Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Saudação Escoteira.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Saudação Escoteira.

Nota – Há tempos publiquei este artigo e até hoje é lido, copiado e curtido por muitos dos meus amigos que me dão a honra de ler meus contos, Conversa ao Pé do fogo e Crônicas. Estou postando novamente atendendo a pedidos. Uma ótima tarde e que o sol desponte, que o calor apareça... Estou precisando demais!

Significado do Lema do Escoteiro. No livro Scouting for Boys, Baden-Powell explica o significado do lema: O lema escoteiro é "BE PREPARED" (esteja preparado), significando que você deve estar constantemente em um estado de atenção mental e corporal para cumprir o seu DEVER.  Esteja preparado mentalmente através de uma disciplina que lhe permita ser obediente a cada ordem, e também pensando de antemão nas situações e acidentes que podem ocorrer de forma, a saber, e desejar atuar de maneira correta no momento correto. Esteja preparado corporalmente, tornando-se forte, ativo e capaz de atuar de maneira correta no momento correto.

- Sem desmerecer o Melhor Possível do Lobinho e o Servir do Pioneiro, eu amo demais meu lema Sempre Alerta. Quando passei para a Tropa Escoteira já sabia de cor e salteado o que significava o lema Sempre Alerta. A tradução do Be Prepared inglês de Baden-Powell é perfeita. Estar alerta sempre é um pensamento que nos acompanha por toda a vida.

- Acho que meus irmãos de ideal de outras nações se sentem como eu. Fico pensando no Escoteiro Alemão dizendo Allzeit Bereit, ou no Armênio dizendo Misht Badrat. Tive a honra de apertar a mão de um Escoteiro Espanhol que me saudou dizendo Siempre Listo. Já vi um Escoteiro Francês dizendo Sois Prêt. E quantos neste sábado irão se reunir e gritar para uns e outros Sempre Alerta? O Inglês é claro na sua fleuma dirá: - Be Prepared, o Japonês Sonae-yo, o sueco Var Redo e o polonês Czuwaj.

- É supimpa chegar à Sede, como quem não quer nada e gritar: Sempre Alerta Patrulha, Sempre Alerta Tropa, e ficar atrás do portão esperando o Chefe entrar e dizer para ele primeiro; - Sempre Alerta Chefe! Bom demais. Um gostinho de orgulho em dizer que estamos mentalmente Alerta e obediente a cada ordem. Estamos preparados para situações que podem ocorrer para poder atuar no momento correto. Estamos Sempre Alerta corporalmente, nos tornando forte, ativo e capaz de estar prevenido em toda e qualquer ocasião.

- A você meu amigo escoteiro, meu amigo sênior, meu amigo Chefe com orgulho me sinto a sua frente lhe dando meu Sempre Alerta e lhe desejando uma ótima e feliz reunião neste sábado que prenuncia. E a você Lobo meu Melhor Possível afinal já fomos e ainda somos irmãos de sangue e o seremos para sempre!

Servir Pioneiro! Sempre Alerta Escoteiro! Melhor possível lobinho!
Uma estupenda reunião neste fim de semana para todos vocês!


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Li hoje no Google e achei interessante. Emoji. E quem vive sem eles?




Li hoje no Google e achei interessante.
Emoji. E quem vive sem eles?

Um espectro assombra nossos meios de comunicação: o emoji. Neste exato momento, é muito provável que alguém esteja digitando a imagem de um polegar em sinal de positivo para confirmar uma reunião ou enviando um fantasminha camarada para dar "um susto" em algum amigo. Apesar da popularidade, essas carinhas (e menininhas, e animaizinhos, e comidinhas) são polêmicas: os mais tradicionalistas veem o declínio da alfabetização refletido em seus olhinhos em formato de coração, enquanto os guardiões do decoro lamentam a disseminação de personagens e elementos cada vez mais explícitos. Dada a semelhança com os adesivos que costumam enfeitar os cadernos das meninas – sem contar sua adoção praticamente unânime como língua franca entre pré-adolescentes e adolescentes nos quatro cantos do mundo –, muitos questionam o uso de emojis por homens adultos. Linguista da Universidade de Columbia, John McWhorter diz que alguns barbados os evitam porque, como ele mesmo diz, "as mulheres usam mais"; entretanto, afirma também que a tendência pode mudar. – A mulher tende a usar uma linguagem mais expressiva e aberta, mas alguns hábitos femininos de linguagem conseguem conquistar o público masculino, que, aliás, se beneficiaria do uso mais frequente dos emojis – diz McWhorter, para quem o emoji é uma forma eloquente e humana de traduzir a palavra falada em texto, dando ao usuário, com seus símbolos engraçados, meios de ditar o tom da mensagem. – Deveria haver formas masculinas de usar os emojis. Embora o próprio McWhorter, de 49 anos, admita não usar os símbolos por causa da idade, não deixa de ser um admirador:

–Não sou conhecido como a pessoa mais progressista desse mundo, mas, de certa forma, não gosto deles. Prefiro um comentário, mas se quiser me mandar um Emoji aceito sem polemizar...

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Saudades do Antigo Escoteiro!




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Saudades do Antigo Escoteiro!

- Oi! Desculpe me intrometer neste bate papo delicioso de chefes escoteiros e Akelás que vivenciam tão belo escotismo dos novos tempos. Mas preciso defender o antigo e velho escoteiro que vocês estão estranhando nesta roda tão querida neste pequeno fogo de conselho. Ele é de outra época, outros momentos, outras conversas, outras maneiras de vivenciar o escotismo de seu passado que não existe mais... Pois só vive hoje de suas queridas lembranças. Ele estava acostumado a pular a fogueira, mostrando em gestos seus acampamentos, suas jornadas, suas aventuras pelas estradas queridas de sua terra. Eram preciosos momentos quando botavam o pé na estrada, a procura do desconhecido, das serras intermináveis, das barracas feitas de estrelas onde em volta do fogo à meninada sem seus chefes se divertiam a valer. Vejam que ele fica calado, prestando muita atenção, pois não está atualizado com a nova maneira de se expressar com palavras desconhecidas o estilo atual de rir de comentar principalmente quando falam de outros chefes do mesmo grupo de origem ou do distrito. Veja seu semblante, às vezes assusta em ouvir o que dizem daqueles que não estão presentes, pois ele não se sente bem em falar de alguém que não pode se defender e mostrar sua versão dos fatos citados.

- Ele está voltando ao escotismo agora uma seara difícil para entender estes tempos modernos que alardeiam ser um escotismo dos novos tempos. Não entendeu a sabatina e os formulários que teve de preencher quando resolveu procurar seu antigo grupo escoteiro pensando em voltar às origens. Ficou em dúvida se seria interessante voltar ao um escotismo que desconfiam de sua palavra e de sua honra. Vagamente ele recorda seus tempos de lobinho, suas excursões bivaques e acantonamentos. Ele sorri nas noites de lua cheia das histórias de Mowgly contada pelo Balu, das passagens no Waingunga da morte de Sheri Khan como brincava Raksha a contar com sua amiga Bagheera. Ele nunca esqueceu sua promessa, feito pela Akelá com a presença do Chefe do Grupo que hoje nem existe mais. Foi ele quem colocou o lenço e sorriu para dizendo que agora fazia parte da Grande Fraternidade Mundial dos Escoteiros. Ele não entende que hoje não é mais como ontem, as reuniões são diferentes, as canções também. Estranha a falta das danças da Jângal. Ele ainda cantarola superficialmente uma parte da estrofe da Dança da Morte de Shere-Khan... “Mowgli está caçando, Mowgli está caçando”... Matou o Shere-Kha... “Esfolou o come-gado, esfolou o come-gado, Ra-rá-rá”!

