Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

terça-feira, 27 de junho de 2017

Rastros do fundador. O Movimento Escoteiro. Lord Baden-Powell of Gilwell.


Rastros do fundador.
O Movimento Escoteiro.
Lord Baden-Powell of Gilwell.

O Movimento é uma alegre fraternidade.

No que respeita à direção do nosso Movimento há apenas dois aspectos a considerar. Um é que somos uma instituição dotada de grande elasticidade. Se um Dirigente Escoteiro não gosta das finalidades do nosso Movimento, tem inteira liberdade de sair e de dedicar-se a outra coisa qualquer. O outro aspecto é que há entre nós um espírito de fraternidade, um espírito de jogar o jogo, com cada qual jogando no seu próprio lugar. Mesmo que quisesse eu não conseguiria exaltar este espírito em excesso, pois ele é a essência do sucesso num Movimento como o nosso.

Não gosto de dar ordens: não é esse o nosso estilo, nos Escoteiros. É o sentido do dever vindo de dentro de nós que nos guia, e não deve ser imposto do exterior.
Que se dane o Regulamento! Chamem-lhe uma experiência!

Incumbidos do dever de ensinar a abnegação e a disciplina, pela prática das duas os Chefes-Escoteiros têm necessariamente de estar acima de sentimentos mesquinhos, e precisam de ser homens de vistas suficientemente largas para submeterem as suas próprias opiniões à orientação superior do todo.

Não estou ansioso por um êxito moderado (do Movimento), pois tenho a certeza de que há de chegar, mas quero ver é um grande êxito, para que com o tempo todos os rapazes deste país venham a fazer parte dele e a ser formados na cidadania. O Movimento Escoteiro é um movimento de crescimento espontâneo, e não uma organização planejada. Surgiu dos desejos naturais dos jovens, e não lhes foi imposto sob a forma de um compêndio de instrução.

Somos um Movimento, não uma organização. Trabalhamos por meio do «amor e da legislação". Irmãos somos para os nossos rapazes, e irmãos uns para os outros devemos ser se quisermos fazer algum bem. O que nós precisamos (no Movimento Escoteiro) não é apenas de um simples espírito de tolerância benevolente, mas de interesse atento e de prontidão para nos ajudarmos mutuamente.

As sugestões executam-se com tanto melhor boa vontade quanto melhor compreende o seu objetivo aquele que as executa.

O nosso objetivo é descentralizar a administração tanto quanto possível, a fim de evitar a burocracia e atribuir o máximo de autonomia democrática às autoridades locais. Somos mais uma Fraternidade do que uma organização, fraternidade mais movida pelo espírito e por uma lei não escrita do que por normas e regulamentos impressos.


“Primeiro tive uma ideia. Depois vi um ideal. Agora temos um Movimento, e se alguns de vós não tiverdes cuidado acabaremos por ser uma simples organização”.

nota: - Um artigo que B.P descreve com maestria o Movimento Escoteiro conforme ele pensou e planejou. Vale a pena ler e entender o que ele pensava que deveríamos ser. – “Não gosto de dar ordens: não é esse o nosso estilo, nos Escoteiros. É o sentido do dever vindo de dentro de nós que nos guia, e não deve ser imposto do exterior. Que se dane o Regulamento! Chamem-lhe uma experiência”! B.P. 

domingo, 25 de junho de 2017

Segurem o tempo! Não o deixem passar!


Segurem o tempo! Não o deixem passar!

                            Hoje é domingo, dei uma olhada para trás e vi que muita coisa aconteceu em minha vida. Eu sei que o tempo não para e ele passa depressa demais e a vida é tão curta para adiar o que precisamos fazer e realizar. Então – para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa – eu cultivo certo tédio a media que olho pela janela para vê-lo passar. Degusto assim cada detestável minuto da eternidade da espécie. Quero viver muitos minutos num só minuto!

                           Ah! Aquela poetiza é formidável para aproximar nossa mente na realidade do presente. O tempo passa célere demais. Quando crianças corremos atrás dele para que cada dia fosse acontecer a cada segundo. – Mãe! Quando é meu aniversário? Que saudades. Um bolo, velas para apagar, amigos em volta da mesa e até esquecia-se dos presentes. Depois se tornou natural. Os anos não contam os bolos acesos e velas apagadas.

                            Dizem que em determinada época na nossa vida, passamos para a terceira idade. Até hoje não encontrei alguém da primeira e da segunda idade. De quantos em quantos anos? Sei que na terceira somos mais olhados. Mais vistos. O envelhecer trás a aproximação dos amigos, dos familiares e das lembranças dos que estão distantes. Nesta hora passamos há contar o tempo. Observamos melhor aquela ampulheta que está sobre a mesa e sabendo que um dia ela vai ficar vazia.

                            Quando só Deus sabe. Dizem também que nesta data nos sentimos mais amados, pois a idade envelhecida não nos dá mais forças para fazer o que sempre fizemos. Eu tive um grande amigo que já se foi e me dizia sempre – Aposentar é perder parte da vida! Não sei se me sinto assim. Não foi aquele outro poeta quem disse que não devemos fazer de nossa vida um rascunho? Claro, pois vais ter a hora de ter que passá-la a limpo e nada melhor que a aposentadoria.

                           Dou graças a Deus que o tempo passa. Já imaginaram o desespero que tomaria conta de nós se tivéssemos que suportar uma segunda feira eterna? Gosto de citar Fernando Sabino que dizia: - O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. Quem sabe viver seria um exercício de desprendimento. Uma aventura de deixar que o tempo leve o que é dele que só fique o necessário para continuarmos as novas descobertas.

