Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A lenda do Coqueiro do Lago dos Anjos.


Lendas Escoteiras.
A lenda do Coqueiro do Lago dos Anjos.

                 Foi por volta do meio dia que chegamos ao nosso destino. Programa? Quatro dias acampado, construir um escada do sol e fazer um caminho nas nuvens aproveitando as arvores enormes que lá existiam. Sol a pino. Não houve dúvidas para chegar lá. A fonte informou que era o local ideal que procurávamos. O local era realmente maravilhoso. Sentamos a beira do Lago dos Anjos. Enorme, águas das cores do céu. Peixes pululavam nas suas águas frescas. O vento formava pequenas ondas que batiam na pequena praia de areia. Uma mata refrescante em volta do lago.

               Pássaros voavam sobre as águas a procura dos peixes para sua alimentação. Fizemos um pequeno descanso e o trabalho para a montagem do campo começou. Cada um sabia o que fazer. Não éramos mais patas tenras do passado. Dois com o toldo e o fogão suspenso, dois com as barracas e dois com as pioneiras de campo. Quem terminava ia ajudar os outros. No meio da tarde almoçamos.

                 À tardinha uma refrescada nas águas do lago. Gostoso. Delicioso àquela hora. Olhei o sol se pondo. Sempre fico encantado com o nascer e o por do sol. Para mim os dois maiores espetáculos da terra. Vi um inesquecível por do sol no cume do pico do Roncador. Uma pequena nuvem deixou que pingos refrescantes caíssem em minha face. Quantas e quantas vezes fiquei maravilhado ao ver na Garganta do Rio Selvagem ou nas Escarpas do Menino que Chora e até nas Campinas do Riacho Azul.

               Mas algum me chamou a atenção. Não tinha percebido antes. Bem próximo a nós um coqueiro. Nada de extraordinário. Folhas verdes espalhadas em seu tronco e cinco lindos cocos redondos. Isto mesmo. Redondos. Quando o sol iluminou suas últimas luzes da tarde gostosa, foi através das folhas do coqueiro. Um espetáculo! Nunca tinha visto nada igual! Os raios do sol se espalharam por toda orla do lago, e alimentou as árvores como se fossem fogos coloridos. Fiquei ali até o sol se por. Na Patrulha ninguém viu ou ninguém notou. Só eu.

                 Era rotina levantarmos cedo. Antes de o sol nascer. Levantei sonolento e ao abrir a porta da barraca outro espetáculo se formava. Agora ao contrário. O sol que despontava no horizonte, batia sobre as folhas do Coqueiro que ficavam douradas e os cinco cocos pareciam bolas amarelas a piscar luzes coloridas. Aquele Coqueiro era especial. Notei que em sua volta não havia folhas caídas, nem sementes, nem nada. Nem tampouco cocos que amadureceram e não podiam continuar na arvore mãe. Em sua volta apenas uma grama macia, como se tivesse sido aparada por anjos invisíveis.

               Era um coqueiro que vivia no caminho do sol durante sua passagem para o oeste.  Mas a rotina de uma Patrulha Sênior não dava folga para amenidades nem imaginações de um sonhador. No primeiro dia o elevador que nos levaria ao céu ficou pronto. No alto da árvore no segundo dia construímos um Ninho de Águia que cabia perfeitamente os seis valentes escoteiros. A passagem nas nuvens demorou mais dois dias. Eram oito as arvores interligadas. Para que? Utilidade? Perguntem aos escoteiros. Eles fazem e só eles entendem e sabe a maior? Eles gostam! Risos.

                Todas as manhãs e todas as tardes eu não perdia o grande espetáculo que o sol e o Coqueiro davam naquele fantástico Lago dos Anjos. Lembro que no passado quase não observava as coisas em minha volta. A natureza é prodiga. Difícil entender tudo, mas fácil aprender a amar o que se vê. A primeira vez aconteceu na volta de uma jornada. Onze anos. Uma parada e deitado com a cabeça apoiada na mochila eu observei uma formiguinha. Tentava levar tronco acima uma pequena flor. Dava alguns passos e caia. Ficamos ali descansando por vinte minutos. Vinte minutos a formiguinha tentando subir e caindo. Ela não desistia nunca. Partimos sem eu saber se a formiguinha tinha conseguido.

               Outra vez estava sentado no Penhasco das Pedras das Esmeraldas, quando sem querer avistei um grande gavião negro. Voava aqui e ali. Sempre fazendo o mesmo caminho. Por quê? Porque não se foi para outras paragens? Notei lá embaixo, um pequeno Tiziu Azul, escondido em uma fenda do penhasco. Natural. Era agora sua presa. Natureza cruel, mas existe e faz parte da vida.

                 Em toda minha vida sempre fui um Escoteiro sonhador e observador. Sempre gostei de diferenciar o vôo e o som das aves. Sempre sabia onde as borboletas ficavam quando da sua dança do acasalamento. Uma vez fiquei dois dias observando o João de Barro a fazer sua casinha. Bati meu recorde quando conseguir chegar a menos de dois metros de um sagui, um mico muito esperto. Quando não acampando pegava minha bicicleta e ia seguir pistas de carros, charretes, bichos do mato nas redondezas do meu bairro. Dizem que devemos ver as coisas não como as vemos, mas tentar dar um pouco de vida no que podemos enxergar. Henry David dizia que em cada pôr-do-sol que via, lhe inspirava o desejo de partir para o oeste tão distante e belo quando aquele onde o sol se pôs!  

