden-Powell.

           Bem não vou ficar aqui tricotando palavras que poucos vão entender. Eu mesmo nem sempre entendo o que eu digo. Mas estou aqui escrevendo e sorrindo. E quer saber? Chamei a Célia para sorrir comigo. Afinal melhor que rir, é rir com alguém ao seu lado. Sorriso dividido é sorriso dobrado. E para dobrar minha alegria cantei aquela velha canção que adorava ao alvorecer nos acampamentos:

- ♫ Põe tuas mágoas bem no fundo do bornal e sorri, sorri e sorri. O que importa é vencer o mal mantém sua alegria! Não importa você se zangar, pois o mal não vai acabar e então? Põe tuas magoas...

- Simplesmente viva a vida. Ela é boa demais para sorrir e amar!


Sempre Alerta♫

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Pitfundo, o Chefe que engoliu o apito.


A história que não foi contada.
Pitfundo, o Chefe que engoliu o apito.

                 Você o conheceu? – Claro que sim Chefe. Quando soube do que aconteceu eu rezei quarenta Ave Maria e trinta Pai Nosso! – Nossa! Vejo que gostava dele – Não é questão de gostar Chefe, mas Pitfundo era irritante. Apitava que nem um danado. Ele ria se inchava, se mostrava como o verdadeiro sargentão no apito. E olhe se alguém chegava atrasado, levava uma carraspatana e um apitaço no ouvido para não esquecer nunca mais! Como ele era magro gordo, alto ou baixo? Baixo Chefe, uma barriga maior que a sua. Andava com as mãos balançando. Gostava de fazer jogos de transportes em maca e ele se fingia de doente para ser carregado! Olhe Chefe, ele tinha mais de cento e vinte quilos!  Um dia ele se apaixonou pela Pamonia, o senhor lembra-se dela, todos a chamavam de Olivia Palito, a mulher do Popeye. Ela não tinha namorado, mas Pitfundo era chato demais com aquele apito alemão e ficava de olho nela. Ele comprou muitos apitos. Um francês, um inglês um americano e um italiano. Andava com todos no bornal para uma eventualidade.

                 Olivia Palito não deu bola. Nem ligou. Ela era a Diretora Secretária do grupo. Solteira, trabalhava na Biblioteca Municipal. Dizem que entrou no Grupo Escoteiro atrás de um marido, mas suas investidas davam em nada. Ela comprou uma vestimenta destas novas que os “Maiorais” inventaram. Comprou logo cinco tipos. Cada reunião vestia um. Ia às reuniões do distrito, região e não perdia uma boca livre na nacional. Era perita em Assembleias e o escambal. Gostava de ficar passeando nos salões e despistava sempre entrando nos WC dos homens! Risos – “Discurpe” gente me enganei, procurava os da madame foi engano! Pois é. Uma vez ficou atrás do Presidente do CAN por dias. Não deu sossego ao coitado. Coitado? Bem namorar Olivia Palito era melhor namorar o Quasímodo. Sabia que no Brasil não tiraria nenhuma lasquinha em chefes Escoteiros então foi parar no Jamboree do Japão. Agora sim pensou esta turma dos olhos costurados não me escapa!

                   Não conseguiu nada. Com muito custo começou um affair com um Chefe japonês. Gordo, enorme, pesava cento e oitenta quilos. Ela em principio assustou, mas soube que ele era cheio da grana. “Lutador de Sumô” e Samurai disseram para ela. Não conhecia o esporte, mas viu que ele era podre de rico. A levou para sua mansão. Chegando lá chamou seu interprete: - Senhô diz que senhora será a sétima esposa. Todo domingo será sua vez! Sumiru Ka Kombi avisa que vai ser a sétima gueixa. Vai se chamar Cotira na Nuka. Deve obedecer as ordens de Sumira ká Nota a primeira esposa. Olivia Palito tremeu. Que roubada me meti? Pensou. A noite fugiu a pé do castelo de Sumiru Ká Kombi. No Jamboree desistiu de namorar japoneses. Ficou impressionada com os Escoteirinhos japoneses. Uns tiquititos de nada e falavam japonês de cor e salteado, já pensou? Voltou para sua terra pensando em namorar Ptifundo. Só sobrou o apitador chefe das multidões.