                         Dizem que em tudo existe beleza na passagem escondida do tempo. Coisas velhas que se revestem de frescor. Para nós é melhor deixar a vida seguir seu curso. Não pensar tanto no amanhã. Se alguém disse que o amanhã nunca morre porque irei pensar nele? Coloquei em minha mente que não existem tristezas que mereçam ser eternas. Acho que nem a felicidade. O que precisamos mesmo é aprender com as tristezas e as alegrias. Alguém já disse que elas só seriam suportáveis à medida que as dividimos. Eu sou um homem feliz. Tive com quem dividir tudo na minha vida de terceira idade. Ela minha Celia e meus filhos fazem parte do meu corpo, da minha alma e do meu coração. Ah! Não se esquecer dos amigos. “Isto nunca”.


            Pois é, fico por aqui. Não se esqueçam de lembrar-se de mim quando for para minha estrela no céu. Pensem que lá estarei sempre uniformizado, caqui engomado, calças curtas nos trinques, meiões no padrão Escoteiro, sapato bem engraxado, cinto brilhante, lenço bem passado e dobrado conforme os padrões que me ensinaram. Lá estarei com meu anel de Giwell brilhante e com meu chapéu de três bicos na minha mão esquerda fazendo uma reverencia e a direita se preparando para ficar em posição de sentido e dizer a você: - Abraços fraternos meu amigo, sou um privilegiado em ter sua amizade. Até mais e Sempre Alerta!

nota - Hoje à tardinha no entardecer deste final de domingo, a luz se foi. Na penumbra da sala com a luz bruxuleante do lampião tive momentos e lampejos do viver ontem e viver hoje. Pensei comigo: - Se for pra ser, será. Se tá demorando, é porque o melhor ainda está por vir. E que venham novas histórias, novos contos nova vida novos sorrisos e novos amigos, eles sempre serão bem vindos porque a vida é para quem sabe sorrir amar e ter a paz no coração.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A boa ação escoteira. Por Lord Baden Powell


A boa ação escoteira.
Por Lord Baden Powell

                        No Centenário do Escotismo comemoramos em 2007 cem anos após o Acampamento Experimental de 1907, mas, quanto ao início das ideias de Baden-Powell para a juventude, que terão estado na origem do Escotismo, torna-se mais difícil uma localização no tempo. O Cerco de Mafeking fez de B-P um herói nacional, conhecido além-fronteiras e venerado no Império Britânico - tanto por adultos, como por jovens. Por essa altura, coexistiam na Inglaterra várias associações e clubes dedicadas à formação dos jovens, como a YMCA (Young Mens. Christian Association) e a Boys’ Brigade. Um desses clubes escreveu a B-P, que se encontrava a braços com a formação da Polícia Sul Africana, pedindo-lhe que enviasse uma mensagem para os seus rapazes. B-P respondeu a 21 de Julho de 1901, a partir de Zuurfontein, no Transvaal (África do Sul), com uma mensagem alusiva a um dos aspectos que mais contribuiu para imortalizar a imagem do escoteiro: a Boa Ação!

Meus caros rapazes,
O regulamento da vossa associação obriga-vos a manterem-se longe das bebidas, do tabaco, do jogo ilícito, do uso dos palavrões, etc. Não há nada melhor do que seguir essas regras e admiro-vos por as seguirem. Outros rapazes, que não têm a coragem de se juntar a vocês nem de se manterem fiéis a essas regras, provavelmente ganharão maus hábitos dos quais nunca se conseguirão libertar e, em muitos casos, as suas vidas tornar-se-ão histórias de miséria e fracasso: enquanto que vocês, saindo do vosso clube sóbrios e com a mente limpa, provavelmente sair-se-ão bem na vida, quando crescerem – se continuarem a aderir a essas regras.

Mas lembrem-se disto: Quando os soldados defendem um local, não ficam sentados, mas lançam contra-ataques para fazer debandar o inimigo. Por isso, não devem contentar-se em ficar sentados para se defenderem dos maus hábitos, mas devem também ser ativos para fazer o bem. Por “fazer o bem” quero dizer tornarem-se úteis e fazerem pequenos gestos de bondade a outras pessoas – sejam amigos ou desconhecidos. Não é algo difícil, e a melhor maneira de concretizá-lo é decidirem fazer pelo menos uma “boa ação” a alguém todos os dias, ganhando, assim, o hábito de fazerem sempre boas ações. Não importa o quão pequena possa ser a “boa ação” – nem que seja apenas ajudar uma senhora de idade a atravessar a rua, ou dizer uma palavra amiga em favor de alguém que foi difamado. O importante é fazer algo.

Quando um homem está a morrer, não está com tanto medo de morrer como de sentir que podia ter feito melhor uso do seu tempo enquanto viveu. O homem que fez “boas ações” toda a sua vida não tem nada a temer quando estiver a morrer.  Se esse homem sentir que fez algo de bom aos seus semelhantes sentir-se-á ainda mais feliz do que aquele que apenas se manteve afastado dos maus hábitos. Por isso, sugiro a cada um de vós, que leem esta carta, que devem, não só afastar-se da bebida e dos maus caminhos que lhe estão associados, mas também tentar. “Fazer boas ações às pessoas à vossa volta”. “Podem começar já hoje e, se quiserem escrever e contar-me sobre a vossa primeira “boa ação”, terei todo o gosto em conhecê-la.”.


