Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. “Sobras” de acampamento.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
“Sobras” de acampamento.

Prólogo: - “Sobras” de Acampamentos/acantonamentos, são objetos deixados pelos lobos e escoteiros (até mesmo seniores) na inspeção final de acampamento/acantonamento encontrados durante a inspeção final.

                   Alguns chefes praguejam, outros aproveitam para comentar onde está o erro e tem alguns que dão belas risadas. As sobras de acampamento e acantonamento existem mesmo em alcateias e tropas bem adestradas. Uns chamam de sobras, outros de bagaço e tem aqueles que explodem com os monitores e dizem: De onde veio este lixo?

                   As boas alcateias e boas tropas nas suas atividades sejam elas quais forem fazem inspeções diárias ou de surpresa. O material individual é bem periciado. Confere-se tudo. Desde o material de higiene individual aos talheres e roupas. Na maioria das vezes está tudo lá e o Chefe experiente pensa que desta vez as “sobras” serão de menor monta. Não é. Lá está a indefectível sobra quando se faz a inspeção final.

                   Assim como eu, os velhos chefes escoteiros e de lobos já devem ter visto coisas do arco da velha em uma inspeção de Gilwell. Coisas de estarrecer o Chefe de Campo de Gilwell Park. Tudo bem que os meninos e as meninas (estas são mais cuidadosas) estão aprendendo. Não é assim que se diz? “Aprender a fazer fazendo”. Mas isso acontecer em um curso de chefes, adultos experientes (assim pensamos) é madeira de dar em doido.

                   Já vi em final de Cursos quando da inspeção final, objetos que nunca pensei encontrar nas “sobras” de acampamento. Cigarros, caixa de fósforos, cuecas, garfo, caneca, meias e tanta parafernália que uma vez achei uma revista Playboy com várias folhas arrancadas. Pode isso? Olhe que naquela época se exigia muitos conhecimentos dos chefes alunos para participarem de um curso desta envergadura. Mas não vamos muito longe, na Barraca da chefia ao ajudar no desmonte, lá estava um garfo, uma caneca e uma carteira cheia de dinheiro. Nossa!

                   Agora nos acantonamentos e acampamentos, principalmente quando ainda são jovens pata tenras (noviços, iniciantes) a coisa se complica. A coisa? “Minino eu vi”! Ao final de acampamento/acantonamento, a inspeção por Matilha ou por Patrulha muitas vezes seria necessário levar um carrinho de mão para recolher as sobras. E achar os donos? Sempre sobrando alguma coisa e levando para a sede. Agora era esperar a mamãe reclamar com o Chefe.

                   Como aprendemos que entregar o local melhor que encontramos seria ponto de honra, a inspeção final não pode deixar de existir. Um raio de 300 metros em volta do local de acampamento deve ser inspecionado. É ali que se encontram coisas do arco da velha. Se houver caminhada até a sede ou até o transporte de volta, os novatos aproveitam para esvaziar a mochila e carregar menos peso. Mentira?

                   Bem pode ser para você. Para mim não e olhe para muitos chefes também. Conheci chefes adestrados e bons mateiros ao fazerem a inspeção final ficam de boca aberta. Cobertores, calças, camisas, estojo de higiene, sapatos, pratos, garfo colher canecas deixadas ao leu. Haja carro para levar tudo de volta.

                   Mas meus amigos chefes sabem que isso faz parte do adestramento e do aprender a fazer fazendo. Sabemos que a maioria dos chefes treina ou adestra seus monitores e a Akelá os seus primos. Algumas sessões fazem isso pelo menos uma vez por mês. Afinal manter seu material faz parte do nono artigo da lei. Não é fácil equipar o material da Patrulha, da chefia ou da alcateia. Perder materiais de sapa muitas vezes é desleixo e vai fazer enorme falta para a próxima atividade de campo. Bom quando se tem um intendente ou almoxarife bem adestrado. Merecem uma medalha de Parabéns!

                   O importante é treinar ou adestrar como se diz os chefes de antigamente. Todos podem errar uma duas ou três vezes, mais que isso alguma coisa está errada. É ruim quando a mãe nos cobra a falta de algum objeto do seu filho. Podem não acreditar, mas em um acampamento de distrito, quando todos já tinham ido embora encontrei uma mochila com todo seu material encostado em uma árvore de um Chefe que displicentemente pegou o ônibus e foi o mais alegre cantante na viagem!

sábado, 8 de dezembro de 2018

Hoje não tem reunião, “Tamo” de férias irmão!



Hoje não tem reunião,
“Tamo” de férias irmão!

Me diga Jocasta da Morcego,
Já não temos mais sossego?
Já acabou a reunião
E “tamo” de férias irmão?

Não posso escoteirar
E nem posso acampar?
Acredite até a Chefe Vera
Também saiu de férias.

Soube que o MacBoi,
O lobo que está dodói,
Aquele que sabia cantar,
Agora nem pode lobear.

Tom, Valdete e Maria Raia,
Foram todos para a praia.
E “nois” o que fazer?
Do Escoteiro esquecer?

“Minino” que maldade,
Agora é viver de saudade,
Já nem faço boa ação,
Na sede fecharam o portão.

Temos que entender Tião Assado,
Que os chefes estão cansados.
Chorar nem vem que não tem,
Reunião só no ano que vem!

Hoje não tem reunião,
“Tamo” de férias irmão!
E guando janeiro chegar,
Vou de novo escoteirar!

Desejo a todos que tiraram umas pequenas férias do escotismo que descansem bastante, e planejem com carinho as atividades Escoteiras do ano que vem. Nunca esqueçam que o escotismo não é tudo, a família em primeiro lugar e depois sim vem este voluntarismo fantástico. Bom descanso, vida longa, muitos sorrisos e divirtam-se!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. A origem da palavra “Escoteiro”.



Conversa ao pé do fogo.
A origem da palavra “Escoteiro”.

