Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 14 de maio de 2016

Hoje sim tem reunião.


Hoje sim tem reunião.

Turma! Hoje tem reunião, alegria de montão!
Chame a lobada os Sêniores e escoteiros
Pé na taboa sejam bem ligeiros.
Tem jogos, canções e fraternidade,
São amigos e tem plena liberdade.

Tem bandeira tem oração,
Irão cantar bela canção!
Vamos lobada brincar,
E os demais a escoteirar!

Feliz os aventureiros,
Jovens e leais escoteiros.
Grupo firme bela união,
A bandeira em saudação!

Isto mesmo, hoje é dia de festa,
Vamos explorar a floresta,
Pois hoje tem reunião,

Beleza, alegria de montão!

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Na beira do caminho tinha uma flor, tinha uma flor na beira do caminho.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Na beira do caminho tinha uma flor, tinha uma flor na beira do caminho.

                             Era um sol do meio dia. Quente, fervendo o sangue do Escoteiro caminhante. Mal dava para olhar a frente de tão quente... O chapéu de abas largas tentava segurar os raios amarelos do sol poente. A camisa ensopada. Ele pensou em tirar o lenço e a camisa. Ficar com a camiseta que estava por baixo. Mas esqueceu desta vontade. Aprendeu a andar uniformizado onde fosse. Não importa se tinha alguém a vê-lo ou não. Há horas esperava encontrar uma arvore frondosa, a beira do caminho. Nada. A estrada era de terra e quase não cabiam dois veículos passando um pelo outro. Ele sabia que ainda tinha chão para percorrer. Não fora com sua patrulha pela manhã. Prova de matemática. Um mais dois cinco mais oito e ele aprendeu a tabuada assim nas jornadas da vida. Agora não. Não calculava a soma divisão ou a multiplicação. Precisava parar para descansar, mas e a árvore frondosa que não aparecia?

                            Tirou seu cantil e bebeu dois goles. Não mais. Ele não sabia quanto tempo de caminhada ainda tinha para encontrar um riacho. Ali era impossível. Tudo estava seco, nem o verde do campo se via. O chão do caminho era terra pura e vermelha. Se chovesse valha-me Deus o barro que formaria. Um, dois, quatro seis quilômetros de pé no chão. Sua mochila pesava. Ele estava acostumado. Bastava encontrar uma árvore frondosa, apenas um cochilo e ele andaria outros seis se necessário. E os pássaros? Ele não via nenhum. Naquele sol escaldante nem pássaro se arriscaria a voar pelos céus. Ele passou por ela. Na beira do caminho. Nem reparou. O sol não deixava. O chapéu quebrando a testa para esconder o calor e a claridade escondia as belezas que não existiam na beira do caminho.

                           Andou alguns passos e parou. Sua mente tinha gravado a flor na beira do caminho. Pensou o que seria e a mente o obrigou a lembrar. Voltou-se calmamente e a viu... Linda, vermelha, quase do tamanho de uma rosa. Mas não era uma rosa. Somente ela com sua planta a segurar como se fosse cair com o peso. Não havia vento, ela não se mexia. Mas era linda. A mais linda flor que ele tinha visto. Deu meia volta até a flor na beira do caminho. Quem pensaria que na beira do caminho tinha uma flor? Verdade, mas na beira do caminho tinha uma flor. Ficou de frente a ela. Viu que ela sorria e não se importava com os raios de sol que não penetravam nas suas pétalas. Tirou sua mochila e se agachou em frente a ela. Um perfume suave percorreu suas narinas. Gostoso, delicioso. Agradável de cheirar. Era um balsamo para manter o corpo firme. Aquela sublime fragrância jogava todo seu perfume no Escoteiro que caminhava no sol do caminho.

                       Ficou ali estático por minutos que se transformaram em horas. Ela a flor na beira do caminho o hipnotizava. Ele precisava prosseguir precisava chegar ao acampamento antes do anoitecer. Seus amigos da patrulha o esperavam. Então o sol se escondeu. Uma nuvem branca com pássaros esvoaçantes chegou. Um vento sul começou a soprar. A flor balançou na sua planta, mas não caiu. O Escoteiro procurou um galho e o fincou junto à flor. Do seu cantil molhou a linda flor da beira do caminho. Precisava seguir adiante. O tempo não espera, e ele olhou a flor pela ultima vez. Grande, Vermelha, quase do tamanho de uma rosa. O Escoteiro partiu olhando para trás. Uma enorme tristeza o invadiu. A flor da beira do caminho balançou de um lado a outro. Como se estivesse agradecendo o que o Escoteiro fez por ela.

                         Era só uma flor, uma flor vermelha linda a beira do caminho. E ele viu que na beira do caminho tinha uma flor, tinha uma flor na beira do caminho, tinha uma flor, no meio do caminho tinha uma flor...

(Baseado no poema de Drummond – No meio do caminho tinha uma pedra.).

domingo, 8 de maio de 2016

Minha homenagem a todas as mães Escoteiras do mundo!


Bom dia meus amigos e minhas amigas.
Minha homenagem a todas as mães Escoteiras do mundo!

Queria escolher um símbolo de mãe escoteira para homenagear todas as mães deste pais e de muitos outros que se orgulham em ser um Badeniano. Ano passado escolhi Olave St. Clair Soames mais conhecida como Olave Baden-Powell para receber a homenagem em nome de todas as mães Escoteiras e também aquelas simpatizantes do nosso movimento. Porque não Maria Pérola Sodré? Para mim e para muitos que a conheceram uma das maiores escotistas do Brasil. Filha de Benjamim Sodré e de Alzira de Castro Sodré nasceu em novembro de 1922 no Rio de Janeiro. Desde que nasceu vivenciou o Escotismo e o Bandeirantismo onde fez sua promessa em 03 de novembro de 1933. Foi Fada, Bandeirante, Guia e passou a atuar como Chefe Bandeirante em 22 março de 1942.