- É importante ser bom, mas o mais importante é fazer o bem. Baden-Powell.

nota: - - Um sorriso é a chave secreta que abre muitos corações. Nenhum homem pode ser chamado de educado, se não tem uma vontade, um desejo e uma habilidade treinada para fazer a sua parte no trabalho do mundo. Lord Baden-Powell of Gilwell.

sábado, 17 de junho de 2017

Hoje Estou Feliz. Hoje tem reunião.


Hoje Estou Feliz.
Hoje tem reunião.

Sinto-me escoteiro autêntico e transparente
Tal qual sou e como sempre me quis
Por isso vos digo muito contente
Meus Amigos: Hoje eu estou Feliz!

Nada em mim forço ou tento esconder
Sou tal qual me desejo e me sinto
To be or not to be e acabo por ser
Amo ser escoteiro e não minto.

Tenho sempre renovados ideais
Sonhos e vontade de por eles lutar
E como nem todos os dias são iguais
Eu hoje vim aqui para vos anunciar
Que sou o mais Feliz entre os mortais
Por ter acabado de me reencontrar.

Pé na estrada, hoje tem reunião,
Bate fundo bate forte meu coração.
Amigos por lá vou encontrar,
Coisas escoteiras para amar.

Um frêmito no corpo sem barreira,
Um orgulho quando sobe a bandeira.
Nesta terra no meu céu cor de anil

Orgulho em dizer: - Sou escoteiro do Brasil!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Entrando no jogo. Por Lord Baden-Powell.


Entrando no jogo.
Por Lord Baden-Powell.

Fazemos de nossos jovens cidadãos, portanto, é essencial esforçarmo-nos para criar neles o hábito da alegre cooperação, de esquecer seus desejos e sentimentos pessoais em prol do coletivo no qual estejam comprometidos, seja no trabalho ou na diversão. Podemos ensinar ao jovem que é exatamente como no futebol. Você tem que jogar na sua posição e participar do jogo; não queira ser o juiz quando você estiver jogando na retaguarda, e não pare de jogar quando se encher do jogo, mas mantenha-se junto, animadamente e esperançosamente, de olho no objetivo, ajudando sua equipe a ganhar, mesmo tomando chutes na canela ou caindo na lama.

Mas a melhor de todas as formas de instrução que o Chefe Escoteiro pode proporcionar é à força do exemplo. Se ele quiser ter sucesso em incutir o caráter correto no jovem, é essencial que pratique o que prega. Jovens são imitativos, e o que o Chefe Escoteiro faz, eles captam e refletem. Instruções e especialmente ordens, costumam ter efeitos diferentes e até mesmo opostos nos jovens, mas se lhes dá o exemplo, mostra que qualquer tolo pode fumar, mas um Escoteiro sábio não o faz, esta é outra questão.

Em consequência, é de primordial importância que todo Chefe Escoteiro com esta grande responsabilidade em seus ombros, faça um autoexame profundo, e suprima quaisquer pequenas falhas que possa ter – é um compromisso de fato – e esforce-se para praticar aquilo que ensina, para dar o exemplo certo aos seus jovens, para formação do caráter e da carreira deles. Consta no nosso manual que um Chefe Escoteiro deveria passar por um período de observação de três meses antes de ser finalmente designado.

O objetivo disto é permitir-lhe descobrir se o Escotismo realmente enquadra-se nele, se é capaz de passar por cima de (ou pisar em) pequenas preocupações ou pequenos aborrecimentos, se pode suportar as muitas dificuldades preliminares e desapontamentos, se pode se ajustar no lugar a ele designado, e lealmente seguir as instruções, pois estas podem não ser exatamente aquilo que gostaria, enfim, em uma frase, se pode ocupar seu lugar no jogo e jogar para o bem de todos.

Se puder fazer isto, estará fazendo o mais valioso trabalho que um homem pode fazer, ou seja, ensinando aos irmãos mais jovens as grandes virtudes da resistência e disciplina, determinação e altruísmo. Se, por outro lado, não puder, seu único caminho honrado é conformar-se com sua escolha em ser alguém covarde - a propósito, típico de homens que falham em qualquer rumo da vida – resmungando sobre seus auto proclamados direitos, e reclamando da má sorte.

Julho de 1910.

terça-feira, 13 de junho de 2017

É você quem decide.


É você quem decide.

                         Algumas situações hipotéticas, que acredito nunca aconteceram, coloco em pauta para ouvir a opiniões de vocês chefes escoteiros atuantes em qualquer ramo em um grupo escoteiro. Bom ler muitas opiniões. Assim poderemos tirar conclusões e não só da maneira que pensamos. O tempo e as respostas irão mostrar o pensamento e as divergências de cada um. Apresento a vocês quatro questões.

Primeira:
André tinha 19 anos. Pioneiro tentava receber sua Insígnia de B.P. Seu Mestre Pioneiro não tinha muito conhecimento e não pode ajudar André como devia. O Clã não ia bem. Havia muita falta e pouca atividade extra sede. André não gostava de ver aquilo. Desculpas e desculpas eram dadas pelos faltosos. Ele reclamou com seu Mestre Pioneiro e nada adiantou. André fora escoteiro e sênior. Sonhava em participar de  um Clã como a mística ensinava. Queria que ali os Cavaleiros da Távola Redonda pudessem mostrar seu valor. André desistiu. Preferiu sair a continuar em um Clã que ele sentia que não era para ele. – André agiu corretamente? Ele poderia ter tentado outro Clã em outro Grupo? O que ele não fez que poderia ter sido feito?