- Veja ele não entende porque chamam agora de Escoteiros do Brasil e não União dos Escoteiros do Brasil. Alguns tentam explicar, mas não leve a mal ele nasceu sobre a égide do antigamente e hoje tudo embolou na sua mente. Fica assustado quando contam histórias de suas tropas, do quadro negro na sede, das palestras intermináveis e só do Chefe a falar e cantar. Não entende as promessas em bloco, as atividades sociais, as atividades de limpeza de rios e córregos na cidade, dos desfiles sem marcha, do tempo gasto para hastear e arriar uma Bandeira Nacional. Fica estupefato ao ver o novo uniforme que chamam vestuário. Assusta, pois sempre usou o caqui de calças curtas e chapelão. Ele presta a maior atenção, pois quer aprender a nova filosofia as novas normas, e até mesmo o Estatutos que é bem diferente do que conheceu. Ele coitado, viveu em outra época, do de Sistema de Patrulha, do Aprender Fazendo, da liberdade de ir e vir, da responsabilidade, do horário que o Chefe dizia ser pontualidade inglesa. Para ele tudo era aventura, poucas atividades de sede, um Monitor amigo, um Sub Monitor sorridente e irmão escoteiro e os demais verdadeiros cavalheiros a moda do antigamente onde a palavra escoteira era ponto de honra.

Vejam seus olhinhos miúdos olhando e ouvindo como são os novos métodos, do uso do lenço sem estar devidamente uniformizado, da falta do chapéu escoteiro, do meião da camisa solta e do calçado de qualquer cor. Não pensem que ele está sorrindo por deboche, nada disso! Ele sorri porque vê que agora tudo que aprende pode ser uma nova maneira de fazer escotismo, mas acredite, ele fica pensando se o Fundador BP iria concordar com tudo isso. Ele sabe que o garbo e a boa ordem aliada à disciplina no seu tempo era questão de honra. Sorri ao se lembrar de sua marcha militar, a banda do Grupo Escoteiro bem afinada, a guarda da bandeira, o uso correto do bastão, da boa ação individual e com a Patrulha, do sorriso nos lábios ao passar em frente ao palanque das autoridades... Ele se assusta quando alguém escreve sobre o peso dos chefes mais gordos, dos magros, que dizem que estão assim e podem dar mau exemplo aos seus comandados... Ops! Aos seus meninos que consideram como filho e não como amigo e irmão mais velho.

- Peço desculpas por ele. Não é mais sua época. Ele sabe que dificilmente será ouvido há não ser pelas suas histórias que nos novos tempos não tem mais hora e nem lugar. Ele sabe que sua voz não será ouvida, pois seu tempo já se foi. Se olharem bem, verão nos seus olhos pequenas lágrimas por não entender o escotismo moderno que vocês tanto apregoam. Ele aceitou estar ali com vocês por um convite de um velho amigo que não compareceu. Se sente fora da turma. Nem mesmo abre a boca para dizer como foi, o que foi e o que fez. Sabe que não haveria interesse de ninguém. Por educação ouve sem nada dizer. Seu pensamento viaja no tempo, um tempo que já passou. Seu passado é forte demais para esquecer. Sabe que nunca esqueceu sua palavra, sua honra que dizem ter mudado, pois ela não vale mais que a própria vida. Até hoje ele sabe de cor e salteado os artigos da Lei Escoteira. Lembra quando seu Chefe o orientou a aprender com seu Monitor que sua promessa seria dita pessoalmente e não repetida. Nunca esqueceu quando seu Chefe disse para ele que aquele dia seria o mais importante de sua vida. Até hoje chora ao lembrar. 

Ele velhinho se sente um peixe fora d’água. Ele sabe que o tempo apaga o tempo, e ele não quer apagar, não esquece quando alguém lhe disse: - Chefe faça o seu escotismo como aprendeu, com alegria. O Escotismo Chefe é como pedra de moinho, sabendo jogar só terá alegria e não tristeza. E quando um dia deixar de acreditar, lembre-se da historia que BP contou a muitos anos da fábula do Pássaro Azul. “A história da menina chamada Myltyl de seu irmão Tyltyl que resolveram achar o Pássaro Azul da Felicidade”, e andaram por todo o país, procurando-o sem jamais encontrá-lo, até que no final descobriram que jamais houvera a necessidade de andar tanto, pois a felicidade, o Pássaro Azul, estava lá, onde resolveram fazer bem aos outros, em seu próprio lar. Se você meditar no profundo significado dessa lenda e aplicá-la, ela o ajudará a encontrar a felicidade, bem perto, ao seu alcance, tão perto que você irá sorrir sabendo que sempre estivera ali. Portanto meus amigos desculpem o Velho Escoteiro, ele não entende os novos tempos, a modernidade e o novo escotismo diferente do que disse um dia BP!

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Os donos do poder.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Os donos do poder.

Prólogo: - E o velho Chefe sorrindo completou: - Vocês não podem mudar certas circunstâncias ou situações, mas podem adaptar-se a elas sempre, escolhendo a forma do mal menor. Pode não ser o ideal, mas será o melhor. Aproveitem as oportunidades que lhes derem, mesmos que sejam aparentemente pequenas. As grandes árvores vêm de pequeninas sementes. Be Prepared!
                                                     
            Quem lê ou ouve alguém falar da Filosofia Escoteira, fica estupefato. É linda demais. Juventude unida por um só ideal. Voluntários que fazem de tudo para que esta estupenda ideia de um General Inglês possa dar frutos criando homens e mulheres dentro de um paradigma de amor ao próximo, lealdade, caráter honra e porque não uma ética escoteira em que todos possam viver fraternalmente. Muitos vieram dos velhos tempos outros dos novos tempos. Acredito que ambos conhecem a fraternidade, a cortesia e o respeito daqueles que se prontificaram a colaborar sem soldo, muitas vezes sem um muito obrigado. Brinco educadamente que o escotismo não tem dono, não pode ter. Ele é universal e o Fundador dizia que seus frutos seriam para manter a paz entre os homens para um mundo melhor.

             Mas eis que apareceram normas, regulamentos, regimentos, leis, roteiros de ação, estatutos, código de conduta e tantas outras para dizer o que cada um pode ou não pode fazer. Não existe mais o salomônico Chefe para mostrar o caminho e sorrindo dizer: - Vamos juntos fazer. Antes um escotismo alegre, solto, livre como o vento a correr pelos montes, pelas trilhas desconhecidas procurando um lugar para acampar. Hoje? Tudo mudou. Primeiro as normas, pedido escrito se pode ou não fazer. E claro ter a autorização do Chefe do Poder. Se isto fosse feito de uma maneira fraterna, educada, sem o cunho de imposição poderia ainda haver aquele sonho dos meninos correndo pelas matas das cidades sem um adulto ao seu lado para dizer aonde ir. Mas não, sem perceber apareceram os “donos do poder”. E então o escotismo mudou. Alguns chegaram com um sorriso outros arrogantes, ríspidos a dizerem o que é certo e errado, mostrando o artigo, a norma e a lei escrita por eles mesmos pensando que assim seria o certo para dizer onde pisar e escoteirar.

