Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Basta ser escoteiro para ser feliz.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Basta ser escoteiro para ser feliz.

Prologo: - Gosto do que escreveu Martha Medeiros: - "Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar na pessoa, esgotar a dor. Permitir-se recordar, chorar, ter saudade”.

                                     A gente vai envelhecendo e vendo a vida passar como se não tivesse passado. Piso na relva, piso no chão de terra, piso no lodo e até na lama sempre a seguir, pois sei que nada pode me impedir. Ninguém é igual a ninguém. Uns desistem no meio do caminho outros nem esperam a curva surgir e se vão deixando para trás um rastro de boas intenções, ou melhor... De sonhos... Mas as lembranças ficarão no esquecimento? E ao apagar as luzes deste sonho dirão: - Valeu a pena?

                                    O escotismo tem disso, hora do tempo feliz, hora do tempo passado infeliz. Nem todos são capazes de se defender e para que se magoar ficando em um lugar onde não mais se sente bem? Outros dizem que amam que dariam tudo para continuar, mas saem ao primeiro sinal de dissabor, de cicatrizes que vão se avolumando. Às vezes me pergunto por que tanta sede de poder? Estarão esses falsos lideres fazendo o bem? A quem? Se em 1908 meninos sem chefes corriam pelas florestas de Londres e sorriam porque hoje com tantos chefes não é bem assim?

                                    Pisei no molhado e escorreguei, levantei e somei, andei e multipliquei, voltei e diminuí, deu um sorriso e dividi... É assim a matemática, desde os tempos de Confúcio e Jesus Cristo. Nada mudou nas contas da tabuada que não existe mais. O Escotismo deve mudar? Sem sombra de duvida, mas desculpe dizer, estão os adultos querendo satisfazer a “molecada” sem perguntar a eles se estão de acordo? Vez ou outra penso que o escotismo é dos chefes e não da escoteirada!

                                    Mas e daí Chefe? Aonde quer chegar? Ufa! Não sei, a lugar nenhum, prefiro ficar aqui a voltar ao ponto de reunião. Andei muito para chegar onde estou. Lembro-me do quebra canela, do voador, da briga de galo, da Revista na tropa, do desafio do quebra coco, passar o anel, do cabo de guerra... Ah! E veio o Boto Velho para atrapalhar... Chefe melhorar, os jogos do Boto Velho ficarão para a história. Será? Revejo meus conceitos, hoje a uma procura de novos jogos e tem tantos antigos que são supimpas para aplicar!

                                   Nunca esqueço que já crescido li por cortesia em uma ata de Corte de honra: - Ficou acordado na Corte de Honra que os jogos nas reuniões serão uma escolha da Tropa”. O Chefe ficará encarregado somente dos chamados “Jogos surpresa”. Cada Patrulha fará mensalmente sugestões apresentadas pelos escoteiros. Os monitores transmitirão entre si e aos demais às sugestões apresentadas por toda a Tropa. Nenhum jogo terá a formalidade de obrigação e sim jogado espontaneamente, não só pelo caráter competitivo, mas também pela simplicidade de jogar e divertir!

                                    Como mudou! É mudou muito. Hoje há uma procura imensa de jogos, livros, apostilhas conceitos e mais conceitos sobre os entendidos em jogos e programas. Aquele espírito de sorrir de divertir é vendido pelo sorriso do Chefe: - Olá! Meus escoteiros e meus lobinhos adoram! Risos e risos. Será que não foi o Chefe que adorou? Mas a matemática não é mais a mesma, agora se ensina diferente e a tabuada deixou de existir.

                                   Mas voltando as raias da imaginação, tentando entender você que saiu do escotismo e agora tem uma explicação? O que posso dizer? Sinto muito? Sabe, eu gostaria de sentar com você na sombra de um abacateiro, falarmos de escotismo, dos amores, dos dissabores, da matemática moderna, dos pés de pato que se julgam donos do poder e querem ver você subjugado, querem ter em você um seguidor. É proibido pensar no Escotismo! Olhe, acho que lhe dou razão, nem todos tem a vontade de continuar brigando com o vento sabendo que a luta será inglória.

                                    Zé das Quantas, aquele Chefe simplório lá de Brejo Seco, nas suas veias de poeta comentou comigo: Chefe Vado, o que é meu de verdade, ninguém me tira. O que não é eu mesma me desfaço. Eita cabra danado. Que o diga o Escoteirinho de Brejo Seco, que nunca desiste e breve será um Escoteiro de Primeira Classe... Chefe! Existe ainda? Nos meus sonhos meu irmão escoteiro, existe, é aquela aventura feita de mãos dadas, com a Patrulha amada que me fez ser o que sou. Sem ser imitador dou um boi para não entrar na briga e uma boiada para não sair!

                                  Mas convenhamos, é uma luta inglória. Pisa na Fulô Chefe, não maltrata meus sonhos... E quem se importa? Eu me importo. Digo com muita certeza, meu sangue é escoteiro, não preciso de registro e nem de subserviência, faço questão de um abraço, de um aperto de mão e dizer, amigo agora somos irmãos e vamos seguir a trilha de BP hoje amanhã e Sempre. E quem aparecer... Hora, quem aparecer... A gente salta o obstáculo desce num evasão e parte para o cerimonial, pois é hora da bandeira moço, e que se dane os que me querem ver longe!

Sempre Alerta!

         

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Conversa ao pé do fogo. Mochila ame-a ou deixe-a.



Conversa ao pé do fogo.
Mochila ame-a ou deixe-a.

Prólogo: Pensei em escrever sobre a melhor mochila. Quem sabe a experiência de um Velho mateiro podia ajudar. Melhor não... Acho que cada um de nós tem de aprender usando e sentindo se ela é boa ou ruim. Para não ficar sem um continho, aqui vai um que escrevi há tempos... E põe tempo nisso!