Segunda:
Vilardo tinha nove anos. Esperto para sua idade. Vilardo era mudo. Todos os sábados ficava em um canto da sede olhando os lobinhos. Sonhava em ser um. Mais de dois meses depois um lobinho o levou a Akelá. Ela olhou e viu um menino maltrapilho, sujo e só disse: - Traga sua mãe. Vilardo sabia que ela não viria. Não podia falar. Sua mãe era drogada e bebia muito. Seu pai estava preso por roubo e assassinato.
Vilardo não conseguiu ser um lobinho. Aos dezesseis anos morreu em um tiroteio na favela onde morava. Ele trabalhava no tráfico.
Se alguém na Alcatéia tivesse se interessado por Vilardo ele poderia ter outro destino?
Você decide!

Terceira:
Martinha tinha treze anos. Escoteira da Patrulha Sabiá. Martinha não dizia coisa com coisa sem dizer um palavrão. Qualquer frase era motivo de um. A Patrulha tentou, o Monitor tentou, os chefes tentaram. Ela não mudava. Seus pais eram riquíssimos. Nunca atendeu os chefes escoteiros.
Um dia a Chefe a suspendeu por três meses. Seus pais quando ficaram sabendo entraram na justiça contra o grupo pedindo uma indenização.
A justiça deu ganho de causa o grupo. Foi correta a punição? Poderia ter havido outra solução?

Quarta:
Nildo era Sênior. Sonhava em ir a um Jamboree. Sua mãe era diarista. Seu pai havia morrido. Nildo tentou arrumar um emprego. Não conseguiu. Fazendo biscates conseguiu duzentos reais. Mas ele sabia que precisava de mais de mil e quinhentos. Sabia que haveria taxa do transporte alimentação e a do Jamboree. Estava aproximando a data. Nildo sonhava e chorava por não ir. Nildo tomou uma decisão. Apesar de ser um excelente Escoteiro resolveu assaltar a padaria. Conseguiu um revolver de brinquedo. Conseguiu dois mil reais com o roubo. Nildo foi ao Jamboree. Na volta foi preso. Ficou cinco meses numa casa de correção de menores.
Quando foi solto voltou ao grupo. Não o aceitaram de volta. Tinha sido expulso.
Qual a sua opinião? Ele era culpado claro, mas haveria outra saída? O grupo poderia tê-lo aceito de volta?

Ficaria feliz em saber sua opinião meu caro leitor. Quem sabe um dia vai encontrar uma situação como esta? Use e abuse do seu saber ou de sua maneira de pensar fazendo seu comentário. Muito obrigado.

Chefe Osvaldo

quinta-feira, 8 de junho de 2017

As vozes do silêncio.


As vozes do silêncio.

                   Um poeta disse que o sentimento mais profundo de um ser humano é o silêncio. – “Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos”. Eu gosto do silencio, de ouvir, interpretar as palavras, fechar os olhos e pensar se era isto mesmo que eu queria dizer. Eu sei que na alma do homem está à alma do mundo, o silêncio da sabedoria. Deve ser fantástico passear pelas estrelas, sentir por lá o som do silencio velejando pela via láctea, ver o brilho de um cometa passante, tentar entender o universo mais lentamente, sem pressa... Passar por um buraco negro sem saber o que encontrar... Ah! O silêncio. Dizem que ele e oração dos sábios.

            O poeta diz ao mundo - Não direi que o silêncio me sufoca e amordaça. Calado estou calado ficarei, pois que a língua que falo é de outra raça. Palavras consumidas se acumulam se represam cisterna de águas mortas, ácidas mágoas em limos transformadas, vaza de fundo em que há raízes tortas. - Não direi que nem sequer o esforço de dizê-las merece, palavras que não digam quanto sei neste retiro em que me não conhecem. - Só direi, Crispadamente recolhido e mudo, Que quem se cala quando me calei não poderá morrer sem dizer tudo. Não só ele, mas eu também me extasio com as vozes do silêncio.

               Sinto saudades do silencio. Os sons da alvorada, o cantar da passarada onde a voz humana era inaudível. Quanto deleite. Quanta satisfação e contentamento em apagar a voz, deixá-la escondida na garganta e sentir o fundo musical do vento que nada diz e a gente se transforma em um ser humano imortal. Eu já tentei interpretar o silencio das matas, no alto de uma montanha, na cascata sorridente de um vale feliz. Lá estava eu mochila no costado, ração no bornal, cantil e faca escoteira para viajar na trilha da bem-aventurança. Era só eu. Sozinho naquele cercado de um lugar chamado paraíso. Ninguém mais pode entender meu prazer, meu deleite e a euforia de estar ali... Em silencio! Já ouviu a voz do vento? Ele canta divinamente. Canta para embalar as árvores, para alegrar as flores do campo, ele canta para dizer que o mundo não e o que pensamos, mas é uma nascente de Deus.

               Tente ficar de olhos fechados, deixe seu pensamento se misturar com os sons da floresta, sinta o vento no corpo, estremeça deixe fremir o seu olfato, percorra com sua audição seu jubilo de ouvir tão linda canção... Do vento! Só sendo Escoteiro é que podemos interpretar a voz da cascata murmurante, sua fonte e o borbulhar das águas cristalinas. E foi no alto da montanha, eu ali calado, em silencio, tentando imaginar tudo aquilo e o dom de quem criou tão bela imagem. Estava extasiado. Os minutos se passaram tudo calmo, exceto a minha respiração. Ela dava arrancos, entrecortada, tendendo a soluçar em silêncio. A música expressava o que não pode ser dito em palavras, mas não pode permanecer em silêncio. Uma voz da noite me disse: Escuta e serás sábio. O começo da sabedoria é o silêncio. Não sabia o que dizer ou fazer.
                  