Em junho de 1951 ingressou na UEB como Chefe de lobinhos. Fez o CAB de lobinhos, a parte II da IM Lobinho. Sua parte III da IM foi conduzida por João Ribeiro dos Santos um grande Chefe que além de diversas literaturas Escoteiras também Foi Escoteiro Chefe da União dos Escoteiros do Brasil. Fez diversos outros cursos importantes e em 1962 foi nomeada por Gilwell Park como Akelá Líder para o Brasil. Foi Comissária Nacional dos escoteiros do Mar onde atuou intensamente organizando o II, III e IV Ajuri Nacional dos Escoteiros do Mar, além de diversos fóruns de jovens. Fez o curso de Arrais, de Patrão e Técnico de Mar. Maria Pérola DCIM foi distinguida com o título de Adestradora Emérita da UEB. Dirigiu centenas de cursos em diversos estados brasileiros e no exterior. Nunca cobrou um centavo e fazia questão de pagar com seus próprios proventos a viagem de ida e volta. Sua vida sempre foi pautada pelo lema das Bandeirantes – Semper Parata (sempre pronta para cumprir os seus deveres com Deus, com a Pátria e com o próximo).
Em 1976 um forte terremoto em Nicarágua, sua primeira atitude foi doar sangue para ser enviado aos feridos. Dias depois embarcou como voluntária para Manágua onde se juntou aos escoteiros nicaraguenses num árduo trabalho de apoio as vítimas.

Excelente professora de Matemática era frequentemente procurada por pais que estavam precisando de aulas de reforço para seus filhos. Quando perguntada o valor do seu trabalho dizia: “Cobro aquilo que você puder dar, mas, em vez de me pagar, dê a quantia a alguém que esteja precisando mais que você”. Em 1983, recebeu do Conselho Regional dos Escoteiros do Mar a tarefa de ser seu representante junto à Ilha da Boa Viagem que, em 1937, a pedido do então Comandante Benjamin Sodré, havia sido cedida pelo Ministro da Marinha aos Escoteiros para ali serem administrados cursos para a formação de chefes escoteiros. Maria Pérola ocupou essa função até bem recentemente. Em algumas oportunidades em que os ânimos se exaltavam numa reunião (sim, isso também acontece no Escotismo), era Maria Pérola que, naturalmente, assumia o comando para restaurar a ordem e a tranquilidade. Certa feita, numa reunião de Assembleia Nacional, as coisas estavam quase chegando às vias de fato quando ela se levantou e começou a cantar “Prometo neste dia, cumprir a Lei..”; em segundos, todos a acompanhavam e tudo voltou ao normal.

Foi agraciada com o Tapir de Prata, Medalha Velho lobo, e foi homenageada pelos relevantes serviços prestados as vitimas do incêndio do circo em Niterói em 1962. Recebeu ainda a Comenda do Mérito Arariboia pela prefeitura de Niterói. A Medalha Fitz Weber pelo Rotary Club. Um fato curioso é que Maria Pérola recebeu o Tapir de Prata em duas oportunidades, em 1979 e em 1991. Descuido da UEB? Não! Merecimento! - Se o pai, Benjamin Sodré, era o Escoteiro Número 1 do Brasil, o Número 2 não pode ser de mais ninguém! Graças a Deus tive a honra de tê-la como Diretora do meu Curso Básico ramo Lobinho e do IM do mesmo ramo. Muitas vezes também fui honrado em recebê-la na minha humilde casinha em Belo Horizonte.

Através desta grande Escotista homenageio todas as mães que se dedicam de uma forma ou de outro ao Movimento Escoteiro Mundial. Sabemos que mãe é sinônimo do verbo amar: - Eu te amo, nós te amamos hoje e sempre! Sabemos que uma flor é bela, uma paisagem pode ser bela, mas a imagem de uma mãe transcende tudo aquilo que os olhos entendem por beleza. Seria bom se o dia das mães fosse comemorado todos os dias. Afinal elas merecem. Não são as coisas bonitas que marcam nossas vidas, mas sim as pessoas que têm o dom de jamais serem esquecidas! Meu lugar favorito é dentro do seu abraço.


Feliz dia das Mães, para todas um forte aperto de mão um abraço e que o mundo sorria aos seus pés!

sábado, 7 de maio de 2016

Mãe hoje tem reunião.


Mãe! Tô saindo! Hoje tem reunião! Alegria de montão!

Mãe, pai, está na hora, eu vou sair agora.
Não vou chegar atrasado ao meu escotismo amado.
Sou Escoteiro fiel, cumpridor do meu horário.

Todos sabem que na minha vez eu cumpro o horário inglês.
Atrasar não é minha praia, eu nunca fujo da raia!
E sorrindo quando chegar vou a todos abraçar!

Na porta da sede aberta, vou gritar o Sempre Alerta!
No meu nome de batismo, sabem que adoro o escotismo.
Melhor possivel lobada. Vou servir a Pátria amada.
Mãe e pai confiem em mim, Não sou o recruta Benjamim.

Sou valente sou Escoteiro, bom de campo e aventureiro.
Meu Chefe vai me ensinar e meu monitor a cantar.
Aprenderei que a minha honra, é maior que a desonra!

Sorria minha mãe amada, aprendi a ter palavra.
E na patrulha que amo, mostrarei que não há engano,
O escotismo é minha religião, alegria de montão.

 Sou batuta e no futuro, serei doutor com orgulho.
No cerimonial de bandeira, irei fazê-la subir altaneira.
Grupo firme em ação, a bandeira em saudação!

E aí escoteirada alegria de montão, pois hoje tem reunião!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Olá! Bom dia ou boa tarde ou quem sabe boa noite?


Olá! Bom dia ou boa tarde ou quem sabe boa noite?