                 Ver e imaginar o belo em todas as coisas. Somente o amor pode sorrir nos olhos da natureza como um espelho. Esses poetas e seus sonhos e suas frases maravilhosas. Prosseguir na vida é saber ver ao seu redor. Em tudo que vemos podemos ver o belo ali presente. Nossa mente é quem decide por nós. Carl Sagan amante do futuro e da natureza comentou um dia que nossos antepassados viviam do lado de fora. Eles estavam tão familiarizados com o céu noturno e as estrelas a piscarem luzes maravilhosas quanto à maioria de nós estamos com os nossos programas de televisão favoritos. Belo programa!


               A natureza não pode acabar. As árvores são nosso pulmão, os rios nosso sangue, o ar é nossa respiração e a terra, ah! A terra. Ela é nosso corpo. Faça você de seus olhos, sua mente o que devemos ver e lutar para que seja assim! Afinal você é um escoteiro! Sonhe o quanto quiser! Imagine o quanto puder! Faça da natureza o seu destino. Nós temos este direito!   

Nota: - Uma viagem na imaginação. Uma vontade enorme de estar lá naquele lago fantástico. Uma história comum, mas que traz as belezas do escotismo aventureiro com sabor da natureza.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Filosofando... Os sons da natureza.


Filosofando...
Os sons da natureza.

                 Chefe! A juventude de hoje não tem mais aquele espirito de ver na natureza a vida como ela é. Tento mostrar que tudo que veio antes de nós, mesmo que seja inexplicável tem como padrão a filosofia da natureza. Se vamos para o campo e mostro as flores silvestres eles não dão valor. Um dia subimos até um Pico no Alto da Serra e ficamos lá até o sol se por. Eles Chefe, ficavam conversando, não prestando atenção ao espetáculo e mesmo que eu insistisse para que eles analisassem se tudo que estavam poderia ter algum valor. Disse para eles que a natureza é o que é e não aquilo que queremos que seja. Ela pode ser a areia do mar, os átomos, a visão, o instinto e porque não a vida e a morte?

                 - E ele continuou dizendo: - Chefe eu tentei mostrar que a natureza aparece em todas as épocas do ano, nas estações do tempo, no frio ou no calor. Como admirar o dia e a noite? Como amar a lua e o Sol? Como contar estrelas no céu? Até declamei aquele poema famoso: - “Por entre junco e hera verdejante, correm nascentes de água límpida, Junta-se à sede da minha alma ímpia, esta cascata pura e refrescante. Já são audíveis os sons da cachoeira, num simulacro à magia da natureza Insetos e pássaros voam na certeza que Deus existe e a fé é verdadeira”. E mesmo assim Chefe, eles riram de mim. São bons escoteiros eu sei, mas não tem mais aquela filosofia de amar o infinito de amar o que não veem, de não ter a noção das cores que se mostram na vida que vivemos.

                    Chefe, eu tentei mostrar o maravilhoso som do regato, das cachoeiras cheias de peixes coloridos, pulando acima das águas como querer se mostrar para nós. Tentei mostrar a eles a lagoa com suas águas escuras, escutar um sapinho coaxando, o bater de asas de papagaios soltos e grasnando no ar. Mostrei como podemos ouvir o som das abelhas, dos beija flor que procuram o néctar pra sobreviver. Me arrepiei Chefe quando disse para sentirem o vento soprando em uma campina, as plantações querendo seguir o mesmo rumo formando ondas como se o mar estivesse ali. A natureza é bela Chefe, mas meus jovens escoteiros não tem mais aquela alma aquela beleza de ver a maravilha da natureza tão bela e cheia de amor.

                 - Chefe o que devo fazer para que eles possam sentir e amar a natureza com seus sons, melodias, trinar de pássaros, corujas com seus enormes olhos perscrutando tudo a sua volta. Como ensinar a eles Chefe como se aquecer a noite o dia, ouvir deles uma exclamação de sentimentos com o vermelhão ao nascer e o por do sol? Fiz tudo chefes tentando mostrar como é belo o som da chuva, o cheiro da terra molhada, do riacho manso que corre para o mar. Lembrei a eles dos Sons das ondas, das gaivotas, dos falcões, dos macacos guinchando nos galhos como se estivessem a rir de nós. Sons das estrelas, da lua, do sol. Sons imperdíveis da nevoa da madrugada.

                - Não sabia dar uma resposta. A modernidade nos fizeram esquecer do simbolismo e a beleza da natureza. Não existem mais sonhos como no passado, não existem mais o belo a não ser aquele que se toca e sente. Como ensinar a eles os jovens escoteiros que ainda existe um Deus? Se a natureza é a verdade sabemos que Deus mora ali. Neste exato momento, onde você está agora à natureza está ao seu lado. Ela não é uma tela, uma máquina um programa ou um perfil uma imitação de imagem. Assim como a natureza é nossa maior virtude, ela está na simplicidade e nos olhos de quem realmente pode ver, e quando não exploramos as belezas ao nosso redor, perdemos a capacidade de sentir, de filosofar e nos tornamos estrangeiros em nossa própria terra.


                - Tudo tem um começo um meio e um fim. Se estamos no meio voltemos ao começo. Escoteiro! Você é gente. Mostre que pode sentir o vento, pode cansar a vista olhando o sol, pode ouvir o som da cascata, pode ouvir o trinar dos pássaros. Tente ver a beleza de uma flor. Deixe escoteiro o som da natureza invadir o seu ser. Tente entender a melodia dos pássaros, das arvores, dos ventos. Se assim o fizerdes terás então entendido o que é a natureza para nós. Escoteiros do campo, da serra, das matas, dos rios e das campinas que gostam de sentir a força dos ventos em suas tenras flores e folhas que balançam ao sabor da natureza.

nota: -  - Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

segunda-feira, 10 de julho de 2017


OS LIVROS DA SELVA.
(Leia mais tarde o Capítulo II dos Irmãos de Mowgly na Floresta de Seeonee).

