Uma linda historia escoteira

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Era uma vez...

terça-feira, 31 de julho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Os Velhos Escoteiros não dizem Adeus!



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Os Velhos Escoteiros não dizem Adeus!

Nota – Uma homenagem aos Velhos Escoteiros, Antigos e Velhos lobos que são assim como eu.

Alguns se intitulam Velhos Escoteiros, outros Antigos Escoteiros, e tem aqueles que se dizem ser Velhos Lobos ou Matusalém, ou seja, lá o que for. Não importa eles são o portal do saber do escotismo. Viveram uma vida, fizeram do escotismo sua filosofia de vida. Alguns vivem de saudades, outros ainda na ativa e aqueles que não tem mais condições físicas procuram contar histórias, escrever sobre escotismo e dentro do possível conversar nas redes sociais com seus amigos virtuais.

Dizem que idosa é a pessoa que tem muita idade; velha é a pessoa que perdeu a jovialidade. A idade causa a degenerescência das células; a velhice causa a degenerescência do espírito. Por isso, nem todo idoso é velho e há velho que ainda nem chegou a ser idoso. ... Você é idoso quando ainda aprende; você é velho quando já nem ensina. Nossa! Eu sempre me achei um velho, mas danadamente ainda quero aprender e ensinar. Ensinar o que?

                  Cada dia que passa mais vou vivento minha condição de ser velho. Dizem que existe o dia do idoso. Deve existir. Mas Gosto da modernidade e lembrar-se da vida do passado. Antigamente éramos Velho mesmo, mas tudo no mundo moderno é modificado conforme as necessidades de alguém. O comércio não pode chamar a gente de Velho. Pega mal. Idoso fica melhor. Já tem alguns que dizem sermos da terceira idade. Eu não tinha a mínima ideia como seria envelhecer. Os remédios, as dores no corpo, as faltas de ar, dormir mal e acordar cedo.

                   Bem cada um idoso tem seus pormenores, mas sabe o que é pior? Fila do SUS. Principalmente para quem é duro como eu. E os médicos? Olham para gente (quando olham) como se fossemos a escoria da classe humana. Sei que tem alguns médicos que não são assim, mas eu pergunto se você é atendido pelo SUS qual o maior tempo ficou dentro de um consultório médico? Outro dia bati meu recorde. Doze minutos. Ele digitando não tirava os olhos do computador.

                  Mas chega de lamurias, afinal sempre faço alguma postagem dependendo do homenageado. Assim não podia deixar os velhos para trás. Desculpe os idosos ou como dizem Terceira idade ou a melhor idade! – Eis que falando da velhice me deparo com uma crônica escrita por Luiz Farinha. Um jornalista português. Achei interessante, pois comungo um pouco do que escreve. Acho que eu já escrevi tanta coisa sobre a terceira idade que me contradigo aqui o que escrevi. Mas atualmente apesar de ser um espiritualista e saber que temos de passar por isto, vejo que a vida de Velho não é lá estas coisas, mas respeito tem gente que gosta.

                  Claro que por sermos Velhos temos certos direitos que nunca tivemos antes. Levanta quando quer (se tem esposa compreensiva como a minha), fica com uma roupa por semanas e ninguém reclama. Se quiser almoçar almoça se não quiser não almoça. Se dá vontade corre na padaria e toma um belo sorvete. E se quiser pode repetir quantas vezes quiser. O melhor mesmo é que nós os velhos dizemos o que queremos e todos aceitam. Aceitam? – Pô, o cara é Velho, no fim da vida, fazendo horas extras, vamos compreender!

               Mas vamos lá com a crônica do Luiz. Diz ele: - Se o leitor pertence ao número dos que já ultrapassaram os setenta é quase certo que ainda não espera dizer Adeus. Acredite que até eu olhei enviesado para o amigo que se saiu com esta quando quis rematar a conversa em que discorríamos sobre os problemas trazidos pela idade. Dizia-lhe eu: “deixa lá… ser velho é ser sábio!” De pronto ele sai com a resposta que eu não esperava: “deixo lá o caraças… ser velho é uma m...!” Despedimo-nos daí a pouco, e não é que enquanto me afastava lhe dei razão?

             - Na verdade será para acreditar quando nos dizem que “todas as idades têm a sua beleza”? Que “diabos” é ser da terceira idade? Que interesse tem que eu saiba mais do que um jovem com um quarto da minha idade? Que lhe interessa a ele a sabedoria que eventualmente acumulei enquanto percorri a estrada da vida? Pois não é verdade que os conceitos, os hábitos e as modas mudam mais depressa do que o tempo que eu hoje levo a subir ao meu terceiro andar? Não passo de um velho recipiente de coisas inúteis e fora de moda, coisas que já não servem a ninguém.

                 Quer saber mesmo qual a melhor idade? Era aquela que eu chorava e a mamãe vinha me abraçar. Era aquela que com uma mochila eu corria pelo mundo ou então aquela que todo mes tinha meu rico dinheirinho, pois trabalhava. Hoje? Aposentado e duro eu dou risadas com esta melhor idade. Mas entre tudo sou um velho feliz. Fiz quase tudo que queria fazer, tenho a melhor esposa da melhor idade que me conduz nas horas dificieis, tenho filhos maravilhosos, tenho netos para colocar mais brancos os meus cabelos e uma bisneta a caminho que breve terei a honra de abraçar.

                 E olhe, quando novo não tinha este dom de escrever o que quero, sem obediencia aos Chefões Escoteiros que acham os tais e que só eles podem decidir. Pelo sim e pelo não, ser velho é uma M... Mas posso falar o que quiser quando quiser sem ofender, pois sou um daqueles da terceira idade. E por outro lado é bom demais ser velho! Bah! Durma-se com um barulho desses!

domingo, 29 de julho de 2018

Contos de Fogo de Conselho. A Escola da Vida.



Contos de Fogo de Conselho.
A Escola da Vida.

                           Em um acampamento há tempos atrás, três tropas acampavam próximas a uma pequena floresta e um lago. Após o Fogo de Conselho quando as patrulhas já tinham se recolhido as suas barracas, nós os chefes começamos a colocar a conversa em dia. Falamos sobre o que pensavam os escoteiros do programa, da corte de honra, do grande jogo e dos reclames da inspeção do dia por parte de um dos monitores. Não perdíamos de vista as estrelas que no céu piscavam quem sabe para espantar o frio e as fagulhas da fogueira que levadas pelo vento desapareciam na escuridão. Éramos amigos de longa data e no escotismo não havia segredo entre nós. Falamos da corte de honra, da inspeção matinal do grande jogo e da cobrança dos monitores para aumentar o tempo livre no campo de Patrulha. Conrado o Chefe mais novo disse que nosso mestre Baden-Powell se orgulhava de ter aprendido muito na Escola da Vida. Ele também.