Prefácio: - Muitos acreditam que o termo “Escoteiro” foi usado pela primeira vez no Escotismo. Neste artigo deixamos ao imaginário de cada um sobre esta palavra tão sobejamente dita com orgulho por nós que praticamos o Escotismo. ESCOTEIRO e ESCOTISMO não são nomes próprios originários do Movimento Escoteiro, mas substantivos comuns que denominava exploradores e mateiros e a ciência do que praticavam.

                       O termo escoteiro de acordo com o dicionário é definido como: Escoteiro; adjetivo e substantivo masculino. Desimpedido, sem bagagem, sozinho; membro de associação de meninos (as) ou adolescentes organizada de acordo com o sistema de seu idealizador Baden Powell.

                      “A Adoção no Brasil do termo “escoteiro” deve-se ao Dr. Mário Sergio Cardim, principal fundador da Associação Brasileira de Escotismo (ABE), com sede em São Paulo e do Escotismo feminino no Brasil. Sua utilização nesse sentido não é conhecida em nosso país, quando o Dr. Mário Sérgio Cardim descobriu que o substantivo “escoteiro” representava não apenas o “só″, bem como “pioneiro” e “lépido”, conforme lições de Herculano, Camilo, Gaspar Nicolau, Blutteau, citada pelo filólogo Candido Figueiredo.

                      Depois de uma palestra na “Rotisserie Sportman”, com Olavo Bilac, Amadeu Amaral e Coelho Neto, decidiu-se o Dr. Cardim pelo termo “escoteiro”, mais parecido com “scout”, e já empregado em Portugal (escutas), pelo Hermano Neves na tradução do livro de Baden Powell “Scouting for Boys”.
Submeteu a confronto os vocábulos “pioneiro”, “adueiro”, “vanguardeiro”, “bandeirante” e “escuta” que eram então propostos.

                      Esse termo foi oficializado pela Associação Brasileira de Escoteiros, com sede em São Paulo, em seus estatutos impressos na casa Vaberden, em 1915, registrado na 1ª circunscrição de São Paulo, naquele ano, de acordo com a lei. Conforme o Relatório de 1914/16 da A.B.E., o Dr. Mário Sergio Cardim sustentou pelas colunas de “O Paiz” uma amistosa discussão com o Dr. Olympio de Araújo, membro da Academia Mineira de Letras, que defendia o termo “bandeirante”.

                     Afirma o referido relatório, na página 4: “Provamos então que “escoteiro” significa também corajoso, esperto, destro, etc.…, e que, “bandeirante” tinha o inconveniente de poder denunciar uma preocupação regionalista.” As organizações escoteiras que funcionaram no Brasil, antes da A.B.E., segundo nos consta, usavam ainda denominações em idioma estrangeiro, como é o caso do “Centro de Boys Scouts do Brasil” no R.J.

                     Também foi o Dr. Mário Sergio Cardim que utilizou pela primeira vez o termo “Sempre Alerta” para tradução de “Be Prepared”. Além do texto acima, também me socorro de um texto postado recentemente, por Fernando Robleño, que diz o seguinte.

                O vocábulo “escoteiro”, diferentemente do que se prega, não foi inventado pelas associações escoteiras. As primeiras aparições do termo “escoteiro” datam antes mesmo de Baden-Powell ou, no caso do Brasil, antes de Sergio Cardim (que, como todos sabemos, escolheu essa palavra, entre outras, para definir os praticantes do escotismo). Em 1879, por exemplo, a palavra “escoteiro” apareceu na obra “Cancioneiro Alegre”, de Camilo Castelo Branco. Pode ser visto, também, em “Lendas Indígenas”, de Gaspar Duarte, em 1858.

                        O vocábulo “escoteiro”, que até então era de uso comum, foi tomado de posse pelas associações escoteiras, todas elas. O termo só foi dicionarizado em 1780, e a inclusão do sinônimo “integrantes de um corpo ou unidade escoteira (sem fazer referência a uma associação) décadas mais tarde.”. Além disso, mais do que entender a origem do termo escoteiro, oportuno termos presente o significado do termo que lhe deu origem = SCOUT, que, traduzido do inglês literal, é o explorador, mateiro.

 BP define SCOUT como:
Um explorador ou esclarecedor militar, que, como sabem; é em geral, no exercito, um soldado escolhido por sua inteligência e coragem para ir adiante das tropas, descobrir onde se acha o inimigo e, informar ao combatente tudo o que puder averiguar a seu respeito. Mas, além desses exploradores que prestam serviços na guerra, há também os exploradores que servem na paz – homens que em tempos de paz executam tarefas que requerem a mesma dose de coragem e de engenhosidade. São os homens que vivem nas fronteiras do mundo civilizado.”

                     Scout é uma palavra familiar para as crianças da Inglaterra. Em 1900, ainda antes da libertação de Mafeking, apareceu uma série de histórias intituladas ‘The Boy Scout Scarlett’ e, a ‘New Buffalo Bill Library’ editada pela The Boy Scout na mesma ocasião.” Feitas estas considerações iniciais, está esclarecido que antes mesmo de BP, originariamente, o termo SCOUT era adotado para denominar o explorador, o mateiro e, SCOUTING, a ciência de explorar.

                    Que fique bem claro que os termos SCOUT (escoteiro) e SCOUTING (escotismo) não se originaram do Movimento Escoteiro criado por BP, mas ao contrário, BP utilizou estes termos porque pretendia que os jovens do Movimento Escoteiro fossem capacitados para se tornarem tão aptos quanto os SCOUT, através da prática do SCOUTING. Portanto, SCOUT e SCOUTING, e, ESCOTEIRO e ESCOTISMO não são nomes próprios originários do Movimento Escoteiro, mas substantivos comuns que denominava exploradores e mateiros e a ciência do que praticavam.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Ser escoteiro. Pelo Chefe Português Vitor Simão.