Nota:
- “Os livros da Selva” é reconhecidamente um dos maiores clássicos da literatura universal de todos os tempos. Adorados por leitores de todas as idades desde que foram publicados no final do século XIX, seus contos ocupam lugar especial no imaginário popular. 

Muito se deve à fantástica história de Mowgly, o filhote de homem criado por lobos nas florestas da Índia. Protagonista de oito das quinze extraordinárias narrativas que formam o conjunto desse livro, Mowgly se tornou um mito por suas aventuras emocionantes ao lado de personagens inesquecíveis como Bagheera, a poderosa pantera-negra que o protege; Baloo, o urso que ensina as Leis da Selva aos filhotes de lobo; Kaa, o sábio píton. - Akela, o lobo solitário líder da Alcateia; e Shere Khan, o traiçoeiro tigre manco que deseja matar Mowgly.

- Essa edição traz o texto integral dos dois volumes de Os livros da selva, mais de 240 notas, 28 ilustrações originais de J.L. Kipling, pai do escritor, e W.H. Drake, além de apresentação e cronologia de vida e obra do autor. Inclui também, como apêndice, “Dentro da rukh”, a primeira história de Mowgly.

Origem dos Lobinhos: - Baden-Powell solicitou a Percy W. Everett que desse sugestões para criar o ramo lobinho. Em 1913 Everett lhe apresentou um projeto: - Regras para escoteiros menores. Segundo B.P. o nome “Lobinho” ou “Cachorro” seria adequado para designar os pata tenras como eram chamados os menores naquela época. Em 1914 o Headquarter Gazette publicou o esquema para os “Lobinhos”. Incluía a forma de saudação, o emblema com a cabeça do Lobo e a promessa mais simples adaptadas à faixa etária. Tudo isto se originou quando Baden-Powell conheceu o Livro da Jângal de Rudyard Kliping. A publicação do Manual do Lobinho em 2 de dezembro de 1916 pode ser tomada como marco para que este ano podia ser considerado como o da fundação do ramo lobinho, embora tenha sido somente em 1923 que as regras completas do Lobismo foram reconhecidas.

Se você tem interesse em ter os Livros da Selva de Kipling, pode adquirir todos os volumes no endereço abaixo. Caso queira conhecer algumas das história basta pedir o Bloco 7 “LOBOS EM AÇÃO” onde além de diversos condensados de lobos você vai encontrar um resumo do Livro. Basta enviar e-mail para ferrazosvaldo@bol.com.br

Para todas as histórias do livro, veja no site da Saraiva e o preço de cada volume.

sábado, 8 de julho de 2017

Sorria hoje tem reunião.


Sorria! Hoje tem reunião!

- Sim, hoje tem reunião e milhares já estão se preparado para partir. Uns para a sede, outros para uma excursão e tem aqueles que um sorriso aflora. Vão ou estão em um acampamento. É ali que a gente vê e sente a fraternidade. Dizem que a verdadeira amizade está acima de todos os bens do mundo. Pois é, sabemos que é um sentimento que não se compra e nem se vende. Ter um amigo é ter um tesouro. Que adianta a fama, que adianta ser venerado ou admirado se não tem pelo menos um amigo fiel? Isto temos no escotismo mesmo que existam alguns que ainda não aprenderam que somos uma fraternidade de amigos por toda a eternidade.

- E lá nos cantantes de meninos escoteiros, das meninas escoteiras dos Seniores e dos lobinhos, vamos aprender tantas coisas com eles que jamais esqueceremos. Vamos aprender que para os erros há perdão, para o fracasso, chance. Sabemos que existem momentos que nos descontrolamos e explodimos com alguém. No escotismo isto não deve existir. Temos como chefes procurar entender os sentimentos dos outros. Devemos sempre tentar expressar com palavras de carinho, de modo calmo sem ser desagradável.

- Sabemos que a bondade é uma das qualidades que nos torna mais humanos, mais escoteiros. Grandes Chefes do escotismo sempre disseram que as pessoas boas são sempre as mais felizes. Assim meu caro Chefe coloque tuas mágoas bem no fundo do bornal e sorri neste momento que vai partir e quando estiver junto aos jovens que dependem de tí para aprender que o sorriso é o caminho para o sucesso em toda a vida escoteira.

- A felicidade está dentro de nós, olhar nos olhos e nos sorrisos dos jovens que hoje irão fazer escotismo de montão, é se contagiar e sorrir também. A felicidade está nos olhos de quem vê a vida escoteira de maneira simples, sem complicações. Ela está sim até nos olhos dos otimistas, dos que não perderam a esperança e naquele que confia nos seus jovens. Os desafios são vencidos se pensarmos que podemos realizar nossos sonhos.

- “Escoteiros firmes! A bandeira em saudação”!


Feliz reunião, muita alegria muito aperto de mão! 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sorria e se orgulhe de um gostoso Grito de Patrulha.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Sorria e se orgulhe de um gostoso Grito de Patrulha.

                   Vez ou outra nos passa despercebido à união, a força e o orgulho quando damos o Grito de Patrulha. Depois que cresci ouvi tantos que parava só para ver o que diziam e ver o espírito de Patrulha quando todos seguravam no bastão, com ele elevado no ar, davam um grito gostoso que a gente sempre se emocionava. Para mim o Grito de Patrulha é uma das maiores místicas e tradições no escotismo. Tem um simbolismo que encanta. Tenho receio que amanhã ele seja extinto, pois pode aparecer um “çabio” qualquer e dizer que isto é ultrapassado.