                 -O silencio de Deus nos ensina. Antes de reclamar que Ele não te respondeu tente entender o que Ele está te ensinando. Fechei os olhos, não abra, só ouça dizia uma voz. Nunca na vida tinha me sentido assim. Era como se estivesse sozinho abraçando um fogo de conselho, luzes de algodão vermelho querendo subir aos céus. Céus? Lindas estrelas no firmamento. Queria pegá-las, acariciá-las, levá-las comigo para não esquecer aquele momento. Uma orquestra noturna de grilos e pirilampos com suas luzes brilhantes começaram a tocar uma linda melodia. Uma coruja de olhos verdes ria e cantava: - Linda é à noite, tente ouvir o Senhor, pois muitas vezes Deus se cala... Mas o silêncio de Deus não significa que Ele desistiu de nós.

              Era hora de retornar para junto dos meus. Enrosco-me em minha manta azul como o céu que amo. Existe um vento calmo no ar. Brisa gostosa. Ouço ao longe o cantar do Uirapuru. Sinto pardais dedilhando um violão encantado. Uma melodia toca no violão apaixonado. Sinto pedacinhos molhados gotejando na minha face. Sei que são lágrimas de alegria. O que dizer de tudo que sinto que vi e amo ao sentir o silencio maravilhoso em mim? Como Einstein em penso noventa e nove vezes o que sou e nada descubro. Deixo de pensar e continuo em profundo silêncio. E eis que a verdade vai aos poucos me revelando:

- Somos Escoteiros, filhos da natureza. Reconhecemos nela o Criador e por isto sentimos falta dela. Não sei mais o que dizer. Volto à civilização. Civilização? Deve ser quem sabe o dia que todos aprenderam a voz do silencio, a ouvir, entender, sorrir sem discutir quem está com a razão.  



Nunca na vida tinha me sentido assim. Hoje resolvi escrever diferente. Iria escrever sobre o silêncio. Transportei-me para uma floresta, linda, aroma de flores no ar. Era como se estivesse sozinho abraçando um fogo de conselho, luzes de algodão vermelho querendo subir aos céus. Céus? Lindas estrelas no firmamento. Queria pegá-las, acariciá-las, levá-las comigo para não esquecer aquele momento. Ouvi uma orquestra noturna de grilos e pirilampos com suas luzes brilhantes que tocavam uma linda melodia. Uma coruja de olhos verdes cantava: - Linda é à noite, tente ouvir o Senhor, pois muitas vezes Deus se cala... Mas o silêncio de Deus não significa que Ele desistiu de nós.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Tirei o dia para mudar o Brasil! Há vagas para Chefes Escoteiros como ministros de Estado.


Tirei o dia para mudar o Brasil!
Há vagas para Chefes Escoteiros como ministros de Estado.

Recebi um telegrama do Congresso Nacional. Assustei, pois não confio em nenhum dos congressistas e nem tenho amizade com nenhum. Senadores e Deputados são difíceis separar o joio do trigo. A tal frente parlamentar escoteira é pura enganação. Abri o telegrama. Não é sempre que recebo um e porque não ler?

Caro Chefe Osvaldo.
Se o Presidente atual da Republica do Brasil for destituído do cargo, contamos com o senhor para substitui-lo. Fizemos uma pesquisa e a maioria dos congressistas são a favor de sua escolha pelo modo indireto. Se achar que deve ficar mais tempo, estamos de acordo. Mudaremos a constituição e vamos aprovar todas as leis que o Senhor assim decidir! Soubemos que os escoteiros são pessoas de honra, de caráter e levam a sério a ética seja no escotismo ou fora dela. Sabemos do valor de sua palavra, de sua lealdade e de assumir compromissos sem reclamar e dar tudo de si para que os sonhos dos escoteiros sejam uma realidade.
Aguarde Chefe Osvaldo. Logo que o atual presidente sair iremos até sua casa para conversarmos pessoalmente. Dos seus amigos (?) do Congresso:
Presidente do Senado Eunicio de Oliveira.
Presidente da Câmara Rodrigo Maia.

Chamei a Celia para dividir as palavras do telegrama. Ela me olhou e disse: Marido não serei nunca uma primeira dama. Não vou gastar com cabelereiros, com butiques de luxo. Não terei cozinheiros famosos, pois adoro fazer descobertas na cozinha. Morar no Palácio do Alvorada não é prá mim. Dizem que lá tem assombração! E olhe ter seguranças atrás de mim é o fim da picada. Olhei em seus olhos e concordei. Vida dura até hoje, pobre mas feliz o que faria como presidente? Deveria mudar minha maneira de ser?

Pelo sim pelo não uma coisa eu faria de imediato. Falaria a verdade. Se fizer promessas farei tudo para cumpri-las. Iria mostrar aos três poderes, Executivo, Judiciário e Legislativo que não haveria mais salários. A força dos lideres seriam seu altruísmo, sua abnegação e sem ambição de ser o melhor. Ensinaria e iria exigir que a filantropia, a caridade, a bondade seria condição para participar no Congresso Nacional. Seriamos iguais perante a lei. Todos quando precisassem iriam utilizar o SUS para dar exemplo. Não só eles suas famílias também.