                  Ele o coitado solteiro desistiu de Olivia. Que ela fosse a Chefe que quisesse ser, mas não seria mais sua esposa. Foi então que conheceu Praquitinha. Amor à primeira vista. Pegou seu bornal, encheu de apitos e foi até a janela da casa dela altas madrugadas. Apitava por dois minutos cada um dos seus apitos. Quando o silvo agudo do apito de marinheiro começou levou um tiro de espingarda chumbinho no traseiro. Era o pai dela de saco cheio com tantos apitos. Gritou e rolou pelo chão berrando que estava morrendo. No hospital disseram que foi só oito balinhas cheias de querosene e sal. A escoteirada de sua tropa pagou pelo que não fez. Polenta, Nariz Longo, Zebedeu e Joelho Seco os monitores se revoltaram. As patrulhas se reuniram. Procuram o Diretor Técnico Cobra D’água que nada resolveu. Procuraram o distrital Sapo do Brejo e nada também. Na região nem recebidos foram.

                  Reuniram a tropa. Discutiram por oito horas seguidas. Todos eram unânimes que se o Chefe Pitfundo quisesse apitar que fosse apitar no raio que o parta. Muitos Escoteiros estavam ficando surdos de tanta apitaria! O Presidente da Nacional Doutor Aquiquemmandasoueu, mandou um recado: - Vocês pagaram a mensalidade anual da UEB? Não? O Chefe Pitfundo pagou. Portanto ele é bem vindo. Se quiserem pagar posso pensar em resolver o caso do Chefe o Chefe Apitador. Duros não sabiam o que fazer. Bem ninguém resolveu o problema dos Escoteiros. Pitfundo parece que soube do motim da tropa. Agora é que não daria mais sossego. No lugar de jogos cinco minutos de apito inglês. Técnica seria substituída pelo apito francês e assim por diante. Viajante um Escoteiro da Patrulha Trombeta apresentou um plano. A tropa aprovou. Fizeram uma vaquinha e compraram uns vinte super bonder. Encheram sem o Chefe ver os miolos dos apitos.


                 Naquela reunião logo que chegou meteu a boca no apito americano. Ele gostava. Gostava de ser chamado Boy Scout gud Morney. No primeiro apito nada, sem som. No segundo perdeu o fôlego, no terceiro puxou o ar ao contrário. O apito foi sugado pela sua boca e desceu como um bólido pela goela até o esôfago. Ele berrou sem voz. Começou a dançar em volta de si próprio. Começou a fazer xixi na calça. Pulava feito Macaco Prego. A diretoria veio correndo. Chamaram o Samu que ao socorrê-lo sentiu que ele lançava violentamente para fora de si o canhão que vomitava fogo. O apito foi parar longe. A Tropa Escoteira deitada no chão rolava de rir e dava gargalhada atrás de gargalhada. Olhe, não sei se ele continuou na tropa, mas nunca mais apitou em sua vida. Olivia casou com Jujú Marreco e tiveram vinte filhos. Dezoito deles são lobinhos, escoteiros e seniores. Que eu saiba o apito foi proibido naquele grupo escoteiro. Bem feito pensei, que sirva de exemplo para os chefes apitadores! Kkkkkkkk kkkkkk.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Apenas um comentário...


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Apenas um comentário...

O que é farda: Tipo de roupa que, possuindo determinado padrão, é utilizada por militares, estudantes etc.: Sinônimos de farda: Traje, uniforme, beca e fardamento. Vestimenta: - É usada como sinónimo de vestuário, trajes ou roupa.

                   Meus amigos e amigas do Movimento Escoteiro. Os que me acompanham devem ter notado que as fotos que ilustram minhas publicações em sua maioria são de jovens sorrindo, fazendo escotismo e se possivel praticando o escotismo de campo. Costumo dar preferencia a boa uniformização de alguns países principalmente Portugal e a França pela apresentação que fazem do uniforme. No Brasil faço questão das fotos com uniforme caqui e quase nunca a Vestimenta. Por quê? Como sabem sou um Velho Escoteiro que preza muito o garbo e boa ordem. Um “çabio” da EB resolveu adotar como norma e liberou para quem quisesse usar a vestimenta com a camisa para fora, sem o meião tradicional e calçado de qualquer cor. Este Velho Chefe acha isto fora de propósito. Os comentários que tenho ouvido e visto não são benéficos a esta maneira de se vestir escoteiramente.