              Não critico normas, leis e o escambal. E por favor, não me venham dizer que os tempos são outros. Afinal os adultos de hoje são poucos os que sentam, se calam e ouvem o que o jovem tem a dizer. Não deram para ele o direito de escolha, daquele escotismo solto, sem amarras, do garbo, das aventuras e da vida ao ar livre. Não discuto normas, nos dias de hoje elas tem de existir. Se o aprender fazendo foi uma descoberta hoje é o Chefe fazendo e falando o que deve ser. A liberdade da responsabilidade já não é mais a mesma. O confiar na palavra escoteira deixou de existir. Agora se agarra a norma tal que um bando de lideres acreditou que seria o melhor para todos. Onde foi parar a mística? Aquele sorriso ao correr pelos campos para descobrir o imponderável? Onde foi parar o sonho da descoberta, a mangueira alta sombreada a beira de uma cascata de águas cristalinas para que se possa sorver seu néctar e a sede matar? Tudo agora é norma, é lei, ande reto e não pare a não ser quando eu mandar. Olhe você só vai se cumpriu seu dever se pagou a soma que lhe quiseram cobrar. E dizem que ele o General se vivo fosse faria assim também.

               Mas ainda vejo sorrisos, sonhos, vontade de acertar e caminhar como Caio Martins sempre caminhou. “Com as próprias pernas”. São meninos, meninas que se formam como um punhado de sonhadores a fazer um escotismo que acreditam poder realizar. Ainda temos chefes que fecham os olhos para os adoradores do poder e se metem a sair por aí com um bornal, cheios de fantasia, imaginação a procura de um escotismo encantado. Não foi assim que ensinou o General? Entristece-me a discussão de normas, regulamentos e o escambal. – Chefe, esta difícil... Não dá para continuar... Não dá? Se todos que são achincalhados e humilhados na sua sina escoteira pensar assim, quando iremos vencer esta batalha para dar aos jovens pelo menos uma parte deles que ainda acreditam na graça, no encanto na grandiosidade de um escotismo que julgam perfeito para fazer? Belo é o escotismo de quem acredita de quem luta e não desiste quando na curva encontram espinhos sem olhar direito e ver rosas formosas mostrando o caminho da felicidade.

             Sei que os donos do poder dificilmente vão mudar. Nos últimos anos fizeram uma “lavagem cerebral” não dando opções de escolha. Fazem tudo para continuar no poder. Aqueles que podem opinar fingem que concordam.  Estes pseudos lideres não tem histórias e querem fazer histórias. Qual delas? A do escotismo puro, com cheiro de mato, com trilhas pisadas sem saber aonde vai dar? Pode ser que um dia chegarão lá, mas isto só irá acontecer se ombrear ideias, valores éticos sem dissabores que muitos querem criar. Como estou na flor da idade e não estou preso a nenhuma associação não ligo para as normas criadas com a finalidade da perpetuação no poder. Eu não preciso delas, nunca precisei. Às vezes lembro-me daquela história da mitologia chinesa dos três macacos. Kikazaru o surdo; Iwazaru o mudo e Mizaru o cego. Eles aparecem nos templos nos desenhos um tapando os ouvidos, outros tapando os olhos e o outro a boca. Estou velho demais para ficar cego surdo e mudo. Com a palavra os novos chefes que estão chegando.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

São Paulo 14 de agosto de 2019. Ao meu amigo, Chefe Zé das Quantas. Brejo Seco – Brasil.




São Paulo 14 de agosto de 2019.
Ao meu amigo,
Chefe Zé das Quantas.
Brejo Seco – Brasil.

Meu caro amigo Zé das Quantas, ou melhor, Chefe Zé. Quanto tempo eim? Preciso voltar às origens e passar uns dias aí com você. Saudades e muitas dos velhos tempos. Disseram-me que você ainda faz aquele escotismo de raiz, tradicional e como nos deixou Baden-Powell. Lembra quando descobrimos na gaveta da sede aquele livro dele? Como se chamava? Ah! Lembrei-me, Escotismo para Rapazes. Chefe Zé, dizem que aquele foi modificado e o original tem outro tema. Esta turma de hoje Zé são muito estudiosos, têm doutores, pensadores, pedagogos têm de tudo até mesmo sabe tudo que se acha o dono da verdade. Nós dois Zé ficamos parados no tempo, eles sabem tantas coisas que fico de orelha caída perto deles. “Cê” precisa vê-los corrigindo meus escritos. Mas a vida é assim não Zé? Pelo menos você ainda é um Escoteiro simples, sem tantas ambições. Aqui Zé a gente pensa se o escotismo tivesse salário seria um Deus nos acuda! Mas estou escrevendo para lhe contar as novidades. São tantas que se fosse escrever tudo ficaria dias na máquina de escrever.

Mas me diga como vai o Escoteirinho de Brejo Seco? Soube que cresceu, agora está fazendo o SENAI em Barra do Onça. Vai a cavalo todo dia. Menino marreta não Zé? Lembra-se de quando comprou sozinho toda sua tralha do uniforme? Nunca reclamou, trabalhou sem parar engraxando, seu uniforme dona Nazinha caprichou. Olhe Zé, o escoteirinho é danado, comprou um cantil, comprou sua faca escoteira, comprou seu facão e sua machadinha. Soube que até hoje seu chapéu está um brinco. Quando ia acampar ia orgulhoso sabendo que se vai para o mar avie-te em terra. Soube que ele tentou o Lis de Ouro e não conseguiu. Pois é Zé, se não tem registro, se não tem computador para “fuçar” no tal PAXTU nunca iria conseguir. Coitado do Escoteirinho Zé. Lembra-se de seus sonhos em ir naquele acampamento nacional? Quando viu a taxa, taxiou em suas pernas e chorou. Nunca poderia pagar. Afinal Zé ele aprendeu que era melhor fazer seu escotismo aventureiro aí em Brejo Seco do que se elevar pelos ares nas riquezas que hoje são exigidas aqui para ser Escoteiro.

Olhe falando em ser Escoteiro me lembrei do Chefe Floriano. Cara batuta não Zé? Lembra quando fomos fazer cursos na capital? Ele pagou tudo, pagou a passagem de trem e olhe, foram dois cursos supimpas. Foi lá que saboreei pela primeira vez o tal de Bacon. Dizia que se pronunciava Baicon. Comi demais. A noite deu até “piriri”. Risos. Ganhei dele o Para ser Escoteiro e ele deixou um autógrafo. Guardo até hoje com carinho. – Época boa eim Zé? Lembro que você foi primeira classe e no curso deu um show de pioneirías. Mas Zé, hoje tirei o dia para pensar se estamos no caminho certo. São tantos Salvadores do Escotismo que fico assustado. Criaram um novo uniforme e o batizaram de vestuário. Bagunçaram tudo. Sem meia, com meia de chapéu sem chapéu, camisa fora da calça, calça curta e comprida. Lembra-se de Dona Chiquinha? A madrasta do Toninho? Mulher nota dez! Fazia uniforme de olhos fechados. Pois é Zé, aqui se cobra para tudo. Tem taxa prá dedéu. Escotismo de pobres já era hoje só prá ricos. Olhe se tem 300 piulas compra o tal vestuário se não tem esqueça.