Não teríamos escolas para ricos. Todos iriam estudar onde a maioria dos estudantes brasileiros estudam. Ninguém iria morar próximo ao lago Paranoá. As moradias seriam iguais aos que recebem hoje pelo programa Minha casa, minha vida. Não aceitaria de maneira nenhuma Artistas de TV, jogadores de futebol, cantores se candidatarem para o congresso nacional. Eles que começassem primeiro como vereador e depois deputado estadual. Teriam de aprender e mostrar suas qualidades pensando em servir e não ser servido.

Acabaria com os partidos. Iria existir somente um o Partido de B-P. Eu sei que não teria condições de governar sozinho. Iria pedir ajuda dos amigos chefes escoteiros para lutarem ao meu lado, sem salário é claro. Seria uma forma de abnegação para mostrar que não vivemos e nem sonhamos com riqueza.

E assim fui pensando, pensando o que poderia fazer como Presidente do Brasil. Será que teria condições? Será que alguém algum dia iria me derrubar e assumir para voltar tudo como antes? Não confio em alguns ministros do STF. Não sei e sinceramente? A ideia não me agradava. E o escotismo brasileiro eu iria exigir do Ministro da Educação um tratamento especial? Pensei e pensei. Se for com os arautos do poder que hoje estão lá não vale a pena. Afinal a riqueza da UEB hoje não seria a minha UEB do amanhã. Vestimenta a 400 paus? Melhor não comentar. Mas se fosse Presidente o que poderia fazer para ajudar a escoteirada do Brasil a fazer um escotismo de raiz e não de invenções da modernidade?

Minhas ideias como Presidente brotavam sem parar. Melhor consultar a todos os associados da UEB e pedir opiniões. Democracia, afinal não falo tanto sobre ela? Já estava me entusiasmando quando centenas de carros começaram a chegar a minha porta. Eram chefes advindo de todo Brasil. Todos querendo ajudar mas eis que aparece um Alto Dirigente da UEB, aquele risonho dizendo: - Sem salários vão todos para a comissão de ética! Fui até ao porão, peguei meu bastão de duas e meia polegada com ponteira de aço. Iria mostrar quem era eu. Afinal logo seria o Presidente do Brasil.


Mas tudo que é bom ou mau dura o tempo necessário para acordar. Sempre a Célia que me acorda me dando um beijo gostoso na face e nos lábios. Marido, acorda, tem aí no portão quatro agentes de segurança do congresso nacional. Disseram que vieram buscá-lo. O que eu digo para eles? Putz Grila! E agora José?

Hoje é dia para escrever o dito pelo não dito. No último que postei um Chefe não gostou. Saiu dos meus amigos e se mandou. Paciência. Não vou escrever só o que todos gostariam de ler. Afinal estou velho demais para dizer só o que alguns querem ouvir. Mas não se esqueçam, se for Presidente vou contar com vocês. Ninguém vai ter rabo preso com ninguém. Tudo é diversão. Se não gostar reclame com Baden-Powell, ele é o único responsável por eu ainda ser escoteiro!

sábado, 3 de junho de 2017

Apenas um sábado para meditar.


Apenas um sábado para meditar.

Tem dia que fico a pensar se ainda estou praticando uma boa ação fazendo escotismo conforme aprendi por muitos anos. “Até mesmo procuro ver se a palavra ‘Servir” está sendo usada sem cerimonias ou cobranças. Costumo dizer que acredito no escotismo que pratiquei na minha jornada de vida. Muitas vezes me acho arrogante e dono da verdade. Preciso mudar? Será que não tenho este direito vez ou outra? Onde está a verdade da prática na filosofia escoteira? Seria a minha ou a do outro que tem opinião adversa? Cobrar resultados somente seria uma forma de garantir que tenho razão?

Olho dentro dos meus olhos e vejo centenas de corações escoteiros pulsando e acreditando. Fecham-se em si mesmo e em seus sonhos de verem seus jovens chegarem à vida adulta aceitos na sociedade como alguém em que acreditar. Não importam com os mandantes que estão no Olimpo e cá em baixo em terra firme fazem o melhor que sabem fazer. Isto não é o certo? Porque criticar então os cabeças da organização? Se muitos pensam diferente e se foram, se outros tantos estão chegando e aceitando e se daqui a algum tempo desacreditarem no que achavam ser o melhor para a nação e entrarem na fila dos iludidos, eles estarão errados?

Errado quem sabe sou eu a pensar que sou o profeta, o iluminado, o vidente que sabe qual trilha seguir. Nós já ouvimos centenas de vezes que o “tempo coloca tudo no seu devido lugar”. Será isto mesmo? Meu tempo finda e na minha concepção de dono da verdade não vejo um final feliz mesmo que a pratica de muitos sejam um mar de felicidade. Esperar que tudo seja dentro dos parâmetros imaginados seria uma forma de esconder que possamos estar errados. Muitas vezes achamos que estamos sendo vitimas de uma injustiça. Recorremos à ideia que o destino será o nosso justiceiro provando que a trilha se perdeu dentro da floresta de Mowgly.


