Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Nunca tão poucos fizeram tanto por tantos.


Nunca tão poucos fizeram tanto por tantos.

                       Nosso país passa por momentos difíceis. Para alguns momentos de transição, para outros caminhamos para o caos. A corrupção grassa nos meios políticos e em muitas organizações brasileiras. Enquanto milhares de brasileiros levantam cedo e com seu suor ganham o pão de cada dia, ficamos cada vez mais abismados com o que vemos nos noticiosos nacionais. Ficamos em duvida quando nos lembramos de frases que nos marcaram no passado e que ainda resiste em nosso pensamento:

- A honestidade fingida é desonestidade dobrada;
- Alcançar o sucesso pelos próprios méritos. Vitoriosos os que assim procedem;
- Para o homem honesto uma boa reputação é a melhor herança;
- O trabalho afasta três grandes males: O ódio, o vício e a necessidade;
- Um homem honesto não sente prazer no exercício do poder sobre seus iguais;
- Devemos julgar um homem mais por suas perguntas que pelas suas respostas;
- Se queres ser feliz por um dia vingue-se; por toda a vida, perdoe;
- Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio.
Aristóteles comenta há anos atrás – “Nosso caráter é o resultado da nossa conduta”.

                           Porque escrevi isso? “Talvez por querer mudar um país dos seus erros que tão poucos estão cometendo em nome de tão muitos”. Sei que hoje é impossível, mas quem sabe um dia? Por outro lado, temos “tão poucos fazendo tanto por tantos”. Sim o MOVIMENTO ESCOTEIRO. Uma força na comunidade. Apenas algumas horas em um fim de semana. Pouco, muito pouco. Mas como produzem. Como marcam! É um passo gigantesco para mostrar uma juventude forte, sadia, cheia de valores e que nos orgulhamos nesta pequena gota de orvalho de um amanhecer glorioso. Se pudéssemos crescer, abancar um grande número de rapazes e moças poderíamos mudar uma nação. Uma nação forte cheia de honra, de ética onde teríamos a altivez em saber que produzimos muito “por tantos”. Mesmo assim somos felizes, muito. Nós escoteiros nos orgulhamos pelo que fazemos. Poderia ser mais, muito mais, mas pelo menos fazemos.

                        Parabéns a você, lobinho, lobinha, escoteiro, escoteira, sênior ou guia, pioneiro ou pioneira, chefes de todas as sessões e grupos. Membros diretores que arregaçam as mangas e vão para a sede ajudar. Vocês são a razão verdadeira da existência desta grande fraternidade. Parabéns, a nação escoteira silenciosa sabe o valor do trabalho de cada um, pois todos são importantes. Recompensa? Um sorriso. Quem sabe um abraço ou um aperto de mão. Isto vale muito. Mais de um milhão de tudo que possa existir!

Que continuemos assim, a trabalhar sem pensar em recompensa, a dar sem contar, a sacrificar sem esperar outra recompensa que vai existir na alegria de uma criança.  Quem sabe poderemos fazer mais? E assim dizer com orgulho:

"Nunca tão poucos fizeram tanto por tantos"

domingo, 24 de julho de 2016

“O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA MISTERIOSA ILHA DO GAVIÃO NEGRO”


“O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA MISTERIOSA ILHA DO GAVIÃO NEGRO”
NÃO LEU? O QUE ESTÁ ESPERANDO?

- Caríssimo Chefe Osvaldo. Acabei a pouco de ler seu livro. ADOREI! Leitura leve, dinâmica e com um suspense saudável. Nos faz querer acabar logo para ver o que acontece em seguida. Claro que sou uma devoradora de livros, mas, quando a leitura te envolve fica muito mais gostoso. (de uma leitora amiga).

Se você ainda não recebeu o que está esperando para solicitar? Mais de mil escoteiros já leram. Um livro de Escoteiro para Escoteiro. Uma história incrível, e você vai amar o Chefe Remo, os monitores e os dois Escoteiros seniores que são a alma do jogo. Vamos lá, escreva para mim: - Chefe Osvaldo, me mande já urgentíssimo em PDF o livro O Fantástico Jogo Noturno na misteriosa ilha do Gavião Negro. GRATUITO!

Prólogo: - Pense uma tropa de 28 Escoteiros sedentos de aventuras em um grande jogo noturno. Pense em quatro monitores da pesada, daqueles que a patrulha confia até a morte. Pense em dois seniores colaboradores que darão a vida para que o jogo seja misterioso e fantástico. Pense em dois chefes aventureiros que fazem do jogo a maior aventura de suas vidas. Agora jogue todo mundo em uma ilha misteriosa com centenas de gaviões negros a persegui-los e um Velho de barba branca coberto somente por um couro de cobra e que pula de galho em galho como um macaco. Agora entre na pele destes vinte e oito Escoteiros onde cada patrulha lutou para chegar a um ponto da ilha e atravessá-la de uma ponta a outra durante uma noite escura e sem luar embalados por uma densa neblina naquela floresta infernal. E para terminar pense em centenas de armadilhas que faz com que cada Escoteiro fica estarrecido primeiro com o silêncio sepulcral e depois um barulho infernal da floresta como se o céu desabasse sobre a ilha. E para terminar pensem em uma luta de “morte” no final do jogo no Forte Hã-Hã-Hãe-quibaana. E que como diz a lenda de histórias de mistério “Só um pode sobreviver”! E aí, vai ficar sem ler a maior aventura escoteira de todos os tempos?