Conversa ao pé do fogo.
Ser escoteiro.
Pelo Chefe Português Vitor Simão.

                  Ser Escoteiro... É um conceito de difícil definição... Não há consensualidade nas respostas encontradas para este conceito... A minha opinião em relação a este conceito é muito vasta. Para mim ser escoteiro não é ir somente no dia da atividade e apresentar-se perante o grupo, pensando que assim se está a cumprir o dever de Escoteiro. Ser Escoteiro é pertencer a uma família, é todos os dias viver de acordo com esses ideais, é um modo de vida. Ser Escoteiro é no dia a dia envergarmos sem medo o nosso uniforme virtual, de modo a que todos os dias quando nos deitarmos possamos pensar que em mais um dia o Escoteiro que está dentro de nós cumpriu o seu dever.

              É por isso que ninguém deve esquecer, acima de tudo, que ser Escoteiro é um modo de vida! - Algumas pessoas nunca entenderão o que é ser-se escoteiro. É conhecimento geral que um escoteiro não pode mentir que é bem-comportado e que ajuda as velhinhas a atravessarem a rua. Quando passam na rua, cantam muito e alto e ocupam o ônibus ou o metrô com as suas mochilas e tralhas. Ajudam a limpar praças, estradas e picadas onde passam e os católicos sempre animam as missas – por vezes chegam a levar o próprio padre para os acampamentos e arraiais que ficam para lá do sol posto e que têm missa uma vez por ano.

                   Quando me perguntam – quer por curiosidade, quer por malícia – o que é que eu faço nas ‘atividades’ que tenho ao sábado, custa-me um pouco a explicar. Afinal, porque vou revelar o mundo do escotismo a quem parece não querer compreender? Acabo sempre por levantar o véu em algumas questões - as atividades aos sábados são momentos de desenvolvimento pessoal, social, religioso e físico através de atividades direcionado ao grupo etário em que se está inserido. Quando se é lobinho, as atividades são simples e visam aumentar a independência das crianças. Quando se é escoteiro, as atividades ainda são muito físicas, mas há um lado de descoberta, de criatividade e desenvolvimento do raciocínio; procura-se desenvolver a responsabilidade e o trabalho de equipe.

                  Quando se é sênior está-se a viver uma fase de conflitos e de mudança em todos os níveis, procurando-se, através do escotismo, ajudar a superar as dificuldades, a aceitar as perdas e a viver alegremente as vitórias. É uma altura de reflexão, de descoberta, de imposição de limites às ações e de responsabilização dos atos e escolhas. Quando se é pioneiro é ser um jovem adulto. Existem outras 'pedras' importantes na vida e os escoteiros começam a perder terreno no calendário. Mas se é pioneiro, nunca se poderá deixar de ser escoteiro, pois se torna auto-suficiente, responsável, livre, disciplinado, generoso, trabalhador... É ser alguém que tira alegria do serviço. É dar-se profundamente ao movimento!

                    Começa-se a dar aquilo que durante anos se recebeu. Na Oração do Escoteiro. Há um verso que diz “Senhor Jesus ensinai-me a trabalhar sem procurar descanso, a viver sem esperar outra recompensa, senão saber que faço a vossa vontade Santa vontade”. Eu suponho que é isso que é ser-se chefe. Ainda não o sei, mas talvez um dia conseguirei sabê-lo, se aprender a gerir o meu tempo e a minha vida. Há uma altura da nossa vida em que parece termos tempo para fazer tudo, mas em que não temos idade para fazer quase nada. Se já no fim da adolescência e inicio da idade adulta não temos tempo para fazer nada, não deixa de ser verdade que continuamos a ter vontade de fazer tudo!

                 Mas o tempo escasseia… Outros montes – mais próximos – precisam de ser escalados, e como o ser humano ainda não inventou uma maneira de fazer duas coisas ao mesmo tempo, os escoteiros são postos de lado. São parte de nós mesmos e tal como a família, esperamos que compreendam a razão pela qual os pomos de parte – porque os amamos. Mas – e há quase sempre um ‘mas’ – chegámos aos pioneiros, e nos pioneiros se não somos nós que fazemos e queremos e conquistamos, certamente não são os chefes que o fazem. Afinal de contas, o Clã são os pioneiros que o fazem e sem pioneiros, há só uma distante memória do que é ser-se escoteiro.

                  O problema que divide o coração de todos que amam o escotismo é – o escotismo não é ir-se aos escoteiros, é um modo de viver a vida. É intrínseco a cada célula, é uma força que nos impele a caminhar e a rodear os obstáculos que não podem ser movidos. É uma bússola que está sempre certa, o rumo que sobre a montanha, e não aquele que a desce; é o curso de água que serpenteia por entre as rochas e que só encontra o caminho para o mar porque se junta a outros cursos. É parte de quem somos. Nós somos o escotismo vivo e podemos viver sem ir às reuniões, e aos acampamentos. No entanto, o escotismo-instituição não vive sem membros que vão às reuniões e aos acampamentos. Precisa de ser regada todos os dias e a água de que precisa somos tão-somente todos nós.

                 Digo que é possível ser-se escoteiro sem se ir às reuniões e atividades – porque o é. Mas nada, nada, se compara a uma jornada com chuva, ou à construção de uma mesa rústica; partilhar um almoço com a matilha patrulha ou equipe, cantar e tocar viola a volta de uma fogueira, beber leite quente, aquecido em panelas de alumínio que já foram esfregadas por quase duas gerações de escoteiros; fazer serviço de campo, vender jornais à chuva, para arrecadar dinheiro para a atividade de Verão; e tantas outras coisas que tornam o escotismo no que ele é – um movimento de crescimento, conhecimento, partilha e amor. Nada disto significa nada se cada um de nós não dar o seu quê, não fizer a sua quota-parte, se quando chega a sua vez, abandona o movimento que o viu crescer e o ensinou. Sim, é possível ser-se escoteiro sem se ir aos escoteiros, mas não se é um verdadeiro escoteiro se não se faz tempo para ajudar a manter e construir o seu movimento. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O valor do elogio e o abraço.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O valor do elogio e o abraço.