                            Nelsinho um Assistente entrou como sempre na sua pose de intelectual contando o que todos já sabiam. – A ideia do Escotismo quando surgiu parecia caminhar bem. Sabia-se que o menino estava preocupado, mas ansioso por fazer tudo àquilo que acreditava. Embora ele tivesse uma ideia de como realizá-lo, havia a pergunta mais importante da necessidade de obter a liderança adulta para organizar a sua administração na prática. De uma forma muito considerável essa questão foi resolvida pelos próprios meninos. Eles tiveram o bom senso de reconhecer que os oficiais crescidos eram necessários, e procuraram os seus lideres em seus respectivos bairros até que encontrassem aqueles dispostos a se tornar seus chefes.

                            Chefes, ele completou, “A tarefa do Chefe Escoteiro (que verdadeiramente é interessante) consiste em explorar o íntimo de cada jovem, descobrir a sua personalidade para então encontrar e desenvolver o que é bom, deixando o ruim de lado.” Não existe ensino que se compare ao exemplo como disse BP? Chefe Tolon no seu estilo de matuto do interior comentou: - Não sei se existe idade para que nós possamos aprender nesta formidável escola do mundo em que vivemos. Ele sorriu e completou: - Todos nós estamos matriculados na escola da vida desde que nascemos. Nesta escola o mestre é o tempo. A cada dia vamos aprendendo. Não importa a idade, pois o aprendizado não para. Dia e noite. É bom aprender com o silêncio, com os falantes, com os intolerantes e os gentis.

                        Interessante sua ponderação. Mas Mano Velho que sorria e não tinha dito nada aproveitou a deixa: - Leonardo da Vinci comentou que a experiência é uma escola onde são caras as lições, mas em nenhuma outra os tolos podem aprender. Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende. São duas coisas distintas – O saber dado pelos mestres nas escolas e a vida como ela é, sendo olhada, guardada em nossa mente e nos fazendo crescer no dia a dia.

                        Ele não deixou por menos e finalizou: - No dia em que guiarmos nossas ações, juízos, estudos e decisões por valores que visam ao sublime em vez da mesquinhez, quando agirmos inspirados mais nos critérios de justiça, da generosidade, da prudência, da temperança do que do interesse do egoísmo, no dia em que agirmos meditando sempre na beleza da doçura, na importância da humildade, no valor da coragem e no lugar da compaixão, nesse dia nosso planeta atingirá aquele estágio supremo que toda evolução técnica teve por meta.

                       Depois de ouvir tanta sabedoria pensei comigo sem nada dizer; - Viver o mais intensamente, arriscar sempre. Se tivesse 100 anos para viver, eu ainda não teria tempo para fazer tudo o que quero fazer. Às vezes, podemos passar anos sem viver em absoluto, e de repente toda a nossa vida se concentra num só instante. Deixe os nossos jovens viverem e aprenderem fazendo, errando até fazer o certo.

                       Depois desta aula de sapiência, nada mais havia a dizer. Chefe Carmelo nos convidou para uma oração. – Pai nosso, que estais no céu... E fomos dormir sob as estrelas do firmamento que tão bem é testemunha de tantos que um dia se sentaram em roda de uma fogueira para dizer o belo dos sonhos da vida que vamos viver! - Na escola da vida podemos aprender as mais diversas lições. Mas nós é que escolhemos as que vamos vivenciar. Os grandes sábios não se consideram mestres, mas sim, eternos aprendizes na escola da vida.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Mística e Simbologia no Escotismo.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Mística e Simbologia no Escotismo.

- “Todos os projetos devem responder às aspirações daqueles que os vão viver; devem partir dos seus desejos e sonhos. Os sonhos materializam-se num imaginário com personagens e símbolos. O imaginário existe em todas as idades, apenas se torna menos explícito com o crescimento e vai-se transformando em situações reais.” In A Caminho do Triunfo – B. P.

                   Baden-Powell, ao criar o escotismo, baseou-o no jogo. Neste jogo estão inseridas as histórias, os ambientes, os heróis e os símbolos. A tudo isto acrescentou um objetivo claro de educar os jovens. Criou, assim, o Imaginário. Este entende-se por:

- “Ambiente que envolve um determinado grupo e que se traduz por um espírito e uma linguagem próprias. Envolve uma história com heróis e símbolos. Induz a um sentimento de pertencer em relação ao grupo e permite a transmissão de determinados valores, na medida em que fomenta a identificação com os heróis e a atribuição de importância e significado aos símbolos da história.” In Manual do Dirigente

O imaginário não é específico, uma vez que aos Companheiros é mais útil a observação do mundo real, de modo a que um conhecimento consciente de si mesmos e da realidade que os rodeia lhes permitam envolver-se de forma ativa na sociedade, participando como cidadãos conscientes e responsáveis.

Da mesma forma, a simbologia pretende dar ao Escoteiro algumas ferramentas para olhar o mundo e ser capaz de se encaixar nele, seguindo os seus ideais e formulando as suas opiniões. Quando olhamos a simbologia no seu todo, percebemos que todos os elementos se complementam e permitem ao jovem desenvolver as várias dimensões do seu ser como forma de afirmação e definição de si mesmo.


Cerimoniais Escoteiras.
“Por Religião não quer dizer a reverência domingueira prestada à Divindade, mas a compreensão mais elevada de Deus sempre conosco e à sua volta”…
 (“Baden-Powell.” In Celebrações do CNE).

Há momentos na vida dos escoteiros que devem ser marcados de uma forma especial. As cerimónias Escotistas fazem parte das boas práticas que devem ser vividas em plenitude pelos escoteiros. Estas devem estar envolvidas em ambiente Escotista, sendo o momento ideal para relembrar Leis, ensinamentos do fundador, exemplos dos patronos e também um momento de reflexão interior. Os cânticos e os símbolos devem ajudar ao ambiente místico para que a mensagem seja bem apreendida. Algumas das cerimónias para os Escoteiros:


Vigílias – A palavra vigília significa estar de vela ou velada. Também significa a véspera de uma festa. Velar é estar vigilante ou prevenido, lutar contra a preguiça a fim de viver a “noite”, sem ser da “noite”.