Peça hoje ainda na minha caixa postal: ferrazosvaldo@bol.com.br

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Palavra de Escoteiro ou palavra de honra? “Os dez artigos da Lei Escoteira”


Vale a pena ler de novo.
Palavra de Escoteiro ou palavra de honra?
“Os dez artigos da Lei Escoteira”

          Estava acampado como sempre fazia a cada dois meses com os monitores e subs da tropa. Acampamento curto íamos sempre para o Sitio do meu amigo Tornelo. – Chefe, fique a vontade, nem precisa pedir autorização. Boa aguada muitos bambus um local excelente. Eram quatro subs e quatro monitores. Eles adoravam tais acampamentos. Eu também, pois tínhamos mais tempo para conversar, aprender fazendo e trocar ideias. Ouvir adolescentes e suas necessidades eram para mim uma alegria sem par. Com esta nova rotina a tropa deu um salto em motivação e crescimento. O dia já estava no fim e a noite chegava mansa. Jantamos um belo bife com arroz que estava soltinho. Um dos subs era um cozinheiro de mão cheia. Lá pelas nove eles chegaram de mansinho na porta da minha barraca. Eu tinha feito nos outros acampamentos dois bancos de troncos grossos que encontrei cortado perto da lagoa do Jacaré. Cada um foi se assentando e um deles já colocava as batatas no fogo já aceso. Eu terminara o café e no bule esmaltado já tinha colocado junto à fogueira pequena com pedras em volta para não espalhar as brasas.

          Era uma rotina que todos adoravam. Ali ficamos conversando até que um Monitor me perguntou – E a história de hoje Chefe? Sorri de leve. Sempre tinha uma historia para contar. – Pensei e resolvi contar uma história que tinha escrito. A história de hoje será sobre a Lei Escoteira. História de uma patrulha que sempre achou que a palavra do Escoteiro vale pela sua honra. Mas o que é honra? Dei um tempo e eles se serviram de um biscoito de polvilho e alguns do café que estava quentinho. O silencio se fez e todos esperavam a continuação. Mal dava para ouvir os grilos e ao longe na lagoa uma sinfonia de sapos cururus. – Tudo começou quando a Patrulha Onça Parda estava reunida na casa do Escoteiro Santos Dumont. Estavam lá o Monitor Rui Barbosa, e mais os Escoteiros e escoteiras Olavo Bilac, Caio Martins, Anita Garibaldi, Barbara Heliodora e Joana Angélica. Eles sempre se reunião todas as quartas feiras em casa de algum membro da patrulha.  – Chefe! Interrompeu um Monitor, mas estes nomes são verdadeiros? Afinal eu já li que eles fizeram parte da história do Brasil. Bem pensado Antonio. Mas faz parte da história.  

          - Continuando, depois de discutido as sugestões que dariam para o programa do segundo semestre, eis que Anita Garibaldi pediu a palavra – Lembram-se da última reunião que o Chefe fez um Jogo Escoteiro usando a Lei Escoteira? – Sim, disseram todos. Mas foi um jogo meio parado disse Olavo Bilac. – Concordo disse Anita Garibaldi, mas acho que valeu para nós. Afinal somos Escoteiros e o que significa a Lei Escoteira para um escoteiro? – Uma discussão gostosa começou. Falou Caio Martins, Santos Dumont, Barbara Heliodora e Joana Angélica. Rui Barbosa o Monitor só observava. Ele sempre se questionou sobre a lei. Cumprir ou não cumprir? Dizia para si. Fazer o melhor possível? Quem sabe assim era mais fácil. Foi Santos Dumont que abriu o jogo – Para dizer a verdade eu não sou muito de cumprir a lei. Ela existe para nos dar um caminho a seguir. Cumprir todos seus artigos é impossível, finalizou. – Não sei se concordo disse Olavo Bilac. Anita Garibaldi não falava nada. Só ouvia. O mesmo fazia Joana Angélica. Barbara Heliodora não concordou. – Não acho que devemos seguir pela metade. Se ela existe e prometemos fazer o melhor possível temos uma responsabilidade para cumprir.

          Joana Angélica que pouco falava lançou um desafio – Porque não decidimos que a Lei é tudo para os Escoteiros, que falamos em honra em palavra escoteira e em ética escoteira e vamos tentar por dez dias cumprir a risca todos os artigos? Quem sabe, prosseguiu, poderíamos fazer uma espécie de aposta e os que perdessem pagaria para todos uma rodada de sorvetes na Sorveteria do Paulão? Todos deram opiniões. Foi Rui Barbosa quem finalizou – Se todos aprovam eu estou de acordo. Lembrem-se que faltar com um artigo da lei é questão de consciência do próprio membro da patrulha. Para isto se ele não está preparado para cumprir os dois artigos da Lei que vão reger este desafio, não vale a pena continuar. Caio Martins entrou na conversa – Seria o primeiro artigo? O Escoteiro tem uma só palavra e sua honra vale mais que sua própria vida? – Barbara Heliodora emendou – Este mesmo e eu acrescento o segundo. O Escoteiro é leal. Sem lealdade não existe amor, amizade, fraternidade e consciência de mostrar que acredita no que faz e sabe que os outros reconhecem seu Espírito Escoteiro.

             Aprovado o desafio, a reunião de patrulha terminou com um juramento de todos com as mãos entrelaçadas – Prometo ser leal e dou minha palavra escoteira que se errar direi a todos. – Era uma quinta, dia 12 de agosto. O desafio iria durar até o dia 22 de agosto. Rui Barbosa pensativo não sabia se conseguiria cumprir. Olavo Bilac ria baixinho – Este desafio eu tiro de letra - Caio Martins dizia para si mesmo que se quisesse vencer teria que caminhar com suas próprias pernas. Santos Dumont tinha dúvidas se também iria até o final. Anita Garibaldi não tinha dúvidas. Barbara Heliodora sempre se considerou leal e achava que sempre cumpriu os artigos da lei. Joana Angélica tinha medo de suas amigas de classe. Falavam muito palavrão e sempre contavam piadas que iam contra a ética e a honra escoteira. Os dez dias se passaram. Estavam todos reunidos na casa de Joana Angélica. Era a hora do acerto de contas. Hora que cada um devia dizer se cumpriu ou não a lei escoteira.