                Antes de começar meu blábláblá quero que saiba que minha vida a cada dia tem mudado para melhor. Nunca me senti tão bem, pois meu sorriso apesar da falta de dentes aumentou. Ficando banguelo com as graças de Deus, mas o dentista disse que vai arrumar. Haja Money para pagar. Quem eu tive a hora de apertar a mão pessoalmente dizia que eu não abria a boca para sorrir. Kkkkkk! – Verdade. Mas importa que de uns anos para cá minha vida mudou e para melhor. Estou sorrindo mais. Ops! Não fiquei rico ainda e nem sei se ficarei. Muitos me perguntam por que não edito minhas histórias. Bem aposentado não tem estas mordomias. Não tenho amigo dono de editora ou amiga do dono da editora. Os dirigentes da UEB me querem longe. Eles estão certos. Sou uma espécie de Velho chato e oposição ao que eles fazem. Sei que não tenho como atrair simpatizantes, pois nossa disciplina é tão perfeita que quase todos aceitam sem discutir. Sempre vejo nos dirigentes uma maneira de por em fila seus seguidores com uma vara de marmelo para lembrar aos demais não saírem da fila. Muitos deles acreditam que eles são perfeitos e não podem errar. Paciência. Eles nunca vão publicar minhas histórias.

                      Mas continuando minha linha de pensamento, não desisto. Escrevo e como escrevo. Costumo acordar de madrugada, escuro ainda com uma história na cabeça. Escrevo, acho-a fenomenal, publico aqui no Facebook e nos meus blogs, mas não eram tão boas assim. Meus leitores gostam mesmo é de temas de adestramento, de acampamento, de atividades aventureiras e não existe quem não é atraído por um artigo de místicas ou tradições. Ainda bem que temos uma gama enorme de chefes que sentem falta disto tudo. Sem criticar os cursos hoje em dia deixam a desejar. Já pensou publicar no Facebook ou em um site que vai ser realizado tal curso? Na minha época isto não existia. (lá vem o Velho Escoteiro com suas bazófias. risos). Mas é verdade. Lembro que quando viam o nome do diretor do curso choviam inscrições. Eu mesmo que não fui lá estas coisas como diretor, dirigi vários cursos avançados da IM tive que fazer um segundo. Em um deles tivemos 150 inscritos. É mentira Terta? Como dizia o Chico Anísio. Mas foi uma época boa. Valeu enquanto durou.

                   Sabe de uma coisa? Meu corpo treme, fico apoplético, a cabeça dói quando vejo um curso com todo mundo sentadinho em cadeiras e o Sabichão com aquela pose de chefão parecendo o grilo falante de uma das minhas historias, falando, falando, falando e falando. Deus do Céu! Vamos ensinar, vamos aprender, vamos discutir quem sabe sentado em uma sombra, falar por dez minutos e deixar a turma discutir, chegar no “papo reto” e depois jogar. Ah! Jogar! Se a vida é um jogo eu gosto de jogar. Não sou muito cristão, pois se o padre ou o pastor fala, fala e eu não posso falar não me sinto bem. Quem sabe é por isto que a maioria dos lideres escoteiros me querem longe deles. Risos. Ora bolas, dá sono não dá? Como prestar atenção em um palestrita que fica falando por meia hora, uma hora? Ufa! Que sono dá. E dormir em quartos com camas? Deus do céu de novo. Barracas minhas gente. Somos um movimento em ação a cada instante. Quem fica parado ou sentado é poste depois da batida do carro.

                      Como segurar o menino se ficamos com pose de chefão? Queremos ser super heróis? Mocinho de filme onde ele sempre vence? O menino ou a menina é quem sonha ser herói. Eles querem correr, brincar, aprender fazendo, quer sentir o ar da natureza, o vento no rosto, quer subir montanhas, quer acampar, construir suas pioneirías, quer aprender a viajar com a mente e com o corpo em atividades aventureiras. Pisar na água fria de um riacho. Subir em árvores, descer em cordas que ele mesmo fez o nó. Agora fazer para ele? Para que? Deixe-o andar com suas próprias pernas. Ops! Chega! Estou me enveredando por caminhos tortuosos que muitos ainda não tiveram a ideia de seguir. Adoro um começo de pista, um salte o obstáculo, uma água boa para beber. Não gosto do voltem todos ao ponto de reunião ou o fim de pista. Meu caminho não tem fim. Tenho escotismo nas veias, ninguém tira isto de mim. Desistir, falar em cansaço, dizer que a mente não é mais a mesma não faz parte do meu habitat. Quero isto para você também.

                  Depois de toda esta lenga, lenga, estou aqui martelando meu próximo livro. O CONTADOR DE HISTÓRIAS. Mais de uma centena delas. Afinal tenho mais de 2.000 escritas. Bah! Não é um livro no sentido de edição, mas sim em PDF. Pobre é assim. Oferece o que tem e melhor ainda de graça. Um amigo me disse um dia que de graça até barraco de favela pegando fogo! Kkkkkk. Aguardem. Em breve vou anunciar a todos que se interessarem a me escreverem. Olhe, aprenda se quiser com o que vou dizer. Nunca deixe seu e-mail onde é postado o oferecimento. Quem oferece recebe centenas de pedidos e acha você um “folgado” querendo que copiem seu e-mail e envie a você. Ele quer que você faça o pedido em sua caixa postal e precisa atender a diversos outros que pediram. Não concorda comigo? Calma, é só um lembrete. Risos.

                 Chega por hoje. Mais tarde um artigo e a noite um conto. Feliz se você os ler e alegre mais ainda se comentar ou compartilhar. Quanto mais significa que gostaram.

Sempre alerta meu querido amigo. Que seu dia seja de paz e amor e um dos melhores de sua vida!

sábado, 30 de abril de 2016

O Poder do voto.


Conversa ao pé do fogo.
O Poder do voto.

                 Nesta hora difícil com que passa o país li uma crônica na Folha de São Paulo do Médico Dráuzio Varella, onde comenta a onda de vergonha que acometeu há muitos brasileiros, na votação do impeachment na Câmara da Presidenta Dilma Rousseff. Ela como todos nós não desconhecemos o lamentável nível da maioria dos nossos deputados, vendo em conjunto muitos despejando cretinices no microfone, assistindo a um espetáculo deprimente protagonizado por exibicionistas espertalhões travestidos em patriotas tementes a Deus. Votavam como se estivessem em um programa de auditório, preocupados em impressionar suas paróquias e vender a imagem de mães e pais amantíssimos. Ali vociferavam impolutos vendendo uma imagem que não é real. É o que temos ele disse o que fazer com Câmara e Senado funcionado com este tipo de pessoas que mais parece um show de horrores.