E Zé, nem sabe o que sinto quando escrevo sobre o nosso escotismo. Chamam-me de ultrapassado e arrematam que se o escotismo nosso foi bom e de hoje também é. Eu acredito sabe Zé tem muitos chefes gente boa que faz escotismo de ótima qualidade, mas Zé precisa ver alguns com suas ambições de assumir tal cargo e ser um formador. E a Insígnia? Quem recebe acha que é o “dono do mundo”! Aquele nosso orgulho de se apresentar a comunidade para que eles confirmassem nosso garbo nossa elegância e nosso sorriso aqui não existe mais. Outro dia elogiei uns que usavam a tal vestimenta e logo chegou seu Chefe todo bagunçado. Olhei de banda e olhe Zé choveu reclamações. Mas o que fazer? Como posso aplaudir uniformes mal postados, chefes que não se orgulham do escotismo de BP. Dizem que são modernos, acataram o vestuário e usam com seu orgulho pessoal. E que orgulho!

Bem Zé, não posso me alongar muito. Há tantas coisas a recordar, tantas coisas que queria comentar com você, que nem sei por onde terminar. O tempo hoje Zé não é mais o nosso. Agora só se fala em modernismo. Pois é Zé, sabe o que é moderno para mim? Aqueles acampamentos aventureiros, aquelas jornadas incríveis que fizemos no Vale do Sol, aquelas travessias em jangadas no Rio Jaguari. Lembra Zé quando fomos ao ADIP? (Acampamento Distrital de Patrulhas). Levamos quatro patrulhas, chegamos cantando e dizendo que aqui estava o Guará, a Lobo, a Touro e a Morcego. Foi uma festa. Tudo feito por patrulha. Hoje Zé? Hoje é acampamento de férias de ricos. Não precisa mais apresentar com patrulha, alguns tem a “quentinha” outros restaurantes sofisticados. E o Chefe paga para se Staff.

E terminando Zé, eu aqui vou indo, vou me divertindo, escrevendo minhas histórias, falando mal de tudo que acho errado e ouvindo o que não quero ouvir. Que importa se sou ultrapassado? Que importa que o estudado e o sem estudo também são escoteiros? Que importa o dinheiro Zé se sem ele Baden-Powell construiu uma fraternidade mundial? Zé meu amigo, aqui ninguém pergunta, ninguém consulta, ninguém pesquisa. Os donos do poder agem e fazem o que querem. Impõe seus pensamentos suas idéias e o mundo vai girando, a terra não vai parar, mas o escotismo? Zé sempre pergunto, onde estão os resultados? Os resultados meu Deus! Só eles importam. Mas existem Zé? Existem sim, ainda bem que gente como eu e você ainda faz escotismo de verdade.

Chega Zé, vou terminando, não sei se o Mané do Brejo, se o Tomé Esqueleto, se o Joaquim Espoleta e o Mario cozinheiro ainda estão aí. Saudades deles. Quem sabe antes do fim eu possa vê-los, dar aquele abraço cantar o Velho Rataplã e melhor, acender um fogo e contar “causos” daqueles cabeludos quando você se apaixonou pela Mariquinha da Fazenda do Nestor. Olhe diga ao Escoteirinho de Brejo Seco que seus acampamentos são os melhores do mundo, diga a ele que quando crescer mais ajunte seu rico dinheirinho e vai conhecer sem se decepcionar um Jamboree nacional. Pelo menos Zé ele vai ver os Grandes Chefes atuais, com suas poses e sorrisos, seu saber e sua sapiência. Não esqueço aquele sub campo de chefia na Beira do Rio Jaguari com todos pulando no rio e alguém gritando: - Não sei nadar! Não sei nadar!

Abraços a Sebastiana sua esposa, Josefa sua filha e claro ao meu orgulho pessoal o Escoteirinho de Brejo Seco. Sempre Alerta!

sábado, 10 de agosto de 2019

Conversa ao pé do fogo. Afinal o Escotismo é uma Filosofia de vida?




Conversa ao pé do fogo.
Afinal o Escotismo é uma Filosofia de vida?

Abertura: - Lawrence da Arábia teceu um painel inusitado de retratos, descrições, filosofias, emoções, aventuras e sonhos. Para levar a cabo sua missão, serviu-se de uma extraordinária erudição, uma memória impecável, um estilo que ele próprio inventou... “Uma total desconfiança em si mesmo e uma fé ainda maior”.

Muitos afirmam que sim. Tive amigos que diziam viver intensamente a filosofia escoteira. Mas afinal o que é a filosofia escoteira? Os filósofos escreveram que a filosofia de vida é a expressão que serve para descrever um conjunto de ideias ou atitudes que fazem parte da vida de um individuo ou grupo. Pode ser definida também como uma forma de viver de uma pessoa. Alguns se voltam para a vida religiosa outros para uma seita ou um modo de vida que abraçou. O escotismo pode se enquadrar neste pensamento e seu método e maneira de agir traz bem estar, sonhos, vida ao ar livre, natureza e uma série de fatores na mudança comportamental de cada um de nós que aplicamos em nossas vidas as atividades escoteiras.

Costumo dizer que muitas vezes tento explicar um pensamento e sinto dificuldade em externar um verdadeiro ponto de vista do que pensei. Afinal não sou um emérito professor e sim apenas um medíocre escritor escoteiro. Participei do escotismo de uma maneira diferente, descobrindo cada passo, cada ação que hoje mesmo sendo leigo interpreto como uma filosofia escoteira e ela marcou e marca até hoje minha vivência e meu modo de ser como homem na comunidade em que vivo. Já não temos mais os sonhadores, os criadores de fantasias, os utopistas e os visionários, que faziam de um pequeno regato um oceano para navegar. Procuro insistentemente na minha janela ver as belas do céu, da noite escura das estrelas... Lembro que uma simples jornada se transformava em uma expedição de descoberta como a dos Bandeirantes do passado. Sonhar como Fernão Dias Paes Leme atrás de suas esmeraldas, dormir ao ar livre, tendo o céu como barraca era voltar no tempo dos desbravadores de terras em buscas de sonhos nos confins impossíveis de imaginar.

Observar uma borboleta, voando, o simples bater de asas o pensamento levava a mil imaginações, quem sabe tudo isso provocaria um vendaval no outro lado do mundo? Era um tempo de observação e perspicácia. Um tempo de estar sempre alerta para tudo ou para todos. Cantar com uma rolinha, sorrir para um bem-te-vi, aprender o manejo dos galhos com um macaco prego, deitar na relva olhando sem entender os milhões de estrelas no céu, o varar da lua de uma ponta a outra... A vermelhidão da madrugada ao nascer do sol... Uma felicidade ouvir o canto do Rouxinol... Como era gostoso tirar o sapato, o meião, colocar os pés na água gelada de um riacho, marchar cantante um hino ou uma canção nas estradas percorridas, desfraldar uma bandeira no cume de uma montanha cantando bem alto o hino nacional...