            Rui Barbosa deu o exemplo como Monitor – Não consegui no Sétimo artigo me perdi. Tudo por causa do meu pai. Encheu-me as paciências de tal maneira que fui indelicado com ele. Pedi desculpas depois, mas já havia infligido à lei. Joana Angélica sorriu baixinho e emendou – Eu também não consegui. O quarto artigo é danado. Amigo de todos? Isto inclui aqueles que não são Escoteiros. Tive que dar um empurrão na Rebecca minha prima. Entrou no meu quarto e fez uma bagunça que só vendo. Depois me arrependi. Afinal ela só tem cinco anos! Caio Martins comedido disse que cumpriu todos. Barbara Heliodora pediu desculpas, mas não cumpriu o quinto e o oitavo artigo. Não fui cortês com minha mãe e quando ela me repreendeu na frente de todos, eu chorei por dois dias. Nem me lembrei de sorrir. Olavo Bilac disse que cumpriu sem pestanejar e se precisasse ele ficaria para sempre cumprindo a lei escoteira. Anita Garibaldi também não conseguiu. Discuti com minha professora, pois ele me deu oito em história. Merecia um dez. Por último Santos Dumont disse que cumpriu todos.


            Os monitores e subs estavam de olhos arregalados. Chefe é história verdadeira? – Apenas uma história. Um exemplo para nós pensarmos sobre o certo e o errado. Um silêncio profundo em volta do fogo. Ninguém disse nada. Uma coruja piou ao longe. Os sapos pararam de coaxar. O céu emudeceu quando um relâmpago riscou o ar. – Boa noite meus caros monitores, chequem suas barracas a intendência e o lenheiro. Vem uma tempestade por ai!   

sábado, 16 de julho de 2016

Pedaços da vida.


Pedaços da vida.

Estou aqui, na minha sala de sonhos, um pouco ofegante e fazendo o que gosto de fazer. Meus pensamentos voam em busca de lembranças e elas quando aparecem eu vou escrevendo, pensando e desejando sucesso a todos que estão praticando hoje o escotismo. Uma mão esquerda vibrante ao saudar os que estão em um acampamento, aventuras ou encontros na selva de Mowgly. Enquanto isto eu vou rabiscando pedaços da vida. E foi assim que encontrei em meus arquivos uma fabula que Baden-Powell deixou para nós apreciarmos. Diz ele que o relato não é uma fábula, mas é realmente o que aconteceu há muito tempo. Um grupo de sábios e exploradores realizou uma expedição científica no interior da Austrália, e quase tiveram um fim trágico na thirstland grande em que se encontravam.

Que eles saíram vivos deveu-se aos poderes de observação e dedução e criatividade por parte de uma menina nativa de 14 que eles conheceram. Metade deles pereceu com sede. Eles estavam procurando na planície tentando encontrar água quando a menina notou algumas formigas subindo o tronco de uma árvore. Perspicaz ela ficou olhando o movimento das formigas. Elas entravam em um pequeno furo na casca. Logo pensou que deveria ter alguma finalidade o que estavam fazendo. Puxando um pedaço da casca notou que o tronco era oco e dentro havia água. Fez um furo e com um canudinho deu para todos beberem e matarem sua sede. Assim se salvaram graças à menina que se mostrou observadora e sempre alerta como deve ser um bom escoteiro.

Fuço aqui, fuço ali e revirando meus cadernos eis que encontrei um pequeno artigo que sempre vem à lembrança quando gosto de sorrir. Acho que alguns já conhecem e já contaram para seus escoteiros em uma reunião qualquer. Vamos a ela:

A imitação.
Em um acampamento estavam reunidos em meia lua, vários Escoteiros, o Chefe da tropa aproximou-se de um Monitor e com o tom de voz baixa perguntou. - Que horas são?
- O Monitor olhou para seu braço e verificou que não estava com o relógio, e rapidamente voltou-se para o Submonitor que estava a seu lado e falando bem baixinho perguntou? - Que horas são? 
- O Submonitor também estava sem o seu relógio e imediatamente dirigiu-se ao cozinheiro que estava presente e falando com o mesmo tom de voz perguntou: - Que horas são?
- O cozinheiro vendo que não tinha relógio, falou baixinho ao intendente: Que horas são?
- O intendente sem entender nada viu que cada um perguntava ao outro da fila disse para o noviço bem baixinho: - Que horas são?
- São nove horas! Respondeu o noviço falando também baixinho e com expressão de dúvida no rosto, perguntou ao intendente: - Por que estamos falando tão baixinho?
Sem responder a pergunta do noviço, o intendente virou-se para o cozinheiro e disse: São nove horas. Mas, por que estamos falando tão baixinho?
O Cozinheiro que bem próximo ao Submonitor falou de novo bem baixo: - São nove horas. Mas por que estamos falando tão baixinho?
- o Submonitor sem entender ouviu e perguntou ao monitor: - São nove horas, mas por que estamos falando tão baixinho?
- O Monitor que estava ao lado do Chefe aproximou seu rosto perto do dele e falando bem baixinho, disse: - Chefe são nove horas! O senhor pode me dizer por que estamos falando tão baixinho?
Quando o Chefe escutou a pergunta do Monitor, olhou para todos que estavam na reunião e respondeu falando com o tom de voz baixo, dizendo: Vocês eu não sei, eu é porque estou rouco!


E como dizem nos finais das historias e lendas, boi não é vaca, feijão não é arroz, quem quiser que conte dois!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Heitor.


Heitor.

                - Chefe, o senhor é feliz? – Ele não me respondeu. A melodia de Paganini tocava The Best of Tchaikovsky. Seus olhinhos pequenos tentavam me ver e eu sabia que sua catarata eram sombras a perscrutar naquela saleta pequena quem era eu. – Sua voz em tom melodioso me disse: - Sabia que Paganini era capaz de tocar à espetacular velocidade de doze notas por segundo? Eu não sabia. Só tinha lido que foi o violinista italiano que revolucionou a arte de tocar violino. – Ele riu com meus pensamentos. Pois é Paganini dizem seus críticos vendeu a alma ao Diabo em troca da perfeição musical. E eu? Ele completou. Eu não vendi para ninguém e você me pergunta da felicidade. Sabe que a vida me ensinou que chorar alivia, mas sorrir torna tudo mais bonito. Olhei para ele. No fim da vida, sozinho naquela saleta sem ninguém para o acompanhar. – Menino escoteiro! Não estou sozinho! Rosinha sempre esteve comigo e nunca me abandonou. – Quem era Rosinha? Lancei a pergunta no ar.