Passagens de Secção – É a celebração do fazer caminho, de sênior para Pioneiro. Significa mudança de situação, motivada pelo progresso e pela idade. É o reconhecimento desse crescimento. Não é o fim em si, mas é sempre o termo de uma etapa e o início de percurso para outra etapa de crescimento mais exigente.
Promessa – É a peça fundamental do Escotismo. Educamos para a liberdade na responsabilidade e no compromisso. Por isso, a promessa dá sentido ao escutismo. A promessa é:
·       Um ponto de partida, não uma meta. É um instrumento pedagógico para alcançar um novo modo de ser, para percorrer o caminho que leve os nossos passos de construtores de um Homem Novo.
·       Um ato pessoal e comunitário. É uma aposta pessoal que implica riscos e um ato de fé e de esperança. A comunidade, a Tribo, o Clã ajudam a prepará-la, confrontá-la, realizá-la e revê-la.
·       É algo Concreto, útil e avaliável.
·        
Investidura de guias e funções – É o ato de dar posse ou a cerimónia em que alguém, a quem é reconhecida capacidade, é investido no exercício responsável de um cargo ou dignidade. É a aquisição de um estatuto novo, como se de um novo “vestido” se tratasse.


sábado, 21 de julho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Wander Veloso Pires – Meu compadre Wander.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Wander Veloso Pires – Meu compadre Wander.

Poucos tiveram a honra de conhecê-lo. Muitos que o cumprimentaram nunca mais esqueceram. Dizem que no Escotismo temos o privilegio de fazer amigos dos bons. Amigos inesquecíveis que guardamos no coração para sempre. Eu sempre fui um privilegiado. Hoje tenho milhares deles espalhados pelo mundo e muitos não terei honra de conhecer e apertar a mão uma pena, mas que é bom isso é. Ter amigos fazem parte do nosso mundo e saber preservá-los melhor ainda. Tive amigos lobinhos, amigos escoteiros, amigos chefes, amigos dirigentes e amigos difícil de descrever por ter por eles um carinho especial.

Conhecer o Wander, ou melhor, o Chefe Wander, ou melhor, ainda o compadre Wander lá por voltas de 1960 onde fizemos o CAB Escoteiro e depois o CAA Escoteiro. Um sujeito fora de série. Fez amizade com todos no primeiro dia apertando a mão, conversando ouvindo e contando causos com um coração escoteiro enorme para dar e vender toda sua “performance” escoteira e fraterna como um verdadeiro anfitrião na capital de Minas Gerais. Wander sempre o primeiro a oferecer sua casa, sua amizade e seu carinho por todos que o visitavam não importando sua classe social, espiritual ou mesmo a cor da pele.

- Quando assumi o cargo de Comissário Regional por volta de 1968, Wander logo ofereceu colaboração. Fora Comissário por muitos anos e tinha muita experiência. Aliás, Wander se oferecia em tudo para ajudar. Ficamos amigos, amigos de família. Dona Lucia, sua esposa, ou melhor, Chefe Lucia, ou melhor, Comadre Lucia, pois Wander e Lucia batizaram meu caçula (hoje com 46 anos) e a amizade se tornou maior. Quem conheceu a Chefe Lúcia sabe do que estou falando. Uma senhora uma verdadeira Dama, um sorriso e uma bondade incrível só pecando pela simplicidade.

Ambos me ajudavam em tudo. Eu cursos e informativos pelo interior de Minas me levando pela sua celebre rural Willians aos rincões mais distantes de nosso estado. Um dia lá pelos idos de 1973 voltando de Pouso Alegre para um curso local, eu ele Chefe Lucia, Blair e a Célia paramos em um pequeno bar a beira da estrada e ele nos convidou para ir até próximo a uma lagoa, e ver o mais belo céu de estrelas já visto no Estado de Minas. Lindo demais. Deitamos na relva e ficamos ali por horas.

Wander correu o Brasil e a América do sul em sua Rural. Ficou conhecido de norte a sul do Brasil. Em sua casa hospedaram grandes personalidades escoteiras do Brasil e do exterior. Uma das mais belas amizades que tive em minha vida. Wander tinha um sorriso maravilhoso, uma bondade explicita que chegava a incomodar. Chefe Lucia era a esposa perfeita. Dama e cavalheiro forjados em um época onde a formação escoteira tinha a alegria e fraternidade no ar.

Pergunte ao seu Velho Escoteiro em sua cidade, pergunte pelo Wander e Lucia. Garanto que em cada grupo vai ter um que os conheceram. Ver o casal uniformizado era de uma fidalguia sem par. Perfeitos, sem invenções, sem criações ou escolhas que aquela adotada pelo nosso líder Baden-Powell.

Wander e Lucia se foram. Devem formar em alguma estrela brilhante uma nova escola de grandes homens escoteiros do céu. Eu e Celia tivemos a honra de tê-los como amigo. Honra que muitos como eu também tiveram. A Você Compadre Wander, e a Você Comadre Lucia meu Sempre Alerta e em sinal de respeito e admiração eu tiro o meu chapéu!  

Nota – Uma homenagem ao Chefe Wander Veloso Pires e sua Esposa Lucia Veloso Pires, amigos que nunca mais esqueci e que hoje estão escoteirando no céu do Senhor.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Lembranças de Baden Powell



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Lembranças de Baden Powell

Olhando para trás em minha própria vida, eu tenho no meu tempo me deparado com uma quantidade imensa de estupenda boa sorte. Eu, por exemplo, tive a sorte de viver na época mais interessante evolutiva na história do mundo, com seu rápido desenvolvimento de veículos motorizados, aviões, sem fio, Tutancâmon, a convulsão da Guerra Mundial, e assim por diante.

Então, também, eu me encontrei com uma notável quantidade de bondade em todos os lugares, não apenas de amigos, mas de estranhos também. Além disso, tive a sorte de viver duas vidas distintas. Uma como um soldado e uma como solteiro, depois como um pacifista e pai de família. Ambas com o atributo comum do Escotismo, e ambas intensamente felizes.

Isso não significa que eu não tive dificuldades e provações para enfrentar, mas estes têm sido o sal que saboreou a festa.

Para estes eu descobri que um sorriso é um pau que vai levar você por toda a direita, e em 99 casos em cada cem é o sorriso que faz o truque.

(Quando você está próximo preocupado ou com raiva, forçar-se a transformar-se os cantos de sua boca e sorriso e você não vai encontrar o valor dessa dica.).

"Suavemente, suavemente, pega o macaco," é o que dizem no Oeste Africano de um preceito muito valioso. Uma enorme quantidade de homens não conseguem por falta de persistência e paciência.

Olhando para trás
Quando se tem passado o marco 75 e tem a essa fase da vida em que você pensar duas vezes antes de decidir se é agora vale a pena pedir um casaco de noite novo, é permitida para um olhar para trás ao longo da estrada um tem viajado. A tendência natural é para pregar e avisar a outros viajantes de senões no caminho, mas não são o melhor sinal para eles algumas das alegrias pela maneira que eles poderiam perder?