Prefácio: - Você já elogiou alguém essa semana? Deu um abraço? Hoje? Ninguém mereceu um elogio e um abraço seu? Quem sabe você é daqueles que espera que alguém faça isso para você. Mas não espere muito seja você o primeiro a fazer.

                              O elogio e o abraço são muito importantes, um ótimo recurso para incentivar os lobos, escoteiros chefes dirigentes e pais para melhorar o seu comportamento, o desempenho nas suas atividades escoteiras ou até mesmo para sentir o sabor do seu sorriso. Sei que muitos primos, monitores, chefes e dirigentes não costumam elogiar onde atuam, e até mesmo seus familiares.

                               Muitos não reconhecem o esforço e dedicação da pessoa, e as suas tentativas ou realizações não são valorizadas. Ao invés de elogiar, cobram e exigem coisas que a pessoa ainda não está preparada, não sabe, não tentou ou não teve tempo para fazer, podendo gerar nela desmotivação e sensação de fracasso, de que “nunca é o suficiente”, levando-a a pensar que não vale a pena continuar tentando, que é melhor “chutar o balde” e desistir.

                              Elogiar e abraçar faz um bem danado e que tem o poder de transformar o dia de uma pessoa. Mas quando a gente fala uma coisa da boca pra fora, a energia empregada (que na verdade nem é muita, nesse caso) não cumpre o seu papel transformador do outro. Se a gente soubesse do poder das nossas palavras, certamente pouparia a falta de sinceridade emanada por alguns e isso evitaria, ao máximo, espalhar negatividade.

                             Penso que, muito além do abraço e do elogio tanto o físico quando as qualidades intelectuais/emocionais de alguém, a gente precisa aprender a falar mais para o outro sobre o significado dele nas nossas vidas. Não importa a idade, seja lobinho escoteiro ou Chefe. Algumas pessoas atuantes no escotismo tem mais facilidade do que as outras para falar sobre o que sentem, mas é possível começar com alguém com quem se tem confiança e liberdade, para que nos sintamos mais confortáveis e para que a conversa não tenha um clima pesado, de obrigação.

                             Já vi os efeitos de um elogio e do abraço. Sinceros é claro. Valem mais que valores ou presentes dados em sinal de agradecimento. Um exemplo: No Grupo Escoteiro temos amigos de todas as idades com os quais convivemos por muito tempo, nutrimos sentimentos lindos, mas para os quais raramente falamos ou agimos sobre esse assunto. E se a gente não fala, não abraça a pessoa não sabe, não é mesmo? Pois bem. Basta que a pessoa vá embora ou morra pra que chovam elogios e muitos se ressentem por não ter abraçado.

                              No Facebook isto é comum. Enquanto viva a pessoa quase não recebe elogios. Muitas vezes nem lembrado é. Se adoece se morre todo mundo posta foto, todo mundo elogia, diz que a pessoa foi especial, importante e tudo mais. Mas a pessoa que morreu não vai saber disso, pois não vai acessar o Facebook pra ler as homenagens. Então, por que a gente não elogia sempre que possível? Por que não abrimos o coração para as pessoas que a gente gosta e dizemos pra elas o quão importantes são pra gente?

                             O escotismo é um manancial onde todos podem beber na fonte da boa fraternidade. Respeito, igualdade, sinceridade. Isto faz com que os participantes acreditem que faz parte de uma grande família uma grande fraternidade. Falando assim parece difícil, estranho, mas basta começar e a ideia germina e se espalha.

                             Uma das coisas que aprendi nessa minha jornada de vida e no escotismo é que o melhor momento é sempre o AGORA, afinal, é só o agora que a gente tem pra fazer ou falar o que quer que a gente deseje. Então, abra o coração. Se você não se sentir à vontade falando pessoalmente, mande uma mensagem, um cartão, carta, flores… Nossas palavras – escritas ou faladas – são nossos maiores “superpoderes”.

                             E não pensem que um certificado, um diploma de mérito e outros não ajudam no reconhecimento, no elogio que o recebedor espera. Mas que seja espontâneo sem o caráter burocrático que vem acontecendo nas comendas e condecorações. Carinho, respeito amizade, um bom aperto de mão e até mesmo um abraço tem valores incomensuráveis na vida de um amigo de alguém que está do nosso lado. Tente sentir do que um abraço é capaz. Quando bem apertado ele apara tristezas, combate incertezas, sustenta lagrimas, põe a nostalgia de lado. E olhe é até capaz de diminuir o medo.

                              Respeito estima gentileza, afeição e cortesia são sinônimos de boa convivência, de irmandade o que sempre nos recorda a nossa Lei Escoteira cujo sexto artigo diz com firmeza: “O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros”. Abuse do abraço, elogie sempre e em pouco tempo irás sentir a mudança em todos que estão ao seu redor.

domingo, 18 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. A Escola da Vida!



Conversa ao pé do fogo.
A Escola da Vida!

"Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta." Chico Xavier.

                       Não sei se existe idade para que possamos aprender nesta formidável escola do mundo em que vivemos. Uma grande poetiza dizia que todos nós estamos matriculados na escola da vida e desde que nascemos nesta escola o mestre é o tempo. A cada dia vamos aprendendo. Não importa a idade, pois o aprendizado não para. Dia e noite. É bom aprender com o silêncio, com os falantes, com os intolerantes e os gentís.

                      Costumo dizer que agradeço a todos pelo que aprendi e ainda aprendo. Não levo em consideração se são rudes, se são estranhos. A eles sou eternamente grato. De vez em quando penso nas palavras de Baden Powell quando disse que é uma pena que um homem tenha que viver sessenta anos para adquirir alguma experiência de vida e a leve para o túmulo, cabendo aos que o seguem começar tudo de novo, cometendo os mesmos erros e enfrentando os mesmos problemas.