Penitencio-me. Meu passado só a mim pertence. Digo sem pensar que este escotismo de hoje não é o meu. Mas isto importa? Acreditem ou não importa para muitos que sonham em ver coisas maravilhosas em seu país. Acredito que o importante é levar a todos um mundo real, onde a luta é constante e faz parte do que fazemos seja ou não uma boa ação dentro do tempo medido em que praticamos o escotismo. Alguém plagiou uma frase dizendo: - Meu jovem amigo, faça escotismo puro e gostoso, por favor, não faça a guerra!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Sobre Monitores, especialidades programas e lobos.


Sobre Monitores, especialidades programas e lobos.
Por Chefe Walter Dohme.

Nota: O Chefe Walter Dohme já falecido, foi um marco no escotismo brasileiro, atuando na linha de frente em todas ás áreas onde foi convidado ou mesmo conforme programas que desenvolveu. DCIM teve em seu curriculum centenas de cursos. Fez milhares de amigos no escotismo e tinha um sorriso inigualável. Possuidor de muitas habilidades era escritor, ilustrador ecologista e um educador sem igual. Deixou uma lacuna enorme quando partiu. Insubstituível nunca foi esquecido e sempre lembrado. Passou-me este seu artigo que já publiquei e hoje dando uma busca no meu passado o encontre e resolvi publicar de novo.

Escoteiros. (Por Valter Dohme).

– O que os cursos de formação se prendem mais? Sistema de Patrulhas? Burocracias? Como é feito a palestra de Lei e Promessa? Outro dia me disseram que hoje as eleições para Monitores são feitas dentro de critérios. Que critérios são estes? Como é feito o desenvolvimento do programa para que o jovem atinja o Liz de Ouro?  E as especialidades? Elas são divididas por etapas ou logo após ter a promessa o jovem já pode receber dentro dos critérios exigidos?

Os cursos estão focando mais em Sistema de Patrulhas e Ciclo de Programa como ferramentas para desenvolver e provocar conhecimentos, habilidades e atitudes. O conceito é de que o conhecimento é passado, a habilidade deriva do conhecimento aplicado e a atitude surge daquele que realmente domina a habilidade e a emprega com naturalidade em sua vida (não daquele que aprendeu apenas para prestar uma prova). O objetivo do M.E. Hoje é alcançar em cada um e em todos a ATITUDE.

A Liz de Ouro, Escoteiro da Pátria e o Cruzeiro do Sul são basicamente para aqueles jovens mais ativos no movimento, que cumpriram todo o espectro de atividades que o seu ramo pode propiciar, & que buscaram várias especialidades de interesse pessoal e de serviço ao próximo (mostrando atitude, percebe?).

Os Primos e Segundos primos nos Lobinhos são indicados por critérios dos escotistas (creio...). Os Monitores são eleitos em Conselho de Patrulha ao término de cada Ciclo de Programa e nomeados pela Chefia. Monitores não devem ser reconduzidos por mais de dois ciclos (+/- um ano). Os Submonitores são indicados pelos Monitores e nomeados pela Chefia. Não conheço outros critérios para a seleção de monitores além do simples bom senso (e consenso...).

Especialidades são divididas em determinados conhecimentos (sempre um múltiplo de três) de tal forma que qualquer membro juvenil de Lobinho à Sênior possa realizar 1/3, 2/3 ou 3/3 das habilidades e portar um distintivo correspondente ao seu grau de habilidades naquele assunto.

Pioneiros não tiram especialidades, que eu saiba...


Simplesmente perfeito!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Mitos, lendas verdades e inverdades do Uniforme Escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
Mitos, lendas verdades e inverdades do Uniforme Escoteiro.

                        Convenhamos que eu não seja um estudioso das tradições do uniforme Escoteiro brasileiro. Sei apenas o que vi e vivi com ele desde que iniciei em 1947. Não vou dar testemunho como foi em todo Brasil, pois não tive informações e nem aprofundei estudos a respeito. Este é um artigo que não pretende de maneira nenhuma provocar uma discussão. Sei que nosso uniforme ainda levanta duvidas e muitos novos simplesmente já encontraram como se trajar e pouco conhecem o passado. Sempre comento sem ter a pretensão de ser profundo conhecedor, que quase todos os uniformes, trajes, farda e vestimenta nunca tiveram o aval ou mesmo a sugestão dos escoteiros brasileiros, pois sempre foram decididos pela liderança composta de poucos membros. Devo tirar o chapéu para os escoteiros do Mar e do Ar que sempre mantiveram suas tradições e são impecáveis na sua uniformidade.

                        Em meados de 1959 em um bate papo gostoso em volta de um foguito no Bosque do Jardim Zoológico em Belo Horizonte, o Chefe Doutor Francisco Floriano de Paula contou para nós lá pelos idos de 1959 que no inicio do movimento escoteiro no Brasil usávamos o mesmo uniforme usado na Inglaterra. Era uma espécie de cor cinza e com meiões pretos. Com o passar de tempo e com a União dos Estados em uma só associação, em Minas Gerais surgiu à calça azul curta, camisa caqui e muitos usavam uma espécie de casquete até que o Chapéu se tornou um marco escoteiro. Entre a década de 40 e 50 o caqui começou a se tornar tradição. Quando o Governo Mineiro deu seu aval ao escotismo para sua expansão se fez realizar cursos escoteiros na Policia Militar Mineira. Em várias cidades surgiram os primeiros grupos e nem sempre com o uniforme tradicional ficando a cargo dos dirigentes militares decidirem.