                - Não sabes? Minha eterna companheira que Deus a levou sem me perguntar. Mas eu entendi. Fazia parte do meu destino, escrito no meu livro da vida. Eu sempre soube que ser feliz não é viver apenas momentos de alegria. É ter coragem de enfrentar os momentos de tristeza e sabedoria para transformar os problemas em aprendizado. Eu recebia uma lição de vida. Eu sabia que ele fora um grande Chefe, daqueles chamados Velho Lobo, que deu sua vida por um movimento que acreditou. – Dei minha vida? Ele parecia ler minha consciência. – Não dei e sim recebi. Quantas vezes nos acampamentos eu dizia para mim: - Chefe que o vento leve, que a chuva lave que a alma brilhe que o coração acalme que a harmonia se instale e a felicidade permaneça. Eu conversava com as arvores, com o vento, e as estrelas me contavam histórias. Isto não é felicidade? – Mudei de tema. Chefe recebe ainda muitos amigos escoteiros do passado? – Ele sorriu. Tentou levantar da cadeira e não conseguiu.

              Disseram-me que passava dos noventa anos e que sempre fora Escoteiro desde os seis. – Ele tentou me ver através daqueles olhos opacos, seus ombros caídos tentavam se levantar para dar uma aparência mais digna e garbosa. – Amigos? Ele sempre parecia adivinhar o que eu pensava. – Menino Escoteiro amizade verdadeira não é ser inseparável. É estar separado, e nada mudar. Eu entendo. Cada um tem sua vida. Não podemos fazer da nossa a deles. Se a vida te vira do avesso só para provar que a felicidade vem de dentro para fora temos que aprender que as crises não afastam os amigos. Apenas selecionam. Nada mais havia a dizer. – Ele em tom fraterno me disse: Me ajude a vestir meu uniforme? – Assustei. Por quê? Perguntei. – Saudades. Muitas. Ainda quero me ver dentro do meu verdadeiro eu. Um Escoteiro tem de aprender que ser forte é a única escolha.


             O espelho mostrava um homem cuja idade era demais para viver. Olhinhos opacos, sulcos na face, mas ele fazia questão de colocar seu chapéu galhardamente. Admirei seu estilo do lenço. Ele se virou olhou dentro dos meus olhos e disse: - Sempre Alerta menino Escoteiro, lhe dedico minha saudação, meu aperto de mão. Ser humilde não é ser menos que alguém. É saber que não somos mais que ninguém! Parti com olhos cheios de lágrimas. Conheci alguém que sempre sonhei em ser. Agora eu sabia que minha vida seria outra. Eu sabia que a bondade é a língua que o surdo pode ouvir e o cego pode ver. Chefe Heitor era meu herói. Como a blefar em minha mente, ele na porta escorado em uma bengala falou calmamente: - Para toda malícia, tem uma inocência. Para toda chuva, tem um sol. Para toda lágrima, tem um sorriso. Seja quem você é e viva feliz! Os últimos acordes do violino de Paganini tocavam harmoniosamente no lusco fusco daquela tarde inesquecível.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Demônio do acampamento Sinistro.


Para passar o tempo se já não passou por ele.
O Demônio do acampamento Sinistro.

                      Não gosto de histórias de terror. Quando menino nos acampamentos qualquer galho seco ou árvore torta à noite me assustava. Demorei muito para andar sem companhia em trilhas noturnas e até mesmo a prova de coragem do Cemitério das Flores me sujei todo. Cresci, aprendi que não existem demônios, diabos e outros bichos do inferno. Somos nós mesmos que nos tornamos assim dependendo de nossa vida terrena ou em outras paragens. Tudo aconteceu em uma noite que chovia a cântaros e os raios pipocavam no céu. Eu sabia que as patrulhas estavam bem, pois haviam preparados com esmero suas barracas. Fui dormir lá pelas onze e meia, depois que os monitores se despediram. Quando deitei ouvi um barulho na porta da barraca. – Quem seria? Levantei e me dei de cara com uma horrenda criatura que em posição de sentido dizia Sempre Alerta chefe! – Respondi, pois existem chefes que a gente tem medo de conversar e falar e quem sabe poderia ser um deles. Afinal era um cavalheiro a moda inglesa.

                      - Chefe! Estou aqui a mando de Belzebu, o Senhor dos Infernos. – Tremi, que isso meu Deus? – Ele continuou: - Belzebu precisa de sua ajuda. Ele foi aconselhado a fundar um Grupo Escoteiro e escolheu a Necrópole de Poncios Pilatos. O senhor conhece. Dizem que comprou um jazigo lá e disse que se o atendesse tomaria conta dele para sempre! Desculpe por não me apresentar. Chamo-me João Satanás e sou filho do Funesto da Bagaceira. Foi ele quem deu ideia de chamar o senhor. Ele não teve autorização do Distrital e está uma fera! – Como é que dizem? Cutucar o Diabo com vara curta? Melhor calar e deixar João Satanás explicar melhor. – Pois é Chefe, estamos com um problemão. Porco Sinistro filho de Belzebu quer ser Escoteiro. Tentou em um grupo, mas quando viram sua aparência houve uma correria danada. Soube que tem um Grupo Escoteiro em Cruzes dos Mortos Vivos, mas não sei se eles podem aceitar Porco Sinistro. Belzebu quer invadir o Grupo com sua Legião do Mal. Antes acha que o senhor pode ajudar.     

                          Minha nossa! Onde enfiei meu chapéu? Vestir meu uniforme, ir com João Satanás para encontrar Belzebu seria o fim do mundo! – Ele riu meio sem jeito. – Não se preocupe Chefe, lhe damos toda a proteção contra os malvados de Baphomet da Cidade de Caramulhão. Eles juraram que iria infernizar a vida de quem ajudasse Belzebu. Não sabia o que fazer. Não tinha compromisso naquele sábado, mas ir assim sem eira e nem beira? – Tomei coragem. – Vamos lá João Satanás. Já enfrentei o Cunha, a turma de deputados seus sequazes, já enfrentei a Dona Dilma, e fui jurado de morte pelos Donos do Poder da UEB. Já enfrentei tantos DCIM que se julgavam os tais. Ou a chefaiada e diretores do Grupo de Cruzes dos Mortos Vivos aceitam Porco Sinistro ou não me chamo Vado Escoteiro! Uma carruagem em chamas estava à porta. Entrei sem me queimar. Ela se elevou no ar e em segundos chegamos ao Cemitério Flores do Mal. Na porta a capetada me esperava e batia palmas. Entrei saudado pela Legião de Belzebu e seus sequazes.