                                    Já tive várias na vida. Tentei guardar a primeira, mas uma enchente me deixou órfão. Quase chorei. Na sede escoteira tinha um báu delas. Presentes do Batalhão Militar da cidade.  Com o tempo fui comprando outras. A pior de todas foi a com armação de metal. Uma jornada de vinte quilômetros acabou comigo. Jurei nunca mais usar. Aprendi desde pequeno que mochila não é armário ou guarda roupa. Aprendi usando. O Akelá disse – Não vou dar lista. Levem o que acharem necessário. - Penei. A mochila não deu. Levei mais um bornal e uma sacola. Fui alvo de gozação. Lobinho pata tenra só aprende assim. Mas aprendi. E como aprendi. Afinal subir montanhas, quilômetros e quilômetros em vales e gargantas, atravessar rios ou andar em lombos de burros foi lição para nunca mais esquecer.

                                    Você pode dar uma relação de itens para eles levarem. Não vai adiantar. Mamãe, titia ou Vovó sempre tem mais um. Nunca ri de Escoteiros noviços ao chegarem à sede parecendo uma árvore de natal. Mas que dava vontade de rir dava. Ele chegava vermelho. Sonhando com o acampamento. Eu só dizia – Vai precisar mesmo de tudo isto? Ele orgulhoso respondia - Claro Chefe. Afinal não foi o senhor quem disse que quem vai para o mar avie-te em terra? Tá bom. Aprender a fazer fazendo. Um quilômetro e o pobre bufando. Dois quilômetros ele desmaia na sombra de uma árvore. – Aprendeu? Claro que sim. Sem ajuda. Nunca deixei ajudar. Levou tem de carregar. Faz parte do crescimento.  

                                   Eu aprendi assim. Cortava isto, cortava aquilo e não fazia falta. Não faz mesmo. Nunca levei saco de dormir, ou melhor, em inglês “sleep”. Um trambolho. É isto mesmo? Não importa. Carregar um nas costas? Nem pensar. Se quero conforto fico em casa. Sempre tive dois sacos de linhagens. Era só encher com folhas secas ou capim e meu colchão estava pronto. Uma cueca, um par de meias, uma camiseta, um short, minha manta e os dois sacos de linhagens. Claro higiene e um bom livro. Mais? Não precisava. Se sujava eu lavava. Tinha técnica até para passar com dois arcos de madeira. Tive uma mochila que adorava. Simples, verde, gostosa. Nas costas não machucava. Nas laterais colocava meu facão, uma chaleira e um caldeirão. Não precisava de mais. Viajei mundo. Subi montanhas serras e escalei picos sem fim.

                                Mas dei boas risadas com as mochilas dos outros. Eu sempre fui um gozador às escondidas. Nos acampamentos nacionais, regionais e internacionais era que eu dava gargalhadas mil. Meu Deus! Cada tipo de fazer inveja. Eles chegavam posudos. Como se fossem os melhores do mundo. Mochilas enormes. Cheias de barangandãs. – Por que esta rindo? Perguntavam. – Por nada, desculpe. Mas lá no fundo eu sabia que ele era um eterno pata-tenra. Sabe o que é Pata-tenra? Nas alcateias é o recém-nascido. O novato, tanta coisa para aprender! Quando você vê um conhece logo. Você sabe. Só de olhar o Chefe ou o Escoteiro você sabe se ele é amador ou não. E a Patrulha então? Só o Monitor formar e lá está. Grande ou pequena Patrulha. Não tem erro. Adorava ver um Chefe tentando me explicar sua mochila machucando na subida da serra. - Aprendeu papudo? Claro que sim. Ele aprendeu. Achou que sabia tudo e não sabia nada. Não se aprende a fazer fazendo?

                                Quando Sênior era bom andar com meus companheiros. Ninguém reclamava. Todos sabiam o que fazer. Mochilas bem postas, somente o necessário. Hora de falar, hora de cantar e hora de prosseguir o caminho das nuvens. Andei por alguns lugares com chefes mateiros. Aprendi muito com eles. Muitas vezes não levava barracas. Prá que? Em meia hora sabíamos fazer uma cabana para dois ou três. Chuva? Uma capa plástica simples e mais nada. E ela nunca durava para sempre. Mas voltemos às mochilas. Cada um sabe o que quer. Cada um compra a quem mais lhe chamou a atenção. Mas cuidado. Muito cuidado! Nem tudo que reluz é ouro. Olhe para ela. Pense se vai sentir-se confortável subindo uma montanha por dois dias, sol a pino, nenhuma sombra. Como ela está nas costas? Dói? Então não compre. Veja aquela mais simples, mais leve. Você não vai mudar de residência ou cidade. Vai acampar ou excursionar e voltar para casa.

                                Ainda sinto saudades. Muitas. Em ver todos chegando à sede. Dia do grande acampamento. Pais e mães brigando para ver seus lindos filhinhos colocarem a mochila e dar adeusinho. Os mateiros rindo e pensando na bela atividade pela frente. Os pata tenra vermelhos maldizendo as vovós e as mamães que lhe entupiram de material. Mas não adianta. Só se aprende fazendo. Feliz Baden Powell que nos ensinou e muitas vezes esquecemos. Bom acampamento!

domingo, 20 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O começo do fim.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O começo do fim.

Prologo: Ei moço, você mesmo, aquele que tem a resposta que procuro. Onde anda o meu escotismo? Podes me dizer? Ainda existe um tal de CAN e DEN na Escoteiros do Brasil?

                                      Hoje é domingo. Dia santo para alguns e dia de descanso para outros. Hora de colocar a mente no ar, respirar ar puro e se estiver acampado se preparando para desmontar acampamento quando a tarde chegar. Eu, um velhote de sonhos utópicos estou a imaginar uma seara escoteira nos moldes dos escoteiros de Xangri-lá. Dizem que lá tem alegria, respeito, amor, fraternidade e muito mais. Lá a Lei e a Promessa são levadas a sério. Mas e daí vão me perguntar...

                                     Daí meus caros escoteiros que rebusquei no tempo passado algum que pudesse me alegrar. Vida boa é de menino, de lobinho ou de escoteiro para escoteirar. Reclamar do Monitor? Eu não o meu foi supimpa. Reclamar dos meus chefes? Nem pensar. Ali não havia dissabores, contrariedades, desejos ocultos de poder. Nunca liguei para ser o melhor, minha luta era comigo mesmo. Afinal o escotismo morava nas minhas andanças do meu corpo da mente ao coração.