A grande coisa que chama a atenção ao olhar para trás é a rapidez com que você vê muito breve é ​​o tempo de vida nesta terra. O aviso de que se poderia dar, por conseguinte, é que ele não é bem a desperdiçar afastado em coisas que não contam no final, nem, por outro lado é bom levar a vida tão a sério como alguns parecem fazer. Faça-lhe uma vida feliz, enquanto você tem. É aí que o sucesso é. Possível para cada homem.

Variadas são as ideias sobre o que constitui o "sucesso", por exemplo, dinheiro, posição, poder, realização, honras, e afins. Mas estes não são abertos a todo o homem, nem que eles trazem o que é sucesso real, ou seja, a felicidade. A felicidade é aberta a todos, uma vez que, quando você reduzi-lo, ele simplesmente consiste de contentamento com o que você tem e fazer o que puder para outras pessoas.

Como Sir Henry Newbolt resume: "O teste real do sucesso é se uma vida tem sido uma pessoa feliz e um feliz dar".
Baden-Powell 1912.

domingo, 15 de julho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. “Alexandre Fejes Neto” Vulgo Chefe Lecão.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
“Alexandre Fejes Neto” Vulgo Chefe Lecão.

Dizem que amizades levam tempo para se concretizar. Mas tem amizades que se conquista em minutos.  Eu posso dizer de cátedra, pois aprendi a reconhecer amizades só no olhar nestes 78 anos de vida. Interessante que a gente houve falar de formadores, de chefes diretores, presidentes, Insígnias e aqueles mais simples nem são comentados. Exceto os dos seus círculos escoteiros e amigos quem poderia contar a vida do chefe Lecão? Quem era ele? Onde estão suas histórias, suas comendas que ele merecia? Sinceramente não sei se ele recebeu os méritos que merecia. Ele é como aqueles viventes na Legião Escoteira dos Esquecidos.

Sem escárnios ou ironia... Vamos falar do Chefe Lecão somente. Pois é, cheguei em SP por volta de 1977 e logo conheci os figurões escoteiros. Chefe Lecão não estava no rol dos maiorais. Pelo menos para mim que tantos cursos dei aqui e poderia tê-lo aproveitado no rol dos adestradores pelos seus altos conhecimentos. Isto ele tinha para dar e vender. E eis que 40 anos depois resolvi aceitar um convite dele no Facebook para um encontro de antigos escoteiros em um Fogo de Conselho em seu Grupo o Tabapuã. Mesmo com a saúde ruim lá fui eu para lhe dar um abraço. Surpresa, um homem simples, amigo, simpático, educado e prestativo me foi apresentado.

Só depois daquela estupenda batota de sete, eu ele, e mais três chefes aí incluído a Célia e meu filho que me levou até lá, fizemos um fogo de conselho. Lindo, maravilhoso, o local do grupo na SABESP era espetacular. Fiquei maravilhado com tudo com sua educação e fidalguia. Nem parecia que ali estava um jornalista, radialista escritor e Escotista brasileiro, que tinha por hábito difundir gratuitamente seus vários livros sobre escotismo e ecologia. Eu só fiquei sabendo disso tudo depois, mas nas pesquisas que fazia na internet.

De família de imigrantes vindos da Hungria, Alexandre era filho do sr. Alexandre Fejes Filho e da Sra. Rosália Anna Balogh Fejes. Cresceu em São Paulo se formou em ecologia, foi fotografo amador, videomaker, escritor pesquisador independente produtor de informática e de radio. Puxa! Chefe Lecão era um “Faz tudo” Um pedagogo e ninguém me disse nada? Foi lobinho, escoteiro até chegar a mestre pioneiro e Chefe de seu grupo. Fez vários cursos, mas nunca reconhecido como um dos maiores chefes do estado de São Paulo. Deram a ele a medalha gratidão bronze e mais nada. Não sei se ele merecia a Bons Serviços, a cruz São Jorge, a Tiradentes? Sem falar no Tapir de Prata. – Não sei. Ele não tinha tacos e nem cargos para tal honra. Falar mais sobre ele é falar em alguém que merecia muito mais do que foi homenageado.

Expert em Radio Amadorismo criou uma estação de Radioamador que recebeu da Anatel o indicativo de chamada PY2GET e incentivou a criação de um minicurso destinado ao aprendizado de radioamadorismo voltado ao Escotismo. No dia 25 de março de 2017 a Câmara Municipal de São Paulo conferiu ao Chefe Lecão (in memoriam) o prêmio Escotista Mario Covas Junior de Ação voluntaria. Profícuo escritor tem dentre suas obras escoteiras: - Milagres da Cozinha Mateira, espiritualidade Escoteira, biscoitos escoteiros, Scouts Song Book em dois volumes e Bamboo – Cultivo e pioneirías. Todos editados em PDF. Não sei se suas obras constam das publicações da Escoteiro do Brasil.

Quem diria que naquela noite, calma, serena, em volta de uma fogueira eu estava junto a um dos maiores escoteiros da atualidade. Um BP escondido em um grupo pouco conhecido e pouco reconhecido pelas suas qualidades escoteiras. Ali na minha frente, naquela fogueira Chefe Lecão com seu uniforme caqui simples não se mostrava um professor na minha presença, humilde ouvia mais do que falava. Foi uma honra ter estado lá naquele dia. Ter apertado sua mão e lhe dado um abraço. Pena que logo após aquele encontro ele veio a falecer.

Contar de seus prêmio literários científicos e tecnológicos seria falar de um “bom vivant” Escoteiro que vivia a incentivar os jovens a viverem na natureza e para a natureza, e sempre que possível fazendo atividades ao ar livre. Na SABESP onde fica o grupo Tabapuã é como se estivéssemos em um bosque, todo arborizado onde os funcionários e chefia admiravam e apoiavam as ações do Chefe Lecão nas suas lides escoteiras.

Não está mais entre nós. Deve estar fazendo suas atividades escoteiras de boa ação no céu. Para ele eu faço questão de ficar em posição de sentido e tirar o meu chapéu gritando solenemente Anrê, bravoô e Parabéns Chefe Lecão.

Nota – Chefe Lecão participou do movimento escoteiro desde lobinho e faleceu em janeiro de 2017. Intelectual autor de várias obras escoteiras teve uma vida cheia de atribulações como radialista e jornalista que era. Tive a honra de apertar sua mão e lhe dar um abraço. Um simples chefes que para mim irá ficar para sempre na história do escotismo brasileiro.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Projeto escoteiro – Operação Chefia.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Projeto escoteiro – Operação Chefia.