                Desde os primórdios do escotismo no Brasil, nosso maior Marketing sempre foi o nosso uniforme e a boa ação. Mesmo com um efetivo bem menor, éramos conhecidos de norte a sul, e frequentemente as empresas ou novos produtos lançados davam preferencia ao escotismo de uma maneira geral. O Sempre Alerta, o Rataplã, a calça curta, a boa ação e as atividades de campo eram sinônimos de escoteiros do Brasil. Aparecíamos no rádio, na TV (no seu inicio) nos jornais e éramos constantemente contatados para palestras em escolas, universidades, grupos empresariais entre outros. Ainda não havia a preocupação de ter um caixa sadio e nem esta falta de espirito Escoteiro onde quem não tem registro não existe para a EB. A UEB na época não tinha ainda sede própria, poucos profissionais, mas muito mais atuantes, pois de Norte a sul alguns deles se sobressaíram ajudando e colaborando na formação de chefes e Grupos Escoteiros. Eu sou testemunha da história de alguns deles.

                  O tempo encarregou-se das mudanças que estamos vivendo hoje. Não temos marketing, vez ou outra pejorativamente somos comentados na TV no rádio e na imprensa escrita. O escotismo tornou-se um eterno desconhecido, salvo algumas cidades do interior nem vistos somos mais. Vamos de carro e de carro voltamos. Muitos vestem seu uniforme ou vestimenta na sede. Vergonha dele ou vergonha de ser escoteiro? A EB de hoje se preocupa mais em aumentar seu caixa do que abri-lo para ajudar os Grupos Escoteiros mais necessitados. Um trabalho de confiança, de colaboração nunca é feito gratuitamente. Fazem questão de mostrar quando alguma atividade nacional dá prejuízo e choram com isto. Quando dá lucro ninguém fica sabendo.

                 Neste mar de mudanças, de alterações do método, dos valores do passado e da preocupação em zelar pela continuidade dos dirigentes, pela empáfia de alguns ou mesmo pela truculência ou prepotência por estarem revestidos em um cargo nacional, dificilmente os associados da EB podem participar diretamente na eleição dos diretores ou mesmo sugerir o melhor caminho a seguir. Vemos uma democracia participativa onde poucos podem opinar ou votar. A cada dia somos surpreendidos por uma mudança, uma exigência e alguns mais próximos dos grupos fazem questão de dar seu credito aos de cima, ameaçando aos mais humildes com dizeres nem sempre educados. Não são muitos, graças a Deus.

                  No meio do alvoroço das mudanças criaram a vestimenta. Um “çabio” dirigente sem consulta a turba escoteira das unidades locais, riscou no ar um desenho de 19 tipos, sendo que um deles permite o uso da camisa solta, da meia de qualquer cor e da apresentação. Qualquer um pode ver que ter dezenove tipos é fora de propósito e por outro lado uma forma de engordar o caixa da EB. Afinal a EB é detentora de tudo que se diz Escoteiro, a única que pode vender produtos escoteiros e ninguém pode em sã consciência discordar que ela age como um “Truste” transformado em Associação. Sei que foram benevolentes em dar aos grupos o direito de escolha o que vestir. Uniforme ou vestimenta. Em contra partida exigiram no início o uso da vestimenta por parte de todos aqueles que tinham um cargo na EB. À medida que novos grupos iam surgindo à vestimenta é quase imposta aos novos grupos. Passaram anos e estamos hoje com alguns de uniforme e a maioria com a vestimenta. Se ela desbota, se ela é de péssima confecção, se ela não aguenta as atividades de campo dos escoteiros, poucos reclamaram. Alguns pagam com prazer trocando a cada seis meses a vestimenta. Bom ser rico.