                  O Grande Portão de Ferro se fechou atrás de mim rangendo como se fosse correntes arrastadas por milhões de alma do outro mundo. Belzebu estava soberbo na porta do Mausoléu da Morte. Um manto vermelho chispas de fogo na boca e nos olhos, botas vermelhas fumegantes e não faltou o seu tridente que todo capeta gosta de carregar. – Bem vindo Chefe! Espero que me ajude, aquela cambada ali que chamei não deram no toco. Acorrentei todos e vou mandá-los para as prefundas dos infernos. Com uma iluminação fraca deu para ver o centro do mausoléu. No centro centenas de chefes, escolhidos a dedo pela sua performance em ser mais que os outros, em se acharem os tais, aqueles que não respeitam a dignidade de alguns e aqueles que se acham o dono da verdade. Havia chefes de todo tipo até mesmo os que queriam o poder e pertencer a Corte da Bajulação. Belzebu ria a mais não poder. Acorrentados notei também um chefe dizendo alto e em bom som: Sou o presidente! Sou distrital! Eu sou o tal! E pedia perdão. Perdão de que? Eu pensei. Nunca consultaram, nunca perguntaram e nunca pesquisaram e agora querem o perdão?

                       Sem delongas Belzebu e seu Filho Porco Sinistro me pegaram pela mão e me levaram pelos ares até a entrada da Sede Escoteira em Cruzes dos Mortos Vivos. A escoteirada se divertia. Ali era meu habitat. Gostava disto. Entrei, no pátio sorrindo e assustei ao ver que todos usavam a Insígnia de Madeira. Todos com a vestimenta desbotada, a maioria rasgando onde foi costurado. E a cor? Antes era escuro azulado agora é verde. Nossa! Onde amarrei minha égua? Nenhum caqueano? Perguntei. Uma jovem de uns vinte e dois anos me pegou pelo colarinho: - Chefe respeite a presidente dos Jovens Líderes. Chega de abusar de nossa paciência! – Era demais para mim, eram tantos com IM que pensei: - Gilwell Park mudou de endereço. Alguns com cinco contas, oito e vi vários com vinte contas no pescoço. Eles me olhavam e sorriam. – Sussurravam alto e deu para ouvir: - Sem vagas, que o Chefe Vado Escoteiro se exploda. Que a capetada o leve para o Diabo que o carregue. Um gritou alto: Entregue a ele a Medalha da Ordem dos Capetas do Mal. Ele merece!


                       Acordei gritando e berrando pedindo a Deus para me ajudar. – Deus eu fiz tudo para ajudar meus irmãos escoteiros! Não deixe esta diabada me levar para os infernos e nem para este grupo de Cruzes dos Mortos Vivos! Levantei da cama com a Célia me abraçando. Calma marido. Está tudo bem! Eu chorava e pensava que mal eu fiz para ter estes pesadelos nefastos. Assustei e gritei novamente, um urro enorme no meu quarto: - Em cima da mesinha estava a Medalha da Ordem dos Capetas do Mal! – Célia! Gritei, coloque isto num envelope e mande para a UEB, ou melhor, EB, lá eles sabem o que fazer com esta medalha do mal! Kkkkkkkk.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

E Mowgly foi aceito na Alcatéia de Seeonee.


Histórias de Seeonee.
E Mowgly foi aceito na Alcatéia de Seeonee.

- Shere Khan está com direito neste ponto disse Pai Lobo. O filhote de homem tem de ser apresentado à alcatéia para que os lobos decidam da sua sorte. Queres conservá-lo contigo? - Sim, respondeu de pronto à loba. Ele veio nuzinho, de noite, só e faminto. Não mostrou o menor medo. Olha! Lá está puxando um de nossos filhotes... E pensar que por um triz aquele carniceiro aleijado não o matou aqui em nossa presença, para depois, escapar-se do Waiganga, enquanto os camponeses estiverem caçando em nossas terras! Conservá-lo comigo? Pois decerto! - e, voltando-se para a criança nua: Dorme sossegada, pequena rã. Dorme Mowgli, pois assim te chamarei doravante, Mowgli, a Rã. Dorme que tempo há de vir em que caçaras Shere Khan, como te quis ele caçar ainda há pouco. - Mas que dirá a alcatéia? Indagou Pai Lobo, apreensivo.

A lei do Jângal permite que cada lobo deixe a alcatéia logo que case. Mas, assim que seus filhotes desmamem, os pais têm de leva-los ao Conselho, geralmente reunido uma vez por mês durante a lua cheia, para que os outros fiquem conhecendo e os possam identificar. Depois dessa apresentação os lobinhos, entram a viver livremente podendo andar por onde quiserem. E até que hajam caçado o primeiro gamo, nenhum lobo adulto tem o direito de mata a um deles, por qualquer motivo que seja a pena contra esse crime consiste na morte do criminoso. Assim é, e assim deve ser. Pai lobo esperou que seus filhotes desmamassem e, então, numa noite de assembleia, dirigiu-se com Mãe Loba, Mowgli e seus filhotes para o ponto marcado, a Roca do Conselho, um pedregoso alto de montanha, onde cem lobos poderiam ajuntar-se. Akela, o Lobo Solitário, que chefiava o bando graças a sua força e astúcia, já lá estava sentado na sua pedra, tendo pela frente, também sentados sobre as patas traseiras, quarenta ou mais lobos de todos os pelos e tamanhos, desde veteranos ruços, que podem sozinhos carregar um gamo nos dentes, até jovens de três anos que julgam poder fazer o mesmo.