Hoje dissecam a filosofia de uma maneira pragmática explicando que a validade de uma doutrina é determinado pelo seu bom êxito prático. Alguns acreditam que a criatividade não existe mais na juventude do presente, outros dizem que seguir o redemoinho da modernidade é a mais provável senda do caminho a percorrer. Uma torrente de pensamentos palavras e ações sacodem o escotismo dos novos tempos. Seja mais pragmático Chefe! Vou correndo nas páginas da ficção para dissecar o que significa. Uma ideia que temos de um objeto qualquer não é mais nada senão a soma das ideias de todos os efeitos imaginários atribuídos por nós a esse objeto e ele passou a ter um efeito prático qualquer... Seria o ator principal desta definição o Escotismo?

O que é uma barraca? Uma mochila? Um cantil? Objetos abstratos apenas para servir ao seu senhor? Barracas ao vento, barracas com bom ou mau tempo, mochilas estradeiras ombreadas levando coisas impossíveis de imaginar. Um cantil com honras militares advindo de uma Legião Estrangeira com mil histórias para contar. A trilha do caminho tortuoso é apenas um caminho a seguir? Ou então ela é uma descoberta de cada passo esperando algum inusitado acontecer? E lá vou eu filosofando ideologia, amando minha doutrina fazendo do escotismo minha teoria do bem viver. Neste mar da serenidade que precisamos, nesta versão serena de um pensamento variável sujeito a resignação eu volto à trilha da minha filosofia escoteira cheia de sol, de lua, de estrelas tentando voltar ao passado para adquirir conhecimento, cultura, sabedoria e aumentar o meu saber.

A vã filosofia escoteira dribla o pensamento de Willian Shakespeare... Há mais coisas entre o céu e na terra, Vado Escoteiro, do que sonha a nossa vã filosofia! Prefiro sonhar com Confúcio... “Aquilo que escuto eu esqueço, aquilo que vejo eu lembro, aquilo que faço eu aprendo!”. Filosofia escoteira, é bom acreditar, não deixar ela se perder nos tempos da razão só porque acreditou que seria uma maneira de divertir, por poucos momentos e não para uma eternidade de vida.

Que neste sábado seja um dia cheio de sorrisos, de melhor possível, de Sempre alerta de servir e de muitos aperto de mão transmitindo através deles uma invisível força de união paz e amor! Uma bela reunião para todos vocês!

domingo, 4 de agosto de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Porque sou escoteiro?




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Porque sou escoteiro?

Prólogo: - Sou Escoteiro por quê? Você já fez esta pergunta a si mesmo? Tem certeza da conclusão que chegou? Se pensou nos outros e não em você mesmo meus parabéns. Acredito em você!

                           Ei! Eu sei que você sabe. Acho que já falei aqui antes. Sou mesmo um repetitivo, mas acreditem eu sou de outra geração. Dos cabeças brancas. Aqueles que se dizem tradicionalistas e só atrapalham os novos que gostam da modernidade. Mas nunca duvidem eu sou um Escoteiro do coração. E sei que vocês também o são. Eu sei que amam o escotismo como eu. Eu sei que pensam nele todo o tempo e que a cada sábado ele vem forte trazer a alegria e a fraternidade dos amigos que juntos irão fazer atividades mil com esta juventude maravilhosa. Eu peço a Deus para viver mais dez anos e encontrar vocês por aqui a sorrir. Mas se me permitem, com humildade gostaria de dizer algumas palavras porque sou Escoteiro.

- Eu penso que um dia fiz uma promessa. Prometi fazer o melhor possivel, mas como sou adulto prometi muito mais. Não brinquei de fazer. Levei a sério e a levo até hoje. E sei que muitos também são assim; - Eu prezo o garbo e a boa ordem. Faço questão de vestir o uniforme com elegância. Do jeito que aprendi. Meu lenço quando coloco olho no espelho se está correto, bem postado, bem colocado. Meu cinto? Faço questão de limpar e engraxar o couro. Meu sapato? Engraxado. Minha calça cinza de tergal do traje comprida ou a curta caqui? Bem passada. Muito bem passada. Sem vincos não visto. Estes serão o meu uniforme por toda a vida. Não vou vestir outro; (mas aceito que outros façam suas escolhas);

- Horários? Em cima da hora. Nem um minuto mais nem um minuto menos. Pontualidade Escoteira para mim além de sagrada é mais que a inglesa. Se for chegar atrasado prefiro não ir. Se você vai se encontrar comigo e vai se atrasar não venha, telefone avisando. Atraso? Nunca! Não gosto. Marque outro dia; - Horários de reuniões? Só em casos especiais extrapolaram cinco dez minutos. Pedia desculpas aos pais quando atrasava; Sempre fiz questão disto. - Cerimonial da bandeira? Um orgulho ver todos perfilados. Ninguém brincando, sérios e compenetrados com seu garbo e boa ordem. Sei que você também faz assim;

- Inspeção? Adoro. Fiz muitas e até deixei que monitores fizessem comigo muitas vezes. Porque não? Alegria quando um Monitor me olhava de cima em baixo, sério e compenetrado. Olhava o chapéu, o cinto. Os botões abotoados, os quatro dedos da quebra do meião, as listas corretas e quando me pedia para ver as unhas? Olhava se minhas orelhas estavam limpas? Risos. O Monitor ficava orgulhoso em inspecionar o Chefe e eu orgulhoso do Monitor; - Alvorada no acampamento? Para mim sempre uma tradição. Seis horas. Seis e quinze ginastica. Feita pelos monitores. Eu os tinha adestrado antes. Horário de dormir? Sagrado. Nunca depois de onze horas. Oito horas de sono não se discute. Exceção em acampamentos de chefia, época de olhar as estrelas e sonhar;

- Decidir sozinho os destinos da tropa ou do Grupo Escoteiro não era a minha praia. Sem os monitores não sabia o que fazer. Sem os chefes me sentia só. Aprendi assim. Mudar? NUNCA! - Aceitar uniforme pela metade? Mal colocado? Camisa do lado de fora? Lenço torto? Nunca. Nada como chamar o jovem e educadamente ensiná-lo como se porta um uniforme, e contar o que BP disse sobre ele: “Meu jovem, quando você está uniformizado você representa toda a organização Escoteira”. Quem olha para você acredita que ali todos tem orgulho do seu uniforme e sabem que o escotismo é um exemplo de cidadania;

- Sou Escoteiro da maneira que aprendi. Com uma mochila nas costas e fazendo aventuras por este “mundão” afora. Nunca gostei de ficar dando ordens sentado em uma cadeira, fazendo joguinhos, nozinhos e sinaizinhos de pista ou apitando em uma reunião escoteira. Isto nunca foi minha “praia”; - Sou Escoteiro como diz o Roberto Carlos, a moda antiga. Daqueles que gostam de um sorriso. De um abraço gostoso. De dizer eu gosto de você. Dos que gostam de ser o primeiro a dizer Sempre Alerta. De dizer muito obrigado a todos com quem convivo no escotismo e fora dele;