                   Sei que muitos terão mil e uma explicações para tal ação. Não entro no mérito. Não adoto o modernismo feito de maneira tão simplória, cuja apresentação para mim demostra falta de garbo e se apresenta aos olhos do publico de maneira adversa ao que criamos entre a população brasileira no passado. Escolhas são escolhas. Parabenizo aqueles que se apresentam com a vestimenta mostrando orgulho do que usam a estes terei sempre uma nota de parabéns. Não importa se a norma existe. Quem as fez deve ser alguém que não conheceu o significado de garbo, de orgulho Escoteiro que tanto presamos no passado.


                  A história é uma só. Não vou contá-la novamente. De uma coisa eu sei, o escotismo brasileiro está sendo aos poucos achincalhada por alguns dirigentes que ainda não se tocaram das nossas tradições e do nosso orgulho do escotismo que fizemos. Não temos marketing. Dizer que basta o espírito Escoteiro e que o uniforme é apenas uma peça complementar não vai explicar o esquecimento da sociedade brasileira para com o escotismo. Quem sabe um dia teremos uma liderança nacional que vai se preocupar com nosso futuro e pensar mais nos associados e não no caixa e com isto poderemos ver frutos que hoje não vemos.

sábado, 5 de novembro de 2016

HOJE TEM REUNIÃO, ALEGRIA DE MONTÃO.


HOJE TEM REUNIÃO, ALEGRIA DE MONTÃO.

Chefe levanta da cama, é hora de aprender e ensinar.
Pois hoje tem reunião, sua vez de escoteirar!
Chame seu filho maneiro, pois ele é bom Escoteiro.
E não esqueça Maninha, pois ela também é Lobinha.

Se tiver sol ou depois vento, põe-te em guarda e toma tento,
Mas se tem vento e depois água, deixe andar que não faz mágoa!
Afinal se vermelho o sol se por, é delicia do pastor,
E claro, orvalho de madrugada, faz cantar a passarada!

Vista sua vestimenta ou uniforme é hora de ficar nos conformes.
Mostre que você tem honra, não seja mais um pamonha!
Agora parta ligeiro, vá pru Grupo de Escoteiros.
Se aprume, não seja um fardo, mostre a todos que você tem garbo.

Leve consigo um sorriso, ele é o nosso oitavo artigo,
E quando lá chegar, não se esqueça de abraçar.
E na hora da Bandeira, uma saudação de primeira,
Diga depois ao amigo, hoje? Dever cumprido!

Feliz aquele que vai infeliz aquele que fica,
Venha conosco acampar, aceite minha boa dica.
Deixe bater seu coração, pois hoje tem reunião.
E no céu cor de anil, aplausos aos escoteiros do Brasil! 



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Programas de reuniões de Tropa.


Conversa ao pé do fogo.
Programas de reuniões de Tropa.

                        Vez ou outra chefes me mandam e-mail perguntando sobre Programas de Reuniões. Quando comento o que eu acho alguns dizem sim, tudo bem e mudam de assunto. Acredito que fazem de uma maneira e esperavam que eu confirmasse o que fazem o que não aconteceu. Um bom programa de reunião vem de diversas situações que a tropa a patrulha e os monitores participam ativamente e foi dado a eles oportunidade para comentar e sugerir. No entanto muitos acham que devia haver um manual com programas para o ano todo. Deveria mesmo? Já vi diversos formadores emitirem suas opiniões e muitas delas muito válidas. Afirmo, no entanto que cada Tropa tem um espirito Escoteiro diferente. Afirmo que sem a colaboração da Tropa e principalmente dos monitores muitos programas deixam de ter a importância que deviam ter para adestrar e manter o jovem na Tropa.