                    Muitos dos nossos simbolismos, místicas e tradições estão sendo engolidos pela modernidade. Cada Grito tem um estilo, uma maneira, uma sonora entoação que dá uma marca própria à patrulha. Aqueles que ali estiveram não esquecem jamais. Onde a patrulha esteve aquele sonoro som cantante ficará marcado para sempre. Conheço patrulhas que deu seu grito em altas montanhas, picos enormes, florestas inóspitas e me empolguei com uma que resolveu dar o grito dentro de uma jangada caindo em uma bela cascata de águas cristalinas e enfumaçadas.

                      Outro dia li aqui que um jovem queria idéia de um Grito de Patrulha. Assustei. Não pode pensei! O Grito não é dele é de todos na patrulha. E afinal era uma patrulha nova? Se não o antigo devia por tradição permanecer. Nenhum patrulheiro tem direito só porque não gosta trocar o grito da Patrulha. É uma tradição imutável. O antigo escoteiro se lembra dele com orgulho e quanta tristeza ao voltar à sede ver que tudo mudou. Eu já vi homens e mulheres voltando à sede e pedir para dar o grito com a Patrulha que um dia foi sua. Não existe o melhor ou o mais bonito. Um grito surgiu pelas mãos de todos.

                        Outro dia um disse para mim: - Chefe eu dei um grito de patrulha naquele acampamento regional! Bacana – Bacana mesmo. Hoje não, os encontros nacionais e regionais na maioria das vezes são participantes individuais, patrulhas não vão mais unidas, não há grito a não ser se alguns se reúnem e resolvem fazer o seu. - Sabe Chefe aquele Jamboree na Inglaterra realizado no Olympia? Aquele bem no coração de Londres? Eramos mais de 8.000 escoteiros de 34 países. Nossa patrulha deu um grito bem no centro da Arena. Fomos ovacionados. Quer saber como era nosso grito? – Arrankakuenca lelenca. Lita Talita Rá rá... Raposa! Danado de grito bonito eu pensei comigo quando meu amigo Chefe Jovelino me contou.

                       Mas ele se orgulhava. Afinal foi o primeiro jamboree mundial e Baden-Powell estava presente! Isto é bom demais. Dar um grito e não esquecer são coisas de escoteiros que vão guardando tudo no coração. Coração! Como cabe lembranças e coisas gostosas que acontecem com a gente. Eu conheci milhares de patrulhas. Adorava vê-las dar o grito, adorava ver o sorriso e sabia que o melhor sorriso era do novato, do noviço ou pata-tenra. Ele quando começa se sente mais um da turma. Ele acredita que seus sonhos de aventureiro estão prestes a começar.

                         Eu sempre digo e repito que o grito não é de um só. Mesmo quando a Patrulha e nova e o Monitor acha que é o responsável. Não é. A responsabilidade é de todos. O grito é eterno, constante, imortal, imutável e infinito. Não se muda. Ele não tem dono, pertence a todos que um dia estiveram na Patrulha e dele fizeram sua história. Conheço milhares de gritos. Cada um mais lindo que o outro. Já vi gritos que dei risadas, já vi gritos que meu sangue ferveu de emoção. Já vi gritos que atraíram multidões de escoteiros. Não importa o que diz importa o orgulho em dizer. A tradição de um Grito de Patrulha deve ser contada, anotada e descrita no livro da patrulha.

                         Não esqueço quando em uma Indaba um Chefe me contou: - Chefe, quando visitei meu grupo depois de 40 anos, foi uma grande emoção ver a Águia com o mesmo grito e o mesmo totem. Contem para todos que demos o primeiro Grito na Montanha do lobo! Repetimos no Itatiaia. Outra vez no Pico da Neblina. Com lágrimas nos olhos disse para eles que não importa onde, importa sim o grito dado com orgulho e sentimento no coração.

                         Conheci uma Patrulha Urso que ficou dois meses discutindo seu grito. Sempre empate na hora de escolher. O que fazer? O Conselho de Patrulha achou que o desempate deveria ser do primeiro lobo que passasse para a Tropa. Demorou mais dois meses. Enfim foi escolhido o grito: – Qui que quode com o Urso ninguém pode! Risos. Nossa quase três meses e foi este o escolhido? Olhe ele existe até hoje. Tem mais de quarenta anos com o mesmo grito. Orgulho demais!

                         A origem dos gritos de guerra é uma palavra ou frase usada normalmente para incentivar e motivar um grupo de pessoas.  Os gritos surgiram há muitos séculos atrás. Dizem que o mais conhecido é do povo Maori que até hoje é copiado por equipes de todos os tipos de esporte. Me lembro um pouco dele: - Te Rauparaha Haka (trecho) Ka mate, ka mate! Ka ora, ka ora! Ka mate! ka mate! ka ora! ka ora! Tēnei te tangata pūhuruhuru Nāna nei i tiki mai whakawhiti te ra Ā, upane! ka upane! Ā, upane, ka upane, whiti te ra! Hi! - (É a morte! É a morte! É a vida! É a vida! É a morte! É a morte! É a vida! É a vida! Este é o homem cabeludo Que fez o sol brilhar de novo Juntos! Todos juntos para o topo! Juntos! Todos juntos para o topo, o sol brilha de novo! Sim!).