Meditava sobre o escotismo de hoje e do futuro. O velho sonho de ser um herói da selva ainda persistia, mas agora na mente dos adultos que chegavam ao escotismo. Muitos deles não tinham sido escoteiros e quando dirigiam suas tropas se colocava no lugar de cada jovem na tropa e em sua Patrulha. A maioria queria voltar no tempo, fazer seu escotismo de raiz conforme ele pensava ser um Monitor, montar seu campo, dar seu grito escolher seu nome, correr pelos campos com seu bastão ser aquele que nunca foi.

Foi então que pensei, porque não organizar tropas de chefes escoteiros? Porque não dar a eles a oportunidade de voltar no tempo e acamparem conforme seus sonhos? – Mãos a obra. Publiquei no Facebook minha intenção. – Amigos, estou organizando uma tropa de chefes escoteiros para um acampamento de 10 dias. Se você é akelá, Chefe de tropa Assistente ou membro honorário do escotismo e quiser fazer parte faça sua inscrição conforme folha anexa. Susto! Enorme! 180 inscrições em uma semana. O que fazer? Uma tropa teria que ter no máximo 32 chefes.

Como escolher? Por graduação ou por conhecimento seria errado. O melhor mesmo seria por sorteio. Assim foi feito. A primeira reunião ficou marcada para um mês depois. Oito dias acampados na Serra do Caparaó. Local de encontro, horário, material e a tralha de Patrulha consegui emprestado em uma tropa escoteira de amigos. O dia chegou chefes gritando sempre alerta. Todos com seu uniforme ou vestimenta. Exigi postura e pedi para não usarem camisa fora da calça. Risos.

Formamos as patrulhas. Vinte minutos para cada uma escolher o nome, o grito, o lema, e o cargo de cada um na Patrulha. Perguntaram-me se não podia ser os nomes das patrulhas de Brownsea. Porque não? Logo estavam apresentando: - Chefe Corvos prontos, e Lobos prontos. Logo vieram os Maçaricos e Touros se apresentando. Todos vibrando, me lembrei do meu curso da Insígnia feito há tanto tempo. Treinamos por alguns minutos os sinais manuais. Havia discordância e agora não mais.

Os chefes vibravam. Sentiam-se rejuvenescidos. Eu sabia que isso seria no primeiro dia, depois as duvidas, as discordâncias iriam acontecer. Não é fácil viver em equipe com quem não se conhece mesmo sendo escoteiro. Isto seria um excelente aprendizado para as futuras tropas. – Uma hora para armarem o campo e mais uma para o almoço! Foi um corre, corre. Eu olhava com atenção cada um. As mulheres não ficavam atrás dos homens. Uma barraca, duas uma mesa, duas, fumaças aromáticas e gostosas no ar. Um sentimento patriótico quando apitei para a bandeira. Cada um em seu lugar virava para a arena e fazia a saudação.

Os Touros me convidaram para o almoço. Estava com fome. Seu cozinheiro era um Chefe de Santa Catarina e o Monitor do Ceará. Distantes na lida, unidos pelo escotismo. Todas as patrulhas almoçaram e convidei para uma Caçada ao Javali. Nada de matar o bichinho, o jogo seria quem conseguiria fotografar um pássaro ou animal mais próximo. Os Maçaricos ganharam. Fotografaram um Jacaré a menos de um metro no lago próximo.

A noite um jogo noturno calmo, todos muito cansados e convidei para uma conversa ao pé do fogo no meu campo de Patrulha. Eu tinha um, fazia questão. Um bule de café fervia nas brasas, um vasilha de água quente para os aficionados do chimarrão. O primeiro acampamento da tropa Minueto iria ficar na história. Eu até pensava no dia das grandes pioneirías, no ninho de águia, no caminho do Tarzan, na torre das nuvens brancas, e no elevador levado pelo vento. Combinados que as patrulhas se revezariam na conversa ao pé do fogo. Dormi como um anjinho.

Acordei disposto a tudo, procurei meu chifre do Kudu para iniciar a jornada do dia e nada. Onde estava? Olhei melhor, era meu quarto, tudo não passou de um sonho. Eita eu que adoro sonhar escoteirando. Senti o cheiro do café que a Célia fazia. Levantei, espreguicei e cantei uma canção escoteira: Que dia maravilhoso, que belo amanhecer, na paz de Deus junto a terra... Ah como é belo viver!

Nota – E você meu amigo, aceitaria meu convite para um acampamento só de chefes? Um perfeito acampamento de Gilwell? Se aceitar será bem vindo, quem sabe fazemos um sem ser um sonho? Os bons tempos dirão. Sempre Alerta.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Um novo mundo para viver.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Um novo mundo para viver.

Mundo ou meu país? Ele agora é democrático. Tem liberdade demais. Tudo aqui pode e os outros já não nos servem de exemplos. Aqui pode tudo. O jovem tem direitos que muitos países de primeiro mundo não têm. Se ele quiser morar na rua pode. Se ele quiser se drogar pode. O tal de ECA (estatutos da criança e do adolescente) permite direitos que diferente de outros aqui o adulto, a autoridade e os pais se disserem o contrário se vai preso, admoestado, e olhado pelos amigos e vizinhos com cara de mau. Aqui pode falar palavrão a vontade. Tente proibir e você vai se arrepender para o resto da vida.

E as crianças? Gritam de tudo em todo lugar, Viad... Porr... Filho da P... Caral... e isto agora é normal. Gritam em baladas, em jogos, no cinema e tem muitos que gritam em sua própria casa! Mas isso pode, porque não? Se mamãe e papai não corrigir quem vai corrigir? E se mamãe e papai também usarem dessas palavras chulas quem vai dizer o contrário? Quantas vezes vemos aqui postagens cheias de palavras obscenas escritas por adultos? Se você reclama recebe o troco: “vá se fod...”. Soube que tem um lugar preferido para os escoteiros dizerem o que pensam nos encontros nacionais. Ops! Sem desmerecer o Jamboree, acredito que lá todos serão anjos... Quem viver verá!

Outro dia vi na TV os jovens da Tailândia. Educados, prestativos, dando as mãos aos mais novos para atravessar a rua. E os que se salvaram na Caverna? Que calma, que disciplina, sem reclamações, aguardando sua hora. E no hospital? Putz! Que lugar limpo, bem conservado e eles saudando com educação. Nos países mais avançados ainda se briga pela educação dos jovens e a disciplina. Claro tem alguns que ainda mantém o manto da impunidade, mas são poucos. Aqui se um jovem mata, estupra rouba ele fica um ou dois anos na Fundação Casa ou algum parecido. O ECA está aí para ser obedecido.