              Não tenho o dom natural em dizer que o programa que fiz deu resultados satisfatórios e que ele é melhor do que os outros. Consegui manter uma Tropa com 28 escoteiros e quase todos atingiram dois ou três anos de atividade. Sei que muitas outras tropas conseguiram diferente do que fiz. Discutir em conselho de chefes é o melhor caminho. Abaixo alguns exemplos de que a maioria dos escotistas da tropa hoje em dia faz para montar seus programas:

- Na semana ou no mês, com auxilio de assistentes ou em casa de um deles, prepararam o programa, item por item, costumam fazer programas para um trimestre ou mais. Não sei como eles sabem do sucesso do programa e se isto é feito com os jovens em patrulha ou toda a Tropa. Também não sei como sabem do crescimento dos jovens para cobrar dos monitores o que a patrulha tem feito em cada reunião. Nestes programas alguns são sucintos determinando as funções, jogos, palestras e se elas tem tempo livre para comentarem entre si se estão gostando ou não. Têm também aqueles que fazem o programa em sua casa e mandam via e-mail aos seus assistentes determinado a responsabilidade de cada um.  Outros no dia da reunião quase na hora de ir para o Grupo, ele corre para rabiscar um programa, somente para ter em mãos um lembrete e não esquecer o desenrolar da reunião, pois o contrário ele iria se perder e não seria nada bom;

- Existem muitos que nem programa fazem. Estes acreditam um bom Escotista não precisa de programas. Ele é daqueles que vestem o uniforme na sede, chegam correndo respirando o ar como se tivessem trabalhado duro até esse momento. Aprendeu a improvisar sem ver se está dando certo, se os jovens gostam e se voltam na reunião seguinte. Tem aqueles que preferem deixar a escoteirada se divertir com um “racha” de bola, ou jogos já batidos, mas que fazem sucesso sempre que colocados em ação. Se no sábado seguinte alguns faltam ele muitas sempre se entristece ou então ameaça uma expulsão. Claro são minorias. A grande maioria realiza bons programas dentro do que foi proposto no sistema de patrulhas.

                  Para que possamos saber se o programa vai agradar não podemos esquecer que somos coadjuvantes. Se a tropa vive e aplica o sistema de patrulha não tem erro. Nas reuniões de tropa é importante o tempo livre para que as patrulhas conversem se adestrem e troquem ideias para a reunião seguinte. É importantíssimo deixar a patrulha conversar. Chefe não interrompe enquanto o tempo livre existir. Corrigir se preciso é com o monitor educadamente dando explicações e ouvir quais os itens que gostariam de ter nos programas de tropa. Algumas tropas costumam ter reuniões de patrulha na semana, em casa de um deles ou se possivel na sede. Vejamos como poderia se fazer um bom programa:

- Conselho de Patrulha - Reunião programada pelo monitor, semanalmente, antes ou depois da reunião, onde se discutirá além de outros assuntos, as sugestões de programas para a chefia, visando o adestramento progressivo, jogos e sugerindo outras atividades que porventura podem dar mais conhecimentos a patrulha.

Corte de Honra - Realizada uma vez por mês, sob a supervisão de um dos monitores eleito para presidente (vide informações sobre Corte de Honra a parte) e dentre diversos assuntos apresentados às sugestões dos programas de reuniões sempre faz parte. Cada monitor apresenta seu relatório devidamente anotado pelo escriba da patrulha. Nestes casos o Chefe de posse do relatório da patrulha se reunirá com seus assistentes e acatando a maioria das sugestões irão preparar os programas do mês. Isto deve ser levada a sério. Se verificarem que as suas sugestões não foram posta em práticas muitas vezes ele desistem e não dão mais ideias seja em patrulha ou Corte de honra. Cabe a chefia, tornar possível a realização do programa, ver necessidades de jogos, distribuir horários, e caso aparecer algum item discordante não deixar de comentar com a patrulha que sugeriu.

                  Sei que feito pela primeira gera dúvidas, muitos não saberão o que fazer e falhas vão acontecer. É bom lembrar que eles nunca fizeram e precisam aprender a pescar. Tomemos como exemplo que estes jovens em suas turmas no bairro e sem a supervisão de adultos têm seus próprios programas e nunca reclamam. Ouvir o que eles tem a dizer é primordial. Li não sei onde que a aplicação destes programas mostrou que as tropas que fazem seu próprio programa e em alguns casos atividades ao ar livre sem a supervisão de adultos, mantém em suas fileiras por mais tempo seus membros com pouca evasão e com resultados surpreendentes. Muitos deles costuma voltar já adulto para colaborar com o grupo, claro eles sabem que receberam o melhor do escotismo.