                                    E o tempo foi passando, fui crescendo e sentindo na pele a sede do poder. Tem poder prá todo lado. Poder de ver os humildes meninos lobos e ou escoteiros para obedecer a uma ordem dada. Poder de alcançar o topo na linhagem da casta existente em um Grupo escoteiro. Poder para comandar uma legião de adultos que estão havidos em aprender. É uma luta invisível, muitas vezes na sombra, outras criando rixas como se fossem suas e mostrando sua verdadeira face para atingir o poder.

                                   Nada de novo no front escoteiro, algumas vezes ser um distrital é um sonho quem sabe para chegar à regional. Uma loucura a procura dos tacos. Só se dão por satisfeitos quando atingem o topo da pirâmide do adestramento nacional. Ops! Adestramento? Desculpe, vislumbrei o passado hoje se diz formação, mas estão a formar o que? Sei que tem gente querendo mudar. Já notaram os novos assistentes distritais? Os regionais? Os nacionais? Um bom numero deles dando ordens nas suas andanças de programas e dizendo: Hoje tudo vai mudar, nada será o mesmo...

                                  Juro pela Alma sagrada de Baden-Powell, que nunca vi isso no passado. O sonho de ser alguém, de ver centenas ou milhares gritando Anrê, ou Bravôo para a nova figura imponente que se prende no presente para mandar... Sempre com um estudado sorriso, um ar de vitória, uma vontade de ser BP coisa que nunca irá alcançar. Pequenos aprendizes ou profissionais dos políticos que muitos de nós detestam. Mas me perguntem por que esse cacarejo de velho Chefe escoteiro?

                                 Volto-me para Xangri-lá. Chutaram-me de lá uma vez. Tentando ver coisas boas e evitar as dores, fui viajar nos Desbravadores... Ali pelo menos tem amor no coração, à religião está em primeiro lugar. Arroz e feijão? Não tem macarrão? Era assim moço nosso cardápio nos acampamentos de então. Volto atrás na penumbra do tempo e vejo a realidade: CAN X DEN os doutores da lei se digladiando pelo poder. Sabia meu caro amigo? É nossa liderança. Dão trancos solavancos, querem o poder a qualquer custo, ali não tem amigos?

                                 E lá estão eles, reuniões secretas nos porões do poder. Suspensão, tome rapsódias ou réquiem tocadas nas jornadas das Comissões de Ética. Trocam de cargos, põe alguns na geladeira... Moço três meses suspenso, fica sem função. E pimba, entra até nossa cantilena constitucional. Um Juiz civil dita o que fazer na rede do poder. Cacilda! Os que ditam normas e fazem comissões para defender nossa honra, lutando como arruaceiros para arrebanhar o poder?

                                Ainda bem que sou escoteiro do mundo. Sou um afiliado da UEB, aquela antiga, que fazia amigos e eram sem forçar irmãos escoteiros. Fiz uma promessa e não prometi ter um registro para que me respeitassem como tal. Ninguém me tira do anonimato para ser um Zé Ninguém a ser enxovalhado só porque não concorda com essa cantilena de lideres que não são nada, não exemplificam para que vieram e nem sabe para onde vão. E então para não me delongar muito eu me pergunto: Para onde caminha a Escoteiros do Brasil?

Nota: - leia Ricardo Machado em sua página. Leia também Café Mateiro. Eles entendem deste pessoal que querem estar no poder... Ou melhor do poder do nada de gente que não valorizou um sorriso de um lobinho e falsamente deram a mão esquerda dizendo que seriam transparente ao assumirem o poder.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Conversa ao pé do fogo. “A lona da COPA que não houve”


Conversa ao pé do fogo.
“A lona da COPA que não houve”

Prefácio: - Fiz esse artigo três meses antes do inicio da Copa do Mundo no Brasil. Encontrei-o folheando meus guardados. Simplifiquei e aqui está espero que gostem.

          - Quando do inicio da Copa no Brasil, me disseram que a FIFA convidou os escoteiros para serem voluntários a tirar a lona do campo quando terminassem as solenidades de abertura. A região de São Paulo aceitou convite. Obrigatório o uso do uniforme caqui. Seriam mais ou menos 250 jovens. A discussão dos manda chuvas foi supimpa. Entre os finalmentes vexame: - Votou-se para ficar na barraca e deixar a FIFA na mão. Foi uma bela demonstração dos escoteiros do Brasil para o mundo que não houve. Foi cancelada. Uma pena. São os ossos do oficio. 

Afinal o que é uma Lona?
         - A maior que vi foi do Circo Garcia. A minha de duas lonas era um tiquitito de nada. Dizem que tem outras enormes de circos “estrangeiros”, mas só vi de longe. Eu gostava da lona do circo. Ficava de longe com mais dois Escoteiros estudando como passar por baixo dela e assistir o espetáculo da noite de graça. Não podíamos pagar e o jeito era se virar. Não dizem que o mundo gira e o Escoteiro se vira? Eu sabia que fazer aquilo era contra os princípios Escoteiros, mas adorava o circo e eu precisava entrar. Palhaços, trapézios, equilibristas eram os meus preferidos. Não me culpem. Afinal meu rico dinheirinho era para comprar bugigangas escoteiras. Um dia quando da montagem do Circo Garcia, qual não foi à surpresa de chamarem a “molecada” para ajudar a desenrolar a lona e montar. Quem fizesse isso teria entrada de graça. Um sorriso enorme. Agora sim, não precisávamos mais passar por baixo da lona.

           - No dia do espetáculo a entrada cheia de gente, em cima de um caminhão os palhaços riam a valer e a mulher prego se mexendo toda. Puxa! Vai ser magra assim no inferno! Valeu o espetáculo – Respeitável publico! Aplausos para os maravilhosos artistas do Circo Garcia, o melhor do mundo! O dono do circo tinha um vozeirão danado. A banda deles tocava maravilhosamente. Na apresentação um tarol repicou como se fosse a nossa banda, mas coitado do Tarolista. Não se comparava ao Chico Zoiudo, ele sim o maior Escoteiro Tarolista do mundo.