O Solitário, os chefiava, ia fazer um ano. Por duas vezes caíra em armadilhas, quando mais jovem, e numa delas viu-se batido a ponto de ficar por terra, como morto. Em virtude disso tinha experiência da malícia dos homens, sua tática e jeitos. Houve pouca discussão na assembleia. Os filhotes que vieram para ser apresentados permaneciam no meio do bando, ao lado de seus pais. De vez em vez um veterano chegava-se até eles, examinava-os cuidadosamente e retirava-se. Ou então uma das mães empurrava o pequeno para o ponto onde pudesse ficar bem visível, de modo que não escapasse às vistas de toda a alcatéia. Do seu rochedo Akelá dizia: - Vós conheceis a lei. Olhai bem, portanto, ó lobos, para que mais tarde não haja enganos. E as mães, sempre ansiosas pela segurança dos filhos, repetiam: - Olhai bem, ó lobos. Olhai bem.

Por fim chegou à vez de Mãe Loba sentir-se aflita. Pai Lobo empurrava Mowgli, a Rã, para o centro da roda, onde o filhotinho de homem se sentou, sorridente, a brincar com uns pedregulhos ao luar. Sem erguer a cabeça de entre as patas, prossegui Akelá no aviso monótono do "Olhai bem, ó lobo", quando ressoou perto o rugido de Shere Khan: - Esse filhote de homem é meu! Entregai-me! Que tem o povo livre com um filhote de homem? Akelá sempre impassível, nem sequer pestanejou. Apenas ampliou o aviso: - Olhai bem, ó lobos. O povo livre nada tem a ver com as opiniões dos que não pertencem à sua grei. Olhai, olhai bem. Ouviu-se um coro de uivos profundos, do meio do qual se destacou, pela boca de um lobo de quatro anos, que achara justa a reclamação do tigre, esta pergunta: - Sim, que tem a ver o povo livre com um filhote de homem? A lei do Jângal manda que, em casos de dúvida de alguém ser admitido pela alcatéia, seja este direito defendido por dois membros do bando que não sejam seus pais.

- Quem se apresenta para defender este filhote? Gritou Akela. Quem, no povo livre, fala por ele? Não houve respostas, e Mãe loba preparou-se para luta de morte, caso o incidente tivesse desfecho contrário ao que seu coração pedia. A única voz, sem ser de lobo, permitida no conselho era a de Baloo, o sonolento urso pardo que ensinava aos lobinhos a lei do Jângal, o velho Baloo que podia andar por onde o aprouvesse porque só se alimentava de nozes, raízes e mel, além de que sabia pôr-se de pé sobre as patas traseiras e grunhir. - Quem fala pelo filhote de homem? Eu. Eu me declaro por ele. Não vejo mal nenhum em que viva entre nós. Embora não possua eloquência, estou dizendo a verdade. Deixai-o viver livre na alcatéia como irmão dos demais. Baloo lhe ensinará as leis da nossa vida. - Outra voz que se levante, disse Akela. Baloo já falou Baloo, o mestre dos lobinhos. Quem fala pelo filhote, além de Baloo? Uma sombra projetou-se no círculo formado pelos lobos, a sombra de Bagheera, a pantera negra, realmente cor de ébano, com vivos reflexos de luz na sua pelugem de seda.

Todos a conheciam e ninguém se atravessava em seu caminho. Bagheera era tão astuta como Tabaqui, tão intrépida como o búfalo e tão incansável como o elefante ferido. Tinha, entretanto a voz doce como mel que escorre dum galho e a pele mais macia do que o veludo. - Ó Akela e mais membros do povo livre! Direito não tenho de falar nesta assembleia, mas a lei do Jângal diz que, se há dúvida quanto a um novo filhote, pode a vida dele ser comprada por um certo preço. A lei, entretanto, não declara quem pode ou não pagar este preço. Estou certa? - Sim, sim! Gritaram os lobos mais moços, eternamente esfaimados. Ouça Bagheera. O filhote de homem pode ser comprado por um preço. É da lei. - Bem, disse a pantera. Já que me autorizais a falar, peço licença pra isso.

- Fala! Fala! Gritaram trinta vozes.
> - Matar um filhotinho de homem constitui pura vergonha, além de que ele pode ser útil a todos nós quando crescer. Em vista disso, me junto a Baloo e ofereço o touro gordo que acabo de matar a menos de milha daqui como preço de o receberdes na alcatéia, de acordo com a lei. Aceitais a minha proposta? Houve um clamor de dezenas de vozes que gritaram: - Não vemos mal nisso. De qualquer maneira ele morrerá na próxima estação das chuvas, ou será queimado pelo sol, que dano nos pode fazer vida desta rãzinha nua? Que fique na alcatéia. Onde está o touro gordo, Bagheera? Aceitamos tua proposta. Cessada a grita, ressoou a voz grave de Akela:

- Olhai bem, ó lobos.
Mowgli continuava profundamente absorvido pelos pedregulhos, sem dar nenhuma atenção aos que dele se achegavam para ver bem de perto. Por fim todos de dirigiram para onde estava o touro gordo, ficando ali apenas Akelá, Bagheera, Baloo e o casal de tutores do menino. Shere Khan urrava de despeito por ter perdido a presa cobiçada. Urra, Urra! Rosnou Bagheera, entre os dentes. Urra que tempo virá em que esta coisinha nua te fará urrar noutro tom, ou nada sei sobre homens. - Está tudo bem, disse Akelá. O homem e seus filhotes são espertos. Poderá este vir a ser de muita vantagem para nós um dia. - Certamente, porque não podemos, eu e tu, ter a pretensão de chefiar o bando toda a vida, juntou Bagheera. Akela calou-se. Estava a pensar no tempo em que os chefes de Alcatéias a sentir peso dos anos. A força dos músculos vai em declínio até que outro surge que o mata e fica o novo chefe, para decair também há seu tempo.

- Leva-o, disse Akela a Pai Lobo, e trata de educá-lo para que seja útil ao povo livre.

Eis como entrou Mowgli para a alcatéia: à custa dum gordo e por iniciativa das palavras de Baloo.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O fogo de Conselho.


Conversa ao pé do fogo.
O fogo de Conselho.