                     Leonardo da Vinci comentou que a experiência é uma escola onde são caras as lições, mas em nenhuma outra os tolos podem aprender. Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende. São duas coisas distintas – O saber dado pelos mestres nas escolas e a vida como ela é, sendo olhada, guardada em nossa mente e nos fazendo crescer no dia a dia.

                     Um famoso pensador comentou que, no dia em que guiarmos nossas ações, juízos, estudos e decisões por valores que visam ao sublime em vez da mesquinhez, quando agirmos inspirados mais nos critérios de justiça, da generosidade, da prudência, da temperança do que do interesse do egoísmo, no dia em que agirmos meditando sempre na beleza da doçura, na importância da humildade, no valor da coragem e no lugar da compaixão, nesse dia nosso planeta atingirá aquele estágio supremo que toda evolução técnica teve por meta.

                    O escotismo nos deu escolhas. Não importa se entramos nele como jovens ou adultos. Ele o escotismo nos da escolhas simples, honestas baseadas em uma lei e uma promessa. Aprendemos muito a cada dia, a cada hora, a cada minuto. Aos poucos vamos fazendo um arquivo em nossa memória impossível de descrever ou escrever. É este arquivo é quem nos ensina como compreender, ser calmo, ponderado, e assim aceitarmos mais alegremente a vida como ela é, sem reclamar e aceitando o que nos foi dado como meta.

                   Às vezes penso que muitos jovens ou mesmos outros que ainda não estiveram em todas as salas da escola da vida não seguem o exemplo daqueles que já passaram por diversas etapas, carregam vasta experiência que poderia ser útil na sua luta pela vida. Eles se sentem seguros, acreditam andar com firmeza e afirmam que o que fazem é o certo. Mas isto não é bom? Será? Um dia não poderão pensar que o caminho escolhido poderia ter sido outro? Fica a dúvida, pois para que serve o livre arbítrio?

                  Hoje posso afirmar que tive a oportunidade de participar ativamente deste movimento que só me deu alegrias. Os percalços que encontrei foram também aprendizado, afinal nem tudo são flores. Sempre as pegadas desaparecem no caminho. Cabe a todos nós procurar ou fazermos novos caminhos que nos levem ao sucesso. A Escola da Vida e Deus me deu o que preciso para continuar a jornada. Mente clara, pensante, ativa procurando nos seus recônditos uma maneira de ajudar e colaborar.

                 Aprendem todos que vivenciam a metodologia escoteira. Nosso Mestre nos mostrou o valor da natureza em nosso crescimento. Dizia ele que quando um filhote de lobo ouve as palavras “estudo da natureza”, seu primeiro pensamento é sobre coleções da escola de folha secas, mas estudo da natureza real significa muito mais do que isso, o que significa saber sobre tudo o que não é feito pelo homem, mas criado por Deus.  È ela a natureza uma das grandes matérias da Escola da Vida.

                 Todos nós queiramos ou não passamos pela escola da vida. Alguns passam de ano mais rápido outros ficam no caminho até achar uma nova pista para prosseguir. Lemos no tempo, no vento, no céu, nas estrelas as páginas dos livros que muitos desconhecem. São livros não escritos cheios de matérias do dia a dia. São as alegrias, as dificuldades, os sacrifícios que nos dão a certeza de um dia receber o diploma tão esperado.

                 Conseguimos no aprendizado a receber muitos diplomas. Cada um deles uma etapa de vida. A Escola da Vida não para. Há muito que aprender. Ela nos dá a única riqueza que vamos levar a cada viagem que um dia iremos realizar. E a cada estação, a cada apito do trem descendo ou subindo iremos encontrar mais e mais escolas. São milhares. Nunca irão cessar. Queira ou não vamos trocando ideias com os que passaram por esta escola antes da maturidade. Mas acredito que tem de ser assim. E como dizia Saramago: - “Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo”!

               Na escola da vida, o que nos move são as perguntas e não as respostas. É preciso saber perguntar para encontrar a resposta que nos levará onde queremos chegar. BP um sábio mestre escreveu que o homem que é cego para as belezas da Natureza, perdeu metade do prazer da vida, e Charles Chaplin completa: A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. O grito de Patrulha.



Conversa ao pé do fogo.
O grito de Patrulha.

Prefácio: - No esporte, existem campeões e existem heróis. Campeões vencem porque são bons no que fazem e tiram proveito particular de suas vitórias. Heróis vencem quando menos se espera, superam seus próprios limites, e quando recebem os louros dividem suas vitórias com uma nação inteira... Augusto Branco.

              O escotismo é interessante. À medida que vamos conhecendo seu programa, sua metodologia, suas histórias e tradições, passamos a nos entregar plenamente a sua filosofia. Muitos não sabem explicar esta atração Badeniana. A cada reunião, a cada atividade, a cada acampamento nosso coração pulsa pensando que vai ser para sempre. O Fogo do Conselho? E a Canção da Despedida? E as amizades de Patrulha, de cursos de encontros escoteiros? Eita... Aguenta coração.

              Hoje me deu vontade de dar o Grito da Minha Patrulha. “Arranca uenka, lelenka”... Ilka, telita no globo... Orgulho de ser da Patrulha Lobo! Era assim mesmo? Acho que sim, nem lembro mais. Cada um que teve uma Patrulha sempre se orgulhou do seu grito. Já vi milhares. Não importa as frases, as tiradas, pois todos os gritos tem seu valor. Um Velho Chefe a quem chamavam de Velho Lobo me disse um dia que Gritos são tradições imutáveis. Eles existem para dar vida a Patrulha. É como se ela quisesse dizer: - Jovens, se unam como um todo em volta da fraternidade, pois aqui somos um só.