                    Se é bonito não sei. Só sei que o grito mais bonito é o da minha patrulha, da sua ou a de todos nós! – Não vou comentar os gritos de Tropa, de Alcatéia de grupo ou mesmo o da União dos escoteiros do Brasil. Aqui estou a contar aos meus amigos do Grito de Patrulha. Ele sim um orgulho internacional Escoteiro.


                         Sei que no mundo inteiro alguns membros de uma Patrulha se reúne anualmente ou de cinco em cinco anos. Eles fazem questão de dar o grito seja onde a reunião for. Tem seu próprio bastão seu próprio totem e dão o grito com força, com orgulho, sabendo que no coração de cada um ele vai viver para sempre. Não existem lugares para dar o grito. Um jogo, um aniversário, depois da bandeira, oração e em todo lugar. Grito é grito, não importa o que se diz, pode ser em português, latim, francês, inglês, ou mesmo em linguagem galáctica ou em tupi-guarani. Não importa mesmo. É uma tradição que ninguém esquece. Sempre repito aonde vou: - Que as patrulhas gritem. Alto e em bom tom. Que mostrem a todos sua força, sua vontade seu orgulho em ser Escoteiro. Grito de Patrulha, quem já deu nunca mais vai esquecer!

nota: - Para lembrar os mais velhos, para sorrir os mais novos. Como é bom dar um Grito de Patrulha junto a amigos que se tornaram irmãos. Grito de Patrulha, uma tradição que nunca será esquecida. O Grito nunca deixará de ser o que é, e sempre foi o que é independente do que ele diz. Ele é único e o primeiro de todos. O Grito de Patrulha é imortal!

domingo, 2 de julho de 2017

Uma noite no acampamento. Sonhos de uma noite de luar.


Uma noite no acampamento.
Sonhos de uma noite de luar.

                      A relva molhada recebia o orvalho que caia sem pedir para ficar. A grama absorvia a gota d’água pequena que se espalhava ao cair. Uma pequenina ficou dependurada em uma folha até que caiu ao chão. De olhos abertos os escoteiros olhavam o céu estrelado e eis que um dos chefes sussurrou baixinho uma historia tão bonita que sem perceber todos esqueceram o vento frio e a lua que insistia em brilhar mais que as estrelas, mas sua beleza era tão grande que tudo ficou preso na mente naquele momento sublime.

                   O Chefe começou a narrar: - Quem me contou foi um anjo Escoteiro acompanhado de muitos querubins que o Senhor das Estrelas no seu cantinho em uma galáxia distante fabrica estrelas de todos os tamanhos. Dizia que o céu é de verdade, que cada um de nós ao nascer ganha uma estrela e em um canto do firmamento ele a coloca para brilhar. A estrela tem seu nome e ficará ali para sempre até o dia que você for fazer dela sua morada final.

                     Mas anjo Escoteiro eu perguntei e onde foi parar à lua que sempre que a gente olha se assusta com tanta beleza e um súbito espanto acontece na primeira vez? – Ele respondeu – Pense em um mundo como num malmequer.  Porque você não vê. Mas não fique pensando demais porque pensar é não compreender. A lua e as estrelas são como rubis e rosas, neve e ouro. Um verdadeiro tesouro. Não pare nos sonhos, ande e faça acontecer. Tente recapturar a sublime beleza que existe em você. Em tudo que existe ao seu redor e seja feliz.

                    E ele terminou assim: - Se ver com alegria a beleza no céu a lua e as estrelas tudo se transforma em maravilhas divinas e isto apaga todos os infortúnios. Sua estrela está lá, é sua. A estrela sabe que sua alma é imortal e vai acompanhar você por toda a vida.  Nunca esqueça que uma pessoa feliz torna os outros felizes, uma pessoa que sonha e faz realizar faz o mesmo com as outras. Quem tem coração e fé nunca morrerá em desgraça!


                    A noite corria solta naquela floresta encantada. Era hora de recolher. O Chefe com seu berrante anunciou o silencio. Todos foram dormir e as barracas recolheram os escoteiros que sonhavam em encontrar o Anjo Escoteiro que tinha como morada uma estrela no céu!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O dia do Pioneiro


Dia do Pioneiro.
Meus parabéns a todos os pioneiros do Brasil e do mundo!

Um breve histórico do Movimento Pioneiro.

- O Clã Pioneiro é voltado aos jovens de 18 a 21 anos incompletos, de ambos os sexos. O programa educativo dessa faixa etária visa aumentar a integração do jovem ao mundo, voltando-se ao serviço à comunidade e ao exercício da cidadania com base nos valores da Promessa e da Lei Escoteira. O lema do pioneiro é SERVIR. A unidade onde ficam os pioneiros e pioneiras é chamado de Clã Pioneiro. A Comissão Administrativa do Clã ou o Conselho do Clã é a autoridade para tratar de todos os assuntos internos de administração, finanças, disciplina e programação.

- No Clã Pioneiro os jovens já se tornaram efetivamente adultos na sociedade e estão concluindo a formação dos seus valores e princípios. Por isso, os pioneiros possuem um elevado grau de liberdade, trazendo consigo responsabilidade para, inclusive, programar suas próprias atividades, dentro e fora do Escotismo. Dessa forma, os jovens dessa faixa etária, ao invés de possuírem um Chefe, são orientados por um Mestre Pioneiro e/ou uma Mestra Pioneira. Essas pessoas têm por objetivo instruir os jovens nos bons caminhos e só têm poder de deliberação em casos excepcionais. O ideal do programa educativo do Movimento Escoteiro é que o jovem que ingresse no Escotismo, independentemente da idade, permaneça até o final de sua vida pioneira, para que vivencie o máximo que o Movimento tem a oferecer. O Livro do fundador Caminho para o Sucesso é base do que B-P pensava sobre o movimento Pioneiro.