                     Todos vibram todos já participaram e todos guardam no coração para sempre. O Fogo de Conselho é único. Vale a pena participar de um e ver os sorrisos, os olhos as feições de cada participante não importa a idade vibrando com cada apresentação, cada canção cada aplauso daqueles que fazem todos se movimentarem para saudar os artistas e poetas que deixaram o palco da ribalta naquela clareira inesquecível. Cada Fogo do Conselho é único. Hoje contarei sobre o da Tropa. Só dela, perdidamente escondida numa floresta encantada. Patrulhas escoteirando em um local incrivelmente belo. Meninos escoteiros se deliciando com as atividades, com suas construções fantásticas, pioneiras, barracas, um fogão de barro aceso e a fumaça se espalhando pelo ar. Não existe felicidade como esta. - “Gente! A gororoba está pronta”! Sentados no chão ou em uma mesa rústica construída por eles, barulhos de colher e garfo a bater no prato e o sorriso brotando, pois a fome bate fundo e eles sabem que seu cozinheiro é dos bons.

                      O Fogo de Tropa é inesquecível. A Corte de Honra se esmerou em detalhar. Lá pelas tantas da noite, na porta da barraca do Chefe discutiram cada trecho, cada apresentação e o tempo de duração. A Patrulha de Serviço decidiu fazer um fogo diferente, uma abertura diferente, criado por eles ou quem sabe como a história do Escoteiro que um dia viajou no tempo só para participar. Falaram das reuniões indígenas, onde o Pagé sorrindo gritava assustando a todos: - Acenda-te fogo! E a chama brotava, subia pelo ar como a tentar se elevar até as nuvens e de lá chegar às estrelas. O dia chegou. As patrulhas prontas. Já se reuniram, já discutiram o que apresentar. Existe uma lei não escrita que no esquete todos participam. Na última noite um zum, zum corre pelas patrulhas. Muitas mantém segredo de sua apresentação outras querem a participação de todos. 

                       Fatos acontecidos no acampamento, fatos lembrados que nunca foram esquecidos, um Chefe que tropeçou e caiu, refeições de campo sem sal, com açúcar, queimados, pioneiras mal feitas que todos foram ao chão tudo é motivo para uma boa esquete. Alguns escoteiros tem seu instrumento musical. Um violão bem tocado e até mal tocado tem lugar garantido naquela noite inesquecível. Como disse o poeta: - Vai lá! Pega teu violão e mostra o teu sentimento. Expressa teus sorrisos na luz da lua, solta tuas angustias em um lá menor, e depois junta todos os teus acordes e brinca de poesia. Ah! Eis que chegou a hora. Todos vão cantando conversando e brincando até onde foi montado o fogo. Sempre em um local misterioso, quem sabe no seio da mata ou ao lado de uma cascata para sentir a vibração do cair das águas cristalinas criando um som fantástico naquela noite mágica.

                        Chegou a hora. Um monitor mais antigo assume como animador. Ele sabe que outros irão fazer o mesmo no desenrolar daquele fogo imortal. As madeiras foram empilhadas na técnica conhecida. Achas de lenhas estão próximas para o fogo não apagar. Levaram muitas bananas verdes, batatas saltitantes, dois bules de café cujas brasas irão se deliciar ao esquentar o chá e o café para a escoteirada. Sentam-se em qualquer lugar, não existe norma, existe alegria e vontade de brincar cantar e participar em tudo se possivel. – O espírito da coruja mora neste acampamento! Velha canção que ninguém esquece. Um intendente distribui biscoitos. O monitor da Patrulha de serviço toma seu lugar, é o responsável para não deixar o fogo apagar.

                     Esta patrulha de Serviço é das boas. Deixou pronto troncos para todos se sentarem a vontade. Um Escoteiro se aproxima do fogo. Todos ficam em pé. Ele sabe que só tem um palito de fósforos. Não pode errar. Era uma das muitas místicas que a Tropa fazia questão em utilizar. Há um silencio no ar. Ele apalpa as folhas e galhos secos na entrada do forno da fogueira. Uma chama no ar! O fosforo brilha, as chamas começam a aparecer. A Tropa conhece perfeitamente os costumes, valores e tradições culturais dos povos que habitaram o país no passado. Conhecem a importância do fogo que sempre foi um símbolo da energia da vida. Sabem que ele há muito tempo foi importante para a sobrevivência durante todo o processo da evolução do homem.

                               Lembram-se dos costumes, valores e tradições culturais dos muitos povos que habitaram nosso país no passado. Ali a mística não pode faltar. Todos entendem da importância do Fogo, como símbolo das energias da vida, na luta pela sobrevivência durante todo o processo de evolução do homem. Dos quatro elementos da natureza a terra, o ar e a água o fogo sempre fascinou o homem. Temido e amado, salvando ou ameaçando vida. Ele foi o responsável para o inicio da civilização, o homem aprendeu seu valor como fonte de energia. Aprenderam que os nativos e selvagens da Ásia e Africa ou mesmo os peles-vermelhas da América sempre se reuniram em volta de um fogo, pois sua luz e calor espantavam as trevas o frio e os animais. Neste momento sublime todos cantavam, dançavam sobre a cabeça de um grande animal que mataram, e ali planejavam suas caçadas de sobrevivência.

                      O responsável pela abertura não esquece a mística e o simbolismo da abertura. Porte firme ele faz a evocação dos ventos:
 Que os ventos do oeste, suave e agradável,
- Que os ventos leste, criador de tempestades,
- Que os ventos sul, quente e formador de nuvens,
Tragam nesta noite a alegria neste Fogo de Conselho, a vontade de vencer e nunca nos deixe esquecer de que somos todos irmãos de sangue, eu e você... Você trouxe outro amigo, e agora somos três... Nós começamos o nosso grupo, nosso círculo de amigos... E como um circulo, não tem começo e nem fim! Um por todos? – todos por um!