         Minha lona do circo ficou no passado. Tempos bons. Era enfiar embaixo da lona e sempre um “paspalho” a me esperar. Segurava-me pela gola da camisa e a outra mão na minha orelha. Doía pacas, mas fazer o que? Não dizem que precisamos aprender a fazer fazendo? Mesmo com a dor lá estava eu de volta. De novo minha orelha pagando o pato por tudo. Até que escolhia o lugar certo. Proximo aos leões. Quase morri com um bafo de um, mas consegui.

         Quanta diferença das lonas de outrora para as lonas de hoje. Serão preciso duzentos e cinquenta parrudos escoteiros, ou melhor, quinhentos braços para arrastar uma lona. Será que aguentariam? Dizem que ela iria cobrir todo o campo. Vi no Google que o campo de jogo deve ser retangular, com a linha lateral (ou o comprimento do campo) sempre maior. Ela tem que ter, no mínimo, 90 metros e, no máximo, 120 metros. Já a linha de fundo (ou a largura do campo) é de no mínimo 45 metros (e de no máximo 90 metros). Em partidas internacionais, são recomendadas outras medidas: 100 metros, no mínimo, e 110, no máximo, para a lateral. Para a linha de fundo, 64 metros, no mínimo, e 75, no máximo. Putz! E a lona qual o tipo dela? Dizem que a de plástico é mais leve. Outros dizem que as melhores são as dos caminhoneiros. Alguém procurou saber qual lona os Hercules Escoteiros iram puxar?

       Fico aqui pensando o trabalhão para dobrar esta lona. Dizem que o tempo será milimétrico e se der errado uma vaia pode acontecer. Afinal estariam no campo do “Curintians” e a turma é braba. E o treino? Quantos dias? Dizem que a escoteirada aprende rápido. Claro eles serão mandados, pois ali nunca terão direito a voz e voto. Estão acostumados, pois nunca são consultados. A escoteirada será só masculina. As meninas não teriam vez. Será que a chefaiada nos treinos iriam apitar feito uns condenados? Chefes gostam de apitar. Rarará! Enfim, a conversa dos prós e contra venceu os contra. O maior Marketing Escoteiro da história ficou para o dia de São Nunca. Sinceramente nunca vi aberturas de grandes espetáculos alguém ficar famoso ou ser reconhecido porque correu metade de um campo arrastando uma lona. Quem sabe com a escoteirada seria diferente com o dono do Circo Garcia e seu megafone enorme gritando a plenos pulmões:

RESPEITÁVEL PÚBLICO! COM VOCÊS OS VALENTES ESCOTEIROS DO BRASIL E SUA LONA VARONIL! 

              E tome aplausos (ou vaia?) – Enquanto esperariam o jogo acabar fora do estádio para colocar a lona de novo, (não sei se seria assim) os bravos Caqueanos contariam estórias, causos, outros levaram seus celulares e ficariam ali vendo o que acontece lá dentro. Bem pode ser que um dos Xangri-las da FIFA como dizem meus amigos revoltosos os levariam para o teto do estádio. Ver lá de cima é melhor. Engana-me que eu gosto! Enquanto isto lá dentro do Estádio o time do Brasil penou e dançou. Sete a um no lombo sem choro e nem vela. Marketing gente é isto. O bom de tudo é que seriam todos de caqui... Adoro! Sou caqueano de coração. Vestimenta? Custa uma nota e eu sempre fui duro nas paradas financeiras. Tremo só em pensar em estar lá sujando meu caqui de linho feito na medida. Por preocupação levo o chifre do Kudu para não apitar. Rarará!

               Depois do enterro da lona e do futebol do Brasil, não tivemos o marketing de ser vistos por mais de 160 países. Dizem que seriam mais de dois bilhões de espectadores. A escoteirada de caqui iria brilhar na telinha. Já pensou? Todos que eram escoteiros pedindo para ser Caqueanos também? Final da história que não houve. O mundo todo gostou tanto do caqui dos Escoteiros brasileiros que soube que a meninada de BP fez um levante para que seja o uniforme oficial da União Galáctica dos Escoteiros do universo. Se for assim eu aplaudo os carregadores de lona! Rarará!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O quarto artigo da lei segundo Baden-Powell.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O quarto artigo da lei segundo Baden-Powell.

A maior ameaça a uma democracia é o homem que não quer pensar pôr si mesmo e não quer aprender a pensar logicamente em linha reta, tal como aprendeu a andar em linha reta. A democracia pode salvar o mundo, porém jamais será salva enquanto os preguiçosos mentais não forem salvos de si mesmos. Eles não querem pensar, desejam apenas ir para frente, seguindo a ponta do nariz através da vida. E geralmente, estes, alguém os guia puxando-os pelo nariz”! - Saia da sua estreita rotina se quer alargar sua mente. Lord Baden-Powell.

Prefácio: - Lei escoteira é um código de conduta, assumido ao se realizar a Promessa escoteira, onde se retêm as principais características do movimento escoteiro, a honra, a palavra, dignidade, lealdade, prestabilidade, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, ânimo, bom-senso e respeito.

                                  Lord Robert Baden-Powell teve uma visão fantástica ao criar o movimento escoteiro. Ele acreditou em uma grande fraternidade mundial, através da conscientização da Lei Escoteira, principalmente levando em consideração o Quarto Artigo da Lei: O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros.

                                  A lei e a Promessa são os esteios de tudo que ele nos deu, mesmo considerando seu método incrivelmente fabuloso na formação da juventude que até hoje se mantem à frente de todas as demais associações para jovens em tudo o mundo. O Escotismo segundo sua Lei e Promessa é único em todos os países onde é praticado. Honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom senso e autoconfiança.

                                 Quando Baden-Powell idealizou a Lei Escoteira decidiu não estabelecer leis proibitivas, mas conceitos para formação de pessoas benévolas, para que, desta forma, o jovem escoteiro tivesse onde se espelhar e pudesse se orientar. Assim vemos que o Chefe escoteiro tem enormes responsabilidades na formação do jovem... Exemplo que todos irão seguir principalmente sob a égide da Lei e da Promessa Escoteira.