A PROMESSA E A LEI PARA OS PIONEIROS E PIONEIRAS SÃO AS MESMAS DOS ESCOTEIROS.

O LEMA DO PIONEIRO É SERVIR!
A origem do lema.
- O Lema Pioneiro "SERVIR" foi adotado por B.P. com base no escudo de armas do Príncipe de Gales, título que até hoje é utilizado pelo futuro herdeiro da Coroa Britânica.
- Se observarmos atentamente o escudo, nos depararemos com um detalhe curioso: a inscrição que se encontra no liste diz "ICH DIEN", que não é um termo da língua inglesa, mas do alemão antigo. Esse escudo pertencia ao rei João de Luxemburgo, filho do Imperador Henrique VII, da Prússia (atual Alemanha). O rei João foi morto na batalha de Crecy quando combatia a Inglaterra, que estava sob o comando do filho do Rei da Inglaterra, chamado de Príncipe Negro. Terminado a batalha de Crecy, os estandartes ingleses anunciavam a vitória do Príncipe Negro, que cavalgando pela arena, encontrou o corpo do Rei morto. Sendo informado dos pormenores da morte do Rei, ficou impressionado com a nobreza e dedicação de João, pelo que decidiu levar seu escudo daquele lugar.

- Tempos depois, o escudo do Príncipe de Gales estava formado por uma coroa adornada por três plumas de avestruz, em posição assemelhada de uma flor de lis, tendo na parte inferior um listel com os dizeres "ICH DIEN", "EU SIRVO", em língua alemã. B.P. considerou que a herança que guarda a palavra "SERVIR" é digna de ser portada por todos aqueles que, em suas ações e palavras, demonstram, com orgulho e honra o espírito de ser um Verdadeiro Pioneiro.

COMO SURGIU O CLÃ
- A 1ª guerra mundial, de 1914, impediu que muitos jovens prosseguissem em seus grupos e ao seu término eles começaram a retornar, porém sem idade para serem escoteiros. Assim, em setembro de 1918, foi escrito um folheto intitulado "Regulamento dos Rovers" (Pioneiros), dentro do Movimento Escoteiro. Em 1920 foram publicados, em duas partes, "Notas sobre o Adestramento dos Rovers". O passo seguinte, importante para o desenvolvimento do Pioneirismo, foi à publicação por Baden Powell de seu livro "Caminho para o Sucesso", com o objetivo de estimular, inspirar e aconselhar livro totalmente voltado para o desenvolvimento do Ramo Pioneiro. No Brasil, o Ramo Pioneiro começou a ser organizado na década de 20 pela Federação Brasileira de Escoteiros do Mar que mantinha um "círculo de pioneiros - CIP", onde reunia os pioneiros de diversos grupos, ao redor da Mesa Pioneira com as virtudes. O primeiro Clã Pioneiro do Brasil foi o Clã Tiradentes do 10º Grupo Escoteiro do Mar Décimo/RJ, que hoje se encontra como responsável pela Mesa Pioneira histórica do CIP.

Dia do Pioneiro - 29 de junho

- O dia 29 de junho foi definido como Dia do Pioneiro por ser o dia consagrado a Paulo de Tarso, patrono deste Ramo, justamente por ser um exemplo de decisão na escolha do bom caminho diante das encruzilhadas da vida, e por ser capaz de assumir projetos para crescer como pessoa e mudar o mundo em que vivia. Juntamente com Simão Pedro e Tiago, ele foi um dos mais proeminentes líderes do nascente cristianismo. A conversão de Paulo mudou radicalmente o curso de sua vida. Com suas atividades missionárias e obras, Paulo acabou transformando as crenças religiosas e a filosofia de toda a região da bacia do Mediterrâneo.

nota: - Neste dia onde se celebra o dia do Pioneiro desejamos a todos os pioneiros do Brasil e do Mundo que eles tenham toda a felicidade em seus clãs e que o sucesso seja o sonho realizado de todos que participam desta maravilhosa organização. Parabéns aos pioneiros e pioneiras que trazem esperança ao escotismo de B.P.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Rastros do fundador. O Movimento Escoteiro. Lord Baden-Powell of Gilwell.


Rastros do fundador.
O Movimento Escoteiro.
Lord Baden-Powell of Gilwell.

O Movimento é uma alegre fraternidade.

No que respeita à direção do nosso Movimento há apenas dois aspectos a considerar. Um é que somos uma instituição dotada de grande elasticidade. Se um Dirigente Escoteiro não gosta das finalidades do nosso Movimento, tem inteira liberdade de sair e de dedicar-se a outra coisa qualquer. O outro aspecto é que há entre nós um espírito de fraternidade, um espírito de jogar o jogo, com cada qual jogando no seu próprio lugar. Mesmo que quisesse eu não conseguiria exaltar este espírito em excesso, pois ele é a essência do sucesso num Movimento como o nosso.

Não gosto de dar ordens: não é esse o nosso estilo, nos Escoteiros. É o sentido do dever vindo de dentro de nós que nos guia, e não deve ser imposto do exterior.
Que se dane o Regulamento! Chamem-lhe uma experiência!

Incumbidos do dever de ensinar a abnegação e a disciplina, pela prática das duas os Chefes-Escoteiros têm necessariamente de estar acima de sentimentos mesquinhos, e precisam de ser homens de vistas suficientemente largas para submeterem as suas próprias opiniões à orientação superior do todo.