                 Costumo afirmar que o escotismo é para os jovens. Os adultos são meros colaboradores e responsáveis pelo desenvolvimento. Não cabe a eles fazer e nem tomarem a frente de tudo. Conheço tropas que em muitos casos os monitores são partes importantes nos programas não só na sua confecção como atuantes nos jogos e outros. A Patrulha de monitores é a fonte do sucesso.

Em breve a continuação destas sugestões aos meus amigos chefes de Tropa.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!


Lendas Escoteiras.
Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!

               A vista era maravilhosa, debaixo daquele enorme castanheiro em um banco simples de madeira feito por ele mesmo estava sentado Lord Baden-Powell. Gostava de todas as tardes ficar ali, olhando seu planeta azul que se destacava no infinito entre milhares de estrelas brilhantes. Suas lembranças ainda estavam vivas. Morava em uma Colônia que tão singelamente batizaram de “Fraternidade”. Era uso fruto dos Escoteiros que um dia partiram para as estrelas. Lord Baden-Powell fazia questão de receber todos com um sorriso com um aperto de mão um abraço forte dos que chegavam da terra. Sorrindo dizia que armassem a barraca no campo mais verde, nas campinas mais florida onde o jorro de uma nascente ou cascata acontecia, e árvores frutíferas que proliferavam. Absorto em seus pensamentos Lord Baden-Powell não viu chegar seu amigo Kenneth Maclaren. Amigos de longa data desde a Guerra do Transvaal e do primeiro acampamento em Brownsea. Eram grandes amigos e sempre se reuniam ali.

                Recebi seu recado General – Disse Kenneth. Lord Baden-Powell sorriu. Sabia que ele teve muitas propostas de outras colônias no céu, mas recusou todas. Era um amigo de verdade. – Sabe Kenneth, preciso de um favor seu – As suas ordens meu General! – Baden-Powell riu e prosseguiu. Tem vários anos que não vou a terra e não sei como vai o escotismo por lá. Você sabe que breve irei para uma colônia de mais luz e nem sei se posso ajudar os Escoteiros terrenos. Se você tiver condições tire uma semana e faça um périplo na terra observando. Tente ver como está o método o aprender fazendo e se o sistema de patrulha está perfeito. Veja também se eles mantem muitas das tradições que deixamos. – Seu pedido é uma ordem general. Irei nesta semana mesmo. Kenneth se despediu não sem antes deixar lembranças a Lady Olave St. Clari Soames, a esposa de BP. Logo que ele partiu Lord Baden-Powell avistou uma tropa de chefes em curso comandada por seu outro grande amigo Chefe John Thurman. Ele sabia que John um antigo diretor de Gilwell Park era mestre em cursos deste tipo. Mesmo com alguns problemas sua colônia tinha muita gente boa.  

                   Na semana seguinte seu amigo Kenneth o procurou. – Já de volta? Disse BP. Já General. E olhe não trago boas notícias. BP não disse nada. Amigo vamos conversar em nosso ponto de reunião. Você sabe que eu amo sentar embaixo daquele castanheiro. – Eu sei General o senhor fez questão de fazer uma réplica de um que existia em Mafeking. Lembro que o senhor adorava ficar lá sentado pensando sobre a guerra. Pois é, mas me conte. - Para dizer a verdade General não tenho muito para contar. Desde a última vez que estive na terra que o escotismo não é mais o mesmo. Estão fazendo grandes modificações. Existe uma liberdade tal que mais parece uma indisciplina assistida. Países que se dizem modernos abrem mão em varias questões que em sua época não iriam acontecer. Uma liderança mundial chamada de WOSM ou OMME tem aprontado poucas e boas.