- Sou Escoteiro porque amo o escotismo. O amei desde o primeiro dia que eu vergonhosamente olhei de soslaio para o meu Balu e ele me recebeu na Alcatéia sério sem me dar um sorriso e depois eu o amei por toda vida; - Portanto meus amigos se notarem que sou diferente eu sou mesmo. Não tenho protocolos, se faço cara feia é porque nasci assim, mas meu coração é de ouro, não faço continência por respeito, mas sim por amizade e gosto disto! - Sou Escoteiro porque gosto de cantar, gosto de historias, vivenciá-las, (uma voz danada de feia e rouca) me sentir um herói daqueles que admiro e em qualquer tempo, em longas jornadas, dormindo sob as estrelas, viajando na minha bicicleta de aço, fazendo uma pioneira, subindo uma montanha (ufa!) seja com chuva e com sol era uma alegria só, eu cantava, e como cantava!

- Sou escoteiro porque acredito no movimento e como Escoteiro me dou o direito de discordar de tudo que eu achar errado. Não aceito castas, gente metido a besta só porque tem isto e aquilo. Fico longe de pessoas que querem cargos, querem ser o que não são, querem mandar, ditar ordens sem saber onde estão indo. Não vão me ver nunca batendo palmas para dirigentes. O farei quando tiver certeza que se preocupam conosco, que aceitem opiniões, que nos ouçam, que nos consultem e nos deixa participar em tudo que é decido para o bem do escotismo. Sempre acreditei que se estão lá foi porque quiseram e prometeram dar o melhor de si. Então o fazem por obrigação com uma associação que espera muito deles. Mas sempre irão me ver dando Anrê, palmas escoteiras, gritos de guerra a toda essa juventude que está firme nas fileiras escoteiras a qualquer tempo com sol ou com chuva; - Sou Escoteiro porque depois que cresci acreditei que o escotismo é que precisa de mim e não eu dele. Mas me entreguei a ele de corpo e alma;

- Enquanto viver serei Escoteiro e não importa o que aconteça, e quando morrer vou viver na minha estrela lá em Capella, bem longe escondida atrás da constelação de Auriga, onde será minha morada no futuro, lá se Deus quiser continuarei Escoteiro. Afinal uma vez Escoteiro sempre Escoteiro. Escoteiro sempre eu ei de ser, Escoteiro eu serei até morrer! E claro, depois que me for também!

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Conversa ao pé do fogo. Baden-Powell e o Sistema de Patrulhas.




Conversa ao pé do fogo.
Baden-Powell e o Sistema de Patrulhas.

Adendo:
“Ensine-os a pescar. Não pesque para eles! - É melhor um arroz sem sal e grudento feito pôr eles do que o excelente feito pôr adultos. Lembrem-se, eles são a razão de você estar aqui!”

Sobre Monitores.
“Quero que vocês, monitores, entrem em ação e adestrem suas patrulhas inteiramente sozinhos e à sua moda, porque para vocês é perfeitamente possível pegar cada rapaz da Patrulha e fazer dele um bom camarada, um verdadeiro homem”. De nada vale ter um ou dois rapazes admiráveis e o resto não prestando nada. Vocês devem procurar fazê-lo todos positivamente bons... Para conseguir isso a coisa mais importante é o próprio exemplo, porque, o que vocês fizerem os seus Escoteiros também o farão... Mostrem a todos eles que vocês sabem obedecer às ordens dadas, sejam elas ordens verbais, ou sejam regras que estejam escritas ou impressas e que vocês cumprem ordens, esteja ou não o chefe presente. Mostrem que conseguem conquistar distintivos de especialidades, e, com um pouco de persuasão, os seus rapazes seguirão o seu exemplo. ...”Mas lembrem-se que vocês devem guiá-los e não empurrá-los”.

Sobre o Chefe e seus monitores:
“Você é o líder dos seus monitores”. Podemos até chamá-lo do monitor dos monitores. Dirija somente esta patrulha. Cabe a você orientá-los, fazer acampamentos e excursões, sempre visando o adestramento para que eles possam depois adestrar os escoteiros da patrulha. Esta é sua responsabilidade. Não fuja dela e experimente, pois tenho certeza que poderá alcançar o gostinho do sucesso.

Sobre a Tropa Escoteira:                                                                  
“Cada Tropa Escoteira é formada pôr duas ou mais Patrulhas de seis a oito rapazes. O principal objetivo do Sistema de Patrulhas é dar responsabilidade real a tantos rapazes quantos seja possível. Isto faz com que cada rapaz sinta que tem pessoalmente, alguma responsabilidade pelo bem de sua Patrulha. E leva cada Patrulha a ver sua responsabilidade definida para o bem da tropa. Através do Sistema de Patrulhas os escoteiros aprendem que tem uma considerável participação em tudo que a sua tropa faz”. 

Algumas dicas para monitores:
Disseram-me que estas dez dicas deveria servir também para chefes escoteiros. Escrevi para monitores, faça você mesmo sua análise pessoal. Sabemos que sem bons monitores dificilmente teremos o êxito esperado. Você também é responsável.

1. Não faças comentários que possam humilhar ou envergonhar algum dos Escoteiros de sua patrulha.
 2. Se precisares chamar à atenção de algum deles, faça a sós, sem os outros ouvirem.
3. Não deixes de fora os patrulheiros mais tímidos ou novatos, fala para eles, dá-lhes atenção, mostra que estás sempre a contar com a ajuda deles e que são importantes para a Patrulha. Dá-lhes um elogio para os  motivares e perceberem que estão a ser úteis.
 4. Muitas vezes, consegues modificar o comportamento e as atitudes dos outros recorrendo à boa disposição e a algumas piadas, desde que não humilhes ninguém.
 5. Não leves muito a sério um patrulheiro que seja muito resmungão. Responde-lhe com bom humor.
6. Não fales nas costas uns dos outros. Os patrulheiros vão imitar-te e irão acabar por falar de ti nas tuas costas. Dá um bom exemplo.
7. Mostra-te paciente para com todos. A paciência é uma grande virtude e os teus escoteiros saberão reconhecer-te essa característica, mesmo que não o digam abertamente.
 8. Se algum dos patrulheiros agirem incorretamente com outro, explica-lhe de que modo foi incorreto e sugere-lhe que peça desculpa.
9. Não grites com os teus escoteiros Se gritares, o mais provável é perderes autoridade.
10. Não mostres ressentimentos para com alguém que tenha feito algo de errado ou tenha prejudicado a Patrulha. A capacidade de perdoar é uma virtude.

E não se esqueça destas palavras de BP. Elas podem ajudar você muito:
Levar-se muito a sério enquanto jovem é o primeiro passa para tornar-se um “pedante”. Um pouco de bom humor poderá tirá-lo deste perigo e também de muitas ocasiões desagradáveis. – Aquele que se elogia é geralmente aquele que necessita de ajuda; - Um Monitor equilibrado vale meia dúzia de extravagantes;
- Muitos querem seus direitos, antes de o trem merecido.