              E como é delicioso, agradável quando se vê uma Patrulha orgulhosa dando seu Grito de Patrulha. Cada tropa tem sua mística. Cada uma tem sua história para as patrulhas darem seus gritos. Tem aquelas que as patrulhas ficam em circulo fechado, bastão ao meio, todos ali segurando e o Monitor eleva acima o totem e todos eles dão o grito. Tem outras que se formam em linha e olhando a frente com o Monitor com bastão levantado dão seus gritos sorrindo deliciosamente. Não importa como. Aquele Velho Lobo também contou que pelo Grito conhecemos o Monitor e a tropa. Acredito ser verdade. Quantos artigos da Lei estão ali? Quem sabe a cortesia, a lealdade, a fraternidade, a honra o sorriso que vale mil palavras.

              Os Gritos mostram muito. A força simpática do Monitor mostra a alegria do mais antigo ao mais novo em participar. E quando terminam? Uma apoteose. Vejam o olhar! Vejam o orgulho de pertencer a Patrulha. Só quem esteve lá sabe como é. Não importa se o grito é longo, curto, se é em português, latim, francês, inglês, ou mesmo em linguagem galáctica ou em tupi-guarani. Não importa mesmo. Sabem o que é mais importante? Nunca aceite que troquem o grito. Ele é uma tradição e tradições se mantem firmes no coração de cada um.

               Alguém que assumiu a monitoria não gosta? O Chefe também? Mas meu amigo, quantos passaram pela Patrulha e hoje antigos escoteiros nunca esqueceram seus gritos? Quantos seguraram no bastão, gritaram alto para o mundo ouvir? Quantos nunca se esqueceram da vibração da Patrulha? O orgulho de pertencer a ela? Portanto grito não se muda nunca. É eterno. Para sempre. Forever!

             Em toda minha vida escoteira fui um eterno observador dos gritos de Patrulha. Lembro-me de um dado por uma Patrulha, em um Acampamento Regional de Patrulhas onde tive a honra de ser o Chefe do Sub Campo Sênior. Cento e trinta e seis patrulhas. Para mim na época uma apoteose. Uma delas de um Estado Brasileiro teve seu grito escrito escritos nos anais da história. O Grito demorava bem uns três ou quatro minutos. Quando as patrulhas terminavam os seus gritos corriam para se juntar a essa Patrulha e era um espetáculo fabuloso vendo todos juntos dando o grito dela.

             Gritos quando a Patrulha gosta não tem hora nem lugar. E nos acampamentos? Alvorada, lusco fusco da manhã, o orvalho caindo, um frio danado e lá estávamos nós. Bastão ao meio, totem levantado e gritava! Quem se importava com o sono? Com o frio? Se em uma excursão ou em uma atividade aventureira chegávamos ao ponto escolhido, com chuva ou sem chuva lá estava a Patrulha a mostrar que tinha orgulho, tinha união e seu grito nunca podia ser esquecido. Já dei com a Patrulha Lobo gritos em montes e vales, em altas montanhas, em diversos estados, dentro de vagões em viagens intermináveis.

            Quando cresci gostava de participar dos ajuris, dos ARPs, dos Acampamentos Distritais e Regionais tirando um tempo para ver e ouvir os Gritos de Patrulha. Dizem que hoje nestas atividades os gritos deixaram de existir. Dificilmente a Patrulha participa completa. Uma pena. Uma tradição que nunca deveria ser esquecida. Lembro que a Patrulha voltando de um acampamento, já noite de um domingo e passamos por um comício na praça da cidade, um candidato nos viu, desceu do palanque e pediu para darmos o grito de Patrulha. Atendemos sem reclamar ao Senhor Jânio Quadros!

             No escotismo temos os gritos de Tropa, do Grupo, do Distrito e o da União dos Escoteiros do Brasil. Todos são importantes, mas o Grito da Patrulha é único. Ele dá uma comichão no corpo, uma sensação deliciosa de pertencer aquela Patrulha. Lembro que quando alguém por um motivo qualquer fosse sair da tropa, dávamos o grito. O único onde não havia sorrisos só o Adeus da Despedida.

             Amo o escotismo, por todos meus setenta anos o Grito sempre me marcou. De escoteiro, de sênior, de pioneiro, e quando fiz o CAB e o Avançado de lobinho fiquei bambambã, só porque não tinha grito só grande uivo. Rs, rs.

          Que as patrulhas gritem. Alto e em bom som. Que mostrem a todos sua força, sua vontade seu orgulho em ser Escoteiro. Grito de Patrulha, quem já deu nunca mais vai esquecer!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. As esperanças não morrem jamais.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
As esperanças não morrem jamais.

Bình Lê Đình é meu amigo no Facebook. Assíduo nos meus contos sempre com uma palavra de carinho. Bình Lê Đình é natural de um país asiático. Não tenho certeza, mas acho que é o Vietnam. Tentei saber qual sua cidade, mas na sua página não constava. Bình Lê Đình é um escoteiro nato, orgulha de ser um Badeniano e tem princípios da melhor cidadania escoteira.

Porque escrevo tudo isso? Porque sou um velho orgulhoso do que sou e sempre mantive a fleuma que os meus chefes esperavam de mim ao vestir o uniforme. Sempre acreditei que devíamos ser um espelho para a juventude. Aprendi isso com meu Chefe e meu Balu. Não importava onde, mas sempre tínhamos de nos manter limpo, com boa apresentação. Desculpas não eram aceitas!

Pois bem, Bình Lê Đình vem publicando uma série de fotos de escoteiros e escoteiras a maioria asiáticos, mas também de outros países. Dá gosto ver as fotos. Garbo e apresentação com espírito escoteiro. Uniforme exemplar, transpirando orgulho e que deveria ser imitado.