                                  Eis que venho sucessivamente deixando mensagens em negrito, sobre temas que acho importante para estabelecermos parâmetros com o escotismo do fundador e o chamado escotismo moderno. Nossos lideres hoje em dia tem se esquecido de suas responsabilidades principalmente no que diz Amigo de todos e irmão dos demais escoteiros. Quem diligenciou as respostas em todas minhas páginas e grupos sentiu o pensamento e ação de muitos que ali deixaram suas impressões.

                                  Fico feliz em ler que a maioria disse sim: - Você é amigo e irmão dos demais escoteiros independente da Associação no Brasil e no mundo? Bom saber que temos milhares com espírito escoteiro dizendo sem sombra de duvida que á amigo de todos. Outros pelo sim pelo não se desgastaram com seus pares, ou direções distritais regionais e ou nacional, dizendo que em termo. Mea-culpa... Escrevi pensando na liderança nacional que não reconhece as demais associações preferindo os caminhos dos tribunais sem dar liberdade ao direito de escolha.

                                  Se tivessem feito uma consulta ou pesquisa com os associados da EB (Escoteiros do Brasil) é possível que tais ações não tivessem sido aprovadas. Gastou-se uma quantia que poucos sabem quanto tentando manchar a honra de outros, acusando-os de se apropriar de bens e nomes escoteiros. Pergunto-me se Baden-Powell deu procuração a eles para tal ato. Em vez de unir, dando liberdade de ação e escolha, convidando para atividades conjuntas, preferiu o caminho da grosseria que nada produziu a não ser inimigos e com isto perder em todas as instâncias.

                                  Vejo com pesar que tais voluntários que se dizem escoteiros estão locados em todas nossas lides diretivas do Movimento Escoteiro. Muitos chefes e jovens abandonaram o movimento por se considerarem perseguidos, estigmatizados ou mesmo execrados por uma conduta de quem só se interessou em colaborar com os jovens. Parasitas que emporcalharam o outro irmão sem ao menos oferecer a mão e a amizade para ajudar. E nossa direção nada faz para mostrar que nossa fraternidade é cheia de amor e paz, e dando exemplos mostrando que somos irmãos.

                                 Não são todos. Uns poucos que se acham possuídos pelo conhecimento do que é bom para o Escotismo Nacional, evitando ouvir e consultar seus pares em todos os órgãos nacionais. Tomam atitudes inócuas sem mesmo ver se o que fizeram trouxe resultados satisfatórios a toda Associação Escoteira. Infelizmente esqueceram o quarto artigo aos que escolheram outra associação para pertencer.

                                Escotismo é amor é fraternidade. Os valentes que se julgam melhores que os demais não são dignos de serem chamados escoteiros. Ninguém em sã consciência pode dizer que não é amigo e irmão dos demais se não sabe dar um abraço, a mão escoteira e dando o exemplo aos seus jovens que têm neles a figura de alguém a seguir... Um excelente escoteiro, um bom cidadão.

                                Em todos os idiomas onde o escotismo é praticado o quarto artigo da Lei é enfático: O Escoteiro e amigo e irmão dos demais escoteiros não importando que país, classe ou credo que o outro possa ter (Tradução do que Baden-Powell escreveu).




segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Crônicas de um velho Chefe escoteiro. Profissionais escoteiros.



Crônicas de um velho Chefe escoteiro.
Profissionais escoteiros.

Prólogo: Profissional é um adjetivo que se relaciona com determinada profissão. É aquele que é remunerado regularmente pelo trabalho que executa ou atividade que exerce (em oposição ao amador). Também pode ser definido como aquele que tem conhecimentos da sua profissão, ou especialista.

                   Um Chefe meu amigo publicou em meu e-mail uma comunicação da Região Escoteira de São Paulo que procura um profissional escoteiro. Deram outro nome, mais pomposo, mais moderno. Teria como função desenvolver uma área especifica por determinado tempo dando apoio aos Grupos Escoteiros existentes e organizar outros tantos. Salário médio. Pelo valor vai interessar a quem esteja desempregado e precisa garantir o sustento da família.

                   Lembrei-me dos profissionais escoteiros que conheci no passado. O Chefe Hélio da UEB foi um deles. Abnegado, um primor na apresentação e na uniformização dava apoio a todas as regiões que o procurassem. DCIM era um profundo conhecedor do Escotismo. Houve outros, mas não como o Chefe Hélio. Adoto a politica de profissionais. Eles dão apoio, desenvolvem, recrutam interessados, fazem proselitismo enfim se encontrarem um bom assim contratem. Vale a pena.

                     Os países mais avançados que praticam o escotismo tem seus profissionais escoteiros. Colaboram no desenvolvido do escotismo, dão apoio aos Grupos e seus distritos, tudo dentro da camaradagem que se espera conforme o sexto artigo da lei. Nos Estados Unidos eles dão apoio nas atividades escoteiras, conduzem acampamentos (desde que contratados) excursões em locais inóspitos. Naquela época disseram-me que eram mais de 5.000 profissionais escoteiros, hoje não sei mais. Na Inglaterra Bear Grylls ficou famoso pelas suas apresentações em documentários na TV e como se tornou um profissional Escoteiro dando uma nova conotação de marketing Escoteiro do escotismo inglês.

                   Lá pelos idos de 1973 conheci um que pecava pela fidalguia e cavalheirismo. Era um profissional do CIE (Conselho Interamericano de Escotismo). Refiro-me ao Projeto 2.000. No inicio despertou duvidas e em alguns casos invejas por parte de alguns mais retrógrados que não aceitavam aquela “modernidade”. Fui informado pelo escoteiro Chefe de sua visita. Pedia para ouvi-lo e consultar a Executiva da Região. Devíamos analisar e estudar os resultados do Projeto 2.000 todo ele financiado pelo CIE durante certo tempo e depois auto financiado.

                  O profissional escoteiro foi durante todo o tempo gentil e ficou conosco vários dias explicando e dando sugestões relevantes para a implantação do projeto. A contratação do executivo não traria para nós despesas alguma. Comprei a ideia de aceitar a oferta. O Projeto 2.000 tinha essa denominação, pois pretendia alcançar em dois anos de atividade, a organização de pelo menos 15 Grupos Escoteiros e no final conseguir pelo menos 2.000 membros. Era um programa e tanto.