Lord Robert Baden-Powell.

Monitor e Sistema de Patrulhas. A razão de ser do Movimento Escoteiro.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Conversa ao pé do fogo. Reviver 112 anos Brownsea. – Uma aventura que marcou o escotismo para sempre.




Conversa ao pé do fogo.
Reviver 112 anos Brownsea.
– Uma aventura que marcou o escotismo para sempre.

Todos nós do escotismo conhecemos um pouco de nossa história e marco que foi o acampamento experimental na ilha de Brownsea. Estamos chegando há 110 anos e nossas lembranças nunca esquecem aqueles dias de gloria para o inicio da maior organização de jovens do mundo. Sempre podemos reviver os dias fantásticos o que se passou naquela pequena ilha. Queremos deixar-te aqui algumas pistas e informações para que, no teu grupo ou tropa, possas organizar um “Reviver Brownsea” sempre. Vamos a isso?

Os participantes
Alguns historiadores contabilizam um total de 22 rapazes, neste acampamento experimental. Para além dos famosos vinte, cinco em cada Patrulha, ainda Simon Rodney (12 anos), na Patrulha Lobo, e Donald Baden-Powell (sobrinho de B-P) que, por ter apenas 9 anos, ficou como Ordenança de Campo (uma espécie de auxiliar). A presença de Donald é confirmada e, dada a sua idade, pode ser “interpretado” por um Lobinho. Baden-Powell levou consigo um adjunto: Kenneth Maclaren, seu amigo de longa data da vida militar. Para melhor viver o imaginário neste “reviver”, cada uma das confirmadas 23 pessoas em campo (B-P, o adjunto, o sobrinho e os cinco rapazes por cada Patrulha) podem usar um cartão pendurado ao pescoço, com a sua identificação, para todos serem tratados pelo respectivo nome. Por ser um acampamento experimental, os rapazes vestiam-se de acordo com a moda da época.

A ida
A 29 de Julho, parte dos participantes (12 rapazes) embarcaram a bordo do Hyacinth, no porto de Poole, para fazerem a travessia de pouco mais de 3 Km até ao cais de Seymour, já na ilha, percorrendo ainda cerca de 800 metros até ao local do acampamento, ao sul da ilha. No dia seguinte, chegaram os restantes. Na noite do dia 30, ao redor da fogueira, B-P contou algumas das suas aventuras na África e na Índia e deu informações sobre o dia seguinte, terminando o dia com orações. Cada Patrulha ficou com uma tenda militar, em forma de campânula. B-P e os seus assistentes ficaram noutra tenda. Havia, ainda, uma tenda-cozinha e uma tenda aberta de um dos lados para se abrigarem em caso de tempestade.

As atividades
A 1 de Agosto, começaram as atividades programadas para o acampamento, distribuídas da seguinte forma:
1 de Agosto: Preliminares - formação das Patrulhas, distribuição de tarefas, instrução para os Guias de Patrulha, etc.
2 de Agosto: Campismo - engenho em campo, construção de cabanas e esteiras, nós, fogueiras, culinária, saúde e saneamento, orientação em território desconhecido e barcos.
3 de Agosto: Observação - observar e memorizar detalhes ao longe e ao perto, pontos de referência, seguir pistas, dedução a partir de pistas e sinais, e treino da visão.
4 de Agosto: Vida na floresta - e de animais e plantas, estrelas, espreitar animais, observação de detalhes de pessoas e leitura do seu carácter e condição.
5 de Agosto: Cavalheirismo - honra e código dos cavaleiros, altruísmo, coragem, caridade e poupança, lealdade para com o rei, patrões e oficiais, cavalheirismo para com senhoras, a boa ação diária e como fazê-la.
6 de Agosto: Salvamento de vidas - em incêndios, afogamento, gás, atropelamento por cavalos, em esgotos, pânico, acidentes na rua e primeiros socorros.
7 de Agosto: Patriotismo - geografia colonial, história e feitos que engrandeceram o império, a marinha e o exército, bandeiras, medalhas, deveres dos cidadãos e auxílio à polícia. 

8 de Agosto: Jogos - campeonato desportivo envolvendo todos os temas abordados durante o acampamento. Todos os dias havia inúmeros jogos: jogo do Kim, caça à baleia, seguir pistas, competição de nós, caça ao urso, tração da corda, observação de veados, etc. Os elementos de cada Patrulha distinguiam-se por um pedaço de lã colorida, presa no ombro: azul para os Lobos, verde para os Touros, amarelo para os Maçaricos e vermelho para os Corvos. Cada Guia de Patrulha tinha uma bandeirola com o desenho do respectivo animal. Cada noite, uma Patrulha ficava encarregue do “piquete noturno”. Levava rações de farinha, batatas, carne, chá, etc., e partia para um local indicado para bivacar, afastado do acampamento. Cada rapaz levava fósforos e o seu próprio tacho, cozinhando ali o seu próprio jantar. A seguir, eram colocadas sentinelas e montado o bivaque. B-P e os Guias das outras Patrulhas entretinham-se a observar o piquete até às 23h, hora a que os rapazes iam todos dormir, regressando ao acampamento no dia seguinte a tempo do pequeno-almoço. Eram feitos alguns ataques simulados para testar a capacidade de vigilância do piquete.

A instrução era dada sempre com pouca teoria e muitos exemplos ilustrativos, para não maçar os rapazes, seguida de jogos e competições sobre o assunto. Praticamente não se cantava mais nada no acampamento para além do “Inegoniama”. B-P distribuiu a cada rapaz uma insígnia em latão com a flor-de-lis. Alguns historiadores defendem que usou o mesmo esquema de classes que tivemos no CNE e que foi usado um pouco por todo o mundo.

Horário diário
A alvorada era às 6h00, ao toque de um chifre de Kudu que B-P tinha trazido de África, usado pelos Matabeles.

6h00 - Alvorada, arejar, leite e biscoitos
6h30 - Ginástica matinal
7h00 - Avisos das atividades do dia, com demonstrações
7h30 - Limpeza do campo
7h55 - Formatura, içar da bandeira e orações. Pequeno-almoço.
9h00 - Prática escutista
12h00 - Banho
12h30 - Almoço
13h00 - Descanso
14h30 - Prática escoteira
17h00 - Chá
18h00 - Jogos
19h15 - Passar uma toalha húmida pelo corpo e mudar de roupa
20h00 - Jantar
20h15 - Palestras ao redor da fogueira
21h15 - Orações
21h30 - Deitar e silêncio.

Reviver Brownsea. Um épico que ficou marcado para sempre na história escoteira.

Baden-Powell, um homem além do seu tempo. Reviver é não esquecer nunca mais!

domingo, 28 de julho de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. As velhas tralhas escoteiras que amei.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
As velhas tralhas escoteiras que amei.

Prólogo: - A modernidade chegou, se gasta os tubos para ter um material completo de Patrulha. Se o intendente não é dos bons em pouco tempo tudo está perdido, estragado, com ferrugem ou é deixado displicentemente em qualquer lugar onde foi usado. Mas temos que seguir a trilha do moderno, faz parte. Haja dinheiro para gastar!