                  BP. Já sabia deste pormenor. Não havia como mudar. – B-P balançou a cabeça convidando-o a continuar. Olhe General rodei vários países, mas demorei mais no Brasil. Sei que o senhor nunca esteve lá e fez muito bem. Eu até que gostei de muitos chefes que estão atuando, são voluntários de valor e tentam ao seu modo educar a mocidade. Pena que lutam só. As autoridades brasileiras desconhecem o movimento. Dizem que eles só sabem vender biscoitos e ajudam a atravessar idosos nos sinais de trânsito. Muitas cidades aproveitam deles para plantar árvores, limpar praças, ajudar nas calamidades e carregar viveres para os necessitados. Eu sei que a ajuda ao próximo é bem vinda. Mas acampamentos? Técnicas Escoteiras? Quase nada. Eles dão enorme valor aos encontros nacionais e internacionais.

              – Me diga falou BP sabe se o escoteirinho de Brejo Seco conseguiu ir em um Jamboree? Nem pensar General. A taxa que cobram é só para ricos. Me contaram-me que os lideres gostam de cobrar. Afinal eles tem agora uma organização que dizem ser perfeita. Adoram taxar tudo que fazem e até cobram também do que os outros fazem. Tem uma loja que só eles podem vender seus produtos e os preços são acessíveis. Os mais pobres e humildes não tem vez. A palavra de ordem é: - Escotismo é para ricos! - BP pensou: - Coitado do escoteirinho de Brejo Seco. – Olhe General, a direção escoteira brasileira se apropriou de muitos termos e programas que o senhor fez. Registrou tudo como se fossem os donos. Surgiram outras associações e são tratadas a ferro e fogo. Todas levadas às raias dos tribunais de justiça. Esqueceram do sexto artigo e estão esquecendo da fraternidade. Do nosso uniforme que usamos lá na terra muito foi alterado.

                 Fazem questão de praticar um escotismo moderno, estão tentando apagar o passado, as tradições e só se preocupam com o presente. Os novos a gente sabe, passa a ser um hábito de comportamento e formação. Criaram novo uniforme e quer saber general? São mais de dezoito tipos a escolher. Disseram que um antigo poderia ser usado mas não vendem as peças em sua loja. Quer saber general? É comum colocar o lenço amarrado nas pontas e se dizer Escoteiro. Tem muita coisa general. Muita mesmo. Eles agem sem consultar ninguém. Não há transparência do que fazem. Pesquisas? Nunca existiram. Felizmente boa parte dos chefes são pais novos e desconhecem as tradições.

                  Lord Baden-Powell olhou para o seu planeta azul. Rezou muito. Pediu ao senhor que suas idéias não fossem desvirtuadas, que o amor e a fraternidade através do escotismo seja em forma de uma grande fraternidade mundial. Lady Olave chegava com John Thurman. Este sorriu e disse – Eu já sabia General. Em 1954 antes de vir para cá, deixei para eles uma mensagem onde escrevi com todos os meus conhecimentos adquiridos. O chamei de os Sete Perigos. Disse tudo que poderia acontecer. Falei sobre administração, sobre centralização, Seriedade demasiada, falei sobre exclusividade transparência e austeridade. Disse o que o senhor pensava sobre o escotismo entre os pobres. Falei da sua simplicidade e do prazer do rapazes que faziam um escotismo simples. E terminei dizendo que os únicos capazes de por o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Finalizei dizendo que se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.


                 Lord Baden-Powell perguntou ao seu amigo Kenneth: Sabe me dizer se o Vado Escoteiro já chegou? – Não General, ele ainda vai ficar na terra por mais alguns anos. Ele anda meio “pitimbado” mas escreve sobre escotismo e muitos não gostam do que diz. Os chefões e dirigentes nem dão bola ao que ele comenta. BP não disse mais nada. Era hora do grande cerimonial de Bandeira que todas as tardes acontecia em sua colônia. Pelo menos ali a disciplina, a fraternidade e o respeito era comemorado em todos os dias da semana. – Parou cumprimentou a todos na enorme ferradura e ao comando de arriar a bandeira fez sua saudação Escoteira com orgulho.  Ele sabia que nunca deu procuração a ninguém para falar em seu nome. Afinal o escotismo não tinha dono, ele era dos que quisessem seguir sua cartilha. Olhou de novo o planeta azul ajoelhou e pediu ao Senhor que fizesse da Terra um mundo feliz para todos os Escoteiros!