                      O que adianta homens enfatuados com gravatas de mau gosto, cabelos pintados de acaju e asa de graúna, com a prosperidade a transbordar lhes por cima do cinto, que receberam de 90 milhões de eleitores por alguns que os escolheram para representá-los. Dráuzio sempre um homem probo não se esqueceu de contar um fato que viu de um vídeo caseiro, uma moça de uns quarenta anos, em pé, de camiseta branca, ao fundo uma casinha humilde, atrás dela uma prateleira alta com frascos de plásticos espremidos uns contra os outros e um fio de eletricidade pendente de uma viga do teto. Com os olhos negros cheios de expressão, o sotaque e a energia de mulher nordestina gravou as seguintes palavras, articuladas com espontaneidade, como se estivesse conversando com o espectador:

- “O problema não tá no ladrão corrupto que foi Collor, não, nem na farsa que foi Lula”. O problema tá em nós como povo, porque a gente pertence a um país em que a esperteza é a moeda que é sempre valorizada. É um país onde a gente se sente o máximo porque consegue puxar a TV a cabo do vizinho. A gente frauda a declaração do Imposto de Renda para poder pagar menos imposto. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo na rua e depois reclamam do governo porque não limpa os esgotos. Saqueia as cargas dos veículos acidentados. O camarada bebe e depois vai dirigir. Pega um atestado sem tá doente só pra poder faltar no trabalho. Viaja a serviço de uma empresa, o que é que ele faz? Se o almoço foi dez reais, ele pega a nota fiscal de 20. Entra no ônibus, se senta, se tem uma pessoa idosa, se faz que tá dormindo. E querem que o político seja honesto.

O brasileiro tá reclamando de quê? Com a matéria prima desse país? A gente tem muita coisa boa, mas falta muito pra gente ser o homem e a mulher que nosso país precisa. Porque eu fico muito triste, quando uma pessoa... Ainda que Dilma renunciasse, hoje, o próximo seria... A suceder ela, teria que continuar trabalhando com essa mesma matéria-prima defeituosa, que somos nós mesmos, como povo. E não poderá fazer nada, porque, enquanto alguém não sinalizar o caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá, não.

Nós é que temos que mudar. O novo governante com os mesmos brasileiros não pode fazer nada não. Antes da gente chegar e culpar alguém, botar a boca no trombone, a gente tem que fazer uma autorreflexão: Fique na frente do espelho, você vai ver quem é o culpado. “Eu espero que nessa próxima eleição, dessa vez, o Brasil tenha noção do que realmente significa o poder de voto”.


A mensagem não traz o nome nem diz quem é essa brasileira. E você meu amigo o que me diz?

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Era uma vez... Um comissário Viajante da UEB. (uma história baseada em fatos reais -)


Lendas Escoteiras.
Era uma vez... Um comissário Viajante da UEB.
(uma história baseada em fatos reais -)

              Corria o ano de 1956. Estava com dezesseis anos e respirava escotismo em todos meus poros. Estudava mas não era bom aluno. O escotismo era onde eu me sentia realizado. Naquele sábado de abril pela primeira vez tomei contato com um alto Dirigente da UEB. Foi surpresa, pois nunca tínhamos recebido visitas da alta cúpula a não ser amigos de Grupos Escoteiros de cidades mais próximas. Eramos duas patrulhas seniores, uma com sete e outra com seis patrulheiros. Quase todos advindos da Tropa escoteira com exceção de Venceslau que entrou como Sênior. Nossas reuniões eram mais bate papo, programas de acampamentos, atividades aventureiras e nosso Chefe Sênior quase não ia as sede. Vivíamos mais em atividades ao ar livre que na sede. Aquela máxima que dizia onde tem um Sênior tem uma Tropa valia ali. A bandeira tinha sido hasteada. Fazíamos questão. Zé Geraldo o monitor se incumbiu de tudo. Sentados embaixo de uma mangueira vimos quando ele chegou na charrete de Micoçar. Foi uma surpresa enorme. Alto bem grande barriga proeminente, cabelos negros escondidos no chapéu de abas largas, calças curtas e um andar elegante de gente de cidade grande.

              Estávamos sentados de qualquer maneira. Ainda não havia entre nós aquela exigência de circulo e ferradura só para a bandeira. Ele chegou pomposo. Tinha pelos meus cálculos uns 45 anos. Deu um sempre alerta que quase arrebentou os tímpanos de alguns seniores que estavam mais próximo. – Cadê o Chefe? – Não veio hoje – disse Manoel. - Por quê? – Pergunta idiota. Ninguem respondeu. – Alguém pode chamá-lo? – Não dá Chefe, ele trabalha na Vitória Minas e viajou até Baixo Guandu no expresso. Só volta segunda. - E o Chefe do Grupo? Na casa dele no Morro do Chapéu. – Alguém pode avisar que o Comissário da UEB está aqui? Ninguém falou nada. Não estavam gostando do tipo. Estava muito metido e arrogante com ar de dono da bola. Acostumados com um aperto de mão, apresentação, um sorriso e fraternidade ele não demonstrou isto. Nem seu nome disse. Mindinho se ofereceu para ir avisar o Chefe João Soldado. – Avisar não disse. Diga a ele que é um comissário da UEB, que ele venha logo! – Rimos baixinho. Se ele dissesse isto para o Chefe ficaria no mínimo dois dias no xadrez.