Sou velho gagá para dizer isto. Muitos já se ajustaram com as mudanças. Os novos lideres impuseram suas escolhas sem consulta, e os novos acreditam que deva ser assim. Um Chefe dos novos comentou que não é o uniforme que faz o escoteiro. Deveriam acrescentar que é o escoteiro quem faz o uniforme. Estamos passando por uma fase de mudanças e os velhotes escoteiros como eu se sentem deslocados, fora de sintonia. Mas quem está certo?

Seria a tal liberdade de escolha? Novos tempos? Um lenço uma cueca ou uma calcinha e está devidamente apresentado como escoteiro? Desculpe a galhofa, mas se o lenço representa a nossa característica Badeniana para que as demais peças do uniforme? Vejo muitos com camisetas e lenço. Quantas mudanças, quantas voltas no mundo. Tem futuro? Não estarei aqui para contradizer.

Antes só podia colocar o lenço quem fizesse a promessa e estivesse devidamente uniformizado. E era cobrado com rigor. Hoje? Camisa fora da calça, meia de qualquer cor, chapéu a critério do Chefe, postura do lenço conforme escolha. Dizem que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Quem sabe daqui a alguns anos a população vai dizer: São escoteiros. E lá vão eles um punhado de lenço no pescoço e sandália de dedo vestidos a escolha do freguês. Vá saber!

Já vi até alguns com o uniforme que chamo de tradicional e que alguns não concordam o caqui e com a camisa fora da calça. Vale tudo. Já vi chapéu de boiadeiro, chapéu texano. Chapéu australiano e outro dia um com um lenço amarrado na cabeça à moda indiana. Vale tudo.

Sei que muitos tem explicações a dar. Cada um tentando dar seu testemunho da maneira de vestir a vestimenta. Podem estar certo na interpretação, mas me desculpem. A comunidade não pensa assim. Sou testemunho de muitos que assistindo desfiles ficaram abismados com a apresentação. Se isto está certo continuaremos a ser os eternos desconhecidos do Escotismo no Brasil.

Parabéns Bình Lê Đình. Você está dando uma aula de postura, de garbo, de apresentação de valores... Ops! Peço desculpas aqueles que adotaram a vestimenta. Aplaudo os que estão bem trajados, ou melhor, uniformizados, dando exemplo e fazendo um marketing a altura da nossa apresentação escoteira. Quem sabe um dia nossos dirigentes vão ver que a sociedade como um todo não vê com bons olhos esta apresentação que alguns defendem. Aguardemos o futuro. Quem sabe vão aprender a consultar e pedir sugestões?

Ah! Nova safra, novos chefes! Velhos uniformes, novas vestimentas e novas escolhas... Velhos como eu e novos como Bình Lê Đình e alguns poucos Velhos Lobos ainda não se esqueceram de que a apresentação é nossa maior marca, é nosso maior marketing. Hoje somos eternos desconhecidos pela sociedade brasileira e quem sabe uns dias aqueles que hoje acreditam na modernidade, nesta liberdade de escolha vistam algum apresentável se orgulhando do seu uniforme ou vestimenta.

Parabéns Bình Lê Đình. Bom ver você dando exemplo a esta juventude e chefes em todo o mundo principalmente no meu país o Brasil que tanto precisa aprender e acreditar que o escotismo é uma forma de apresentação individual.

“Escoteiros”! Lobos! Seniores! Pioneiros! Chefes! Se preparem a inspeção já vai começar!

domingo, 11 de novembro de 2018

Lendas e realidades Escoteiras. A bravura de um herói. A História de Caio Vianna Martins.



Lendas e realidades Escoteiras.
A bravura de um herói.
A História de Caio Vianna Martins.

Prefácio: - (Esta é uma historia contada aos pedaços da vida de Caio Vianna Martins). “Parte dela é fruto da imaginação do autor”. O desastre e outros detalhes são reais – em 1973 em um acampamento regional Escoteiro em Matozinhos foi entregue a seu irmão uma medalha de Valor Ouro post mortem a Caio Vianna Martins. (Eu estava lá!). 

                Apenas um menino, igual aos demais. Nasceu no dia 13 de julho de 1923 em Matozinhos MG; Seu professor no Grupo Escolar contou algumas passagens de sua vida. Ninguém imaginava que aquele menino um dia seria um exemplo para todos os escoteiros do mundo. Um verdadeiro herói. Dizem que os heróis não se fazem, já nascem assim. Professor Jamilson nunca observou Caio por este prisma. Hoje se sente orgulhoso de um dia tê-lo conhecido. Quando o viu pela primeira vez adentrando na sala de aula fez uma mesura para seu Mestre. Sabe Moço, dizia o professor. Eu Lecionava na Escola Visconde do Rio das Velhas e o conheci em 1929. Ele tinha seis anos na época e nunca ouviu falar dos escoteiros. Alguns anos mais tarde seus pais foram para Belo Horizonte e ele se matriculou na Escola Barão do Rio Branco.

             Caio na sua simplicidade nunca pensou em ser lenda, herói ou um Escoteiro padrão. Sua vida escoteira teve início em um sábado quando com um amigo foram assistir ao treino de um time futebol e viu pela primeira vez os escoteiros. Ficou fascinado e não deu sossego ao seu pai enquanto não o levasse para matricular. Era agora aluno do Colégio Afonso Arinos. Entrou para os Escoteiros e entregou-se de corpo e alma a sua nova filosofia. Não tenho certeza, mas acho que fez sua promessa em uma tarde de maio. Sua vida mudou. Tinha como seu exemplo os chefes Clairmon Orlando Gomes e o Chefe Rubens Amador.