- Houve um tempo e põe tempo nisso, eu participava de uma Patrulha de amigos e irmãos que hoje estão no céu. Da Patrulha Lobo era o terceiro escoteiro Escriba com muito orgulho. Foi uma época de liberdade, de escotismo alegre e solto, daqueles que ao passar um fim de semana na sede dava uma canseira e uma moedeira que o próprio Chefe Jessé sorria sabendo o que estávamos a pensar e desejar. Acampar, excursionar e aventurar por aí. Exigente dificilmente dizia não. Se uma Patrulha quisesse acampar ele anotava onde, quando e se tínhamos permissão do dono do lugar. Às vezes nos visitava na sua Philips negra e era uma graça o ver batendo pedal nas horríveis trilhas do lugar. No nosso saco de Patrulha feito com saco de estopa, do mais usado e que aguentava tranco, ganho no Armazém do Grilo do Senhor Pastor, cabia toda nossa tralha de sapa e de cozinha. Com um idêntico fazíamos o nosso colchão. Era só encher de folhas e capim seco. Se precisássemos de uma panela, de um caldeirão ou de uma frigideira era só ver se a mamãe de alguém tinha para doar. Tudo muito simples, poucas noites, uma caçarola e caldeirão bastavam. Sete itens para levar distribuídos entre os patrulheiros. Éramos preparados, podíamos dizer que todos tinham a marca do bom acampador e nem precisa de lista ou lembrar.

- Lembro quando acampamos em Conselheiro Pena, um grupo novo, cheio da grana, Luiz Antônio filho do Doutor Mateus e prefeito, nos mostrou um conjunto de panelas que seu pai comprou. Lindo! Uma encaixada na outra, um jogo de tirar o cozinheiro da sua sina de panelas sujas, sebentas onde o Bombril ainda não existia e a areia era o capacho para limpar. Olhei para as panelas brilhantes de um alumínio reluzente e pensei: - Valeria a pena? Mas o preço oh! No segundo dia na inspeção perderam ponto, pois as panelas amassaram e o encaixe deixou de existir. O tempo passou, de um alumínio brilhante viraram sebentas também. Durante quatro anos na Patrulha só uma vez precisamos de um facão. O nosso já velho e alquebrado serviu para pagar um almoço lá prús lados de Bom Jesus, cansados de uma jornada e mortos de fome sem tutu, o dono do restaurante beira da estrada Rio Bahia topou a pé uma troca de um prato feito pelo facão. Seu Belarmino do Curtume Santa Rita nos presenteou com um novinho. Eita gente boa para doar...

- Mas a modernidade não parou por aí. Quando nos meus dezessete anos fui fazer um Curso de Adestramento Básico em 1959 conheci o Lampião a Gás vulgo Liquinho. Luz branca, clareia longe e tudo ao redor. Parecia uma lâmpada de 220 w. Perguntei ao JF (João Francisco) um dos membros da equipe se era caro. Ele com aquele estilo Bipidiano de Chefe novo rico gritou o preço de uma vez só: - Duzentos reais! (em dinheiro de hoje). E o gás? Se não tiver a venda na sua cidade é melhor usar lamparina! Continuamos por muitos e muitos anos com o velho e amado lampião a querosene e a lamparina sem capa de vidro. Fizemos com nossas próprias mãos uma carretinha. As rodas foram doadas pelo Zé Sinfrônio que nos ajudou a fazer o eixo e o mancal. Mais tarde vimos algumas com rodas de pneu de borracha, lindo demais. Sem tutu para  gastar, continuamos com a nossa com rodas de madeira ripada com latas de marmelada e goiabada bem desamassadas e pregadas no cume de cada roda.

- Todos nós tínhamos nosso Vulcabrás. Bom para andar e bom para durar. Zeca filho do dono da Padaria um dia perguntou ao Chefe Jessé se podia usar um quedes (Tênis) preto que comprou na capital. Todos da tropa olharam para ele espantados. Não conheciam o tal quedes. Usei Vulcabrás por muitos e muitos anos. Pedro Piaba um dia chegou com um Canivete Suíço. Gente quanta coisa o tal canivete tinha. Tirava rolha, tampinha, tinha serrotinho, cortador de unha, descascador de batatas e o escambal. Fiquei pensando na limpeza com talco Johnson todos os dias para inspeção. Na nossa tralha de corte tínhamos uma enxada pequena sem cabo e um enxadão (fazíamos os cabos quando no campo de Patrulha). Quase não usávamos a enxada e o enxadão. Ganhamos do Seu Norberto uma pequena lâmina com cabo que servia para furar qualquer buraco na terra e fácil de carregar. Naquela época ninguém conhecia o sisal, mas todos eram peritos em cipós, de qualquer qualidade.

- A cada dois ou cinco anos, o Sexto Batalhão da Policia Militar de Minas gerais sediado em nossa cidade desfazia de parte do seu material de sapa usado e doava a quem precisasse. Chefe João Soldado terceiro sargento sempre estava na fila dos pedintes e recebíamos barracas (duas lonas) mochilas de praça e oficiais, material de corte e sapa, até mesmo vasilhame principalmente as canecas e marmitas de campanha. Munir o maestro e intendente geral substituía nas patrulhas aquelas que estivessem mais estragadas. Dificilmente comprávamos alguma coisa. Nem mensalidade pagávamos. Cada Patrulha tinha sua Bandeira Nacional. A nossa puída e nem sei quando conseguiram uma nova para substituir. Quando saímos para acampar cada um ficava com uma banda da barraca (duas lonas) e no campo fazíamos os espeques e varões necessários para armar. Não tinha taxa de acampamento. Cada um levava de sua casa seu quinhão dependendo os dias acampados.  

- Hoje tudo mudou. A modernidade chegou. Tem mensalidade, taxa de acampamento, taxa de viagem e coisa e tal. Dizem que nem bússola se usa mais. (saudades da nossa Silva e da Prismática ganho do Professor Teobaldo do Colégio Santa Cecília). Dizem que um tal de Smart Fone faz tudo. Previsão de tempo (quatro quadrinhas de tempo resolvia tudo para nós), rumo, orientação para cozinhar, quem sabe faz também almoço e jantar? Será que ele serve para pescar? Espantar uma cascavel, caçar um tatu, pegar emprestado uns ovos de avestruz? Dedilhar um violão no fogo de conselho, servir de jangada para uma estupenda travessia num rio caudaloso? Não sei, dizem que os tempos são outros, deve ser, mas não é mais o meu tempo. Ele ficou no passado e o presente está tudo mudado. Fala-se cada coisa, até palavrões nas atividades escoteiras, não faltam meninos levar camisinha para o acampamento, o sexo não mais importa pois ficar é um verbo comum adotado pelos ideólogos da atualidade. Se não concorda te chamam de homofóbico. Aquela áurea de inocência daquele olhar venturoso, do respeito ao próximo, de dizer sim senhor, de amar o vento dos acampamentos, dos sonhos da descoberta e do amor à natureza, das noites dormidas sob as estrelas acabou. Acabou? Me garantem que não. Mas são poucos como eu sou. Saudosistas, execrados pelos modernos que dizem que o mundo mudou e os escoteiro tem a obrigação de acompanhar!