                  Vinte minutos depois Mindinho chegou. – O Chefe disse que se quiser vá a casa dele. Micoçar sabe onde é. Micoçar era um charreteiro de aluguel. Naquela época as charretes faziam a festa na rodoviária e na estação ferroviária. Micoçar era o xodó das moçoilas, pois sempre tinha uma rosa para as que viajassem com ele na chegada ou na partida. Ele saiu com Micoçar sem despedir-se de ninguém. Ficamos sabendo depois que o Chefe João Soldado ficou uma “arara” com ele. Soubemos que o Comissário fazia exigências, falava alto, dizia que era Comissário e a UEB dera a ele plenos poderes. – Lá pelas seis e meia da tarde o Chefe João Soldado chegou com ele à sede. Já estávamos saindo quando ele nos chamou. – Patrulhas o Comissário quer fazer uma reunião para vocês. Quer demostrar como é uma reunião escoteira. Queria os escoteiros, mas estes só voltam amanhã do acampamento. Combinei com ele de vocês estarem aqui por volta das nove amanhã, domingo!

                  A reunião seria realizada no Campinho de futebol onde nos reuníamos. Ninguem gostou da ideia, mas ordens são ordens. Eu pensei que naquele domingo iria perder meu filme da matiné no Cine Pio XII. Buffalo Bill contra o Sioux Hunkpapa e na sequência Nyoka, a Rainha da Selva. Portando o uniforme não pagávamos ingressos. Ordem dada ordem cumprida. A reunião que ele planejou era uma correria de louco. Tais como as de hoje, mas naquela época era visto como um besteirol danado de ruim para seniores. Para dizer a verdade eu estava gostando. Tinha outros que não. O tal comissário bufava e corria para lá e para cá. Como apitava. Uma enorme audiência se formou. Ele dava palestra, jogos, corria saltava e resolveu fazer um comando Crow. Não sabia que éramos peritos na corda. Na primeira fila rindo a valer estava Micoçar com seu bigodinho a lá Charles Chaplin. Naquela época não éramos amigos. Ficamos depois da saga do Comissário Viajante. Foi então que o Comissário formou um circulo e ensinou-nos uma canção que mais tarde adorei, mas naquela época! Vixe, que vergonha. Era a Piaba. Tinha de rebolar, dar uma umbigada e dançar requebrando. Canção para outros não para os machões seniores como nós.

                        Fui obrigado a cantar e dançar. “Sai, sai, sai oh piaba saia da lagoa”! Quando alguém dava uma umbigada à turma da arquibancada rolava de rir. Na minha vez Micoçar começou a gritar: - Vai Telírio! Vai Telírio! Mostre seu requebro! Bem aquilo foi demais. Chamar-me de Telírio era briga na certa. Hoje não, mas naquela época os homossexuais da cidade eram considerados a escória e falar seus nomes era palavrão. Telírio era o mais conhecido. Eu vermelho de vergonha tentei dançar. Difícil requebrar. A turma da arquibancada gritando: - Vai Telírio, requebra e mostre que você é o maior dançarino da cidade! Desisti. Muitos outros também. O povo morrendo de rir. O chefão gritando: - voltem todos. Não dispensei ninguém! O comissário raivoso gritava possesso: - Nem cantar sabem? Que raios de seniores são vocês? Mocinhas lavadeiras do Rio Doce? Todos foram embora. Micoçar a gritar no meu ouvido me chamando de Telírio. Puxei a faca e disse que era a vez dele dançar. Dance se não vai sentir o sangue correr. A turma do deixa disso chegou.

                           O Comissário saiu com Micoçar e foi direto a casa do Chefe João Soldado. Esqueci-me de dizer ele era Terceiro Sargento da Policia Militar. Soube que ele de novo ameaçou fechar o grupo. Tanto falou que o Chefe João Soldado o pegou pela camisa e o arrastou a charrete de Micoçar dizendo: - Suma! Se aparecer na minha frente de novo quebro seus dentes e o coloco uma semana no xilindró. Micoçar se trazer ele aqui outra vez ajeito seu canto no xadrez! Dia seguinte quando o Chefe João Soldado nos contou toda a conversa eu quase morri de tanto rir. - Ora, ora, ele na minha cara disse que não tínhamos seniores. Tínhamos sim um bando de moleques indisciplinados (até certo ponto com razão). Exigiu que fizéssemos um Conselho de Tropa e destituísse ambos os Monitores. Disse que enquanto não fizermos tudo isto o grupo nunca seria registrado. Interessante é que nunca fomos registrados. Nosso grupo tinha mais de trinta anos de atividade e nunca fizemos registro. “Belle Époque”, outros tempos. Uma Segunda Classe suada. Primeira Classe? Não era para qualquer um.


                  E sabem o melhor? Eu e Micoçar anos depois nos tornamos grandes amigos. O tal Comissário alugou sua charrete por dois dias e não pagou. Foi embora e deu o cano. As patrulhas fizeram uma “vaquinha” e pagaram em suaves prestações. Sua charrete me levou a belos lugares por vales e rios desconhecidos. Charretes! Também foram engolidas pela modernidade; assim como o escotismo pelos novos tempos!

domingo, 24 de abril de 2016

O dia do Escoteiro. Um dia para lembrar...


O dia do Escoteiro.
Um dia para lembrar...

                  Dizem que são outros tempos, outras eras, alguns dizem que era no tempo das diligencias. Será? Como Lobinho nunca me disseram que o dia 23 de abril era o dia do Escoteiro. Acredito que o Akelá e o Balu não sabiam. Quando passei para Escoteiro lá por volta do final do ano de 1951, estava com onze anos e tinha um enorme orgulho de vestir meu uniforme Escoteiro. Lutei para conseguir. Presente mesmo só o chapéu que uma tia comprou em BH e me deu. Engraxei muito sapato para comprar o pano e minha mãe fez a calça e a camisa. Meu cinto comprei de Manuel Reco Reco, só me lembro do apelido. Ele desistiu. Filho do dono das casas Abil entrou, ficou quatro meses nem fez a promessa e se mandou. Paguei tostão por tostão. O meião foi fácil, na Livraria do Seu Toninho tinha material esportivo. Tinha um sapato Velho e resolvi comprar um “Vulcabrás”. “Deus meu” durou uma eternidade. O lenço e o anel o grupo deu.