Não estou ansioso por um êxito moderado (do Movimento), pois tenho a certeza de que há de chegar, mas quero ver é um grande êxito, para que com o tempo todos os rapazes deste país venham a fazer parte dele e a ser formados na cidadania. O Movimento Escoteiro é um movimento de crescimento espontâneo, e não uma organização planejada. Surgiu dos desejos naturais dos jovens, e não lhes foi imposto sob a forma de um compêndio de instrução.

Somos um Movimento, não uma organização. Trabalhamos por meio do «amor e da legislação". Irmãos somos para os nossos rapazes, e irmãos uns para os outros devemos ser se quisermos fazer algum bem. O que nós precisamos (no Movimento Escoteiro) não é apenas de um simples espírito de tolerância benevolente, mas de interesse atento e de prontidão para nos ajudarmos mutuamente.

As sugestões executam-se com tanto melhor boa vontade quanto melhor compreende o seu objetivo aquele que as executa.

O nosso objetivo é descentralizar a administração tanto quanto possível, a fim de evitar a burocracia e atribuir o máximo de autonomia democrática às autoridades locais. Somos mais uma Fraternidade do que uma organização, fraternidade mais movida pelo espírito e por uma lei não escrita do que por normas e regulamentos impressos.


“Primeiro tive uma ideia. Depois vi um ideal. Agora temos um Movimento, e se alguns de vós não tiverdes cuidado acabaremos por ser uma simples organização”.

nota: - Um artigo que B.P descreve com maestria o Movimento Escoteiro conforme ele pensou e planejou. Vale a pena ler e entender o que ele pensava que deveríamos ser. – “Não gosto de dar ordens: não é esse o nosso estilo, nos Escoteiros. É o sentido do dever vindo de dentro de nós que nos guia, e não deve ser imposto do exterior. Que se dane o Regulamento! Chamem-lhe uma experiência”! B.P. 

domingo, 25 de junho de 2017

Segurem o tempo! Não o deixem passar!


Segurem o tempo! Não o deixem passar!

                            Hoje é domingo, dei uma olhada para trás e vi que muita coisa aconteceu em minha vida. Eu sei que o tempo não para e ele passa depressa demais e a vida é tão curta para adiar o que precisamos fazer e realizar. Então – para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa – eu cultivo certo tédio a media que olho pela janela para vê-lo passar. Degusto assim cada detestável minuto da eternidade da espécie. Quero viver muitos minutos num só minuto!

                           Ah! Aquela poetiza é formidável para aproximar nossa mente na realidade do presente. O tempo passa célere demais. Quando crianças corremos atrás dele para que cada dia fosse acontecer a cada segundo. – Mãe! Quando é meu aniversário? Que saudades. Um bolo, velas para apagar, amigos em volta da mesa e até esquecia-se dos presentes. Depois se tornou natural. Os anos não contam os bolos acesos e velas apagadas.

                            Dizem que em determinada época na nossa vida, passamos para a terceira idade. Até hoje não encontrei alguém da primeira e da segunda idade. De quantos em quantos anos? Sei que na terceira somos mais olhados. Mais vistos. O envelhecer trás a aproximação dos amigos, dos familiares e das lembranças dos que estão distantes. Nesta hora passamos há contar o tempo. Observamos melhor aquela ampulheta que está sobre a mesa e sabendo que um dia ela vai ficar vazia.

                            Quando só Deus sabe. Dizem também que nesta data nos sentimos mais amados, pois a idade envelhecida não nos dá mais forças para fazer o que sempre fizemos. Eu tive um grande amigo que já se foi e me dizia sempre – Aposentar é perder parte da vida! Não sei se me sinto assim. Não foi aquele outro poeta quem disse que não devemos fazer de nossa vida um rascunho? Claro, pois vais ter a hora de ter que passá-la a limpo e nada melhor que a aposentadoria.

                           Dou graças a Deus que o tempo passa. Já imaginaram o desespero que tomaria conta de nós se tivéssemos que suportar uma segunda feira eterna? Gosto de citar Fernando Sabino que dizia: - O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. Quem sabe viver seria um exercício de desprendimento. Uma aventura de deixar que o tempo leve o que é dele que só fique o necessário para continuarmos as novas descobertas.

                         Dizem que em tudo existe beleza na passagem escondida do tempo. Coisas velhas que se revestem de frescor. Para nós é melhor deixar a vida seguir seu curso. Não pensar tanto no amanhã. Se alguém disse que o amanhã nunca morre porque irei pensar nele? Coloquei em minha mente que não existem tristezas que mereçam ser eternas. Acho que nem a felicidade. O que precisamos mesmo é aprender com as tristezas e as alegrias. Alguém já disse que elas só seriam suportáveis à medida que as dividimos. Eu sou um homem feliz. Tive com quem dividir tudo na minha vida de terceira idade. Ela minha Celia e meus filhos fazem parte do meu corpo, da minha alma e do meu coração. Ah! Não se esquecer dos amigos. “Isto nunca”.