ECA? A Escoteiros do Brasil dá mais importância ao ECA em cursos que em atividades técnicas. Insígnias recebem seu lenço sem entender nada de Sistema de Patrulhas, aprender fazendo e técnicas mateiras. Errado? Sei lá! Meu pai e minha mãe quando jovem me corrigiram fisicamente. Meu pai puxou minha orelha, minha mãe palmadas. Hoje? Eles iriam preso. E eu? Não sou ouvido? Não posso dizer que valeu? Pois é, o escoteiro pode tudo na mente dos dirigentes. E os pais? Alguns só entram para vigiar seus filhos se estão ou não recebendo uma boa educação escoteira.

A Própria EB exige tanto e nem dá bola para o escoteiro. Consulta as bases? Isso passou longe. Menino não fala, não comenta só os “meninos” de 17 a 23 anos que tem sua organização para falar. Mas eles falam? Acho que estamos carente de exemplos. Exemplos de chefes dignos mostrando aos seus escoteiros que a Lei e a Promessa não são para um dia só. Tem cada exemplo de assustar. Tem Chefe que faz questão de dizer que ele faz o que achar certo, não tem de dar satisfação a ninguém. Repete como se fosse papagaio que ele é o bom, se alguém quiser sair no tapa ele topa. Exemplo? Sei não.

Vamos ver se o Jamboree em Barretos tem exemplos para dar e vender. Muitos estão lá para se divertirem e aprenderem na escola de Baden-Powell. Quem sabe ele estará lá em espirito?

Bom campo e boa caçada são meus desejos a todos jamborianos.

Nota – Apenas uma crônica sobre o adolescente. Não são todos apenas alguns que por saberem ser imputáveis agem como se não tivessem nenhuma responsabilidade com ninguém. O palavrão corre solto e onde iremos parar no futuro? Que exemplo estamos dando para nossa juventude?

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Em busca da felicidade. Tem um perfume de saudades escoteiras no ar!



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Em busca da felicidade.
Tem um perfume de saudades escoteiras no ar!

- Hoje depois de varias noites mal dormidas, acordei como se estivesse em um acampamento escoteiro. Gosto disto. Dá gosto olhar a lona ainda enxovalhada e o ar do campo insubstituível. Olhar de lado meus amigos ainda dormindo, ver lá fora o som de uma cascata, um bem ti vi cantante, um grito dos macacos prego guinchando nas árvores. Dormia como uma pluma sem dores sem falta de ar. Era assim nos acampamentos. Saudades... Muitas. Vontade de voltar no tempo.

- Meus acampamentos naquela época ainda não tinham o espirito de Gilwell. Nem sabíamos o que era ou significava. Tudo era tratado em noites de quinta ou sexta na sede ou em casa de alguém. Vamos? Vamos. Onde? Onde o vento nos levar... Ração B para dois dias. Todos sabiam o que significava. Dois almoços, uma janta, dois cafés e o que faltasse o campo iria fornecer. Frutos do campo, maxixe, taioba, Lobrobô e peixes. Peixes? Todos eram peritos em pesca. Fumanchu o nosso cozinheiro sabia o que fazer. Ninguém reclamava da “boia” e ninguém pedia comida extra. Cada um tinha um bornal extra para levar as tralhas do campo. Barraca de duas lonas no costado e lá íamos nós.

- Acampar toda tropa era também diferente. Não sabia se o Chefe Jessé tinha programa. Ele gostava de um apito. Cinco e meia da madrugada e lá estava a chamar para a física. A Patrulha tinha de ir completa, nada de gatos pingados chegando. Era exigente, Romildo o Monitor mais antigo era o Guia. Fazia questão de cumprir todos os exercícios como exemplo aos demais. A bandeira era as nove em ponto. Nem um minuto a mais. Antes uma rápida inspeção sem pontuação.

- Eu adorava as noites de campo. O Chefe Jessé gostava de uma conversa ao pé do fogo. Contava causos de sua vida na estrada de ferro, da vida de Baden-Powell e confesso que acho que ele inventava muito (risos). Sempre o bule de café, um biscoito de polvilho e canções gostosas para cantar. Os fogos de conselho não tinham animador. Era tudo espontâneo. A Patrulha preparava algum e avisava as outras. Boas risadas com o Serafim, com o Pintor de Paredes e tantas “patacas” inventadas na hora. A cadeia da fraternidade era mais alegre. Nada de choro. Coisa de homens.  

- Houve uma época que ele trouxe uma ideia de fazer uma disputa entre patrulhas e a exigência foi maior. Mostrou quatro bandeirolas de couro, com letras em fogo escrito: Padrão de Eficiência. Todas as patrulhas podiam receber. Foi espetacular. Eu gostava dele apesar de não ser muito afável no contanto com a tropa. Chegava na sede, apitava, formava, bandeira (a Patrulha de serviço já tinha tudo preparado) E depois os mesmos jogos, briga de galo, salto do papagaio, quebra canela, Macaco Disse e luta do Scalp. Eu adorava a briga de galo.

- Tínhamos liberdade para acampar. Bastava procurá-lo em seu escritório na sede da Estrada de Ferro Vitória Minas. Passagens de graça e ele nunca dizia não. Andávamos até em trem de carga. Ele confiava, era uma época que se confiava nos jovens diferente de hoje. Quando as patrulhas acampavam não tinha reunião. Quase todas sempre iam para o campo pelo menos uma vez por mês.

- Os pais confiavam nos filhos. Eu tinha um pai e uma mãe que dificilmente dizia não. Só em casos extremos. Era bom sair pela manhã ou à noite, mamãe no portão dando adeus. Meu pai não, era mais caladão. Na volta sempre eles no portão a me esperar (mamãe e minhas duas irmãs). Só mais tarde quando fiz meu primeiro curso escoteiro foi que vi a programação de um acampamento nos moldes de Gilwell Park. Logo ao voltar (já era Chefe aos dezoito) chamei os monitores e expliquei como era. – Vamos fazer um Chefe?

- Foi demais. Todos vibraram. O tempo foi passando e até o final de 1992 ainda fazia questão dos meus acampamentos de Gilwell. Aprender a fazer fazendo. Tive a honra de ter grandes patrulhas nas tropas que colaborei. Bons monitores bem preparados. Alguns não saiam de minha casa e eu era amicíssimo dos pais deles.