                 Sei que devem estar perguntando – E daí? Bem era uma época que fazíamos questão de atravessar a cidade de norte a sul de leste a oeste com o uniforme. Na sede eu ia na minha bicicleta Philips, pneu balão, faixa branca que meu pai me presenteou. Vendeu uma sela (era seleiro) para um fazendeiro e sem dinheiro deu a bicicleta como caução e nunca mais apareceu. Era um orgulho sábado pela manhã lavar, passar cera, escovar e deixá-la brilhando. Viajei com ela milhares de quilômetros por muitos e muitos anos. Foi então que um dia o Chefe Jessé no cerimonial de bandeira disse que o dia 23 de abril dia de São Jorge era o dia dos escoteiros. Uma surpresa. Não sabia. Ninguém na patrulha e na Tropa sabia. Ele retirou do bolso uma comunicação da UEB dizendo para comemorarmos. Quem era essa tal de UEB eu desconhecia. Não tínhamos registro e nem nos preocupávamos com isto.

                     Um Conselho de Patrulha foi formado. Votamos para andar o dia inteiro com o uniforme marqueteando com vizinhos e indo a escola com ele. Foi uma festa. A meninada do Colégio Dom Bosco quando me viu (era o único Escoteiro do Colégio) foi àquela algazarra. O Padre Pedro me olhou de soslaio. Perguntou-me porque não estava com o uniforme do colégio. Expliquei. Levou-me até a secretaria para explicar ao Padre Jonas. Ele sorriu. – Pode deixar! Eu também fui por algum tempo Escoteiro na Holanda! Sorri, fiquei durinho e disse “Sempre Alerta Chefe” – Padre Pedro me corrigiu – Chefe não, Diretor! Não importava. Na sala os colegas davam risadas. Padre Jonas fez questão de ir comigo de sala em sala explicando o dia e porque estava de uniforme. Contou sobre os escoteiros holandeses, o que significava e quem foi o fundador. Eramos conhecidos na cidade, afinal o grupo foi fundado em 1942. Mas pouca gente sabia da lei da promessa e o que era o escotismo.

                     A maioria sabia dos nossos acampamentos afinal, além de atravessarmos a cidade por anos a fio indo acampar, havia a nossa carrocinha daquelas que zumbia e apitava nos eixos das rodas só para chamar atenção quando íamos acampar. Para mim foi um marco em minha vida escoteira. Valeu por tudo principalmente em saber que o Padre Jonas foi Escoteiro. O Chefe João Soldado nosso Chefe geral fez questão de convidá-lo para a diretoria. Aceitou mas não ficou muito tempo. Foi transferido para outro Colégio Marista em outra cidade. A data serviu para que todos os anos fizéssemos alguma atividade. Foi Tomaz quem sugeriu que neste dia as tardes déssemos flores as senhoras que passassem pela Praça Serra Lima. Difícil era arrumar as flores. Nunca mais esqueci este dia. Ficou gravado para sempre. Quando Chefe fazia questão de ouvir os escoteiros e os lobinhos para sugerirem uma solenidade qualquer. Usar só o lenço nem pensar. Todos faziam questão de calça curta acima do joelho, lenço bem passado, chapéu ou boné e estar presente na escola do seu coração.

                   Desculpem o relato, mas deitado em meu berço esplêndido, cansado de tanto dormir e tentar me recuperar lembrei-me de todos estes fatos. Não podia deixar de escrever e postar aos meus amigos. Outros tempos, outras eras, mas sem diligência, por favor. Ainda tínhamos charretes e bicicletas para nos transportar. Volto a minha insignificância de Chefe Dodói. Dói aqui dói ali dói acolá. Vamos ver se esta semana volto a escoteirar aqui com meus amigos, o único lugar que ainda posso lembrar, contar e pensar que escotismo é bom demais. Meu abraço fraterno a todos vocês. Boa noite!

Chefe Osvaldo. 

sábado, 16 de abril de 2016

Hoje tem reunião, alegria de montão!


Hoje tem reunião, alegria de montão!

Badenianos, Sempre Alerta, façam a jogada certa,
Hoje tem reunião, alegria de montão.
Se prepare vai cantando, pois a hora tá chegando.
Tem lobos da Alcatéia, tem a Chefe Dulcineia,
Tem a Tropa do Alfredo, do querido Chefe Pedro.

Quem fica parado é poste, no dia de pentecoste.
Vá prá sede bem ligeiro, ande meu caro Escoteiro.
Você não pode faltar, a turma vai acampar.
Prepare sua teoria, daquela pioneiria.
Aprendeu a ser mateiro, agora vai ser cozinheiro.

Lobata use seu giz, desenhando o lobo Gris.
Seniores e guias bau, bau, caíram do comando Crow!
Eu soube que o Pioneiro, agora é enfermeiro.
A pioneira calada, agora virou sua amada.
Portanto não percam tempo, não haverá contratempo.

No céu vermelho ao sol por é delicia do pastor.
No orvalho da madrugada quem canta é a passarada.
Mas cuidado se ver nuvens cor de cobre,
Se prepare é temporal que se descobre.
Leve a capa e a lanterna, não vá quebrar sua perna.

E quando a hora chegar procure o seu lugar.
Aproveite enquanto dura, lá na grande ferradura,
Fique durinho pomposo, seja Escoteiro brioso.
Quando a bandeira subir, não deixe ela cair.
Pois hoje tem reunião, Alegria de Montão!

ESCOTISMO É VIDA, AMOR, FILOSOFIA E MUITO MAIS!






quarta-feira, 13 de abril de 2016

Histórias de Baden-Powell. As Jarreteiras.


Histórias de Baden-Powell.
As Jarreteiras.

Houve uma época que os escoteiros usavam uma fitinha amarela, verde ou vermelha na perna em cima do meião que foi introduzida por Baden-Powell e que hoje não existem mais. Vejamos o que seria e o que significava:

- Jarreteira:
É uma espécie de fita geralmente elástica e de fecho, que serve para fixar a meia na perna, por baixo ou por cima do joelho. Existe uma Ordem Militar de Cavalaria instituída por Eduardo III, rei de Inglaterra, chamada Ordem da Jarreteira, por a insígnia que se juntou à ordem de S. Jorge foi uma liga. É a mais nobre das oito ordens que possui o Império Britânico (a Jarreteira, o Cardo S. Patrício, o Banho, a Estrela da Índia, S. Miguel, S. Jorge, Império da Índia e Real Ordem Vitória).