                  Caio amava o escotismo e seus pais tinham orgulho dele. Conhecia Gerson Issa Satuf que era de outra Patrulha e de vista o lobinho Hélio Marcus de Oliveira Santos A história de Hélio com seus noves anos nunca foi contada. Sorria pouco e quase não falava. Era um Lobinho entusiasta conforme lembravam seus chefes de alcatéia. Foi em um acampamento em Contagem em um sitio de um amigo do Chefe Francisco Floriano de Paula (grande mestre Escoteiro e reitor do colégio onde estudava foi um marco no escotismo mineiro). Caio, Hélio e Gerson se cruzaram muitas vezes.  O acampamento marcou a vida de Caio Martins para sempre. A vida passava muito rápido e logo ficou sabendo da atividade em São Paulo. Convenceu seus pais a deixa-lo ir afinal era bom estudante e bom filho.

                  Caio já era o monitor da patrulha. Na época os monitores eram escolhidos olhando mais sua idade e desenvoltura. Baden-Powell em seu livro Escotismo para Rapazes dizia que os mais velhos são mais respeitados pelos mais novos. Foi uma festa quando partiram no trem noturno para São Paulo.  Eram seis lobinhos, doze escoteiros, três pioneiros o Chefe Clairmont e Rubens além de mais dois membros da Comissão Executiva. Uma delegação de 25 participantes. Embarcaram na Estação Ferroviária em Belo Horizonte. No vagão dos escoteiros era só cantoria e alegria. O condutor o Velho Gabriel com seus bigodes imensos sorria com aquela meninada divertida e alegre. Vinte e duas horas num trem sacolejante e fumacento Até São Paulo. Naquele vagão onde dormiam os escoteiros ninguém imaginava o que estava para acontecer. A História do herói começou a ser escrita.

               Ninguém até hoje explicou porque o Chefe da estação João Aires não parou o trem de carga que descia a Serra da Mantiqueira. No Noturno todos dormiam sorrindo em pensar o que fariam ao chegar ao seu destino. Nas páginas do livro da vida uma nova etapa tinha inicio marcado. Para Mario Montes o maquinista do cargueiro, mais de vinte anos fazendo o mesmo trajeto nem imaginava o que ia acontecer. Jonas o Coruja maquinista do Noturno nem percebeu o trem cargueiro em sentido contrário se aproximando a toda velocidade. Tarde demais! O desastre era eminente! Os freios rangeram, os apitos soaram, e a batida veio forte. Estrondos se fizeram ouvir. Vagões foram expulsos da linha e jogados em uma ribanceira. Duas e cinco da madrugada fatídica. Um engavetamento monstro se formou. 20 de dezembro de 1938 entrou para a história. O vagão onde eles estavam saltou do trilho e se espatifou em um barranco. Gritos, pedidos de socorro, tudo escuro e nada se via. O Chefe Clairmont e Rubens se puseram na ativa. Chefes são sempre assim. Poucos reconheceram o heroísmo de que eles eram possuídos. Só havia preocupação em ajudar os feridos.

                   Reuniram todos os membros do grupo e deram falta de Hélio Marcos e Gérson Satuf. Foram encontrados mortos embaixo dos escombros. Era uma carnificina. Os que ainda estavam de pé corriam para ajudar. Os pioneiros fizeram uma grande fogueira com os destroços dos vagões, pois a escuridão não ajudava. Caio cambaleante ajudava como podia. Ele havia recebido uma pancada na região lombar e não contou a ninguém. Clairmont e Rubens estavam esgotados. Só às sete da manhã os primeiros socorros vindo de Barbacena começaram a chegar. Viram Caio claudicando sentindo dores terríveis. Tentaram levá-lo na maca e ele não aceitou. – Tem feridos piores disse. A história é cheia de fatos heróicos. Foi assim com Caio Vianna Martins. Ao Chegar a Barbacena, uma golfada de sangue e com os lábios tremendo recusou novamente a maca dizendo as mais belas frases que o mundo conheceu: 

– “Há muitos feridos aí. Deixe-me que irei só. Ajudem os outros, eu sou um Escoteiro e o Escoteiro caminha com suas próprias pernas”! – Saiu caminhando e desfaleceu morrendo alguns dias depois em um hospital de Barbacena. Tudo seria esquecido se não fosse dois grandes homens públicos mineiros Alcides Lins e Otávio Negrão de Lima que presentes viram tudo e contaram para o Brasil e para o mundo o que disse o herói Escoteiro. O gesto de Caio Vianna Martins ficou gravado na história escoteira. Ele foi escolhido como o Escoteiro símbolo do Brasil. O Grupo de Caio hoje não existe mais no colégio Afonso Arinos. Ali somente uma placa de bronze foi colocada sobre os feitos de Caio Martins.

                      Em memória a Caio Vianna Martins, Gerson Issa Satuf e Hélio Marcos de Oliveira Santos, saudemos no panteão da glória e dos heróis nacionais com o nosso: SEMPRE ALERTA! E tiramos o chapéu com o Grito de guerra da União dos Escoteiros do Brasil – Anrê – Anrê – Anrê! – Pró Brasil? Maracatu! 

“Há muitos feridos aí. Deixe-me que irei só. Ajudem os outros, Eu sou um Escoteiro e o Escoteiro caminha com suas próprias pernas”!


Estoicismo - (Noticia publicada em jornais de todo Brasil) - Passou provavelmente despercebida, nas notícias pormenorizadas sobre a última catástrofe da Central, a serena coragem daquele pequeno Escoteiro, uma criança de quinze anos, que estando gravemente ferida, os que o queriam levar em maca para o hospital, dizendo com um sorriso de homem forte: "Um Escoteiro caminha com suas próprias pernas". E caminhou. Mas foi para morrer, poucas horas depois, no leito em que o colocaram para uma tentativa de salvação. Este menino de quinze anos honrou o nome e deu um exemplo a todos os Escoteiros do País. E mostrou a muita gente grande que um Escoteiro sabe sorrir para morte que o acompanha de perto. Se um dia for erguido qualquer monumento ao "Escoteiro Desconhecido", a lembrança do estoicismo desta criança resumirá a bravura de uma geração de Escoteiros do Brasil.