- Hoje sei que muitos dizem que isto não é mais possível. Não sei. Acho que nem tanto mar nem tanto terra. Um bom acampamento de Gilwell tem sim lugar em qualquer tempo. Basta o Chefe saber programar e saber realizar. Fico triste ao ver notícias que estão a processar chefes por tratar mal seus escoteiros. Acho que isto não acontecia em minha época. Dávamos valor à amizade, ao respeito e a disciplina.

- Não sei se tantos cursos pedagógicos e visando dar informações das novas metodologias educacionais tem mais valor sobre os cursos técnicos.  Não estou junto, não estou vendo os resultados. Só o futuro dirá. Eu no entanto gosto de lembrar meu tempo de menino, chapelão, Vulcabrás e pé na estrada. Não pode mais? Se eu tivesse forças iria mostrar que pode, basta querer.

Nota – Nestes tempos de velhice, às vezes a saudade aperta, a vontade voltar no tempo cresce e a gente se põe a lembrar. Um amigo disse que em qualquer época os escoteiros sempre irão lembrar de sua época. Concordo, mas a minha foi uma das partes mais lindas da minha vida. Espero que os de hoje quando chegarem nos tempos da terceira idade possam recordar assim como eu nos dias de hoje.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

A Caminho do triunfo. Trechos do livro de Lord Baden-Powell.



A Caminho do triunfo.
Trechos do livro de Lord Baden-Powell.

Ao longo do nosso percurso deparamo-nos com diversos escolhos e tempestades e por isso devemos sempre navegar de frente para eles, com olhos atentos para os podermos identificar, contornar e, durante o processo, aprender com eles. Quando parece mais simples desistir, quando tudo parece impossível, devemos ultrapassar isto de maneira a poder atingir a FELICIDADE.

É para chegar a essa Felicidade que B.P. nos deixa duas chaves importantes:

-"Não levar a vida muito a sério, mas aproveitar ao máximo o que se tiver olhar a vida como um jogo, e o mundo como um campo de jogos." - "Fazer que as nossas ações e pensamentos sejam orientados pelo amor." "Por caminho não quero significar um caminhar ao acaso, sem finalidade, mas antes um trajeto agradável com um objetivo definido, ao mesmo tempo em que há consciência das dificuldades e perigos que podemos deparar no percurso.".

  "O homem emaranha-se nas dificuldades ou tentações das águas agitadas, principalmente porque não o avisaram dos perigos do caminho, nem do modo de se defender deles" e por isso BP parte da sua própria experiência para nos aconselhar a percorrer o caminho que é a vida e para que esse caminho seja para o TRIUNFO. Devemos enfrentar cada dificuldade com coragem e amor no coração, impelir a nossa própria canoa sem baixar os olhos e estando Sempre Alerta Para Servir. BP mostra-nos os caminhos, ninguém o percorre por nós.
                    “If you are a square peg keep your eye on a square hole and see that you get there.” (“Se você é uma peça quadrada, mantenha seus olhos em um buraco quadrado e veja que você pode chegar lá”). Esta frase faz todo o sentido para nós, que estamos a iniciar uma vida adulta e temos muitos sonhos por concretizar. B.P. sublinha que é importante lutarmos pelo que queremos, em busca da felicidade dos outros, contribuindo assim para a nossa própria felicidade. B.P. nunca referiu que seria fácil cumprir os nossos objetivos pessoais, mas afirma que não nos podemos deixar influenciar pelas “palmeiras que dão sombra” e deixar os nossos sonhos fugir, só porque parece complicado.

               O nosso fundador afirmou que o caminho dos jovens é, ou deve ser, o da Felicidade. Não a felicidade que temos em adquirir bens materiais, por exemplo, mas a felicidade que advém do serviço ao próximo, da felicidade deste! Esse sim é o verdadeiro Triunfo.

BP no seu livro "A Caminho do Triunfo".

sábado, 30 de junho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Ainda sobre o uniforme.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Ainda sobre o uniforme.

- Perdoem o Velho Chefe Escoteiro. Ele é daqueles que não desiste de suas ideias “pratifundas”, de seus pensamentos e de seus ideais. Ele é mesmo um chato de galocha. Matraqueia por todos os ventos seu amor ao velho caqui. Sem direito a votar na escolha supimpa da EB, surgiu no mundo dos escoteiros como um trovão no ar e olhe quem contou não foi “Sherazade” a prestimosa em pose de apoteose a “vestimenta”. Que eu saiba mesmo com direito a voto a ninguém foi perguntado. Cala-te boca, ajoelha e diga: Vou pagar tudinho que valer essa belezura. E ela chegou como se fosse um fashion week bipidiano: - Eu cheguei, dezenove tipos e os barrigudos podem usar a camisa fora da calça! O caqui já era! Um inseto no capim gordura gritou: Quanta papagaiada!

- Alguns estados resistiram bravamente. Lutaram pelo seu lugar entre os Caqueanos e fincaram sua bandeira iluminada para nunca mais ser arreada. Outros estados ficaram na dúvida, pois alguém lá do berço de ouro gritou: É por pouco tempo, logo os Caqueanos irão desaparecer no horizonte do esquecimento. Meu estado se entregou. Ajoelhou e gritou amém. Hoje quase ninguém de caqui. Todos orgulhosamente “vestimentados” nos quatro cantos das Minas Gerais. Se o Floriano e o Darcy estivessem vivo estariam dando um “estrimelique mineiro”.

- E aqueles estados firme nas suas tradições caqueanas bravamente gritaram: Aqui estou daqui ninguém me tira! Neles não apareceram aqueles bem quistos com o poder para dizer: - A EB não gosta dos Caqueanos. Ouve um tempo que ela retirou a venda do caqui na loja. Só a vestimenta. Agora voltou a vender, afinal quem ganha um vintém não fica para trás no fausto faturamento “uniformático”. Eita palavrinha danada. Kkkkk.

Até que a tal vestimenta não é tão de mau agouro. Se os que as vestem estivesse mais sóbrios escoteiramente mostrando esbelta apresentação pessoal, eu mesmo me arriscaria a dar uma beliscada, uma “mordicarda” e tirar uma foto para a posteridade. Na foto escreveria: Aqui jaz uma que achou que era e nunca foi! Kkkk.

Sem muito papo, hoje é dia de reunião, dia de alegria, de paz, de sempre alerta de melhor possível de servir. Dia de abraço, de sorriso de aperto de mão. Antes de encerrar estou encucado. Será que é verdade? Dizem que os “barrigudos” nos escotismo adoram a camisa da vestimenta solta para tapar a pança! É verdade? Sem ofensas... “Puis quá”! “Discurpe” os barrigudos de plantão, mas me disseram que em cada 05 chefes 06 são barrigudos! Kkkkk. E eu que o diga com minha pança de Sansão aposentado! Deus do céu tirei o dia para gargalhar, mas, por favor, sem ofensas... Sem ofensas... Sem ofensas!