                   E tudo caminha para uma noite inesquecível. Canções incríveis, violão com suas cordas mágicas cantam a Árvore da Montanha presente naquele lugar, meninos escoteiros se divertem nas imitações, sorrisos em profusões. Alguém pega uma batata quente e grita: - Queimei! Gargalhadas, brincadeiras, os pássaros noturnos não se assustam com aquela escoteirada alegre e sorridente. Um cometa passa rasante no céu estrelado. A noite vai chegando ao fim. As mãos são finalmente entrelaçadas, canta-se uma canção inesquecível. Todos sabem que não é mais que um até logo não é mais que um breve adeus. Muito breve estarão reunidos outra vez. Sonhos perdidos e reencontrados, lembranças que ficaram para sempre no coração de cada um. A cadeia da Fraternidade foi o epílogo da apresentação. Não há mais palmas não há mais fogo. Hora de recolher. O Silencio da noite cai sobre as barracas que com seus jovens meninos irão adormecer e sonhar esperando mais uma noite inesquecível em um acampamento neste chão do Brasil. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Homenagem a todos pioneiros e pioneiras do Brasil e do Mundo!


Homenagem a todos pioneiros e pioneiras do Brasil e do Mundo!

Pioneiro!
Sigo por uma trilha desconhecida,
Sinto impossibilidade de chegar ao destino.
Obstáculos acumulam-se, dificultando.
A travessia, cercada de abismo e espinhos.

Há rastros marcados na trilha.
Sulcos profundos, como, tivessem sido.
Trilhados propositadamente,
Para serem seguidos.

Caminhos são assim... Sulcados por sonhos,
Precedidos por realizações,
Antigos pioneiros abrem caminhos.

Sigo as pegadas, exemplos de alguém.
Corro o risco, persisto.
Se ele conseguiu, consigo também!
(Fadinha de luz).

        “Enquanto escrevo estas linhas, está acampado no meu Jardim um exemplo vivo do que eu espero que seja o resultado desse livro numa escala crescente”. De todo o coração espero que isso aconteça. Ele é um vigoroso “PIONEIRO’ cerca de 18 anos de idade, portanto um camarada que está se adestrando para ser um homem adulto”.

“Agora estou imaginando melhor a pessoa que está lendo este livro”. Ora, você não é a pessoa que eu queria que lesse o que escrevi! Você já tem interesse pelo seu futuro e só quer saber o “Caminho para o Sucesso”. Minhas idéias, portanto, irão se colocar sobre as outras que você tinha. Minhas idéias podem corrobar as suas ou talvez o desapontem. Em qualquer dos casos, espero que não se torne menos meu amigo.
Mas se já preparou para o futuro, não é a pessoa que realmente desejo como leitor deste livro! Desejo aquele que nunca pensou no futuro sozinho ou que nunca planejou o porvir. Deve haver uma enorme quantidade de rapazes em nossa Pátria que está sendo arrastado pelas más influências do seu ambiente porque nunca viu caminhos mais limpos. “Esses rapazes não sabem que com um pequeno esforço pessoal podem elevar-se sobre o que os cerca e remar na sua rota para o sucesso” Baden-Powell. Do seu livro “O Caminho para o Sucesso”.


Meu abraço e meu Servir aos Pioneiros, aqueles que viveram ou não o escotismo em todo seu esplendor. Parabéns pelo seu dia!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

100 ANOS DE MOWGLY NO BRASIL



100 ANOS DE MOWGLY NO BRASIL

– UMA HOMENAGEM AOS LOBOS DE SEEONEE.

“O abutre Chill conduz a noite incerta,
E que o morcego Mang ora liberta -
É esta a hora em que adormece o gado,
Pelo aprisco fechado.
É esta a hora do orgulho e da força
Unha ferina, aguda garra.
Ouve-se o grito: Boa caça aquele
Que a Lei da Jângal se agarra”.
Canto noturno da Jângal.
Uma homenagem aos 100 anos de Mowgly no Brasil.

100 ANOS DE LOBISMO NO BRASIL.
"- O extraordinário é demais... - O que é isso? - Uma canção sobre a boa vida." – o Tigre não vai parar enquanto não tiver esse garoto." - "Se acontecer alguma coisa com aquele garoto, nunca vou me perdoar." - ““. - Vamos, Mowgli. Vamos andando. - Mas estou ajudando o Balu a se preparar pra hibernar. - Ursos não hibernam na selva. - Hibernação total não, mas tira muitas sonecas." "Você esta sozinho aqui? O que está fazendo no meio da selva? Você não sabe o que você é?  Eu sei o que você é. Sei de onde você veio. Pobre filhotinho, Você ficará comigo. Não tenha medo. E confie em mim." "Se não aprender a correr com a matilha, vai acabar virando o jantar de alguém.”.
"Estou sentindo um cheiro estranho hoje. O homem está proibido."
"- A selva não é mais segura para você. - Mas este é meu lar. - Só o homem pode protegê-lo agora." "- Você é um filhote de homem que quer viver na selva. 
- Como sabe disso? - Garoto, eu tenho orelhas. Minhas orelhas têm orelhas. Só eu posso protegê-lo." (Frases do Filme - Mowgli - O Menino Lobo).
BEM VINDO AO NOSSO GRUPO, UMA HOMENAGEM AOS 100 ANOS DE MOWGLY NO Brasil!



Eu sei mais do que digo, penso mais do que falo, e percebo mais que imagino!
Os lobos vivem em sociedade e ao contrário do que se pensa, os lobos são um exemplo de inteligência, dignidade e respeito para com os seus iguais. Além disso, os lobos deram ao ser humano o seu melhor amigo, o cão. Sabia que os Lobos conversam entre si? Quando pensamos em comunicação, lembramo-nos da fala e da escrita. Mas esse é o jeito humano de trocar informações. Os lobos não falam nem escrevem, mas se comunicam de diversas maneiras tão eficazes quanto à fala. Eles usam a linguagem corporal, e uma enorme variedade de uivos e sons. Por exemplo, demonstram raiva ao deixar as orelhas apontadas para cima e mostram os dentes. Se estiverem com medo, as orelhas se voltam para trás e a cauda fica entre as pernas. Um lobo demonstra respeito ao manter a cabeça abaixo da cabeça de outro lobo, e quando deita de barriga para cima é sinal de submissão.
Nossa homenagem aos lobos principalmente aqueles que vivem na história de Mowgly onde aprendem uma mística tirada exclusivamente por B-P com anuência de Rudyar Kipling o autor do Livro da Selva.

PARABÉNS AOS LOBOS DE SEEONEE!