                  Tínhamos em mente muitos escotistas que poderiam usufruir dessa contratação. Mas depois de longas e delongas por parte de muitos, o projeto em Minas Gerais ficou no vazio. Nos finalmente a duvida em alcançar o objetivo proposto fez com que o projeto fosse arquivado. Até hoje não me esqueço deste projeto e fico pensando se ele não teria revolucionado o escotismo na época. Não sei se ele seria bem aceito hoje, talvez sim, pois a UEB determina, manda, realiza planos sem consultar a ninguém.

                  Naquela época tínhamos autonomia, e éramos consultados em tudo. Não se mudava nada sem ouvir os interessados. Se hoje nossa direção tem um esquema brilhante para a escolha de profissionais escoteiros desconheço. Se ainda existe o compadrio nestes casos não posso afirmar. De uma coisa eu sei. Para termos qualidade e quantidade precisamos de muitos bons profissionais escoteiros. Para mim eles são muito bem vindos.

                  O tempo dirá se a Região de São Paulo terá sucesso. Eu desejo que seu projeto de um profissional tenha êxito. Não é um projeto 2.000 onde se tem uma meta para alcançar o objetivo, mas tem sua validade. Se em outros países eles os profissionais são de extrema valia, a implantação em nosso país poderia dar um passo maior na qualidade e quantidade. Minha dúvida é, haverá espaço para consultas? Haverá espaço para diálogos?

                  A favor dos Profissionais, que a Escoteiros do Brasil repatrie o dinheiro gasto com processos para direcionar em boas contratações. Essa briga idiota não tem boas perspectivas e já está sendo olhada como um passo mal dado no caminho a evitar. O que se gastou até hoje quantos profissionais poderiam ter sido contratados? Vamos lá Região de São Paulo, dê seu exemplo e mostre do que é capaz!

sábado, 12 de janeiro de 2019

Conversa ao pé do fogo. Conversa ao pé do fogo... Suas origens e o escambal.



Conversa ao pé do fogo.
Conversa ao pé do fogo... Suas origens e o escambal.

Prologo: Muitas vezes esquecemo-nos das coisas mais simples no escotismo, deixando de lado o verdadeiro espírito escoteiro que marca definitivamente nosso interior, nosso eu. O escotismo tem nuances indescritíveis. A conversa ao pé do fogo é uma delas. Tente pelo menos uma vez...

                                 Tem origem? Fogo de Conselho eu sei que tem, mas Conversa ao pé do fogo? Se tiver não sei. Quem sabe recordando as noites nas tabas indígenas, onde os guerreiros se encontravam em volta do fogo para contar as aventuras do dia, onde suas mulheres e filhos assistiam a tudo com um ar de espanto. Podem dizer que nada diferente do fogo de conselho. Pode ser.

                               Ali quem sabe tudo é espontâneo, despretensioso, ingênuo, puro conversas simples e verdadeiras, recordações de tempos memoriais. Tem alguns que são simplórios outros mais organizados, mas nada que possa fugir de um papo ameno, sem programas sem hora de começar e terminar. Não tem animador, não tem diretor é tudo no improviso.

                               Alguns dão mais valor a uma boa Conversa ao Pé do Fogo que um jogo noturno. Ele pode ser feito no campo da chefia, ou no campo de uma Patrulha, dependendo da escolha da Corte de Honra. Não pode faltar um bule de café na brasa, quem sabe um pratinho de biscoito e para os mais afortunados uma banana assada... E deixa rolar...

                                Repetimos, não pode ser obrigatório, só vai se quiser. Tem Chefe que faz questão de rolar madeira para sentar, tem outros que constroem bancos para ficar mais confortável. Alguns fazem questão de ser em frente a uma barraca. O fogo não é alto, é branco, achas mais grossa para evitar estar levantando para avivar o fogo. Conversas entre os escoteiros, entre os chefes, cantorias, causos, tudo ali é sorriso aberto, abraços sinceros escoteiramente formais.

Prelúdios de Conversa ao pé do fogo.
1)     - Sentado na porta da barraca do Monitor da Touro, deglutia uma peixada na brasa. Havia até limões galegos para servir os gulosos. Fora convidado para o jantar, mas a hora se estendeu até meia noite. Um bule de café ferventava junto à fogueira. As demais patrulhas foram chegando uma a uma. Foi uma das melhores Conversa ao Pé do Fogo que participei. Até eu mesmo esqueci-me da hora. As canções, os contos curtos, as piadas e os cometas que infestavam o céu deixaram para trás a escuridão da floresta. Abri exceção: - Alvorada as oito! Todos foram dormir, eu sorria na trilha que me levava ao campo da chefia. Dormi feito um anjo e acordei pensando que era Baden-Powell.

2)     Tem brasa no braseiro neste fogo de conselho... Tem sono escoteiro, tem fagulha piscando no ar... Tem coruja cantante, lua errante que nem um queijo, estrelas no céu a brilhar... Tem mata, tem nascente, tem brisa solta no ar. Amanhã sol poente, tem jogo e inspeção... Tem bandeira a arvorar... Tem barraca, tem pata tenra a chorar com saudades da mamãe... Tem Chefe para ajudar, tem outros para ensinar e tem aquela Chefe para rezar... Não é mais que um até logo, vou dormir e você? Até amanhã...


3)     Uma noite qualquer, quem sabe em um Inverno bem gelado? Olhar perdido no universo, uma clareira na floresta encantada, amigos em volta, um violão cantante, um olhar distante e a gente medida: - Como é bom ter amigos, perto ou longe eles sempre estão com você, pois muitas vezes os amigos são a família que nos permitiram escolher. Um calorzinho gostoso, um café amargo, um chimarrão cheiroso corre de mão em mão; Crepita a fogueira, entre nuvens e estrelas, pululam vagalumes no céu. Saudade dela danada, vontade de dizer bem alto: - Amor me traz um mate, senta aqui do meu ladinho, põe mais lenha na fogueira, esquenta “nois” um pedacinho, e enquanto a chaleira não chia, deixe-me provar os seus beijinhos! E a gente vai vendo a noite passar olha a dança dos pirilampos em volta das chamas, vendo seus medos virarem fumaça. Bom demais ser Escoteiro!