            Pois é, fico por aqui. Não se esqueçam de lembrar-se de mim quando for para minha estrela no céu. Pensem que lá estarei sempre uniformizado, caqui engomado, calças curtas nos trinques, meiões no padrão Escoteiro, sapato bem engraxado, cinto brilhante, lenço bem passado e dobrado conforme os padrões que me ensinaram. Lá estarei com meu anel de Giwell brilhante e com meu chapéu de três bicos na minha mão esquerda fazendo uma reverencia e a direita se preparando para ficar em posição de sentido e dizer a você: - Abraços fraternos meu amigo, sou um privilegiado em ter sua amizade. Até mais e Sempre Alerta!

nota - Hoje à tardinha no entardecer deste final de domingo, a luz se foi. Na penumbra da sala com a luz bruxuleante do lampião tive momentos e lampejos do viver ontem e viver hoje. Pensei comigo: - Se for pra ser, será. Se tá demorando, é porque o melhor ainda está por vir. E que venham novas histórias, novos contos nova vida novos sorrisos e novos amigos, eles sempre serão bem vindos porque a vida é para quem sabe sorrir amar e ter a paz no coração.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A boa ação escoteira. Por Lord Baden Powell


A boa ação escoteira.
Por Lord Baden Powell

                        No Centenário do Escotismo comemoramos em 2007 cem anos após o Acampamento Experimental de 1907, mas, quanto ao início das ideias de Baden-Powell para a juventude, que terão estado na origem do Escotismo, torna-se mais difícil uma localização no tempo. O Cerco de Mafeking fez de B-P um herói nacional, conhecido além-fronteiras e venerado no Império Britânico - tanto por adultos, como por jovens. Por essa altura, coexistiam na Inglaterra várias associações e clubes dedicadas à formação dos jovens, como a YMCA (Young Mens. Christian Association) e a Boys’ Brigade. Um desses clubes escreveu a B-P, que se encontrava a braços com a formação da Polícia Sul Africana, pedindo-lhe que enviasse uma mensagem para os seus rapazes. B-P respondeu a 21 de Julho de 1901, a partir de Zuurfontein, no Transvaal (África do Sul), com uma mensagem alusiva a um dos aspectos que mais contribuiu para imortalizar a imagem do escoteiro: a Boa Ação!

Meus caros rapazes,
O regulamento da vossa associação obriga-vos a manterem-se longe das bebidas, do tabaco, do jogo ilícito, do uso dos palavrões, etc. Não há nada melhor do que seguir essas regras e admiro-vos por as seguirem. Outros rapazes, que não têm a coragem de se juntar a vocês nem de se manterem fiéis a essas regras, provavelmente ganharão maus hábitos dos quais nunca se conseguirão libertar e, em muitos casos, as suas vidas tornar-se-ão histórias de miséria e fracasso: enquanto que vocês, saindo do vosso clube sóbrios e com a mente limpa, provavelmente sair-se-ão bem na vida, quando crescerem – se continuarem a aderir a essas regras.

Mas lembrem-se disto: Quando os soldados defendem um local, não ficam sentados, mas lançam contra-ataques para fazer debandar o inimigo. Por isso, não devem contentar-se em ficar sentados para se defenderem dos maus hábitos, mas devem também ser ativos para fazer o bem. Por “fazer o bem” quero dizer tornarem-se úteis e fazerem pequenos gestos de bondade a outras pessoas – sejam amigos ou desconhecidos. Não é algo difícil, e a melhor maneira de concretizá-lo é decidirem fazer pelo menos uma “boa ação” a alguém todos os dias, ganhando, assim, o hábito de fazerem sempre boas ações. Não importa o quão pequena possa ser a “boa ação” – nem que seja apenas ajudar uma senhora de idade a atravessar a rua, ou dizer uma palavra amiga em favor de alguém que foi difamado. O importante é fazer algo.

Quando um homem está a morrer, não está com tanto medo de morrer como de sentir que podia ter feito melhor uso do seu tempo enquanto viveu. O homem que fez “boas ações” toda a sua vida não tem nada a temer quando estiver a morrer.  Se esse homem sentir que fez algo de bom aos seus semelhantes sentir-se-á ainda mais feliz do que aquele que apenas se manteve afastado dos maus hábitos. Por isso, sugiro a cada um de vós, que leem esta carta, que devem, não só afastar-se da bebida e dos maus caminhos que lhe estão associados, mas também tentar. “Fazer boas ações às pessoas à vossa volta”. “Podem começar já hoje e, se quiserem escrever e contar-me sobre a vossa primeira “boa ação”, terei todo o gosto em conhecê-la.”.


- É importante ser bom, mas o mais importante é fazer o bem. Baden-Powell.

nota: - - Um sorriso é a chave secreta que abre muitos corações. Nenhum homem pode ser chamado de educado, se não tem uma vontade, um desejo e uma habilidade treinada para fazer a sua parte no trabalho do mundo. Lord Baden-Powell of Gilwell.

sábado, 17 de junho de 2017

Hoje Estou Feliz. Hoje tem reunião.


Hoje Estou Feliz.
Hoje tem reunião.

Sinto-me escoteiro autêntico e transparente
Tal qual sou e como sempre me quis
Por isso vos digo muito contente
Meus Amigos: Hoje eu estou Feliz!

Nada em mim forço ou tento esconder
Sou tal qual me desejo e me sinto
To be or not to be e acabo por ser
Amo ser escoteiro e não minto.

Tenho sempre renovados ideais
Sonhos e vontade de por eles lutar
E como nem todos os dias são iguais
Eu hoje vim aqui para vos anunciar
Que sou o mais Feliz entre os mortais
Por ter acabado de me reencontrar.

Pé na estrada, hoje tem reunião,
Bate fundo bate forte meu coração.
Amigos por lá vou encontrar,
Coisas escoteiras para amar.

Um frêmito no corpo sem barreira,
Um orgulho quando sobe a bandeira.
Nesta terra no meu céu cor de anil

Orgulho em dizer: - Sou escoteiro do Brasil!