Nada se sabe de concreto sobre a data da sua instituição. Vem do séc. XIV. Quanto ao ano, a opinião dos historiadores heráldicos varia desde 1340 até 1351, embora de uma maneira geral seja adotada a data de 1350. Inicialmente a lista das atribuições constava do soberano e de 25 cavaleiros, não tendo sofrido modificação nenhuma até 1786, quando se declararam elegíveis os filhos de Jorge III e os sucessores destes, mesmo que o capítulo estivesse completo.

Em 1805 fez-se uma segunda modificação, declarando elegíveis os descendentes diretos de Jorge II, da mesma maneira que os anteriores, exceto o príncipe de Gales, que em virtude desta modificação se declara «parte integrante daquela instituição». Finalmente em 1831 ordenou-se que o privilégio concedido aos descendentes diretos de-Jorge II fosse extensivo aos descendentes diretos de Jorge I.

Muito embora se ignore a forma como nela eram admitidas as mulheres, a descrição que acompanha os registos dos séc. XIV e XV não permite duvidar que elas eram recebidas na Ordem com regularidade. À rainha consorte, às viúvas e filhas dos cavaleiros e a algumas damas de elevada posição davam-lhes o nome de «Dames de la Fraternité de Saint George».

A respeito da origem ou da ocasião da instituição da Ordem da Jarreteira, a obscuridade não é menor que quanto à data. Existe uma lenda, segundo a qual, por ocasião de um baile, caiu à liga à Condessa de Salisbury, dama da corte de Eduardo III, e o rei baixou-se rapidamente para a apanhar e entregá-la à dama, e tendo isto dado motivo a riso e graças por parte dos presentes, o rei exclamou: «Honny soit qui mal y pense;» (trad.: Mal haja quem nisto põe malícia).

Esta lenda é refutada como outras.
Uma diz que Ricardo I, ao atacar Chipre e S. João d'Acre, invocou S. Jorge, que lhe deu grande ânimo, e veio-lhe a ideia de atar às pernas dos cavaleiros uma fita de couro que lhes lembrasse do feito em que estavam empenhados. Este feito de um dos seus antecessores teve presente Eduardo III ao instituir a Ordem, designando a liga como seu emblema. O distintivo desta Ordem é, com efeito, uma liga que, bordada a ouro e pedrarias (Jarreteira), têm a legenda «Honny soít qui mal y pense». É atada na perna esquerda, junto ao joelho.

Os cavaleiros usam no lado esquerdo do peito uma placa de prata ou estrela de oito pontas, representando a Cruz de S. Jorge. Usam ainda um colar de oiro/composto de 26 peças em forma de jarreteiras, esmaltadas de azul e com a imagem de S. Jorge abatendo o dragão. Finalmente usam uma cinta de azul escuro, atravessada sobre o ombro direito, e debaixo da qual há uma joia de ouro em forma de jarreteira, rodeando a imagem de S. Jorge com a divisa da Ordem.


Como sabe, esta insígnia foi concedida ao Escotismo; motivo por que todos os Escoteiros usavam um pedaço de tecido pendurado da parte exterior das meias da farda, presa pela liga. Em Portugal os escoteiros ainda usam até hoje. No Brasil as Jarreteiras foram suprimidas pela Direção Nacional assim como o Penacho e aos poucos o chapéu de abas largas, a Flor de Lis que agora tem outro estilo, as provas de classe, as... Ufa! Lá se vai aos poucos nossa tradição e nossa história.

sábado, 9 de abril de 2016

Uma ponte longe demais...


Uma ponte longe demais...

                 Era uma vez... Uma ponte, simples de madeira com dois vãos, pequena, mas que acalentava os caminheiros que por ali passavam. Dizem que era longe demais, que não ligava a lugar nenhum. Pode até ser. Não era uma ponte qualquer, pois para mim ela tinha vida, ela tinha alma. Cansado de uma longa jornada eu sentei naquela ponte muitas vezes. Gostava de ficar ali, olhando um rio que passava sobre meus pés. Meus olhos acostumaram com aquelas ondas que brincavam de zig zag nas corredeiras que iam para o mar. Nem via o tempo passar, hipnotizado não queria voltar ao meu percurso. A ponte agora me dava vida, queria que eu e ela fossemos um só. Os incrédulos diziam que ela não ia dar a lugar nenhum. Eu sorria quando diziam isto. Uma doce mentira de caminheiros que não viram o brilho daquela ponte. Ela me levava ao Campo da Felicidade.

                  Quando surgia a primavera eu corria para chamar meus amigos Escoteiros e eles sorriam como eu quando dizia que íamos acampar no Campo da Felicidade. Todos sabiam que íamos atravessar a ponte, que todos diziam ser longe demais... E diziam que ela não levava a lugar nenhum... Era longe sim, a ponte era longe demais e isto nos fazia voltar sempre... Ver a ponte de madeira rústica, olhar o rio com suas águas brilhantes a correrem para o mar... Na várzea das Borboletas azuis, em uma pequena trilha cheia de flores silvestres, avistávamos a ponte. A ponte que diziam ser longe demais... A ponte que não levava a lugar nenhum... Mas nos levava ao Campo da Felicidade.

                    Um dia, um dia, ah que nunca mais esquecerei, um dia que ficou marcado em meu coração para sempre, a ponte não estava lá... A ponte que nos levava ao Campo da Felicidade tinha partido... A ponte longe demais agora não mais existia. A ponte que não levava a lugar nenhum agora era uma réstia de uma lembrança de um passado que se foi... Ficamos ali, cabisbaixos, deixando o sol nos queimar, nossas mochilas às costas pesando e nossa preocupação era uma só. A ponte longe demais partiu sem dizer adeus... Não era um empecilho para atravessar o rio, o rio que serpenteava suas águas e corria para o mar. A ponte que diziam não ligar a lugar nenhum agora era uma sombra, um arremedo de sonhos, uma alegoria de um carnaval que passou.