                         Até mais, você é meu convidado para a próxima conversa ao Pé do Fogo, vamos cantar, relembrar velhos tempos, falar de amores, de aventuras de ladeiras quebradas, ou quem sabe falar de Escotismo? Até mais.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Lendas escoteiras. O inesquecível Chefe Gafanhoto. (baseada em fatos reais)



Lendas escoteiras.
O inesquecível Chefe Gafanhoto.
(baseada em fatos reais)

Prólogo: - Bom lembrar. Um acampamento que fez história. Coisas boas misturadas com fraternidade não se esquecem. Viagem comigo nesta bela aventura do passado, misto de sonhos e realidade.  

               Gente boa. Educado. Sabia ouvir, sabia cantar, era um grande mateiro, sempre sorrindo e com uma tropa Escoteira maravilhosa. Tinha um sonho. Um sonho maluco – Chefe Osvaldo, se Deus quiser um dia eu vou me alistar na Legião Estrangeira. – Você sabe o que é isto? Perguntei. - Claro, sei que quando se alista são cinco anos sem poder sair. Bem cada um com seus sonhos.  Eu o conheci em um curso Escoteiro. Foram oitos dias na mesma Patrulha. Chefe gafanhoto praticamente liderou a patrulha. Surpresa foi quando me disse que morava em Barra das Vertentes. Menos de cento e cinquenta quilômetros de onde eu morava. Tinha sido promovido a Chefe da Tropa há poucos meses. O CAB me deu um novo caminho a seguir.

               Chefe! Que tal acamparmos juntos? Minha tropa e a sua. – Grande ideia Chefe Gafanhoto. Quando? Vamos aproveitar janeiro do próximo ano. Falta menos de seis meses. Ficamos combinados. O local ainda iriamos decidir. Em fins de outubro recebi uma carta dele. – Chefe, o Senhor Molixto, pai de um Escoteiro tem uma fazenda próxima a Três Estrelas. Metade do caminho para mim e você. Acho que uns noventa quilômetros de sua cidade. Você passa Três Estrelas e marca mais cinco quilômetros. Vais ver uma bifurcação. Alí será o ponto de encontro. Até a fazenda são mais oito km. Fui ate lá e vi o local. Maravilhoso. Boa aguada e lenha à vontade. Bambus e local de banho perfeito. Ele irá nos ceder dois carros de bois para transporte do material do entroncamento até o local. Garantiu também que será por conta dele a carne de porco, de boi, gordura, arroz, feijão, batata e verduras e frutas. Ele tem isto na fazenda!

                  Beleza! Mandei outra carta confirmando o horário de encontro. A tropa vibrou quando contei do acampamento. Consegui na prefeitura um caminhão lonado, Chefe João Soldado conseguiu o que precisávamos de alimentos no Armazém do seu Amadeus. Iriamos com quatro patrulhas. Fizemos dois Conselhos de Tropa e duas Cortes de Honra. Metade do programa nosso e a outra do Chefe Gafanhoto. Seriam seis dias acampados. Partimos em uma manhã chuvosa. O caminhão estava lonado. Rio Bahia, estrada de terra ainda sem asfalto. Noventa quilômetros. Chegamos às nove e meia da manhã. Corre daqui, corre dali, tralha nas costas, chuvinha intermitente e pegamos a bifurcação. Vimos à tropa do chefe Gafanhoto do outro lado de um pontilhão de madeira. O córrego cheio. Imenso. Passava por cima da ponte. Não dava para atravessar. Um barulhão tremendo das corredeiras.

                  A Patrulha Raposa montou um posto de transmissão de semáforas. Entendemo-nos. Armamos barraca debaixo de chuva e combinamos esperar a enchente diminuir. As patrulhas improvisaram um toldo e um fogão tropeiro. Saiu uma sopa com pão fresco. À noite as patrulhas resolveram conversar por Morse. A turma do Chefe Gafanhoto era boa na sinalização. Dormimos cedo. De manhã sem chuva, mas cinzento o céu. A enchente diminuiu. Rogério Monitor me procurou. Chefe, as barracas estão cheias de escorpiões. Ensinei o que deveria ser feito para empacotar o material de campo e individual. Graças a Deus ninguém foi mordido. Resolvemos atravessar sem a ponte, pois se não iriamos perder alguns dias o que não estava no plano. Cada Patrulha fez uma pequena jangada. Uma festa. A outra tropa gritando e ajudando. Às onze da manhã estávamos do outro lado.

                   Abraços, saudações, apertos de mão, sorrisos Sempre Alerta e partimos. Os carros de boi lotados. Rodas rangendo e cantando como sempre. Adorava isso. Chefe Gafanhoto brincando com todos, animando, todos rindo. Seis quilômetros tirados de letra. Uma hora da tarde chegamos. Seu Molixto gente boa. Comemos goiabas e bananas. Ele tinha uma carne de porco frita n brasa. Beliscamos mas iriamos fazer o almoço. Fomos para o campo. Lindo local. A cascata era linda. Tem nome? Perguntei. Não. Eu te batizo como Cascata da Fraternidade. E assim foi dito, e assim foi feito e assim lavrado em ata. Seis dias maravilhosos. Parecia que os sessenta jovens ali presentes se conheciam a longo tempo. Mais que irmãos. Seu Molixto um gentleman. Dois meninos filhos de um meeiro (mora nas terras da fazenda, planta e dá uma parte para o dono) se encantaram. Chefe Gafanhoto os colocou cada um em uma Patrulha.

                      Tiana filho do Seu Molixto uma bela morena dos seus dezessete anos não tirava os olhos de mim. Fiquei triste quando partimos e ela chorou. Lagrimas e lagrimas em seus olhos. No acampamento teve de tudo. Bois que invadiram o campo à noite acordando todo mundo. Ricardinho pegou uma traíra de quatro quilos. Só vendo para acreditar. A luta do bastão no remanso da Cascata da Fraternidade valeu por um acampamento. A jornada na Caverna do Vento outro. Começava em um lado da montanha e saia do outro lado. Mais de dois quilômetros na escuridão. E os pistoleiros? Sempre escorados no tronco da macaxeira a nos espiar. Seu Molixto dizia que eram de paz. Norbertinho em um jogo noturno caiu de uma arvore. Quebrou a perna. Foi levado a cidade e voltou para o acampamento enfaixado. Ele mesmo fez uma espécie de muleta e não chorou. Aproveitou tudo do acampamento.