Até mais, boa reunião, com pança e ou sem pança, que os escoteiros e lobos voltem para casa sorrindo pensando na próxima, se Deus é claro quiser... E ele adora os escoteiros!

Nota – Não tendo nada a fazer, de novo uniformizei e meti de frango a molho pardo para comentar a tal vestimenta. Pensei no meu estado que aderiu a pau sem reclamar. Como ficaram Floriano e Darcy Malta lá no céu vendo esta turma de camisa solta na pança? Pagaria uma mesa quadrada feita de cipó “pueira” só para ver!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Padre Jacques Sevin – fundador do Escotismo Católico.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Padre Jacques Sevin – fundador do Escotismo Católico.

“No final de sua vida, B-P declarou sobre o Padre Jacques Sevin: A melhor realização das minhas ideias no escotismo foi feita por um homem de batinas!”.

- O Padre Jacques Sevin foi um jesuíta nascido em Lille a 07 de dezembro de 1882. Em de 20 de setembro de 1913, reuniu-se com Baden-Powell, na Inglaterra, para avaliar a eficácia de seu método. O Padre Sevin identificou-se profundamente com o Escoteirismo e tornou-se Chefe Escoteiro, fundador e capelão de tropas na Inglaterra, Bélgica e França. Escreveu “O Escotismo- estudo documental e aplicação." Em 25 de Julho de 1920 as diversas associações católicas francesas uniram-se na Federação National Católica "Scouts de France" em torno, especialmente de duas personalidades: Cônego Cornette e Padre Jacques Sevin.

- Através de seus livros e artigos em revistas, Padre Sevin demonstrou a espiritualidade católica presente no Método Escoteiro, centrada na Boa Ação (B.A.) como serviço cristão. Desenvolveu a dimensão eclesial do Escoteirismo Católico, onde a patrulha se torna uma equipe de irmãos cujo significado é dado por Cristo, porque, para o Padre Sevin, o escoteiro é um cristão cuja preocupação é fazer crescer Cristo ao seu redor. O dom de si, a virtude eminentemente cristã incentivada por Baden Powell, integra totalmente a espiritualidade católica que abarca todo o movimento. "O Escoteiro é uma alma se movendo em direção à perfeição", disse ele.

- Padre, poeta, educador e comissário para a formação de líderes em Camp Chamarande (Essonne) marcou o movimento com a sua pegada. Os líderes treinados pelo padre Sevin tornaram-se as fontes de uma primeira "idade de ouro" do Escotismo Católico na década de 1920, da qual ainda somos em grande parte devedores. Padre Jacques Sevin fundou alguns anos mais tarde, a Congregação da Santa Cruz de Jerusalém atendendo aos pedidos de suas ex-guias. Voltou á casa do Pai em 19 de julho de 1951 e está enterrado em Boran-sur-Oise. Padre Jacques Sevin, SJ foi declarado Venerável 10 de maio de 2012 pelo papa Bento XVI.

- A UIGSE UIGSE-FSE (Union Internationale des Guides et Scouts dEurope – Fédération du Scoutisme Européen) se inspira no Pe. Jacques Sevin, SJ, que fundou os Scouts de France, escoteiros católicos franceses ligados à WOSM, e procura manter o seu legado e sua tradição. Jacques Sevin entendeu que o Escoteirismo poderia ser um instrumento fantástico para a educação. Ele aprofundou a ideia básica e desenvolveu o Escoteirismo criando o Escoteirismo Católico.

- Com data de 10 de Maio de 2012, o Papa Bento XVI autorizou o reconhecimento das virtudes heroicas do Padre Jacques Sevin (1882-1951), fundador do escutismo católico e dos Scouts de France, o primeiro passo para a sua beatificação.
Para além de responsável pela ideia do escutismo católico, o qual Baden-Powell considerou ser «a melhor realização do meu pensamento», Jacques Sevin, Jesuíta, foi também fundador da Congregação das Irmãs da Santa Cruz de Jerusalém (Soeurs de Sainte-Croix de Jerusalém).

- Impressionado pelo método educativo do escotismo, Sevin encontrou-se com Baden-Powell em 1913 e escreveu “Scouting, a decoumenteary study and applications”. Tendo feito o curso de Insígnia de Madeira em Gilwell Park (dizem que o Padre Sevin foi um dos quatro chefes a receber a quinta conta quando ainda existia) levou o escotismo para a França onde foi adaptado. Aos poucos começou a aplicar o método que com o passar do tempo, foi muito bem aceito nos círculos religiosos. Ele encorajava particularmente os seus escoteiros a não terem medo de levantar âncora, para seguirem o Cristo conforme o exemplo dado por Santa Teresa, que não hesitou em deixar o conforto do seu lar e entrar para o Carmelo.

- Dizia o Padre Sevin: - Quando nós acampamos com nossos escoteiros não é somente para coloca-los em contato com a natureza, a mais importante fonte de toda forma de educação; é principalmente para incutir nas suas almas, uma mentalidade campista para toda a vida. Esta é a mentalidade de todo homem que é realmente livre, independente de ações e de posses. Este tipo de homem sabe cuidar de si, sozinho, e por isso está Sempre Alerta!”“.

- Baden Powell teria dito do Pe. Sevin: “Ele fez a melhor realização das próprias ideias”. Este reconhecimento por parte de Baden Powell atesta a boa compreensão do projeto escoteiro, tal como idealizado.

- A Diocese de Taubaté apoiou o início do movimento educacional do Escotismo Católico junto aos Exploradores do Brasil, que é uma realidade escoteira que está em vias de filiação à UIGSE-FSE (Union Internationale des Guides et Scouts dEurope – Fédération du Scoutisme Européen).

- O Escotismo católico no Brasil da UIGSE-FSE é divido em três ramos. Amarelo-fé (crianças entre 7-12 anos); Verde-esperança (adolescentes entre 12-17 anos); e Vermelho-caridade (a partir dos 17 anos).

Os que se interessarem em conhecer e fazer parte do movimento dos Exploradores do Brasil podem escrever para scriptorivm@hotmail.com.

Nota - A UEB, ou melhor, a EB por muito tempo se tornou a única a praticar o Escotismo no Brasil. Devido a sua forma de liderança muitos discordaram e se filiaram ou organizaram outras associações escoteiras no Brasil. Em vez de manter uma politica de boa vizinhança, fraternidade e respeito ela a EB resolveu agir de forma arbitrária ameaçando e processando dando assim condições ao surgimento de diversas associações escoteiras no território Nacional.