                      Se no sul e no norte do país não foi assim fica o dito pelo não dito. Nem vou lembrar o saudoso caqui esverdeado implantado na Região de São Paulo em tempos idos. Quando entrei para o movimento em 1947 os lobos usavam o azulão. Os Escoteiros o caqui curto, chapéu de abas largas e nunca se via adultos trajando calça comprida. Era como se diz uma tradição iniciada na Inglaterra de B.P. O caqui, era considerado o uniforme oficial dos Escoteiros da modalidade básica no Brasil. Na década de sessenta muitos chefes e seniores discutiam abertamente um novo uniforme com opção da calça comprida. Diziam que o caqui não era bem aceito nas atividades sociais e os mais novos não se sentiam bem com a calça curta. Foi uma época que a apresentação não só dos jovens, mas de toda a liderança escoteira estarem sempre conforme a tradição do momento. Caqui e calça curta com o chapelão. Lembro com saudades quando o Trio Iraquitan surgiu com seu LP com músicas escoteiras portando em sua foto o caqui curto e o chapéu.

                       Entretanto a pressão era enorme para que fosse discutido uma nova uniformização. Assim em 1975/76 formalizou-se o Uniforme Social depois chamado de traje Azul mescla. De novo poucos decidiram esta nova escolha. A UEB enviou a todos os Grupos Escoteiros um ofício via correio explicando como ele seria confeccionado, quais as ocasiões para o uso e juntou-se um desenho e pasmem-se: - um pedaço do pano tanto da camisa como da calça comprida. Havia a preocupação do visual idêntico em todo Brasil. Para maior formalidade foi dado à possibilidade do uso do paletó e gravata.  No POR se sacramentou as normas e uso. Todos ficaram sabendo que o dirigente de qualquer atividade determinaria qual uniforme deveria ser utilizado. O Social ou o caqui. Interessante que em alguns cursos aconsenlhavam-se a levar os dois para que pudessem assimilar o uso e a apresentação. Era uma época onde o garbo era questão de honra. Isto mesmo. Fazíamos questão de estar bem uniformizados.

             Alguns anos mais tarde o Social já chamado de Traje passou a ser usado em muitos estados brasileiros desta vez com apresentações não condizentes pois o social de tecido de tergal passou ao Jeans simples, com calças de cores diversas. Isto desvirtuou por completo a ideia do Social para uso em atividades sociais. Em 1984/85 foi formalizado a Coeducação no Brasil e um novo uniforme foi determinado para as jovens. Isto durou até a década de noventa onde a maioria por autorização da UEB passou a se vestir com o caqui desde que decidido pelo Grupo Escoteiro. Durante anos a banalização foi completa. Sempre mudando alterando muitas vezes sob pressão e outras por decisão de um líder nacional. Até mesmo o chapéu que antes era encontrado nas lojas escoteiras foi descartado. Alguns disseram que a Prada maior fabricante não se interessou mais. A procura de outra não ouve e o chapéu foi substituído pelo Boné. Cada Grupo Escolhia o seu.

               Hoje a cobertura passou a ser uma escolha do grupo e muitas vezes pessoal mesmo que o POR tenha determinação para isto. A loja escoteira vende com o afã de faturar diversos tipos de cobertura e uma feita de brim ou similar copiada de outros países é usada por muitos seniores e chefes. É comum ver o dirigente com este tipo de cobertura e seus jovens sem nenhum. A banalização chegou a tal ponto que muitos consideram o lenço como uma maneira de se dizer escoteiro. Daí ao seu uso em muitas atividades sem o uniforme e até mesmo em reuniões se tornou um lugar comum. Nas atividades nacionais e regionais, via-se o lenço usado em atividades onde os jovens se apresentavam de short ou em trajes sumários. Sempre podemos afirmar que a culpa desta Torre de Babel foram dos dirigentes da UEB.

              A vestimenta foi implantada em nome de uma nova postura, uma nova maneira de garbo. Diziam que a intenção era de unificar o uniforme para todos os membros associados da UEB. Claro que os do Mar e do Ar não aceitaram e mantém suas tradições. Em vez de ter algum em que se basear como Marketing a vestimenta teve o privilégio de ter várias composições na sua forma e a escolha foi deixada para que os grupos escoteiros decidissem. O que nunca vimos em uma organização ou associação seja civil ou militar que preza sua apresentação foi autorizada no escotismo. O uso deixou a desejar como Marketing e pode-se ver que algumas tropas e alcateias destoam na apresentação onde cada membro usa como quer. Isto sem esquecer é claro a apresentação do seu líder que se apresenta de maneira inconveniente para servir de exemplo. Nota – Nem todos claro.


             Finalmente vemos que o Caqui e a Vestimenta estão lado a lado representando o escotismo básico brasileiro. Não discuto a validade da vestimenta desde que mostre realmente que somos um movimento onde o exemplo da apresentação do garbo da formação moral é levado a sério. Certo ou errado ainda teremos que esperar muito uma conjunção de fatores onde a escolha de uma vestimenta ou uniforme seja discutida e aprovada por todos associados. Decisões unilaterais, visando quem sabe o lucro nunca terá um final feliz. Posso estar enganado mas quem viver verá!

Não tenho a pretensão de fazer um histórico completo do uniforme escoteiro no Brasil. Não sou um estudioso no tema. O que escrevi faz parte da minha vivencia e de alguns fatos que fui testemunha ocular. Sempre defendi o caqui como o símbolo escoteiro em nosso Pais. A implantação da vestimenta benéfica ou não vai ter outro centenário para dizer se valeu a pena. Isto se outro dirigente não resolver mudar... De acordo com suas escolhas pessoais!