                  Nunca mais voltamos ao Campo da Felicidade. Ele e ela, a ponte longe demais se completavam. Um não tinha serventia sem o outro. Algumas vezes volto meu pensamento no tempo que já se foi. Lembro daquela ponte, uma ponte longe demais... Uma ponte que não ligava a lugar nenhum, mas sem ela nunca mais poderíamos voltar ao campo da Felicidade. Não choro lágrimas doídas, não verto águas que os olhos deixam cair... Meu coração bate forte quando em minha mente eu vejo a ponte, a ponte longe demais... A ponte que diziam não levar a lugar nenhum. Vejo-me sentado, olhando o rio que serpentava naqueles campos que seguia seu rumo para o mar. Sei que não terei mais aquela visão que me marcou profundamente. Mas enquanto ela existiu me trouxe a beleza da vida, o sonho da natureza, me ligou de um ponto ao outro mesmo dizendo que ela era longe demais... Que não ligava a lugar nenhum!

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Místicas e tradições do Escotismo. História da canção "Ging Gang Goolie"


Místicas e tradições do Escotismo.
História da canção "Ging Gang Goolie"

(Ging Gang Goolie é uma canção tradicional dos escoteiros.)

Ging Gang Goolie é uma canção conhecida e cantada em todo o mundo, que foi inventada por Baden-Powell por ocasião do primeiro Jamboree Mundial. Ela foi inventada para que todos pudessem cantá-la, daí não ser escrita em nenhuma língua, o que a torna bastante divertida. - A história por trás desta canção foi criada mais tarde...

Numa escura e longínqua selva Africana existe uma lenda que conta a história do "Fantasma do Grande Elefante Cinzento". Todos os anos após a época das grandes chuvas, o fantasma do elefante surgia da bruma pela madrugada e vagueava pela selva. Quando chegava a uma aldeia parava, levantava a tromba e cheirava... "func"! Depois decidia se atravessava a aldeia ou se a contornava. E, se ele atravessasse a aldeia, significava que o ano ia ser mau, haveria fome, doenças e as colheitas seriam péssimas devido à seca, pestes ou quaisquer outras desgraças; mas se pelo contrário ele contorna-se a aldeia, significava que o ano seria próspero.

A aldeia de Wat-Cha tinha sido atravessada pelo fantasma durante três anos consecutivos e as coisas começavam a ficar realmente más para os habitantes. O chefe da aldeia, Ging-Gang, e o feiticeiro, Sheyla, estavam bastante preocupados, uma vez que o dia do elefante estava de novo a aproximar-se. Juntos decidiram que era preciso fazer alguma coisa para que o fantasma não voltasse a atravessar a aldeia. Os guerreiros da aldeia, que eram homens grandes como hipopótamos rechonchudos, usavam um escudo e uma lança e decidiram que se iriam colocar no caminho do elefante para o assustarem, fazendo barulho com as suas lanças e escudos. Por sua vez, os discípulos de Sheyla iriam fazer magia para afastar o elefante agitando os seus bastões mágicos. Estes bastões tinham pendurados diversos enfeites e ao abaná-los faziam barulho... shalliwalli, shalliwalli, shalliwalli!

Finalmente o dia da visita do elefante cinzento chegou! Muito cedo, os habitantes levantaram-se e reuniram-se à porta da aldeia. De um lado estava Ging-Gang e os seus guerreiros, do outro estava Sheyla e os seus discípulos. Enquanto esperavam a chegada do fantasma, os guerreiros começaram a cantar baixinho os feitos heróicos do seu chefe... Ging gang goolie, goolie, goolie, goolie, watcha, Ging gang, goo, Ging Gang goo... Os discípulos de Sheyla não quiseram ficar para trás e começaram também a cantar... Heyla, Heyla Sheyla, Heyla sheyla Heyla ho, Heyla, Heyla sheyla, Heyla sheyla Heyla ho... E ao mesmo tempo abanavam os seus bastões... Shalliwalli, shalliwalli, shalliwalli.

De repente surgiu da névoa o fantasma do grande elefante cinzento que ouvindo os cantos levantou a tromba e respondeu oompa, oompa, oompa... À medida que o elefante se aproximava, os guerreiros começaram a cantar mais alto e a fazer barulho com as suas lanças a bater nos escudos... Ging gang goolie, goolie, goolie, goolie, watcha, Ging gang, goo, Ging Gang goo... Os discípulos de Sheyla levantaram-se e começaram a sua magia... Heyla, Heyla sheyla, Heyla sheyla Heyla ho, Heyla, Heyla sheyla, Heyla sheyla Heyla ho... E ao mesmo tempo abanavam os seus bastões... Shalliwalli, shalliwalli, shalliwalli. Impressionado com tanto barulho o elefante começou a dar à volta a aldeia continuando a berrar... Oompa, oompa, oompa...

Houve grande alegria entre os habitantes e todos juntos começaram a cantar... Ging gang, goolie...

- Para cantares esta música no teu grupo, seção, patrulha basta que o dividas em dois grupos: um deles corresponde aos guerreiros de Ging Gang e o outro aos discípulos de Sheyla. Estes devem cantar a sua parte, respectivamente, de forma alternada quando surgir o elefante; o qual é interpretado pelos chefes, que cantam continuamente oompa, oompa, oompa... Enquanto se dirigem aos guerreiros e aos discípulos. Posteriormente, o elefante deve desafiar os grupos cantando mais alto, os quais não se devem deixar vencer, começando, também, a cantar cada vez mais alto!


(Autoria do texto: Dorothy Untershutz, dirigente na cidade de Edmonton, Alberta, no Canadá. Publicado na revista "Leader" com o título "The Great Grey Ghost Elephant", edição de Junho/Julho 1991, página 7).