                      A falsa baiana em cima do remanso a mais de quinze metros de altura deu o que falar. A ponte pênsil que a Patrulha do Morcego fez durou dois dias com um belo tombo do Japirim. O ninho de águia da Patrulha Coruja dizem está lá até hoje.  Risos. A “desandeira” que deu em todos por comerem muita goiaba deu para rir a beça. Sempre um correndo para o WC que logo encheu! Final de campo. Meninos da fazenda chorando. Seu Molixto emocionado fez o juramento e recebeu os dois lenços um de cada grupo. Os dois pistoleiros vieram nos cumprimentar. Tiana me procurou dizendo que me amava e nunca mais ia me esquecer. Nunca mais a vi.  Retorno triste, Chefe Gafanhoto tentando animar. Partida chorosa, nosso caminhão lotado. Dando adeus. Edinho com sua bandeirola de semáfora dizendo e repetindo um até logo até o caminhão virar a curva da estrada. Meninos se acenando dizendo adeus. Promessas de um novo reencontro. Amizades que se formaram e duraram por uma eternidade. Janeiro de mil novecentos e cinquenta e nove que entrou para a história.

                      Cinco anos depois recebi uma carta do Chefe Gafanhoto – Chefe Osvaldo, estou partindo para a França. Vou me alistar na Legião Estrangeira. Nunca mais o vi. Acho que seu sonho de ser um legionário foi realizado. Ainda deve estar escoteirando nas montanhas ao norte da Argélia. Sonhos são sonhos. Cada um faz o seu. Belo acampamento. Grande amigo o Chefe Gafanhoto. Nunca mais o vi e nunca mais o esqueci. Acampamento que ficou marcado para sempre em meu coração.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Historias de Baden-Powell. A Campanha Ashanti e outros fatos.



Historias de Baden-Powell.
A Campanha Ashanti e outros fatos.

Prólogo: - "Escoteiros aprendem a se fortalecer ao ar livre. Como exploradores, realizam os seus próprios trabalhos e 'Remam sua própria canoa." Um pouco das histórias de Lord Baden-Powell.

Baden-Powell trouxe para casa na sua velha Inglaterra e posteriormente usadas no escotismo, muitas idéias obtidas da campanha contra os Ashanti. Hoje conhecida por Gana, na África Ocidental. Muitas delas ainda estão atualmente em uso no Escotismo. A Costa do Ouro, atual Gana, foi uma colônia do Império Britânico. B-P foi enviado para lá em 1895 para estabelecer uma força nativa que se opusesse às poderosas tribo Ashanti. Os Ashanti eram bem conhecidos pelos seus ferozes guerreiros, com o mote:

Se eu avanço eu morro
Se eu recuo eu morro
Melhor avançar e morrer.

As forças de Baden-Powell foram compostas por centenas de guerreiros das tribos Krobos, Elima, Mumford e Adansi. Eles tinham que explorar uma nova rota através da selva, em território inimigo, e construir uma nova estrada pela qual a força britânica principal pudesse seguir para atacar a Kumasi, a capital Ashanti.

Os Ashanti usavam tambores para sinalizar através das longas distâncias. E a intricada linguagem dos tambores podia ser ouvida todas as noites ecoando através da floresta.

Pioneirías na Selva.
Construir uma estrada através da selva significa limpar a mata espessa, abrir caminho através dos pântanos, e construir pontes sobre rios e correntezas. B-P assegurou-se que o seu exército fosse treinado em conhecimentos da arte de lenhador, pioneirías e nós. Eles construíram mais de 200 pontes de madeiras com mastros de madeira amarrados com cipós.

Patrulhas Escoteiras.
Dos povos de Gana Baden-Powell aprendeu a frase 'devagarinho, devagarinho é que se pega o macaquinho' - e ele aprendeu que ele poderia obter um melhor resultado de suas forças dividindo-as em pequenos grupos, ou patrulhas, e dando a responsabilidade para o capitão de cada grupo.

O Bastão Escoteiro
O bastão escoteiro foi copiado de um usado na campanha Ashanti, para testar a profundidade dos pântanos, para tatear o caminho à noite enquanto observava secretamente as posições inimigas, e também para erguer linhas telegráficas através da selva. "Foi no território Ashanti, na costa ocidental da África onde minha tarefa particular foi organizar um Corpo de escoteiros e pioneiros nativos”.

"Nós estávamos trabalhando dois ou três dias à frente das principal força das tropas europeias na floresta virgem e densa, sem estradas ou caminho de qualquer tipo para nos conduzir”.
"Para evitar o inimigo muito de nosso avanço teve que ser feito à noite, o que significava dificuldades a cada passo entre os troncos caídos, atoleiros, juncais e matos, etc.
"Sem um bastão não se poderia ir muito longe."
- B-P

O Aperto de Mão Esquerda.
Há duas histórias sobre a origem do aperto de mão esquerda no Escotismo. A primeira é simplesmente que a esquerda é mais perto do coração. Todavia há uma história muito mais interessante que coloca este cumprimento como originário de tradições da tribo Descrição: http://www.oocities.org/geuirapuru/sementes/lefthands.gifAshanti.

Quando B-P entrou em Kumasi, a capital dos Ashanti, ele foi cumprimentado pelo Chefe guerreiro que apertou a sua mão esquerda. Ele contou a B-P que "os mais bravos entre os bravos se cumprimentam com a mão esquerda". Assim começou esta tradição que é seguida por milhões de escoteiros em todo o mundo.
A explicação para o cumprimento com a mão esquerda é que um guerreiro usa esta mão para carregar o escudo, enquanto na direita carrega a lança. Assim para mostrar confiança em alguém ele tem que deixar de lado o escudo e cumprimentar usando a mão esquerda.
Sempre Alerta!